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sábado, 3 de março de 2012

LIVRO AMANHECER ATÉ CAPITULO 28

Oi galera hoje vou postar apenas uma parte do livro Amanhecer, da saga de crepúsculo, depois postarei os capitulos restantes neste mesmo post, é que meu tempo esta corrido, como sempre, um dia para nós seres humanos nunca é o bastante, náo é mesmo...

                                                                                                                                                                          

LIVRO 1: BELLA [amanhecer]
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Infância não é a partir do nascimento com certa idade para uma certa idade. A criança se torna um adulto, e esquece das coisas infantis. A infância é o reino onde ninguém morre.

Prólogo [amanhecer]
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Eu já tive muito mais experiências de quase morte do que era necessário, isso não é exatamente uma coisa a qual você se acostuma.
No entanto, enfrentar a morte novamente parecia estranhamente inevitável. Como se eu realmente estivesse marcada pelo desastre. Eu escapei vez após outra, mas ela continuava vindo atrás de mim.
Ainda assim, essa vez era tão diferente das outras.
Você pode correr de alguém que você teme, você pode tentar lutar com alguém que você odeia. Todas as minhas reações eram direcionadas a esses tipos de assassinos — os monstros, os inimigos.
Quando você ama a pessoa que está te matando, não te restam opções. Como você poderia correr, como você poderia lutar, quando fazer isso machucaria o seu amado? Se sua vida fosse tudo o que você tem a dar ao seu amado, como você seria capaz de não dá-la?
Se fosse alguém a quem você realmente ama?

1. Noivos [amanhecer]
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“Ninguém está te encarando”, eu prometi a mim mesma. “Ninguém está te encarando. Ninguém está te encarando.”
Mas, como eu não conseguia mentir convincentemente nem para mim mesma, eu precisei dar uma checada. Sentada esperando que os três semáforos da cidade ficassem verdes, eu olhei para a direita — em sua minivan, a Sra. Weber tinha virado o tórax inteiro em minha direção. Os olhos dela penetraram nos meus, e eu me inclinei pra trás,
 me perguntando por que ela não desviou o olhar ou pareceu envergonhada. Ainda era considerado rude encarar as pessoas, não era? Será que essa regra não era mais usada?
 Foi ai que me lembrei que essas janelas eram tão escuras que ela provavelmente nem tinha idéia de que eu estava aqui, muito menos de que eu tinha pego ela olhando. Eu tentei encontrar algum conforto no fato de que ela não estava realmente olhando pra mim, apenas para o carro.
 Meu carro. Suspiro.
Eu olhei para a esquerda e gemi. Dois pedestres estavam congelados na calçada, perdendo a chance de atravessar a rua enquanto olhavam. Atrás deles, o Sr. Marshall estava espiando através da janela de vidro de sua pequena loja de souvenirs. Pelo menos o nariz dele não estava pressionado contra o vidro.
 Ainda.
O semáforo ficou verde e, na minha pressa de escapar, eu pisei no acelerador sem pensar — a forma normal que eu teria pisado pra fazer a minha velha caminhonete Chevy sair do lugar. Com o motor urrando como uma pantera, o carro saltou rapidamente pra frente que o meu corpo bateu no banco de couro preto, e meu estômago se comprimiu contra a minha espinha.
 “Arg!” Eu resfoleguei enquanto procurava pelo freio. Usando a cabeça, eu apenas toquei no pedal. O carro parou completamente mesmo assim. Eu não agüentei olhar ao redor pra ver as reações. Se antes havia alguma duvida sobre quem estava dirigindo este carro, agora já não existia. Com a ponta do meu sapato, eu gentilmente baixei um centímetro do acelerador, e o carro seguiu em frente novamente.
Eu consegui chegar onde queria, o posto de gasolina. Se eu não estivesse enlouquecendo, eu não precisaria ter que vir á cidade. Eu estava me virando sem um monte de coisas ultimamente, como Pop-Tarts e cadarços, pra evitar ficar em público.
 Me movendo como se eu estivesse numa corrida, eu abri o tanque, tirei a capa, passei o cartão, e coloquei a mangueira no tanque em questão de segundos. É claro, não havia nada que eu pudesse fazer para que os números na bomba de gasolina andassem mais rápido. Eles estalavam fazendo barulhos, quase como se estivessem fazendo aquilo pra me aborrecer.

O dia não estava bonito — um típico dia chuvoso em Forks, Washington — mas eu ainda sentia como se um ponto se luz estivesse focado em mim, atraindo atenção para o delicado anel na minha mão esquerda. Em vezes como essa, sentindo os olhos nas minhas costas, eu me sentia como se o anel estivesse piscando feito um anúncio em néon: Olhe para mim, olhe para mim.
 Era estúpido me sentir envergonhada, e eu sabia disso. Além do meu pai e da minha mãe, será que realmente importava o que as pessoas estavam dizendo sobre o meu noivado? Sobre o meu carro novo? Sobre a minha misteriosa entrada para a Ivy League? Sobre o meu cartão de crédito preto e brilhante que parecia tingido de vermelho no meu bolso de trás nesse exato momento?
 “É, quem se importa com o que eles pensam?” Eu murmurei em voz baixa.
“Um, senhorita?” a voz de um homem chamou.
Eu me virei, e então desejei não ter feito isso.
Dois homens estavam parados ao lado de um jipe chique com caiaques novinhos amarrados no topo. Nenhum deles estava olhando para mim; os dois estavam olhando para o carro.
 Pessoalmente, eu não entendi. Mas eles, eu estava orgulhosa de saber distinguir os símbolos entre Toyota, Ford e Chevy. Esse carro preto escuro, brilhante, e bonito, mas para mim era só um carro.
 “Eu lamento incomodar, mas será que você pode me dizer que carro é esse que você está dirigindo?” o mais alto me perguntou.
 “Um, Mercedes, não é?”
“Sim”, o homem disse educadamente enquanto seu amigo mais baixinho rolava os olhos com a minha resposta. “Eu sei. Mas eu estava me perguntando, essa é... Você está dirigindo uma Mercedes Guardian?” O homem disse o nome com reverência. Eu tive a sensação de que esse homem se daria bem com Edward, meu... meu noivo (realmente não havia como fugir dessa verdade com o casamento a apenas alguns dias de distância). “Eles ainda nem estão disponíveis na Europa” o homem continuou. “Muito menos aqui”.
 Enquanto os olhos dele traçavam os contornos do meu carro — pra mim ele não parecia diferente dos outros sedans Mercedes, mas o que eu sabia? — eu pensei brevemente nos meus problemas com palavras como noivo, casamento, marido, etc.
 Eu simplesmente não conseguia coloca-las juntas na minha cabeça.
Por outro lado, eu fui criada pra me contorcer só de pensar nos vestidos brancos e volumosos e nos buquês. Mas mais do que isso, eu simplesmente não conseguia conciliar um conceito estável, respeitável, e chato de marido com o meu conceito de Edward. Era como comparar um arcanjo com um contador; eu não conseguia imagina-lo no papel de uma pessoa normal.
Como sempre, assim que eu comecei a pensar em Edward eu fiquei presa em um vendaval de fantasias delirantes. O estranho precisou limpar a garganta para chamar a minha atenção; ele ainda estava esperando uma resposta sobre o modelo e fabricação do meu carro.
 “Eu não sei”, eu o disse honestamente.
“Você se importa se eu tirar uma foto com ele?”
Eu levei alguns segundos para processar isso.
“Sério? Você quer tirar uma foto com o carro?”
“Claro — ninguém vai acreditar em mim se eu não tiver uma prova.”
“Um. Okay. Tudo bem.”
Eu rapidamente me desfiz da mangueira e me enfiei no banco da frente para me esconder enquanto o entusiasta tirava uma câmera grande, de aparência profissional da bolsa. Ele e seus amigos fizeram pose no capô, e então foram tirar fotos na traseira.
 “Eu sinto falta da minha caminhonete”, eu sussurrei para mim mesma.
Muito, muito conveniente — conveniente demais — que minha caminhonete fizesse seus últimos barulhos apenas algumas semanas depois de Edward e eu termos firmado um compromisso, um detalhe que significava que ele podia repor a minha caminhonete quando ela passasse dessa para uma melhor.
 Edward jurou que isso já era de se esperar, pois minha caminhonete viveu uma vida longa e cheia e então morreu de causas naturais. Isso é o que ele diz. E, é claro, eu não tive como verificar a história que ele contou nem tentar trazer minha caminhonete de volta á vida por conta própria. Meu mecânico favorito...
 Eu parei aquele pensamento imediatamente, me recusando a deixar que ele chegasse ao fim. Ao invés disso, eu ouvi as vozes dos homens do lado de fora, abafadas pelas paredes do meu carro.
“... ele foi em frente com uma chama na descarga naquele vídeo on-line. A tintura nem ficou queimada.”
 “É claro que não. Você pode passar com um tanque em cima desse bebê. Isso não é muito negócio pra ninguém daqui. Ele foi designado em maioria pra diplomatas do Oriente Médio, traficantes de armas e de drogas.”
 “Você acha que ela é alguém importante?” o baixinho perguntou com uma voz mais suave. Eu abaixei minha cabeça.
 “Huh”, o alto disse. “Talvez. Não posso imaginar porque você precisaria de vidros á prova de mísseis e quatro mil quilos de proteção corporal num lugar como esse. Ela deve estar indo para algum lugar mais perigoso.”
 Proteção corporal. Quatro mil quilos de proteção corporal. E vidros com blindagem á prova de mísseis? Legal. O que aconteceu com as velhas blindagens á prova de tiros?
 Bom, pelo menos isso fazia sentido — se você tinha um senso de humor bastante doentio.
Não era como se eu não esperasse que Edward tirasse vantagem do nosso acordo, só pra balancear as coisas a seu favor pra que ele tivesse que dar muito mais do que ele receberia. Eu concordei que ele trocasse a minha caminhonete quando ela precisasse de reparos, sem esperar que isso acontecesse tão em breve, é claro. Quando eu fui forçada a admitir que a minha caminhonete havia se transformado num tributo de metal aos Chevys clássicos, eu sabia que a idéia dele de troca ia me envergonhar. Tornar-me-ia foco de olhares e sussurros. Mas nem nas minhas imaginações mais obscuras eu previ que ele me compraria dois carros.
 O carro “de antes” e o carro “de depois”, ele me explicou enquanto eu dava uma volta.
 O carro “de antes” eledisse que era um empréstimo e me prometeu que o devolveria depois do casamento. Isso tudo não fazia nenhum sentido pra mim.
 Até agora.
Ha ha. Como eu era uma humana tão frágil, tão propensa a acidentes, tão vítima da minha própria perigosa falta de sorte, aparentemente eu precisava de um carro que fosse resistente a um tanque pra me manter segura. Hilário. Eu tinha certeza de que ele e seus irmãos gostaram bastante da piada pelas minhas costas.
 Ou talvez, apenas talvez, uma pequena voz sussurrou na minha cabeça, não seja uma piada, bobinha. Talvez ele realmente esteja muito preocupado com você. Essa não seria a primeira vez que ele passou um pouco dos limites tentando me proteger.
 Eu suspirei.
Eu ainda não vi o carro “de depois”. Ele o escondeu embaixo de uma capa no canto mais distante da garagem dos Cullen. Eu sei que a maioria das pessoas já teria espiado a essa altura, mas eu realmente não queria saber. Provavelmente não havia proteção corporal naquele carro — porque eu não precisaria de proteção depois da lua de mel. Indestrutibilidade quase literal era uma das coisas pelas quais eu estava esperando. A melhor parte de ser um Cullen não era ter carros caros e cartões de créditos impressionantes.
 “Hey”, o homem alto chamou, colocando as mãos no vidro no esforço de espiar do lado de dentro. “Nós já acabamos. Muito obrigado!”
 “De nada” eu respondi, e então fiquei tensa enquanto ligava o motor e apertava o acelerador — muito delicadamente — pra baixo.
Não importava quantas vezes eu dirigisse na estrada familiar no caminho pra casa, eu ainda não conseguia fingir que os pôsteres molhados da chuva não estavam lá. Cada um deles, pregado em postes telefônicos e colados em placas de rua, era como um tapa de luz no rosto. Um tapa bem merecido. Minha mente era sugada de volta ao pensamento. Eu o havia interrompido tão rapidamente antes. Eu não consegui evitar isso nessa rua. Agora, com as fotos do meu mecânico favorito passando rapidamente por mim em intervalos regulares.
 Meu melhor amigo. Meu Jacob.
Os pôsteres de VOCÊ VIU ESSE GAROTO? Não foram idéia do pai de Jacob. Foi o meu pai, Charlie, quem imprimiu os panfletos e os espalhou por toda a cidade. E não apenas em Forks, mas em Port Angeles e Sequim e Hoquiam e Aberdeem e em todas as cidades da Península Olímpica... Ele cuidou para que todas as delegacias em todo o estado de Washington tivessem o mesmo panfleto em suas paredes também. Sua própria delegacia tinha um quadro inteiro dedicado a encontrar Jacob também. Um quadro que estava quase inteiramente vazio, pra sua decepção e frustração.
 Meu pai estava decepcionado com muito mais do que a falta de resposta. Sua maior decepção era com Billy, o pai de Jacob — e o amigo mais próximo de Charlie.
 Por causa da falta de envolvimento de Billy no desaparecimento do seu “fugitivo” de dezesseis anos. Porque Billy se recusou a colocar os panfletos em La Push, a reserva na costa que era a casa de Jacob. Porque ele parecia estar resignado com o desaparecimento de Jacob, como se não houvesse nada que ele pudesse fazer. Por ele dizer “Jacob é crescido agora. Ele voltará pra casa quando ele quiser.”
 E ele estava frustrado comigo por ficar do lado de Billy.
Eu também não pendurei panfletos. Porque tanto eu quanto Billy sabíamos onde Jacob estava, figuradamente falando, e nós também sabíamos que ninguém tinha visto esse garoto.
Os panfletos colocaram aquele caroço de costume na minha garganta, as lágrimas de costume nos meus olhos, e eu fiquei feliz por Edward estar viajando em caça nesse Sábado. Se Edward visse a minha reação, isso o faria se sentir terrível também.
 É claro, haviam pontos ruins em ser sábado. Enquanto eu virava lentamente em minha rua, eu podia ver a viatura policial do meu pai na entrada de casa.
 Ele deixou a pescaria de lado hoje de novo. Ainda fazendo beicinho pelo casamento.
 Então eu não seria capaz de usar o telefone lá dentro. Mas eu precisava ligar...
 Eu estacionei na curva, atrás da escultura de Chevy e peguei o telefone que Edward me deu para emergências no porta luvas. Eu disquei, mantendo o meu dedo no botão “end”. Só pela dúvida.

“Alô?’ Seth Clearwater atendeu, e eu suspirei aliviada.
Eu era covarde demais pra falar com sua irmã mais velha, Leah. A frase “me morda” não era exatamente uma figura de expressão quando se tratava de Leah.
“Hey, Seth, é Bella”.
“Oh diz aê, Bella! Como você está?”
Chocada. Desesperada por notícias.
“Bem.”
“Ligando por notícias?”
“Você é um vidente.”
“Dificilmente. Eu não sou nenhuma Alice — só que você é previsível”, ele brincou. Entre o bando Quileute de La Push, Seth era o único que se sentia confortável de sequer mencionar o nome dos Cullen, quanto mais fazer piada sobre a minha futura cunhada que sabia praticamente tudo.
 “Eu sei que sou” Eu hesitei por um minuto. “Como ele está?”
Seth suspirou.
“Como sempre. Ele não fala, apesar de sabermos que ele nos ouve. Ele está tentando não pensar como humano, sabe. Apenas com os instintos”.
 “Você sabe onde ele está agora?”
“Algum lugar ao norte do Canadá. Eu não sei te dizer em que província. Ele não presta muita atenção em limites estaduais.”
 “Alguma dica de que ele possa...”
“Ele não vai voltar pra casa, Bella. Desculpa.”
Eu engoli.
“Tudo bem, Seth. Eu já sabia antes de ter perguntado. Eu não posso evitar esperar.”
 “É. Nós nos sentimos do mesmo jeito.”
“Obrigada por me informar, Seth. Eu sei que os outros devem dificultar as coisas pra você.”
 “Eles não são os seus maiores fãs” ele concordou alegremente. “Meio bobo, eu acho. Jacob fez as escolhas dele, você fez as suas. Jake não está gostando das atitudes deles. É claro que ele também não está super feliz por você estar recebendo notícias dele.”
 Eu resfoleguei.
“Eu pensei que ele não estivesse falando com vocês.”
“Ele não consegue esconder tudo de nós, mesmo estando tentando muito.”
Então Jacob sabia que eu estava preocupada. Eu não tinha certeza de como me sentia em relação a isso. Bom, pelo menos ele sabia que eu não havia caminhado em direção ao pôr do sol e esquecido dele completamente. Ele podia ter me imaginado capaz de fazer isso.
 “Eu acho que te vejo no... casamento.” Eu disse, forçando a palavra entre os meus dentes.
 “É, eu e minha mãe estaremos lá. Foi legal da sua parte nos convidar.”
Eu sorri pelo entusiasmo na voz dele. Apesar de que convidar os Clearwater tenha sido idéia de Edward, eu estava feliz por ele ter pensado nisso. Ter Seth lá seria legal — uma conexão, mesmo que tenaz, ao meu padrinho desaparecido.
“Não seria o mesmo sem você”.
“Diga a Edward que eu mandei um oi, ok?”
“Com certeza”.
Eu balancei minha cabeça. A amizade que surgiu entre Edward e Seth era uma coisa que ainda confundia a minha mente. Era uma prova, no entanto, de que as coisas não precisavam ser daquele jeito. Que lobisomens e vampiros podiam se dar muito bem, muito obrigada, se eles quisessem isso.
 Nem todo mundo gostava dessa idéia.
“Ah”, Seth disse, sua voz aumentando uma oitava. “Leah está em casa.”
“Oh! Tchau!”
O fone ficou mudo. Eu o deixei no assento e me preparei psicologicamente para entrar em casa, onde Charlie estaria esperando. Meu pobre pai tinha que lidar com muitas coisas agora. O sumiço de Jacob era apenas um doas fardos que ele tinha que levar em suas costas sobrecarregadas. Ele estava quase tão preocupado quanto eu sobre a minha transformação em uma Sra. em apenas alguns dias.
 Eu caminhei lentamente através da chuva fraca, lembrando da noite em que contamos a ele.
Enquanto o som da viatura de Charlie anunciava a sua chegada, o anel de repente pesou cem quilos na minha mão. Eu queria enfiar a minha mão esquerda no bolso, ou talvez sentar nela, mas o aperto calmo e firme de Edward a manteve á frente e ao centro.
 “Não fique nervosa, Bella. Por favor tente lembrar que você não está confessando um assassinato”.
 “Fácil pra você dizer”
Eu ouvi o conhecido som das botas do meu pai batendo na calçada. A chave girou na porta já aberta. A porta bateu contra a parede e eu enrijeci como se tivesse levado um choque.
 “Acalme-se, Bella,” Edward suspirou, ouvi meu coração acelerar.
A porta bateu contra a parede, e como eu me movi bruscamente como se tivesse sendo presa.
 “Hey, Charlie”, Edward falou inteiramente relaxado.
“Não!” Eu assoviei baixinho.
“O que foi?” Edward sussurrou de volta.
“Espere até ele guardar a arma!”
Edward gargalhou e passou sua mão livre pelo seu cabelo cor de bronze bagunçado.
 Charlie apareceu na curva, ainda usando seu uniforme, ainda armado, e tentando não fazer uma careta quando viu nós dois sentados juntos no sofá.
 Ultimamente ele estava se esforçando bastante pra gostar mais de Edward. É claro, aquela revelação certamente iria acabar com esses esforços.
 “Olá, garotos. O que está havendo?”
“Nós gostaríamos de conversar com você” Edward disse. “Nós temos boas notícias”.
 A expressão de Charlie foi de forçadamente amigável á suspeitas obscuras em um segundo.
 “Boas notícias?” Charlie urrou, olhando diretamente pra mim.
“Sente-se pai”
Ele ergueu uma sobrancelha, me encarou por cinco segundos, e aí foi até a cadeira reclinável e se sentou bem na pontinha, suas costas estavam retas como um pedaço de pau.
 “Não fique nervoso, pai” Eu disse depois de um momento de silêncio forçado.
“Está tudo bem.”
Edward fez uma careta, e eu sabia que isso era uma objeção a palavra bem.
Ele provavelmente teria usado algo parecido com maravilhoso ou perfeito ou glorioso.
 “Claro que sim, Bella. Claro que sim. Se está tudo bem porque você está suando como um porco?”
 “Eu não estou suando”, eu menti.
Eu me desviei de sua careta penetrante, me apertando contra Edward, e instintivamente passei a mão direita pela minha testa para apagar as evidências.
 “Você está grávida!” Charlie explodiu. “Você está grávida, não está?”
Apesar da pergunta provavelmente ser pra mim, agora ele estava olhando pra Edward, e eu podia jurar que vi a mão dele se fechando na arma.
 “Não! É claro que eu não estou!”
Eu queria dar uma cotovelada nas costelas de Edward, mas eu sabia que isso ia me deixar com um hematoma. Eu disse a Edward que as pessoas iam imediatamente chegar a essa conclusão! Que outra razão possível pessoas sãs se casariam aos dezoito anos? (A resposta dele a isso me fez revirar os olhos. Amor. Certo.)
 O olhar de Charlie limpou um pouco. Geralmente ficava muito claro no meu rosto quando eu estava falando a verdade, e agora ele acreditava em mim.
 “Oh, desculpe.”
“Desculpas aceitas.”
Houve uma longa pausa. Depois de um momento eu percebi que todos estavam esperando que eu dissesse alguma coisa. Eu olhei pra Edward, paralisada de pânico. Não tinha jeito de me fazer botar as palavras pra fora.
 Ele sorriu pra mim e enquadrou os ombros e então se virou para meu pai.
“Charlie, eu sei que as coisas estão fora de ordem. Tradicionalmente, eu devia ter te pedido antes. Eu não tenho a intenção de te desrespeitar, mas já que Bella já disse sim e eu não quero menosprezar a escolha dela nesse assunto, ao invés de te pedir a mão dela, eu te peço sua benção. Nós vamos nos casar, Charlie. Eu a amo mais do que tudo no mundo, mais do que a minha própria vida e — graças a algum milagre — ela me ama da mesma forma. Você nos dará a sua benção?”
 Ele soou tão seguro, tão calmo. Por apenas um instante, escutando àquela absoluta certeza na voz dele, eu experimentei um raro momento de insight. Eu pude ver, rapidamente a forma que todos olhavam pra ele. Durante um bater de coração, esta noticia fez total sentido.
 E ai eu vi o rosto inexpressivo de Charlie, os olhos dele agora estavam grudados no anel.
 Eu prendi a respiração enquanto a pele dele mudava de cor — de normal a vermelha, de vermelha a roxa, de roxa a azul, eu comecei a me levantar — eu não sei o que eu estava planejando fazer; talvez fazer a manobra Heimlich pra ter certeza de que ele não estava engasgando — mas Edward apertou minha mão e murmurou “Dê um minuto a ele” tão baixinho que só eu pude ouvir.
 Dessa vez o silêncio foi muito mais longo. Então, gradualmente, tom por tom, a cor de Charlie voltou ao normal. Os lábios dele se comprimiram, e suas sobrancelhas se uniram; eu reconheci sua expressão “pensando profundamente”. Ele estudou nós dois por um longo momento, e eu senti Edward relaxar ao meu lado.
 “Acho que não estou tão surpreso”, Charlie murmurou. “Eu sabia que teria eu lidar com isso em algum momento em breve”.
 Eu soltei o ar.
“Você está certa disso?” Charlie quis saber, me encarando.
“Eu tenho cem por cento de certeza de Edward” eu o assegurei sem perder tempo.
“Mesmo assim, se casar? Por que a pressa?” Ele me olhou com suspeitas novamente.
 A pressa era porque eu estava me aproximando dos dezenove anos a cada dia que se passava, enquanto Edward ficava congelado em sua perfeição dos dezessete anos. Não que esse fato se associasse a casamento no meu livro, mas o casamento era necessário devido a um delicado e complicado compromisso que Edward e eu temos pra chegar a esse ponto, o tijolo que leva a qualquer transformação de mortal a imortal. Essas eram coisas que eu não podia explicar a Charlie.
“Nós estamos indo para Dartmouth juntos no outono, Charlie”, Edward lembrou ele. “Eu gostaria de fazer isso, bem, da forma correta. Foi assim que eu fui criado”. Ele encolheu os ombros.
 Ele não estava exatamente exagerando; eles tinham moral antiquada durante a primeira guerra mundial.
 A boca de Charlie torceu para um lado. Procurando por alguma coisa com a qual discutir. Mas o que ele podia dizer? Eu preferiria que você vivesse pecaminosamente primeiro? Ele era um pai; suas mãos estavam atadas.
 “Eu sabia que isso aconteceria”, ele murmurou pra si mesmo, fazendo uma careta. Então, de repente, seu rosto ficou perfeitamente suave e desanuviado.
 “Papai?” Eu perguntei ansiosamente. Eu olhei pra Edward, mas eu também não consegui ler seu rosto, enquanto ele olhava pra Charlie.
 “Ha!” Charlie explodiu. Eu pulei no meu assento. “Ha, ha, ha!”
Eu o encarei incredulamente enquanto Charlie de dobrava de tanto rir, seu corpo todo de balançando.
 Eu olhei pra Edward para ter uma tradução, mas os lábios de Edward estavam fechados com força, como se ele mesmo estivesse tentando segurar o riso.
 “Okay, está certo.” Charlie tossiu. “Se casem” Outra onda de risos o balançou. “Mas...”
 “Mas o quê?” Eu quis saber.
“Mas você precisa contar a sua mãe! Eu não vou dizer uma palavra a Renée!
Isso é por sua conta!” Ele explodiu em risadas escandalosas.
Eu parei com a mão na maçaneta, sorrindo. Claro, naquele tempo, as palavra dele me aterrorizaram. O destino final; contar a Renée. Casamento durante a juventude estava na lista negra dela acima de matar filhotes de cãezinhos.
 Quem podia ter adivinhado a reação dela? Eu não. Certamente não Charlie.
Talvez Alice, mas eu não pensei em pergunta-la.
“Bem, Bella”, Renée disse depois que eu tossi e gaguejei as palavras impossíveis: Mamãe, eu vou casar com Edward. “Eu estou um pouco aborrecida por você ter demorado tanto pra me contar. Passagens de avião estão ficando mais caras. Ohhhh”, ela temeu. “Você acha que Phil já vai ter tirado o gesso até lá? Se ele não estiver usando terno isso vão arruinar as fotos...”
“Espera um segundo, mãe”, eu resfoleguei. “O que você quer dizer com esperar tanto tempo? Eu acabei de no-no...” — eu não fui capaz de botar a palavra noivar pra fora —“acertar as coisas, sabe, hoje.”
 “Hoje? Mesmo? Isso é uma surpresa. Eu suspeitei...”
“O que você suspeitou? Quando você suspeitou?”
“Bem, quando você veio me visitar em Abril, parecia que as coisas já estavam arranjadas, se é que você sabe o que eu quero dizer. Você não é muito difícil de ler, queridinha. Mas eu não quis dizer nada, porque eu sabia que não tinha utilidade nenhuma. Você é exatamente como Charlie.” Ela suspirou, resignada. “Quando você resolve uma coisa, não tem como tentar ser razoável com você. É claro, assim como Charlie, você mantém a sua decisão também.”
 E então ela disse a última coisa que eu nunca esperava ouvir da minha mãe.
“Você não está repetindo os meus erros, Bella. Você parece estar assustada bobinha, e eu acho que seja porque você estava com medo de mim”. Ela gargalhou. “Ou do que eu vou pensar. E eu sei que eu disse um monte de coisas sobre o meu casamento e a minha estupidez – e eu não vou morder minha língua – mas você precisa entender que aquelas coisas se aplicavam especificamente a mim. Você é uma pessoa completamente diferente de mim. Você comete os seus próprios tipos de erros, e eu tenho certeza que você terá a sua parcela de arrependimentos na vida. Mas compromisso nunca foi o seu problema, queridinha. Você tem uma chance melhor de fazer isso funcionar do que muitas quarentonas que eu conheço”. Renée sorriu de novo. “Minha pequena criança de meia idade. Por sorte, parece que você encontrou outra alma de meia idade .”
 “Você não está... com raiva? Você não acha que eu estou cometendo um erro gigantesco?”
 “Bem, eu com certeza gostaria que você esperasse mais alguns anos. Quer dizer, você acha que eu pareço velha o suficiente pra ser uma sogra? Não responda. Mas isso não se trata de mim. Você está feliz?”
 “Eu não sei. Eu estou tendo uma experiência fora do meu corpo nesse momento”.
Renée gargalhou. “Ele te faz feliz, Bella?”
“Sim, mas...”
“Você vai querer outra pessoa algum dia?”
“Não, mas...”
“Mas o quê?”
“Mas você não vai dizer que eu pareço uma adolescente apaixonada como qualquer outra desde o início dos tempos?”
 “Você nunca foi uma adolescente, queridinha. Você sabe o que é melhor pra você”.
Pelas últimas semanas, Renée mergulhou inadvertidamente em planos de casamento. Ela passava horas todos os dias no telefone com a mãe de Edward, Esme – não havia problemas em parentes se darem bem. Renée adorou Esme, mas também, eu duvidava que alguém pudesse reagir de outra forma á minha adorável quase sogra.
 Isso me deixou por fora. A família de Edward e a minha estavam cuidando juntas das núpcias sem que eu tivesse que fazer nada ou saber e nem pensar demais nisso.
 Charlie estava furioso, é claro, mas o lado bom era que ele não estava furioso comigo. A traidora era Renée. Ele estava contando com ela para ser tirana. O que ele podia fazer agora, quando a sua última ameaça — contar a mamãe — acabou dando em nada? Ele não tinha nada, e sabia disso. Então ele ficava vagando em casa, murmurando coisas sobre não se poder mais confiar em ninguém nesse mundo...
“Pai?” Eu chamei enquanto abria a porta da frente. “Estou em casa.”
“Espere, Bella, fique bem ai.”
“Huh?” Eu parei automaticamente.
“Me dê um segundo. Ouch, você conseguiu, Alice”.
Alice?
“Desculpa, Charlie”, a voz alegre de Alice respondeu. “Como está?”
“Eu estou sangrando”.
“Você está bem. A pele não foi ferida — confie em mim”.
“O que está acontecendo?” Eu quis saber, hesitando na entrada.
“Trinta segundos, por favor, Bella” Alice me disse. “Sua paciência será
recompensada”.
“Humph”, Charlie adicionou.
Eu bati o pé, contando cada batida. Antes de ir até a nossa sala de estar.
“Oh”, eu perdi o fôlego. “Aw, pai. Você está...”
“Boboca?” Charlie interrompeu.
“Eu estava pensando em algo mais parecido com elegante.”
Charlie ruborizou. Alice pegou o cotovelo dele e o rodou lentamente pra que ele mostrasse o terno cinza pálido.
 “Pára com isso, Alice. Eu pareço um idiota.”
“Ninguém vestido por mim fica parecendo um idiota.”
“Ela está certa, pai. Você está fabuloso! Qual é a ocasião?”
Alice revirou os olhos. “É a última prova de roupa. Pra vocês dois.”
Eu tirei meus olhos da elegância não habitual de Charlie e pela primeira vez vi a bolsa branca estufada deitada cuidadosamente no sofá.
 “Ahhh”.
“Vá para o seu cantinho feliz, Bella. Não vai demorar.”
Eu respirei fundo e fechei os olhos. Mantendo-os fechados, eu procurei o meu caminho subindo as escadas até o meu quarto. Eu fiquei de lingerie e estiquei os braços.
 “Parece até que eu estou enfiando farpas de bambu embaixo das suas unhas.”
Alice murmurou pra si mesma enquanto me seguia. Eu não prestei atenção nela. Eu estava no meu cantinho feliz.
No meu cantinho feliz, toda a bagunça do casamento estava acabada e pronta. Atrás de mim. Já reprimida e esquecida.
 Nós estávamos sozinhos, só Edward e eu. A paisagem era confusa e estava frequentemente em fluxo — ela passava de uma floresta nebulosa pra uma cidade coberta de nuvens pra uma noite ártica — porque Edward estava mantendo o local da nossa lua de mel em segredo pra mim. Mas eu não estava particularmente preocupada com essa parte.
 Edward e eu estávamos juntos, e eu tinha cumprido a minha parte do compromisso perfeitamente. Eu casei com ele. Essa era a parte maior. Mas eu também aceitei todos os seus presentes ultrajantes e me registrei, mesmo que futilmente, pra comparecer na Universidade de Dartmouth no outono. Agora era a vez dele. Antes de me transformar em vampira —a grande promessa dele— ele tinha estipulado mais uma condição pra mim.
 Edward tinha uma preocupação obsessiva com as coisas humanas que eu estaria deixando pra trás, as experiências que ele não queria que eu perdesse.
 Mas havia apenas uma experiência na qual eu estava insistindo. É claro que essa era a que ele queria que eu tivesse esquecido. No entanto, aqui estava o problema. Eu sabia no que eu me transformaria quando estivesse tudo acabado. Eu vi vampiros recém-nascidos em primeira mão, e eu tinha ouvido todas as histórias da minha futura família sobre a selvageria dos primeiros dias. Por vários anos, minha primeira personalidade ia ser sedenta. Ia levar algum tempo até que eu fosse eu mesma novamente. E mesmo quando eu estivesse sob controle de mim mesma, eu jamais me sentiria exatamente da forma que me sinto agora.
 Humana... e absolutamente apaixonada.
Eu queria a experiência completa antes de trocar meu corpo quente, quebrável e guiado por hormônios por algo lindo, forte... e desconhecido. Eu queria uma lua de mel de verdade com Edward. E a despeito do perigo ao qual ele achava que ia me submeter, ele concordou em tentar.
 Eu estava apenas vagamente cônscia da presença de Alice e do cetim passando pelo meu corpo. Durante aquele momento, eu não me importei com o que a cidade inteira estava pensando de mim. Eu não pensava no espetáculo que teria que estrelar em breve. Eu não me importei em tropeçar na minha grinalda e rir na hora errada ou em ser jovem demais ou a multidão me encarando e nem sequer no assento vazio onde o meu melhor amigo estaria.
Eu estava com Edward no meu cantinho feliz.

2. Uma longa noite [amanhecer]
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“Eu já sinto a sua falta.”
“Eu não preciso ir. Posso ficar...”
“Mmm...”
Houve silêncio por um longo tempo, somente o som de meu coração batendo acelerado e o sussurro de nossos lábios se movendo sincronizados.
Às vezes era tão fácil esquecer que eu estava beijando um vampiro. Não porque ele parecesse comum e humano — eu nunca poderia esquecer que estava segurando mais do que um anjo em meus braços — mas porque ele me fazia sentir que não havia nada igual à sensação de ter seus lábios em meus lábios, em meu rosto, minha garganta. Ele dizia que já era passado a tentação que meu sangue lhe causava, que a idéia de me perder era mais forte que isso. Mas eu sabia que o cheiro de meu sangue ainda lhe causava dor — queimava em sua garganta como se ele estivesse inalando fogo.
Eu abri meus olhos e encontrei os dele abertos também, fixados em meu rosto.
Não fazia sentido ele me olhar daquele jeito. Como se eu fosse o prêmio ao invéz da ganhadora sortuda.
Nós nos encaramos por um momento, seus olhos dourados estavam tão profundos que era quase como se eu pudesse ver sua alma. Parecia bobo que justamente isso — a existência de sua alma — seja uma duvida, mesmo ele sendo um vampiro. Ele tinha a alma mais bonita, mas do que sua mente brilhante ou seu rosto incomparável e seu glorioso corpo.
Ele olhou de volta para mim, como se ele também pudesse ver minha alma, e estivesse gostando do que via.
Ele não podia ver dentro de minha mente, pensando bem, não da maneira que ele via a dos outros. Quem saberia o porquê — algum defeito em meu cérebro que me tornava imune a todos os extraordinários e assustadores poderes que alguns imortais possuem. (somente minha mente era imune, meu corpo ainda era uma vitima das habilidades dos vampiros com poderes diferentes dos de Edward). Mas eu era seriamente grata a esse “defeito” que mantinham meus pensamentos em segredo. Era muito constrangedor sequer pensar na possibilidade.
Puxei seu rosto mais uma vez para perto do meu.
“Definitivamente vou ficar,” ele murmurou um tempo depois.
“Não, não! É sua despedida de solteiro, você tem que ir.”
Eu disse as palavras, mas meus dedos se enroscaram em seus cabelos cor de bronze, minha mão esquerda apertando suas costas. Seus dedos frios acariciaram meu rosto.
“Despedidas de solteiros são para aqueles que estão tristes com o fim de seus dias de solteiro. Eu não vejo a hora que eles acabem. Então não há razão para que eu vá.”
“Verdade.” Eu disse respirando na pele gelada de sua garganta.
Isso era muito perto do que seria meu cantinho feliz. Charlie dormia profundamente em seu quarto, o que era quase o mesmo que estar sozinha.
Nós estamos encolhidos em minha pequena cama, nossos corpos o mais juntos possível, apesar do grosso cobertor em que eu estava enrolada como um casulo. Eu odiava a necessidade do cobertor, mas o romance acabava quando meus dentes começavam a bater. Charlie iria perceber se eu ligasse o aquecedor em Agosto...
Pelo menos, se houvesse algo ruim, a camisa de Edward estava no chão. Eu nunca superei o choque de como seu corpo era perfeito — pálido e gelado como mármore. Eu corri minha mão por seu peito nu, passando por sua barriga perfeitamente rígida, passeando. Ele tremeu levemente, e seus lábios encontraram os meus novamente. Cuidadosamente a ponta de minha língua traçou seus lábios encerados, e ele suspirou. Seu hálito me invadiu – frio e delicioso por todo o meu rosto.
Ele começou a recuar — esta era sua reação automática toda vez que achava que tinha ido longe demais, seu reflexo toda vez que ele queria mais. Edward passou toda sua vida rejeitando qualquer tipo de contato físico. Eu sei que para ele era assustador tentar mudar seus hábitos agora.
“Espere”, eu disse agarrando seus ombros e o abraçando mais perto. Eu passei minha perna que estava livre ao redor de seu quadril. “A prática leva a perfeição”.
Ele riu.
“Bem, devemos estar bem perto da perfeição nesse ponto, não acha? Você dormiu alguma noite no ultimo mês?”
“Mas esse é o ensaio do vestido”, Eu relembrei a ele. “E nós só praticamos algumas cenas. Não temos tempo a perder.”
Eu pensei que ele fosse rir, mas ele não respondeu, e seu corpo endureceu de um nervoso repentino. O dourado em seus olhos pareceu endurecer de liquido para sólido.
Eu pensei no que havia dito e tentei entender o que ele havia pensado.
“Bella...”, ele sussurrou
“Não comece com isso de novo”, eu disse, “Trato é trato.”
“Eu não sei. É muito difícil se concentrar quando você está comigo desse jeito. Eu - Eu não consigo pensar direito. Eu não vou conseguir me controlar. Você vai se machucar.”
“Eu vou ficar bem.”
“Bella...”
“Shh...” eu pressionei meus lábios nos dele para parar com o ataque de pânico.
Eu já havia ouvido aquilo antes. Ele não ia desistir do acordo. Não depois de insistir que eu casasse com ele primeiro. Ele me beijou de volta por um momento, mas eu pude perceber que ele não estava com tanto entusiasmo como antes. Preocupado, sempre preocupado.
Como seria diferente quando ele não tivesse que se preocupar mais comigo. O que ele fará em seu tempo livre? Terá que arrumar um hobby novo!
“Como estão seus pés?’ ele perguntou.
Sabendo que ele não falava no sentido literal eu respondi
“Torrando de tão quentes”.
“Mesmo? Não está mudando de idéia? Ainda não é tarde pra desistir.”
“Você está tentando me fazer desistir?”
Ele riu silenciosamente.
“Só para ter certeza. Não quero que você faça nada de que não tenha certeza.”
“Tenho certeza sobre você. Com o resto eu posso viver.”
Ele hesitou e eu imaginei se devia fechar a minha boca.
“Você consegue?” ele disse quieto. “Eu não me refiro ao casamento — eu sei que você vai sobreviver apesar de não concordar — mas e depois.... E Renne? E Charlie?”
Eu suspirei.
“Eu vou sentir falta deles.” Mais do que eles de mim, mas eu não quis dar a ele esse tipo de detalhe.
“ Angela e Ben, Jéssica e Mike.”
“Vou sentir falta dos meus amigos também”. Eu sorri para a escuridão. “Especialmente Mike! Oh Mike! Como vou sobreviver!”
Ele grunhiu.
Eu ri, mas logo fiquei séria novamente.
“Edward nós já falamos sobre isso. Eu sei que vai ser difícil, mas é o que eu quero. Eu quero você, e quero para sempre. Uma vida não é suficiente para mim.”
“Congelada para sempre aos dezoito,” ele sussurrou.
“Todo sonho de mulher se torna realidade,” eu provoquei.
“Nunca mudando... nunca indo para frente”.
“O que isso significa?”
Ele respondeu devagar.
“Você se lembra quando contamos para Charlie a respeito do casamento? Ele pensou que você estava... grávida?”
“E ele pensou em atirar em você”. Eu disse com uma risada. “ Admita— por um momento ele considerou isso”.
Ele não respondeu.
“O que é Edward?”
“Eu só queria...bem, queria que ele estivesse certo.”
“Uhh,” eu estremeci.
“Que houvesse alguma maneira que isso pudesse acontecer. De que corrêssemos esse risco. Eu odeio tirar isso de você também.”
Eu precisei de um momento para responder.
“Eu sei o que estou fazendo.”
“Como você pode saber Bella? Olhe para minha mãe e minha irmã. Não é um sacrifício tão fácil quanto você imagina.”
“Esme e Rosalie conseguiram superar isso. Se isso se tornar um problema podemos fazer o que Esme fez— nós vamos adotar!”
Ele suspirou e, em seguida, sua voz era feroz.
"Isso não é certo! Não quero que você tenha que fazer sacrifícios por mim. Eu quero dar-lhe coisas, não tirar coisas de você. Eu não quero roubar o seu futuro. Se eu fosse humano...”
Eu coloquei minha mão sobre seus lábios.
"Você é o meu futuro. Pare agora. Não se deprima, ou eu irei chamar seus irmãos para virem e pegar você. Talvez você precise de uma festa de despedida."
"Desculpe-me. Estou deprimido, não é? Devem ser os nervos."
"Seus pés estão frios?"
"Não é nesse sentido. Eu tenho esperado um século para casar com você, Senhorita Swan. A cerimônia de casamento é a única coisa que eu mal posso esperar—" Ele suspendeu o pensamento. "Oh, por tudo que é mais sagrado!"
“O que houve?”
Ele rangeu os dentes .
“Você não precisa ligar para os meus irmãos. Aparentemente eles não vão me deixar escapar essa noite.”
Eu o abracei mais forte, mas depois soltei. Eu não tinha a menor pretensão de ganhar uma guerra contra Emmett.
“Divirta-se”.
Houve um ruído através da janela — alguém estava passando suas unhas de propósito no vidro para fazer um barulho horroroso de cobrir os ouvidos e arrepiar os cabelos. Eu dei de ombros.
“Se você não botar o Edward para fora,” Emmett — ainda invisível na noite —ameaçou. “Nós vamos entrar para pegar ele.”
“Vá,” Eu ri. “Antes que eles quebrem a minha casa”.
Edward rolou seus olhos e em um único movimento se colocou de pé e com outro recolocou sua camisa. Ele se abaixou e beijou minha testa.
“Vá dormir. Você vai ter um grande dia amanhã.”
“Obrigada! Isso realmente vai me acalmar!”
“Te vejo no altar.”
“Eu vou ser a que vai estar de branco!” Eu sorri pensando em como isso soava irônico.
Ele riu.
“ Muito convincente” e então de repente ele pulou agachado, seus músculos pressionados como uma mola. Ele desapareceu — passando pela minha janela mais rápido do que eu podia ver.
Lá fora houve um barulho abafado e eu ouvi Emmett resmungar.
“É melhor vocês não trazerem ele de volta muito tarde,” eu murmurei sabendo que eles ouviriam. E então o rosto de Jasper apareceu em minha janela, seus cabelos loiros cor de mel reluzindo a luz da lua que passava pelas nuvens.
“Não se preocupe Bella. Vamos trazer ele de volta com tempo de sobra!”
Eu estava subitamente muito calma, e todas as minhas hesitações pareciam sem importância. Jasper era, na sua própria maneira, tão talentoso como Alice com suas previsões sobrenaturalmente exatas. Os poderes mediúnicos de Jasper era algo maior do que o futuro, e era impossível resistir à sensação da maneira como ele queria que você se sentisse.
Eu sentei rapidamente, ainda enrolada nos cobertores.
“Jasper? O que vampiros fazem em despedidas de solteiro? Vocês não vão levá-lo a um clube de strip, vão?”
"Não lhe diga nada!" Emmett grunhiu alto. Havia um outro som, e Edward riu discretamente.
"Relaxe", Jasper disse-me — e foi o que fiz. "Nós Cullens temos a nossa própria versão. Apenas alguns leões da montanha, um casal de ursos cinzentos. Geralmente uma noitada ordinária."
Eu me pergunto se alguma vez serei capaz de ouvir de forma cavalheiresca sobre as dietas dos vampiros "vegetarianos".
"Obrigada, Jasper"
Ele piscou e saiu de vista.
Estava completamente silencioso lá fora. Os roncos abafados de Charlie vibravam através das paredes. Eu deitei de volta no meu travesseiro, adormecendo agora. Eu observei as paredes do meu pequeno quarto, branqueada palidamente pelo luar, sobre as pálpebras pesadas.
A minha última noite no meu quarto. A minha última noite como Isabella Swan. Amanhã à noite, eu seria Bella Cullen. Apesar de todo o calvário do casamento ser um espinho ao meu lado, eu tinha de admitir que eu gostei de como soava.
Eu deixei a minha mente vagar impassível por um momento, esperando cair no sono. Mas, depois de alguns minutos, encontrava-me mais alerta, a ansiedade crescente de volta para o meu estômago, embrulhando-se em posições desconfortáveis. A cama parecia muito suave, muito quente sem Edward. Jasper estava longe, e toda a paz, e sentimentos relaxantes foram com ele. Ela iria ter um longo dia amanhã.
Eu estava ciente de que a maioria dos meus medos eram estúpidos — eu só tinha que tirá-los de mim. Atenção era uma parte inevitável da vida. Eu não podia estar sempre misturada com a paisagem. No entanto, eu tenho algumas preocupações específicas que eram completamente válidas.
Primeiro, havia a cauda de vestidos de casamento. Alice claramente tinha deixado seu sentido artístico dominar sobre aspectos práticos disso. Manobrar nas escadas dos Cullens de salto e uma cauda pareceu impossível. Eu deveria ter praticado.
Depois, tinha a lista de convidados. A família de Tanya, o clã Denali, estariam chegando antes da cerimônia. Seria delicado ter a família de Tanya no mesmo quarto com os nossos convidados da reserva Quileute, o pai de Jacob e os Clearwaters. O Denalis não eram fãs dos lobisomens. Na verdade, a irmã de Tanya, Irina, não ia vir para o casamento por nada. Ela ainda carregava uma vingança contra os lobisomens por matarem seu amigo Laurent (exatamente quando ele estava prestes a me matar). Graças a esse ressentimento, os Denalis tinham abandonado a família de Edward na sua pior hora de necessidade. Foi à desagradável aliança com os lobos Quileute que salvou as nossas vidas, quando a horda de vampiros recém-nascidos atacaram...
Edward tinha me prometido que não seria perigoso ter os Denalis perto dos Quileutes. Tanya e toda sua família — exceto Irina — sentiam-se horrivelmente culpados por esse abandono. Uma trégua com os lobisomens era um pequeno preço para compensar um pouco desta dívida, um preço que estavam dispostos a pagar.
Havia o grande problema, mas havia um pequeno problema também: a minha frágil auto-estima. Eu nunca tinha visto Tanya antes, mas eu tinha certeza que conhecê-la não seria uma experiência prazerosa para o meu ego. Uma vez, provavelmente antes de eu ter nascido, ela tinha feito seu jogo para Edward — não que eu culpe a ela ou alguém por tê-lo desejado. Mesmo assim, ela deveria ser extremamente linda e magnífica. Mesmo que Edward claramente — e inconcebivelmente — tenha preferido a mim, eu não seria capaz de ajudar fazendo comparações.
Eu resmunguei um pouco até que Edward, que sabia da minha fraqueza, me fez sentir culpada.
"Nós somos a coisa mais próxima que eles têm de uma família, Bella," ele me lembrou. "Eles ainda se sentem como órfãos, você sabe, mesmo depois de todo esse tempo."
Então eu admiti, escondendo a minha careta. Tanya tinha uma grande família agora, quase tão grande quanto os Cullens. Eles eram em cinco: Tanya, Kate e Irina haviam entrado através de Carmen e Eleazor de uma forma bem parecida como Alice e Jasper entraram para os Cullens, todos eles levados pelo desejo de viver com mais compaixão do que os vampiros normais fizeram.
Mesmo com toda a companhia, entretanto, Tanya e suas irmãs ainda eram sozinhas. Ainda estavam de luto. Porque há muito tempo atrás, elas também tiveram uma mãe.
Eu conseguia imaginar o vazio que a perda devia ter deixado, mesmo depois de milhares de anos. Eu tentei imaginar a família Cullen sem o seu criador, seu centro e seu guia — seu pai, Carlisle. Eu não consegui.
Carlisle havia explicado a história de Tanya durante uma das muitas noites em que eu passei na casa dos Cullen, aprendendo tanto quanto eu podia, me preparando o máximo possível para o futuro que eu havia escolhido. A história da mãe de Tanya foi uma dentre tantos, um conto de aviso ilustrando uma das regras que eu nunca poderia esquecer quando eu adentrasse o mundo dos imortais. Uma única regra, de fato - uma leia com milhares de facetas: Guarde o segredo.
Guardar o segredo significada muitas coisas — viver imperceptivelmente como o Cullens, se mudar antes que os humanos desconfiassem de que eles não estavam envelhecendo. Ou mantendo-se completamente longe de seres humanos — exceto na hora da refeição — como a vida nômade como James e Victoria tinham vivido; como os amigos de Jasper, Peter e Charlotte, tinham vivido. Isso significa manter controle de quaisquer novos vampiros que você tenha criado, como Jasper fez quando viveu com Maria. Como Victoria havia falhado com os recém-nascidos.
E isso significa não criar algumas coisas, acima de tudo, porque algumas criações são incontroláveis.
“Eu não sei o nome da mãe de Tanya”, Carlisle admitiu, seus olhos dourados, quase uma exata sombra de seu cabelo preso, triste com as lembranças da dor de Tanya. “Eles nunca falam sobre ela se puderem evitar, nunca pensam nela carinhosamente. A mulher que criou Tanya, Kate e Irina — que as amou, eu acredito — viveu muitos anos antes que eu tivesse nascido, durante uma época de peste em nosso mundo, a peste das crianças imortais.”
“O que eles estavam pensando, os anciões, eu não consigo entender. Eles criaram vampiros sob humanos que mal eram alguma coisa além de crianças.”
Eu tive que engolir a saliva que estava em minha garganta quando imaginei o que ele havia descrito.
“Eles eram muito lindos,” Carlisle explicou rapidamente, vendo minha reação. “Tão amáveis, tão encantadores, você não consegue imaginar. Mas era preciso estar perto deles para amá-los; isto era algo automático. Contudo, eles não podiam ser ensinados. Eles eram congelados em qualquer estágio do desenvolvimento que eles estavam antes de ser mordidos. Adoráveis crianças de dois anos de idade com covinhas e ceceios que podiam destruir metade de uma vila com seu furor. Se eles estavam com fome, eles se alimentavam, e não havia palavras de aviso que os parassem. Humanos os viam, histórias começaram a circular, o medo se alastrava como fogo na palha seca…”
“A mãe de Tânia criou uma dessas crianças. E assim como os outros anciões, não consigo imaginar as suas razões.” Ele deu um profundo suspiro. “Os Volturi se envolveram, é claro.”
Eu estremeci como sempre com aquele nome, mas é claro, que a legião de vampiros da Itália - a realeza de sua espécie — era o centro da história. Não podia existir uma lei se não houvesse uma punição; não podia havia uma punição se não houvesse ninguém para aplicá-la. Os anciões Aro, Caius e Marcus governavam as forças dos Volturi; eu só os vi uma vez, mas naquele breve encontro, pareceu para mim que Aro, com seu poderoso poder de ler mentes — um toque e ele sabia cada pensamento que aquela mente já havia tido — era o líder verdadeiro.
“Os Volturi estudaram as crianças imortais, em sua casa em Volterra e ao redor do mundo. Caius decidiu que os jovens eram incapazes de proteger nosso segredo. Então eles deveriam ser destruídos. Eu te disse que eles eram adoráveis. Bem, grupos de bruxas lutaram até o último homem — que foram completamente dizimados — para protegê-los. A carnificina não foi generalizada em guerras como a do continente do Sul, mas mais devastador de sua própria maneira. Grupos de bruxas enraizados, velhas tradições, amigos… Muita perda. No final, a prática foi completamente eliminada. As crianças imortais se tornaram não mencionáveis, um tabu.”
"Quando eu vivi com os Volturi, encontrei duas crianças imortais, por isso sabia em primeira mão o recurso que tinha. Aro estudou os pequeninos por muitos anos após a catástrofe que lhes foi provocada. Você sabe curiosamente sua disposição; ele estava esperançoso de que poderia amansá-las. Mas, no fim, a decisão foi unânime: as crianças imortais não poderiam existir. Eu tinha tudo, mas esqueceram a mãe das irmãs Denally quando a história retornou.”
“Não está totalmente claro o que aconteceu com a mãe de Tanya,” Carlisle disse. “Tanya, Kate e Irina foram inteiramente óbvias até o dia em que os Volturi chegaram, sua mãe e suas criações ilegais já estavam presas. Foi a ignorância que salvou Tanya e suas irmãs. Aro lhes tocou e viu a sua total inocência, para que não fossem punidas como sua mãe.”
“Nenhum deles tinha visto o garoto antes, ou tinham sonhando com sua existência, até o dia que eles o viram queimar nos braços de sua mãe. Eu posso apenas imaginar que sua mãe teve que guardar seu segredo para protegê-los desse exato resultado. Mas em primeiro lugar, por que ela o criou? Quem foi ele, e o que ele pretendia para ela que fez com que ela atravessasse esse inimaginável limite? Tanya e os outros nunca receberam uma resposta para nenhuma dessas perguntas. Mas não duvidavam da culpa de sua mãe, e não penso que eles lhe perdoaram de verdade.”
“Elas tiveram sorte de que Aro estava se sentindo compassivo aquele dia. Tanya e suas irmãs foram perdoadas, mas deixaram com os corações feridos e um grande respeito pela lei..."
Eu não sei exatamente em qual momento a memória se transformou em sonho.
Um momento parecia que eu estava ouvindo Carlisle em minha memória, olhando para o seu rosto e então, no outro momento eu estava olhando para um cinza, árido campo e sentindo o cheiro de um denso incenso no ar. Eu não estava sozinha ali.
A mistura de figuras no centro do campo, todos cobertos com uma capa escura, devia ter me aterrorizado — eles só podiam ser os Volturi e eu, ao contrário do decretado em nossa última reunião, ainda humana. Mas eu sabia, como algumas vezes acontecia nos sonhos, que eu era invisível para eles.
Espalhado ao meu redor estavam montes de fumaça. Reconheci a doçura no ar e não examinei o esfumaçado muito profundamente. Não tive nenhum desejo de ver as caras dos vampiros que eles tinham executado, com um pouco de medo que eu pudesse reconhecer alguém por dentre as chamas.
Os soldados Volturi pararam em um círculo ao redor de alguma coisa ou alguém e eu pude ouvir suas vozes em suspiro sobrepondo-se à agitação. Eu me debrucei sobre as capas, levada pelo sonho para ver que coisas ou pessoas eles estavam examinando com tanta intensidade. Me arrastando cuidadosamente por entre dois encapuzados altos, eu finalmente vi o objeto do debate, subindo em um pequeno morro atrás deles.
Ele era bonito, adorável, como Carlisle tinha descrito. O garoto era ainda uma criança, e talvez tivesse até dois anos de idade. Cabelos cacheados em tom castanho claro, enquadrava sua face de querubim com bochechas redondas e lábios cheios. E ele estava tremendo, seus olhos fechados como se ele estivesse receoso para assistir a sua morte se aproximar cada segundo.
Fiquei chocada com essa poderosa necessidade de salvar o adorável, aterrorizados Volturi que a criança não obstante toda a sua devastadora ameaça a longo importava para mim. Eu passei entre eles sem me importar se eles notariam. Soltando-me deles completamente, eu corri em direção ao menino. Cambaleando eu parei e pude ter uma visão clara do morro que ele se sentou.
Aquilo não era terra e rocha, mas a uma pilha de corpos humanos, drenados e inanimados. Muito tarde para não ver seus rostos. Eu conhecia todos eles — Angela, Ben, Jessica, Mike.... E diretamente abaixo do menino adorável estavam os corpos do meu pai e minha mãe.

3. O grande dia [amanhecer]
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Meus olhos se abriram.
Eu fiquei deitada tremendo e engasgando em minha cama quente por vários minutos, tentando me livrar do sonho. O céu pra fora de minha janela virou cinza e então um rosa pálido enquanto eu esperava para meu coração desacelerar. Quando eu voltei para a realidade do meu quarto bagunçado e familiar, eu me senti um pouco irritada comigo mesma. Que sonho para se ter na véspera de meu casamento! Isso que eu ganhei por ficar obcecada com histórias perturbadoras no meio da noite.
Ansiosa para me livrar do pesadelo, eu me vesti e fui para a cozinha muito antes do que o necessário. Primeiro eu limpei o cômodo pequeno, e quando Charlie levantou, eu preparei panquecas. Eu estava muito inquieta para ter qualquer interesse em tomar café da manhã – eu sentei e fiquei remexendo na cadeira enquanto ele comia.
“Você tem que buscar o Sr. Weber às três horas.” eu o lembrei.
“Eu não tenho muita coisa para fazer hoje a não ser trazer o padre, Bells. Não vou esquecer meu único encargo.” Charlie tinha tirado o dia todo de folga para o casamento, e ele estava definitivamente. De vez em quando, seus olhos piscavam furtivamente no armário embaixo da escada, onde ele guardava sua vara de pesca.
“Esse não é seu único encargo. Você também tem que se vestir e ficar apresentável.”
Ele fez uma careta para sua caneca de cereais e murmurou as palavras ‘’terno de macaco’’ baixinho.
Houve uma batida leve na porta da frente.
“Você pensa que vai ser ruim”, eu disse, sorrindo enquanto levantava. “Alice vai estar trabalhando em mim o dia todo.”
Charlie acenou pensativamente, concordando que ele tinha a menor tarefa. Eu me inclinei para beijar o topo de sua cabeça quando passei – ele corou e pigarreou – e continuou para abrir a porta para minha melhor amiga e que ia ser em pouco tempo, minha irmã.
O cabelo curto de Alice não estava com suas pontas espetadas – estava caindo em cachos brilhantes, enquadrando seu rosto pequeno, que estava contrastando com uma expressão profissional. Ela me arrastou da casa com um mero ‘’Oi, Charlie’’ por cima dos ombros.
Alice me avaliou enquanto eu entrava no Porshe.
“Ah, que inferno! Olhe seus olhos!” ela reclamou com reprovação. “O que você fez? Ficou acordada a noite toda?”
“Quase.”
Ela me encarou.
“Eu tenho pouco tempo para lhe deixar maravilhosa, Bella – você podia ter tomado mais cuidado com o meu material.”
“Ninguém espera que eu fique maravilhosa. Eu acho que o grande problema é que eu talvez durma durante a cerimônia e não seja capaz de dizer “aceito” na parte certa, e então Edward vai conseguir fugir.”
Ela riu.
“Eu vou jogar meu buquê em você quando estiver na hora.”
“Obrigada.”
“Pelo menos você vai ter bastante tempo para dormir no avião amanhã.”
Eu ergui uma sobrancelha. Amanhã, eu pensei. Se nós fomos embora depois da festa, ainda estaríamos no avião amanhã à noite... bem, não estávamos indo para Boise, Idaho. Edward não tinha dado nenhuma pista. Eu não estava tão estressada com o mistério, mas era estranho não saber onde iria dormir na noite seguinte. Ou, esperançosamente, não dormindo...
Alice percebeu que ela tinha me dado uma dica, e franziu a testa.
“Você já está com as malas preparadas e prontas”, ela disse para me distrair.
Funcionou.
“Alice, eu queria que você me deixasse preparar minhas próprias malas!”
“Teria dado muitas pistas.”
“E negado a você uma oportunidade de fazer compras.”
“Você será minha irmã oficialmente em poucas horas... está na hora de superar essa aversão a roupas novas.”
Eu encarei preocupada pelo pára-brisa até que estávamos quase na casa.
“Ele já voltou?” eu perguntei.
“Não se preocupe, ele estará de volta antes que a música comece. Mas você não pode vê-lo, não importa quando ele chegue. Vamos fazer isso do jeito tradicional.”
Eu bufei.
“Tradicional!”
“Certo, a parte da noiva e do noivo.”
“Você sabe que ele já espiou.”
“Ah, não - esse é o porquê de só eu ter visto você no vestido de noiva. Tenho sido bem cuidadosa para não pensar nisso quando ele está por perto.”
“Bem”, eu disse quando nós fizemos a curva – “estou vendo que você reaproveitou a decoração da formatura.” Os seis quilômetros da estrada estavam novamente envoltos em milhares de luzinhas. Dessa vez, ela adicionou arcos de cetim branco.
“Não quero desperdiçar. Aproveite, porque você não verá a decoração de dentro até que esteja na hora.” Ela estacionou na garagem gigante a norte da casa. O jipe enorme de Emmett ainda não tinha voltado.
“Desde quando a noiva não pode ver a decoração?” eu protestei.
“Desde que ela me colocou no comando. Quero que você tenha o impacto completo quando descer as escadas.”
Ela colocou a mão sobre meus olhos antes me deixar entrar pela cozinha. Eu fui imediatamente assaltada pelo cheiro.
“O que é isso?” eu perguntei enquanto ela me guiava pela casa.
“É muito?” A voz de Alice estava abruptamente preocupada. “Você é a primeira humana aqui. Espero que eu tenha acertado.”
“O cheiro é delicioso!” eu a assegurei – era quase intoxicante, mas não surpreendente, o balanço das fragrâncias diferentes era sutil e completo.
“Cascas de laranja... lilás... e alguma coisa a mais – estou certa?”
“Muito bom, Bella. Só esqueceu da freesia e das rosas.”
Ela não descobriu meus olhos até que estivéssemos em seu grande banheiro.
Eu olhei para a grande pia, coberta com toda a parafernália de um salão de beleza, e comecei a sentir os efeitos da noite mal dormida.
“Isso é realmente necessário? Eu vou parecer comum perto dele de qualquer jeito.”
Ela me sentou em uma cadeira pequena e cor-de-rosa.
“Ninguém vai ousar chamar você de comum quando eu terminar.”
“Só porque eles estão com medo de que você sugue o sangue deles” eu murmurei. Eu apoiei nas costas da cadeira e fechei meus olhos, esperando ser capaz de cochilar enquanto aquilo durasse. Eu apaguei de vez em quando enquanto ela me maquiava, passava blush e polia cada espaço do meu corpo. Era depois do almoço quando Rosalie escorregou pela porta do banheiro com um vestido prata brilhante com seu cabelo dourado preso em uma pequena coroa no topo de sua cabeça. Ela era tão linda que me deu vontade de chorar.
Qual era o sentido em me vestir com Rosalie por perto?
“Eles voltaram” Rosalie disse, e imediatamente meu ataque de pânico infantil desapareceu. Edward estava em casa.
“Deixe-o longe daqui!”
“Ele não vai encontrar com você hoje” Rosalie a assegurou. “Ele dá valor demais à vida. Esme os mandou cuidar de umas coisas. Você quer alguma ajuda? Eu posso fazer o cabelo dela.”
Meu queixo caiu. Eu fiz uma batalha em minha cabeça, tentando me lembrar de como fechar minha boca. Eu nunca fui à pessoa preferida de Rosalie. Então, deixando as coisas ainda mais tensas entre nós, ela estava pessoalmente ofendida pela escolha que eu estava fazendo agora. Embora ela tivesse aquela beleza impossível, uma família que amava, e sua alma gêmea em Emmett, ela teria trocado tudo para ser humana. E aqui estava eu, insensivelmente jogando tudo fora, tudo o que ela queria na vida, como se fosse lixo. Eu não a fiz gostar mais de mim.
“Claro” Alice disse. “Você pode começar trançando. Eu quero que fiquei um pouco embaraçado. O véu vai aqui, embaixo.”
As mãos dela começaram a passar pelo meu cabelo, levantando e virando-o, ilustrando em detalhes como ela queria. Quando ela terminou, as mãos de Rosalie substituíram as dela, amaciando meu cabeço com um toque mais leve do que pena. Alice voltou para seu rosto.
Uma vez que Rosalie recebeu as recomendações de Alice sobre meu cabelo, ela saiu para pegar meu vestido e localizar Jasper, que tinha sido designado para pegar minha mãe e seu marido, Phil, do hotel. Lá embaixo, eu podia ouvir a porta se abrindo e se fechando várias vezes. Vozes começaram a se aproximar.
Alice me fez levantar para que ela pudesse colocar o vestido por cima de meu cabelo e maquiagem. Meus joelhos tremeram tão forte quando ela fechou os botões de pérola nas minhas costas que o cetim caiu em pequenas ondas pelo chão.
“Respire fundo, Bella.” Alice disse. “E tente diminuir as batidas de seu coração. Você vai suar e borrar a maquiagem.”
Joguei a ela a melhor expressão sarcástica que pude fazer.
“Vou tentar fazer isso.”
“Eu tenho que ir me vestir agora. Consegue se segurar por dois minutos?”
“Ah... talvez?”
Ela revirou os olhos e saiu pela porta.
Eu me concentrei em minha respiração, contando cada movimento de meus pulmões, e encarei o padrão que a luz do banheiro fazia brilhar pelo tecido de minha saia. Eu estava com medo de olhar no espelho – medo de que a imagem de mim mesmo em um vestido de noiva iria me fazer ter um novo ataque te pânico.
Alice voltou antes que eu respirasse duzentas vezes, num vestido que caia pelo seu corpo magro como uma cachoeira prateada.
“Alice – uau.”
“Não é nada. Ninguém vai olhar para mim hoje. Não enquanto você estiver no salão.”
“Há há.”
“Agora, você está sob controle ou eu preciso trazer Jasper aqui?”
“Eles voltaram? Minha mãe está aqui?”
“Ela acabou de entrar. Está subindo.”
Renee tinha chegado há dois dias, e eu tinha passado cada minuto que podia com ela – cada minuto que eu podia afastá-la de Esme e da decoração, nas palavras dela. Até onde eu podia dizer, ela estava se divertindo mais que uma criança presa à noite da Disney. De um jeito, eu me senti traída do mesmo jeito que Charlie. Todos aquele terror desperdiçado com a reação dela...
“Ah, Bella!” ela gritou agora, emocionada, antes que ela tivesse passado pela porta. “Ah, querida, você está maravilhosa! Ah, eu vou chorar! Alice, você é fantástica! Você e Esme deviam entrar no mercado como planejadoras de casamentos. Onde você achou esse vestido? É lindo! Tão gracioso, tão elegante. Bella, parece que você acabou de sair de um filme Austin.”
A voz de minha mãe pareceu um pouco distante, e tudo no quarto era um fraco borrão. “Uma idéia tão criativa, fazendo o tema do vestido baseado no anel de Bella. Tão romântico! E pensar que está na família de Edward desde os anos 1800!”
Alice e eu trocamos um olhar breve e conspiratório. Minha mãe estava sem noção do estilo do vestido por mais de cem anos. O casamento estava na verdade, centrado não no anel, mas no próprio Edward.
Houve um pigarro na porta.
“Renee, Esme disse que é hora de você descer.” Charlie disse.
“Bom, Charlie, como você está arrojado!” Renee disse em um tom que era quase choque.
Talvez isso tenha explicado a rigidez na resposta de Charlie.
“Alice me pegou.”
“Já está na hora mesmo?” Renee disse para si mesma, parece quase tão nervosa quanto eu me sentia. “Isso tudo foi tão rápido. Sinto-me tonta.”
Isso fazia duas de nós.
“Me dê um abraço antes que eu desça”. Renee insistiu. “Cuidado agora, não quero rasgar nada.” Minha mãe me apertou gentilmente em sua cintura, então se virou para a porta, só para terminar a volta e me olhar de novo. “Ah, meu Deus, quase esqueci! Charlie, onde está a caixa?”
Meu pai procurou em seu bolso por um minuto e então tirou uma pequena caixa branca e a entregou a Renee. Ela levantou a tampa e entregou para mim.
“Alguma coisa azul.” ela disse.
“E alguma coisa velha também. Eles eram da vovó Swan”, Charlie adicionou.
“Nós pedimos para um joalheiro substituir as jóias antigas por safiras.”
Dentro da caixa haviam duas presilhas de cabelo. Safiras azul escuras estavam incrustadas em complicados desenhos florais em cima dos prendedores. Minha garganta ficou apertada.
“Mãe, pai... vocês não precisavam.”
“Alice não nos deixou fazer mais nada”, Renee disse. “Toda vez que a gente tentava, ela praticamente arrancava as nossas gargantas.”
Uma gargalhada histérica saiu pelos meus lábios.
Alice veio para a frente e rapidamente deslizou as presilhas em meus cabelos, logo abaixo das tranças grossas. “Isso é uma coisa velha e azul”, Alice pensou, dando uns passos pra trás para me admirar. “E o seu vestido é novo... então, aqui –”
Ela jogou alguma coisa para mim. Eu levantei minhas mãos automaticamente e a liga branca translúcida caiu na minha mão.
“Isso é meu e eu quero de volta”, Alice me disse.
Eu fiquei vermelha.
“Pronto”, Alice disse com satisfação. “Um pouco de cor - é tudo o que você precisa. Você está oficialmente perfeita” Com um sorriso que parabenizava ela mesma, ela se virou para os meus pais. “Renee, você precisa ir lá pra baixo.”
“Sim, madame”, Renee me soprou um beijo e saiu apressada pela porta.
“Charlie, você pode pegar as flores, por favor?”
Enquanto Charlie estava fora do quarto, Alice arrancou a liga das minhas mãos e se enfiou embaixo da minha saia. Eu resfoleguei e cambaleei enquanto as mãos frias dela segurava o meu calcanhar; ela enfiou a liga no lugar. Ela já estava de pé novamente antes que Charlie retornasse com dois buquês cheios de flores brancas. O cheiro de rosas e flores de laranjeira e freesia me cercou numa suave mistura.
Rosalie – a melhor música da família depois de Edward – começou a tocar piano no andar de baixo. Pachelbel’s Cânon. Eu comecei a hiperventilar.
“Calma, Bells”, Charlie disse. Ele se virou nervosamente pra Alice. “Ela parece um pouco enjoada. Você acha que ela vai conseguir?”
A voz dele soou longe. Eu não conseguia sentir minhas pernas.
“É melhor que consiga.”
Alice ficou bem na minha frente, na ponta dos pés pra me olhar nos olhos mais facilmente, e agarrou meus pulsos em suas mãos duras.
“Concentre-se, Bella. Edward está te esperando lá embaixo.”
Eu respirei profundamente, tentando me recompor. A música mudou lentamente para outra música. Charlie me cutucou.
“Bells, é a nossa vez.”
“Bella?” Alice perguntou, ainda me olhando nos olhos.
“Sim”, eu guinchei. “Edward. Tudo bem.”
Eu deixei que ela me tirasse do quarto , com Charlie agarrado em meu cotovelo.
A música estava mais alta no corredor. Eu flutuei nas escadas junto com as fragrâncias dos milhões de flores. Eu me concentrei na idéia de Edward me esperando lá embaixo pra fazer os meus pés se moverem. A música era familiar, uma marcha tradicional de Wagner cercada por um monte de embelezamentos.
“É a minha vez”, Alice chiou. “Conte até cinco e me siga.”
Ela começou a descer as escadas lenta e graciosamente. Eu devia ter me dado conta que ter Alice como minha única dama de honra era um erro. Eu ia parecer muito mais descoordenada andando atrás dela.
Um súbito ruído de juntou à música. Eu reconheci a minha deixa.
“Não me deixe cair, pai”, eu sussurrei.
Charlie pôs a minha mão em seu braço e a apertou com força.
“Um passo de cada vez”, eu disse a mim mesma enquanto começava a descer ao lento som da marcha. Eu não ergui meus olhos até que os meus pés estavam seguros no chão, apesar de conseguir ouvir os murmúrios e ruídos da platéia enquanto eu aparecia. O sangue subiu pro meu rosto por causa do som; é claro que já se esperava que eu fosse uma noiva corada.
Assim que os meus pés tinham vencido as escadas traiçoeiras, eu estava procurando por ele. Por um breve segundo, eu fiquei distraída com a profusão de botões de flores brancas que pendiam de guirlandas em qualquer parte da sala que não estivesse viva, caindo em longas filas de leves laços brancos.
Mas eu separei meus olhos dos arcos das portas e procurei pelas fileiras de cadeiras cobertas de cetim – ficando ainda mais vermelha quando vi a multidão de rostos olhando pra mim – até que eu finalmente o encontrei, de pé perto de um vaso com mais flores ainda, e mais laços.
Eu mal tinha consciência de Carlisle de pé ao lado dele, e do pai de Ângela atrás deles dois. Eu não vi minha mãe de onde ela devia estar sentada na primeira fileira, nem a minha família nova, ou nenhum dos meus convidados – eles teriam que esperar até mais tarde.
Tudo o que eu realmente via era o rosto de Edward; ele encheu minha visão e dominou minha mente. Os olhos dele estavam claros, ouro em chamas; seu rosto perfeito estava quase parecendo severo com a profundidade de suas emoções. E aí, quando ele encontrou meu olhar abismado, ele se quebrou em um sorriso feliz de tirar o fôlego.
De repente, a única coisa me impedindo de correr pelo corredor era a mão de Charlie apertando a minha.
A marcha era lenta demais enquanto eu tentava fazer meus pés acompanharem o ritmo. Por sorte, o corredor era bem curto. E finalmente, finalmente, eu estava lá. Edward estendeu sua mão. Charlie pegou minha mão e, num símbolo tão velho quanto o mundo, colocou-a sobre a mão de Edward. Eu toquei o frio milagre de sua pele, e eu estava em casa.
Nossos votos foram simples, palavras tradicionais que já foram ditas milhões de vezes, apesar de nunca por um casal como nós. Nós só pedimos ao Sr. Weber pra fazer uma pequena mudança. Ele concordou em trocar a frase “até que a morte nos separe” por uma mais apropriada “enquanto nós dois vivermos”.
Naquele momento, enquanto o juiz de paz dizia sua parte, meu mundo, que tinha estado de cabeça pra baixo por tanto tempo, agora parecia ficar na posição correta. Eu me dei conta do quanto eu estava sendo tola ao sentir medo disso – como se isso fosse um presente de aniversário que eu não queria ou uma exibição vergonhosa, como um baile. Eu olhei para os olhos brilhantes, triunfantes de Edward, e eu soube que eu também estava vencendo. Porque nada mais importava além do fato de que eu poderia ficar com ele.
Eu não me dei conta de que estava chorando até a hora de dizer as palavras tão esperadas.
“Eu aceito”, eu consegui botar pra fora num sussurro quase inaudível, piscando pra conseguir ver o rosto dele.
Quando foi a vez dele de falar, as palavras soaram claras e vitoriosas.
“Eu aceito”, ele jurou.
O Sr. Weber nos declarou marido e mulher, e aí as mãos de Edward se ergueram pra segurar o meu rosto, cuidadosamente, como se ele fosse delicado como as pétalas brancas balançando sobre nossas cabeças. Eu tentei compreender, apesar da quantidade de lágrimas me cegando, o fato surreal de que essa pessoa incrível era minha. Seus olhos dourados estavam como se pudessem estar cheios de lágrimas também, se isso não fosse uma coisa tão impossível. Ele abaixou sua cabeça em direção à minha, e eu fiquei na ponta dos pés, jogando meus braços – com buquê e tudo – ao redor do pescoço dele.
Ele me beijou ternamente, me adorando; eu esqueci a multidão, o lugar, o tempo, a razão... lembrando apenas que ele me amava, que ele me queria, que eu era dele.
Ele começou o beijo e eu tive que terminá-lo; eu me agarrei a ele, ignorando as risadinhas e os convidados limpando as gargantas. Finalmente, as mãos dele detiveram meu rosto e ele se afastou – cedo demais – pra me olhar. Na superfície seu sorriso repentino estava divertido, era quase um sorriso pretensioso. Mas por baixo desse espetáculo momentâneo da minha exibição pública estava uma profunda alegria que ecoava a minha própria.
A multidão aplaudiu, e ele virou os nossos corpos para ficar de frente para as nossas famílias e amigos.
Os braços da minha mãe foram os primeiros a me encontrar, seu rosto coberto de lágrimas foi à primeira coisa que eu encontrei quando eu desviei meus olhos de Edward sem querer. E aí eu fui passada para a multidão, passada de abraço para abraço, apenas meio consciente de quem me abraçava, minha atenção concentrada na mão de Edward que segurava a minha própria mão com força. Eu reconheci a diferença entre os abraços suaves e quentes dos meus amigos humanos, e os abraços gentis e frios da minha nova família.
Um abraço severo se destacou entre os outros – Seth Clearwater teve a coragem de ficar em meio a todos os vampiros para representar meu amigo lobisomem perdido.

4. Gesto [amanhecer]
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O casamento foi seguido sutilmente pela festa de recepção – prova do planejamento perfeito de Alice. O crepúsculo chegava acima do rio; a cerimônia tinha durado o tempo exato, permitindo que o sol se pusesse atrás das árvores. As luzes nas árvores brilhavam enquanto Edward me guiava através das portas de vidro de trás da casa, fazendo as flores brancas brilhar.
 Haviam mais dez mil flores ali, servindo como uma tenda perfumada e flutuante sobre a pista de dança que foi arrumada na grama sob duas cidreiras antigas.
 As coisas desaceleraram, relaxando enquanto a leve noite de Agosto nos cercava. A pequena multidão se espalhou sob o leve brilho das luzes cintilantes, e nós fomos cumprimentados novamente pelos amigos que tínhamos acabado de cumprimentar. Agora havia tempo para conversar, para sorrir.
“Parabéns, pessoal”, Seth Clearwater nos disse, abaixando a cabeça por causa de uma guirlanda de flores.
A mãe dele, Sue, estava bem ao seu lado, olhando os convidados com um estudado interesse. O rosto dela era fino e penetrante, uma expressão que se atenuou pelo seu corte de cabelo curto, severo; era tão curto quanto o cabelo de sua filha Leah – eu me perguntei se ela tinha cortado curto desse jeito em sinal de solidariedade. Billy Black, do outro lado de Seth, não estava tão tenso quanto Sue.
 Quando eu olhava para o pai de Jacob, eu sempre sentia que estava vendo duas pessoas e não uma só. Lá estava um homem velho numa cadeira de rodas com um rosto marcado de rugas e um sorriso branco que todo mundo via. E depois havia o descendente direto de uma longa linhagem de chefes índios poderosos, vestido com aquela autoridade com a qual ele tinha nascido.
 Apesar da mágica ter – pela ausência de problemas – pulado a sua geração, Billy ainda era uma parte do poder e da lenda. Eles o cercavam. Ela cercava o seu filho, o herdeiro da magia, que deu as costas a isso tudo. Isso agora deixava Sam Uley que agisse como chefe das lendas e magia...
 Billy parecia estranhamente tranqüilo considerando que a companhia e o evento – seus olhos brilhavam como se ele tivesse acabado de receber uma boa notícia. Eu estava impressionada com o comportamento dele. Esse casamento devia parecer uma coisa ruim, a pior coisa que podia ter acontecido à filha do melhor amigo dele, nos olhos de Billy.
 Eu sabia que não era fácil pra ele esconder seus sentimentos, considerando o desafio que esse evento marcava para a antiga trégua feita entre os Cullen e os Quileute – o acordo havia proibido que os Cullen viessem a criar outro vampiro. Os lobisomens sabiam que uma quebra estava acontecendo, mas os Cullen não faziam idéia de como eles reagiriam. Antes da aliança, isso teria significado ataque imediato. Uma guerra. Mas agora que eles se conheciam melhor, será que ao invés disso haveria perdão?
 Como que em resposta a esse pensamento, Seth se inclinou na direção de Edward, com os braços estendidos. Edward retornou o abraço com seu braço livre.
 Eu vi Sue estremecer delicadamente.
“É bom ver as coisas dando certo pra você, cara”, Seth disse. “Eu estou feliz por você.”
 “Obrigado, Seth. Isso significa muito para mim.” Edward se afastou de Seth e olhou para Sue e Billy. “Obrigado a vocês também. Por terem deixado o Seth vir. Por dar apoio a Bella hoje.”
 “De nada” Billy disse com sua voz profunda, gutural, e eu me surpreendi com o otimismo na voz dele. Talvez uma trégua mais forte estivesse no horizonte.
Uma pequena fila estava se formando, então Seth acenou dando adeus e Billy empurrou sua cadeira em direção à comida. Sue manteve uma mão em cada um deles.
 Angela e Bem eram os próximos querendo nossa atenção, seguidos pelos pais de Angela e então Mike e Jéssica, que estavam – para minha surpresa – de mãos dadas. Eu não sabia que eles estavam juntos de novo. Isso era bom. Atrás dos meus amigos humanos estavam os meus novos primos, os vampiros do clã Denali. Eu me dei conta de que estava prendendo a respiração enquanto a vampira da frente – Tanya, eu presumi pelo tom dos seus cabelos loiros – se aproximava para abraçar Edward. Perto dela, os outros três vampiros de olhos dourados me olharam com franca curiosidade.
Uma das mulheres tinha um cabelo longo, loiro pálido, liso como seda. A outra mulher e o homem ao seu lado tinham cabelos scuros, com a pele meio escurecida sobre sua compleição pálida.
Eles eram todos tão lindos que faziam meu estômago doer.
“Ah, Edward”, Tanya disse. “Eu senti sua falta.”
Edward gargalhou e inteligentemente conseguiu se livrar do abraço, colocando a mão levemente sobre o ombro dela e dando um passo pra trás.
“Já faz bastante tempo, Tanya. Você parece bem.”
“E você também.”
“Deixe-me apresenta-los minha esposa.” Era a primeira vez que Edward dizia essa palavra desde que isso virou oficialmente verdade; parecia que ele ia explodir de satisfação dizendo isso agora.
 Todos os Denali sorriram levemente em resposta.
“Tanya, esta é minha Bella.”
Tanya era exatamente tão amável quanto nos meus piores pesadelos haviam predito. Ela me lançou um olhar que era mais especulativo do que resignado, e então pegou minha mão.
 “Bem vinda à família, Bella”, ela sorriu, um pouco descontente. “Nós nos consideramos uma extensão da família de Carlisle, e eu lamento por, aquele incidente recente quando não nos comportamos como tal. Nós devíamos ter te conhecido mais cedo. Você pode nos perdoar?”
 “É claro”, eu disse sem fôlego. “É muito bom conhecer vocês.”
“Agora todos os Cullen tem um par. Talvez agora seja a nossa vez, hein, Kate?” Ela sorriu para a loira.
 “Continue sonhando”, Kate disse, rolando seus olhos. Ela tomou minha mão de Tanya e apertou-a gentilmente. “Bem vinda, Bella.”
 A mulher de cabelos escuros pôs a mão sobre a de Kate.
“Eu sou Carmem, esse é Eleazar. Estamos muito felizes por finalmente conhecer você.”
 “E-eu também”, eu gaguejei.
Tanya olhou para as pessoas esperando atrás dela – o companheiro de trabalho de Charlie, Mark, e sua esposa. Seus olhos eram enormes enquanto eles olhavam para os Denali.
 “Vamos nos conhecer depois. Nós temos muito tempo para fazer isso!” Tanya riu enquanto ela e sua família seguiam em frente.
Todos os padrões tradicionais foram mantidos. Eu fiquei cega pelos flashes de luz enquanto segurávamos a faca sobre o bolo espetacular – grande demais, eu pensei, para o nosso grupo relativamente íntimo de amigos e familiares. Nós começamos enfiar bolo nos rostos um do outro; Edward engoliu corajosamente e parte que cabia a ele enquanto eu olhava sem acreditar. Eu joguei meu buquê com estranha destreza, diretamente nas mãos da surpresa Angela. Emmett e Jasper rugiram de tanto rir quando Edward arrancou a minha liga emprestada – que eu havia feito deslizar quase até o meu calcanhar – muito cuidadosamente com os dentes. Com uma piscadela pra mim, ele atirou-a bem na cara de Mike Newton.
 E quando a música começou, Edward me puxou para os seus braços para a costumeira primeira dança; eu fui por vontade própria, apesar do meu medo de dançar – especialmente dançar na frente de uma platéia – feliz por ele simplesmente me abraçar. Ele fez todo o trabalho, e eu girei sem esforço algum sob as luzes e flashes brilhantes das câmeras.
 “Aproveitando a festa, Sra. Cullen?” Ele sussurrou no meu ouvido.
Eu ri.
“Eu vou levar um tempo pra me acostumar com isso.”
“Nós temos um tempo”, ele me lembrou, sua voz exultante, e se inclinou pra me beijar enquanto a gente dançava. Câmeras disparavam sem parar.
 A música trocou, e Charlie cutucou o ombro de Edward.
Dançar com Charlie nem de perto foi tão fácil. Ele não era melhor do que eu, então nós nos mexíamos cuidadosamente de um lado para o outro no pequeno formato de um quadrado. Edward e Esme giravam ao nosso redor como Fred Astaire e Ginger Rogers.
 “Eu vou sentir sua falta lá em casa, Bella. Eu já me sinto sozinho.”
Eu falei através da minha garganta apertada, tentando fazer piada sobre isso.
“Eu me sinto simplesmente horrível, tendo que fazer você cozinhar pra si mesmo – é praticamente um crime de negligência. Você podia me prender.”
 Ele deu um sorriso.
“Eu acho que vou sobreviver à comida. Só me ligue quando puder.”
“Eu prometo.”
Parecia que eu tinha dançado com todo mundo. Era bom ver todos os meus amigos, mas eu queria mesmo era estar com Edward acima de qualquer coisa.
 Eu fiquei feliz quando ele finalmente interrompeu, meio minuto depois que uma nova dança começou.
 “Ainda não gosta muito de Mike, hein?” Eu comentei enquanto Edward me puxava pra longe dele.
 “Não quando eu preciso ouvir os pensamentos dele. Ele tem sorte que eu não o botei para fora. Ou pior.”
 “Tá, certo.”
“Você teve uma chance de olhar para si mesma?”
“Um, não, eu acho que não. Por quê?”
“Então eu acho que você não se dá conta que está absolutamente linda e de tirar o fôlego esta noite. Não me surpreende que Mike tenha dificuldade com seus pensamentos impróprios com uma mulher casada. Eu estou desapontado por Alice não ter te forçado a se olhar no espelho.”
 “Você é louco, sabia?”
Ele suspirou e então parou e me virou em direção à casa. A parede de vidro refletia a festa lá atrás como um longo espelho. Edward apontou para o casal no espelho diretamente à nossa frente.
 “Sou louco, não é?”
Eu vi apenas um pouco do reflexo de Edward – uma duplicata perfeita de seu rosto perfeito – com uma bonitona de cabelos escuros ao seu lado. A pele dela era como rosas e creme, seus olhos estavam enormes e excitados e margeados por enormes cílios grossos. A estrutura estreita do vestido branco cintilante ficava subitamente cheio na cauda quase como um lírio invertido, cortado com tanta destreza que seu corpo parecia elegante e gracioso – quando estava parada, pelo menos.

Antes de conseguir piscar e fazer a beleza se voltar para mim, Edward enrijeceu repentinamente e se virou automaticamente na outra direção, como se alguém tivesse chamado seu nome.
 “Oh”, ele disse. A testa dele enrugou por um instante e depois ficou suave de novo rapidamente.
 De repente, ele estava sorrindo brilhantemente.
“O que é?” Eu perguntei.
“Um presente de casamento surpresa”
“Huh?”
Ele não respondeu; ele simplesmente começou a dançar de novo, girando comigo para o lado oposto ao que estávamos indo antes, nos distanciando das luzes e entrando nas profundezas da noite que cercava a luminosa pista de dança.
 Ele não parou até que alcançamos o lado escuro de uma das enormes cidreiras.
Então Edward seguiu diretamente para a sombra mais escura.
“Obrigado”, Edward disse para a escuridão. “Isso é muito... gentil da sua parte.”
 “Gentil é o meu nome do meio” uma voz rouca familiar se ergueu da noite escura. “Posso invadir?”
 Minha mão voou para a minha garganta, e se Edward não estivesse me segurando eu ia sofrer um colapso.
 “Jacob!” Eu botei para fora assim que consegui respirar. “Jacob!”
“E aí, Bells.”
Eu cambaleei na direção da voz dele. Edward continuou segurando meu cotovelo até que outro forte par de mãos me pegou na escuridão. O calor da pele de Jacob queimou o cetim do vestido enquanto ele me puxou para perto.
 Ele não se esforçou pra dançar; ele apenas me abraçou enquanto eu enterrava meu rosto em seu peito.
 “Rosalie não vai me perdoar se ela não tiver sua valsa oficial na pista de dança”, Edward murmurou, e eu sabia que ele estava nos deixando, me dando um presente – esse momento com Jacob.
 “Oh, Jacob”, eu estava chorando agora; eu não conseguia botar as palavras pra fora com clareza. “Obrigada.”
 “Para de se derreter, Bella. Você vai estragar seu vestido. Sou só eu.”
“Só? Oh, Jake! Tudo está perfeito agora.”
Ele rosnou.
“É – a festa já pode começar o padrinho finalmente chegou.”
“Agora todos que eu amo estão aqui.”
Eu senti os lábios dele passando pelos meus cabelos.
“Eu lamento ter me atrasado, querida.”
“Eu estou tão feliz por você ter vindo!”
“Essa era a idéia.”
Eu olhei na direção dos convidados, mas não consegui ver através dos dançarinos o lugar onde eu tinha visto o pai de Jacob pela última vez. Eu não sabia se ele tinha ficado.
“Billy sabe que você está aqui?”
Assim que eu perguntei, eu soube que ele devia saber – era a única maneira de explicar a sua expressão feliz de antes.
 “Eu tenho certeza que Sam contou a ele. Eu vou vê-lo quando... quando a festa acabar.”
 “Ele vai ficar tão feliz por você estar em casa.”
Jacob se afastou um pouco e se ergueu de novo. Ele deixou uma mão na parte de baixo das minhas costas e segurou minha mão direita com a outra. Ele segurou nossas mãos no peito dele; eu podia sentir o coração dele batendo sob minha palma, e eu supus que ele não havia colocado a minha mão lá por acidente.
 “Eu não sei se vou ganhar mais do que essa dança” ele disse, e começou a me puxar em círculos que não combinavam com o ritmo da música vindo de trás de nós. “É melhor que eu tire o melhor que puder disso.”
 Nós nos movíamos seguindo o ritmo do coração dele embaixo da minha mão.
“Eu estou feliz por ter vindo”, ele disse baixinho depois de um momento. “Eu não achei que ficaria feliz. Mas é bom ver você... uma vez mais. Não é tão triste quanto eu imaginei que seria.”
 “Eu não quero que você se sinta triste.”
“Eu sei disso. E eu não vim essa noite pra te fazer sentir culpada.”
“Não – eu fico muito feliz por você ter vindo. É o melhor presente que você podia ter me dado.”

Meus olhos estavam se ajustando, e agora eu conseguia ver o rosto dele, mais alto do que eu esperava. Será que era possível que ele ainda estivesse crescendo? Ele devia estar se aproximando de dois metros e meio de altura. Era um alívio ver o rosto familiar novamente depois de todo esse tempo – seus olhos escuros embaixo das sobrancelhas pretas bagunçadas, as maçãs altas de
 seu rosto, seus lábios cheios esticados sobre os dentes brilhantes num sorriso sarcástico que combinava com a voz dele. Seus olhos estavam apertados nos cantos – cuidadoso; eu podia ver que ele estava sendo muito cuidadoso essa noite. Ele estava fazendo todo o possível para me deixar feliz, para não dar uma escapulida e deixar claro o quanto isso era difícil pra ele.
 Eu nunca fiz nada bom o suficiente pra merecer um amigo como Jacob.
“Quando você decidiu voltar?”
“Conscientemente ou inconscientemente?” Ele respirou profundamente antes de responder sua própria pergunta. “Eu realmente não sei. Eu acho que já faz algum tempo que eu estou rodando essa área, e talvez isso seja porque eu vinha para cá. Mas não foi até essa manhã que eu comecei a correr. Eu não sabia se ia conseguir chegar a tempo.” Ele riu. “Você não acreditaria no quanto isso parece estranho – caminhar sobre duas pernas de novo. E roupas!
 E é mais bizarro ainda porque isso parece estranho. Eu não esperava isso. Eu estou sem prática nessa coisa toda de humano.” Ele girou firmemente sem sair do lugar.
 “Seria uma pena perder de vê-la assim, no entanto. Isso já valeu a viagem até aqui. Você está inacreditável, Bella. Tão linda.”
 “Alice investiu muito tempo em mim hoje. O escuro também está ajudando.”
“Não está tão escuro para mim, sabe.”
“Certo.” Sentidos de lobisomem. Era fácil esquecer de todas as coisas que ele podia fazer, ele parecia tão humano. Especialmente agora. “Você cortou seu cabelo”, eu notei. “É. É mais fácil, sabe. Eu achei melhor usar bem as minhas mãos.”
 “Está bonito”, eu menti.
Ele rosnou.
“Certo. Eu mesmo cortei, com facas de cozinha enferrujadas.” Ele deu um sorriso largo por um momento, e aí seu sorriso sumiu. A expressão dele ficou séria. “Você está feliz, Bella?”
 “Sim.”
“Okay”. Eu senti ele erguer os ombros. “Isso é o mais importante, eu acho.”
“Como você está Jacob? Sério”
“Eu estou bem, Bella, de verdade. Você não precisa mais se preocupar comigo. Pode parar de encher o saco do Seth.”
 “Eu não estou enchendo o saco dele só por sua causa. Eu gosto do Seth.”
“Ele é um bom garoto. Melhor companhia do que alguns. Eu te digo, se eu pudesse me ver livre das vozes na minha cabeça, ser um lobisomem seria perfeito.”
 Eu sorri pela forma que isso soou.
“É. Eu também não consigo fazer as minhas vozes pararem.”
“No seu caso isso ia significar que você está louca. É claro, eu já sabia que você é louca”, ele zombou.
 “Obrigada.”
“Insanidade provavelmente é mais fácil do que dividir os pensamentos com um bando. As vozes das pessoas loucas não mandam babás atrás deles.”
 “Huh?”
“Sam está por aí. E alguns dos outros. Só por via das dúvidas, sabe.”
“Que dúvidas?”
“No caso de eu não conseguir me controlar, alguma coisa assim. No caso de eu tentar destruir a festa.” Ele abriu um sorriso rápido pelo que pareceu ser uma boa idéia para ele. “Mas eu não estou aqui para estragar seu casamento, Bella. Eu estou aqui para...” Ele parou.
 “Para deixar tudo perfeito.”
“Isso é um pouco grandioso demais.”
“Que bom que você é tão alto.”
Ele rosnou com a minha piada ruim e então suspirou.
“Eu estou aqui só para ser seu amigo. Seu melhor amigo, uma última vez.”
“Sam devia te dar mais crédito.”
“Bem, talvez eu esteja sendo sensível demais. Talvez eles já devessem estar aqui de qualquer jeito, para ficar de olho no Seth. Tem um monte de vampiros por aqui. Seth não leva isso tão a sério quanto devia.”
 “Seth sabe que não está em perigo. Ele compreende os Cullen melhor que Sam.”
“Claro, claro”, Jacob disse, fazendo paz antes que isso se transformasse numa briga.
 Era estranho vê-lo sendo tão diplomata.
“Eu lamento por essas vozes”, eu disse. “Eu queria poder melhorar as coisas.”
De várias maneiras.
“Não é tão ruim. Eu só estou choramingando um pouco.”
“Você está... feliz?”
“Estou bem perto. Mas já chega de falar de mim. Você é a estrela hoje”. Ele gargalhou. “Eu aposto que você está adorando isso. Ser o centro das atenções.”
 “É. Eu nunca me canso da atenção.”
Ele riu e olhou para a minha mão. Com os lábios torcidos, ele estudou o brilho cintilante da festa de recepção, os graciosos giros dos dançarinos, as pétalas flutuantes caindo das guirlandas; eu olhei junto com ele. Tudo parecia muito distante desse espaço escuro, silencioso.

Era quase como observar os pequenos pedacinhos brancos caindo em círculos num globo de neve.
 “Eu admito isso para eles”, ele disse. “Eles sabem como dar uma festa.”
“Alice é uma força da natureza impossível de ser detida.”
Ele suspirou.
“A música acabou. Você acha que eu posso dançar outra? Ou isso é pedir demais de você?”
 Eu apertei a mão dele com a minha.
“Você pode ter quantas danças quiser.”
Ele riu.
“Isso seria interessante. Mas eu acho que é melhor parar nas duas. Não quero dar motivo para fofoca.”
 Nós viramos em outro círculo.
“É de se imaginar que a essa altura eu já estivesse acostumado a ter dizer adeus”, ele murmurou.
 Eu tentei engolir o caroço na minha garganta, mas não consegui forçá-lo a descer.
 Jacob olhou para mim e fez uma careta. Ele passou os dedos na minha bochecha, pegando as lágrimas que escorriam ali.
 “Não é você quem devia estar chorando, Bella”.
“Todo mundo chora em casamentos”, eu disse com a voz grossa.
“É isso que você quer, não é?”
“É.”
“Então sorria.”
Eu tentei. Ele sorriu com a minha careta.
“Eu vou tentar lembrar de você assim. Fingir que...”
“Que o quê? Que eu morri?”
Ele apertou os dentes. Ele estava lutando consigo mesmo – com a sua decisão de fazer de sua presença aqui um presente e não um julgamento. Eu podia adivinhar o que ele queria dizer.
 “Não”, ele respondeu finalmente. “Mas eu vou te ver desse jeito em minha cabeça. Bochechas rosadas. Coração batendo. Dois pés esquerdos. Tudo isso.”
 Eu deliberadamente pisei no pé dele o mais forte que pude.
Ele sorriu.
“Essa é a minha garota.”
Ele começou a dizer outra coisa mas fechou a boca. Lutando de novo, ele fechou os dentes sobre as palavras que ele não queria dizer.

Meu relacionamento com Jacob costumava ser tão fácil. Natural como respirar. Mas desde que Edward voltou para a minha vida, era uma dificuldade constante. Porque – nos olhos de Jacob – escolhendo Edward, eu estava escolhendo um futuro que era pior que a morte, ou pelo menos equivalente a isso.
 “O que foi, Jake? É só me dizer. Você pode me dizer qualquer coisa.”
“Eu – eu... não tenho nada para te dizer.”
“Oh, por favor. Bota logo para fora.”
“É verdade. Não é... é – é uma pergunta. É uma coisa que eu quero que você diga para mim.”
 “Pergunte.”
Ele resistiu por um minuto e então exalou.
“Eu não devia. Não importa. É simplesmente curiosidade mórbida.”
Como eu o conhecia tão bem, eu entendi.
“Não é essa noite, Jacob”, eu sussurrei.
Jacob estava ainda mais obcecado com a minha humanidade que Edward.
Cada uma das batidas do meu coração era como um tesouro, já que elas agora estavam com os dias contados.
 “Quando?” Ele murmurou.
“Eu não tenho certeza. Uma semana ou duas, talvez.”
A voz dele mudou, criou um tom defensivo, de zombaria.
“O que está te impedindo?”
“Eu simplesmente não queria passar a minha lua de mel esperneando de dor.”
“Você prefere passá-la como? Jogando cartas? Ha Ha.”
“Muito engraçado.”
“Brincadeira, Bells. Mas honestamente, eu não vejo qual a necessidade. Você não pode ter uma lua de mel de verdade com o seu vampiro, então porque atrasar isso? Vamos ser sinceros. Não é a primeira vez que você adia. Isso, no entanto, é uma coisa boa”, ele disse, repentinamente, mostrando sinceridade.
 “Não fique com vergonha disso.”
“Eu não estou adiando”, eu atirei. “E sim eu posso ter uma lua de mel de verdade! Eu posso fazer o que eu quiser! Se liga!”
 Ele parou o lento círculo da dança abruptamente. Por um momento, eu me perguntei se ele finalmente havia reparado que a música tinha mudado, e eu procurei na minha mente alguma forma de contornar o nosso pequeno desentendimento antes que ele dissesse adeus. Nós não devíamos nos despedir dessa forma.
 E aí os olhos dele ficaram muito arregalados com um tipo estranho de horror confuso.
 “O quê?” Ele resfolegou. “O que você disse?”
“Sobre o quê... Jake? Qual é o problema?”
“O que você quis dizer? Ter uma lua de mel de verdade? Enquanto você ainda é humana? Você está brincando? Essa é uma piada doentia, Bella!”
 Eu o encarei.
“Eu disse para você se tocar, ligar, Jake. Isso simplesmente não é assunto seu. Eu não devia ter... nós não devíamos estar conversando sobre isso. É particular”
 As mãos enormes dele agarraram a parte de cima dos meus braços, se fechando neles, seus dedos se tocando.
 “Ow, Jake! Me solta!”
Ele me sacudiu.
“Bella! Você perdeu a cabeça? Você não pode ser tão estúpida assim! Me diga que você está brincando!”
 Ele me sacudiu de novo. As mãos dele apertadas como torniquetes, estavam tremendo, mandando vibrações profundas pelos meus ossos.
 “Jake – pare!”
De repente a escuridão foi tomada por uma multidão.
“Tire as suas mãos dela!” A voz de Edward era fria como gelo, afiada como navalhas.
 Atrás de Jacob, houve um rosnado que saiu da escuridão da noite, e depois outro, mais alto que o primeiro.
 “Jake, mano, se afasta.” Eu ouvi Seth Clearwater pedir. “Você está perdendo o controle.”
 Jacob pareceu ficar congelado como estava, seus olhos horrorizados estava
arregalados e vidrados.
“Você vai machucá-la”, Seth sussurrou. “Solte-a.”
“Agora!” Edward rosnou.
As mãos de Jacob caíram dos lados do seu corpo, e o fluxo de sangue que começou a correr repentinamente em minhas veias era quase doloroso. Antes que eu pudesse me dar conta de mais coisas além disso, mãos frias tomaram o lugar das mãos quentes , e de repente o ar ao meu redor começou a correr.
 Eu pisquei, e estava de pé a doze metros de distância do lugar onde eu havia estado antes. Edward estava tenso na minha frente. Haviam dois enormes lobos entre ele Jacob, mas eles não pareciam agressivos comigo. Era mais como se eles estivessem tentando prevenir a briga.
 E Seth – o grande Seth, de apenas quinze anos – passou seus braços longos ao redor do corpo trêmulo de Jacob, e estava puxando-o para longe. Se Jacob se transformasse com Seth tão perto dele...
 “Anda, Jake. Vamos.”
“Eu vou matar você”, Jacob disse, a voz dele estava tão esganiçada de raiva que era apenas um sussurro baixo. Seus olhos, focados em Edward, queimavam de fúria. “Eu vou matar você com minhas próprias mãos! Eu vou fazer isso agora!” Ele tremeu convulsivamente.
 O maior lobo, o preto, rosnou alto.
“Seth, saia do caminho.” Edward assobiou.
Seth puxou Jacob novamente. Jacob estava tão acometido de raiva que Seth conseguiu arrancá-lo mais uns metros para longe.
“Não faça isso, Jake. Vamos embora. Anda.”
Sam - o maior lobo, o preto – se juntou a Seth nessa hora. Ele colocou sua cabeça enorme contra o peito de Jacob e empurrou.
 Eles três – Seth puxando, Jacob tremendo, e Sam empurrando – desapareceram rapidamente na escuridão.
 O outro lobo ficou olhando eles irem. Eu não tinha certeza, na luz fraca, de qual era a cor do pêlo dele – marrom chocolate, talvez? Era Quil, então?
 “Eu lamento”, eu sussurrei para o lobo.
“Está tudo bem agora, Bella”, Edward murmurou.
O lobo olhou para Edward. O olhar dele não era amigável. Edward deu a ele um frio aceno de cabeça. O lobo fez um som e então se virou para acompanhar os outros, sumindo assim como eles.
 “Tudo bem”, Edward disse pra si mesmo, e então olhou pra mim. “Vamos voltar.”
“Mas Jake –”
“Ele está nas mãos de Sam. Ele se foi.”
“Edward, eu lamento. Eu fui estúpida –”
“Você não fez nada errado –”
“Eu tenho uma boca tão grande! Por que eu... Eu não devia ter deixado ele me tirar do sério assim. O que eu estava pensando?”
 “Não se preocupe.” Ele tocou meu rosto. “Precisamos voltar para a recepção antes que alguém perceba a nossa ausência.”
 Eu balancei a cabeça, tentando me reorientar. Antes que alguém percebesse?
Será que alguém não tinha visto isso?
Então, enquanto eu pensava nisso, eu me dei conta de que o confronto que me pareceu tão catastrófico, na realidade, tinha sido bem silencioso e curto aqui nas sombras.
 “Me dê dois segundos”, eu implorei.
Eu estava um caos por dentro com pânico e pesar, mas isso não importava – apenas o exterior importava nesse momento. Fazer uma boa atuação era uma coisa que eu sabia que precisava dominar.
 “Meu vestido?”
“Você está bem. Nem um fio de cabelo está fora do lugar.”
Eu respirei profundamente duas vezes. “Certo. Vamos lá.”
Ele colocou o braço ao meu redor e me guiou de volta para a luz. Quando nós passamos por baixo das luzes piscando, ele me virou gentilmente até a pista de dança. Nós nos misturamos com os outros dançarinos como se a nossa dança nunca tivesse sido interrompida.
 Eu olhei para os convidados ao redor, mas ninguém parecia chocado ou amedrontado. Apenas os rostos mais pálidos dali demonstravam algum sinal de estresse, e eles estavam escondendo bem. Jasper e Emmett estavam na beira da pista de dança, juntos um do outro, e eu adivinhei que eles tinham estado lá quando o confronto aconteceu.
 “Você está –”
“Eu estou bem”, eu prometi. “Eu não consigo acreditar que fiz aquilo. O que há de errado comigo?”
 “Não há nada de errado com você.”
Eu tinha estado tão feliz por Jacob estar lá. Eu sabia o sacrifício que ele estava fazendo. E então eu arruinei tudo, transformei seu presente em um desastre.
 Eu devia estar isolada do mundo.
Mas a minha idiotice não ia arruinar nada mais essa noite. Eu ia deixar tudo de lado, trancar numa gaveta e trancar para lidar com isso mais tarde. Haveria tempo suficiente para me auto-flagelar com isso mais tarde, e nada do que eu fizesse nesse momento ajudaria.
 “Está acabado”, eu disse. “Não vamos pensar nisso de novo essa noite.”
Eu esperei que Edward concordasse rapidamente, mas ele ficou em silêncio.
“Edward?”
Ele fechou os olhos e pôs a testa sobre a minha.
“Jacob está certo”, ele sussurrou. “O que eu estou pensando?”
“Ele não está certo.” Eu tentei manter meu rosto tranqüilo por causa da multidão de amigos observando. “Jacob é preconceituoso demais para ver alguma coisa claramente.”
 Ele murmurou alguma coisa que quase soou como:
“Devia deixá-lo me matar só por eu ter pensado...”
“Pare com isso”, eu disse ferozmente. Eu agarrei o rosto dele com as minhas mãos e esperei até que ele abrisse os olhos. “Você e eu. Isso é só o que importa. A única coisa na qual você tem permissão para pensar agora. Você me ouviu?”
 “Sim”, ele suspirou.
“Esqueça que Jacob apareceu.” Eu podia fazer isso. Eu ia fazer isso. “Por mim. Prometa que você vai deixar isso para lá.”
 Ele me olhou nos olhos por um momento antes de responder.
“Eu prometo.”
“Obrigada, Edward. Eu não estou com medo.”
“Eu estou”, ele sussurrou.
“Não fique.” Eu respirei profundamente e sorri. “Por sinal, eu te amo.”
Ele sorriu só um pouco como resposta.
“É por isso que estamos aqui.”
“Você está monopolizando a noiva”, Emmett disse, vindo por trás do ombro de Edward. “Me deixe dançar com a minha irmãzinha. Ela pode ser a minha última chance de fazê-la corar.”
 Ele riu alto, tão tranqüilo quanto ele sempre era não importando a atmosfera.
Acabou que havia muitas pessoas com as quais eu não tinha dançado ainda, e isso me deu uma chance de realmente me compor e me decidir. Quando Edward me tirou para dançar de novo, eu decidi que a gaveta de Jacob estava bem fechada com força. Quando ele colocou os braços ao meu redor, eu consegui recuperar a minha sensação de alegria de anteriormente, a minha certeza de que tudo na minha vida estava no lugar certo essa noite. Eu sorri e coloquei minha cabeça no peito dele. Os braços dele me apertaram mais.
 “Eu posso me acostumar a isso”, eu disse.
“Não me diga que você superou os seus problemas com dança?”
“Dançar não é tão ruim – com você. Mas eu estava pensando mais nisso,” – e eu me pressionei a ele ainda mais – “em nunca te soltar.”
 “Nunca”, ele prometeu e se inclinou para me beijar. Esse foi um beijo sério – intenso, lento mais aumentando o ritmo.
 Eu quase tinha esquecido de onde eu estava quando ouvi Alice chamar:
“Bella, está na hora!”
Eu senti uma leve pontada de irritação com minha nova irmã pela interrupção.
Edward a ignorou; seus lábios estavam pousados com força nos meus, mais urgentes que antes. Meu coração começou a correr e minhas palmas estavam escorregadias na nuca dele.
 “Vocês querem perder o avião?” Alice quis saber, bem ao meu lado agora.
“Eu tenho certeza que vocês terão uma bela lua de mel acampados no aeroporto esperando pelo próximo vôo.”
 Edward virou um pouco o rosto para murmurar “Vai embora, Alice”, e então pressionou seus lábios nos meus de novo.
 “Bella, você quer usar esse vestido no avião?” Ela quis saber.
Eu realmente não estava prestando muita atenção. Naquele momento, eu simplesmente não ligava.
 Alice rosnou baixinho.
“Eu vou contar onde você está levando ela, Edward.
Deus me ajude, mas eu vou.”
Ele congelou. Então ele levantou o rosto do meu e encarou sua irmã favorita.
“Você é terrivelmente pequena para ser tão enormemente irritante.”
“Eu não escolhi o vestido de viagem perfeito para vê-lo sem uso”, ela respondeu, pegando minha mão. “Venha comigo, Bella.”
 Eu lutei com a mão dela para ficar na ponta dos pés e dar mais um beijo nele.
Ela puxou meu braço impacientemente, me levando para longe dele.
Houveram algumas gargalhadas dos convidados que estavam olhando. Ai eu desisti e a deixei me guiar para a casa vazia.
 Ela parecia chateada.
“Desculpa, Alice”, eu me desculpei.
“Eu não te culpo, Bella.” Ela suspirou. “Você não parece ser capaz de se controlar.”
 Eu ri da expressão martirizada dela, e ela fez uma careta.
“Obrigada, Alice. É o casamento mais lindo que alguém já teve”, eu disse sinceramente a ela. “Tudo estava exatamente certo. Você é a melhor irmã,
 mais esperta e talentosa do mundo inteiro.”
Isso a ganhou, ela deu um sorriso enorme. “Eu estou feliz que você tenha gostado.”
Renée e Esme estavam esperando no andar de cima. Elas três me tiraram rapidamente do meu vestido e me puseram no vestido azul escuro para viagem de Alice. Eu fiquei agradecida por alguém ter tirado as presilhas do meu cabelo e o deixaram cair pelas minhas costas, ondulado por causa das minhas tranças, me salvando de uma dor de cabeça por causa delas mais tarde. As lágrimas de minha mãe rolaram o tempo inteiro sem parar.
 “Eu vou ligar para você quando souber para onde estou indo”, eu prometi enquanto eu dava um abraço de despedida nela. Eu sabia que o segredo sobre a lua de mel estava provavelmente deixando-a louca, mães odeiam segredos, a não ser que elas estivessem envolvidas neles.
 “Eu vou te contar assim que ela estiver seguramente longe”, Alice ganhou de mim, sorrindo maliciosamente pela minha expressão magoada. Que injusto, eu ser a última a saber.
 “Você vai ter que visitar a mim e ao Phil, muito, muito em breve. É a sua vez de ir para o sul – ver o sol para variar”, Renée disse.
 “Hoje não choveu”, eu lembrei ela, evitando o seu pedido.
“Um milagre.”
“Está tudo pronto”, Alice disse. “Suas malas estão no carro – Jasper vai trazêlo.”
 Ela me puxou de volta em direção às escadas com Renée seguindo, ainda meio abraçada comigo.
 “Eu te amo, mãe”, eu sussurrei enquanto descíamos. “Eu estou muito feliz que você tenha o Phil. Cuidem um do outro.”
 “Eu te amo também, Bella, querida.”
“Adeus, mãe. Eu amo você”, eu disse de novo, minha garganta grossa.
Edward estava esperando no fim das escadas. Eu segurei a mão que ele ergueu para mim mas me distanciei, procurando por entra a pequena multidão que esperava pra nos ver sair.
 “Pai?” Eu perguntei, meus olhos procurando.
“Aqui”, Edward murmurou. Ele me puxou entre os convidados; eles abriram caminho para nós.
 Nós encontramos Charlie encostado de forma estranha na parede atrás de todo mundo, parecendo que ele estava se escondendo. Os anéis vermelhos ao redor dos olhos dele me explicaram por que.
 “Oh, pai!”
Eu o abracei pela cintura, lágrimas surgindo de novo – eu estava chorando demais essa noite.
Ele deu uns tapinhas nas minhas costas.
“Tudo bem. Você não quer perder seu avião.”
Era difícil falar de amor com Charlie – nós éramos parecidos demais, sempre revertendo às coisas triviais para evitar demonstrações embaraçosas de carinho. Mas isso não era hora pra ter vergonha.
 “Eu amo você, pai”, eu disse a ele. “Não esqueça isso.”
“Você também, Bells. Sempre amei, sempre amarei.”
Eu beijei a bochecha dele ao mesmo tempo em que ele beijou a minha.
“Me ligue”, ele disse.
“Logo”, eu prometi, sabendo que isso era tudo o que eu podia prometer.
Apenas uma ligação. Meu pai e minha mãe não poderiam me ver novamente;
eu estaria diferente demais, e muito, muito perigosa.
“Vá lá, então”, ele disse com a voz grogue. “Vocês não querem se atrasar.”
Os convidados fizeram outro espaço pra nós. Edward me puxou para o seu lado e nós escapamos.
 “Você está pronta?” Ele perguntou.
“Estou”, eu disse, e eu sabia que era verdade.
Todo mundo aplaudiu quando Edward me beijou no batente da porta. Então ele correu para o carro enquanto a chuva de arroz começava. A maioria passou longe, mas alguém, provavelmente Emmett, jogou com tremenda precisão, e um monte deles ricocheteou nas costas de Edward.

O carro estava decorado com mais flores que o decoravam por toda parte, e longos laços de fita que estavam amarrados a uma dúzia de sapatos – sapatos de estilistas famosos que pareciam novos em folha – presos ao fundo do carro.
 Edward me protegeu do arroz enquanto eu entrava, e então ele entrou e começou a acelerar o carro enquanto eu acenava pela janela e gritava “eu amo vocês” para a varanda, onde minhas famílias acenavam de volta.
 A última imagem que eu registrei foi dos meus pais. Phil tinha os dois braços rodeando Renée ternamente. Ela tinha um braço agarrado à cintura dele e a mão livre dela alcançou a de Charlie. Tantos tipos diferentes de amor, em harmonia nesse momento. Parecia-me uma imagem promissora.
 Edward apertou minha mão.
“Eu te amo”, ele disse.
Eu me inclinei pros braços dele.
“É por isso que estamos aqui”, eu citei o que ele disse.
Ele beijou meu cabelo.
Enquanto nós entrávamos na estrada escurecida e Edward pisava no acelerador, eu ouvi um barulho sobre o ronco do motor, vindo da floresta atrás de nós. Se eu podia ouvir, ele certamente também podia. Mas ele não disse nada enquanto o som desaparecia na distância. Eu também não disse nada.
O uivo penetrante, de partir o coração, ficou fraco e então desapareceu inteiramente.

5. Ilha Esme [amanhecer]
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“Houston”, eu perguntei, erguendo minhas sobrancelhas quando nós chegamos ao portão em Seattle.
“É só uma parada no meio do caminho”, Edward me assegurou com um sorriso malicioso.
Eu me senti como se tivesse acabado de ir dormir quando ele me acordou. Eu estava grogue enquanto ele me puxou pelos terminais, lutando pra me lembrar como abrir meus olhos toda vez que eu piscava. Eu levei alguns minutos para entender o que estava acontecendo quando paramos no balcão internacional para fazer o check-in para o próximo vôo.
“Rio de Janeiro?” Eu perguntei com um pouco de trepidação.
“Outra parada”, ele me disse.

O vôo para a América do Sul foi longo mas confortável no largo acento da primeira classe, com os braços de Edward ao meu redor. Eu dormi até não agüentar mais e me acordei estranhamente alerta enquanto nós sobrevoávamos o aeroporto com as luzes do pôr do sol entrando pelas janelas do avião.
Nós não ficamos no aeroporto para fazer outra conexão, como eu esperava. Ao invés disso nós pegamos um táxi nas ruas vivas, escuras e lotadas do Rio.
Incapaz de entender as instruções em português que Edward dava ao motorista, eu imaginei que íamos encontrar um hotel antes de seguir com a próxima parte da nossa jornada. Uma forte pontada de alguma coisa muito parecida com medo de palcos fez meu estômago revirar enquanto eu considerava isso. O táxi continuou passando pelas multidões até que elas foram diminuindo, de alguma forma, e nós parecíamos estar nos aproximando do lado oeste da cidade, indo em direção ao oceano.
Nós paramos nas docas.
Edward guiou o caminho através da longa fila de iates brancos atracados na água escurecida pela noite. O barco no qual ele parou era menor que os outros, mais fino, obviamente construído pensando mais em velocidade do que em espaço. No entanto, mesmo assim era luxuoso, e mais gracioso que os outros.
Ele pulou pra dentro com facilidade, apesar das malas pesadas que ele carregava. Ele as largou no deck e se virou para me ajudar a subir cuidadosamente na beirada.
Eu observei em silêncio enquanto ele preparava o barco para zarpar, surpresa pela forma como ele parecia estar habituado e confortável com aquilo, já que ele nunca tinha mencionado interesse em barcos antes. Mas, novamente, ele era bom em simplesmente tudo.
Enquanto nós seguíamos para o leste no oceano aberto, eu revisei geografia básica na minha cabeça. Até onde eu conseguia lembrar, não havia muito mais a leste do Brasil... Até que você chegava na África.
Mas Edward acelerou em frente enquanto as luzes do Rio iam sumindo e finalmente desapareceram atrás de nós. No rosto dele estava o sorriso feliz já familiar, aquele que era produzido por qualquer espécie de velocidade. O barco se atirava nas ondas e eu levava banhos com a água do mar.
Finalmente a curiosidade que eu estava segurando há tanto tempo me venceu.
“Vamos para mais longe?” Eu perguntei.
Não era natural para ele esquecer que eu era humana, mas eu me perguntei se ele planejava que nós ficássemos vivendo naquele espacinho por muito tempo.
“Cerca de meia hora”. Os olhos dele encontraram minhas mãos, agarradas nos bancos, e ele sorriu.
Oh bem, eu pensei comigo mesma. Afinal de contas, ele era um vampiro.
Talvez nós estivéssemos indo para Atlantis.
Vinte minutos depois, ele chamou meu nome acima do ronco do motor.
“Bella, olhe ali.” Ele apontou diretamente para frente.
No começo eu só vi a escuridão, e a trilha branca que a lua deixava na água.
Mas eu me concentrei no ponto para o qual ele apontava até achar uma forma escurecida e baixa quebrando a luz da lua nas ondas. Enquanto eu olhava para a escuridão, a silhueta ficou mais detalhada. Era a forma de um triângulo plano, irregular, com um lado mais longo do que o outro antes de afundar nas ondas. Nós nos aproximamos e eu pude ver que os contornos eram leves, balançando à leve brisa.
E aí meus olhos entraram em foco e tudo fez sentido: uma pequena ilha se erguia na água à nossa frente, com palmeiras frondosas, a praia mais brilhante e pálida à luz da lua.
“Onde nós estamos?” Eu murmurei, sonhadora, enquanto ele mudava de direção, indo para o lado norte da ilha.
Ele me ouviu, apesar do barulho do motor, e deu um grande sorriso que resplandeceu à luz da lua.
“Essa é a Ilha Esme”.
O barco parou dramaticamente, ficando na posição precisa no pequeno cais construído com placas de madeira, embranquecidos pela brancura da lua. O motor foi desligado, e o silêncio que se seguiu foi profundo. Não havia nada além das ondas, batendo levemente no barco, e o ruído da brisa nas palmeiras.
O vento era quente, úmido, e perfumado – como o vapor que ficava depois de um banho.
“Ilha Esme?” Minha voz era baixa, mas pareceu alta demais quando enfrentou a noite quieta.
“Um presente de Carlisle. Esme se ofereceu para nos emprestar.”
Um presente? Quem dá ilhas de presente? Eu fiz uma careta. Eu não tinha me dado conta que a extrema generosidade de Edward era um comportamento que ele havia aprendido.
Ele colocou as malas no cais e se virou de volta, sorrindo com seu sorriso perfeito enquanto me alcançava. Ao invés de me pegar pela mão, ele me puxou direto para os seus braços.
“Não é para você esperar até chegar na porta?” Eu perguntei, sem ar, enquanto ele saltava facilmente para fora do barco.
Ele sorriu.
“Se eu não fizer tudo não tem graça.”
Segurando as alças das duas enormes malas com uma mão só e me segurando com o outro braço, ele me carregou pelo cais e por uma trilha de areia clarinha através da vegetação escura.
Por um breve momento tudo ficou como breu na mata que mais parecia uma selva, e ai eu consegui avistar uma luz cálida à frente. Foi mais ou menos nesse ponto que eu me dei conta que a luz era uma casa – os dois quadrados perfeitos e brilhantes eram janelas largas que margeavam a porta da frente – aquele medo de palco novamente, mais poderoso que antes, pior do que quando eu pensei que estávamos indo para um hotel.
Meu coração bateu audivelmente nas minhas costelas, e a minha respiração pareceu ficar presa na minha garganta. Eu senti os olhos de Edward no meu rosto, mas me recusei a encontrar o olhar dele. Eu olhei diretamente para afrente, sem enxergar nada.
Ele não me perguntou o que eu estava pensando, e isso não era comum pra ele. Eu acho que isso significa que ele estava tão nervoso quanto eu estava.
Ele pôs as malas no chão para abrir as portas – elas estavam destrancadas.
Edward olhou para mim, esperando que eu encontrasse o olhar dele antes de passar pela porta.
Ele me carregou pela casa, nós dois muito quietos, acendendo as luzes enquanto passava. Minha vaga impressão da casa foi que ela era grande demais para uma ilha tão pequena, e estranhamente familiar. Eu me acostumei ao esquema de cores pálidas que os Cullen preferiam; eu me sentia em casa.
No entanto, eu não me foquei em coisas específicas. O violento pulso batendo nos meus ouvidos fazia tudo ficar distorcido.
Então Edward parou e acendeu a última luz.
O quarto era grande e branco, e a parede mais distante era praticamente feita de vidro – uma decoração padrão para os meus vampiros. Do lado de fora, a lua estava brilhando na areia branca e, apenas a alguns metros de distância da casa, as ondas brilhantes. Mas eu mal notei essa parte. Eu estava mais concentrada na cama absolutamente enorme no centro do quarto, com leves mosquiteiros pendurados.
Edward me pôs no chão.
“Eu... Eu vou pegar a bagagem.”
O quarto era quente demais, mais pesado do que a noite tropical lá fora. Uma trilha de suor empapou a minha nuca. Eu caminhei para frente lentamente até que eu consegui erguer a mão e tocar o mosquiteiro opaco. Por algum motivo, eu precisava ter certeza de que tudo era real.
Eu não ouvi Edward voltar. De repente, seus dedos gelados estavam acariciando a minha nuca, enxugando a transpiração.
“É um pouco quente aqui”, ele disse como quem pedia desculpas. “Eu achei...
que seria o melhor.”
“Absolutamente”, eu murmurei por baixo do meu fôlego, e ele gargalhou. Era um som nervoso, raro para Edward.
“Eu tentei pensar em tudo que pudesse tornar isso mais... fácil,” ele admitiu.
Eu engoli fazendo barulho, ainda sem olhar na direção dele. Será que já existiu uma lua de mel assim antes?
E sabia a resposta pra isso. Não. Não existiu.
“Eu estava me perguntando”, Edward disse lentamente. “se... primeiro... talvez você goste de um mergulho à meia noite comigo?” Ele respirou profundamente, e a voz dele estava mais tranqüila quando ele falou novamente. “A água estará bem quentinha. Esse é o tipo de praia que você aprovaria.”
“Parece bom”, Minha voz se quebrou.
“Eu tenho certeza que você gostaria de um ou dois minutos humanos... Foi uma longa viagem.”
Eu balancei a cabeça rigidamente. Eu mal me sentia humana; talvez alguns minutos a sós me ajudassem.
Os lábios dele alisaram a minha garganta, logo abaixo do meu ouvido. Ele riu uma vez e sua respiração fria fez cócegas na minha pele esquentada.
“Não demore muito, Sra. Cullen”.
Eu pulei um pouco pelo som do meu novo nome.
Os lábios dele desceram no meu pescoço até o topo do meu ombro.
“Eu vou esperar por você na agua.”
Ele passou por mim indo até as portas francesas que se abria dando diretamente para a noite enluarada. O ar pesado, salgado, entrou no quarto atrás dele.

A minha pele estava em chamas? Eu precisei olhar para baixo para checar. Não, eu não estava queimando. Pelo menos, não visivelmente. Eu me lembrei de respirar, e aí cambaleei em direção à mala gigante que Edward tinha deixado aberta sobre uma penteadeira baixa. Ela devia ser minha, pois a minha familiar bolsa de utensílios de higiene estava em cima dela, e haviam muitas coisas cor de rosa por ali, mas eu não reconheci nada que pudesse ser uma roupa. Enquanto eu escavava as pilhas cuidadosamente arrumadas – procurando alguma coisa familiar e confortável, um par de calças de moletom, talvez – eu me dei conta que havia uma quantidade absurda de laços e cetim sedoso nas minhas mãos. Lingerie. Lingerie com cara de lingerie, com etiquetas francesas.
Eu não sabia como e quando, mas algum dia, Alice ia pagar por isso.
Desistindo, eu fui para o banheiro e dei uma espiada pelas longas janelas que se abriam para a mesma praia que se abriam para as portas francesas. Eu não conseguia vê-lo; eu imaginei que ele estivesse lá na água, sem se incomodar em respirar. No céu lá em cima, a lua estava minguante, quase cheia, e a areia estava numa cor branca e brilhante sob seu brilho. Um pequeno movimento chamou minha atenção. Seguras com uma espécie de laço em uma das palmeiras que margeavam a praia, o resto das roupas dele estavam balançando com a brisa suave.
Uma onda de calor passou pela minha pele novamente.
Eu respirei fundo duas vezes e fui para o espelho acima da longa fila de armários. Eu estava exatamente com a cara de quem passou o dia inteiro dormindo num avião. Eu encontrei minha escova e a passei com força nos bolos de cabelo na base da minha nuca até que eles ficaram macios e a escova ficou cheia de fios. Eu escovei meus dentes meticulosamente, duas vezes.
Então eu lavei meu rosto e passei água na minha nuca, que estava meio febril. A sensação foi tão boa que eu também lavei meus braços, e finalmente eu resolvi desistir e ir para o chuveiro. Eu sabia que era ridículo tomar banho antes de ir nadar, mas eu precisava me acalmar, e água quente era uma forma confiável de fazer isso.
Além do mais, raspar as minhas pernas também parecia uma boa idéia.
Quando eu acabei, eu agarrei uma grande toalha na pia e a enrolei embaixo dos meus braços.
Ai eu dei de cara com um dilema que eu não havia considerado. O que eu ia usar? Não uma roupa de banho, lógico. Mas também parecia bobagem colocar as minhas roupas de novo. Eu nem quis saber das coisas que Alice tinha colocado na mala pra mim.
Minha respiração começou a acelerar de novo e minhas mãos tremeram – os efeitos calmantes de tomar banho já eram.
Eu comecei a me sentir meio tonta, aparentemente um ataque de pânico com força máxima se aproximava. Eu sentei no chão frio de azulejo com a minha toalha grande e coloquei a cabeça entre os joelhos. Eu rezei para que ele não decidisse vir me procurar antes que eu conseguisse me refazer. Eu podia imaginar o que ele ia pensar se me visse aos pedaços desse jeito. Não seria difícil ele se convencer que nós estávamos cometendo um erro.
Eu não estava pirando por achar que estávamos cometendo um erro. Nem um pouco. Eu estava pirando porque eu não tinha idéia de como fazer isso, e eu estava com medo de sair desse quarto e enfrentar o desconhecido.
Especialmente usando lingerie francesa. Eu sabia que não estava pronta pra isso ainda.
Isso era exatamente como ter que entrar num teatro cheio de gente sem ter a mínima noção de quais eram as minhas falas.
Como as pessoas faziam isso – engolir seus medos e confiar tão cegamente em alguém com todas as imperfeições e medos que ela tem – com tão menos do que o absoluto cometimento que Edward tinha me dado? Se não fosse Edward lá fora, se eu não soubesse com todas as células do meu corpo que eu o amo – incondicionalmente e irrevogavelmente, e honestamente, irracionalmente – eu nunca seria capaz de levantar desse chão.
Mas era Edward lá fora, então eu sussurrei as palavras “Não seja covarde”
bem baixinho e cambaleei para ficar de pé. Eu prendi a toalha mais alto embaixo dos meus braços e marchei com determinação para fora do banheiro.
Passei pela mala cheia de laçinhos e pela enorme cama sem olhar para nenhum dos dois. Abri a porta de vidro e fui para a areia fina como talco.
Tudo estava preto e branco, tudo ficou sem cor por causa da lua. Eu caminhei lentamente pelo pó quentinho, parando ao lado da árvore curvada onde ele tinha deixado suas roupas. Eu pus minha mão no tronco ríspido e chequei minha respiração para ver se ela estava uniforme ou uniforme o suficiente.
Eu olhei através do mato baixo, no negro da escuridão, procurando por ele.
Não foi difícil encontrá-lo. Ele estava de pé, de costas pra mim, mergulhado até a cintura na água da meia noite, olhando para a lua oval.
A luz pálida da lua deixava sua pele numa perfeita cor branca, como a areia, como a própria lua, e deixava seu cabelo negro como o oceano. Ele estava imóvel, as palmas de suas mãos descansando na superfície da água; as ondas baixas se quebravam ao redor dele, como se ele fosse uma pedra. Eu olhei para as suaves linhas das costas dele, de seus ombros, seu pescoço, seu formato indefectível...
O fogo já não deixava mais rastros na minha pele – agora ele queimava lenta e profundamente; ele sumiu com a minha estranheza, minha tímida incerteza.
Eu deixei a toalha cair sem hesitar deixando-a na árvore com as roupas dele, e caminhei para a luz branca; isso também me fez ficar pálida como a areia branca.
Eu não conseguia ouviu os sons dos meus passos enquanto caminhava até a beira da água, mas eu imaginei que ele podia. Edward não se virou. Eu deixei as ondas gentis quebrarem aos meus pés, e descobri que ele estava certo sobre a temperatura – ela estava bem quentinha, como água de chuveiro. Eu entrei, caminhando cuidadosamente pelo chão invisível do oceano, mas a minha preocupação era desnecessária; a areia continuava perfeitamente suave, indo gentilmente na direção de Edward. Eu dei braçadas pela leve correnteza até estar ao lado dele, e então repousei minha mão gentilmente sobre a mão gelada dele que pairava sobre a água.
“Lindo”, eu disse, olhando para a lua também.
“É bonita”, ele disse, sem se impressionar. Ele virou lentamente pra me olhar; pequenas ondas acompanharam os movimentos dele e se quebravam na minha pele. Ele virou as mãos para cima para que pudéssemos uni-las embaixo da água. Estava quente suficiente para que a pele fria dele não causasse arrepios na minha.
“Mas eu não usaria a palavra linda”, ele continuou. “Não com você bem aqui para fazer a comparação.”
Eu dei um meio sorriso, então ergui a minha mão livre – agora ela não tremia – e a coloquei sobre o coração dele. Branco sobre branco; nós combinamos, para variar. Ele estremeceu só um pouquinho com o meu toque. A respiração dele agora estava mais ríspida.
“Eu prometi que ia tentar”, ele sussurrou, ficando tenso de repente. “Se... Se eu fizer algo errado, se eu te machucar, você precisa me dizer imediatamente.”
Eu fiz um aceno solene com a cabeça, mantendo meus olhos grudados nos dele. Eu dei um passo à frente nas ondas e deitei minha cabeça no peito dele.
“Não tenha medo”, eu murmurei. “Nós fomos feitos para ficar juntos.”
De repente eu fiquei abismada pela veracidade das minhas próprias palavras.
Esse momento era tão perfeito, tão correto, que não havia nenhuma dúvida disso. Os braços dele me cercaram, me segurando contra ele, éramos como inverno e verão. Parecia que todas as terminações nervosas do meu corpo eram fios elétricos.
“Para sempre”, ele concordou, e então nos puxou gentilmente mais para dentro na água.
O sol, quente na pele das minhas costas nuas, me acordou pela manhã. Era tarde da manhã ou logo cedo à tarde, eu não tinha certeza.
Apesar disso, tudo além da hora estava claro; eu sabia exatamente onde estava – o quarto claro, com a grande cama, a luz brilhante do sol entrando pelas portas abertas. As nuvens do mosquiteiro suavizavam o brilho.
Eu não abri meus olhos. Eu estava feliz demais para mudar qualquer coisa, não importa o quão pequeno ela fosse. Os únicos sons eram as ondas lá fora, nossa respiração, as batidas do meu coração...
Eu estava confortável, mesmo sob o sol forte. A pele fria dele era um antídoto perfeito para o calor. Deitada em seu peito gelado, com os braços dele ao meu redor, parecia simples e natural.
Eu me perguntei vagamente porque eu estava tão amedrontada por causa de ontem à noite. Meus medos agora pareciam bobos.
Os dedos dele percorriam o contorno da minha espinha, e eu soube que ele sabia que eu estava acordada. Eu mantive os olhos fechados e apertei o meu braço no pescoço dele, me aproximando dele ainda mais.
Ele não falou; seus dedos se moviam para cima e para baixo nas minhas costas, quase sem me tocar enquanto ele traçava contornos na minha pele.
Eu teria ficado feliz apenas e ficar deitada para sempre, sem nunca perturbar esse momento, mas o meu corpo tinha outras idéias. Eu ri com o meu estômago impaciente. Parecia meio prosaico sentir fome depois de tudo o que aconteceu na noite passada. Como estar sendo cair de volta na Terra depois de subir alto demais.
“O que é tão engraçado?” Ele murmurou, ainda alisando as minhas costas. O som da voz dele, séria e rouca, trouxe pra mim uma maré de memórias da noite passada, e eu senti meu rosto e meu pescoço ficando vermelhos.
Para responder a pergunta dele, meu estômago rosnou. Eu ri de novo.
“Eu posso escapar da minha humanidade por muito tempo.”
Eu esperei, mas ele não riu comigo. Lentamente, penetrando as muitas camadas de êxtase que anuviava a minha cabeça, veio a realização de uma atmosfera diferente que vinha de fora da minha própria esfera cintilante de felicidade.
Eu abri meus olhos; a primeira coisa que eu vi foi a pele pálida quase prateada da garganta dele, o arco de seu queixo estava acima do meu rosto. Eu me ergui com o cotovelo para poder ver o rosto dele.
Ele estava olhando para o arco da cama acima de nós, e ele não olhou para mim enquanto eu estudava sua expressão grave. A expressão dele era chocante – ela mandou uma eletricidade física pelo meu corpo.
“Edward”, eu disse, um pequeno caroço estranho na minha garganta, “o que foi? O que há de errado?”
“Você precisa perguntar?” A voz dele era dura, cínica.
Meu primeiro instinto, produto de uma vida inteira de inseguranças, foi me perguntar o que eu havia feito de errado. Eu pensei em tudo o que havia acontecido, mas não consegui encontrar nada que fosse desagradável. Tudo foi mais simples do que eu havia esperado; nós nos completamos como um quebra-cabeça, feito para se encaixar. Isso me deu uma satisfação secreta – nós éramos compatíveis fisicamente, assim como de outras formas. Fogo e gelo, de alguma forma existindo sem destruir um ao outro. Mais uma prova de que eu pertencia a ele.
Eu não conseguia pensar em nenhuma parte que o fizesse ficar assim – tão frio e severo. O que eu perdi? Os dedos dele alisaram as linhas enrijecidas da minha testa.
“O que você está pensando?” Ele sussurrou.
“Você está aborrecido. Eu não compreendo. Eu...?” Eu não consegui terminar.
Os olhos dele se apertaram.
“Quanto eu te machuquei, Bella? A verdade – não tente melhorar as coisas.”
“Machucar?” Minha voz saiu mais alta que de costume porque a palavra me pegou de surpresa.
Ele ergueu uma sobrancelha, seus lábios se estreitaram.
Eu pensei rapidamente, enrijecendo meu corpo automaticamente, tencionando e flexionando os músculos. Havia um pouco de rigidez e eu estava dolorida também, era verdade, mas o mais estranho foi a sensação de que todos os meus ossos tinham se separado das juntas, e eu agora tinha adquirido uma consistência meio parecida com a de uma gelatina. Não era uma sensação desagradável.
E então eu fiquei com um pouco de raiva, porque ele estava obscurecendo a mais perfeita das manhãs com suas idéias pessimistas.
“Porque você pularia para essa conclusão? Eu nunca estive melhor do que estou agora.”
Ele fechou os olhos.
“Pare com isso.”
“Parar com o quê?”
“Pare de agir como se eu não fosse um monstro por ter concordado com isso.”
“Edward!” Eu murmurei, com muita raiva agora. Ele estava levando minha memória brilhante para a escuridão, aprisionando-a. “Nunca mais diga isso.”
Ele não abriu os olhos; era como se ele não quisesse me ver. “Olhe para si mesma, Bella. Me diga que eu não sou um monstro.”
Magoada, chocada, eu segui as instruções dele sem pensar e fiquei sem fôlego.
O que aconteceu comigo? Eu não conseguia entender os flocos que neve branca grudados na minha pele. Eu balancei a cabeça, e uma cascata branca caiu do meu cabelo.
Eu agarrei uma das coisas brancas entre meus dedos. Era um pedaço decadente.
“Porque eu estou coberta de penas?” Eu perguntei, confusa.
Ele exalou, impaciente.
“Eu mordi um travesseiro. Ou dois. Não é disso que eu estou falando.”
“Você... mordeu um travesseiro? Por quê?”
“Olhe, Bella!” Ele praticamente rosnou. Ele pegou minha mão – muito cuidadosamente – e esticou meu braço. “Olhe pra isso.”
Dessa vez, eu vi o que ele queria dizer.
Por baixo das penas, grandes machucados roxos estavam começando a aparecer na pele pálida do meu braço. Meus olhos seguiram a trilha que eles faziam até os meus ombros, e depois para baixo, nas minhas costelas. Eu soltei minha mão para cutucar uma pequena descoloração no meu antebraço esquerdo, vendo ela desaparecer quando eu apertava, e aparecer de novo. Ela doeu um pouco.
Tão levemente como se nem estivesse me tocando, Edward pôs as mãos sobre os machucados no meu braço, um de cada vez, contornando os desenhos com seus longos dedos.
“Oh”, eu disse.
Eu tentei lembrar disso – tentei lembrar da dor – mas não conseguia. Eu não conseguia lembrar do momento em que ele me segurou com força demais, suas mãos duras demais contra mim. Eu só me lembrava de querer que ele me abraçasse com mais força, e de estar satisfeita quando ele fez isso...
“Eu... lamento, Bella.”, ele sussurrou enquanto olhava os meus machucados.
“Eu já devia saber. Eu não devia ter –“ Ele fez um som baixo, revoltado, no fundo da sua garganta. “Eu lamento mais do que consigo dizer.”
Ele jogou o braço na frente do rosto e ficou perfeitamente imóvel.
Eu fiquei sentada por um longo momento, totalmente abismada, tentando me conciliar – agora que eu já o entendia – com a infelicidade dele. Ela era tão contrária ao que eu sentia que era difícil processar.
O choque foi passando lentamente, deixando nada em sua ausência. Vazio.
Minha mente estava em branco. Eu não conseguia pensar no que dizer. Como eu podia explicar para ele do jeito certo? Como eu podia deixá-lo feliz como eu estava – ou como eu estava há um momento atrás?
Eu toquei o braço dele e ele não respondeu. Eu agarrei o pulso dele com as minhas mãos e tentei tirar seu braço da frente do rosto, mas tentar fazer uma escultura de mover teria sido igualmente útil pra mim.
“Edward.”
Ele não se moveu.
“Edward?”
Nada. Isso seria um monólogo então.
“Eu lamento, Edward. Eu... nem sei o que dizer. Eu estou tão feliz. Isso não melhora as coisas. Não fique com raiva. Não. Eu estou realmente b–”
“Não diga a palavra bem”, a voz dele estava fria. “Se você valoriza a minha sanidade, não diga que você está bem.”
“Mas eu estou”, eu sussurrei.
“Bella”, ele quase gemeu. “Não.”
“Não. Não você, Edward”.
Ele moveu o braço, seus olhos dourados me olhando cautelosamente.
“Não estrague isso.” Eu disse a ele. “Eu. Estou. Feliz.”
“Eu já arruinei isso”, ele murmurou.
“Corta essa”, eu atirei.
Eu ouvi os dentes dele se chocando.
“Ugh!” Eu rosnei. “Porque você não pode simplesmente ler minha mente? É tão inconveniente ser mentalmente muda!”
Os olhos dele se arregalaram um pouco, distraído, a despeito de si mesmo.
“Essa é nova. Você ama o fato de eu não conseguir ler sua mente.”
“Hoje não.”
Ele me encarou.
“Por quê?”
Eu joguei minhas mãos para o alto, frustrada, sentindo uma dor nos meus ombros que eu havia ignorado. Minhas mãos pousaram no peito dele, num rápido tapa.
“Porque toda essa angústia completamente desnecessária se você pudesse ver como eu me sinto agora! Ou pelo menos, há alguns minutos atrás. Eu estava perfeitamente feliz. Total e completamente em êxtase. Agora – bem, eu to meio irritada, na verdade.”
“Você devia estar com raiva de mim.”
“Bem, eu estou. Isso faz você se sentir melhor?”
Ele suspirou.
“Não. Eu não acho que nada poderia me fazer sentir melhor agora.”
“Isso” eu rebati. “É por isso aí que eu to com raiva. Você está matando a minha alegria, Edward.”
Ele revirou os olhos e balançou a cabeça.
Eu respirei fundo. Eu estava me sentindo um pouco mais dolorida agora, mas não era tão ruim.Era mais ou menos como passar um dia levantando pesos. Eu fiz isso com Renée durante uma das suas obsessões com fitness. Sessenta e cinco levantamentos e cinco quilos em cada mão.
No dia seguinte eu não conseguia caminhar. Isso não era nem de perto tão doloroso.
Eu engoli minha irritação e tentei deixar minha voz tranqüilizadora.
“Nós sabíamos que isso seria complicado. Eu pensei que isso já estava claro. E também – bem, isso foi muito mais fácil do que eu achei que seria. E isso realmente não é nada”, eu passei os dedos pelo meu braço. “Eu acho que, para a primeira vez, sem saber o que esperar, nós fomos incríveis. Com um pouco de prática ...”
De repente a expressão dele ficou tão lívida que eu parei no meio da frase.
“Claro? Você esperava isso, Bella? Você estava esperando que eu fosse te machucar? Você estava achando que podia ser pior? Você considera esse experimento um sucesso porque você conseguiu sair dele caminhando? Nada de ossos quebrados – isso significa vitória?”
Eu esperei, deixando que ele botasse tudo para fora. Então eu esperei um pouco mais enquanto a respiração dele voltava ao normal. Quando os olhos dele estavam calmos, eu falei, falando muito pausadamente.
“Eu não sabia o que esperar – mas eu definitivamente não esperava que fosse tão... tão... tão maravilhoso e perfeito quanto foi.”
O volume da minha voz caiu até virar um murmúrio, meus olhos passaram do rosto dele para as minhas mãos.
“Quer dizer, eu não sei como foi para você, mas foi assim pra mim.”
Um dedo frio fez meu queixo levantar de novo.
“É com isso que você está preocupada?” Ele disse através dos dentes. “Se eu gostei?”
Meus olhos permaneceram baixos.
“Eu sei que não é a mesma coisa. Você não é humano. Eu só estava tentando explicar que, para uma humana, bem, eu não consigo imaginar que a vida possa ficar ainda melhor que isso.”
Ele ficou em silêncio por tanto tempo que, finalmente, eu tive que olhar para cima. O rosto dele estava mais calmo agora, pensativo.
“Parece que eu tenho mais motivos para me desculpar.” Ele fez uma careta. “Eu nem sonhava que você fosse presumir que a forma como eu me sinto pelo que eu fiz ontem à noite significa que a noite passada não foi... bem, a melhor noite da minha existência. Mas eu não quero pensar dessa forma, não quando você está...”
Meus lábios se curvaram um pouco nos lados.
“Sério? A melhor de todas?” Eu perguntei numa voz baixa.
Ele pegou meu rosto em suas mãos, ainda introspectivo. “Eu falei com Carlisle depois que você e eu fizemos o nosso trato, esperando que ele pudesse me ajudar. É claro que ele me avisou que isso seria muito perigoso para você.”
Uma sombra cruzou sua expressão.
“Mas ele tinha fé em mim – fé que eu não merecia.”
Eu comecei a protestar, e ele colocou dois dedos nos meus lábios antes que eu pudesse comentar.
“Eu também perguntei a ele o que eu poderia esperar. Eu não sabia como isso seria para mim... sendo eu um vampiro.” Ele sorriu meio sem vontade. “Carlisle me disse que isso era uma coisa muito poderosa, como nenhuma outra coisa. Ele me disse que o amor físico não era uma coisa que eu devia subestimar. Com os nossos temperamentos mudando tão raramente, emoções fortes podem nos alterar em caráter permanente. Mas ele disse que eu não precisaria me preocupar com essa parte – você já tinha me alterado completamente.” Dessa vez o sorriso foi mais genuíno.
“Eu falei com os meus irmãos, também. Eles me disseram que era um prazer enorme. Perdendo apenas para o prazer de beber sangue humano.” Uma linha se desenhou na testa dele. “Mas eu já experimentei o seu sangue, e não pode existir um sangue mais potente que isso... Na verdade eu não acho que eles estejam errados. Só que isso foi diferente para nós. Algo mais.”
“Foi algo mais. Foi tudo.”
“Isso não muda o fato de que foi errado. Mesmo se houvesse a possibilidade de você realmente se sentir dessa forma”
“O que isso significa? Você acha que eu estou inventando isso? Porque?”
“Para amenizar a minha culpa. Eu não posso ignorar as evidências, Bella. Ou a sua história de me livrar das responsabilidades quando eu cometo erros.”
Eu agarrei o queixo dele e me inclinei para frente até que os nossos rostos só estavam a uns centímetros de distância um do outro.
“Me ouça, Edward Cullen. Eu não estou fingindo nada pelo seu bem, tá legal? Eu nem sabia que havia alguma razão para fazer você se sentir melhor até que você começou a agir tão infeliz. Eu nunca estive tão feliz em toda a minha vida – eu não fiquei feliz assim nem quando você decidiu que seu amor por mim era maior que sua vontade de me matar, ou na primeira manhã que acordei com você lá esperando por mim...Nem mesmo quando eu ouvi sua voz no estúdio de balé” – Ele enrijeceu com a memória antiga do meu encontro com um vampiro caçador, mas eu não parei – “ou quando você disse ‘eu aceito’ e eu me dei conta de que, de alguma forma, eu consegui ficar com você para sempre.
Essas são as memórias mais felizes que eu tenho, e essa é melhor do que qualquer uma delas. Então aceite isso.”
Ele tocou a linha enrugada entre as minhas sobrancelhas.
“Eu estou te deixando infeliz agora. Eu não quero fazer isso.”
“Então você não fiquei triste. Essa é a única coisa errada aqui.”
Os olhos dele se estreitaram, então ele respirou profundamente e balançou a cabeça. “Você está certa. O passado é passado e eu não posso fazer nada para mudá-lo. Não faz sentido deixar meu mau humor afetar esse momento para você. Eu farei o que foi preciso para te deixar feliz agora.”
Eu examinei o rosto dele cheia de suspeita, e ele me deu um sorriso sereno.
“Qualquer coisa que me deixe feliz?”
Meu estômago rosnou ao mesmo tempo que eu fazia a pergunta.
“Você está com fome”, ele disse rapidamente. Ele saiu da cama velozmente, levantando uma nuvem de penas. O que me fez lembrar.
“Então, porque exatamente você resolveu arruinar os travesseiros de Esme?”
Eu perguntei, sentando e tirando mais algumas do meu cabelo. Ele já tinha vestido um par de calças caqui folgadas, e estava perto da porta, bagunçando o cabelo, fazendo algumas penas voarem também.
“Eu não sei se decidi fazer alguma coisa na noite passada”, ele resmungou.
“Temos sorte que foram os travesseiros e não você.” Ele inalou profundamente e balançou a cabeça, como se estivesse expulsando o
pensamento obscuro. Um sorriso muito autêntico se espalhou pelo rosto dele, mas eu imaginei que estava dando muito trabalho colocá-lo lá.
E deslizei cuidadosamente da cama, mais consciente, agora, das dores e dos locais doloridos. Eu o ouvi resfolegar. Ele deu as costas pra mim, e suas mãos se fecharam nos punhos, os nós dos dedos ficando brancos.
“Minha aparência é tão odiosa assim?” Eu perguntei, trabalhando para manter meu tom leve. Ele prendeu a respiração, mas não se virou, provavelmente para esconder sua expressão de mim.
Eu caminhei até o banheiro para checar a mim mesma.
Eu olhei para o meu corpo nu no grande espelho que ficava atrás da porta.
Definitivamente eu já tive dias piores. Havia uma leve sombra em uma das minhas bochechas, e meus lábios estavam um pouco inchados, mas além disso, meu rosto estava bem. O resto do meu corpo estava decorado com manchas azuis e roxas. Eu me concentrei nos machucados que seriam mais difíceis de esconder – nos meus braços e nos meus ombros. Eles não estavam tão mal. Minha pele se refazia facilmente. Quando um machucado vinha a aparecer, eu geralmente já tinha esquecido como ele foi feito. É claro que estes estavam apenas em desenvolvimento. Eu estaria muito pior amanhã. Isso não ia facilitar as coisas.
Aí eu olhei para o meu cabelo e gemi.
“Bella?” Ele estava bem ali ao meu lado assim que eu emiti o som.
“Eu nunca vou conseguir tirar isso tudo dos meus cabelos!” Eu apontei para a minha cabeça, que parecia mais com um ninho de galinha. Eu comecei a recolher as penas.
“Você tinha que estar preocupada com o seu cabelo”, ele murmurou, mas veio parar atrás de mim e começou a retirar as penas muito mais rapidamente.
“Como você consegue não rir disso? Eu estou ridícula.”
Ele não respondeu; ele simplesmente continuou tirando. E aí eu soube a resposta imediatamente – nada poderia ser engraçado enquanto ele estivesse com esse humor.
“Isso não vai funcionar”, eu suspirei depois de um minuto. “Está tudo colado aí. Eu vou ter que tentar lavar.” Eu me virei, passando os braços pela cintura fria dele. “Você quer me ajudar?”
“É melhor eu ir achar comida pra você”, ele disse com uma voz baixa, e gentilmente afastou meus braços.
Eu suspirei enquanto ele se afastava, se movendo rápido demais. Parecia que a minha lua de mel estava acabada. Esse pensamento trouxe um grande caroço para a minha garganta.
Quando eu estava quase sem penas e usando um vestido de algodão desconhecido que escondia a maior parte das manchas cor de violeta, eu caminhei com os pés descalços até onde o lugar de onde o cheiro dos ovos com bacon e queijo cheddar estava vindo.
Edward estava de frente para um fogão de aço inoxidável, deslizando um omelete num prato azul claro que estava esperando no balcão. O cheiro de comida me dominou. Eu senti que podia comer o prato e a frigideira também; meu estômago roncou.
“Aqui”, ele disse.
Ele se virou com um sorriso nos lábios e colocou o prato sobre uma pequena mesa azulejada. Eu sentei em uma das cadeiras de metal e comecei a comer os ovos quentes com gula. Eles queimaram minha garganta, mas eu não me importei. Ele sentou à minha frente.
“Eu não estou te alimentando com freqüência suficiente.”
Eu engoli e então o lembrei:
“Eu estava dormindo. Isso está muito bom, por sinal. Impressionante pra uma pessoa que não come.”
“Canal de receitas”, ele disse, dando meu sorriso torto favorito.
Eu fiquei feliz ao vê-lo, feliz de ver que ele parecia mais com o seu ‘eu’ de sempre.
“De onde vieram os ovos?”
“Eu pedi à equipe de limpeza que estocasse a cozinha. Isso é inédito nessa casa. Eu vou ter que pedir a eles para cuidarem das penas...” Ele parou de falar, seu olhar fixado no espaço acima da minha cabeça. Eu não respondi, tentando evitar qualquer coisa que o deixasse chateado de novo.
Eu comi tudo, apesar dele ter cozinhado suficiente para duas pessoas.
“Obrigada”, e disse a ele. Eu me inclinei sobre a mesa para beijá-lo. Ele correspondeu meu beijo automaticamente, então de repente enrijeceu e se afastou.
Eu apertei meus dentes, e a pergunta que eu pretendia fazer saiu parecendo uma acusação:
“Você não vai me tocar de novo enquanto estivermos aqui, vai?”
Ele hesitou, então deu um meio sorriso e ergueu a mão para alisar minha bochecha. Seus dedos pousaram suavemente na minha pele, e eu não consegui não repousar meu rosto em sua palma.
“Você sabe que não é isso o que eu quis dizer.”
Ele suspirou e baixou as mãos.
“Eu sei. E você está certa.” Ele pausou, erguendo um pouco o queixo. E então ele falou novamente com firme convicção. “Eu não farei amor com você novamente até que você seja transformada. Eu nunca vou te machucar novamente.”

6. Distrações [amanhecer]
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Minha diversão se tornou a prioridade número um na Ilha Esme. Nós fizemos snorkeling (bem, eu fiz enquanto ele ignorava sua habilidade de não precisar de oxigênio). Nós exploramos a pequena selva que rodeava o pico rochoso.
Nós visitamos os papagaios que moravam no dossel da extremidade sul da ilha. Nós assistimos o pôr-do-sol do abrigo rochoso no ocidente. Nós nadamos com os botos que brincavam na água quente e superficial.
Ou pelos menos eu nadei; quando Edward estava na água, os botos desapareciam como se um tubarão estive por perto.
Eu sabia o que estava acontecendo. Ele estava tentando me manter ocupada, distraída, para que eu não continuasse com o assunto sobre sexo. Sempre que eu tentava falar com ele para que ele tornasse isso mais fácil com um dos milhões de DVDs embaixo da grande TV de plasma, ele me atraia para fora de casa com palavras mágicas, como recifes de corais e cavernas submersas e tartarugas marinhas. Nós estávamos saindo todos os dias, então eu me encontrava completamente cansada e exausta quando o sol finalmente se punha.
Eu adormecia sobre o meu prato depois que terminava de jantar todos os dias; uma vez eu realmente adormeci na mesa e ele teve que me carregar para a cama. Parte disso era que Edward sempre fazia muita comida para uma pessoa, mas eu estava tão faminta depois de nadar e escalar todo dia que eu comia a maioria. Então, plena e desgastada, eu mal podia manter meus olhos abertos. Tudo parte do plano, sem dúvida.
Exaustão não ajudou muito com as tentativas de persuasão. Mas eu não desisti. Eu tentei refletindo, discutindo, e resmungando, tudo em vão. Eu estava geralmente inconsciente antes que eu pudesse prolongar meu caso.
E então meus sonhos pareciam tão reais – pesadelos principalmente, tornando mais vívidos, eu esperava, pelas demais cores da ilha – que eu acordava cansada, não importava quanto tempo eu havia dormido.
Em cerca de uma semana ou algo assim depois que chegamos a ilha, eu decidi tentar me comprometer. Isso tinha funcionado no passado.

Eu estava dormindo no quarto azul agora. A equipe de limpeza não estaria aqui até o dia seguinte, e então o quarto branco ainda tinha o nevado cobertor de baixo. O quarto azul era menor, a cama razoavelmente proporcional. As paredes eram escuras, apaineladas de teca, e os acessórios eram todos de uma luxuosa seda azul.
Eu iria me vestir com alguma lingerie das coleções de Alice para dormir a noite – que não eram tão reveladores comparados aos escassos biquínis que ela havia embalado para mim. Eu gostaria de saber se ela tinha tido uma visão de por que eu gostaria dessas coisas, e então eu corei, envergonhada por esse pensamento.
Eu comecei devagar com inocentes cetins marfins, preocupada que revelando mais a minha pele seria o contrário do útil, mas pronto para tentar qualquer coisa. Edward não pareceu notar nada, como se eu tivesse vestindo as mesmas roupas velhas que eu vestia em casa.
Os machucados estavam muito melhor agora – amarelando em alguns lugares e desaparecendo totalmente em outros – então hoje a noite eu tirei as ataduras enquanto ficava pronta no banheiro. Estava preto, rendilhado, e embaraçoso para olhar. Tive o cuidado de não olhar no espelho antes de voltar para o quarto. Eu não queria perder o meu nervo.
Eu tive a satisfação de ver seus olhos bem abertos por apenas um segundo antes de controlar sua expressão.
“O que você acha?” Eu perguntei, girando para que ele pudesse ver todos os ângulos.
Ele limpou a garganta.
“Você está linda. Você sempre está.”
“Obrigada” Eu disse um pouco envergonhada.
Eu estava muito cansada para escalar rapidamente a cama macia. Ele colocou seus braços ao meu redor e me puxou contra o seu peito, mas isso era rotina – era tão quente para dormir sem o seu corpo frio por perto.
“Eu vou te fazer uma proposta,” Eu disse sonolenta.
“Eu não vou fazer nenhum acordo com você,” ele respondeu.
“Você nem ouviu o que eu estou oferecendo.”
“Não importa.”
Eu suspirei.
“Ah. Eu realmente queria... bem.”
Ele rolou os olhos.
Eu fechei os meus e deixei a isca sentar ali. Eu bocejei.
Isso só durou um minuto – não o tempo suficiente para eu me preocupar.
“Está certo. O que é que você quer?”
Eu rangi os meus dentes por um segundo, lutando contra um sorriso. Se houvesse alguma coisa que ele não pudesse resistir, era uma oportunidade de me dar algo.
“Bem, eu estava pensando... Eu sei que essa coisa toda de Dartmouth era suposto ser apenas uma falsa história, mas honestamente, um semestre de faculdade não iria me matar” Eu disse, ecoando suas antigas palavras, quando ele tentou me persuadir para não me transformar uma vampira. “Charlie teria uma emoção fora das histórias de Dartmouth, eu aposto. Claro, pode ser embaraçoso se eu não puder manter o contato todos os cérebros. Ainda... dezoito, dezenove. Não é realmente uma grande diferença. Não é como se eu fosse chegar aos pés do corvo, no próximo ano.”
Ele ficou em silêncio por um longo momento. Então, com uma voz baixa, ele disse,
“Você poderia esperar. Você poderia ficar humana.”
Eu deti a minha língua, deixando a oferta se afundar.
“Por que você está fazendo isso comigo?” ele disse através dos seus dentes, seu tom de repente com raiva. “Já não é suficientemente difícil sem tudo isso?” Ele agarrou um punhado de cordões que estava franzido sobre minha coxa. Por um momento, pensei que ele ia rasgar a partir da costura. Então suas mãos relaxaram. “Isso não importa. Eu não vou fazer nenhum acordo com você.”
“Eu quero ir à faculdade.”
“Não, você não quer. E não há nada que vale a pena para arriscar sua vida de novo. Que vale a pena para machucar você.”
“Mas eu realmente quero ir. Bem, eu não quero o colégio tanto quanto o que eu quero – Eu quero ser humana durante um tempo maior.”
Ele fechou os seus olhos e exalou pelo nariz.
“Você está me deixando louco, Bella. Nós já não tivemos essa discussão um milhão de vezes, você sempre implorando para ser uma vampira sem atraso?”
“Sim, mas... bem, eu tenho uma razão para ser humana que eu não tinha antes.”
“O que é?”
“Adivinhe,” Eu disse, e eu me arrastei pelos travesseiros para beijá-lo.
Ele me beijou de volta, mas não do jeito que me fez achar que estava ganhando. Era mais como se ele estivesse tendo cuidado para não machucar meus sentimentos; ele estava completamente, totalmente sobre controle.
Gentilmente, ele me puxou para longe e me puxou contra o seu peito.
“Você é tão humana, Bella. Controlada pelos seus sentimentos.” Ele riu.
“Esse é o ponto, Edward. Eu gosto dessa parte de ser humana. Eu não quero abrir mão disso ainda. Eu não quero esperar anos sendo uma recém-nascida demente por sangue para que alguma dessas partes volte para mim.”
Eu bocejei, e ele sorriu.
“Você está cansada. Durma, amor.” Ele começou a zumbir a canção de ninar que ele compôs para mim no nosso primeiro encontro.
“Eu me pergunto por que estou tão cansada,” Eu murmurei sarcasticamente.
“Não poderia ser parte do seu esquema ou algo assim.”
Ele só riu uma vez e voltou a zumbir.
“De tão cansada que eu tenho estado, você poderia pensar que eu estaria dormindo melhor.”
O som quebrou.
“Você tem dormido como a morte, Bella. Você não disse uma palavra nos seus sonhos desde que chegamos aqui. Se não fosse o ronco, eu me preocuparia que você estivesse escorregando em um coma.”
Eu ignorei a parte do ronco; eu não roncava.
“Eu não estive me remexendo? Isso é estranho. Normalmente eu fico me mexendo toda sobre a cama quando estou tendo pesadelos. E gritando.”
“Você tem tido pesadelos?”
“Vívidos. Eles me fazem tão cansada.” Eu bocejei. “Eu não acredito que eu não estive falando sobre eles toda a noite.”
“Sobre o que eles são?”
“Coisas diferentes – mas os mesmos, você sabe, por causa das cores.”
“Cores?”
“É tudo tão brilhante e real. Geralmente, quando estou sonhando, eu sei que sou eu. Com esses, eu não sei se estou adormecida. Isso faz eles serem apavorantes.”
Ele soou perturbado quando falou de novo.
“O que está assustando você?”
Eu disse rapidamente.
“Principalmente...” Eu hesitei.
“Principalmente?” Ele perguntou.
Eu não tinha certeza do porque, mas eu não queria falar a ele sobre a criança nos meus pesadelos; tinha alguma coisa particular nesse horror. Então, em vez de lhe dar toda a descrição, eu lhe dei só um elemento. Certamente suficiente para assustar a mim e a qualquer outra pessoa.
“Os Volturi,” Eu sussurrei.
Ele me abraçou mais para apertado.
“Eles não vão mais nos perturbar. Você vai ser imortal em breve, e eles não vão ter razão.”
Eu deixei ele me confortar, sentindo um pouco de culpa por ele ter interpretado errado. Os pesadelos não eram daquele jeito, exatamente. Não era disso que eu tinha medo – eu tinha medo do garoto.
Ele não era o mesmo garoto do primeiro sonho – o garoto vampiro com os olhos de sangue que estava sentado sobre as pessoas mortas que eu amava.
Esse garoto com quem eu sonhei pelas últimas quatro vezes na semana passada era definitivamente humano; suas bochechas eram avermelhadas e seus amplos olhos eram um pouco verde. Mas como a outra criança, ele se mexeu com medo e desespero enquanto os Volturi se fechavam entre nós.
Nesse sonho, que era tanto o velho quanto o novo, eu simplesmente tinha que proteger a criança desconhecida. Não tinha outra opção. Mas no mesmo tempo, eu sabia que eu iria falhar.
Ele viu o desamparo no meu rosto.
“O que eu posso fazer para ajudar?”
Eu balancei a cabeça.
“Eles são só sonhos, Edward.”
“Você quer que eu cante para você? Eu canto a noite toda se isso for manter os pesadelos longe.”
“Eles não são tão maus. Alguns são legais. Tão... coloridos. Debaixo d’água, com os peixes e os corais. Eles todos parecem como se realmente estivesse acontecendo – eu não sei se estou sonhando. Talvez essa ilha é o problema. É muito claro aqui.”
“Você quer ir pra casa?”
“Não. Não, ainda não. Nós podemos ficar um pouco mais?”
“Nós podemos ficar o quanto você quiser, Bella,” ele me prometeu.
“Quando o semestre começa? Eu não prestando atenção antes.”
Ele suspirou. Talvez ele começou a zumbir, mas eu já tinha apagado antes de
ter certeza.
Depois, quando eu acordei na escuridão, foi como um choque. O sonho foi tão real... tão vívido, tão sensorial...
Eu estremeci alto, agora, desorientada pelo quarto escuro. Há um minuto atrás, parecia que eu estava sobre um sol brilhante.
“Bella?” Edward sussurrou, seus braços ao meu redor, me balançando gentilmente. “Você está bem, querida?”
“Oh,” eu estremeci de novo. Só um sonho. Não era real. Para minha grande surpresa, lágrimas caíram dos meus olhos sem aviso, mantendo minha cabeça baixa.
“Bella!” ele disse – alto, alarmado agora. “O que foi?” Ele limpou as lágrimas das minhas quentes bochechas com seus dedos frios e frenéticos, mas outras caíram.
“Era só um sonho.” Eu não pude conter a quebra da minha voz. As lágrimas eram absurdamente perturbadoras, mas eu não pude obter o controle da dor agarrada em mim. Eu queria tanto que o sonho fosse verdade.
“Tudo bem, amor, você está bem. Eu estou aqui.” Ele me movimentou para frente e para trás, um pouco rápido para acalmar. “Você teve outro pesadelo?
Não era real, não era real.”
“Não era um pesadelo.” Eu balancei minha cabeça, esfregando as costas das minhas mãos nos meus olhos. “Era um sonho bom.” Minha voz quebrou de novo.
“Então por que você esta chorando?” Ele perguntou, perplexo.
“Porque eu acordei,” eu lamentei, envolvendo os meus braços nos seu pescoço, soluçando na sua garganta.
Ele riu uma vez, mas o seu tom era tenso e preocupado.
“Tudo está bem, Bella. Respire fundo.”
“Era tão real,” eu chorei. “Eu queria que fosse real.”
“Me conte sobre isso,” ele insistiu. “Talvez isso te ajude.”
“Nós estávamos numa praia...” Eu menti, indo um pouco para trás para ver sua ansiosa expressão de anjo dentro da escuridão. Eu o encarei para tentar me acalmar.
“E?” Ele finalmente perguntou.
Eu pisquei para que as lágrimas dos meus olhos caíssem.
“Oh Edward...”
“Me conte, Bella,” ele invocou, seus olhos selvagens preocupados com a dor na minha voz.
Mas eu não podia. Em vez disso, eu apertei os meus braços em volta do seu pescoço de novo e apertei a minha boca na sua fervorosamente. Não era o meu maior desejo – era preciso para minha dor aguda. Sua resposta foi imediata mas rapidamente seguida pela sua repulsa.
Ele se debateu contra mim o mais gentil possível com a sua surpresa, me distanciando dele, segurando os meus ombros.
“Não, Bella,” Ele insistiu, olhando para mim horrorizado, como se eu tivesse perdido minha cabeça.
Meus braços caíram, derrotados, e as bizarras lágrimas caíram numa fortecorrente sobre o meu rosto, um novo soluço subindo na minha garganta. Ele estava certo – eu devia estar louca.
Ele me olhou confuso, com olhos agonizados.
“Me descu-u-ulpe,” Eu gaguejei.
Então ele me puxou para perto dele, me abraçando fortemente contra o seu peito de mármore.
“Eu não posso, Bella, não posso!” Seu gemido era agonizado.
“Por favor,” Eu disse, meu argumento abafando contra sua pele. “Por favor, Edward?”
Eu não pude dizer se ele se moveu pelas lágrimas tremendo na minha voz, ou se ele não estava preparado para lidar com os meus inesperados ataques, ou se sua necessidade era simplesmente insuportável como as minhas. Mas não importa a razão, ele puxou os meus lábios de volta aos seus, se rendendo com um gemido. E nós começamos quando o meu sonho já tinha ido embora.
Eu fiquei em silêncio quando acordei de manhã e tentei manter a minha respiração calma. Eu estava com medo de abrir os olhos.
Eu estava deitada sobre o peito de Edward, mas ele estava bem quieto e os seus braços não estavam ao meu redor. Isso era um mau sinal. Eu estava com medo de admitir que estava acordada e ter que olhar a sua raiva – não importava pra quem ela estava dirigida.
Cuidadosamente, eu abri os meus olhos. Seus olhos estavam fixados para cima, seus braços atrás da sua cabeça. Eu me curvei em cima do meu cotovelo até que eu pude ver o seu rosto melhor. Ele estava liso, sem expressões.
“Em quantos problemas eu estou?” Eu perguntei numa voz baixa.
“Em muitos,” ele disse, mas ele virou sua cabeça e sorriu para mim.
Eu suspirei.
“Me desculpe,” Eu disse. “Quero dizer... Bem, eu não sei exatamente o que foi a noite passada.” Eu balancei a cabeça para a memória das lágrimas irracionais, da estranha mágoa.
“Você nunca me disse sobre o que era o seu sonho.”
“Eu acho que não – mas eu suponho que tenha te mostrado sobre o que era.”
Eu ri nervosamente.
“Oh,” Ele disse. Seus olhos se arregalaram, e então ele piscou. “Interessante.”
“Era um sonho muito bom,” Eu murmurei. Ele não comentou, então alguns segundos depois eu perguntei, “Estou perdoada?”
“Estou pensando sobre isso.”
Eu sentei, planejando examinar a mim mesma - não parecia ter penas, pelo menos. Mas enquanto eu me movia, uma estranha onda de vertigem me acertou. Eu balancei e caí de novo contra os travesseiros.
"Whoa... tontura."
Seus braços estavam ao meu redor então.
"Você dormiu por um bom tempo. Doze horas"
"Doze?" Que estranho.
Eu tentei me dar um exame rápido enquanto falava, tentando ser imperceptível em relação a isso. Eu parecia bem. Os hematomas no meu braço ainda eram de uma semana atrás, amarelando. Eu me estiquei, experimentalmente. Eu me sentia bem, também. Mais que bem, aliás.
"O inventário está completo?"
Eu concordei timidamente.
"Os travesseiros parecem ter sobrevivido."
"Infelizmente, eu não posso dizer o mesmo da sua, er, camisola." Ele acenou com a cabeça em direção ao pé da cama, onde vários pedaços de fita preta estavam jogados nos lençóis de seda.
"Isso é muito ruim," eu disse. "Eu gostava daquela."
"Eu também."
"Houve mais algum acaso?" Eu perguntei timidamente.
"Eu terei que comprar Esme uma nova cabeceira," ele confessou, olhando acima de seus ombros. Eu segui seu olhar e fiquei chocada em ver que pedaços de madeira pareciam ter sido arrancados do lado esquerdo da cabeceira.
"Hmm." Carranquei. "Você pensou que eu ouviria isso."
"Você é extraordinariamente não observadora quando está atenta a outra coisa."
"Eu estava um pouco envolvida." Eu admiti, corando em um profundo vermelho.
Ele tocou minha bochecha queimando e suspirou.
"Eu realmente vou sentir falta disso."
Eu encarei seu rosto, procurando qualquer sinal de raiva ou remorso que eu temia. Ele me olhou de volta, sua expressão calma mas ilegível.
"Como você está se sentindo?"
Ele riu,
"O que?" Exigi.
"Você parece tão culpada - como se tivesse cometido um crime."
"Eu me sinto culpada." Murmurei.
"Então você seduziu seu demais-disposto marido. Isso não é uma ofensa capital."
Ele parecia estar brincando.
Minhas bochechas ficaram mais quentes.
"A palavra seduziu contém um certo monte de planos."
"Talvez seja a palavra errada." Ele permitiu.
"Você não está bravo?"
Ele sorriu tristemente. "Não estou bravo."
"Por que não?"
"Bem..." Pausou. "Eu não te machuquei, primeiramente. Foi mais fácil essa vez, me controlar, a canalizar o excesso." Seus olhos se mudaram para um jeito danificado. "Talvez porque eu tive uma idéia melhor do que esperar."
Um sorriso esperançoso começou a crescer pelo meu rosto.
"Eu disse pra você que era tudo prática."
Ele virou os olhos.
Meu estômago roncou, e ele deu risada.
"Hora do café da manhã dos humanos?" Ele perguntou.
"Por favor," Eu disse, pulando pra fora da cama. Eu me movi rápido demais, eu cambaleei feito bêbada pra obter meu equilíbrio de novo. Ele me pegou antes que eu pude tropeçar na penteadeira.
"Você está bem?"
"Se eu não tiver um senso de equilíbrio melhor na minha próxima vida, eu vou exigir devolução!"
Eu mesma cozinhei essa manhã, fritando uns ovos - muito faminta pra fazer algo mais elaborado. Impaciente, eu os virei num prato depois de uns poucos minutos.
"Desde quando você come ovo estrelado?" ele perguntou.
"Desde agora."
"Você sabe quantos ovos você comeu durante essa última semana?" Ele puxou a cesta de lixo de baixo da pia - estava cheia de caixas azuis vazias.
"Estranho," eu disse depois de engolir uma picante mordida. "Esse lugar está mexendo com meu apetite." E meus sonhos, e o meu já duvidoso balanço.
"Mas eu gosto daqui. Apesar disso nós teremos que partir logo, não é, para chegar em Dartmouth a tempo? Wow, eu acho que nós precisamos arranjar
um lugar para viver e tal, também."
Ele sentou perto de mim.
"Você pode desistir desse faz de conta de faculdade agora - você conseguiu o que queria. E nós não concordamos com nenhum negócio, então não há cordas presas."
Eu bufei,
"Não era um faz de conta, Edward. Eu não passo meu tempo livro planeja indo com algumas pessoas. O que nós podemos fazer parar tirar Bella de casa hoje?" Eu disse numa impressão pobre de sua voz. Ele riu, sem vergonha. "Eu realmente quero um pouco mais de tempo como humana," eu me inclinei para correr minha mão em seu peito nu. "Eu ainda não tive o suficiente."
Ele me deu uma olhada duvidosa.
"Por isso?" ele perguntou, pegando minha mão e a movendo para seu estômago. "Sexo era a chave para tudo isso desde o início?" Ele revirou os olhos. "Porque eu não pensei nisso?" ele susurrou sarcástico. "Eu poderia ter salvado muitos argumentos."
Eu ri.
"Sim, provavelmente."
"Você é tão humana," ele disse novamente.
"Eu sei."
Um início de sorriso apareceu em seus lábios.
"Nós iremos para Dartmouth?
Mesmo?"
"Eu provavelmente irei reprovar em um semestre."
"Eu irei ser seu tutor." O sorriso estava largo agora. "Você irá amar a faculdade."
"Você acha que nós conseguiremos achar um apartamento assim, tão tarde?"
Ele fez uma careta, parecendo culpado.
"Bem, nós meio que já temos uma casa lá. Você sabe, só por precaução."
"Você comprou uma casa?"
"Bens mobiliários são um bom investimento."
Eu levantei uma sobrancelha e deixei isso pra lá.
"Então nós estamos prontos."
"Eu terei que ver se nós vamos conseguir manter seu carro "antes" por um pouco mais de tempo..."
"Sim, Deus o livre eu não estar protegida por tanques."
Ele riu.
"Quanto tempo nós podemos ficar?" eu perguntei.
"Nós estamos bem quanto ao tempo. Algumas semanas a mais, se você quiser. E então nós podemos visitar Charlie antes de ir para New Hampshire. Nós podemos passar o natal com Renée..."
Suas palavras pintavam um futuro feliz imediato, um sem dores para todos envolvidos. Jacob, de forma alguma fora esquecido, então corrigi o pensamento - para quase todo mundo.
Isso não estava ficando muito fácil. Agora que eu havia descoberto exatamente como era bom ser humana, era tentador deixar os planos falirem.
Dezoito, dezenove, dezenove ou vinte... Realmente importava? Eu não iria mudar muito em um ano. E ser humana com Edward... A escolha ficava trapaceira a cada dia.
"Algumas semanas," eu concordei. E então, porque parecia que nunca haveria tempo o suficiente, eu adicionei, "Então eu estava pensando - você sabe o que eu estava dizendo sobre praticar antes?"
Ele riu.
"Você pode esperar um pouco com esse pensamento? Eu escutei um barco. A equipe de limpeza deve estar aqui."
Ele queria que eu esperasse com aquele pensamento. Então ele quis dizer que ele não iria me dar mais trabalho sobre praticar? Eu sorri.
"Me deixe explicar essa bagunça no quarto branco para Gustavo, e então nós podemos sair. Há um lugar lá na floresta no sul..."
"Eu não quero sair. Eu estou afim de escalar por toda ilha hoje. Eu quero ficar e ver um filme."
Ele torceu seus lábios, tentando não rir do meu tom.
“Tudo bem, o que você desejar. Por que você não vai escolhendo lá fora enquanto eu vou abrir a porta?”
“Eu não ouvi baterem na porta.”
Ele jogou sua cabeça de lado, ouvindo. Um segundo depois, uma batida fraca e tímida soou na porta. Ele sorriu, e se virou para o corredor.
Eu perambulei até as prateleiras sob a grande TV e comecei a ver os títulos.
Era difícil decidir por onde começar. Eles tinham mais DVDs que uma locadora.
Eu podia ouvir a voz baixa e veluda de Edward do hall, conversando fluentemente no que parecia ser um português perfeito. Outra voz humana e penosa respondeu na mesma língua. Edward os levou para a sala, apontando em direção a cozinha. Os dois brasileiros pareciam incrivelmente pequenos e morenos ao lado dele. Um deles era um homem redondo, e a outra uma pequena mulher, ambos rostos com dobras retas. Edward fez um gesto para mim com um orgulhoso sorriso, quando eu ouvi o meu nome misturado em um turbilhão de palavras desconhecidas. Eu fiquei um pouco envergonhada quando pensei na total bagunça na sala branca, que eles logo acabaram encontrando. O pequeno homem sorriu pra mim educadamente.
Mas a tímida mulher não sorriu. Ela me encarou com uma mistura de choque, preocupação, e acima de tudo, medo. Antes que eu pudesse reagir, Edward mencionou para eles o seguirem em direção ao galinheiro, e eles se foram.
Quando ele reapareceu, ele estava sozinho. Ele andou silenciosamente até o meu lado e passou os seus braços ao meu redor.
“O que ela tem?” Eu sussurrei urgente, lembrando da sua expressão de pânico.
Ele deu de ombros, despreocupado.
"Kaure é parte dos índios Ticuna. Ela foi criada para ser mais supersticiosa- ou você pode chamar de mais atenta- que os outros que vivem no mundo moderno. Ela suspeita do que eu sou, ou perto disso." Ele ainda não parecia preocupado. "Eles têm suas próprias lendas por aqui. O lobisomem- um demônio bebedor de sangue que saqueia exclusivamente em lindas mulheres," ele olhou atravessado para mim.
Apenas mulheres bonitas? Bem, isso era meio que lisonjeiro.
"Ela parecia aterrorizada," eu disse.
"Ela está - mas mais que isso, ela está preocupada com você."
"Comigo?"
"Ela tem medo de porquê você está aqui, totalmente sozinha." Ele riu escuramente e então olhou para a parede de filmes.
"Oh bem, porque você não escolhe algo para nós vermos? Essa é uma coisa aceitável de humanos fazerem."
"Sim, eu tenho certeza que um filme a irá convencer de que você é humano."
Eu ri e prendi meus braços seguramente ao redor de seu pescoço, me espichando apenas na ponta dos pés.
Ele se abaixou para que eu pudesse beijá-lo, e então seus braços se apertaram em torno de mim, me levantando do chão para que ele não precisasse se curvar.
"Filme, filme" Eu murmurei enquanto seus lábios se moviam para minha garganta, torcendo meus dedos em seu cabelo de bronze.
Então eu escutei uma arfada, e ele me colocou no chão brutamente. Kaure estava parada congelada no corredor, penas em seu cabelo negro, um largo saco de mais penas em seus braços, uma expressão de horror em seu rosto. Ela me encarou, seus olhos saltando para fora, enquanto eu corava e olhava para baixo. Então ela se recompôs e murmurou algo que, até mesmo para uma lingua desconhecida, era claramente um pedido de desculpas. Edward sorriu e respondeu em um tom amigável. Ela voltou seus olhos negros para longe e continuou pelo corredor.
"Ela estava pensando o que eu acho que ela estava pensando, não é?" Eu resmunguei.
Ele riu da minha frase enrolada. "Sim."
"Aqui," eu disse, estendendo a mão aleatoriamente, e pegando um filme.
"Coloque isso para que nós possamos fingir estar assistindo."
Era um velho musical com rostos sorridentes e vestidos cobertos de penugem na frente.
"Nós vamos voltar para o quarto branco, agora?" Eu perguntei vagarosamente.
"Eu não sei... eu já deformei a cabeceira da cama no outro quarto além do reparo - talvez se nós limitássemos a destruição em uma área da casa, Esme nos convide para voltar algum dia."
Eu dei um largo sorriso.
"Então irá ter mais destruição?"
Ele riu de minha expressão.
"Eu acho que talvez seja mais seguro se for premeditado, ao em vez de esperar que você me ataque novamente."
"Seria apenas uma questão de tempo.." eu concordei casualmente, mas minha pulsação estava correndo em minhas veias.
"Há algum problema com seu coração?"
"Não, saudável como um cavalo." Eu pausei. "Você quer inspecionar a zona de destruição agora?"
"Talvez seja mais educado esperar até que estejamos sozinhos. Você pode não notar quando eu estou detonando a mobília, mas isso provavelmente os assustaria."
De fato, eu havia esquecido das pessoas no outro cômodo.
"Certo. Diabos."
Gustavo e Kaure se moveram silenciosamente pela casa enquanto eu esperava impacientemente que eles terminassem, tentando prestar atenção no Felizes para Sempre na tela. Eu estava começando a sentir sono - embora, de acordo com Edward, eu já tivesse dormido metade do dia - quando uma voz áspera me assustou. Edward sentou-se, me mantendo como num berço contra ele e respondeu Gustavo num português fluente. Gustavo acenou com a cabeça e andou em silêncio até a porta da frente.
“Eles terminaram.” Edward me contou.
“Então isso significaria que estamos sozinhos agora?”
“Que tal almoçar primeiro?” ele sugeriu.
Eu mordi meu lábio, rasgada por um dilema. Eu estava faminta. Com um sorriso ele pegou minha mão e me conduziu até a cozinha. Ele conhecia meu rosto tão bem, não importava que ele não pudesse ler minha mente.
"Isso está ficando fora de controle," Eu reclamei quando eu finalmente me senti cheia.
"Você quer nadar com os golfinhos esta tarde - queimar algumas calorias?" ele perguntou.
"Talvez depois. Eu tenho outra idéia para queimar calorias."
"E o que seria?"
"Bem, há muitas cabeceiras horríveis deixadas.."
Mas eu não terminei. Ele já havia me arrastado para seus braços, e seus lábios calaram os meus enquanto ele me carregava com uma inumana velocidade para o quarto azul.

7. Inesperado [amanhecer]
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A linha negra avançou para mim através da mortalha neblina. Eu podia ver seus olhos de rubi escuro brilhando de desejo, ansiando pela caça. Seus lábios esticados sobre seus dentes úmidos e afiados – alguns para rosnar, outros para sorrir.
 Eu ouvi a criança atrás de mim choramingar, mas eu não podia me virar para olhá-lo. Embora eu estivesse desesperada para me certificar que ele estava seguro, eu não podia me dar o luxo de desviar o meu foco agora.
 Eles flutuaram para mais perto, suas capas negras ondulando-se levemente com o movimento. Eu vi suas mãos curvarem como garras cor de osso. Eles começaram a se separar, buscando chegar até nós por todos os lados. Nós estávamos cercados. Nós iríamos morrer.
 E então, como a luz súbita de um raio, toda a cena se modificou. E ainda sim nada mudou – os Volturi ainda estavam vindo diretamente até nós, inebriados para matar. Tudo o que havia mudado era como a situação me era apresentado. Eu estava ansiosa para isso. Eu queria que eles atacassem. O pânico se transformou em adrenalina conforme eu avançava, um sorriso no rosto, um grunhido escapando através dos meus dentes expostos.

Eu pulei sentada, desperta do sonho.
O quarto estava escuro. E também incrivelmente quente. Suor molhava o meu cabelo perto da testa e escorria pela minha garganta.
 Eu vaculhei pelos lençois quentes e encontrei-os vazios.
“Edward?”
Então, meus dendos encontraram alguma coisa macia e fina e firme. Uma folha de papel, dobrada ao meio. Eu levei a nota comigo e apalpei o caminho até o interruptor. Na parte de fora da nota, estava endereçada para a Sra. Cullen.

Espero que você não perceba a minha ausência, mas se notar, eu vou estar de volta bem rápido. Eu só fui para o continente caçar. Volte a dormir e eu vou estar aqui quando você acordar de novo.
Eu amo você.
Eu suspirei. Nós já estávamos aqui há mais ou menos duas semanas, então eu devia ter imaginado que ele teria que partir, mas eu não estava contando o tempo. Nós parecíamos existir fora do tempo aqui, só levados por um estado perfeito.
 Eu limpei o suor da minha testa. Senti-me completamente acordada, apesar do relógio na cabeceira dizer que pouco depois da uma. Eu sabia que nunca ia ser capaz de dormir tão quente e pregante como me sentia. Sem contar o fato que se eu apagasse a luz e fechasse os meus olhos, com certeza voltaria a ver aquelas figuras negras e horripilantes na minha cabeça.
 Eu levantei e vaguei pela casa escura, acendendo as luzes. Parecia tão grande e vazia sem Edward aqui. Diferente. Eu acabei na cozinha e decidi que talvez alguma comida caseira fosse o que eu precisava.
 Vasculhei a geladeira até encontrar todos os ingredientes para fazer frango frito. Os estalos e chiados do frango na panela era legal, um som familiar, eu me senti menos nervosa com ele preenchendo o silêncio.
 Cheirava tão bem que eu comecei a comer direto da panela, queimando a minha língua no processo. Na quinta ou sexta mordida, entretanto, tinha esfriado o suficiente para que eu pudesse sentir o gosto. A mastigação diminuiu. Tinha alguma coisa errada no sabor? Eu chequei a comida e estava completamente branca, mas eu imaginei que não estivesse completamente cozida. Eu dei outra mordida; mastiguei duas vezes.
 Ugh – definitivamente ruim. Eu pulei para cuspir na pia. De repente, o cheio de frango e óleo era revoltante. Eu peguei o prato inteiro e joguei no lixo, então abri a janela para dissipar o cheio. Uma brisa refrescante entrou. A sensação na minha pele foi ótima.
 Eu fiquei abruptamente cansada, mas não queria voltar para o quarto quente.
Então abri mais janelas na sala de tevê e deitei no sofá em frente. Liguei o mesmo filme que nós tínhamos assistido no outro dia e rapidamente adormeci na canção de abertura.
Quando eu abri os meus olhos novamente, o sol estava alto no céu, mas não foi à luz que me acordou. Braços gelados estavam ao meu redor, me puxando de encontro a ele. Ao mesmo tempo, uma dor repentina embrulhou o meu estômago, quase como o choque de levar um soco na barriga.
 “Me desculpa,” Edward estava murmurando enquanto passava uma mão gelada sobre a minha testa úmida. “Grande meticulosidade planejando. Eu não pensei no quão quente você ficaria enquanto eu estava fora. Vou instalar um ar-condiconado antes de ir uma próxima vez.”
 Eu não conseguia me concentrar no que ele estava dizendo.
“Com licença!” eu ofeguei, lutando para sair de seus braços.
Ele me largou automaticamente.
“Bella?”
Eu corri para o banheiro cobrindo a boca com a mão. Eu me sentia tão mal que não liguei – no começo – que ele estivesse comigo o tempo todo enquanto me debruçava na privada e vomitava violentamente.
 “Bella? Qual é o problema?”
Eu não podia responder ainda. Ele me segurava ansiosamente, mantendo o meu cabelo longe do meu rosto, esperando até eu poder respirar de novo.
 “Droga de frango estragado,” lamentei.
“Você está bem?” Sua voz era tensa.
“Estou,” eu ofeguei. “É só comida estragada. Você não precisa ver isso. Sai daqui.”
 “Não facilmente, Bella.”
“Vai embora,” eu lamentei de novo, lutando para me levantar e poder lavar a boca. Ele me ajudou gentilmente, ignorando os empurrões fracos que eu dei nele. Depois que a minha boca estava limpa, ele me carregou para cama e me sentou cuidadosamente, me segurando com os braços.
 “Comida estragada?”
“É,” eu grasnei. “Eu fiz um pouco de frango ontem à noite. Estava com um gosto ruim, então eu joguei fora. Mas antes eu comi um pouco.”
 Ele colocou uma mão gelada sobre a minha testa. A sensação foi ótima.
“Como você se sente agora?”
Eu pensei sobre isso por um momento. A náusea tinha passado tão subitamente quanto tinha aparecido, e eu me sentia como em qualquer outra manhã.
 “Bem normal. Com um pouco de fome, na verdade.”
Ele me fez esperar uma hora e beber um grande copo d’água antes de ele fritar alguns ovos. Eu me sentia completamente normal, só um pouco cansada de ter acordado no meio da noite. Ele colocou na CNN – nós tínhamos estado tão incomunicáveis que a 3ª Guerra Mundial podia ter estourado que nós não saberíamos – eu deitei sonolenta em seu colo. Eu fiquei entediada com todas as notícias e virei para beijá-lo. Assim como de manhã, uma dor aguda acertou o meu estômago quando eu me movi. Pulei pra longe dele, minha mão apertada contra a minha boca. Eu sabia que nunca chegaria a tempo no banheiro desta vez, então eu corri para pia da cozinha.
 Ele segurou o meu cabelo mais uma vez.
“Talvez nós devessemos voltar pro Rio, ver um médico,” ele sugeriu nervosamente quando eu estava lavando a minha boca depois.
 Eu balencei a cabeça e me fui direto pelo corredor. Médicos significar agulhas.
“Eu vou ficar bem assim que escovar os dentes.”
Quando a minha boca ficou com o gosto melhor, eu procurei na minha mala pelo kit de primeiros-socorros que Alice tinha colocado na mala para mim, cheio de coisas humanas como curativos e analgésicos e – o que eu procurava agora – Pepto-Bismol. Talvez eu pudesse acalmar o meu estômago e tranquilizar o Edward.
 Mas antes que eu econtrasse o Pepto, eu encontrei por acaso outra coisa que Alice tinha posto na mala pra mim. Eu peguei a pequena caixa azul e encarei-a na minha mão por um longo momento, esquecendo de tudo.
 Então eu comcei a contar na minha cabeça. Uma vez. Duas vezes. De novo. A batida me assutou; a caixinha caiu de volta na mala.
 “Você está bem?”Edward perguntou atrás da porta. “Você vomitou novamente?”
“Sim e não,” eu disse, mas a minha voz parecia estrangulada.
“Bella? Posso entrar, por favor?” Preocupado agora.
“Tudo... bem?”
Ele entrou e avaliou a minha posição, sentanda de pernas cruzadas no chão do lado da mala, e a minha expressão, vazia e assustada. Ele sentou do meu lado, sua mão indo para a minha testa na mesma hora.
 “Qual é o problema?”
“Quantos dias se passaram desde o casamento?” eu murmurei.
“Dezessete,” ele respondeu atomaticamente. “Bella, o que é?
Eu estava contando de novo. Eu levantei um dedo, avisando-o para esperar, e sibilei os números para mim mesma. Nós tínhamos estado viajando mais tempo do que eu imaginava. Fiquei chocada mais uma vez.
 “Bella!” ele sussurrou urgentemente. “Eu estou perdendo o controle aqui.”
Eu tentei engolir. Não funcionou. Então eu alcancei a mala e fucei até encontrar a pequena caixinha de absorventes novamente. Levantei-os silenciosamente.
 Ele me encarou em confusão.
“O quê? Você está tentando passar essa doença como TPM?”
“Não,” eu consegui botar pra fora. “Não, Edward. Eu estou tentando dizer que a minha menstruação está cinco dias atrasada.”
 Sua expressão facial não mudou. Era como se eu não tivesse falado.
“Eu não acho que foi comida estragada,” completei.
Ele não respondeu. Tinha se transformado numa escultura.
“Os sonhos,” eu balbuciei para mim mesma numa foz fina. “Dormindo muito.
O choro. Toda a comida. Oh. Oh. Oh.!”
O olhar do Edward parecia sem foco, como se ele não pudesse me ver mais. Automaticamente, quase involuntariamente, a minha mão caiu sobre o meu estômago.
 “Oh!” eu exclamei novamente.
Eu fiquei de pé, saindo das mãos imóveis de Edward. Eu não tinha trocado o baby-doll de seda que eu usei para dormir. Levantei o tecido azul e encarei o meu estômago.
 “Impossível,” sussurrei.
Eu tinha praticamente nenhuma experiência com gravidez ou bebês ou qualquer parte desse universo, mas eu não era uma idiota. Eu já tinha visto filmes e programas de tv o suficiente para saber que não era assim que funcionava. Eu só estava cinco dias atrasada. Se eu estivesse grávida, meu corpo provavelmente nem teria registrado o fato. Eu não teria enjôos matinais.
 Não teria mudado meus hábitos alimentares ou meu sono.
E definitivamente não teria uma pequena mas definida barriga aparecendo entre o meu quadril.
 Eu virei o meu tronco várias vezes, examinando-a de vários ângulos, esperando que desaparecesse na luz certa. Eu passei os dedos na minha repentina barriga, surpresa no quão dura ela parecia sob a minha pele.
 “Impossível,” eu disse novamente, porque, com barriga ou sem barriga, menstruação ou não menstruação (e definitivamente nunca houve um ciclo atrasado um único dia na minha vida toda), não havia jeito que eu pudesse estar grávida. A única pessoa que eu já tinha transado era um vampiro, pelo amor de Deus.
 Um vampiro que ainda estava congelado no chão sem sinais de voltar a se mexer.
Então tinha alguma outra explicação, afinal. Alguma coisa errada comigo.
Uma estranha doença sul-americana com todos os sintomas de gravidez só que acelerada...
E então eu me lembrei de algo – uma manhã de pesquisas na internet que parecia séculos atrás agora. Sentada na mesa velha do meu quarto na casa do Charlie com uma luz cinza atravessando a janela, encarando o meu computador velho e lento, lendo avidamente um website chamado “Vampiros de A a Z.” Tinha sido menos de vinte e quatro horas depois de Jacob Black, tentando me entreter com algumas lendas antigas dos Quileute que ele ainda não acreditava, me contou que Edward era um vampiro. Eu procurei ansiosamente as primeiras entradas do site, que eram dedicadas a mitos de vampiros ao redor do mundo. O filipirno Danag, o hebreu Estrie, o romeno Varacolaci, o italiano Stregoni benefici (uma lenda realmente baseada nos primeiros contados do meu novo sogro com os Volturi, apesar de, naquela época, eu não saber disso)...
 Eu prestei cada vez menos atenção conforme as histórias ficavam mais implausíveis. Elas mais pareciam desculpas inventadas para explicar coisas como taxas de mortalidade infantil – ou infidelidade. Não, amor. Eu não estou tendo um caso. Aquela gostosa que você viu saindo escondida de casa era uma maligna succumbus* . Eu tenho sorte de ter escapado com vida!” (Claro, com o que eu sabia agora sobre Tanya e suas irmãs, eu suspeitava que essas desculpas tinham sido fatos.! Tinha tido mulheres, também. Como você pode me acusar de te trair – só porque você ficou dois anos navegando em auto-mar e eu estou grávida? Foi um incubus**. Ele me hipnotizou com seus mitológios poderes de vampiro...
 Essa parte tinha sido a definição de incubus – a abilidade de gerar crianças com a sua depredação calculada

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*Succumbus - de STRUMPET [lascivo]- um espírito prostituído que corrompia sexualmente as pessoas. Crenças da Idade Média.                *
 ** Incumbus - Crença da Idade Média de um ser maligno que abusava e atacava sexualmente mulheres, engravidando-as.                             *
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Balancei a minha cabeça, atordoada. Mas...
Pensei em Esme e especialmente em Rosalie. Vampiros não podiam ter filhos.
Se fosse possível, Rosalie já teria descoberto um jeito a esta altura. O mito do incubus era só isso, uma lenda.
 Exceto que... bom, havia uma diferença. Claro que Rosalie não podia conceber uma criança, porque ela estava congelada no estado em que havia passado de humana para não-humana.
 Totalmente imodificável. E o corpo das mulheres humanas precisam mudar para gestar filhos. A constante mudança mensal de ciclos menstruais para começar, e depois as maiores mudanças para acomodar um bebê em crescimento. O corpo da Rosalie não podia se modificar.
 Mas o meu podia. O meu mudou. Eu toquei a bola no meu estômago que não tinha estado ali ontem.
 E homens humanos – bom, eles praticamente ficam do mesmo jeito da puberdade até a morte. Eu relembrei um exemplo qualquer familiar, desenterrado sabe-se lá da onde: Charlie Chaplin que nos seus setenta e pouco foi pai de seu caçula. Homens não tinham coisas como mudanças de gestação ou ciclos de fertilidade.
 Claro, como alguém ia saber se vampiros homens podiam ser pais, quando as suas parceiras não eram capaz? Que vampiro na terra teria o controle suficiente para testar a teoria com uma mulher humana? Ou teria vontade?
 Eu só conseguia pensar em um.
Parte da minha cabeça estava ruminando o fato, a lembrança e a especulação, enquanto a outra metade – a parte que controlava a habilidade de mexer até o menor dos músculos – estava chocada além da capacidade para poder operar normalmente. Eu não conseguia mexer os meus lábios para falar, embora quisesse pedir que Edward por favor me explicasse o que estava acontecendo.
 Eu precisava voltar a onde ele estava sentando, tocá-lo, mas o meu corpo não estava seguindo as ordens. Eu só conseguia encarar os meus olhos assustados no espelho , meus dedos pressionados contra a bola no meu tronco.
 E então, como o pesadelo vívido da noite anterior, a cena rapidamente se transformou. Tudo o que eu via no espelho parecia completamente diferente, embora nada realmente estivesse diferente.
 O que fez tudo mudar foi o macio e pequeno chute na minha mão – de dentro do meu corpo.
No mesmo momento, o celular do Edward tocou, agudo e chamativo. Nenhum de nós se mexeu. Tocou de novo e de novo. Eu tentei apagar o som enquanto apertava os meus dedos contra o meu estômago, esperando. No espelho a minha expressão não era mais assustada – era sonhadora. Eu mal notei quando estranhas e silenciosas lágrimas escorreram pela minha bochecha.
 O telefone continuou tocando. Desejei que Edward atendesse – eu estava tendo um momento. Possivelmente o maior momento da minha vida.
Ring! Ring! Ring!
Finalmente, a irritação acabou com todo o momento. Eu me ajoelhei próxima a Edward – percebi que estava me mexendo cuidadosamente, mil vezes mais consciente do efeito de cada movimento – e passei a mão por seus bolsos até encontrar o telefone. Eu meio que esperava que ele tomasse-o e atendesse ele mesmo, mas ele ficou perfeitamente imóvel.
 Eu reconheci o número, e pude facilmente adivinhar poque ela estava ligando.
“Oi, Alice,” eu disse. Minha voz não estava muito melhor do que antes.
Limpei a garganta.
“Bella? Bella, você está bem?”
“Sim. Um. Carlisle está?”
“Ele está. Qual é o problema?”
“Eu não estou... cem por cento...certa…”
“Edward está bem?” ela perguntou cautelosamente. Ela afastou o telefone e chamou o nome de Carlisle e logo continuou, “por que ele não atendeu o telefone?” antes de que eu pudesse responder à sua primeira pergunta.
 “Não sou certa”
“Bella, o que está acontecendo? Eu vi...“
“O que você viu?”
Houve um silêncio.
“Aqui está Carlisle”, Ela finalmente disse.
Eu senti como se água gelada tivesse sido injetada em minhas veias. Se Alice tivesse visto uma visão de mim com uma criança de olhos verdes, carinha de anjo nos meus braços, ela teria me respondido, não é?
 Enquanto esperei pelo segundo que levou para Carlisle falar, eu imaginava a visão de Alice dançado atrás das minhas pálpebra. Um minúsculo, um lindo pequeno bebê mais belo do que qualquer menino, deixou minhas veias gelada.
 “Bella, é Carlisle. O que está acontecendo?”
“Eu...” Eu não estava certa o que responder. Ele riria das minhas conclusões,
me diria que eu era louca? Eu estava tendo somente outro sonho colorido? “Estou um pouco preocupada com Edward … Vampiros podem entrar no choque?”
 “Ele está machucado?” a voz de Carlisle era repentinamente urgente.
“Não, não” eu assegurei a ele. “apenas… surpreendido”
“Eu não estou entendendo, Bella”
“Eu acho ... bem, eu acho que ... talvez ... eu possa estar...” Respirei profundamente “grávida”.
 Como se fosse para me trazer de volta, houve outra cutucada muito pequena no meu abdomem. Minha mão voou para minha barriga. Depois de uma longa pausa, o treinamento médico de Carlisle voltou.
 “Quando foi o dia do seu último ciclo menstrual?”
“Dezesseis dias antes do casamento”. Eu tinha feito a matemática mental completamente antes para ser capaz de responder com a certeza.
 “Como você se sente?”
“Esquisita,“ eu lhe disse, e a minha voz estalou. Outro gotejamento de lágrimas gotejou abaixo as minhas faces. “Isto soar maluco – olhada, eu sei é cedo para isso. Talvez eu seja louca. Mas estou tendo sonhos grotescos e comendo o tempo todo e gritando e vomitando e … e … juro algo se moveu dentro de mim agora mesmo”
 A cabeça de Edward levantou. Suspirei no alívio. Edward ergueu sua mão para o telefone, seu rosto duro e branco.
 “Um, eu acho que Edward quer falar com você”
“Coloque ele na linha” Carlisle falou com uma voz estranha.
Eu não estava inteiramente segura de que Edward poderia falar, pus o telefone a sua mão estendida.
 Ele pressionou em sua orelha
“Isso é possível?” ele sussurrou.
Ele escutou durante o tempo longo, fitando inexpressivamente em nada.
“E Bella?” ele perguntou. O seu braço envolveu em volta de mim quando ele falou, puxando-me para seu lado.
 Ele escutou o que pareceu um longo tempo e logo falou
“Sim, sim. Eu vou”
Ele removeu o telefone da sua orelha e pressionou a tecla "end".
Imediatamente, ele discou um novo número.
“O que Carlisle falou” Eu perguntei impacientemente.
Edward respondeu em uma voz inanimada.
“Ele acha que você está grávida”
As palavras enviaram a um tremor quente abaixo a minha espinha. O pequeno bebê se moveu dentro de mim.
 “Para quem você está ligando agora? Eu perguntei quando ele colocou o telefone de volta na orelha.
 “Para o aeroporto. Estamos indo para casa”.
Edward esteve no telefone durante mais de uma hora sem um intervalo. Eu acho que ele arranjava o nosso vôo para casa, mas não posso estar certa porque ele não falava em inglês. Parecia que ele discutia, ele falou muito através dos seus dentes.
 Enquanto ele discutia, ele fez as malas. Ele girou em volta do quarto irritado
como um furacão, deixando ordem e não destruição no seu caminho. Ele lançou jogou um conjunto de roupas minhas na cama, sem olhá-los, por isso, assumiu que era hora de começar a me vestir. Ele continuou com o seu argumento enquanto eu me troquei, gesticulando com movimentos súbitos, agitados.
 Quando não podia mais agüentar a energia violenta que irradia dele, calmamente deixei o quarto. A sua concentração maníaca fez meu estômago doer – não como a doença de manhã, somente pouco confortável. Eu esperaria em outro lugar até o seu humor de passar. Não posso falar com este Edward frio, que honestamente me assustou um pouco.
Mais uma vez, terminei na cozinha. Não havia um saco de pretzels no armário.
Eu pequei um deles e mastigava distraidamente, olhando para fora a janela na areia e rochas e árvores e oceano, tudo que resplandece ao sol. Algo moveu em mim.
“Eu sei” eu disse. “Não quero ir, também”
Fitei fora a janela durante um momento, mas o bebê não respondeu.
“Eu não entendo, “eu sussurrei. “o que está errado aqui?”
Surpreendente, absolutamente. Surpreendente, mesmo. Mas errado ?
Não. Então, por que Edward está tão furioso Foi ele que tinha realmente desejado tanto, como uma caçada, o casamento.
 Tentei raciocinar como ele. Talvez não era assim tão confuso Edward querer que nós fôssemos para casa imediatamente. Ele a pediria a Carlisle para me verificar, assegurar-se que a minha suposição foi certa – embora não houvesse absolutamente dúvida em minha cabeça neste ponto. Provavelmente eles quereriam compreender por que estava tão grávida, com os chutes e a cutucada e todo disto. Não era normal.
 Depois que pensei nisto, estava certa que era isso. Ele deve estar tão preocupados com o bebê. Eu ainda não tinha barriga. O meu cérebro trabalhou mais devagar do que o seu – ainda estava cravada a maravilhosa imagem que ele tinha evocado antes: a criança muito pequena com olhos de Edward – verde, como o seu tinha sido quando ele era humano – deitado e lindo nos meus braços. Esperei que ele tivesse exatamente o roto de Edward, sem interferência do meu.
 Foi engraçado como repentinamente e completamente necessária esta visão tinha ficado. A partir desse primeiro pequeno toque, Tudo tinha mudado.
 Onde antes havia apenas uma coisa que eu não poderia viver sem, agora, havia dois. Não houve divisão - meu amor não foi dividido entre eles agora, não era assim. Foi mais como se meu coração tivesse crescido, inchado até duas vezes o seu tamanho, nesse momento. Tudo esse espaço extra, já preenchido. O aumento foi quase estonteante .
 Eu nunca antes realmente tinha entendido a dor de Rosalie e o ressentimento.
Eu nunca me tinha imaginado ser mãe, nunca quis isto. Tinha sido uma parte do bolo para de promessas para Edward de que não me preocupei em deixar de ter filhos, porque realmente não queria. As crianças, em resumo, nunca tinham me atraído. Eles pareceram ser criações barulhentas, muitas vezes, alguma forma de sentimentalidade exagerada. Eu nunca tive muito a ver com um irmão, eu sempre imaginei um irmão mais velho.Alguém para cuidar de mim, e não ao contrário.
 Esta criança, a criança de Edward, era uma história totalmente diferente. Eu queria-o como eu queria que o ar que respiro. Não uma escolha – uma necessidade. Talvez eu só tivesse uma imaginação realmente ruim. Talvez por isso eu era incapaz de pensar em estar casada até que eu já fosse – incapaz de ver que eu quereria um bebê até que cada um já tivesse.
 Coloquei a minha mão no meu estômago, que espera pela seguinte cutucada, as lágrimas rolaram em meu rosto novamente.
 “Bella?”
Eu girei, por desconfiar do pelo tom da sua voz. Era muito frio, muito cuidadoso. A sua cara combinou com a sua voz, vazia e dura. E logo ele viu que eu chorava.
 “Bella!” ele cruzou a sala em um flash e colocar suas mãos sobre o meu rosto "Você está sentindo dor?"
 “Não, não–”
Ele me puxou para o seu peito.
“Não tema. Estaremos em casa em dezesseis horas. Você ficará bem. O Carlisle estará pronto quando nos tornamos lá. Cuidaremos disto, e você ficará bem, você ficará bem.”
 “Cuidar disto? O que você quer dizer?”
Ele inclinou para longe e olhou mim nos olhos,
“estamos indo tirar isso antes que ele possa machucar qualquer parte de você. Não fique assustada. Eu não deixarei isso te machucar ”
 “Essa Coisa ?“ Eu respirei.
Ele olhou agudamente para longe de mim, em direção à porta da frente.
“Droga! Eu esqueci que Gustavo viria hoje. Vou me livrar dele e já voltarei.”
Ele saiu da sala.
Aperto o suporte do balcão. Os meus joelhos estavam cambaleantes. Edward acabara de chamar o meu pequeno chutador de uma coisa . Ele disse que Carlisle o tiraria.
 “Não,” sussurrei.
Eu compreendi ele mal antes. Ele não estava se preocupando com o bebê. Ele queria abortar ele. A bela imagem na minha cabeça deslocou abruptamente, modificado para algo escuro. O meu bonito choro de bebê, os débeis meus braços não bastante para protegê-lo…
 O que posso fazer? Eu seria capaz de raciocinar como eles? E se eu não conseguisse? Isso explicava o estranho silêncio de Alice no telefone? O que ela viu? Edward e Carlisle matando aquela perfeita criança pálida antes que ela conseguisse viver?
 “Não”, eu sussurrei de novo, minha voz mais forte. Isso não podia ser. Eu não permitiria.
Eu ouvi Edward falando Português novamente. Discutindo novamente. A voz dele se aproximou, e eu o ouvi rugindo de exasperação. Então eu ouvi outra voz, baixa e tímida. Uma voz de mulher.
 Ele entrou na cozinha na frente dela e veio diretamente para mim. Ele limpou as lágrimas nas minhas bochechas e murmurou no meu ouvido por entra a linha fina e dura dos seus lábios.
 “Ela está insistindo em deixar a comida que trouxe – ela fez o jantar para nós.”
 Se ele estivesse menos tenso, menos furioso, eu sei que ele teria revirado os olhos. “É uma desculpa – ela quer ter certeza que eu ainda não te matei.” A voz dele ficou fria como gelo no final.
 Kaure vagou nervosamente pelos cantos da cozinha com um prato coberto nas mãos. Eu queria saber falar Português, ou que meu Espanhol fosse menos rudimentar, para que eu pudesse tentar agradecer essa mulher que se arriscou a deixar um vampiro com raiva apenas para cuidar de mim.
 Os olhos dela se revezavam entre nós dois. Eu vi ela analisar a cor no meu rosto, a umidade nos meus olhos. Murmurando alguma coisa que eu não compreendi, ela pôs o prato no balcão.
 Edward disparou alguma resposta para ela; eu nunca o ouvi ser tão mal educado antes. Ela se virou pra ir embora, e o movimento da longa saia dela desviou o cheiro da comida no meu rosto. Era forte – cebola e peixe. Eu cambaleei e fui até a pia. Eu senti as mãos de Edward na minha testa e ouvi os murmúrios calmantes através do ruído nos meus ouvidos. As mãos dele desapareceram por um segundo, e eu ouvi a geladeira se fechar. Graças a Deus o cheiro desapareceu com o som, e as mãos de Edward estavam resfriando
 meu rosto novamente. Tudo acabou muito rapidamente.
Eu lavei minha boca na pia enquanto ele acariciava o lado do meu rosto.
Houve um pequeno movimento na minha barriga. Está tudo bem. Estamos bem, eu pensei com afeto. Edward me virou, me puxando para os seus braços.
Eu descansei minha cabeça no ombro dele. Minhas mãos instintivamente cruzadas sobre meu estômago.
 Eu ouvi um pequeno resfôlego e olhei para cima.
A mulher ainda estava lá, hesitante na porta e com as mãos meio erguidas como se ela estivesse procurando alguma forma de ajudar. Seus olhos estavam grudados em minhas mãos, saindo das órbitas de choque. A boca dela estava escancarada.
 Então Edward prendeu o fôlego também, e ele repentinamente se virou para encarar a mulher, me puxando um pouco para trás do corpo dele. Os braços dele ao redor do meu tórax, como se ele estivesse me segurando para trás.
 De repente Kaure estava gritando com ele – alto, furiosamente, suas palavras impossível de entender voando pela cozinha como facas. Ela ergueu seu pequeno punho no ar e deu dois passos para a frente, mostrando-os para ele.
 Apesar da ferocidade dela, era fácil ver o terror em seus olhos.
Edward também foi em direção a ela, e eu apertei o braço dele, assustada com a mulher. Mas quando ele interrompeu o ataque dela, a voz dele me pegou de surpresa, especialmente levando em consideração o quão ríspido ele tinha sido quando ela não estava o atacando. Ele falava baixo agora, implorando. Não apenas isso, mas o som era diferente, mais gutural, sem cadência. Eu achava que ele não estava mais falando Português.
 Por um momento, a mulher olhou para ele pensativa, e então seus olhos se estreitaram enquanto ela soltava uma longa pergunta na mesma língua alienígena.
 Eu observei enquanto o rosto dele foi ficando triste e sério, e ele balançou a cabeça uma vez. Ela deu um passo para trás e cruzou as mãos sobre si mesma. Edward foi em direção a ela, fazendo gestos em direção a mim e então repousando a mão sobre minha bochecha. Ela respondeu raivosamente de novo, balançando as mãos acusadoramente para ele, e então fazendo gestos para ele. Quando ela terminou, ele implorou para ela novamente, com o mesmo tom de voz baixo, urgente.
 A expressão dela mudou – ela o encarou com pura dúvida no rosto enquanto ele falava, os olhos dela repetidamente passando para meu rosto confuso. Ele parou de falar, e ela pareceu estar pensando em alguma coisa. Ela olhou para frente e para trás entre nós dois, e então, inconscientemente, pelo que pareceu, ela deu um passo para frente.
 Ela fez um movimento com as mãos, fazendo uma mímica que parecia ser um balão saindo de seu estômago. Eu olhei – será que as lendas dela sobre um predador bebedor de sangue podiam ser isso? Era possível que ela soubesse alguma coisa sobre o que estava crescendo dentro de mim?
 Ela deu alguns passos para a frente, deliberadamente dessa vez, e fez algumas breves perguntas, que ele respondeu de forma tensa. Então foi ele quem começou a questionar – um rápido interrogatório. Ela hesitou e então lentamente balançou a cabeça. Quando ele falou novamente, a voz dele estava tão agoniada que eu olhei pra ele chocada. O rosto dele estava afogado em dor.
 Em resposta, ela caminhou lentamente para a frente até que ela estava perto o suficiente para colocar sua pequena mão no topo da minha, sobre o meu estômago. Ela disse uma palavra em Português. “Morte”, ela suspirou baixinho. Então ela se virou, seus ombros curvados como se a conversa a tivesse envelhecido, e deixou a cozinha.
Eu sabia Espanhol suficiente para saber isso. Edward estava congelado de novo, olhando para ela com uma expressão torturada grudada no rosto. Alguns momentos depois, eu ouvi o motor do barco roncando e o som desaparecendo na distância.
Edward não se mexeu até que eu comecei a ir para o banheiro. Então as mãos dele agarraram meus ombros.
 “Onde você está indo?” A voz dele era um murmúrio de dor.
“Escovar meus dentes de novo.”
“Não se preocupe com o que ela disse. Não são nada além de lendas, mentiras velhas contadas para divertir.”
 “Eu não entendi nada” Eu disse a ele, apesar de que isso não era inteiramente verdade. Como se eu pudesse duvidar de alguma coisa só por ela ser uma lenda. Minha vida estava cercada de lendas por todos os lados. Todas elas eram verdade.
 “Eu coloquei sua escova de dentes na mala. Eu vou pegar para você.”
Ele caminhou na minha frente até o quarto.
“Estamos partindo em breve?” Eu perguntei a ele.
“Assim que você acabar.”
Ele esperou pela minha escova de dentes para colocá-la na mala novamente, vagando silenciosamente pelo quarto. Eu a entreguei a ele quando terminei.
 “Eu vou colocar as malas no barco.”
“Edward...”
Ele se virou de novo.
“Sim?”
Eu hesitei, tentando pensar em alguma forma para ficar sozinha por alguns segundos. “Você poderia... guardar um pouco de comida? Você sabe... caso eu fique com fome de novo?”
 “É claro”, ele disse, seus olhos repentinamente suaves. “Não se preocupe com nada. Na verdade, nós vamos encontrar com Carlisle dentro de algumas horas. Tudo isso estará acabado em breve.”
 Eu balancei a cabeça, sem confiar na minha voz.
Ele se virou e deixou o quarto, uma mala grande em cada mão.Eu me virei e peguei o telefone que ele tinha deixado na mesinha. Esquecer as coisas era muito incomum da parte dele – esquecer que Gustavo estava vindo, deixar o telefone aqui. Ele estava tão estressado que mal era ele mesmo.
 Eu abri o telefone e procurei no meio dos números programados na agenda.
Eu fiquei feliz por ele ter tirado o som, com medo que ele fosse me flagrar.
Estaria ele no barco agora? Ou já estaria de volta? Será que da cozinha ele conseguiria me ouvir se eu cochichasse?
 Eu encontrei o número que queria, um número para o qual eu nunca havia ligado antes na minha vida. Eu apertei o “send” e cruzei os dedos.
 “Alô?” a voz que parecia sopros de ventos dourados atendeu.
“Rosalie?” Eu murmurei. “Aqui é a Bella. Por favor. Você tem que me ajudar."

LIVRO 2: JACOB [amanhecer]
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PRÓLOGO
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A vida é chata, e aí você morre.
É, eu devo ser muito sortudo.

8. Esperando pelo início da maldita luta [amanhecer]
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"Meu Deus, Paul, você não tem casa não?"
Paul, estirado por todo o meu sofá, assistindo a algum estúpido jogo de baseball na minha maldita televisão, apenas sorriu pra mim e então – bem devagar - ele levantou um Doritos do saco ao seu lado e jogou pra dentro da boca de uma só vez.
"Melhor que você tenha trazido esses com você."
Crunch.
"Não," ele disse enquanto mastigava. "Sua irmã disse pra eu ir em frente e fazer o que eu quisesse."
Eu tentei fazer a minha voz parecer como se eu não fosse socá-lo.
"Rachel está aqui agora?"
Não funcionou. Ele percebeu onde eu estava querendo chegar e escondeu o saco atrás de suas costas. O saco fez barulho quando ele o amassou com a almofada. Os chips viraram pedacinhos. Paul fechou as mãos em punho, perto de seu rosto como um boxeador.
"Vai lá, garoto! Eu não preciso da Rachel para me defender."
Eu bufei.
"Certo. Como se você não fosse chorar atrás dela na primeira chance."
Ele gargalhou e deitou no sofá, relaxando as mãos.
"Eu não vou tagarelar para uma garota. Se você acertar um golpe de sorte, vai ficar apenas entre nós dois. E vice-versa, certo?"
Legal da parte dele me fazer um convite. Eu deixei o meu corpo cair, como se tivesse desistido.
"Certo."
Os olhos dele se voltaram pra TV.
Eu ataquei.
O nariz dele fez um barulho muito satisfatório, quando o meu punho o acertou. Ele tentou me agarrar, mas eu girei o meu copo pra fora do caminho antes que ele pudesse achar um jeito de me pegar, o saco de Doritos amassado na minha mão esquerda.
"Você quebrou meu nariz, seu idiota."
"Entre nós dois, certo, Paul?"
Eu deixei o saco de chips longe. Quando eu voltei, Paul estava colocando o seu nariz no lugar antes que ele ficasse torto. O sangramento já havia parado; parecia não ter uma fonte para o que escorria pelos seus lábios e em seu queixo. Ele reclamava, estremecendo enquanto ajeitava a cartilagem.
"Você é doloroso, Jacob. Eu juro, preferia passar o tempo com a Leah."
"Ouch. Uau, eu aposto que a Leah vai mesmo adorar saber que você quer passar um bom tempo com ela. Isso vai amansar o coração dela."
"Você vai esquecer que eu disse isso."
"Claro. Eu tenho certeza que não vou deixar isso escapar."
"Ugh," ele grunhiu, e então se jogou novamente no sofá, limpando o restante do sangue na gola da camisa. "Você é rápido, garoto. Tenho que admitir." Ele voltou sua atenção para o confuso jogo.
Eu fiquei ali por um segundo, e então fui para o meu quarto, murmurando sobre abduções alienígenas.
Voltando, você pode contar com Paul para uma briga sempre que quiser. Você não precisa bater nele - apenas um pequeno insulto resolve. Não precisa de muita coisa para tirá-lo do sério. Agora, claro, quando eu realmente queria uma boa briga com xingamentos, rasgos e árvores no chão, ele tinha que estar totalmente relaxado.
Não era ruim o suficiente que outro membro do bando tivesse tido uma impressão - porque agora eram quatro dos dez! Quando isso ia parar? Um estúpido mito que se acreditava ser raro, fazendo todo esse estardalhaço! Toda essa coisa de amor à primeira vista era revoltante!
Tinha que ser a minha irmã? Tinha que ser o Paul?
Quando Rachel voltou pra casa do estado de Washignton no fim do semestre - graduada mais cedo, nerd - meu maior medo foi que seria difícil manter segredo para ela. Eu não estava acostumado a disfarçar as coisas na minha própria casa. Isso me fez simpatizar de verdade com o Embry e o Collin, cujos pais não sabiam que eles eram lobisomens. A mãe de Embry pensou que ele estivesse passando por uma fase rebelde. Ele estava permanentemente escalado para fazer a ronda, mas, claro, não havia muito que ele pudesse fazer quanto a isso. Ela verificaria seu quarto toda noite, e toda noite ela o encontraria vazio. Ela xingaria e ele escutaria em silêncio, e então ele passaria por tudo de novo no dia seguinte. Nós tentamos falar com Sam para dar um tempo para o Embry e deixar a mãe dele saber das coisas, mas Embry disse que não se importava. O segredo era muito importante.
Então eu estava preparando para guardar o segredo. E então, dois dias depois que Rachel chegou em casa, Paul foi encontrá-la na praia, Bada bing, bada boom - amor verdadeiro! Segredos não são necessários quando você encontra sua outra metade, e todo lixo da impressão do lobisomem.
Rachel ficou sabendo de toda a história. E eu vou ter Paul como cunhado algum dia. Eu sabia que Billy não estava encantado quanto a isso, também.
Mas ele lidou com isso melhor do que eu. Claro, ele fugiu pra casa dos Clearwater mais freqüentemente que de costume esses dias. Eu não sabia onde isso podia ser melhor. Sem Paul, mas com Leah.
Eu imaginei - uma bala na minha têmpora me mataria ou apenas faria uma grande bagunça pra eu limpar?
Eu me joguei na cama. Eu estava cansado - não tinha dormido desde a minha última ronda - mas eu sabia que não ia dormir. Minha cabeça estava muito confusa. Os pensamentos giravam pelo meu crânio como um enxame de abelhas desorientado. Barulhento. De vez em quando elas picavam. Deviam ser vespas, não abelhas. Abelhas morrem depois de picarem uma vez. E os mesmos pensamentos me picavam várias e várias vezes.
A espera estava me deixando louco. Já faziam quase quatro semanas. Eu esperava, de um jeito ou de outro, que as notícias já tivessem chegado nesse momento. Eu fiquei noites imaginando como ela viria.
Charlie atendia o telefone. Bella e o marido dela perdidos num acidente.
Desastre de avião? Seria difícil de mentir. A menos que os sanguessugas não se importassem de matar um monte de curiosos para dar autenticidade ao acidente, e por que se importariam? Talvez um avião pequeno. Eles provavelmente tinham um disponível.
Ou o assassino voltaria para casa sozinho, mal sucedido na tentativa de fazê-la ser um deles? Ou nem teria ido tão longe. Talvez ele a tenha amassado como um saco de chips quando foi tentar dormir com ela? Porque a vida dela era menos importante que o prazer dele...
A história seria trágica - Bella perdida num terrível acidente. Vítima de um assalto mal sucedido. Morreu no jantar. Acidente de carro, como a minha mãe.
Muito comum. Acontece o tempo todo.
Ele a traria pra casa? Enterrando-a aqui por Charlie? Cerimônia íntima, claro.
O caixão da minha mãe ficou fechado...
Eu só podia esperar que ele voltasse aqui, ao meu alcance.
Talvez nem tivesse uma história. Talvez o Charile ligaria para o meu pai para perguntar se ele teria ouvido alguma coisa sobre o Dr. Cullen, que não apareceu no trabalho hoje. A casa abandonada. Ninguém atendendo nos telefones dos Cullen. O mistério apareceria num programa de notícias de segunda, cheio de suspeitos...
Talvez a grande casa branca seria queimada de cima a baixo, todo mundo preso lá dentro. Claro, eles precisariam de corpos para isso. Oito humanos aproximadamente do mesmo tamanho. Queimados sem poder ser reconhecidos - sem ajuda nem de arcadas dentárias.
Qualquer uma dessas seria difícil - para mim, isto é. Seria difícil encontrá-los se eles não quisessem ser encontrados. Claro, eu teria a eternidade para procurar. Se você tem a eternidade, você pode verificar cada mísera palha do palheiro, para ver se é a agulha.
Agora mesmo, eu não me importaria em desmontar um palheiro. Ao menos teria alguma coisa para fazer. Eu odeio saber que poderia estar perdendo a minha chance. Dando aos sugadores de sangue tempo para fugir. Se esse fosse o plano deles.
Poderíamos ir essa noite. Poderíamos matar todos os que encontrássemos. Eu gostava desse plano porque eu conhecia Edward bem o suficiente pra saber que, se eu matasse alguém do clã, eu teria minha chance com ele, também. Ele viria se vingar. E eu daria isso a ele - eu não deixaria meus irmãos pegarem ele. Seríamos apenas ele e eu. Que o melhor homem vença.
Mas Sam não ouviria. Nós não vamos quebrar o acordo. Deixe que eles o façam. Só porque não tínhamos provas de que os Cullen tinham feito alo errado. Ainda. Você tem que colocar o ainda, porque nós todos sabemos que era inevitável. Bella voltaria sendo uma deles, ou não voltaria. De todo jeito, uma vida humana seria perdida. E aquilo significava a caça.
No outro quarto, Paul relinchava como uma mula. Talvez ele tivesse mudadoo canal para uma comédia. Talvez o comercial fosse engraçado. Tanto faz. Aquilo estava me dando nos nervos.
Eu pensei em quebrar o nariz dele de novo. Mas não era com Paul que eu queria brigar. Não exatamente.
Eu tentei ouvir outros sons, o vento nas árvores. Não era a mesma coisa, não com os ouvidos humanos. Havia milhões de vozes no vento que eu não podia ouvir com esse corpo.
Mas esses ouvidos eram sensíveis o suficiente. Eu podia ouvir além das árvores, das estradas, os sons dos carros vindo da curva onde você finalmente pode ver a praia - a vista das ilhas e as rochas e o grande oceano azul estendendo-se até o horizonte. Os policiais de La Push gostavam de ficar bem ali. Os turistas nunca percebiam o sinal de redução do limite de velocidade do outro lado da estrada.
Eu podia ouvir as vozes do lado de fora da loja de souvenirs da praia. Eu podia ouvir o sino tocar quando a porta abria e fechava. Eu podia ouvir a mãe do Embry na caixa registradora imprimindo as contas.
Eu podia ouvir as ondas quebrando nas rochas da praia. Eu podia ouvir o grito das crianças por causa da água gelada vindo rápido demais pra eles saírem do caminho. Eu podia ouvir as mães reclamando da roupa molhada. E eu podia ouvir uma voz familiar...
Eu estava prestando tanta atenção no que ouvia que de repente a estrondosa gargalhada de asno de Paul me fez pular da cama.
"Saia da minha casa," eu resmunguei.
Sabendo que ele não prestava nenhuma atenção, eu segui meu próprio conselho. Eu abri a minha janela e passei pelo caminho de trás, de modo que eu não visse Paul novamente. Seria muito tentador. Eu sabia que bateria nele de novo, e Rachel já ficaria bastante enfurecida. Ela veria o sangue na camisa dele, e colocaria a culpa em mim sem esperar por uma prova. Claro, ela estaria certa, mas ainda assim.
Eu caminhei pela costa, mãos nos bolsos. Ninguém olhava para mim duas vezes quando eu atravessava o sujo estacionamento da First Beach. Uma coisa legal do verão - ninguém se importa se você não está usando nada além de shorts.
Eu segui a voz familiar que eu escutei e encontrei Quil facilmente. Ele estava na parte sul da praia, evitando a parte que ficava lotada de turistas. Ele mantinha constantes avisos.
"Fique longe da água, Claire. Venha. Não, não faça. Oh! Bom, garota! Sério, você quer que Emily brigue comigo? Eu não vou mais te trazer na praia se você não - ah, é? Não - ugh. Você acha isso engraçado, não é? Hah! Quem está rindo agora, hein?"
Ele pegava a criança risonha pelos tornozelos quando eu os alcancei. Ela tinha um balde em uma mão, e os jeans dela estavam ensopados. Ele tinha uma enorme marca de molhado na frente de sua camisa.
"Cinco a zero para a menininha," eu disse.
"Hey, Jake."
Claire gritou e jogou seu balde nos joelhos de Quil.
"Chão, chão!"
Ele a colocou cuidadosamente em pé e ela correu para mim. Ela prendeu seus braços na minha perna.
"Tio Jay!"
"Como vai, Claire?"
Ela riu.
"Qwil toooodo molhado agora."
"Eu estou vendo. Onde esta a sua mãe?"
"Foi, foi, foi," Claire cantou, "Claire ficou o dia toooodo com Quil. Claire nunca vai voltar pra casa." Ela me deixou e correu para o Quil. Ele a levantou e colocou-a sobre seus ombros.
"Parece que alguém atingiu os terríveis dois anos."
"Três, na verdade," Quil me corrigiu. "Você perdeu a festa. Tema de princesa.
Ela me fez colocar uma coroa, e então Emily sugeriu que ela testasse seu novo kit de maquiagem em mim."
"Uau, eu realmente sinto muito não ter estado perto pra ver isso."
"Não se preocupe, Emily tem fotos. Na verdade, eu pareço bem gostoso."
"Você é muito otário."
Quil deu de ombros.
"Claire se divertiu. Isso era o que importava."
Eu rolei os olhos. Era difícil ficar perto de pessoas que tinham tido impressão.
Não importava o estágio em que elas estivessem - prontos para dar o nó na gravata, como o Sam ou sendo babás muito exploradas, como o Quil - a paz e a certeza que radiava deles me dava ânsia de vômito.
Claire gritou nos ombros dele e apontou pro chão.
"Pegue rocha, Quil! Para mim, para mim!"
"Qual delas, criança? A vermelha?"
"Vermelha não!"
Quil ficou de joelhos - Claire gritava e puxava os cabelos dele como rédeas de cavalo.
"Essa azul?"
"Não, não, não...," a garotinha cantou, encantada com seu novo jogo.
A parte esquisita era, Quil estava se divertindo tanto quanto ela. Ele não tinha aquela cara que os turistas que eram pais ou mães tinham - a cara de quandoserá- a-hora-da-soneca?. Você nunca via um pai de verdade tão interessado em um joguinho infantil que suas crianças pudessem pensar. Eu vi Quil brinca por uma hora direto sem ficar entediado.
E eu não podia sequer zoar a cara dele por isso - eu o muito invejava por isso.
Embora eu achasse um saco ele ter mais quatorze bons anos de eu-sou-bobo pela frente até que Claire tivesse a idade dele - para Quil, pelo menos, era uma coisa boa que lobisomens não envelhecessem. Mas todo aquele tempo não parecia aborrecê-lo muito.
"Quil, você já pensou em namorar?" Eu perguntei.
"Hã?"
"Não, amarelo não!" Claire reclamou.
"Você sabe. Uma garota de verdade. Digo, só por agora, certo? Não suas noites de folga do serviço de babá."
Quil olhava pra mim, de boca berta.
"Pega pedra! Pega pedra!" Claire gritava quando ele não oferecia a ela outra escolha. Ela bateu na cabeça dele com seu pequeno punho.
"Desculpe, Claire-ursinha. O que você acha dessa linda roxa?"
"Não," ela suspirou. "Roxo não."
"Me dê uma idéia. Eu imploro, criança."
Claire pensou.
"Verde," ela finalmente disse.
Quil olhou pras rochas, estudando-as. Ele pegou quatro pedras de diferentes tons de verde, e ofereceu-as a ela.
"Consegui?"
"YAY!"
"Qual delas?"
“Tooodas elas!"
Ela abriu as mãos e ele colocou as pequenas pedras nelas. Ela gargalhou e imediatamente jogou as pedras na cabeça dele. Ele fingiu ficar zonzo e ficou em pé e andou em direção ao estacionamento. Provavelmente preocupado que ela se resfriasse com as roupas molhadas. Ele era pior que qualquer mãe paranóica e super-protetora.
"Desculpa se eu estava sendo insistente, cara, sobre a coisa da garota," eu disse.
"Não, está tudo bem," Quil disse. "Isso meio que me pegou de surpresa. Eu não tinha pensado sobre isso."
"Eu aposto que ela entenderia. Você sabe, quando ela tiver crescido. Ela não ficaria brava que você tenha uma vida enquanto ela está nas fraldas."
"Não, eu sei. Eu tenho certeza que ela entenderia."
Ele não disse mais nada.
"Mas você não vai fazer isso, não é?" Eu pensei.
"Eu não vejo isso," ele disse com a voz baixa. "Eu não posso imaginar. Eu apenas não... vejo ninguém desse jeito. Eu não reparo nas garotas mais, você sabe. Eu não vejo o rosto delas."
"Coloque a tiara e maquiagem, e talvez Claire vai ter um diferente tipo de competição para se preocupar."
Quil riu e fez barulhos de beijo para mim.
"Você está disponível essa sexta, Jacob?"
"Bem que você gostaria," eu disse, e então eu fiz uma careta. "É, acho que sim."
Ele hesitou um segundo e então disse,
"Você pensa sobre namorar?"
Eu suspirei. Acho que eu tinha feito a deixa para quilo.
"Você sabe, Jake, talvez você devesse pensar em ter uma vida."
Ele não disse aquilo como piada. A voz dele estava compreensiva. O que fez aquilo ser pior.
"Eu não as vejo também, Quil. Eu não vejo seus rostos."
Quil suspirou também.
Longe dali, baixo demais pra que qualquer pessoa ouvisse, exceto nós, ao invés das ondas, um uivo surgiu da floresta.
"Merda, é o Sam," Quil disse. As mãos dele suas mãos voaram para tocar Claire, como que para se certificar que ela ainda estava ali. "Eu não sei onde a mãe dela está!"
"Eu vou ver o que é. Se precisarmos de você, eu aviso." Eu corri com as palavras. Elas saíram todas emboladas. "Hey, por que você não a leva para casa dos Clearwater? Sue e Billy podem ficar de olho nela se for preciso. Eles devem saber o que está acontecendo, de qualquer maneira."
"Okay, saia daqui, Jake!"

Saí correndo, não pelo caminho cheio de ervas daninhas, mas no caminho mais curto em direção à floresta. Eu ultrapassei a primeira parte da ponte e então passei pelas roseiras, ainda correndo. Eu senti algumas lágrimas quando os espinhos cortaram a minha pele, mas as ignorei. As picadas delas seriam curadas antes que eu alcançasse as árvores.
Eu virei atrás da loja e voei pela rodovia. Alguém buzinou para mim. Uma vez a salvo nas árvores, eu corri mais rápido, dando grandes passadas. As pessoas ficariam pasmas se me vissem. Pessoas normais não podem correr tanto assim.
Algumas vezes eu pensei que seria divertido entrar numa corrida - você sabe, nas Olimpíadas ou algo do tipo. Seria engraçado ver a cara dos atletas quando eu passasse por eles. Eu tinha certeza absoluta que no teste que eles fazem pra se certificar que você não usa esteróides, eles provavelmente encontrariam alguma coisa estranha no meu sangue.
Assim que eu cheguei de verdade na floresta, sem estar cercado por estradas ou casas, eu tive que parar para tirar as minhas roupas. Com rapidez e movimentos treinados, eu as enrolei e amarrei com uma corda em torno do meu tornozelo. Enquanto eu dava o último nó, eu comecei a me transformar.
O fogo percorreu minha espinha, fazendo grandes espasmos pelos meus braços e pernas. Isso durou apenas um segundo. O calor me inundou, e eu senti pelo silêncio que eu era algo mais. Eu joguei minhas pesadas patas contra a terra e estiquei as minhas costas.
Me transformar era muito fácil quando eu estava concentrado daquele jeito.
Eu não tinha problemas com meu temperamento mais. Exceto quando ele entrava no caminho.
Por meio segundo, eu lembrei do terrível momento daquela piada de casamento. Eu estava tão tomado pela fúria que eu não conseguia fazer meu corpo funcionar direito. Eu estava preso, balançando e queimando, incapaz de fazer a transformação e matar o monstro que estava a alguns passos de mim.
Foi muito confuso. Morrendo de vontade de matá-lo. Com medo de machucála.
Meus amigos no caminho. E então, quando eu estava finalmente pronto pra tomar a forma que eu queria, a ordem do meu líder. A ordem do Alpha. Se fossem apenas Quil e Embry ali naquela noite, sem Sam... Eu seria capaz de matar o assassino, então?
Eu odeio quando Sam impõe a lei desse jeito. Eu odeio o sentimento de não ter escolha. De ter que obedecer.
E então eu tinha consciência da platéia. Eu não estava sozinho nos meus pensamentos.
“Tão absorvido consigo mesmo”, pensamento da Leah.
“É, sem hipocrisia aqui, Leah”, pensei em resposta.
“Posso, caras”, Sam nos disse.
Nós ficamos em silêncio, e sentimos a reação de Leah pela palavra caras.
Tocante, como sempre.
Sam fingiu não perceber. “Onde estão Quil e Jared?”
“Quil estava com Claire. Ele a está levando para os Clearwater.”
“Bom. Sue vai ficar com ela.”
“Jared estava indo pra casa da Kim”, Embry pensou. “Há chances dele não ter te ouvido.”
Havia um resmungo baixo no bando. Eu resmuguei junto. Quando Jared finalmente apareceu, sem dúvida ele ainda estava pensando em Kim. E ninguém queria saber o que eles estavam fazendo.
Sam sentou-se sobre suas patas e deu outro uivo. Era um sinal e uma ordem ao mesmo tempo.
O bando estava reunido a alguns quilômetros a leste de onde eu estava. Eu girei na floresta em direção a eles. Leah, Embry e Paul estavam indo em direção a eles também. Leah estava perto - logo eu conseguiria ouvir os passos dela não muito longe das árvores. Continuamos em linha paralela, escolhendo não correr juntos.
“Bem, não esperaremos por ele o dia todo. Ele vai ter que saber depois.”
“O que foi, chefe?” Paul queria saber. Eu senti os pensamentos de Sam voltados para mim - e não apenas os de Sam, mas os de Seth, Collin e Brady também.
Collin e Brady - os garotos novos - estavam rondando com Sam hoje, então eles deviam saber tudo o que Sam sabia. Eu não sabia por que Seth já estava aqui, e consciente. Não era a vez dele.
“Seth, diga a eles o que você ouviu.”
Eu acelerei, querendo estar lá. Eu ouvi Leah se mover mais rápido, também. Ela odiava ficar para trás. Ser a mais veloz era a única coisa que ela reivindicava.
“Reclame disso, estúpido”, ela assobiou, e então ela realmente acelerou. Eu afundei minhas garras no chão e me apressei.
Sam não parecia animado a tolerar nossa competição.
“Jake, Leah, dêem um tempo.”
Nenhum de nós desacelerou.
Sam grunhiu, mas deixou para lá. “Seth?”
“Charlie ligou para todo mundo até que encontrou Billy na minha casa.”
“É, eu falei com ele”, Paul completou.
Eu senti um solavanco quando Seth pensou no nome de Charlie. Era isso. A espera tinha acabado. Eu corri mais rápido, me forçando a respirar, embora meus pulmões parecessem paralisados.
“Qual história seria?”
“Então, ele está abalado. Acho que Edward e Bella voltaram para casa semana passada, e...”
Meu peito relaxou. Ela estava viva. Ou ela não estava morta, pelo menos.
Eu não percebia o quão diferente aquilo seria pra mim. Eu pensei nela morta o tempo todo, e eu via isso apenas agora. Eu vi que eu nunca acreditei que ele a traria de volta com vida. Isso não importava, porque eu sabia o que estava por vir.
“É, cara, e aqui estão as más notícias. Charlie falou com ela, disse que ela parecia mal. Ela disse para ele que está doente. Carlisle pegou o telefone e disse que Bella pegou uma doença rara na América do Sul. Disse que ela está de quarentena. Charlie está ficando louco, porque nem mesmo ele tem permissão de vê-la. Ele disse que não se importa em ficar doente, mas Carlisle não concordaria. Sem visitas. Disse a Charlie que era muito sério, mas que ele estava fazendo tudo que podia. Charlie soube disso há alguns dias, mas ele só ligou pra Billy agora. Ele disse que ela parecia pior hoje.”
O silêncio mental quando Seth acabou foi profundo. Nós todos entendemos.
Então ela morreria dessa doença, assim que Charlie saberia. Eles o deixariam ver o corpo? O pálido, perfeitamente congelado, e branco corpo? Eles o deixariam tocar a pele gélida - ele notaria quão dura ela estaria a esse ponto.
Eles teriam que esperar até que ela pudesse se controlar, pudesse agüentar pra não matar Charlie e os outros. Quanto tempo levaria? Eles a enterrariam? Ela se desenterraria sozinha ou os sugadores de sangue viriam ajudá-la?
Os outros ouviam minhas especulações em silêncio. Eu pensava muito mais sobre isso do que qualquer um deles.
Leah e eu entramos na clareira mais ou menos ao mesmo tempo. Ela estava certa que tinha entrado primeiro. Ela se sentou sobre suas patas ao lado de seu irmão enquanto eu marchava em para ficar ao lado da mão direita de Sam. Paul circulou e me deixou ficar em meu lugar.
“Ganhei de novo, Leah pensou”, mas eu mal pude ouví-la. Eu imaginei porque eu era o único que ainda estava de pé. Meu pêlo dos ombros se levantou, mostrando a minha impaciência.
“Bem, o que nós estamos esperando?” Eu perguntei. Ninguém disse nada, mas eu senti a hesitação deles. “Oh, vamos! O acordo está quebrado!”
“Nós não temos prova - talvez ela esteja doente...”
“AH, POR FAVOR!”
“Okey, as evidências são fortes. Mas... Jacob” O pensamento de Sam era lento, hesitante. “Você tem certeza de que isso é o que você quer? De que é a coisa certa? Nós todos sabemos o que ela queria.”
“O acordo não fala nada da preferência da vítima, Sam!”
“Será que ela é mesmo uma vítima? Você a considera mesmo dessa forma?”
“Sim!”
“Jake”, Seth pensou, “eles não são nossos inimigos.”
“Cala a boca, menino! Só porque você tem uma adoração por aquele sugador de sangue, isso não muda a lei. Eles são nossos inimigos. Eles estão no nosso território. Nós os tiramos daqui. Eu não me importo se nós lutamos ao lado de Edward Cullen alguma vez na vida.”
“Então, o que você vai fazer quando Bella lutar ao lado deles, Jacob? Hein?” Seth perguntou.
“Ela não é mais a Bella.”
“Você a mataria?”
Eu não pude evitar de me arrepiar.
“Não, você não faria. Então, o que? Você vai querer algum de nós faça? Então você culparia algum de nós por isso para sempre?”
“Eu não faria...”
O instinto me tomou e eu me agachei, rosnando para o lobo cor de areia do outro lado do círculo.
“Jacob!” Sam chamou a atenção. “Seth, cale-se por um instante.”
Seth concordou com sua cabeça grande.
“Merda, o que foi que eu perdi?” Pensamento do Quil. Ele estava correndo para o local da reunião a todo o gás. “Ouvi sobre a ligação do Charlie...”
“Nós estamos nos aprontando para ir”, eu disse a ele. “Por que você não passa na Kim e pega o Jared com seus dentes? Vamos precisar de todo mundo.”
“Venha diretamente para cá, Quil”. Sam ordenou. “Nós não decidimos nada ainda.”
Eu grunhi.
“Jacob, eu tenho que pensar no que é melhor para esse bando. Eu tenho que pensar no jeito que melhor protege todos vocês. Os tempos mudaram desde que nossos ancestrais fizeram aquele acordo. Eu... bem, eu honestamente não creio que os Cullen sejam um perigo para gente. E nós sabemos que eles não vão ficar aqui por muito mais tempo. Certamente, uma vez que eles tenham contado a história deles, eles vão sumir. Nossas vidas poderão voltar ao normal.”
“Normal?”
“Se nós os desafiarmos, Jacob, eles vão se defender.”
“Você está com medo?”
“Você está pronto para perder um irmão?” Ele fez uma pausa. “Ou uma irmã?” Ele disse depois de pensar um pouco.
“Eu não estou com medo de morrer.”
“Eu sei disso, Jacob. Esta é uma razão pela qual eu questiono a sua opinião.”
Eu olhei em seus negros olhos. “Você pretende honrar o acordo dos nossos pais ou não?”
“Eu honro o meu bando. Eu faço o que é melhor pra eles.”
“Covarde.”

9. Certo como o inferno não sabia daquela chegada [amanhecer]
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Eu realmente não pretendia dizer adeus para o meu pai.
Depois de tudo, uma ligação para Sam e a caça estaria ponta. Eles me interceptariam e me trariam de volta. Provavelmente tentariam me deixar nervoso, ou mesmo me machucar - de alguma forma me forçar a ouvir Sam ditar uma nova ordem.
 Mas Billy estava me esperando, sabendo que eu estaria meio atordoado. Ele estava no jardim, apenas sentado em sua cadeira de rodas e seus olhos exatamente no ponto onde eu apareceria através das árvores. Eu o vi olhando na minha direção - diretamente da casa pra minha garagem.
 "Tem um minuto, Jake?"
Eu parei por um instante. Olhei pra ele diretamente da garagem.
"Venha, garoto. Ao menos me ajude a entrar em casa."
Eu rangi dentes, mas decidi que era melhor não causar problemas para o Sam se eu não mentisse para ele por alguns minutos.
 "Desde de quando você precisa de ajuda, velho?"
Ele riu aquela sua risada estrondosa.
"Meus braços estão cansados. Eu me empurrei por todo o caminho da casa de Sue."
"É uma decida. Você deslizou o tempo todo."
Eu girei a cadeira dele para cima da pequena rampa que eu fiz pra ele na sala de estar.
 "Me pegou. Acho que ultrapassei os sessenta quilômetros por hora. Foi bom."
"Você ainda vai quebrar essa cadeira, você sabe. E aí você vai ter que se carregar pelos cotovelos."
 "Nem vem. O trabalho de me carregar será todo seu."
"Você não irá a muitos lugares."
Billy colocou suas mãos nas rodas e se dirigiu à geladeira.
"Ainda tem alguma coisa para comer?"
"Me pegou. Paul ficou aqui o dia todo, então, provavelmente não."
Billy suspirou.
"Tenho que começar a esconder as coisas se não quisermos morrer de fome."
"Diga a Rachel para ir para casa dele."
O tom de piada do Billy se desfez, e seus olhos ficaram mais ternos.
"Nós a temos em casa por apenas alguns meses. É a primeira vez que ela fica por tanto tempo. É difícil - as garotas eram mais velhas que você quando a sua mãe morreu. Elas tem maiores problemas para ficar nessa casa."
 "Eu sei."
Rebecca não vinha em casa desde que se casou, mas ela tinha uma desculpa.
As passagens de avião do Havaí eram bem caras. Washington era bem perto então Rachel não tinha a mesma desculpa. Ela pegava turmas direto no semestre de verão, trabalhando turnos dobrados em algum café no campus. Se não fosse o Paul, ela provavelmente já teria voltado há algum tempo. Talvez fosse por isso que Billy ainda não o havia expulsado.
 "Bem, eu vou trabalhar em algumas coisas..." Eu fui para a porta de trás.
"Espere, Jake. Você não vai me dizer o que aconteceu? Ou eu vou ter que ligar para o Sam para saber?"
 Eu fiquei de costas pra ele, escondendo minha cara.
"Não aconteceu nada. Sam está dando a eles uma chance. Acho que agora somos adoradores de sanguessuga."
 "Jake..."
"Eu não quero falar sobre isso."
"Você está partindo, filho?"
O cômodo ficou quieto por um longo tempo enquanto eu decidia como eu iria dizer aquilo.
 "Rachel pode ficar com o quarto dela de volta. Eu sei que ela odeia o colchão de ar."
 "Ela preferiria dormir no chão a perder você. Eu também."
Eu bufei.
"Jacob, por favor. Se você precisa... de um tempo. Bem, tire um tempo. Mas não por tanto tempo de novo. Volte."
 "Talvez. Talvez eu venha para os casamentos. Venha para o do Sam, depois, o da Rachel. Jared e Kim devem vir logo depois. Provavelmente eu devesse ter um terno ou algo do tipo."
 "Jake, olhe pra mim."
Eu me virei lentamente.
"O que?"
Ele olhou nos meus olhos por um longo minuto.
"Para onde você está indo?"
"Eu não tenho um lugar específico em mente."
Ele virou a cabeça para o lado, olhos marejados.
"Não tem?"
Nós nos olhamos. Os segundos passaram.
"Jacob," ele disse. Sua voz estava forte. "Jacob, não. Não vale a pena."
"Não sei do que você está falando."
"Deixa a Bella e os Cullen. Sam está certo."
Eu olhei para ele por um instante, e então cruzei os cômodo em duas passadas largas.
 Peguei o telefone e desconectei o cabo do fone e do gancho. Peguei o fio cinza.
 "Adeus, pai."
"Jake, espere -," ele me chamou, mas eu já tinha saído pela porta, correndo.
A moto não era tão rápida quanto a minha corrida, mas era mais discreta. Eu pensei quanto tempo levaria até que Billy conseguisse chegar à loja e então ligar para alguém que pudesse dar o recado a Sam. O problema seria se Paul voltasse para casa mais cedo. Ele poderia transformar-se em um segundo e avisar Sam sobre o que eu estava fazendo...
 Eu não ia me preocupar com isso. Eu iria o mais rápido que pudesse, se eles me alcançassem, eu faia o que devia ser feito.
 Eu liguei a moto e então estava descendo pelo terreno lamacento. Eu não olhei para trás quando passei pela casa.
 A rodovia estava cheia de turistas; eu costurei pelos carros, ganhando um monte de buzinadas e dedos. Fiz o contorno na 101 no quilômetro 110, sem olhar. Eu tive andar na linha por um minuto para evitar que uma minivan me pegasse. Não que aquilo me mataria, mas me deixaria mais lento. Quebraria ossos - os maiores, pelo menos - levariam dias para colar completamente, eu tinha experiência própria.
 O caminho foi liberado um pouco, e então eu coloquei a moto a mais de 120.
Eu não toquei nos freios até que eu estivesse perto o suficiente; eu percebi que estava na clareira então. Sam não viria tão longe para me impedir. Era tarde demais.

Não, não estava até aquele momento - quando eu estava certo que eu fiz – que eu comecei a pensar no que eu estava prestes a fazer agora. E diminuí pra quase 40, fazendo as curvas mais cuidadosamente que o necessário. Eu sabia que eles me ouviriam chegar, com ou sem moto, então, sem surpresas. Não havia como desviar a atenção. Edward ouviria o meu plano assim que eu estivesse perto o suficiente. Talvez ele já até pudesse ouvir. Eu ainda achava que iria funcionar, porque eu tinha o ego dele ao meu lado. Ele iria querer lutar comigo sozinho. Então, eu apenas entrei, veria a preciosa evidência de Sam eu mesmo, e então desafiaria Edward para um duelo.
 Eu bufei. O parasita provavelmente dispensaria as teatralidades.
Quando eu tivesse acabado com ele, eu pegaria quantos deles eu conseguisse antes deles me pegarem. Hum - eu imaginei se Sam consideraria minha morte uma provocação. Provavelmente diria que eu tive o que mereci. Eles não iriam ofender os melhores amigos de infância sanguessugas.

A estrada abriu uma clareira, e o cheiro me atingiu como uma tomatada na cara. Ugh. Vampiros fedorentos. Meu estômago começou a embrulhar. O fedor ficaria pior dali em diante - exceto pelo cheiro dos humanos que deviam ser de outra vez que eu fui ali - embora não pior que o cheio para o meu nariz de lobo.
 Eu não tinha certeza do que esperar, mas não havia sinais de vida pela grande cripta branca. Claro que eles sabiam que eu estava ali. Eu desliguei a moto e ouvi o silêncio. Agora eu podia ouvir a tensão, murmúrios raivosos do outro lado da porta. Tinha alguém em casa. Eu ouvi o meu nome e sorri, feliz por estar causando algum estresse.
 Respirei fundo - isso seria pior de fazer lá dentro - e subi as escadas da frente com um passo só.
A porta se abriu antes mesmo que eu a tocasse, e o doutor apareceu, seus olhos mórbidos.
 "Oi, Jacob," ele disse, mais calmo que o esperado. "Como vai você?"
Eu respirei fundo de novo, pela boca. O fedor que saía pela porta era muito forte.
 Eu estava desapontado que fosse o Carlisle que tivesse atendido. Eu preferia que Edward tivesse vindo atender a porta, bufando. Carlisle era muito...humano ou algo assim. Talvez fossem os atendimentos em casa que ele fez na primavera passada quando eu estava destroçado. Mas foi desconfortável olhar pra ele e ver que eu pretendia matá-lo se pudesse.
 "Eu ouvi que Bella voltou para casa viva," eu disse.
"Er, Jacob, não é realmente uma boa hora." O doutor pareceu desconfortável, também, mas não do jeito que eu esperava que ele estivesse. "Poderia ser outra hora?"
 Eu olhei para ele confuso. Ele estava me pedindo para adiar a luta final para um momento mais propício?
 E então, eu ouvi a voz de Bella, quebrada e fraca, e eu não podia pensar em mais nada.
 "Por que não?" ela perguntava alguma coisa. "Vocês estão mantendo segredo para o Jacob também? O que importa?"
 A voz dela não estava como eu esperava. Eu tentava me lembrar da voz dos vampiros mais jovens contra quem lutamos na primavera passada, mas tudo o que eu registrei foram grunhidos.
 Talvez os recém-nascidos não tivessem a profundidade, a melodia dos mais velhos, também. Talvez todos os novos vampiros fossem roucos.
 "Entre, por favor, Jacob," Bella disse mais alto.
Os olhos de Carlisle se apertaram.
Eu imaginei se Bella estava com sede. Meus olhos se estreitaram, também.
"Com licença," eu disse para o doutor enquanto entrava. Foi difícil - era contra todos os meus instintos dar as costas pra algum deles. Mas não impossível. Se havia algum vampiro gentil, era o estranho líder deles.
 Eu ficaria longe do Carlisle quando a luta começasse. Havia bastante deles pra matar antes dele.
 Eu entrei na casa, mantendo minhas costas para a parede. Meus olhos percorreram a sala - não me era familiar. A última vez que eu estive ali, estava tudo pronto para uma festa. Tudo estava claro e pálido agora. Incluindo os seis vampiros agrupados no sofá.
 Eles estavam todos ali, todos juntos, mas não foi aquilo que me fez congelar onde eu estava.
 Era Edward. Era a expressão que ele carregava.
Eu o havia visto com raiva, e o havia visto sendo arrogante, e uma vez o vi sofrer. Mas isso - era além da agonia. Os olhos dele estavam meio lerdos. Ele não olhou para cima para me ver. Ele olhou pra almofada ao seu lado como se alguém o tivesse tacado fogo nele. Suas mãos eram como garras ao seu lado.
 Eu não podia sequer gostar de sua angústia. Eu só podia pensar em uma coisa que poderia fazê-lo ficar daquele jeito e meus olhos seguiram os dele.
 Eu a vi no mesmo instante que senti o seu cheiro.
Seu doce, quente e humano cheiro.
Bella estava meio escondida pelo braço do sofá, em uma posição fetal, seus braços ao redor de seus joelhos. Por um longo instante eu não pude ver nada além da Bella que eu amava, sua pela ainda macia, cor de pêssego, seus olhos ainda eram cor de chocolate. Meu coração pulsou numa estranha, quebrada batida, e eu pensei se estava sonhando e estava prestes a acordar.
 Então, eu realmente a vi.
Havia profundos círculos roxos abaixo dos olhos dela, que se destacavam pelo seu rosto fundo. Ela teria emagrecido? Sua pele parecia mais esticada – como se seus ossos fossem rasgá-la, a maior parte do cabelo dela estava presa em um nó, mas algumas mechas escorriam pela sua testa e pescoço, para o resplendoroso suor que cobria sua pele. Havia um quê de fragilidade em seus pulsos e dedos que era assustador.
 Ela estava doente. Muito doente.
Não era mentira. A história que Charlie disse a Billy não era apenas uma história. Enquanto eu olhava, olhos esbugalhados, sua pele ficou meio esverdeada.
 A sanguessuga loira - a mais apreciada, Rosalie - estava ao lado dela, atrapalhando a minha visão, ficando de um estranho jeito protetor.
Isso estava errado. Eu sabia como Bella se sentia sobre quase tudo – seus pensamentos eram muito óbvios; algumas vezes era como se tivesse escrito em sua testa. Então ela nem precisava me dizer os detalhes para eu saber. Eu sabia que Bella não gostava de Rosalie. Eu podia ver em seus lábios quando ela falava dela. Não era como se ela não gostasse dela. Ela tem medo da Rosalie. Ou tinha.
 Não havia medo no olhar que Bella lançou pra ela. A expressão dela era de súplica... ou algo assim. Então Rosalie pegou uma bacia do chão e colocou embaixo do queixo de Bella bem a tempo dela vomitar lá dentro. Edward ficou de joelhos ao lado de Bella - os olhos dele pareciam de um torturado – e Rosalie segurou a mão dela, alertando-o para ficar longe. Nada fazia sentido.

Quando ela pôde levantar a cabeça, Bella sorriu fraca pra mim, meio constrangida. "Desculpe por isso," ela sussurrou para mim. Edward grunhiu quieto. A cabeça dele encostou nos joelhos de Bella, e ela colocou uma das mãos em sua bochecha. Como se estivesse confortando ele.
 Eu não sei como minhas pernas me levaram para mais perto, até que Rosalie bufou para mim, de repente aparecendo entre o sofá e eu. Ela era como uma pessoa numa tela de TV. Eu não me importava de ela estar ali. Ela não parecia real.
 “Rose, não," Bella sussurrou."Está tudo bem."
A loira saiu da minha frente, embora eu soubesse que ela detestou fazer isso.
Fazendo cara feia para mim, ela agachou-se perto de Bella, pronta para pular.
Ela era mais fácil de se ignorar do que eu tinha imaginado.
"Bella, o que eu há de errado?" Eu sussurrei. Sem pensar, eu me vi de joelhos também, caindo sobre o sofá preto em frente ao... marido dela. Ele pareceu não me ver, e eu mal olhei para ele. Eu alcancei sua mão livre, segurando com as minhas duas. A pele dela estava gélida. "Você está bem?"
 Pergunta estúpida. Ela nem respondeu.
"Eu estou feliz que você tenha vindo me ver hoje, Jacob," ela disse.
Embora eu soubesse que Edward não podia ouvir os pensamentos dela, parecia que ele tinha entendido alguma coisa que eu não tinha. Ele gemeu de novo, no cobertor que a cobria, e ela acariciou sua bochecha.
 "O que é isso, Bella?" Eu insisti, segurando firme suas frágeis mãos. Ao invés de responder, ela olhou pelo cômodo como se estivesse procurando alguma coisa; em seu olhar, insegurança e certeza. Seis pares de olhos ansiosos olharam para ela. Ela finalmente disse pra Rosalie.
 "Me ajude a levantar, Rose?" Ela pediu.
Rosalie mordeu os lábios, e ela olhou para mim como se quisesse cortar a minha garganta. Eu tinha certeza que era exatamente isso que ela queria.
 "Por favor, Rose."
A loira fez uma cara, mas foi até ela de novo, perto de Edward, que não se moveu sequer uma polegada. Ela pôs os braços cuidadosamente embaixo dos ombros de Bella.
 "Não," eu sussurrei. "Não se levante..." Ela parecia muito fraca.
"Estou respondendo à sua pergunta," ela retrucou, soando mais próximo ao jeito que ela costumava falar comigo.
 Rosalie tirou Bella do sofá. Edward ficou onde ele estava, escorregando até que seu rosto caísse nas almofadas. O cobertor caiu aos pés de Bella.
 O corpo de Bella estava inchado, seu tronco estava de um estranho jeito, parecendo um balão. Estava marcando a blusa cinza que ela vestia, que era grande demais para os seus ombros e braços. O restante dela parecia mais magro, como se um grande volume tivesse sido sugado do restante do corpo.
 Levou um tempo até que eu percebe-se qual parte estava deformada - eu não entendi até que ela colocou as mãos ternamente sobre o seu estômago inchado, uma em cima e uma embaixo. Como se ela estivesse aninhando aquilo.
 Eu vi aquilo, mas eu ainda não conseguia acreditar. Eu a vi a menos de um mês atrás.
Não havia como ela estar grávida. Não daquele jeito. A menos que ela estivesse.
Eu não queria ver aquilo, não queria pensar naquilo. Eu não queria pensar nele dentro dela. Eu não queria saber que algo que eu odiava tanto tinha violado o corpo que eu amava. Meu estômago revirou, e eu tive que engolir o vômito.
 Mas pior que aquilo, muito pior. O corpo deformado dela, os ossos pressionando a pele do rosto dela, eu só podia imaginar que ela parecia daquele jeito - tão grávida, tão doente - porque o que quer que estivesse dentro dela, ele estava sugando a vida dela pra alimentar a si próprio...
 Porque aquilo era um monstro. Como o pai.
Eu sempre soube que ele a mataria.
A cabeça dele levantou-se quando ele ouviu as palavras dentro da minha. Um segundo e estávamos ambos de joelhos, e então ele estava de pé, altivo pra cima de mim. Os olhos dele estavam bem negros, os círculos em torno deles bem escuros.
 "Lá fora, Jacob," ele rosnou.
Eu me levantei também. Olhando de cima para ele agora. Era pra isso que eu estava ali.
 "Vamos fazer isso," eu concordei.
O maior, Emmett, empurrou Edward para o outro lado, junto com o esfomeado, Jasper, logo atrás dele. Eu realmente não me importava. Talvez o meu bando limpasse a sujeira depois que eles tivessem acabado comigo. Talvez não. Não importava.
 Por um décimo de segundo, meus olhos viram as duas figuras que estão atrás.
Esme. Alice. Mulheres pequenas e que distraíam. Bem, eu estava certo que os outros me matariam depois que eu tivesse resolvido. Eu não queria matar garotas... Mesmo garotas vampiras.
 Embora eu pudesse abrir uma exceção para a loira.
"Não," Bella disse, e ela se moveu, desequilibrando-se e caindo nos braços de Edward. Rosalie se moveu com ela, como se tivesse uma corrente prendendo uma à outra.
 "Eu só preciso falar com ele, Bella," Edward disse com a voz baixa, falando apenas com ela. Ele esticou-se para tocar seu rosto, para acariciá-lo. Isso fez o cômodo ficar vermelho, me fez pegar fogo - aquilo, depois de tudo o que ele tinha feito pra ela, ele ainda podia tocá-la daquele jeito. "Não se desgaste," ele suplicava. "Por favor, descanse. Nós estaremos de volta em alguns minutos."
 Ela olhou para ele, cuidadosamente. Então ela concordou e sentou-se novamente no sofá. Rosalie ajudou-a a se ajeitar nas almofadas. Bella olhou para mim, tentando encontrar meus olhos.
 "Comportem-se," ela insistiu. "E então, voltem."
Eu não respondi. Eu não faria promessas hoje. E desviei o olhar e então segui Edward pela porta da frente.
 Uma vozinha dentro da minha cabeça percebeu que não foi difícil tirá-lo de perto do clã, não é mesmo?
 Ele continuou andando, nunca olhando se eu estava prestes a atacar sua retaguarda desprotegida. Eu supus que ele não precisava olhar. Ele saberia se eu decidisse atacar. O que significava que eu teria que tomar a decisão bem rápido.
 "Eu não estou pronto para que você me mate, Jacob Black," ele sussurrou assim que nós estávamos longe o suficiente da casa. "Você vai ter que ser um pouco paciente."
 Como se eu me importasse com a agenda dele. Eu respirei fundo, confiante.
"Paciência é a minha especialidade."
Ele continuou andando, por mais alguns metros para longe da casa, comigo bem nos calcanhares dele. Eu estava todo quente, meus dedos queimando. No ponto, prontos e esperando.
Ele parou sem avisar e virou o rosto pra mim. A expressão dele me congelou de novo.
 Por um segundo, eu era um garoto - um garoto que viveu toda a sua vida numa cidade pequena. Só um garoto. Porque eu sabia que eu teria que viver muito mais, sofrer muito mais, para poder ao menos entender o sofrimento e a agonia nos olhos de Edward.
 Ele levantou a mão como se fosse secar o suor de sua testa, mas seus dedos passaram pelo seu rosto como se fossem rasgar sua pele de granizo. Os seus olhos negros queimaram em suas órbitas, fora de foco, ou vendo coisas que não estavam ali. A boca dele abriu como se ele fosse gritar, mas nada saiu.
 Era como encarar um homem que seria queimado vivo.
Por um momento, eu não podia falar. Era muito real, aquele rosto - eu tinha visto uma sombra daquilo na casa, visto nos olhos dela, e nos dele, mas era o final. O último prego do caixão dela.
 "Aquilo a está matando, não é? Ela está morrendo."
E eu sabia quando eu disse que meu rosto era um reflexo do dele. Mais fraco, diferente, porque eu ainda estava em choque. Eu ainda não tinha colocado a minha cabeça no lugar tinha sido muito rápido. Ele teve tempo para digerir tudo. E era diferente porque eu já a havia perdido muitas vezes, de vários modos, na minha cabeça.
 E diferente porque ela nunca foi minha, de verdade.
E diferente porque não era minha culpa.
"Minha culpa,"Edward sussurrou, e seus joelhos cederam. Ele se ajoelhou na minha frente, vulnerável, o alvo mais fácil que eu poderia imaginar.
 Mas eu parecia frio como a neve - não havia fogo em mim.
"Sim," ele gemeu para terra, como se estivesse confessando para ela. "Sim, aquilo a está matando."
 Seu desamparo estava me irritando. Eu queria uma briga, não uma execução.
Onde estava toda a presunção de superioridade dele agora?
"Então por que Carlisle não fez alguma coisa?" Eu rosnei. "Ele é médico, não?
Tire isso dela."
Ele olhou para cima e então me disse com uma voz cansada. Como se estivesse explicando para uma criança, pela décima vez.
"Ela não vai deixar."
Levou um minuto para as palavras descerem. Deus, ela estava mesmo disposta a isso. Claro, morrer por um monstrinho. Isso era bem Bella.
 "Você a conhece melhor," ele sussurrou. "Quão rápido você acha... eu não vejo. Não em tempo. Ela não falou comigo no caminho para casa, não. Eu achei que ela estivesse com medo - seria o natural. Eu pensei que ela estivesse com raiva de mim por tê-la sujeitado a tal, por ter colocado a vida dela em perigo. De novo. Eu nunca imaginei que ela estava realmente pensando, no que ela estava resolvida a fazer. Não até que a minha família nos encontrou no aeroporto e ela correu pros braços de Rosalie. Os braços de Rosalie! E então, eu ouvi o que Rosalie estava pensando. Eu não entendi até que ouvi. Até você percebeu depois de um segundo..." Ele desviou o olhar, rosnando.
 "Voltando um instante. Ela não vai deixar você." O sarcasmo estava ácido na minha língua. "Você já parou para pensar que ela é tão forte quanto qualquer outra garota de 50 quilos? Quão estúpidos são vocês vampiros? Segurem-na e nocauteiem-na com remédios."
 "Eu quis fazer isso, " ele suspirou. "Carlisle teria feito..."
O que, eles eram tão nobres assim?
"Não. Não nobres. A guarda costas dela complicou as coisas."
Oh. A história dele não fez muito sentido antes, mas agora sim. Então era isso que a loira estava fazendo. O que ela queria? A rainha da beleza queria tanto que Bella morresse?
 "Talvez, " ele disse. "Rosalie não vê as coisas bem desse jeito."
"Então, tire a loira do caminho primeiro. Sua espécie pode se regenerar, não?
Faça dela um quebra-cabeças e cuide da Bella."
"Emmett e Esme estão tomando conta dela. Eles nunca nos deixariam... e Carlisle não me ajudaria com Esme contra isso..." Ele aproou, sua voz desaparecendo.
 "Você devia ter deixado a Bella comigo."
"Sim."
Era um pouco tarde para isso. Talvez ele devesse ter pensado nisso antes que eles fizessem o monstrinho sugador de vida.
 Ele olhou para mim de dentro do seu inferno particular, e eu podia ver que ele concordava comigo.
 "Nós não sabíamos," ele disse, palavras calmas como um suspiro. "Eu nunca pensei nisso. Nunca houve algo como Bella e eu antes. Como nós poderíamos saber que uma humana poderia conceber uma criança com um de nós..."
 "Quando as mulheres deviam ser rasgadas ao meio no processo?"
"Sim," ele concordou num suspiro tenso. "Eles não eram daqui, os sádicos, incubus e succubus. Eles existem. Mas a sedução é meramente um prelúdio para festa. Ninguém sobrevive." Ele balançou a cabeça como se a idéia o revoltasse. Como se ele fosse muito diferente.
 "Nem mesmo você, Jacob Black, pode me odiar tanto quanto eu me odeio."
Errado, eu pensei, nervoso demais para falar.
"Me matar agora não vai salvá-la," ele disse devagar.
"Então, o que a salva?"
"Jacob, você tem que fazer uma coisa para mim."
"À merda, que eu faço, parasita!"
Ele se manteve olhando para mim com aqueles olhos cansados e transtornados.
"Por ela?"
Eu fechei meus dentes com força.
"Eu fiz o que eu pude para mantê-la longe de você. Tudo o que eu pude. É tarde demais."
 "Você a conhece, Jacob. Você está ligado a ela de um jeito que eu não posso sequer entender. Ela não vai me ouvir, porque ela acha que eu a estou subestimando. Ela acha que é forte o suficiente para isso..." Ele respirou e engoliu seco. "Ela pode escutar você."
 "Por que ela escutaria?"
Ele se balançou, seus olhos queimando mais brilhantes que antes, selvagens.
Eu imaginei se ele estava mesmo ficando louco. Poderiam vampiros perder a cabeça?
 "Talvez," ele respondeu ao meu pensamento. "Eu não sei. Parece que sim."
Ele balançou a cabeça.
"Eu tenho que tentar esconder isso na frente dela, porque o estresse faz com que ela fique mais fraca. Ela não pode ficar mais fraca. Eu tenho que me compor. Eu não posso fazer isso ser mais difícil. Mas não importa agora. Ela tem que te escutar!"
 "Eu não posso dizer nada que você já não tenha dito. O que você quer que eu faça? Diga a ela que ela é estúpida? Ela provavelmente já sabe disso. Diga que ela vai morrer? Aposto que ela já sabe, também."
 "Você pode oferecê-la o que ela quer."
Não estava fazendo sentido. Parte da loucura?
"Eu não me importo com mais nada, a não ser mantê-la viva," ele disse, de repente focado no assunto. "Se são crianças o que ela quer, ela pode ter. Ela pode ter meia dúzia deles. Tudo o que ela quiser." Ele parou por um instante. "Ela pode ter filhotes, se é o que é preciso."
 Ele encontrou o meu olhar por um momento e o rosto dele estava preso por um fio de controle. Eu desfranzi minha testa enquanto processava as palavras dele, e senti a minha boca abrir em choque.
 "Mas não desse jeito," ele gritou antes que eu pudesse me recuperar. "Não essa coisa que está sugando a vida dela enquanto eu fico aqui, de mãos atadas! Assistindo-a adoecer e enfraquecer. Vendo isso a machucando”. Ele respirou fundo rapidamente, como se alguém o tivesse socado no estômago. "Você tem que fazê-la ver, Jacob. Ela não vai mais me ouvir. Rosalie está sempre ali, alimentando essa loucura - encorajando-a. Protegendo-a. Não, protegendo aquilo. A vida da Bella não significa muita coisa para ela.”
 O barulho da minha garganta soava como se eu estivesse sufocando.
O que é que ele estava dizendo? Que a Bella deveria o quê? Ter um bebê? Comigo? O quê? Ele estava desistindo dela? Ou ele pensou que ela não se importaria em ser dividida?
 "Qualquer coisa. Qualquer coisa que a mantenha viva."
"Essa é a coisa mais louca que você já disse," eu resmunguei.
"Ela ama você."
"Não o bastante."
"Ela está prestes a morrer para ter um filho. Talvez ela aceite algo menos extremo."
 "Você não a conhece, não?"
"Eu sei, eu sei. Vai ter que ser bem convincente. É por isso que eu preciso de você. Você sabe como ela pensa. Faça-a ver."
 Eu não conseguia pensar no que ele estava sugerindo. Era demais. Impossível. Errado. Doentio. Pegar Bella para um fim de semana e depois devolvê-la como um filme na locadora? Terrível ...Tão tentador.
 Eu não queria considerar, não queria nem mesmo imaginar, mas as imagens vinham. Eu fantasiei com Bella, várias vezes, de volta onde ainda havia uma possibilidade de nós, e mesmo depois de ter desfeito essas fantasias, elas permaneciam feridas abertas, porque não havia possibilidade, não mais. Eu não tinha sido capaz de evitar. Eu não podia me impedir agora. Bella nos meus braços, Bella suspirando o meu nome...
 Ainda pior, essa nova imagem que eu tivera antes, uma que não tinha sequer existido para mim. Até agora. Uma imagem que eu sabia que eu não teria sofrido por anos se ele não tivesse enfiado na minha cabeça. Mas estava lá, tecendo teias no meu cérebro como ervas daninhas - venenosas e imortais.
 Bella, saudável e brilhante, bem diferente de agora, mas algo era o mesmo: o corpo dela, não deformado, modificado de modo mais natural. Protegendo meu filho.
 Eu tentei escapar da rede venenosa na minha cabeça. "Fazer a Bella ver? Em qual universo você vive?"
 "Ao menos tente."
Balancei minha cabeça rapidamente. Ele esperou, ignorando uma resposta negativa porque ele podia ouvir o conflito na minha cabeça.
 "De onde veio toda essa besteira? Você está fazendo isso para quê?"
"Eu não tenho pensando em mais nada, a não ser maneiras de salvá-la desde que eu percebi o que ela estava planejando. Pelo que ela pretendia morrer. Mas eu não sabia como falar com você. Eu sei que você não atenderia se eu ligasse. Eu teria que achar um jeito se você não tivesse vindo aqui hoje. Mas é difícil deixá-la, mesmo que por alguns minutos. A condição dela... muda muito rápido. Essa coisa... está crescendo. Depressa. Eu não posso ficar longe dela agora."
 "O que é aquilo?"
"Nenhum de nós tem idéia. Mas é mais forte que ela. Já."
Eu pude de repente ver então - ver o monstrinho na minha cabeça, destruindo-a de dentro para fora.
 "Me ajude a acabar com isso," ele sussurrou. "Me ajude a impedir que isso aconteça."
 "Como? Oferecendo os meus serviços?" Ele não pareceu se aborrecer com o que eu disse, mas eu sim. "Você é realmente doente. Ela nunca vai ouvir isso."
 "Tente. Não há nada a perder agora. Vai doer fazer isso?"
Doeria em mim. Eu não tive doses de rejeição suficiente da Bella não?
"Um pouquinho de dor psra salvá-la? É um custo muito alto?"
"Mas não vai funcionar."
"Talvez não. Talvez isso a deixe confusa. Talvez ela repense sua decisão. Um momento de dúvida, é tudo o que eu preciso."
 "E então você volta atrás na oferta? 'estava brincando, Bella'?
"Se ela quer um filho, é isso que ela vai ter. Eu não vou voltar atrás."
Eu não podia acreditar nem mesmo que eu estava pensando sobre isso. Bella me socaria - não que eu me importasse muito com isso, mas ela
 provavelmente quebraria a mão de novo. Eu não devia ter deixado ele falar comigo, confundir a minha cabeça. Eu devia era matá-lo agora.
 "Não agora," ele suspirou. "Não ainda. Certo ou errado, isso vai matá-la, e você sabe disso. Não é necessário ser apressado. Se ela não te escutar, você terá sua chance. No momento em que o coração da Bella parar de bater, eu vou implorar para que você me mate.
 "Você não vai precisar implorar muito."
A insinuação de um sorriso pareceu brotar-lhe no canto dos lábios. "Eu estou contando com isso."
 "Então, temos um trato."
Ele concordou e me estendeu sua mão fria e dura.
Engolindo minha repugnância, eu estendi a minha mão e alcancei a dele. Meus dedos apertaram a rocha, e eu balancei uma vez.
 "Temos um trato," ele concordou.

10. Porque eu simplesmente não fui embora? ... [amanhecer]
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 POR QUE EU SIMPLESMENTE NÃO FUI EMBORA? OH CERTO, PORQUE EU SOU UM IDIOTA
Eu me senti como como não sei o que. Como se isso não fosse real. Como se eu tivesse em uma versão gótica de um citycom ruim. Ao invés de ser o jogador de basquete que estava prestes a pedir a capitã das animadoras de torcida para ir ao baile, eu era o lobisomem-que-acabou-em-segundo-lugar que estava prestes a pedir a esposa do vampiro para procriar. Legal.
Não, eu não faria isso. Era confuso e errado. Eu ia esquecer tudo o que ele tinha dito.
Mas eu iria falar com ela. Eu iria tentar fazer ela me escutar.
E ela não iria ouvir. Como sempre.
Edward não respondeu ou comentou os meus pensamentos enquanto guiava o caminho de volta para casa. Eu imaginei o lugar que ele escolheu parar. Era longe o suficiente da casa para que os outros não ouvissem seus sussurros?
Era essa a questão?
Talvez. Quando nós entramos pela porta, os olhos dos outros Cullen estavam suspeitos e confusos. Ninguém pareceu enojado ou ultrajado. Então eles não devem ter escutado nenhum dos favores que Edward me pediu.
Eu hesitei na entrada, sem certeza do que fazer. Estava bem melhor ali, com um pouquinho de ar respirável assoprando de fora pra dentro.
Edward andou no meio da desordem, ombros rígidos. Bella o olhou ansiosa, e então seus olhos caíram em mim por um segundo. Então ela estava o olhando de novo.
Seu rosto se tornou um cinza pálido, e eu pude ver o que ele quis dizer sobre o estresse fazer ela se sentir pior.
“Nós vamos deixar Jacob e Bella conversar com privacidade,” Edward disse.
Não havia inflexão em sua voz. Robótica.
“Só por cima das minhas cinzas,” Rosalie assobiou a ele. Ela ainda estava
pairando a cabeça de Bella, uma de suas mãos geladas situada possessivamente na bochecha amarela dela.
Edward não olhou pra ela. “Bella,” ele disse naquele mesmo tom vazio.“Jacob quer conversar com você. Você está com medo de ficar sozinha com ele?”
Bella olhou pra mim, confusa. Então olhou para Rosalie.
“Rose, está tudo bem. Jake não vai nos machucar. Vá com o Edward.”
“Pode ser um truque,” a loira avisou.
“Eu não vejo como,” Bella disse.
“Carlisle e eu sempre estaremos na sua vista, Rosalie,” Edward disse. A voz sem emoção estava quebrando, mostrando a raiva por entre ela. “Somos nós que ela tem medo.”
“Não,” Bella sussurrou. Seus olhos brilhando, seus cílios molhados. “Não, Edward. Eu não...”
Ele sacudiu sua cabeça, sorrindo um pouco. O sorriso era doloroso de olhar.
“Eu não quis dizer nessa maneira, Bella. Eu estou bem. Não se preocupe comigo.”
Doentio. Ele estava certo ela estava se batendo por machucar seus sentimentos. A garota era um clássico mártir. Ela nasceu totalmente no século errado. Ela deveria ter vivido quando ela poderia ter sido comida de leão por uma boa causa.
“Todo mundo,” Edward disse, sua mão duramente apontando para a porta.
“Por favor.”
A postura que ele tentava manter por Bella era trêmula. Eu podia ver o quanto ele estava perto daquele homem que ele foi lá fora. Os outros viram, também.
Silenciosamente, eles se moveram pela porta enquanto eu saía do caminho.
Eles se moviam rápido; meu coração bateu duas vezes e o cômodo estava vazio exceto por Rosalie, hesitando no meio do quarto, e Edward, ainda esperando na porta.
“Rose,” Bella disse silenciosamente. “Eu quero que você vá.”
A loira olhou para Edward então gesticulou para ele ir primeiro. Ele desapareceu pela porta. Ela me deu um longo olhar de aviso, e depois desapareceu, também.
Uma vez que estávamos sozinhos, eu cruzei o cômodo e sentei no chão ao lado de Bella. Eu peguei suas duas mãos nas minhas, as esfregando cuidadosamente.
“Obrigada, Jake. Isso é bom.”
“Eu não vou mentir, Bells. Você está horrível.”
“Eu sei,” Ela suspirou. “Eu pareço assustadora.”
“Coisa do brejo assustadora.” Eu concordei.
Ela riu. “É tão bom tê-lo aqui. É bom sorrir. Eu não sei quanto mais de drama eu posso agüentar.”
Eu rolei os olhos.
“Okay, okay,” Ela concordou. “Eu mesma o causo.”
“É, você mesma. O que você está pensando, Bella? Sério!”
“Ele pediu para você gritar comigo?”
“Mais ou menos. Mas não sei porque ele pensa que você iria me escutar. Você nunca escutou.”
Ela suspirou.
“Eu te disse ,” Eu comecei a dizer.
“Você sabia que o ‘Eu te disse’ tem um irmão, Jacob?” Ela perguntou, me cortando. “Seu nome é ‘Cala a boca.’”
“Boa.”
Ela sorriu. Sua pele se esticou pelos seus ossos. “Eu não posso levar o crédito eu tirei de uma maratona de The Simpsons.”
“Perdi essa.”
“Foi engraçado.”
Nós não conversamos por um minuto. Suas mãos estavam começando esquentar um pouco.
“Ele realmente pediu para você conversar comigo?”
Eu afirmei com a cabeça. “Para tentar botar algum juízo em você. Esta é uma batalha perdida mesmo antes de começar.”
“Então por que você concordou?”
Eu não respondi. Eu não estava certo de que sabia.
Eu sabia disso cada segundo que eu passei com ela só ia acrescentar à dor que eu teria que sofrer mais tarde. Como um viciado com estoque limitado. O dia da conta estava chegando pra mim. Quanto mais doses eu tomava agora, mais difícil seria quando meu estoque acabasse.
“Vai funcionar, sabe,” Ela disse depois de um minuto silencioso. “Eu acredito nisso.”
Aquilo me fez ver vermelho de novo. “Demência é um dos seus sintomas?”
Eu falei.
Ela riu, mas minha raiva era tão real que minhas mãos estavam tremendo em volta das dela.
“Talvez,” ela disse. “Não estou dizendo que as coisas vão funcionar fácil, Jake. Mas como eu posso ter vivido tudo o que eu vivi e não acreditar em mágica nesse ponto?”
“Mágica? ”.
“Especialmente para você.” Ela disse. Estava sorrindo. Ela puxou uma de suas mãos longe das minhas e apertou contra minha bochecha. Mais quente que antes, mas a senti gelada contra minha pele, como a maioria das coisas era.
“Mais do que ninguém, você tem alguma mágica esperando para as coisas darem certo pra você.”
“O que você está tagarelando agora?”
Ainda sorrindo. “Edward me disse uma vez como era a coisa da impressão.
Ele disse que era parecido com Sonho de uma noite de verão, igual mágica.
Você vai encontrar quem você realmente está encontrando, Jacob, e talvez então tudo isso fará sentido.”
Se ela não tivesse tão frágil eu estaria gritando.
Assim como foi, eu rosnei a ela.
“Se você pensa que a impressão pode fazer sentido nessa insanidade...” Eu briguei por palavras. “Você realmente acha que só por eu poder um dia ter uma impressão em algum estranho faria isso certo?”. Eu apontei com um dedo em direção ao seu corpo inchado. “Me diga de que adiantou então, Bella! De que adiantou eu amar você? De que adiantou você amando ele? Quando você morrer” as palavras eram um rosnado “como isso é certo de novo? De que adiantou toda a dor? Minha, sua, dele! Você vai matá-lo também, não que eu ligue.” Ela estremeceu, mas eu continuei. “Então de que adiantou a sua confusa história de amor, no final? Se tiver algum sentido, por favor me mostre, Bella, porque eu não o vejo.”
Ela suspirou. “Eu não sei ainda, Jake. Mas eu só... sinto... que isso tudo está indo para algum lugar bom, difícil de ver como está agora. Eu acho que você pode chamar isso de fé.”
“Você está morrendo por nada, Bella! Nada!”
Sua mão caiu do meu rosto para seu estomago, o acariciando. Ela não precisava dizer nada para eu saber o que ela estava pensando. Ela estava morrendo por aquilo.
“Eu não vou morrer,” ela disse por entre dentes, e eu pude dizer que ela estava repetindo coisas que ela já tinha dito antes. “Eu vou fazer meu coração continuar a bater. Eu sou forte o suficiente para isso.”
“Isso é um monte de porcaria, Bella. Você está tentando segurar o sobrenatural por muito tempo. Nenhuma pessoa normal pode fazê-lo. Você não é forte o suficiente.” Eu segurei seu rosto com minha mão. Eu não tinha que me lembrar de ser gentil. Tudo sobre ela parecia ser quebrável.
“Eu posso fazer isso. Eu posso fazer isso,” ela murmurou, soando como aqueles livros de criança sobre o pequeno motor que podia.
“Não parece isso para mim. Então qual é seu plano? Espero que você tenha um.”
Ela afirmou, não encontrando meus olhos. “Você sabia que Esme pulou de um penhasco? Quando era humana, quero dizer.”
“E...?”
“E que ela estava perto o bastante de morrer que eles nem se importaram de levá-la para sala de cirurgia eles a levaram direto para o necrotério. Seu coração ainda estava batendo, quando Carlisle a encontrou...”
Era isso o que ela quis dizer, sobre manter seu coração batendo.
“Você não está planejando a sobreviver isso humana,” Eu afirmei estupidamente.
“Não, eu não sou idiota.” Ela encontrou meus olhos a encarando. “Eu acho que você provavelmente deve ter sua própria opinião sobre isso.”
“Vampirização de emergência.” Eu murmurei.
“Funcionou com Esme. E Emmett e Rosalie, e até Edward. Nenhum deles estava em uma boa forma. Carlisle só os transformou porque era aquilo ou morte. Ele não termina com as vidas, ele as salva.”
Eu senti uma ponta de culpa sobre o bom vampiro doutor, como antes. Eu mandei o pensamento embora e comecei a implorar.
“Me escute, Bells. Não faça isso desse jeito.” Como antes, quando a ligação de Charlie tinha vindo, eu podia ver a diferença que realmente fez em mim. Eu percebi que precisava dela pra continuar vivo, de algum jeito. De qualquer jeito. Eu respirei bem fundo. “Não espere até que seja tarde, Bella. Não desse jeito. Viva. Okay? Só viva. Não faça isso comigo. Não faça isso com ele.”
Minha voz ficou mais pesada, alta. “Você sabe o que ele vai fazer quando você morrer. Você já viu antes. Você quer que ele volte praqueles italianos assassinos?” Ela se encolheu no sofá.
Eu deixei de lado a parte de como isso não seria necessário agora.
Lutando para fazer minha voz mais macia, eu perguntei, “Lembra quando eu me machuquei por causa daqueles recém-nascidos? O que você me disse?”
Eu esperei, mas ela não respondeu. Ela apertou seus lábios juntos.
“Você me disse para ser bom e para ouvir Carlisle,” eu li sua mente. “E o que eu fiz? Eu ouvi o vampiro. Por você.”
“Você ouviu porque era a coisa certa a fazer.”
“Okay escolha qualquer uma das razões.”
Ela respirou fundo. “Não é a coisa certa agora.” Seu olhar tocou seu grande estomago redondo e ela sussurrou por baixo da respiração, “Eu não vou matálo.”
Minhas mãos tremeram de novo. “Oh, eu não tinha ouvido as novidades. Um bebê pulante, huh? Deveria ter trazido alguns balões azuis.”
Seu rosto ficou rosa. A cor era tão bonita mexeu meu estomago como se fosse uma faca. Uma faca de serra enferrujada.
Eu ia perder isso. De novo.
“Eu não sei se é um menino,” ela admitiu, um pouco envergonhada. “O ultrasom não funcionou. A membrana em volta do bebê é muito grossa igual sua pele. Então ele é um mistério. Mas eu sempre vejo um garoto na minha mente.”
“Não é um bebê bonitinho aí dentro, Bella.”
“Vamos ver,” ela disse. Quase presunçosa.
“Você não,” Eu disse.
“Você é muito pessimista, Jacob. Há uma chance que eu talvez escape disso.”
Eu não pude responder. Eu olhei para baixo e respirei fundo e devagar, tentando diminuir minha fúria.
“Jake,” ela disse, e mexeu no meu cabelo, roçou minha bochecha. “Vai ficar tudo bem. Shh, Tudo bem.”
Eu não olhei para cima.
“Não. Não vai ficar tudo bem.”
Ela limpou algo molhado da minha bochecha.
“Shh.”
“Qual é o trato, Bella?” Eu olhei pro carpete pálido. Meus pés estavam sujos, deixando marcas. Bom. “Eu achei que o centro de tudo era que você queria seu vampiro mais que tudo. E agora você está simplesmente desistindo dele?
Isso não faz nenhum sentido. Desde quando você está desesperada para ser uma mãe? Se você queria tanto isso, por que você casou com um vampiro?”
Eu estava perto de fazer aquela oferta que ele queria que eu fizesse. Eu podia ver as palavras me levando desse jeito, mas eu não podia mudar suas direções.
Ela suspirou. “Não é desse jeito. Eu não dava a mínima para ter um bebê. Eu nem pensava nisso. Não é só ter um bebê. É...bem... esse bebê.”
“É um assassino, Bella. Olhe pra você mesma.”
“Ele não é. Sou eu. Eu só sou uma humana fraca. Mas eu posso fazer isso, Jake, eu posso ”
“AW, vamos lá! Cale a boca, Bella. Você pode falar isso paro seu sugador de sangue, mas você não está me enganando! Você sabe que não vai conseguir.”
Ela me olhou. “Eu não sei disso. Eu estou preocupada com isso, claro.”
“Preocupada com isso,” Eu repeti por entre meus dentes.
Ela segurou seu estomago. Minha fúria desapareceu como uma luz sendo apagada.
“Eu estou bem,” ela disse. “Não é nada.”
Mas eu não ouvi, suas mãos tinham puxado seu moletom de lado, e eu olhei, horrorizado, a pele que estava exposta. Seu estomago parecia como se tivesse sido pintado com grandes bolas de tinta roxo-preto.
Ela viu meu olhar, e então puxou o tecido de volta para o lugar.
“Ele é forte, é isso.” Ela disse na defensiva.
As bolas de tinta eram hematomas.
Eu quase engasguei, e entendi o que ele tinha dito, sobre ficar vendo aquilo a machucar. Então, eu me senti um pouco louco.
“Bella,” Eu disse.
Ela ouviu a mudança na minha voz. Ela olhou pra cima, parada, respirando pesadamente, seus olhos confusos.
“Bella, não faça isso.”
“Jake ”
“Me ouça. Não se dê por vencida ainda. Okay? Só ouça. E se...?”
“E se o que?”
“E se isso não fosse um negócio de uma chance? E se não fosse tudo ou nada?
E se só ouvisse Carlisle como uma boa garota, e ficasse viva?”
“Eu não ”
“Eu não acabei ainda. Você fica viva. Aí você pode começar de novo. Se isso não funcionar. Tente de novo.”
Ela fez uma carranca. Levantou uma mão e tocou onde minhas sobrancelhas se juntavam. Seus dedos alisaram minha testa por um momento enquanto ela tentava entender.
“Eu não entendo... O que você quer dizer, tentar de novo? Você não pode achar que Edward deixaria eu...? E que diferença ia fazer? Eu tenho certeza que qualquer bebê ”
“Sim,” Eu disse. “Qualquer tipo de bebê dele seria do mesmo jeito.”
Seu rosto cansado só ficou mais confuso. “O que?”
Mas eu não pude dizer mais. Não tinha porquê. Eu nunca seria capaz de salva-la de si mesma. Eu nunca consegui fazer isso.
Então ela piscou, e eu pude ver que ela entendeu.
“Oh. Ugh. Please, Jacob. Você acha que eu devo matar meu bebe e o substituir com algum substituto genérico? Inseminação artificial?” Ela estava brava agora. “Por que eu iria querer ter o bebê de um estranho? Você achou que não faria diferença? Que qualquer bebê serve?
“Eu não quis dizer isso,” Eu murmurei. “Não um estranho.”
Ela foi um pouco pra frente. “Então o que você está dizendo?”
“Nada. Não estou dizendo nada. Como sempre.”
“De onde aquilo veio?”
“Esqueça, Bella.”
Ela carrancou, suspeita. “Ele pediu pra você dizer isso?”
Eu hesitei, surpreso que ela entendeu tão rápido. “Não.”
“Foi ele, não foi?”
“Não, realmente. Ele não disse nada sobre artificial, que seja.”
Seu rosto ficou mais suave, então ela afundou nas almofadas, parecendo exausta. Ela olhou pros lados quando falou, não falando comigo nem um pouco. “Ele faria qualquer coisa por mim. E eu estou o machucando demais...
Mas o que ele está pensando? Que eu trocaria isto,” sua mão traçou sua barriga ”pelo de algum estranho...” Ela murmurou a última parte, e então sua voz quebrou. Seus olhos estavam molhados.
“Você não precisa o machucar,” Eu sussurrei. Queimou como veneno na minha boca por ter que implorar por ele, mas eu sabia que desse ângulo era mais provável eu mantê-la viva. Ainda com poucas chances. “Você podia fazê-lo feliz, Bella. E eu realmente acho que ele está perdendo. Honestamente, eu acho.”
Ela parecia não estar ouvindo; sua mão fazia pequenos círculos em seu estômago enquanto mordia seus lábios.
Eu fiquei quieto por um longo tempo. Eu imaginei se os Cullen estavam muito longe. Eles estavam ouvindo minhas patéticas tentativas de raciocinar com ela?
“Um estranho não?” Ela murmurou pra si mesma. Eu estremeci. “O que exatamente Edward disse para você?” Ela perguntou com a voz baixa.
“Nada. Ele só achou que você me ouviria.”
“Não isso. Sobre tentar de novo.”
Seus olhos se trancaram nos meus, e eu pude ver que eu já tinha entregado muito.
“Nada.”
Sua boca abriu um pouquinho. “Wow.”
Ficou silencioso por algumas batidas de coração. Eu olhei para os meus pés de novo, incapaz de encontrar seu olhar.
“Ele realmente faria qualquer coisa, não faria?” Ela sussurrou.
“Eu disse que ele estava ficando louco. Literalmente, Bells.”
“Estou surpresa que você não o delatou logo de cara. Colocá-lo em problemas.”
Quando olhei pra cima, ela estava dando um sorriso forçado.
“Eu pensei nisso.” Tentei sorrir de volta, mas o sorriso se desfez no meu rosto.
Ela sabia o que eu estava oferecendo, e ela não ia nem pensar duas vezes sobre isso. Eu sabia que ela não ia.
“Não há muita coisa que você não faria por mim, também, há?” Ela sussurrou.
“Eu realmente não sei porque você se importa. Eu não mereço nenhum de vocês dois.”
“Mas não faz diferença, faz?”
“Dessa vez não.” Ela suspirou. “Eu queria poder explicar pra você certo pra que você entenda. Eu não posso machucá-lo” ela apontou para o estomago “não mais do que pegar uma arma e atirar em você. Eu o amo.”
“Por que você sempre tem que amar as coisas erradas, Bella?”
“Eu não acho.”
Eu limpei o nó na minha garganta para que minha voz saísse forte do jeito que eu queria.
“Acredite.”
Eu comecei a levantar.
“Onde você está indo?”
“Eu não vou fazer nenhum bem aqui.”
Ela levantou sua mão magra, implorando. “Não vá.”
Eu pude sentir o vício me sugando, tentando fazer eu ficar perto dela.
“Eu não pertenço aqui. Eu preciso voltar.”
“Por que você veio hoje?” Ela perguntou, ainda sem firmeza.
“Só para ver se você estava viva. Eu não acreditei que você estava doente como Charlie dizia.”
Eu não pude dizer pelo rosto dela se ela acreditou nessa ou não.
“Você vai voltar? Antes...”
“Eu não vou voltar e ficar vendo você morrer, Bella.”
Ela estremeceu. “Você está certo, você está certo. Você deveria ir.”
Eu fui para a porta.
“Tchau,” ela sussurrou atrás de mim. “Amo você, Jake.”
Eu quase voltei. Quase voltei pra cair de joelhos e começar a implorar. Mas eu sabia que tinha que desistir de Bella, desistir de sua frieza, antes que ela me matasse, do mesmo jeito que ela ia matá-lo.
“Claro, claro.” Eu murmurei na minha saída.
Eu não vi nenhum dos vampiros. Eu ignorei minha moto, toda sozinha no meio do mato. Não era rápida o suficiente para mim agora. Meu pai estaria maluco Sam, também. O que o bando ia fazer sobre o fato de eles não terem ouvido eu me transformar? Iam pensar que os Cullen me pegaram antes de eu ter pelo menos uma chance? Tirei minhas roupas, sem ligar para quem talvez tivesse olhando, e comecei a correr. Eu me tornei lobo em meio aos passos.
Eles estavam esperando. É claro que estavam.
Jacob, Jake, oito vozes falaram em alívio.
Venha para casa agora, a voz Alfa ordenou. Sam estava furioso.
Eu ouvi Paul desaparecer, e eu soube que Billy e Rachel estavam esperando para ouvir o que aconteceu comigo. Paul estava ansioso demais para dar as notícias que eu não havia sido mascado por vampiros, que nem ouviu a história toda.
Eu não tive que dizer para o bando que eu estava a caminho eles podiam ver a floresta passando por mim enquanto eu ia para casa. Também não precisava dizer que eu estava quase louco. As coisas doentias na minha cabeça eram óbvias.
Eles viram todo o horror o estomago deformado de Bella, sua voz fraca; ele é forte, é isso; o homem sofrendo no rosto de Edward: Assistir ela doente e desperdiçando tudo... Assistir aquilo machucar ela e por uma vez, ninguém tinha nada pra dizer.
O choque deles era um silêncio na minha cabeça. Sem palavras.
Eu estava a meio caminho de casa quando todo mundo se recuperou. Então todos correram ao meu encontro.
Estava quase escuro as nuvens cobriram o pôr-do-sol completamente. Eu arrisquei violentamente cruzar a estrada sem ser visto.
Nós nos encontramos a 16 km de La Push, em uma clareira. Era fora do caminho, no meio das montanhas, onde ninguém ia nos ver. Paul os achou quando eu achei, então o bando estava completo.
A tagarelação na minha cabeça era um total caos. Todo mundo gritando ao mesmo tempo.
O rosto de Sam virou para cima e ele rosnava uma inquebrável corrente. Paul e Jared se moveram como sombras atrás dele, suas orelhas murcharam do lado de suas cabeças. O círculo estava agitado, em pé e soltando rosnados baixos.
Primeiro sua raiva era indefinida, e eu pensei que era por minha causa. Eu estava muito confuso para ligar pra isso. Eles podiam fazer o que quisessem comigo para dar ordens.
Então a confusão sem foco de pensamentos começou a se mover junta.
Como isso pode ser? O que significa? O que vai ser?
Não é seguro. Não é certo. Perigoso.
Não é natural. Monstruoso. Uma abominação.
Nós não podemos permitir.
O bando estava pensando andando e pensando sincronizados agora, todos menos eu e um outro. Eu sentei do lado do irmão, muito atordoado para olhar nem com a minha mente nem com meus olhos pra ver quem estava do meu lado, enquanto o bando fazia um circulo a nossa volta.
O acordo não cobre isso.
Isso põe todo mundo em perigo.
Eu tentei entender as vozes que faziam espirais, tentei seguir o caminho que o pensamento deles estava indo, mas não fazia sentido. As imagens no pensamento deles eram as minhas imagens as piores. Os hematomas de Bella, o rosto de Edward angustiado.
Eles têm medo daquilo, também.
Mas eles não farão nada sobre isso.
Protegendo Bella Swan.
Não podemos deixar que isso nos influencie.
A segurança da nossa família, de todo mundo aqui, é mais importante que um humano.
Se eles não vão matá-lo, nós teremos que matá-lo.
Proteger a tribo.
Proteger nossas famílias.
Nós temos que matá-lo antes que seja tarde.
Outra de minhas memórias, nas palavras de Edward dessa vez: A coisa está crescendo.
Bastante.
Eu lutei pra me concentrar, para ouvir as vozes individualmente.
Não há tempo a perder, Jared pensou
Vai significar uma luta, Embry avisou. Uma ruim.
Nós estamos prontos, Paul insistiu.
Nós vamos precisar a surpresa do nosso lado, Sam pensou.
Se nós pegarmos eles divididos, nós podemos derrubá-los separadamente. Vai aumentar nossas chances de vitória, Jared pensou, começando a formar
estratégias agora.
Eu balancei minha cabeça, levantando devagar. Eu me senti instável ali como se o círculo me fizesse ficar tonto. O lobo ao meu lado ficou em pé, também. Seu ombro estava contra o meu, me ajudando.
Esperem, eu pensei.
O bando parou por um segundo, e então eles estavam andando de novo.
Há pouco tempo, Sam disse.
Mas o que você está pensando? Você não queria atacar eles por quebrar o acordo esta tarde.
Agora você está planejando uma aniquilação, quando o acordo ainda está intacto?
Isso não é algo que o acordo já antecipou, Sam disse. Esse é um perigo para cada humano na área. Nós não sabemos que tipo de criatura os Cullen criaram, mas sabemos que é forte e que cresce rápido. E vai ser muito jovem para seguir qualquer acordo. Lembra dos recém nascidos que nós lutamos? Loucos, violentos, além de qualquer regra ou restrição. Imagine um igual a esses, mas protegido pelos Cullen.
Nós não sabemos eu tentei interromper.
Nós não sabemos, ele concordou. E nós não podemos ter chances com o desconhecido nesse caso. Nós só podemos deixar os Cullen existir quando nós tivermos absoluta certeza de que eles não causaram nenhum dano. Isso... essa coisa não pode ser confiável.
Eles não gostam daquilo mais do que nós.
Sam lembrou do rosto de Rosalie, sua concha protetora, de minha mente e mostrou para todo mundo.
Alguns estão prontos para lutar por isso, não importa o que.
É só um bebê, pelo amor de Deus.
Não por muito tempo, Leah sussurrou.
Jake, isso é um grande problema. Quil disse. Nós não podemos simplesmente ignorar isso.
Vocês estão fazendo muito mais do que isso é. Eu argumentei. A única que está em perigo aqui é a Bella.
De novo por sua própria escolha, Sam disse. Mas essa vez sua escolha afeta todos nós.
Eu não acho isso.
Nós não podemos contar com isso. Nós não permitiremos um bebedor de sangue assombrar nossas terras.
Então fale para eles irem embora, o lobo que ainda estava me apoiando disse.
Era Seth. Claro.
E deixar a ameaça para outros? Quando bebedores de sangue cruzam nossa terra, nós os destruímos, não importa onde eles planejam caçar. Nós protegemos todos que conseguimos.
Isso é doido, eu disse. Essa tarde você estava com medo de pôr o bando em perigo.
Essa tarde eu não sabia que nossas famílias estavam em risco.
Eu não acredito nisso! Como vocês vão matar a criatura sem matar Bella?
Não houve palavras, mas o silencio era cheio de significados.
Eu uivei. Ela é humana também! Nossa proteção não se aplica a ela?
Ela está morrendo de qualquer jeito, Leah pensou. Nós só vamos encurtar o processo.
Isso bastou. Eu desviei de Seth, em direção à sua irmã, com meus dentes aparecendo. Eu estava prestes a pegá-la quando eu senti os dentes de Sam cortando, me puxando de volta.
Eu uivei de dor e fúria e me virei pra ele.
Pare! ele ordenou no timbre duplo do Alfa.
Minhas pernas pareciam ter se afivelado embaixo de mim. Eu fiquei parado.
Ele virou seu olhar para longe de mim. Você não vai ser má com ele, Leah ele a comandou. O sacrifício de Bella é um preço pesado e todos nós iremos reconhecer isso. Vai contra tudo o que nós apoiamos, acabar com a vida de um humano. Fazer uma exceção a esse código é uma coisa nula. Nós todos estaremos de luto pelo que nós vamos fazer hoje à noite.
Hoje à noite? Seth repetiu, chocado. Sam eu acho que nós deveríamos falar sobre isso um pouco mais. Consultar os Anciões, pelo menos. Você não pode falar sério para nós...
Nós não podemos continuar com a sua tolerância pelos Cullen agora. Não há tempo para debater. Você vai fazer o que for lhe dito, Seth.
Os joelhos de Seth se dobravam, e sua cabeça foi para frente embaixo do peso do comando do Alfa.
Sam andou em um pequeno circulo em volta de nós dois.
Nós precisamos do bando inteiro para isso. Jacob, você é o nosso lutador mais forte. Você vai lutar conosco hoje à noite. Eu entendo que isso é difícil pra você, então você vai se concentrar nos lutadores deles Emmett e Jasper Cullen. Você não precisa ser envolvido no... na outra parte. Quil e Embry vão lutar com você.
Meus joelhos tremeram; eu lutei para me segurar em pé enquanto a voz do Alfa acabava com o meu desejo.
Paul, Jared e eu vamos pegar Edward e Rosalie. Eu acho, pela informação que Jacob trouxe, que eles vão ser quem vai guardar Bella. Carlisle e Alice também vão estar perto, talvez Esme. Brady, Collin, Seth, e Leah vão se concentrar neles. Quem tiver uma chance nós todos o ouvimos mentalmente gaguejar o nome de Bella com a criatura, vai pegá-la. Destruir a criatura é nossa prioridade.
O bando concordou fervorosamente. A tensão levantou os pêlos de todo mundo. O andar estava mais rápido e o som das garras no chão era mais grosso, unhas batendo no solo.
Só Seth e eu estávamos parados, o olho no centro da tempestade de dentes e orelhas sensíveis. O nariz de Seth estava quase tocando o solo, curvado nos comandos de Sam. Eu senti a dor dele pela deslealdade. Para ele, isso era uma traição durante aquele dia de aliança, lutando ao lado de Edward Cullen, Seth realmente se tornou amigo do vampiro.
Não havia resistência nele, mesmo assim. Ele ia obedecer não importava o quanto machucasse ele. Ele não tinha escolha.
E que escolha eu tinha? Quando o Alfa falou, o bando seguiu.
Sam nunca levou sua autoridade tão longe assim antes; eu sei que ele honestamente odiava ver Seth ajoelhando em sua frente como se fosse um escravo no pé de seu mestre. Ele não ia forçar isso se ele não acreditasse que tivesse outra opção. Ele não podia mentir para gente assim quando nossas mentes estivessem ligadas do jeito que estão. Ele realmente acreditava que nosso dever era destruir Bella e o monstro que ela carregava. Ele realmente acreditava que nós não tínhamos tempo a perder. Ele acreditava que era o bastante até para morrer por isso.
Eu vi que ele iria enfrentar Edward; a habilidade de Edward de ler mentes o fez a maior ameaça na mente de Sam. Sam não deixaria outra pessoa correr esse perigo.
Ele viu Jasper como o segundo - melhor oponente, por isso ele o deu pra mim.
Ele sabia que eu teria uma chance melhor do que qualquer um do bando de ganhar essa luta. Ele deixou os alvos mais fáceis para os lobos mais novos e Leah. A pequena Alice não era perigo sem sua visão do futuro para guiá-la, e
nós sabíamos desde a aliança que Esme não lutava. Carlisle seria mais que um desafio, mas seu ódio de violência iria rendê-lo.
Eu me senti mais mal que Seth enquanto via Sam planejar, tentando trabalhar com os ângulos para dar a cada membro do bando a melhor chance de sobrevivência.
Tudo estava armado. Essa tarde, eu estaria a ponto de atacá-los. Mas Seth estava certo não era uma luta a qual eu estava pronto pra lutar. Eu me ceguei com esse ódio.
Eu não tinha me permitido a olhar cuidadosamente para tudo, porque eu sabia o que eu veria se fizesse isso.
Carlisle Cullen. Olhando para ele sem aquele ódio que anuviava meus olhos, eu não pude negar que matar ele era assassinato. Ele era bom. Bom como qualquer humano que nós protegíamos. Talvez melhor. Os outros, também. Eu supus, mas eu não senti firmeza sobre eles. Eu não os conhecia tão bem. Era Carlisle que odiava lutar, mesmo para salvar sua própria vida. É por isso que nós poderíamos matá-lo porque ele não ia querer nós, seus inimigos, morressem.
Isso era errado. E não era só porque matar Bella parecia como me matar, como suicídio.
Se recomponha, Jacob, Sam ordenou A tribo vem em primeiro.
Eu estava errado hoje, Sam.
Seus motivos eram errados. Mas agora nós temos um trabalho a fazer.
Eu fixei-me
Não.
Sam rosnou e parou de andar na minha frente. Ele encarou meus olhos e um profundo rosnado escorregou por entre seus dentes.
Sim, o Alfa decretou, sua voz dupla mexendo com o calor da autoridade. Não há buracos hoje. Você, Jacob, irá lugar com os Cullen com nós. Você, com Quil e Embry, vão tomar conta de Jasper e Emmett. Você é obrigado a proteger a tribo. É por isso que você existe. Você irá cumprir com a sua obrigação.
Meus ombros encurvaram enquanto o discurso me encontrava. Minhas pernas sucumbiram, e eu estava em minha barriga embaixo dele. Nenhum membro do bando podia recusar o Alfa.

11. As duas coisas no topo da minha lista de coisas-que-eu-nunca-queria-fazer [amanhecer]
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Sam começou a se mover com os outros em formação enquanto eu ainda estava no chão. Embry e Quil estavam dos meus dois lados, esperando que eu me recuperasse e ficasse no ponto.
Eu podia sentir a força, a necessidade, de ficar de pé e liderá-los. A compulsão cresceu, e eu lutei com ela inutilmente, me agarrando ao chão onde eu estava.
Embry choramingou baixinho no meu ouvido. Ele não queria pensar nas palavras, com medo de trazer a atenção de Sam para mim novamente. Eu senti seu rogo silencioso para que eu levantasse, para que eu parasse logo eacabasse logo com isso.
O bando estava amedrontado, não tanto por nós mesmos, mas por todo o conjunto. Nós não tínhamos idéia de que iríamos sair vivos dessa noite. Que irmãos nós íamos perder? Que mentes iam nos deixar para sempre? Que famílias pesarosas estaríamos consolando pela manhã?
Minha mente começou a trabalhar com a deles, a pensar como uma só, enquanto lidávamos com esses medos. Automaticamente eu me ergui do chão e sacudi meus pêlos.
Embry e Quil ronronaram de alívio. Quil tocou o nariz no meu lado uma vez.
As mentes deles estavam cheias com o nosso desafio, nossa tarefa. Nós lembramos juntos das noites em que observamos os Cullen praticando para a noite com os recém-nascidos. Emmett Cullen era o mais forte, mas Jasper seria o mais problemático. Ele se movia como um trovão – poder e velocidade e morte juntos. Quantos séculos de experiência será que ele tinha? O suficiente para os outros Cullen olharem para ele como um guia.
Eu fico com a ponta, você fica com o resto, Quil ofereceu. Havia mais excitação na mente dele do que na maioria dos outros. Quando Quil observou as instruções de Jasper naquelas noites, ele ficou morrendo para testar as habilidades dele contra a dos vampiros. Para ele, isso ia ser um concurso.
Mesmo sabendo que a vida dele estava por um fio, era assim que ele via. Paul estava assim também, e as crianças que nunca estiveram numa batalha, Collin e Brady. Seth provavelmente estaria se sentindo da mesma forma – se os oponentes não fossem amigos dele.
Jake? Quil me cutucou. O que você quer fazer?
Eu só balancei a minha cabeça. Eu não conseguia me concentrar – a compulsão de seguir ordens me fazia sentir como se eu fosse uma marionete movimentada por cordas. Um pé para frente, agora o outro.
Seth estava atrás de Collin e Brady – Leah estava assumindo posição lá. Ela ignorou Seth enquanto fazia planos com os outros, e eu podia ver que ela preferiria deixá-lo fora da briga. Havia algo de maternal nos sentimentos que ela tinha pelo irmão. Ela queria que Sam o mandasse para casa. Seth não registrou os pensamentos de Leah. Ele também estava se ajustando às cordas de marionete.
Talvez se você parasse de resistir..., Embry cochichou.
Fique focado na nossa parte. As partes importantes. Nós podemos vencê-los.
Eles pertencem a nós! Quil estava se preparando – como uma preparação para um jogo importante.
Eu podia ver o quanto isso seria fácil – pensar em nada a não ser a minha parte. Não era difícil me imaginar atacando Emmett e Jasper. Nós já estivemos perto disso antes. Eu pensei neles como inimigos por muito tempo. Eu podia fazer isso de novo agora.
Eu só tinha que esquecer que eles estavam protegendo a mesma coisa que eu ia proteger. Eu tinha que esquecer a razão pela qual eu podia querer que eles vencessem...
Jake, Embry avisou. Mantenha a cabeça no jogo.
Meus pés se moveram desajeitados, tentando se soltar da força das cordas.
Lutar não adianta nada, Embry cochichou de novo.
Ele estava certo. Eu acabaria fazendo o que Sam queria, se ele quisesse me forçar. E ele queria. Obviamente.
Essa era uma boa razão para a autoridade Alpha. Mesmo um bando forte como o nosso não tinha muita força sem nosso líder. Nós tínhamos que nos mover juntos, para conseguir ser efetivos. E isso pedia que um corpo ainda tivesse cabeça.
Então, de que importava se Sam estivesse errado agora? Não havia nada que ninguém pudesse fazer. Ninguém que pudesse questionar sua decisão.
Exceto.
E foi isso – um pensamento que eu nunca, nunca achei que quisesse ter. Mas agora, com as minhas pernas amarradas, eu reconheci essa exceção com alívio – mais que alívio, uma alegria tremenda.
Ninguém podia questionar a decisão do Alpha – exceto eu.
Eu não mereci nada. Mas haviam coisas que tinham nascido em mim, coisas que eu deixei intocadas.
Eu nunca quis liderar o bando. Eu não queria fazer isso agora. Eu não queria a responsabilidade por todos os nossos destinos nos meus ombros. Sam era melhor nisso do que eu jamais seria.
Mas essa noite ele estava errado.
E eu não nasci para me ajoelhar para ele.
Os nós se desfizeram do meu corpo assim que eu aceitei meu direito de nascença. Eu podia senti-lo se juntando em mim, liberdade e também algo estranho, poder vazio. Vazio porque o poder de um Alpha vinha do seu bando, e eu não tinha bando. Por um segundo, a solidão me dominou.
Agora eu não tinha mais bando.
Mas eu estava de ereto e forte quando caminhei para onde Sam estava, fazendo planos com Paul e Jared. Ele se virou pelo som do meu avanço, e seus olhos pretos se estreitaram.
Não, eu disse a ele de novo.
Ele ouviu imediatamente, ouviu a escolha que eu tinha feito e o som da voz Alpha em meus pensamentos.
Ele deu um pulo para trás com um com chocado.
Jacob? O que você fez?
Eu não vou seguir você, Sam. Não em uma coisa tão errada.
Ele me encarou, pasmo. Você... você escolheria seus inimigos à sua família?
Eles não são – eu balancei a cabeça, limpando-a – Eles não são nossos inimigos. Eles nunca formam. No entanto, eu só fui perceber isso quando pensei em destruí-los.
Isso não é sobre eles, ele rosnou pra mim. Isso é sobre Bella. Ela nunca foi a pessoa certa para você, ela nunca te escolheu, mas você continua destruindo sua vida por ela!
Aquelas eram palavras duras, mas eram palavras verdadeiras. Eu deu uma grande aspirada de ar, absorvendo-as.
Talvez você esteja certo. Mas você vai destruir o bando por causa dela, Sam.
Não importam quantos deles sobrevivam esta noite, eles sempre terão um assassinato nas mãos.
Nós temos que proteger as nossas famílias!
Eu sei o que você decidiu, Sam. Mas você já não decide mais por mim.
Jacob – você não pode dar as costas para a nossa tribo.
Eu ouvi o eco duplo do comando Alpha dele, mas dessa vez ele não teve peso nenhum. Ele já não se aplicava mais a mim. Ele apertou a mandíbula, tentando me forçar a responder às palavras dele.
Eu olhei dentro de seus olhos furiosos. O filho de Ephraim Black não nasceu para seguir o filho de Levi Uley.
É isso então, Jacob Black? O pescoço dele levantou e seus lábios se ergueram sobre os lábios. Paul e Jared rosnaram e se puseram ao lado dele. Mesmo quevocê possa me derrotar, o bando nunca vai te seguir!
Agora eu dei um passo pra trás, um gemido de surpresa escapando de minha garganta.
Derrotar você? Eu não vou lutar com você, Sam.
Então qual é o seu plano? Eu não vou sair do caminho para que você proteger aqueles vampiros à custa da tribo.
Eu não estou te dizendo para sair do caminho.
Se você ordenar que eles te sigam ...
Eu nunca tiraria o livre arbítrio de ninguém.
O rabo dele balançou para frente e para trás enquanto ele se refazia do julgamento nas minhas palavras. Ele deu um passo à frente até que estávamos cara a cara, seus dentes expostos a centímetros dos meus. Até esse momento eu não tinha reparado que tinha ficado mais alto que ele.
Não pode haver mais de um Alpha. O bando me escolheu. Você vai nos separar essa noite? Vai dar as costas aos seus irmãos? Ou vai esquecer essa insanidade e se juntar a nós de novo? Cada palavra estava coberta de comando, mas elas não me tocaram. Sangue Alpha forte corria em minhas veias.
Eu podia ver porque nunca havia mais de um macho Alpha em um bando.
Meu corpo estava respondendo ao desafio dele. Eu podia sentir o instinto de defender o que era meu crescendo em mim.
O lado mais primitivo do meu ‘eu’ lobisomem ficou tenso pela batalha da supremacia.
Eu foquei toda a minha energia em controlar essa reação. Eu não ia me meter numa briga sem noção, destrutiva com Sam. Ele ainda era meu irmão, mesmo que eu estivesse rejeitando ele.
Só há um macho Alpha nesse bando. Eu não estou contestando isso. Eu estou apenas escolhendo o meu próprio caminho.
Você pertence a um grupo agora, Jacob?
Eu enrijeci.
Eu não sei, Sam. Mas eu sei disso ...
Ele foi para trás quando sentiu o peso do meu tom Alpha. Ele o afetava mais do que o dele afetava a mim. Porque eu nasci para ser líder.
Eu vou ficar entre você e os Cullen. Eu não vou simplesmente ficar olhando enquanto o bando mata pessoas – era difícil aplicar essa palavra para vampiros, mas era a verdade – inocentes. O bando é melhor que isso. Lidere os na direção certa, Sam.
Eu dei as costas para ele, e um coro de uivos cortou o ar ao meu redor.
Enterrando minhas garras na terra, eu corri do tumulto que causei. Eu não tinha muito tempo. Pelo menos Leah era a única que conseguia me vencer numa corrida, e eu tinha saído antes dela.
Os uivos foram sumindo com a distância, e eu me senti confortável enquanto o som continuou a invadir a noite silenciosa. Eles inda não estavam atrás de mim.
Eu tinha que avisar os Cullen antes que o bando pudesse se unir e me impedir.
Se os Cullen estivessem preparados, talvez isso desse a Sam uma chance de repensar antes que fosse tarde demais. Eu corri em direção à casa branca que eu ainda odiava, deixando a minha casa pra trás. Uma casa a qual eu não pertencia mais. Eu tinha dado as costas a ela.
Hoje começou como qualquer outro dia. Eu fui para casa com a patrulha com o nascer do sol chuvoso, café da manhã com Billy e Rachel, televisão de má qualidade, briga com Paul. Como foi que tudo mudou tão completamente, ficou tão surreal? Como tudo ficou tão bagunçado e fora do lugar até que eu vim parar aqui, sozinho, Alpha sem querer, separado dos meus irmãos, escolhendo vampiros e não eles?
O som que eu estive temendo de tirou dos meus pensamentos – era o leve impacto de patas grandes contra o chão, me perseguindo. Eu me atirei para a frente, voando pela floresta negra como um foguete. Eu só tinha que chegar perto o suficiente para que Edward ouvisse o aviso na minha cabeça. Leah não seria capaz de me impedir sozinha.
E então eu ouvi o humor dos pensamentos atrás de mim. Não raiva, mas entusiasmo... Não me perseguindo, mas me seguindo. Minha corrida parou. Eu tropecei dois passos antes de começar a correr novamente.
Espere. Minhas pernas não são tão longas quanto as suas.
SETH! O que você tá FAZENDO? VÁ PRA CASA!
Ele não respondeu, mas eu podia sentir a excitação dele enquanto ele continuava atrás de mim. Eu podia ver através dos olhos dele, assim como ele podia ver através dos meus. O cenário noturno estava vazio para mim – cheio de desespero. Para ele estava cheio de esperança.
Eu não me dei conta que estava diminuindo de velocidade, mas de repente ele estava nos meus calcanhares, correndo ao meu lado.
Eu não estou brincando, Seth! Isso não é lugar pra você. Dá o fora daqui.
O grande lobo de cor enferrujada rosnou.
Eu to contigo, Jacob. Eu acho que você está certo. E eu não vou ficar atrás de Sam quando ...
Ah, sim, você vai ficar atrás de Sam sim! Leve a sua bunda peluda de volta para La Push e faça o que Sam te disser pra fazer.
Não.
Vai, Seth!
Isso é uma ordem, Jacob?
A pergunta dele me pegou de surpresa. Eu parei imediatamente, minhas garras fazendo buracos na terra.
Eu não estou ordenando que ninguém faça nada. Eu só estou te dizendo o que você já sabe.
Ele se sentou ao meu lado. Eu vou te dizer o que eu sei – Eu sei que isso aqui está quieto demais. Você reparou?
Eu pisquei. Meu rabo balançou nervosamente enquanto eu me dava conta do que ele estava pensando por baixo daquelas palavras. Se certa forma, não
estava quieto. Uivos enchiam o ar, a oeste.
Eles não se transformaram de volta, Seth disse.
Isso eu sabia. O bando devia estar em alerta vermelho agora. Eles estariam usando a ligação entre as mentes para ver todos os lados com clareza. Mas eu não podia ouvir o que eles estavam pensando. Eu só podia ouvir Seth.
Ninguém mais.
Para mim parece que bandos separados não tem essa ligação. Huh. Acho que nunca ouve motivos para os nossos pais saberem disso antes. Porque nunca houve motivo para separar os bandos antes. Nunca houveram lobos suficientes para haver dois bandos. Wow. Está muito quieto. É meio estranho. Mas até que é legal, você não acha? Eu aposto que era mais fácil, assim, para Ephraim, Quil e Levi. Não há muita tagarelice só entre três. Ou dois.
Cala a boca, Seth.
Sim, senhor.
Para com isso! Não tem dois bandos. Tem O bando, e tem eu. Isso é tudo.
Então você pode voltar para casa agora.
Se não existem dois bandos, então porque podemos ouvir um ao outro, e não o resto? Eu acho que quando você deu as costas para Sam, esse foi um passo muito significante. Uma mudança. E quando eu segui você, eu acho que isso foi significante também.
Você tem razão, eu concedi. Mas o que muda uma vez pode mudar de novo.
Ele levantou e começou a correr para o leste. Não temos tempo agora. Nós devíamos estar nos movendo agora antes que Sam...
Nessa parte ele estava certo. Não havia tempo para essa discussão. Eu comecei a correr novamente, mas sem me esforçar tanto. Seth ficou nos meus calcanhares, ficando na tradicional segunda posição no meu lado direito.
Eu posso correr para algum outro lugar, ele pensou, seu nariz baixando um pouco. Eu não te segui para conseguir uma promoção.
Corra para onde você quiser. Não faz diferença para mim. Não havia som de perseguição, mas nós apertamos um pouco o passo ao mesmo tempo. Agora eu estava preocupado. Se eu não conseguisse espiar na mente do bando, isso ia dificultar mais as coisas. Eu não teria mais sorte no ataque que os Cullen.
Vamos fazer patrulhas, Seth sugeriu.
E o que fazemos se o bando nos desafiar? Meus olhos se apertaram. Atacar nossos irmãos? Sua irmã?
Não – a gente dá o alarme e se manda.
Boa resposta. Mas e depois? Eu não acho...
Eu sei, ele concordou. Menos confiante agora. Eu também não acho que a gente consiga lutar com eles. Mas eles não estarão mais felizes com a idéia de nos atacar do que nós estaremos com a idéia de atacá-los. Isso pode ser o suficiente para impedi-los. Além do mais, agora eles são apenas oito.
Deixe de ser tão... Eu levei um minuto para decidir qual era a palavra certa.
Otimista. Está me deixando nervoso.
Sem problema. Você quer que eu seja totalmente negativo, ou eu só calo a boca?
Só cale a boca.
Isso eu posso fazer.
Mesmo? Não é o que parece.
Finalmente ele ficou quieto.
E então estávamos ao lado da estrada e nos movendo ao redor da floresta que cercava a casa dos Cullen. Edward já podia nos ouvir?
Talvez devêssemos estar pensando algo como “viemos em paz”
Vá em frente.
Edward? Ele chamou o nome com hesitação. Edward, você está aí? Okay, agora eu me sinto meio estúpido.
Você está soando estúpido também.
Acha que ele pode nos ouvir?
Estávamos a menos de dois quilômetros de distância agora. Eu acho que sim.
Hey, Edward. Se você conseguir me ouvir – aparece aí, sugador de sangue.
Você tem um problema.
Nós temos um problema, Seth corrigiu.
Então atravessamos as árvores que davam para o grande jardim. A casa estava escura, mas não vazia. Edward estava na varanda com Emmett e Jasper. Eles eram brancos como neve na luz pálida.
“Jacob? Seth? O que está acontecendo?”
Eu diminuí de velocidade e então dei uns passos para trás. O cheiro era tãoforte com esse nariz que honestamente parecia estar me queimando. Seth gemeu baixinho, hesitando, e então voltou para trás de mim.
Para responder a pergunta de Edward, eu deixei minha mente correr pelo confronto com Sam, vendo tudo de trás para frente. Seth pensou comigo, preenchendo as lacunas, mostrando a cena de outro ângulo. Nós paramos na parte sobre a “aberração” porque Edward rosnou furiosamente e saiu da varanda.
“Eles querem matar Bella?” Ele rugiu simplesmente.
Emmett e Jasper, sem ter ouvido a primeira parte da conversa, tomaram a pergunta ríspida dele como um fato. Em um flash, os dois estavam ao lado dele, dentes expostos enquanto eles se moviam para nós.
Hey, agora, Seth pensou, indo para trás.
“Em, Jazz – não eles! Os outros. O bando está vindo.”
Emmett e Jasper pararam imediatamente; Emmett se virou para Edward enquanto Jasper mantinha os olhos grudados em nós.
“Qual o problema deles?” Emmett quis saber.
Eu pensei no que ele me pediu mais cedo naquele dia. Quando se tratasse de Bella, não haviam linhas que ele não fosse cruzar. Sim, pediria.
Ele pensou nisso e balançou a cabeça. “Eu acho que nisso você está certo.”
Eu suspirei pesadamente. Bem, essa não é a primeira vez que eu não faço isso por você.
“Certo”, ele murmurou.
Me desculpe por não ter ajudado hoje. Eu te disse que ela não ia me ouvir.
“Eu sei. Eu nunca acreditei que ela ouviria. Mas...”
Você precisava tentar. Eu entendo. Ela está melhor?
A voz e os olhos dele ficaram vazios. “Pior”, ele respirou.
Eu não queria que essa palavra me alcançasse. Eu me senti agradecido quando Alice falou.
“Jacob, você se importaria em se transformar?” Alice pediu. “Eu quero saber o que está acontecendo.”
Eu balancei a cabeça ao mesmo tempo que Edward respondeu.
“Ele precisa manter contato com Seth.”
 “Bem, então será que você podia fazer a gentileza de me contar o que está acontecendo?”
Ele explicou em frases curtas, sem emoção. “O bando acha que Bella se tornou um problema. Eles vêem problemas futuros no... no que ela está carregando. Eles sentem que é seu dever remover o perigo. Jacob e Seth debandaram do bando para nos avisar. O resto está planejando um ataque esta noite.”
Alice rosnou, se afastando de mim. Emmett e Jasper trocaram um olhar, e seus olhos procuraram entre as árvores.
Não há ninguém por aí, Seth avisou. Está tudo quieto no lado oeste.
Isso pode mudar.
Eu vou para o outro lado.
“Carlisle e Esme estão chegando.” Emmett disse. “Vinte minutos no máximo.”
“Devíamos tomar uma posição defensiva”, Jasper disse.
Edward balançou a cabeça. “Vamos para dentro.”
Eu vou vasculhar o perímetro com Seth. Se eu me afastar demais e você não me ouvi, fique alerta para o meu uivo.
“Vou ficar”.
Eles voltaram para a casa, os olhos vasculhando todos os lugares. Antes deles terem entrado, eu virei e comecei a correr para o oeste.
Eu ainda não estou achando muita coisa, Seth me disse.
Eu vou fazer um meio círculo. Mova-se rápido – nós não queremos que eles tenham uma chance de passar por nós.
Seth se lançou em frente numa explosão repentina de velocidade.
Nós corremos em silêncio,e os minutos se passaram. Eu ouvi os barulhos ao redor dele, fazendo uma checagem dupla no julgamento dele.
Hey – alguma coisa está se aproximando rápido! Ele me avisou depois de quinze minutos de silêncio.
Tô a caminho!
Fique onde está – eu não acho que seja o bando. O som é diferente.
Seth ...
Mas ele sentiu o cheiro do que se aproximava na brisa, e eu li na mente dele. Vampiro. Aposto que é Carlisle.
Seth, fique para trás. Pode ser outra pessoa.
Não, são eles. Eu reconheço o cheiro. Espere, eu vou me transformar para explicar para eles.
Seth, eu não acho ..
Mas ele já tinha ido.
Ansiosamente, eu corri pela borda do lado oeste. Não seria maravilhoso se Seth se só por uma noite eu não precisasse tomar conta de Seth? E se alguma coisa acontecesse com ele no meu turno? Leah ia me fazer em pedacinhos. Pelo menos o garoto não demorou muito. Menos de dois minutos depois eu o senti na minha cabeça.
É Carlisle e Esme. Cara, eles ficaram surpresos demais em me ver!
Provavelmente eles já estão lá dentro agora. Carlisle agradeceu. Ele é um cara legal.
É. Um dos motivos pelos quais estamos certos nisso.
Espero que sim.
Porque você está tão para baixo, Jake? Eu aposto que Sam não vai trazer o bando hoje. Ele não vai se meter numa missão suicida.
Eu suspirei. De qualquer maneira, não parecia importar.
Oh. Isso não tem muito a ver com Sam, tem?
Eu fiz a volta no final da patrulha. Eu senti o cheiro de Seth vindo do lugar onde ele tinha passado. Não estávamos deixando nada passar.
Você acha que Bella vai morrer do mesmo jeito, Seth sussurrou.
Sim, ela vai.
Pobre Edward. Ele deve estar louco. Literalmente.
O nome de Edward fez outras memórias virem à superfície. Seth as leu impressionado.
E então ele estava uivando. Oh, cara! Sem essa! Você não fez isso! Isso foi simplesmente um lixo, Jake! E você também sabe disso! Eu não acredito que você disse que o mataria. O que foi isso? Você precisa dizer a ele que não.
Cala a boca, cala a boca, seu idiota! Eles vão pensar que o bando está vindo!
Oops! Ele parou na metade do uivo.
Eu virei e comecei a correr em direção à casa. Fique fora disso, Seth. Vigie o círculo inteiro agora.
Seth resmungou, e eu o ignorei.
Alarme falso, alarme falso, eu pensei enquanto corria mais para perto.
Desculpa. Seth é jovem. Ele esquece as coisas. Ninguém está atacando.
Alarme falso.
Quando eu cheguei na clareira eu pude ver Edward olhando pra fora por uma janela escura. Eu corri pra dentro, querendo ter certeza que ele tinha entendido a mensagem.
Não tem nada aqui fora – você ouviu?
Ele balançou a cabeça uma vez.
Isso seria muito mais fácil se a comunicação não fosse unilateral. Mas também, eu estava meio feliz por não estar na mente dele.
Ele olhou por cima do ombro, pra dentro da casa, e eu vi seu corpo inteiro estremecendo. Ele me dispensou com um aceno sem olhar na minha direção novamente e saiu da minha vista.
O que está acontecendo? Como se eu fosse receber uma resposta.
Eu fiquei imóvel na clareira e escutei. Com esses ouvidos, eu quase conseguia ouvir os passos suaves de Seth, quilômetros fora da floresta. Era fácil ouvir qualquer som de dentro da casa escura.
“Foi alarme falso”, Edward estava explicando numa voz morta, só repetindo o que eu tinha dito. “Seth estava nervoso com alguma outra coisa, e esqueceu que estávamos esperando o sinal. Ele é muito jovem.”
“Bom ter totós guardando o forte”, uma voz mais profunda murmurou.
Emmett, eu pensei.
“Eles nos fizeram um grande serviço esta noite, Emmett”, Carlisle disse. “Um grande sacrifício pessoal.”
“É, eu sei. Só estou com inveja. Eu queria estar lá fora.”
“Seth não acha que Sam vai atacar agora”, Edward disse mecanicamente.
“Não com a gente de sobreaviso, e sem dois membros do bando.”
“O que Jacob acha?” Carlisle perguntou.
“Ele não está tão otimista.”
Ninguém falou. Houve um som baixinho de algo pingando que eu não pude divisar. Eu ouvi a respiração baixa deles – e eu conseguia separar a de Bella das restantes. Era mais ríspida, trabalhosa. Ela assobiava e se quebrava em ritmos estranhos. Eu podia ouvir seu coração. Parecia... rápido demais. Eu o comparei com as minhas próprias batidas, mas eu não sabia se era uma boa medição. Não era como se eu fosse normal.
“Não toque nela! Você vai acordá-la”, Rosalie sussurrou.
Alguém suspirou.
“Rosalie”, Carlisle murmurou.
“Não comece comigo, Carlisle. Deixamos você fazer o que queria mais cedo, mas isso é só o que nós deixamos.”
Parecia que Bella e Rosalie agora estavam sempre falando no plural. Como se agora elas formassem seu próprio bando.
Eu andei rapidamente pela frente da casa. Cada passada me lavava um pouco mais para perto. Janelas escuras eram como uma televisão ligada em alguma sala de espera chata – era impossível manter os olhos longe delas por muito tempo.
Alguns minutos mais, algumas passadas mais, e meu pêlo já estava roçando na varanda enquanto eu passava.
Eu podia ver através das janelas – ver o topo das paredes e os tetos, o candelabro apagado que tinha lá. Eu era alto o suficiente para apenas ter que erguer meu pescoço um pouquinho... e talvez uma pata na beira na varanda...
Eu dei uma espiada na grande sala aberta da frente, esperando ver algo muito similar à cena desta tarde. Mas tudo tinha mudado tanto que no início eu fiquei confuso. Por um segundo eu achei que estava olhando para a sala errada.
A parede de vidro tinha sumido – ela parecia feita de metal agora. E todos os móveis haviam sido tirados do caminho, com Bella encurvada de forma estranha sobre uma cama estreita no centro do espaço aberto. Não era uma cama normal – mas uma com rodinhas, como aquelas de hospital. Assim como num hospital, também havia monitores plugados em seu corpo, os tubos
enfiados em sua pele. As luzes no monitor brilhavam, mas não havia som. O barulho de algo pingando vinha de uma intravenosa plugada no braço dela – algum fluido que era grosso e branco, não transparente.
Ela tossiu um pouco em seu sono agitado, e tanto Edward quanto Rosalie se inclinaram para observá-la. O corpo dela se contorceu e ela gemeu. Rosalie alisou a testa de Bella com as mãos. O corpo de Edward enrijeceu – ele estava de costas para mim, mas a expressão dele deve ter sido interessante porque Emmett se colocou entre os dois antes que houvesse tempo para piscar. Ele ergueu as mãos para Edward.
“Esta noite não, Edward. Temos outras coisas pra nos preocupar.”
Edward deu as costas pra eles, e ele parecia estar queimando novamente. Os olhos dele encontraram os meus por um minuto, e então eu saí da janela.
Eu voltei correndo para a floresta, correndo para me juntar a Seth, fugindo do que estava atrás de mim.
Pior. Sim, ela estava pior.

12. Algumas pessoas não entendem o conceito: "NÃO DESEJADO" [amanhecer]
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Eu estava quase dormindo. O sol havia saído por trás das nuvens há uma hora atrás – a floresta estava cinza agora, ao invés de escura. Seth tinha se enrolado e desmaiado por volta de 1 hora, e eu o acordei de madrugada para a troca.
Mesmo depois de correr a noite toda, eu estava lutando para fazer meu cérebro se calar o bastante para poder dormir, mas o ritmo da corrida de Seth não estava ajudando. Um, dois - três, quatro, um, dois - três, quatro – dum, dum, dum, dum – estúpida pancada de pata contra a terra úmida, repetidamente enquanto ele fazia o longo circuito por volta da terra dos Cullen. Nós já estávamos deixando pegadas no chão. Os pensamentos de Seth estavam vazios, apenas uma mancha verde e cinza quando o mato voava para cima dele.
Estava tranqüilo. Isso ajudou a encher minha mente com as coisas que ele via, ao invés de deixar minhas próprias imagens tomarem conta.
E então o perfurante uivo de Seth quebrou o silêncio da manhã.
Eu me inclinei do chão, minhas patas dianteiras se arrastando rapidamente, antes de minhas patas traseiras saírem do chão. Eu corri ao lugar em que Seth estava congelado, ouvindo com ele os passos de patas vindo em nossa direção.
Bom dia, garotos.
Um choro abalado se quebrou através dos dentes de Seth. E então nós dois rangemos os dentes conforme ouvíamos os novos pensamentos.
Oh, cara! Vá embora, Leah! Seth rugiu.
Eu parei quando cheguei até Seth, cabeça para trás, pronto para uivar novamente – desta vez para reclamar.
Pare o barulho, Seth.
Certo! Ugh! Ugh! Ugh! Ele choramingou e bateu no chão, raspando dobra na sujeira.
Leah apareceu, seu pequeno corpo cinza mostrando-se através dos arbustos.
Pare de choramingar, Seth. Você é só um bebê.
Eu rosnei para ela, minhas orelhas achatadas contra minha cabeça. Ela saltou um passo para trás automaticamente.
O que pensa que está fazendo, Leah?
Ela bufou um suspiro pesado. É muito óbvio, não é? Eu estou entrando na porcaria do seu pequeno e renegado bando. Os cães de guarda dos vampiros.
Ela latiu uma baixa e sarcástica risada.
Não, você não está. Volte antes que eu arranque um de seus tendões.
Como se você pudesse me pegar. Ela riu e se abaixou para correr. Quer competir, ó corajoso líder?
Eu respirei fundo, enchendo meus pulmões até que meus lados se destacassem. Então quando tive certeza de que não iria gritar, soltei o ar com um sopro forte.
Seth, vá contar aos Cullen que é somente sua estúpida irmã – Eu pensei nas palavras o mais cruelmente possível. – Eu cuido disso.
É pAra já! Seth era o único feliz demais para partir. Ele desapareceu em direção a casa.
Leah lamentou, e o olhou. O pêlo em seus ombros levantando. Você está deixando-o ir até os vampiros sozinho?
Estou certo de que ele preferia que eles o levassem do que passar mais um minuto aqui com você.
Cala a boca, Jacob. Oops, me desculpe – quero dizer, cala a boca, maior poderoso Alfa.
Por que diabos você está aqui?
Você acha que vou ficar sentada em casa enquanto meu irmãozinho se voluntaria como brinquedo de mastigar dos vampiros?
Seth não quer ou precisa de sua proteção. Na verdade, ninguém te quer aqui.
Ohhh, ai, isso vai deixar uma grande marca. Ha, ela latiu. Diga quem me quer por perto, e eu partirei.
Então isso não tem nada a ver com Seth, tem?
Lógico que tem. Estou apenas apontando que ser indesejada não é um princípio pAra mim. Não é um fator motivador, se você entende o que quero dizer.
Eu cerrei os dentes e tentei pensar direito.
Sam te mandou?
Se eu estivesse aqui em missão de Sam, você não estaria disposto a me ouvir.
Minha aliança está longe de ser com ele.
Eu escutei cuidadosamente aos pensamentos misturados as palavras. Se isso fosse uma distração ou um truque, eu teria que ser alerto o suficiente para enxergá-los. Mas não havia nada. Sua declaração não era nada, senão a verdade. Relutante, quase desesperadora verdade.
Você é leal a mim agora? Eu perguntei com profundo sarcasmo. Uh-huh. Certo.
Minhas escolhas são limitadas. Estou trabalhando com as opções que tenho.
Confie em mim, não estou gostando disso mais que você.
Isso não era verdade. Tinha um irritável tipo de excitamento na mente dela.
Ela não estava contente com isso, mas ela também estava montando em alguma estranha altura. Eu procurei sua mente, tentando entender.
Ela se enfureceu, ofendendo-se pela invasão. Eu normalmente tentava direcionar Leah – eu nunca tentei achar lógica nela antes.
Nós fomos interrompidos por Seth, pensando em sua explicação de Edward.
Leah resmungou ansiosamente. O rosto de Edward, formado na mesma janela da noite passada, não mostrou reação às novidades. Era um rosto vazio, sem vida.
Wow, ele parece mal. Seth murmurou para si mesmo. O vampiro não mostrou reação àquele pensamento também. Ele desapareceu pela casa. Seth se
posicionou e voltou para onde estávamos. Leah relaxou um pouco.
O que está acontecendo? Leah perguntou. Alcance-me para correr.
Não há desculpas. Você não vai ficar.
Na verdade, Sr. Alfa, eu vou. Porque desde que aparentemente eu tenho que pertencer a alguém – e não pense que eu não tenha tentado partir sozinha, você bem sabe por si mesmo que isso não funciona – eu escolho você.
Leah, você não gosta de mim. Eu não gosto de você.
Obrigada, Capitão Óbvio. Isso não importa para mim. Eu estou com Seth.
Você não gosta de vampiros. Não acha que é um pequeno conflito de interesses bem ali?
Você também não gosta de vampiros.
Mas eu estou comprometido a esta aliança. Você não.
Eu manterei distância deles. Eu posso fazer rondas por aqui, da mesma forma
que Seth.
E eu deveria acreditar nisso?
Ela esticou seu pescoço, se inclinando até os dedos dos pés, tentando ser tão alta quanto eu para me olhar nos olhos. Eu não trairei meu bando. Eu queria inclinar a cabeça e uivar, como Seth havia feito antes. Este não é o seu bando!
Isto nem mesmo é um bando! Este só sou eu, apodrecendo sozinho! O que vocês têm, Clearwaters? Por que não me deixam sozinho?
Seth, aparecendo por trás de nós agora, choramingou. Eu o ofendi. Ótimo.
Eu tenho sido prestativo, não tenho, Jake?
Você não fez mais do que se chatear, garoto, mas se você e Leah são um pacote – se a única maneira de me livrar dela é te mandar pAra casa... Bem, você pode me culpar por querer que você vá?
Ugh, Leah, você destruiu tudo!
Sim, eu sei, ela disse a ele, e o pensamento estava carregado com o peso de seu desespero.
Eu senti a dor nas três pequenas palavras, e era mais do que eu poderia adivinhar. Eu não queria sentir isso. Eu não queria me sentir mal por ela.
Claro, o bando era duro com ela, mas ela trouxe tudo isso com a amargura que a manchou a cada pensamento, e fez sua mente ser um pesadelo. Seth estava se sentindo culpado também.
Jake... você não vai mesmo me mandar embora, vai? Leah não é má. Sério.
Quero dizer, com ela aqui nós podemos pressionar o perímetro por mais tempo. E isso coloca Sam abaixo de sete. Não há maneira de ele montar um ataque com número maior. É provavelmente uma coisa boa...
Sabe, eu não quero liderar um bando, Seth.
Então não nos lidere. Leah ofereceu.
Eu bufei. Parece perfeito pra mim. Vão pra casa agora.
Jake. Seth pensou. Eu pertenço aqui. Eu gosto de vampiros. Dos Cullen. Eles são pessoas para mim, e eu os protegerei, porque é isso que nós deveríamos fazer.
Talvez você pertença, garoto, mas sua irmã não. E ela irá para o lugar que você estiver...
Eu parei brevemente, porque vi alguma coisa quando disse isso. Algo que Leah estava tentando não pensar a respeito. Leah não ia para lugar algum.
Pensei que isso era sobre Seth, eu pensei de mal humor.
Ela hesitou. Claro que estou aqui por Seth. E para ficar longe de Sam.
Seus dentes trincaram. Eu não tenho que me explicar para você. Só tenho que fazer o que me disseram. Eu pertenço ao seu bando. Fim.
Eu andei para longe dela, rosnando.
Merda. Eu nunca iria me livrar dela. O tanto que ela não gostava de mim, o tanto que ela detestava os Cullen, o tanto que ela ficaria feliz ao matar todos os vampiros agora, o quanto ela estava irritada por ter de protegê-los ao invés disso – tudo isso não era nada comparado no quanto ela se sentia livre de Sam.
Leah não gostava de mim, então não era uma tarefa desejar que ela desaparecesse.
Ela amava Sam. Ainda. E tendo o desejo dele de que ela desaparecesse, era mais doloroso do que ter vontade de viver com ele, agora que ela tinha uma escolha. Ela teria escolhido qualquer outra opção. Mesmo se isso significasse se mudar com os Cullen, como seu cãozinho.
Eu não sei se iria tão longe, ela pensou. Ela tentou fazer as palavras soares duras, agressivas, mas tinham grandes confusões em sua declaração. Tenho certeza que eu me mataria por algumas tentativas antes...
Olhe, Leah...
Não, você olhe, Jacob. Pare de argumentar comigo, porque isso não fará bem algum. Eu ficarei longe de seu caminho, ok? Eu farei qualquer coisa que você quiser. Exceto voltar ao bando de Sam e ser a patética ex-namorada de Sam, a qual ele não consegue que se desgrude dele. Se você quiser que eu vá... – ela sentou e olhou em meus olhos –você terá que me fazer ir.
Eu resmunguei por um longo, raivoso minuto. Estava começando a sentir alguma simpatia por Sam, a despeito do que ele tinha feito comigo, com Seth.
Sem perguntar se ele estava sempre ordenando o bando por aí. De que outro jeito você teria feito qualquer outra coisa?
Seth, você ficará bravo comigo se eu matar sua irmã?
Ele fingiu pensar por um minuto. Bem...sim, provavelmente.
Eu suspirei.
Ok então, senhora faço-tudo-que-você-quiser. Porque você não faz algo de útil, e nos conta tudo o que sabe? O que aconteceu depois que nós partimos noite passada?
Muitos uivos. Mas você provavelmente ouviu esta parte. Eram tão altos que nos levou tempo para descobrir que não podíamos ouvir nenhum de vocês mais. Sam estava... As palavras falharam, mas nós podíamos ver em sua mente. Eu e Seth nos encolhemos.
Depois disso, ficou bem claro que nós teríamos de repensar as coisas. Sam estava planejando falar com o outro ancião a primeira coisa esta manhã. Nós deveríamos nos encontrar, e descobrir um plano de jogo. Eu poderia dizer que ele não estava montando um novo ataque agora mesmo, pelo menos. Suicídio neste ponto, com você e Seth fugidos e os sugadores de sangue prevenidos.
Não estou certa sobre o que eles farão, mas eu não ficaria perambulando pela floresta sozinha, se fosse um parasita. É estação de caça nos vampiros agora.
Você decidiu fugir do encontro esta manhã? Eu perguntei.
Quando nós fracassamos na ronda a noite passada, eu pedi permissão para ir para casa, e contar a minha mãe o que tinha acontecido.
Merda, você contou a mamãe?, Seth rosnou.
Seth, segure essa coisa de irmãos por um segundo. Continue, Leah.
Então, uma vez humana, eu tirei um minuto para pensar nas coisas. Bem, na verdade eu tirei a noite toda. Aposto que os outros pensaram que eu adormeci.
Mas toda a coisa de dois-bandos-separados, dois-bandos-de-mentes-separadas, me deu muito o que filtrar. No fim, eu decidi pela segurança de Seth e, erm, os outros benefícios contra a idéia de virar traidora, e cheirar fedor de vampiro por quem sabe quanto tempo. Você sabe o que decidi. Deixei um bilhete para minha mãe. Espero que nós ouçamos quando Sam descobrir...
Leah inclinou seu ouvido para o oeste.
É, eu espero que sim, concordei.
Ela e Seth me olharam esperançosamente. Este era o tipo de coisa que eu não queria ter que fazer.
Acho que nós temos que ficar de olho por agora. Isso é tudo que podemos fazer. Você provavelmente deveria tirar um cochilo, Leah.
Você dormiu tanto quanto eu.
Pensei que fosse fazer o que lhe disserem para fazer?
Certo. Isso vai ser longo, ela resmungou e bocejou. Bem, tanto faz. Eu não ligo.
Eu fico na fronteira, Jake. Não estou nem um pouco cansado. Seth estava tão feliz que eu não tinha o forçado a ir pra casa, ele estava pulando de alegria.
Claro, claro. Eu estou indo checar com os Cullen.
Seth se retirou sob o novo percurso gasto pela terra úmida. Leah o observou pensativamente.
Talvez uma volta ou duas antes de eu bater...Hey Seth, quer ver quantas vezes eu consigo te lamber?
NÃO!
Latindo baixas risadas, Leah disparou na floresta atrás dele.
Eu rosnei em vão. Muito por paz e tranqüilidade.
Leah estava tentando – por Leah. Ela manteve seus zumbidos baixos enquanto corria pelo caminho, mas era impossível não notar seu humor satisfeito. Eu pensei em todas as “duas companhias” falando. Eu não apliquei realmente, porque uma era abundante em minha mente. Mas se tinha que ser três de nós, era difícil pensar em alguém para quem eu não a comercializaria.
Paul?, ela sugeriu.
Talvez, eu permiti.
Ela riu para si mesma, tensa demais para se sentir ofendida. Eu me perguntei quanto tempo duraria o cochicho de se esquivar da piedade de Sam. Isso será minha vitória, então – ser menos irritante do que Paul.
Sim, trabalhe nisso.
Eu mudei para minha outra forma quando estava a poucos metros do gramado.
Eu não tinha planejado passar tanto tempo como humano aqui. Mas eu não tinha planejado ter Leah em minha mente também. Eu puxei meu short áspero, e comecei a atravessar o gramado.
A porta se abriu antes de eu chegar até lá, e fiquei surpreso ao ver Carlisle ao invés de Edward andando ao lado de fora para me encontrar – seu rosto parecia exausto e derrotado. Por um momento, meu coração congelou. Eu hesitei ao parar, incapaz de falar.
“Você está bem, Jacob?” Carlisle perguntou.
“Bella está?” Eu sufoquei.
“Ela está... como na noite passada. Eu te assustei? Me desculpe. Edward disse que você estava vindo em sua forma humana, e eu vim para lhe receber, já que ele não quis deixá-la. Ela está acordada.”
E Edward não quis perder tempo com ela, porque ele não tem muito tempo a perder. Carlisle não quis dizer as palavras em voz alta, mas talvez ele também tivesse.
Já tinha passado um tempo desde que eu adormeci – desde antes da minha última ronda. Eu realmente poderia sentir isso agora. Eu segui em frente, sentei na varanda, e caí sob o corrimão.
Movendo-se suavemente e silenciosamente como somente um vampiro poderia fazer, Carlisle se sentou no mesmo lugar, encostando-se ao outro corrimão.
“Eu não tive a chance de te agradecer a noite passada, Jacob. Você não sabe o quanto eu aprecio sua... compaixão. Sei que seu objetivo era proteger a Bella, mas eu devo a você a segurança do resto de minha família também. Edward me disse o que você teve que fazer...”
“Não mencione isso,” eu murmurei.
“Se você prefere.”
Nós sentamos em silêncio. Eu podia ouvir os outros dentro de casa. Emmett, Alice e Jasper, falando em vozes baixas e sérias no andar de cima. Esme sussurrando desafinada em outro quarto. Rosalie e Edward respirando próximos a – eu não poderia dizer qual era qual, mas eu podia ouvir a diferença no esforço de Bella ofegando. Eu podia ouvir seu coração também.
Ele parecia... irregular.
Era como se o destino me mandasse fazer tudo que eu sempre jurei que não faria no curso de 24 horas. Aqui estava eu, de bobeira, esperando-a morrer.
Eu não queria ouvir mais. Falar era melhor do que ouvir.
“Ela é família para você?” Perguntei a Carlisle. Eu tinha notado isso antes, quando ele disse que eu tinha ajudado o resto de sua família também.
“Sim. Bella já é uma filha para mim. Uma filha querida.”
“Mas você vai deixá-la morrer.”
Ele ficou quieto tanto tempo que eu ergui os olhos. Seu rosto estava muito, muito cansado. Eu sabia como ele se sentia.
“Posso imaginar que você pensa que estou fazendo isso”, finalmente ele disse.
“Mas eu não posso ignorar a vontade dela. Não seria certo fazer uma escolha por ela, forçá-la.”
Eu queria ficar bravo com ele, mas ele fazia isso ser difícil. Era como se ele jogasse minhas próprias palavras de volta a mim, dispersas. Elas soariam
certas antes, mas não poderiam estar certas agora. Não com Bella morrendo.
Ainda...
Eu me lembrei de como me senti quebrado no chão sob Sam – de não ter escolha, mas de estar envolvido no assassinato de alguém que eu amava. Não era o mesmo, apesar disso. Sam estava errado. E Bella amava coisas que ela não deveria.
“Você acha que existe alguma chance dela fazer isso? Digo, como um vampiro e tudo mais. Ela disse sobre... sobre Esme.”
“Eu diria que ainda tem uma chance neste ponto,” ele respondeu calmamente.
“Eu tenho visto veneno de vampiros fazer milagres, mas tem situações que nem o veneno pode superar. Seu coração está trabalhando demais agora; se ele falhar... não haverá nada que eu possa fazer.”
A batida do coração de Bella bateu e hesitou, dando uma agonizante ênfase às palavras dele.
Talvez o planeta tivesse começado a regredir. Talvez isso explicasse como tudo estava ao contrário do que havia sido ontem – como eu poderia esperar pelo que tivesse parecido uma vez com a pior coisa do mundo.
“O que aquela coisa está fazendo com ela?” Eu murmurei. “Ela estava bem pior noite passada. Eu vi... os tubos e tudo mais. Pela janela.”
“O feto não é compatível com o corpo dela. Forte demais para uma coisa, mas ela provavelmente pode resistir por um tempo. O maior problema é que ele não a permitirá ingerir as substâncias que ela precisa. Seu corpo está rejeitando qualquer forma de nutrição. Estou tentando alimentá-la
intravenosamente, mas ela não está absorvendo. Tudo sobre sua condição é acelerada. Eu estou a observando – não apenas ela, mas também o feto – faminto pela hora. Não posso parar isso, e não posso fazer com que vá devagar. Não consigo descobrir o que o feto quer.” Sua aborrecida voz se quebrou ao final.
Senti-me do mesmo jeito de ontem, quanto vi as manchas pretas pelo seu estômago – furioso, e um pouco louco.
Eu apertei minhas mãos contra os pulsos, para controlar o tremor. Odiava a coisa que a estava machucando. Não era suficiente para o monstro bater nela do lado de dentro. Não, a estava comendo também. Provavelmente procurando por alguma coisa para penetrar seus dentes – uma garganta para sugar. Já que não era grande o bastante para matar alguém ainda, ele estava decidido a sugar
a vida de Bella.
Eu poderia contar a eles exatamente o que o ele queria: morte e sangue, sangue e morte.
Minha pele estava toda quente e espinhosa. Eu respirei lentamente, me focando nisso para me acalmar.
“Eu gostaria de poder ter uma idéia melhor do que isso exatamente é,” Carlisle murmurou. “O feto é bem protegido. Eu não consegui produzir uma imagem de ultra-som. Duvido que exista algum jeito de enfiar uma agulha pela bolsa amniótica, mas Rosalie não concordará em me deixar tentar, de forma alguma.”
“Uma agulha?” Eu resmunguei. “Que bem isso faria?
“Quanto mais eu souber sobre o feto, melhor eu conseguirei estimar do que ele seria capaz de fazer. O que eu não daria por um pouco de líquido amniótico.
Se eu soubesse que até mesmo os cromossomos contam...”
“Você está me perdendo, Doutor. Você pode calar isso?”
Ele riu uma vez, mesmo que sua risada parecesse exausta. “Ok. Quanto de biologia você viu? Você estudou pares de cromossomos?”
“Acho que sim. Nós temos vinte e três, certo?”
“Humanos sim.”
Eu pisquei. “Quantos vocês têm?”
“Vinte e cinco.”
Eu franzi as sobrancelhas olhando para os meus punhos por um segundo. “O que isso quer dizer?”
“Eu pensei que isso significasse que nossa espécie era quase completamente diferente. Menos próxima do que um leão e uma casa de gato. Mas esta nova vida, bem, sugere que nós somos mais geneticamente compatíveis do que pensei.” Ele suspirou tristemente. “Eu não sabia para alertá-los.”
Eu suspirei também. Tinha sido fácil odiar Edward pela mesma ignorância.
“Talvez ajudaria saber que contagem era, se o feto estava mais próximo à nós ou à ela. Saber o que esperar.” Então ele encolheu os ombros. “E talvez isso não ajudaria em nada. Acho que só gostaria de ter alguma coisa para estudar, qualquer coisa para fazer.”
“Me pergunto como são os cromossomos,” Eu murmurei aleatoriamente.
Pensei naqueles testes olímpicos de esteróides novamente. Eles tinham DNA?
Carlisle confessou autoconsciência. “Você tem vinte e quarto pares, Jacob.”
Eu virei vagarosamente para encará-lo, erguendo minhas sobrancelhas. Ele olhou embaraçado. “Eu estava… curioso. Eu tomei a liberdade quando estava cuidando de você, junho passado.”
Eu pensei sobre isso por um segundo. “Eu acho que sair, mas eu não me importo.”
“Me desculpe. Eu deveria ter perguntado.”
“Tudo bem, Doutor. Você não quis fazer nenhum mal.”
“Não, eu prometo a você que não pretendia lhe fazer mal. É só que... eu acho sua espécie fascinante. Eu suponho que os elementos da natureza de vampiro parecem rotina para mim através dos séculos. A divergência de sua família da humanidade é muito mais interessante. Mágica, quase.”
"Bibbidi-Bobbidi-Boo” Eu resmunguei. Ele era igual a Bella com aquela porcaria de magia.
Carlisle deu outro riso cansado.
Então nós ouvimos a voz de Edward dentro da casa, e ambos paramos para ouvi-lo.
“Eu já venho, Bella. Eu quero falar com Carlisle por um momento. Na verdade, Rosalie, você se importaria de me acompanhar?” Edward soava diferente. Tinha um pouco de vida em sua voz morta. A fagulha de alguma coisa. Não exatamente esperança, mas talvez o desejo de esperança.
“O que foi, Edward?” Bella perguntou roucamente.
“Nada com que você precise se preocupar, amor. Só levará um segundo. Por favor, Rose?”
“Esme?” Rosalie chamou. “Você pode tomar conta de Bella para mim?”
Eu ouvi o murmúrio do vento enquanto Esme descia as escadas.
“Claro,” Ela disse.
Carlisle se mexeu, se contorcendo para olhar a porta na espera. Edward passou pela porta primeiro, com Rosalie bem atrás. Sua expressão estava como sua voz, não mais morta. Ele parecia intensamente focado. Rosalie parecia desconfiada.
Edward fechou a porta por trás dela.
“Carlisle,” ele murmurou.
“O que foi, Edward?”
“Talvez nós estejamos lidando com isso da maneira errada. Eu estava escutando você e Jacob agora, e quando vocês estavam falando sobre o que o... feto quer, Jacob teve um pensamento interessante.”
Eu? O que eu havia pensado? Além do meu ódio óbvio pela coisa? Ao menos eu não estava sozinho nisso. Eu poderia dizer que Edward tinha dificuldade em dizer um termo tão moderado como feto.
“Nós não tínhamos nos concentrado neste ângulo,” Edward continuou. “Nós temos tentado dar a Bella o que ela precisa. E seu corpo está aceitando isso tão bem quanto qualquer um dos nossos aceitaria. Talvez nós devêssemos nos concentrar no que o... feto precisa primeiro. Talvez se nós o satisfazermos,
poderíamos ajudá-la mais efetivamente.”
“Não entendi o que quer dizer, Edward.” Carlisle disse.
“Pense nisso, Carlisle. Se aquela criatura é mais vampira do que humana, você não pode adivinhar o que ela quer – o que ela não está tendo? Jacob adivinhou.”
Adivinhei? Eu pensei na conversa, tentando lembrar que pensamentos mantive guardados. Me lembrei ao mesmo tempo que Carlisle entendeu.
“Oh,” ele disse em um tom de surpresa. “Você acha que ele está... com sede?”
Rosalie assobiou através de sua respiração. Ela não estava mais desconfiada.
Seu rosto perfeito revoltado estava iluminado, seus olhos completos de excitação.
“Claro,” ela murmurou. “Carlisle, nós temos todo tipo de O negativo economizado para Bella. É uma boa idéia,” ela adicionou, sem olhar para mim.
“Hmm,” Carlisle pôs as mãos em seu queixo, perdido em pensamento. “Eu me pergunto... e então, qual seria a melhor maneira de administrar...”
Rosalie sacudiu a cabeça. “Nós não temos tempos para ser criativos. Eu diria que nós deveríamos começar com o modo tradicional.”
“Espere um minuto,” eu sussurrei. “Esperem. Vocês – vocês estão falando sobre fazer Bella beber sangue?”
“Foi idéia sua, cachorro,” Rosalie disse, me olhando de cara feia sem nunca ter me olhado muito.
Eu a ignorei e observei Carlisle. O mesmo fantasma de esperança que tinha na expressão de Edward agora estava nos olhos do Doutor. Ele apertou os lábios, especulando.
“Isso é...” Eu não podia encontrar a palavra certa.
“Monstruoso?” Edward sugeriu. “Repulsivo?”
“Demais.”
“Mas e se isso ajudá-la?” ele murmurou.
Eu sacudi a cabeça irritado. “O que vocês farão, enfiar um tubo pela garganta dela?”
“Eu planejo perguntar o que ela acha. Eu só quis falar com Carlisle primeiro.”
Rosalie acenou. “Se você contar a ela que isso pode ajudar o bebê, ela estará disposta a qualquer coisa. Mesmo se nós tivermos que os alimentar com um tubo.”
Eu percebi então quando ouvi o quanto sua voz estava romântica quando ela disse a palavra bebê, que a loira concordaria com qualquer coisa que ajudasse ao pequeno monstro de vida-sugadora. Isso era o que estava acontecendo, o fator misterioso que estava ligando os dois a eles? Rosalie queria a criança?
Do canto do olho, eu vi Edward acenar uma vez, distraidamente, sem olhar em minha direção. Mas eu sabia que ele estava respondendo minhas perguntas.
Huh. Eu não teria pensado que a Barbie fria como o gelo teria um lado maternal. Tão grande para proteger Bella – Rosalie provavelmente colocaria o tubo na garganta de Bella ela mesma.
A boca de Edward se amassou em uma linha, e eu sabia que estava certo novamente.
“Bem, nós não temos tempo de sentar por aí discutindo isso,” Rosalie disse impacientemente. “O que você acha, Carlisle? Podemos tentar?”
Carlisle respirou fundo, e então se levantou “Perguntaremos a Bella.”
A loira sorriu orgulhosa – certeza que, se fosse para Bella, ela daria seu jeito.
Eu me arrastei pelas escadas, e os segui para dentro da casa. Não sabia porque.
Mórbida curiosidade, talvez. Era como um filme de terror. Monstros e sangue por todo lugar.
Talvez eu não pudesse resistir à outra dose do meu escasso estoque de drogas.
Bella deitada na cama de hospital, sua barriga uma montanha embaixo do cobertor. Ela parecia cera – sem cor e um pouco transparente. Você pensaria que ela já estava morta, exceto pelo pequeno movimento de seu tórax, sua respiração fraca.
E então seus olhos, seguindo nós quatro com exaustiva suspeita.
Os outros já estavam ao lado dela, voando através da sala com movimentos repentinos. Era horripilante de assistir. Eu caminhei até eles com passos lentos.
“O que está havendo?” Bella demandou em um sussurro arranhado. Sua mão raspada debatia-se para cima – como se ela estivesse tentando proteger seu estômago em forma de balão.
“Jacob teve uma idéia que vai te ajudar,” Carlisle disse. Eu desejei que ele me deixasse fora disso. Eu não tinha sugerido nada. Dê o crédito ao seu marido sugador de sangue, onde isso pertencia. “Não será... prazeroso, mas ...”
“Mas isso ajudará o bebê,” Rosalie interrompeu avidamente. “Nós pensamos em uma maneira melhor de alimentá-lo. Talvez.”
As pálpebras de Bella se agitaram. E ela tossiu uma fraca risada. “Não prazeroso?” Ela sussurrou. “Deus, isso será uma grande mudança.” Ela olhou ao tubo preso em sua mão e tossiu de novo.
A loira riu para ela. A garota olhou como se ela tivesse somente algumas horas, e tivesse que sofrer, mas ela estava brincando. Então Bella. Tentando acalmar a tensão, fez isso melhor do que qualquer um.
Edward andou ao redor de Rosalie, nenhum humor tocando sua intensa expressão. Eu estava feliz por isso. Ajudou, só um pouco, que ele estivesse sofrendo mais do que eu. Ele pegou a mão dela, não a que estava protegendo sua barriga inchada.
“Bella, amor, nós vamos te pedir para fazer algo monstruoso,” ele disse, usando os mesmos adjetivos que havia me oferecido. “Repulsivo.”
Bem, ao menos ele estava sendo honesto.
Ela tomou um fraco, palpitante fôlego. “Quão ruim?”
Carlisle respondeu. “Nós achamos que o feto possa ter um apetite mais próximo ao nosso do que ao seu. Achamos que está com sede.”
Ela piscou. “Oh. Oh.”
“Sua condição – a condição de ambos – está se deteriorando rapidamente. Nós não temos tempo a perder, para conseguir maneiras mais saborosas de fazer isso. O jeito mais rápido de testar a teoria ...”
“Eu tenho que beber sangue,” ela sussurrou. Ela acenou levemente. – energia difícil o suficiente para uma pequena cabeça. “Eu posso fazer isso. Praticar para o futuro, certo?” Seus lábios sem cor esticados em um sorriso frouxo enquanto ela olhava para Edward. Ele não sorriu de volta.
Rosalie começou a bater seus dedos, impacientemente. O som era realmente irritante. Eu me perguntei o que ela faria se eu a atirasse contra a parede agora.
“Então, quem vai pegar para mim um urso marrom?” Bella sussurrou . Carlisle e Edward trocaram uma rápida olhada. Rosalie parou de fazer barulho.
“O que?” Bella perguntou.
“Será um teste mais efetivo se nós não ultrapassarmos as normas, Bella,”
Carlisle disse.
“Se o feto está desejando sangue” Edward explicou, “Não é sangue animal.”
“Não fará diferença pra você, Bella. Não pense sobre isso,” Rosalie encorajou.
Os olhos de Bella se alargaram. “Quem?” ela respirou, e seu olhar parou em mim.
“Eu não estou aqui como um doador, Bells” eu resmunguei. “Além disso, é sangue humano que essa coisa quer, e eu não acho que o meu se aplica –”
“Nós temos sangue em mãos” Rosalie contou a ela, falando por cima de mim, antes que eu terminasse, como se eu não estivesse ali. “Para você – só pra garantir. Não se preocupe com nada disso. Tudo ficará bem. Eu tenho um bom sentimento sobre isso, Bella. Acho que o bebê ficará muito melhor.”
A mão de Bella passou por seu estômago.
“Bem,” ela disse, mal audível. “Estou faminta, então aposto que ele também está.” Tentando fazer outra piada. “Vamos nessa. Meu primeiro ato de vampiro.”


13. Que bom que eu tenho estomago forte [amanhecer]
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Carlisle e Rosalie saíram em um flash, indo para o andar de cima. Eu podia
ouvir eles debatendo se eles deveriam esquentar o sangue para ela. Ugh. Eu
imaginei quais eram todas as coisas de “casa-de-horror” que eles guardavam
aqui. Geladeira cheia de gelo, checado. O que mais? Câmara de tortura?
Quarto de caixão?
Edward ficou, segurando a mão de Bella. Seu rosto estava morto de novo. Ele
não parecia ter energia nem para continuar com aquela pequena pista de
esperança que ele tinha antes. Eles se olhavam nos olhos, mas não de uma
maneira boba. Parecia que eles estavam conversando. Meio que me lembrou
Sam e Emily.
Não, não era bobo, mas aquilo só fez ser mais difícil assistir.
Eu sabia que era assim para Leah, tendo que ver aquilo todo o tempo. Tendo
que ouvir na cabeça de Sam. É claro que eu me sentia mal por ela, nós não
éramos monstros - nesse sentido, de qualquer jeito. Mas eu acho que a gente a
culpou pelo jeito que ela agüentou isso. Descontando em todo mundo,
tentando fazer todos nós tristes assim como ela estava.
Eu nunca mais ia culpá-la. Como podia servir de ajuda espalhar esse tipo de
tristeza por aí? Como podiam não tentar deixar as coisas mais fáceis
descontando um pedacinho em alguma outra pessoa? E se isso significava que
eu teria que ter um banco, como eu podia culpá-la por escolher a minha
liberdade? Eu faria o mesmo. Se tivesse um jeito de escapar dessa dor, eu
aceitaria, também.
Rosalie veio parao andar de baixo depois de um segundo, voando pelo
cômodo como se fosse uma brisa, levantando um cheiro inflamável. Ela parou
dentro da cozinha, e então ouvi o clique de uma porta de armário.
“Não claro, Rosalie.” Edward murmurou. Ele virou os olhos.
Bella olhou curiosa, mas Edward apenas balançou a cabeça para ela.
Rosalie assoprou de volta pelo cômodo e desapareceu de novo.
“Isso foi sua idéia?” Bella sussurrou, sua voz rouca enquanto ela tentava fazer
sua voz ficar alta o suficiente pra mim ouvir. Esquecendo que eu podia ouvir
muito bem. Eu meio que gostava como, muitas vezes, ela parecia esquecer que
eu não era completamente humano. Eu fui mais perto, para que ela não tivesse
que trabalhar tão duro.
“Não me culpe por essa. Seu vampiro estava só pegando alguns fragmentos de
comentários na minha cabeça.”
Ela sorriu um pouquinho. “Eu não esperava te ver de novo.”
“Yeah, nem eu.” Eu disse.
Parecia estranho simplesmente ficar parado aqui, mas os vampiros tinham
empurrado todos os móveis fora do caminho para todas as coisas de médico.
Eu imaginei que não importava para eles - sentar ou ficar em pé não fazia
tanta diferença quando você é uma pedra. Não importaria para mim também,
exceto que eu estava muito exausto.
“Edward me disse o que você teve que fazer. Eu sinto muito.”
“Tudo bem. Era só uma questão de tempo eu não obedecer a algo que Sam
queria que eu fizesse.” Eu menti.
“E Seth,” ela sussurrou.
“Ele está feliz em ajudar.”
“Eu odeio te causar problemas.”
Eu dei risada uma vez - mais um latido do que risada.
Ela respirou um suspiro fraco. “Eu acho que isso não é nada novo, é?”
“Não, não muito.”
“Você não tem que ficar e assistir isso,” ela disse, quase não pronunciando as
palavras.
Eu poderia ir embora. Era provavelmente uma boa idéia. Mas se eu fosse, do
jeito que ela está parecendo agora, eu poderia estar perdendo os últimos 15
minutos de sua vida.
“Eu realmente não tenho aonde mais ir,” eu disse a ela, tentando tirar a
emoção da minha voz. “Esse negócio de lobo é bem menos apelativo desde
que Leah se juntou a nós.”
“Leah?” Ela ofegou.
“Você não disse a ela?” Eu perguntei a Edward.
Ele só discordou sem mover seus olhos do rosto de Bella. Eu podia ver que
não eram novidades muito excitantes pra ele, não uma novidade que valia a
pena dividir com as coisas mais importantes acontecendo.
Bella não levou numa boa. Pareciam ser novidades ruins para ela.
“Por quê?” Ela respirou.
Eu não quis entrar na versão estendida da história. “Para ficar de olho no
Seth.”
“Mas Leah nos odeia,” ela sussurrou.
Nós. Legal. Eu pude ver que ela estava com medo, por fim das contas.
“Leah não vai importunar ninguém,” Só eu. “Ela está no meu bando” - eu fiz
uma careta - “então ela segue minhas ordens.” Ugh.
Bella não pareceu convencida.
“Você tem medo de Leah, mas você é melhor amiga da loira psicopata?”
Ouvi um assobio no andar décima. Legal, ela me ouviu.
Bella carrancou para mim. “Não. Rose... entende.”
“Yeah,” eu resmunguei. “Ela entende que você vai morrer e ela não se
importa, até que ela tenha o mutante são e salvo fora do negócio.”
“Pare de ser um idiota, Jacob.” Ela sussurrou.
Ela parecia fraca demais pra ficar brava. Eu tentei sorrir. “Você diz isso como
se fosse possível.”
Bella tentou não sorrir de volta por um segundo, mas no final ela não
conseguia controlar; seus lábios fracos se curvaram nos cantos. E então
Carlisle e a psicopata estavam lá. Carlisle tinha um copo plástico em sua mão
- daquelas com tampa e canudinho. Oh - não claro, agora eu entendi. Edward
não queria que Bella tivesse que pensar mais do que o necessário no que ela
estivesse fazendo. Você não podia ver o que tinha no copo de jeito nenhum.
Eu podia sentir o cheiro.
Carlisle hesitou, a mão com o copo estendida pela metade. Bella olhou,
ficando assustada de novo.
“Nós podemos tentar por outro método,” Carlisle disse silenciosamente.
“Não,” Bella sussurrou. “Não, eu vou tentar isso antes. Nós não temos
tempo...”
Primeiro eu pensei que ela finalmente teve uma pista a estava preocupada com
si mesma, mas então sua mão flutuou sobre seu estômago.
Bella se esticou e pegou o copo dele. Sua mão tremeu um pouco, e então eu
pude ouvir o barulho de dentro. Ela tentou ficar apoiada em seu cotovelo, mas
ela mal conseguia levantar sua cabeça. Um sussurro de calor desceu na minha
espinha enquanto eu via o quanto ela ficou frágil em menos de um dia.
Rosalie colocou seu braço em volta dos ombros de Bella, apoiando sua
cabeça, também, como se fazia com um recém-nascido. A loira só pensava no
bebê.
“Obrigada,” Bella sussurrou. Seus olhos mudavam para cada um de nós.
Ainda muito consciente. Se ela não tivesse tão drenada, aposto que ela estaria
corada.
“Não ligue para eles,” Rosalie murmurou.
Isso me fez sentir estranho. Eu devia ter saído quando Bella me deu a chance.
Eu não pertencia aqui, fazendo parte disso. Eu pensei em sair de fininho, mas
então eu percebi que um movimento que nem esse só ia fazer isso ser mais
difícil para Bella - fazer ficar mais difícil para ela continuar com isso. Ela ia
adivinhar que eu estava muito enojado para ficar. O que era quase verdade.
Parado. Enquanto eu não ia tomar responsabilidade por essa idéia, eu não
queria azará-la também.
Bella levantou o como para o seu rosto e chupou o fim do canudo. Ela
estremeceu, e então fez uma cara.
“Bella, querida, nós podemos achar uma maneira mais fácil,” Edward disse,
levantando sua mão para pegar o copo.
“Tampe seu nariz,” Rosalie sugeriu. Ela olhou para mão de Edward como se
ela fosse tirar um pedaço. Eu desejei que ela tirasse. Eu duvido que Edward
não ia levar isso sentado, e eu ia amar a Loira levando uma surra.
“Não, não é isso. É só-” Bella respirou bem fundo. “Cheira bem,” ela admitiu
em uma pequenina voz.
Eu engoli duramente, tentando tirar o nojo do meu rosto.
“Isso é uma boa coisa,” Rosalie falou pra Bella. “Isso significa que nós
estamos no caminho certo. Dá uma tentativa.” Pela nova expressão da Loira,
eu fiquei surpreso que ela não saiu tendo uma dança da vitória.
Bella colocou o canudinho em seus lábios, fechou os olhos bem apertados, e
torceu o nariz. Eu podia ouvir o sangue no copo enquanto ela o balançava. Ela
engoliu por um segundo, e então gemeu silenciosamente com seus olhos ainda
fechados.
Edward e eu andamos em direção a ela ao mesmo tempo. Ele tocou seu rosto.
Eu coloquei minhas mãos atrás nas minhas costas.
“Bella, amor...”
“Eu estou bem,” ela sussurrou. Ela abriu os olhos e o encarou. Sua expressão
estava... apologética. Implorando. Assustada. “Tem um sabor bom, também.”
O ácido virou no meu estômago, ameaçando a transbordar. Eu juntei meus
dentes.
“Isso é bom,” A loira repetiu, ainda feliz. “Um bom sinal.”
Edward só pressionou sua mão contra a bochecha de Bella, curvando seus
dedos na forma dos seus ossos frágeis.
Bella suspirou e colocou seus lábios no canudo de novo. Ela tomou um bom
gole agora. A ação não era tão fraca quanto o resto dela. Como se um instinto
tivesse tomado conta.
“Como está o seu estômago? Você se sente com náuseas?” Carlisle perguntou.
Bella balançou a cabeça. “Não, eu não me sinto mal,” ela sussurrou. “Essa é a
primeira, eh?”
Rosalie suspirou. “Excelente!”
“Eu acho que é um pouco cedo pra isso, Rose,” Carlisle murmurou.
Bella engoliu mais uma boca cheia de sangue. Então ela deu uma olhada em
Edward. “Isso ferra o meu total?” Ela sussurrou. “Ou nós vamos contar depois
que eu virar uma vampira?”
“Ninguém está contando, Bella. Em nenhum caso, ninguém morreu por isso.”
Ele sorriu sem vida. “Seu histórico ainda está limpo.”
Eles me fizeram me perder.
“Eu vou explicar depois,” Edward disse, tão baixo que as palavras eram só um
suspiro.
“O que?” Bella sussurrou.
“Só falando comigo mesmo,” ele mentiu.
Se ele continuasse com isso, se Bella vivesse, Edward não ia ser capaz de se
safar tanto quando seus sentidos tivessem fortes. Ele teria que trabalhar na
base da honestidade.
Os lábios de Edward se torceram, brigando com um sorriso.
Bella respirou olhando para janela atrás de nós. Provavelmente fingindo que
nós não estávamos aqui. Ou então só eu. Ninguém mais nesse grupo estaria
enojado pelo o que ela estava fazendo. Justamente o contrário - eles
provavelmente estariam tendo um tempo ruim, em não pegar o copo da mão
de Bella para eles mesmos.
Edward virou os olhos.
Jesus, como qualquer um agüentava viver com ele? Realmente era muito ruim
que ele não podia ouvir os pensamentos de Bella. Então ele a irritaria bastante,
também, e ela estaria cansada dele.
Edward gargalhou uma vez. Bella olhou pra ele imediatamente, e deu uma
meia-risada pelo humor no rosto dele. Eu acho que isso não foi uma coisa que
ela via freqüentemente agora.
“Alguma coisa engraçada?” Ela respirou.
“Jacob,” ele respondeu.
Ela olhou com um sorriso para mim. “Jake é um boboca,” ela concordou.
Ótimo, agora eu era o palhaço. “Bada bing.” Eu murmurei grossamente.
Ela sorriu de novo, e então tomou mais um gole do copo. Eu estremeci quando
o canudo puxou o ar, fazendo um som de sugador.
“Eu consegui,” ela disse, parecendo satisfeita. Sua voz estava mais clara -
rouca, mas não mais um suspiro pela primeira vez do dia. “Se eu continuar
com isso, Carlisle, você tira as agulhas de mim?”
“O quanto antes eu puder,” Ele prometeu. “Honestamente, elas não estão
fazendo muito no lugar que estão.”
Rosalie acariciou a testa de Bella, e então elas trocaram um olhar esperançoso.
E todo mundo pode ver- o copo cheio de sangue humano fez uma diferença
imediata. Sua cor estava mudando - tinha uma pequena insinuação de rosa em
suas bochechas de cera. Agora ela parecia não precisar do apoio de Rosalie
tanto quanto antes. Sua respiração estava mais fácil, e eu podia jurar que as
batidas do seu coração estavam mais fortes, mais claras.
Tudo acelerou.
O fantasma de esperança nos olhos de Edward virou a coisa de verdade.
“Você quer mais?” Rosalie pressionou.
Bella ergueu os ombros.
Edward olhou pra Rosalie antes de falar com Bella. “Você não precisa beber
mais agora.”
“Yeah, eu sei. Mas... eu quero,” ela admitiu.
Rosalie colocou seus finos dedos por entre os cabelos de Bella. “Você não
precisa ficar envergonhada por causa disso, Bella. Seu corpo precisa. Todos
nós entendemos isso.” Seu tom estava calmo primeiramente, mas depois ela
acrescentou duramente, “Qualquer um que não entende, não deveria estar
aqui.”
Foi para mim, claro, mas eu não ia deixar a Loira me atingir. Eu estava feliz
que Bella estava melhor. E se tudo me deixava enojado? Eu nem disse nada.
Carlisle pegou o copo da mão de Bella. “Eu já venho.”
Bella olhou pra mim enquanto ele desaparecia.
“Jake, você está horrível.” Ela disse.
“Olha quem está falando.”
“Sério - qual foi a última vez que você dormiu?”
Eu pensei sobre isso por um segundo. “Huh, eu não sei direito.”
“Aw, Jake. Agora eu estou mexendo com a sua saúde também. Não seja
burro.”
Eu juntei meus dentes. Ela estava permitida de se matar por um monstro, mas
eu não estava permitido de perder algumas noites de sono pra vê-la?
“Descanse, por favor,” ela continuou. “Tem algumas camas lá em cima - você
é bem-vindo em qualquer uma.”
O olhar no rosto de Rosalie deixou claro que eu não era bem-vindo em
nenhuma cama. Me fez pensar para quê a Bela Adormecida precisava de uma
cama, de qualquer jeito. Ela era tão possessiva sobre suas coisas?
“Obrigado, Bells, mas eu prefiro dormir no chão. Longe do fedor, sabe.”
Ela riu. “Certo.”
Carlisle estava de volta então, e Bella pegou o copo de sangue, sem pensar,
como se ela estivesse pensando em outra coisa. Com a mesma expressão de
distração, ela começou a tomar.
Ela realmente estava parecendo melhor. Ela foi para frente, sendo cuidadosa
com os tubos e ficou em uma posição sentada. Rosalie se inclinou, pronta para
pegar Bella se ela caísse. Mas Bella não precisava dela. Respirando bem fundo
nos intervalos dos goles, Bella terminou o segundo copo bem rápido.
“Como você se sente?” Carlisle perguntou.
“Não estou mal. Um pouco faminta... só que eu não sei se eu estou com fome
ou se estou com sede... sabe?”
“Carlisle, olhe para ela,” Rosalie murmurou, tão presunçosa que ela devia ter
penas de canários na boca. “Obviamente é isso o que o corpo dela quer. Ela
devia beber mais.”
“Ela ainda é humana, Rosalie. Ela precisa de comida, também. Vamos dar um
tempo para ela pra ver como isso irá afetá-la, e então talvez poderemos dá-la
um pouco de comida de novo. Alguma coisa parece particularmente bom pra
você, Bella?”
“Ovos,” ela disse imediatamente, e então ela mudou o olhar e sorriu pra
Edward. Seu sorriso era frágil, mas tinha um pouco mais de vida em seu rosto
agora.
Eu pisquei então, e quase esqueci de como abrir meus olhos de novo.
“Jacob,” Edward murmurou. “Você realmente devia dormir. Como Bella
disse, você certamente é bem-vindo às acomodações aqui, mesmo você
provavelmente estando mais confortável lá fora. Não se preocupe com nada -
eu prometo que vou procurá-lo se tiver necessidade.”
“Claro, claro.” Eu murmurei. Agora que parecia que Bella tinha mais algumas
horas, eu podia escapar. Ir dormir embaixo de uma árvore em algum lugar...
Longe o suficiente para que o cheiro deles não me alcançasse. O sugador de
sangue iria me acordar se tivesse algo errado. Ele me devia.
“Eu devo,” Edward concordou.
Eu confirmei e então coloquei minha mão na da Bella. As dela estavam frias
como gelo.
“Sinta-se melhor,” eu disse.
“Obrigada, Jacob.” Ela virou sua mão e apertou a minha. Eu senti o aro do seu
anel de casamento rodar e quase sair de seu dedo fino.
“Peguem um lençol para ela ou algo assim,” Eu disse enquanto virava pra
porta.
Antes de eu chegar lá, dois uivos cortaram o ar da parada manhã. Não havia
erro na urgência do tom. Nenhum desentendido essa vez.
“Droga,” eu gani, e me joguei pela porta. Eu me curvei na sacada e deixei o
fogo me dividir no meio do ar. Teve um som de choro quando meu shorts se
rasgou. Droga. Aquelas eram as únicas roupas que eu tinha. Não importava
agora. Eu pousei nas minhas patas e fui para a floresta.
O que é? Eu gritei na minha mente.
Estão vindo, Seth respondeu. Pelo menos três.
Eles se separaram?
Eu estou correndo de volta pra Seth com a velocidade da luz. Leah prometeu.
Eu pude sentir o ar rufando em seus pulmões enquanto ela corria em uma
velocidade incrível. A floresta chicoteava em volta dela. Muito longe, nenhum
ponto de ataque.
Seth, NÃO desafie eles. Me espere.
Eles estão diminuindo a velocidade. Ugh, é tão ruim não poder ouvir eles. Eu
acho...
O quê?
Eu acho que eles pararam.
Esperando o resto do bando?
Shh, você sente isso?
Eu absorvi suas impressões. O som vislumbrado no ar.
Alguém está se transformando?
Parece isso, Seth concordou.
Leah voou no pequeno espaço que Seth esperava. Ela fincou suas garras na
terra, girando como um carro de corrida.
To na sua cola, mano.
Eles estão vindo, Seth disse nervosamente. Devagar. Andando.
Quase aí. Eu disse a eles. Eu tentava voar como Leah. Era horrível estar
separado de Seth e Leah com um potencial perigo chegando mais perto deles
do que de mim. Errado. Eu devia estar com eles, no meio deles, não
importasse o que estivesse vindo.
Olha só quem está ficando todo paterno, Leah pensou tortamente.
Cabeça no jogo, Leah.
Quatro, Seth decidiu. A criança tem bons ouvidos. Três lobos, um homem.
Eu cheguei na clareira então, me movendo imediatamente até o ponto. Seth
suspirou em alívio e então se endireitou, logo do lado do meu ombro. Leah foi
para o meu lado esquerdo com menos entusiasmo.
Então agora eu fico abaixo de Seth, ela gemeu para si mesma.
Primeiro a chegar, primeiro a servir, Seth pensou convencido. E outra, você
nunca foi à terceira do Alfa. Ainda uma promoção.
Abaixo do meu irmão mais novo não é uma promoção.
Shh! Eu reclamei. Eu não ligo para onde vocês estão. Calem a boca e fiquem
preparados.
Eles ficaram à vista uns poucos segundos depois, andando, como Seth pensou.
Jared na frente, humano, mãos para cima. Paul e Quil e Collin em quatro
pernas atrás dele. Não havia agressividade na postura deles. Eles ficaram atrás
de Jared, orelhas levantadas, alertas, mas calmos.
Mas... era estranho que Sam fosse mandar Collin ao invés de Embry. Isso não
seria o que eu iria fazer se eu tivesse mandando uma festa diplomata no
território do inimigo. Eu não ia mandar uma criança. Eu mandaria um lutador
experiente.
Uma distração? Leah pensou.
Estariam Sam, Embry e Brandy fazendo um movimento individual? Não
parecia com isso.
Quer que eu vá conferir? Eu posso correr até a divisa e voltar em dois
minutos.
Devo avisar aos Cullen? Seth imaginou.
E se eles quiserem nos dividir? Eu perguntei. Os Cullen sabem que tem
alguma coisa acontecendo. Eles estão preparados.
Sam não seria tão estúpido… Leah suspirou, medo fragmentado em sua
mente. Ela estava imaginando Sam atacando os Cullen com os dois restantes
ao seu lado.
Não, ele não iria, eu assegurei a ela, me sentindo mal com a imagem em sua
cabeça, também.
Nesse instante, Jared e os três lobos olharam para nós, esperando. Era estranho
não escutar o que Quil, Paul e Collin estavam dizendo uns para os outros. As
expressões deles estavam vazias - ilegíveis.
Jared pigarreou e acenou para mim.
“Bandeira branca da paz, Jake. Estamos aqui para conversar.”
Pensa que isso é paz? Seth perguntou.
Faz sentido, mas…
Sim, Leah concordou. Mas.
Nós não relaxamos.
Jared franziu as sobrancelhas.
“Seria mais fácil conversar se eu pudesse ouvir você também.”
Olhei para ele. Eu não iria me transformar de volta até que me sentisse bem
com essa situação. Até que fizesse sentido. Por que Collin? Essa era a parte
que me deixava mais preocupado.
“Certo. Acho que vou só falar, então.” Jared disse. “Jake, nós queremos que
você volte.”
Quil deixou escapar um leve lamento atrás dele. Apoiando a opinião.
“Você separou nossa família. Não é para ser desse jeito.”
Eu não exatamente discordava com isso, mas esse não era o caso. Havia
algumas diferenças de opinião mal resolvidas entre Sam e eu no momento.
“Nós sabemos que você se sente... diferente com a situação com os Cullen.
Nós sabemos que isso é um problema. Mas você esta exagerando”.
Seth rosnou. Exagerando? E atacar nós aliados sem aviso não é?
Seth, nunca ouviu falar de cara de pôquer? Se acalme.
Desculpe.
Os olhos de Jared se viraram para Seth e voltaram para mim. “Sam está
disposto a levar isso com calma, Jacob. Ele se acalmou, conversou com os
outros anciãos. Eles decidiram que uma ação imediata não é a melhor coisa no
momento.”
Tradução: Eles já perderam o elemento surpresa, pensou Leah.
Era esquisito como os pensamentos da reunião eram. O bando já era o “bando
do Sam”, já eram “eles” para nós. Alguma outra coisa, de fora. Era
especialmente esquisito que Leah pensasse desse jeito - ela sendo uma parte
sólida do ‘nós’.
“Billy e Sue concordam com você, Jacob, que nós podemos esperar para
Bella… estar separada do problema. Matá-la não é algo que qualquer um de
nós de sente bem em fazer.”
Embora eu tivesse acabado de reclamar com Seth sobre isso, não pude conter
um resmungo próprio. Então eles não se sentiam bem com assassinatos, é?
Jared levantou as mãos novamente. “Calma, Jake. Você sabe o que eu quis
dizer. A questão é, nós vamos esperar e avaliar a situação. Decidir depois se
há algum problema com…a coisa.”
Há, Leah pensou. Que peso.
Você não acredita?
Eu sei o que eles estão pensando, Jake. O que o Sam está pensando. Eles estão
apostando que a Bella morra de qualquer jeito. E eles acham que você ficará
tão bravo…
Que eu mesmo vou liderar o ataque. Meus ouvidos se pressionaram contra
meu crânio. O que Leah estava presumindo parecia bem provável. E bem
possível também. Quando… se aquela coisa matasse Bella, ia ser fácil
esquecer como eu me sentia com relação a família de Carlisle agora.
Provavelmente eles iriam parecer inimigos - nada mais que parasitas
sugadores de sangue - para mim outra vez.
Eu irei te lembrar, Seth sussurrou.
Sei que vai, garoto. A questão é se eu vou escutar você.
“Jake?” Jared perguntou.
Eu bufei de raiva.
Leah, vá fazer uma ronda - só para ter certeza. Eu vou ter que falar com ele, e
quero ter certeza de que nada aconteça enquanto estiver transformado.
Dá um tempo, Jacob. Você pode se transformar na minha frente. Apesar de
meus melhores esforços, eu já vi você pelado - não acontece nada comigo,
então não se preocupe.
Eu não estou tentando proteger a inocência dos seus olhos, estou tentando
proteger nossas vidas. Saia daqui.
Leah fungou uma vez e disparou para a floresta. Eu podia ouvir as garras dela
cortando o chão, a empurrando para frente. Nudez era uma parte
inconveniente, mas inevitável na vida em bando. Nenhum de nós tinha
qualquer problema antes de Leah aparecer. Então ficou estranho. Leah tinha
um bom controle quando se tratava de seu temperamento - sempre tomava o
mesmo tempo para que ela parasse e não se explodisse em suas roupas sempre
que ficava irritada. E não era como se não valesse a pena olhar para ela; só
não valia nada a pena quando ela pegava você pensando sobre isso depois.
Jared e os outros estavam olhando para o lugar onde ela tinha desaparecido
com expressões desconfiadas.
“Onde ela está indo?” Jared perguntou.
Eu o ignorei, fechando meus olhos e me controlando de novo. Parece que o ar
estava tremendo ao meu redor, estremecendo em pequenas ondas. Eu me
apoiei nas patas traseiras, no exato momento em que estava totalmente em pé
enquanto mudei para meu “eu” humano.
“Ah” Jared disse. “Oi, Jake.”
“Oi, Jared.”
“Obrigado por falar comigo.”
“Sim”
“Queremos que você volte, cara.”
Quil lamentou de novo.
“Não sei é assim tão fácil, Jared.”
“Venha para casa” Ele disse, se inclinando. Suplicando. “Nós podemos
arrumar isso. Você não pertence a esse lugar. Deixe Seth e Leah voltarem para
casa também.”
Eu ri. “Certo. Como se eu não estivesse implorando para que eles fizessem
isso desde o começo.”
Seth bufou atrás de mim.
Jared avaliou isso, seus olhos cautelosos de novo. “E agora, então?”
Eu pensei sobre isso por um minuto enquanto ele esperava.
“Eu não sei. Mas não tenho certeza se as coisas podem voltar ao normal, de
qualquer jeito, Jared. Não sei como funciona - não parece que eu possa
simplesmente ligar e desligar essa coisa de Alpha de acordo com meu humor.
Parece que é permanente.”
“Seu lugar ainda é conosco.”
Levantei uma sobrancelha. “Dois Alphas não podem ficar no mesmo lugar,
Jared. Se lembra como chegou perto na noite passada? O instinto é muito
competitivo.”
“Então vocês vão ficar com os parasitas pelo resto de suas vidas?” Ele
reclamou. “Você não tem casa aqui. Já está sem roupas.” Ele lembrou. “Vai
ficar como lobo o tempo todo? Você sabe que a Leah não gosta de comer
desse jeito.”
“Leah pode fazer o que ela quiser quando ficar com fome. Ela está aqui por
escolha própria. Eu não estou falando a ninguém o que fazer.”
Jared suspirou. “Sam sente muito pelo que fez a você.”
Eu acenei. “Eu não estou mais nervoso.”
“Mas?”
“Mas não vou voltar, não agora. Nós vamos esperar e ver como as coisas
acontecem também. E vamos prestar atenção nos Cullen pelo tempo que for
necessário. Porque, ao contrário do que você pensa, isso não é só sobre a
Bella. Nos estamos protegendo aqueles que devem ser protegidos. E isso vale
para os Cullen, também. - Pelo menos um número pequeno deles, de qualquer
modo.”
Seth uivou levemente em acordo.
Jared franziu as sobrancelhas. “Acho que não há nada que eu possa dizer para
você, então.”
“Não agora. Vamos ver como as coisas caminham.”
Jared se virou para Seth, se concentrando nela agora, separado de mim. “Sue
me pediu para lhe dizer - não, para lhe implorar - para vir para casa. Ela está
com o coração partido, Seth. Toda sozinha. Não sei como você e Leah
conseguem fazer isso com ela. Abandoná-la desse jeito, quando seu pai
acabou de morrer…”
Seth choramingou.
“Devagar, Jared.” Eu avisei.
“Só o deixando ver como é.”
Eu bufei. “Certo.” Sue era mais durona do que qualquer outra pessoa que eu
conhecia. Mais durona que meu pai, mais durona que eu. Durona o suficiente
para brincar com as emoções dos filhos se isso os fizesse voltar para casa. Mas
não era justo ocupar Seth desse jeito. “Sue já sabe sobre isso há quantas
horas? E a maior parte do tempo que ela passou com Billy, o velho Quil
Ateara e Sam? É, tenho certeza de que ela está só se acabando na solidão.
Claro que você está livre para ir se quiser, Seth. Você sabe disso.”
Seth fungou.
Então, um segundo depois, ele ergueu uma orelha para o norte. Leah deveria
estar perto. Nossa, ela era rápida. Duas batidas, e Leah derrapou para uma
parada leve a alguns metros de distancia. Ela trotou, ficando na frente de Seth.
Ela manteve o nariz no ar, obviamente não olhando em minha direção.
Eu gostei disso.
“Leah?” Jared perguntou.
Ela encontrou o olhar dele, seu focinho virando um pouco sobre os dentes.
Jared não pareceu surpreso pela hostilidade dela. “Leah, você sabe que não
quer ficar aqui.”
Ela rangeu os dentes para ele. Joguei a ela um olhar de aviso que ela não viu.
Seth lamentou e a cutucou com o cotovelo na altura dos ombros.
“Desculpe” Jared disse. “Acho que não devia presumir. Mas você não tem
nenhuma ligação com os sugadores de sangue.”
Leah deliberadamente olhou para seu irmão e depois para mim.
“Então você quer tomar conta de Seth, eu entendo isso.” Jared disse. Os olhos
dele se viraram para mim e então para ela. Provavelmente se perguntando
sobre aquele segundo olhar - assim como eu estava. “Mas Jake não vai deixar
nada acontecer com ele, e ele não está com medo de ficar aqui.” Jared fez uma
careta. “De qualquer modo, por favor, Leah. Queremos você de volta. Sam
quer você de volta.”
A cauda de Leah se debateu.
“Sam me disse para implorar. Ele me disse literalmente para me ajoelhar e
implorar.”
“Ele quer você em casa, Lee-Lee, onde é o seu lugar.”
Eu vi Leah encolher-se quando Jared usou o antigo apelido que Sam dera para
ela. E então, quando ele adicionou aquelas três últimas palavras, os pêlos do
pescoço dela se eriçaram e ela estava uivando uma longa corrente de
reclamações através de seus dentes. Eu não precisei estar na cabeça dela para
ouvir as maldições que ela estava lançando, e nem ele.
Eu esperei ela acabar. “Eu vou tirar conclusões e dizer que o lugar de Leah é
onde ela quiser que seja.”
Leah rosnou, mas, como ela estava olhando para Jared, imaginei que ela
estava concordando.
“Olha, Jared, nós ainda somos da família, certo? Nós vamos superar essa rixa,
mas, até que o façamos, você provavelmente deva ficar em sua terra. Só para
que não haja desentendimentos. Ninguém quer briga entre família, certo? Sam
também não quer isso, quer?”
“Claro que não,” rebateu Jared. “Nós ficaremos em nossas terras. Mas onde é
a sua terra, Jacob? É a dos vampiros?”
“Não, Jared. Estou sem casa, no momento. Mas não se preocupe - isso não vai
durar para sempre.” Eu tive de pegar fôlego. “Não há tanto tempo assim…
sobrando. Está bem? Então os Cullen provavelmente vão partir e Seth e Leah
vão voltar para casa.”
Leah e Seth protestaram juntos, seus narizes se virando para mim em
sincronia.
“Mas e você, Jake?”
“Voltarei à floresta, eu acho. Eu não posso ficar por La Push. Dois Alphas
significam muita tensão. Além disso, era o que eu pretendia mesmo. Antes
dessa confusão.”
“E se precisarmos conversar?” Jared perguntou.
“Uive - mas fique de olho na linha, “Está bem? Nós iremos até você. E Sam
não precisa mandar tantos. Não estamos procurando por uma briga.”
Jared olhou feio, mas acenou em afirmação. Ele não gostava que eu estivesse
colocando condições para Sam. “Vejo você por aí, Jake. Ou não.” Ele acenou
indiferentemente.
“Espere, Jared. Embry está bem?”
Surpresa passou por seu rosto. “Embry? Claro, ele está ótimo. Por quê?”
“Só pensando no porquê de Sam enviar Collin.”
Eu observei a reação dele, ainda suspeitando de que algo estava acontecendo.
Eu vi o conhecimento passar rapidamente nos olhos dele, mas não era do tipo
que eu estava esperando.
“Isso não é mais da sua conta, Jake.”
“Acho que não. Só estava curioso.”
Eu vi um movimento com o canto de meus olhos, mas fingi não tê-lo porque
não entregar Quil. Ele estava reagindo ao assunto.
“Vou falar com Sam sobre suas… instruções. Adeus, Jacob.”
Suspirei. “É. Tchau, Jared. Ei, diz ao meu pai que eu estou bem, certo? E que
eu sinto muito, e que eu o amo.”
“Vou passar isso à frente.”
“Obrigado.”
“Vamos, caras.” Jared disse. Ele nos deu as costas, saindo de nossa vista
porque Leah estava aqui. Paul e Collin estavam logo atrás dele, mas Quil
hesitou. Ele latiu suavemente e eu dei um passo em direção a ele.
“É, eu também sinto sua falta, irmão.”
Quil me cutucou, sua cabeça pendendo morosamente. Eu bati levemente em
seu ombro.
“Vai ficar tudo bem.”
Ele reclamou.
“Diga a Embry que sinto falta de vocês dois nos meus flancos.”
Ele afirmou e então empurrou seu nariz contra minha testa. Leah bufou. Quil
olhou para cima, mas não para ela. Ele olhou por sobre os ombros, para onde
os outros tinham ido.
“É, vai pra casa.” Eu disse a ele.
Ele ganiu novamente e então saiu atrás dos outros. Jared não estava esperando
pacientemente. Assim que ele tinha ido, eu empurrei o calor do centro do meu
corpo e deixei-o fluir para todos os membros. Em um rápido momento de
calor, eu estava em quatro patas novamente.
Achei que você ia dar uns amassos nele, Leah zombou.
Eu a ignorei.
Foi tudo bem? Perguntei a eles. Me preocupava, falar por eles daquele jeito,
quando eu não podia ouvir exatamente o que estavam pensando. Eu não queria
presumir nada. Não queria fazer como Jared. Eu disse alguma coisa que vocês
não queriam que eu tivesse dito? Eu não disse algo que deveria?
Você foi ótimo, Jake! Encorajou Seth.
Você poderia ter batido no Jared, pensou Leah. Eu não teria me importado.
Acho que nós sabemos o porquê de Embry não ter sido autorizado a vir,
pensou Seth.
Eu não entendi. Não ter sido autorizado?
Jake, você viu Quil? Ele está bem dividido, certo? Apostaria dez contra um
que Embry está ainda mais chateado. E Embry não tem Claire. Não tem jeito
do Quil simplesmente escolher e se afastar de La Push. Embry poderia. Então
Sam não vai arriscar a deixá-lo ser convencido a abandonar o navio. Ele não
quer nossa matilha maior do que já está.
Sério? Você acha? Eu duvido que Embry se importe em triturar alguns Cullen.
Mas ele é seu melhor amigo, Jake. Ele e Quil prefeririam ficar ao seu lado do
que te confrontar em uma luta.
Bem, eu estou feliz por Sam mantê-lo em casa, então. Esse bando é grande o
suficiente. Eu suspirei. Ok, então. Nós estamos bem, por hora. Seth, você se
importa em ficar de olho nas coisas por um instante? Leah e eu, ambos
precisamos ir. Isso parecia ser certo, mas quem sabe? Talvez isso seja uma
distração.
Eu nem sempre fui tão paranóico, mas eu lembrei da sensação do
comprometimento de Sam. O foco totalmente via-única em destruir o perigo
que ele viu. Ele tiraria vantagem do fato de que agora ele pode mentir para
nós?
Sem problema! Seth estava ansioso para fazer qualquer coisa que ele pudesse.
Você quer que eu explique para os Cullen? Eles provavelmente ainda devem
estar tensos.
Eu entendi. Eu quero checar as coisas de qualquer forma.
Eles pegaram o zumbido de imagem de meu cérebro frito.
Seth choramingou surpreso. Eca.
Leah sacudiu a sua cabeça para frente e para trás como se ela quisesse
expulsar as imagens de sua mente. Essa foi facilmente a coisa mais
estranhamente grotesca que eu já vi em toda a minha vida. Ui. Se tivesse
alguma coisa em meu estômago, isso estaria voltando.
Eles são vampiros, eu acho. Seth se permitiu após um minuto, compensando a
reação de Leah. Isso faz sentido, eu quero dizer. E isso vai ajudar Bella, é uma
coisa boa, certo?
Eu e Leah olhamos para ele.
O quê?
A mamãe o derrubou um monte de vezes enquanto ele era bebê, Leah me
disse. De cabeça, aparentemente.
Ele costumava roer as barras do berço, também.
Tinta com chumbo?
É o que parece, ela pensou.
Seth bufou. Engraçado. Por que vocês dois não calam a boca e dormem?

14. "Você sabe que as coisas vão mal quando você se sente culpado por ter sido rude com um vampiro" [amanhecer]
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Quando eu voltei para a casa, não havia ninguém do lado de fora esperando
notícias minhas. Ainda em alerta? Está tudo legal, eu pensei diretamente.
Meus olhos captaram imediatamente uma pequena mudança na cena agora
familiar. Havia uma pilha de tecido em cores claras no último degrau da
varanda. Eu me aproximei para investigar. Segurando a respiração, já que o
cheiro de vampiros estava grudado na roupa de forma inacreditável, eu
cutuquei a pilha com o nariz.
Alguém havia emprestado roupas. Huh. Edward devia ter captado o meu
momento de irritação enquanto eu estava na porta. Bom, isso foi legal... e
estranho.
Eu peguei as roupas com os dentes cuidadosamente – ugh – e as carreguei até
as árvores. Só para o caso disso ser uma piada daquela loira psicopata e eu
tinha um monte de coisas para garotas aqui. Mas ela teria adorado dar uma
olhada na minha cara de humano enquanto eu fiquei ali, nu, segurando uma
roupa de verão.
Escondido pelas árvores, eu joguei as roupas no chão e me transformei em
humano. Eu balancei as roupas, batendo-as contra uma árvore para tirar um
pouco do cheiro delas. Elas definitivamente eram roupas de homem – calças
meio marrons e uma blusa branca de botões. Nenhuma delas era longa o
suficiente, mas parecia que elas iam caber em mim. Deviam ser de Emmett.
Eu rolei os punhos das mangas da camisa, mas não houve muito que fazer e
relação às calças. Oh, bem.
Eu precisava admitir, eu me sentia melhor usando roupas, mesmo sendo
fedorentas e eu não cabendo muito bem nelas. Era difícil não ser capaz de
simplesmente correr até em casa e pegar outro par de calças de moletom
quando eu precisava. A coisa de ‘sem teto’ de novo – não ter nenhum lugar
para o qual voltar. Nada de coisas suas também, o que não estava me
incomodando tanto agora, mas provavelmente ia ficar chato em breve.
Exausto, eu caminhei lentamente até os degraus da varanda dos Cullen nas
minhas roupas chiques de segunda mão mas eu hesitei quando cheguei na
porta. Eu batia? Estúpido, já que eles sabiam que eu estava aqui. Eu me
perguntei porque ninguém se dava conta disso – ou me dizia entre ou se
manda. Que seja. Eu ergui os ombros e entrei sem convite.
Mais mudanças. A sala havia voltado ao normal – quase – no últimos vinte
minutos. A grande televisão de tela plana estava ligada, num volume baixo,
mostrando alguma coisa afeminada que ninguém parecia estar assistindo.
Carlisle e Esme estavam de pé perto das janelas do fundo, que estavam abertas
para o rio novamente. Alice, Jasper, e Emmett estavam fora de vista, mas eu
os ouvi murmurando no andar de cima. Bella estava no sofá como ontem, com
apenas um tubo ainda plugado nela, e uma intra-venosa pendurada atrás do
encosto do sofá. Ela estava enrolada como um burrito em duas colchas
grossas, então pelo menos eles tinham me ouvido antes. Rosalie estava
sentada de pernas cruzadas perto da cabeça dela. Edward estava sentado na
outra ponta do sofá com os pés enrolados de Bella em seu colo. Ele olhou pra
cima quando eu entrei e sorriu para mim – só uma pequena curva na boca dele
– como se alguma coisa agradasse ele.
Bella não me ouviu. Ela apenas olhou para cima quando ele olhou, e então
sorriu também. Com verdadeira energia, todo o rosto dela se iluminou. Eu não
podia lembrar da última vez quando ela pareceu tão feliz em me ver. Qual era
o problema dela? Para começo de história, ela era casada! E feliz no
casamento também – não havia dúvidas de que ela estava tão apaixonada por
aquele vampiro que ultrapassava as barreiras da sanidade. E com uma enorme
barriga de grávida, ainda por cima.
Então porque ela tinha que estar tão feliz em me ver? Como se eu tivesse
melhorado todo o dia dela só em ter passado pela porta. Se ela simplesmente
não ligasse... Ou mais que isso – se realmente não me quisesse por perto. Seria
muito mais fácil me manter longe.
Edward parecia concordar com os meus pensamentos – ultimamente nós
estávamos tanto na mesma sintonia que era uma loucura. Ele estava fazendo
uma careta agora, lendo o rosto dela enquanto ela se derretia para mim.
“Eles só querem conversar”, eu murmurei com a minha voz se arrastando de
exaustão. “Nada de ataques no horizonte”.
“Sim”, Edward respondeu. “Eu ouvi a maior parte.”
Isso me acordou um pouco. Nós estávamos a uns bons seis quilômetros de
distância. “Como?”
“Eu estou te ouvindo com mais clareza – é uma questão de familiaridade e
concentração. Além do mais, seus pensamentos são um pouco mais fáceis de
entender quando você está na forma humana. Então eu ouvi boa parte do que
aconteceu fora daqui.”
“Oh.” Isso me incomodou um pouco, mas não foi por nenhum motivo
especial, então eu deixei para lá. “Bom. Eu odeio ficar me repetindo.”
“Eu te diria para ir dormir um pouco”, Bella disse “mas eu acho que você vai
desmaiar no chão em cerca de seis segundos, então não há nenhuma
necessidade.”
Eu estava impressionado de ver o quanto ela parecia melhor, quanto ela
parecia mais forte. Eu senti cheiro de sangue fresco e vi que o copo estava nas
mãos dela de novo. Quanto sangue mais seria necessário para mantê-la bem?
Em algum ponto, eles começariam a matar os vizinhos?
Eu caminhei até a porta, contanto os segundos para ela enquanto andava. “Um
Mississipi... dois Mississipi...”
“Onde está o incêndio, totó?” Rosalie murmurou.
“Você sabe como afogar uma loira, Rosalie?” Eu perguntei sem parar ou virar
para olhá-la. “Cole um espelho no topo de uma piscina.”
Eu ouvi Edward gargalhar enquanto eu fechava a porta. Seu humor parecia
melhorar em exata ligação com a saúde de Bella.
 “Eu já tinha ouvido essa,” Rosalie disse depois de mim.
Eu desci com dificuldade os degraus, meu único objetivo era ir pra longe o
suficiente dentro das árvores que o ar seria puro novamente. Eu planejei
esconder as roupas a uma distância conveniente da casa para futuro uso ao
invés de amarrá-las a minha perna, então eu não ficaria cheirando-as também.
Assim que eu tateei os botões da nova camisa, eu pensei aleatoriamente sobre
como botões nunca estariam na moda para lobisomens.
“Então tente passar o recado de uma forma que a faça considerar, se você não
se importa.”
“Eu vou fazer o que puder.”
“E então tem a questão das roupas.”
Eu baixei o olhar para as que eu estava vestindo. “Ah é. Obrigado.”
Provavelmente não seriam boas maneiras mencionar o quanto elas fediam.
Ele sorriu, só um pouco. “Bem, nós somos capazes de ajudar com qualquer
necessidade disso. Alice raramente nos deixa vestir a mesma coisa duas vezes.
Nós temos pilhas de roupas praticamente novas que são destinadas a doação, e
eu imagino que Leah é bem próxima do tamanho de Esme…”
“Não tenho certeza de como ela vai se sentir sobre restos de sugadores de
sangue. Ela não é tão prática como eu sou.”
“Eu acredito que você possa apresentar a oferta na forma mais leve possível.
Tanto quanto a oferta de qualquer outro objeto que vocês possam precisar, ou
transporte, ou qualquer outra coisa mesmo. E banhos também, desde que você
prefere dormir do lado de fora. Por favor… não se considerem sem os
benefícios de uma casa.”
Ele disse a última frase mais baixo - não tentando manter segredo dessa vez,
mas com algum tipo de real emoção.
Eu olhei para ele por um segundo, piscando os olhos de sono. “Isso, er, é legal
da sua parte. Diga a Esme que nós apreciamos o, uh, pensamento. Mas…”
O perímetro corta através de lugares com água, então nós estamos bem
limpos.
Se você puder passar a oferta adiante, mesmo assim.
- Claro, claro.
- Obrigado.
Eu deu as costas à ele, só para congelar quando escutei um choro baixo de dor
vindo de dentro da casa. Quando eu me virei, ele já tinha desaparecido.
O que agora?
Eu o segui, arrastando os pés como um zumbi. Usando provavelmente o
mesmo numero de células cerebrais, também. Não parecia que eu tinha
escolha. Alguma coisa estava errada. Eu iria ver o que era. Não haveria nada
que eu pudesse fazer. E me sentiria pior. Parecia inevitável.
Entrei na casa de novo. Bella estava ofegando, curvada sobre o inchaço no
centro de seu corpo. Rosalie a segurava enquanto Edward, Carlisle e Esme a
rodeavam. Um rápido movimento passou por meus olhos. Alice estava no
topo das escadas, olhando para a sala com as mãos nas têmporas. Era esquisito
- como se ela estivesse sendo barrada de entrar na sala.
- Me dê um segundo, Carlisle - Bella arquejou.
- Bella - o médico disse ansiosamente. - Eu ouvi algo se partindo. Preciso dar
uma olhada.
- Tenho certeza - gemido - de que foi uma costela. Ai. É. Bem aqui. - Ela
apontou para o lado esquerdo, cuidando para não tocar o lugar.
Agora estava quebrando os ossos dela.
- Preciso tirar um raio-X. Pode haver algum estilhaço. Não queremos que fure
nada.
Bella respirou fundo. - Tudo bem.
Rosalie levantou Bella cuidadosamente. Edward parecia que ia discutir, mas
Rosalie mostrou os dentes para ele e ele rosnou. - Eu já peguei.
Então Bella estava mais forte agora, mas a coisa também estava. Não tinha
como fazer um passar fome sem deixar o outro faminto também. Não tinha
como ganhar.
A Loira carregou Bella rapidamente pelas escadas, com Carlisle e Edward em
seus calcanhares, nenhum deles notando que eu estava parado, chocado, na
porta.
Então eles tinham um banco de sangue e uma máquina de raio-X? Parece que
o médico trouxe o trabalho dele para casa.
Eu estava muito cansado para segui-los, muito cansado para me mexer. Eu me
apoiei na parede e escorreguei para o chão. A porta ainda estava aberta, e
apontei meu nariz na direção dela, grato pela brisa leve estar soprando para
dentro da casa. Eu coloquei minha cabeça contra o batente e escutei.
Podia escutar o som da maquina de raio-X lá em cima. Ou talvez só achasse
que fosse ela. Então os passos mais leves foram descendo as escadas. Não
olhei para saber que vampiro era.
- Você quer um travesseiro? - Alice me perguntou.
- Não - resmunguei. O que era essa hospitalidade insistente? Estava me
assustando.
- Isso não parece confortável - ela observou.
- Não é.
- Então por que você não se mexe?
- Cansado. Por que não está lá em cima com o resto deles? - eu atirei de volta.
- Dor de cabeça. - ela respondeu.
- Eu virei minha cabeça para olhar para ela.
Alice era uma coisa extremamente pequena. Mais ou menos do tamanho de
um dos meus braços. Ela parecia até menor agora, uma espécie de
pressentimentos sobre ela mesma.
“Vampiros têm dores de cabeça?”
“Não os normais.”
Eu resfoleguei. Vampiros normais.
“Então como pode você nunca estar mais com Bella?” Eu perguntei, fazendo
da pergunta uma acusação. Isso não tinha me ocorrido antes, porque minha
cabeça tinha estado cheia de outras merdas, mas era esquisito Alice nunca
estar por perto de Bella, não desde que eu tenho estado aqui. Talvez se Alice
estivesse ao seu lado, Rosalie não estivesse. “Pensei que vocês duas fosse
assim.” Eu enlacei dois de meus dedos juntos.
“Como eu disse” - ela ficou confusa a alguns pés de mim, embrulhando seus
magros braços a redor de seus magros joelhos - “dor de cabeça.”.
“Bella está te dando dor de cabeça?”
“Sim.”
Eu fiz uma carranca. Absolutamente certo de que eu estava muito cansado
para enigmas. Eu respirei fundo e fechei os olhos.
“Não Bella, na verdade,” ela emendou “o feto”.
Ah, mais alguém que se sentia como eu. Foi bastante fácil de conhecer. Ela
falou a palavra rancorosamente, da mesma forma que Edward.
“Eu não posso vê-lo,” ela me falou, apesar de que ela devia estar falando para
si mesma. Para tudo que ela sabia, eu já tinha ido. “Eu não posso ver nada
sobre ele. Assim como você.”
Eu me retirei, e depois trinquei meus dentes. Eu não gostava de ser comparado
à criatura.
“Bella está da mesma forma. Ela está embrulhada a redor dele, então ela
está… borrada. Como uma má recepção na TV - como tentar focar seus olhos
naquelas pessoas embaralhadas sacudindo na tela. Está quebrando minha
cabeça assisti-la. E eu não posso ver mais que alguns minutos a frente, de
qualquer forma. O… feto é demasiadamente parte do futuro dela. Quando ela
tomou sua primeira decisão… quando ela soube que o queria, ela ficou
desfocada em meu sinal. Me amedrontou com a morte.”
Ela ficou quieta por um segundo, e então ela adicionou, “Eu tenho que
admitir, é um alívio te ter tão perto - apesar do cheiro de cão molhado. Tudo
vai embora. Como se meus olhos estivessem fechados. Anestesia as dores de
cabeça.”
“Feliz por servir, madame.” Eu resmunguei.
“Eu imagino o que isso tem em comum com você… Porque você é da mesma
forma nesse sentido.”
Rapidamente fez brotar o calor nos meus ossos. Eu serrei meus punhos para
controlar o tremor.
“Eu não tenho nada em comum com aquele sangue suga,” eu disse entre os
dentes.
“Bem, há algo aqui.”
Eu não respondi. O calor já parava de queimar. Eu estava mortalmente
cansado para ficar furioso.
“Você não se importa se eu sentar aqui com você, sim?” ela perguntou.
“Eu acho que não. Fede de qualquer forma.”
“Obrigada,” ela disse. “Essa é a melhor coisa para isso, eu imagino, já que não
posso tomar aspirina.”
“Você poderia manter-se sem ela? Dormindo, aqui.”
Ela não respondeu imediatamente caindo no silêncio. Eu estava fora em
segundos.
Eu estava sonhando que eu estava realmente sedento. E havia um grande copo
de água em minha frente - tudo frio, você podia ver a neblina correndo a
redor.
Eu agarrava o copo com força e tomava um grande gole, só para descobrir
bem rápido que aquilo não era água - era água sanitária pura. Eu colocava
tudo para fora, tossindo em cima de tudo, e um pouco saiu pelo meu nariz.
Queimava. Meu nariz estava pegando fogo…
A dor no meu nariz me despertou o suficiente para me lembrar de onde eu
tinha pegado no sono. O cheiro era bem feroz, considerando que meu nariz
não estava de verdade dentro da casa. Ugh. E estava barulhento. Alguém
estava rindo muito alto. Um riso familiar, mas de alguém que não tinha o
mesmo cheiro. Não pertencia a esse lugar.
Eu gemi e abri os olhos. O céu era um cinza sombrio - ainda dia, mas sem
nenhum sinal de que horas. Talvez perto do por do sol - estava bem escuro.
“Já era hora”, a loira resmungou não muito longe. “A personificação da serra
elétrica estava ficando um pouco cansada.”
Eu rolei para o lado e me forcei a ficar sentado. No processo, eu me dei conta
de onde o cheiro estava vindo. Alguém tinha colocado um enorme travesseiro
de penas debaixo da minha cabeça. Provavelmente tentando ser legal, eu acho.
A menos que tenha sido Rosalie.
Uma vez que meu rosto estava fora das penas fedorentas, eu percebi outros
cheiros. Como bacon e canela, tudo misturado com o cheiro de vampiros.
Eu vacilei, entrando no cômodo.
As coisas não tinham mudado muito, exceto que agora Bella estava sentada no
meio do sofá, e o aparelho preso a ela tinha sumido. A loira estava sentada nos
pés dela, sua cabeça descansando contra os joelhos de Bella. Continuava me
dando arrepios ver quão casualmente eles a tocavam, no entanto eu acho que
já era um caso perdido, considerando todas as coisas. Edward estava ao seu
lado, segurando sua mão. Alice estava no chão também, como Rosalie. Seu
rosto não estava torturado agora. E foi fácil perceber porque - ela tinha achado
outro analgésico.
“Hey, Jake está chegando!” Seth vociferou.
Ele estava sentado no outro lado de Bella, seu braço pendurado sem cuidado
sobre seus ombros, um prato transbordando de comida em seu colo.
O que diabos?
“Ele veio procurar você”, Edward disse enquanto eu me aproximava. “E Esme
o convenceu de ficar para o café da manhã.”
Seth viu minha expressão, e se apressou em explicar. “É, Jake - eu estava só
checando se você estava bem, porque você nem ao menos se transformou de
volta. Leah ficou preocupada. Eu disse a ela que você provavelmente só
queria ficar humano, mas você sabe como ela é. Tanto faz, eles tem toda essa
comida aqui, e maldição” - ele virou para encarar Edward - “cara, você sabe
cozinhar !”
“Obrigado”, Edward murmurou.
Eu inalei devagar, tentando parar de apertar os dentes. Eu não conseguia tirar
meus olhos do braço de Seth.
“Bella ficou com frio”, Edward disse baixo.
Certo. Não é da minha conta, de qualquer forma. Ela não me pertencia.
Seth ouviu o comentário de Edward, olhou para o meu rosto, e de repente ele
precisou das duas mãos para comer. Ele tirou o braço de cima da Bella e
começou a cavar no prato. Eu andei para frente para ficar apenas alguns
passos longe do sofá, ainda tentando agir normalmente.
“Leah está correndo em patrulha?”, eu perguntei a Seth. Minha voz ainda
estava grossa por causa do sono.
“Sim”, ele disse enquanto mastigava. Seth estava com roupas novas também.
Elas ficavam melhores nele do que ficavam em mim. “Ele está prestando
atenção”. Não se preocupe. Ela vai uivar se acontecer alguma coisa.
Nós trocamos por volta da meia noite. “Eu corri doze horas”. Ele estava
orgulhoso daquilo, e era mostrado no seu tom de voz.
“Meia noite? Peraí - que horas é agora?”
“Perto do amanhecer.” Ele olhou pela janela, checando.
Droga! Eu tinha dormido pelo resto do dia e a noite inteira - pisei na bola.
 “Bosta. Desculpe por isso, Seth. Você deveria ter me acordado.”
“Não, que isso, você precisava dormir bem. Você não tirou uma pausa desde
quando? Da noite antes da sua última patrulha para Sam? Tipo quarenta
horas? Cinqüenta? Você não é uma máquina, Jake. Além disso, você não
perdeu nada.”
Nada? Eu dei uma olhada rápido para Bella. A sua cor estava de volta ao
normal do jeito que eu lembrava. Pálida, mas com o tom rosado. Os seus
lábios estavam rosa de novo. Até o seu cabelo parecia melhor - mais brilhante.
Ela me viu avaliando e me deu um sorriso.
“Como está a costela?” Eu perguntei.
“Amarrada bem apertado. Eu nem sinto.”
Eu rolei meus olhos. Escutei Edward bater os dentes e eu adivinhei que a
atitude dela de fazer as coisas parece melhor que são o incomodava tanto
quanto me incomodava.
“O que tem para o café?” eu perguntei um pouco sarcástico “O negativo ou
AB positivo?”.
Ela mostrou a sua língua para mim. Totalmente ela de novo. “Omeletes” ela
disse, mas seus olhos olharam para baixo e eu vi o copo de sangue estava entre
a sua perna e a de Edward.
“Vá pegar um pouco de café da manhã, Jake” Seth disse “Tem muito na
cozinha. Você deve estar vazio.”
Eu examinei a comida que ele comia. Parecia meia omelete de queijo e um
quarto de um rolo de canela do tamanho de um frisbee. Meu estomago roncou,
mas eu ignorei.
“O que Leah está comendo de café-da-manhã?” Eu pensei a Seth criticamente.
“Ei, eu levei comida para ela antes de comer qualquer coisa” ele defendeu a si
mesmo. “Ela disse que para comer prefere animais mortos, mas acho prefere
matá-los. Esses rolinhos de canela…” Ele parecer ter perdido as palavras.
 “Eu vou caçar com ela, então.”
Seth assentiu quando eu me virei para sair.
“Um momento, Jacob?”
Era Carlisle perguntando, então eu me virei de novo, minha cara estava menos
desrespeitosa que estaria se fosse qualquer outro que tivesse me parado.
“Sim?”
Carlisle aproximou enquanto Esme seguida para o outro quarto. Ele parou
alguns pés longe, apenas um pouco mais longe que o espaço normal entre dois
homens conversando. Eu o apreciei por ter me dado espaço.
“Falando em caça” ele começou em um tom sombrio. “Esse vai ser um
problema para a minha família. Eu entendo que a nossa preciosa trégua está
inoperante no momento, então eu quero o seu conselho. Sam vai nos caçar se
nós sairmos do perímetro que você criou? Nós não queremos ter uma chance
para machucar ninguém da sua família - ou perder algum de nós. Se você
estivesse no nosso lugar, como faria?”
Eu me inclinei um pouco surpreso, quando ele jogou aquilo para mim daquele
jeito. O que eu saberia sobre estar nos lugares dos sugadores de sangue? Mas,
aí de novo, eu conhecia Sam.
“É um risco,” eu disse, tentando ignorar os outros olhares que sentia em mim e
apenas conversar com ele. “Sam acalmou por enquanto, mas estou bem certo
que na sua cabeça o acordo está sem validade. Enquanto ele pensar que a
tribo, ou qualquer outro humano, está em perigo real, ele não vai fazer
perguntas primeiro, se você entende o que digo. Mas, apesar de tudo, a sua
prioridade vai ser La Push. Realmente não tem suficiente deles para manter
uma patrulha decente nas pessoas e também atrapalhar as nossas caças sem
muito dano. Eu aposto que ele vai manter perto de casa.”
Carlisle concordou pensando.
“Então eu acho que eu diria para vocês irem juntos, como precaução. E
provavelmente irem durante o dia, porque ele estaria esperando a noite. Coisa
tradicional de vampiro. Vocês são rápidos - vão além das montanhas e cacem
longe o suficiente para não ter chance de ele mandar alguém tão longe de
casa.”
“E deixar Bella para trás, desprotegida?”
Eu bufei. “O que nós somos, fígado cortado?”
Carlisle riu, mas depois a sua cara estava séria de novo. “Jacob, você não pode
lutar contra os seus irmãos.”
Meus olhos apertaram. “Eu não disse que isso não seria difícil, mas se eles
realmente vierem para matá-la - eu seria capaz de pará-los.”
Carlisle balançou sua cabeça, angustiado. “Não, eu não disse que você não
seria capaz. Mas que seria errado. Eu não posso ter isso na minha
consciência.”
“Não seria na sua, doutor. Seria na minha. E eu consigo agüentar.”
“Não, Jacob. Nós vamos ter certeza que as nossas ações não farão disso uma
necessidade.” Ele franziu a sobrancelha. “Nós iremos três de cada vez,” ele
decidiu depois de um segundo. “Essa é provavelmente a melhor coisa para se
fazer.”
“Eu não sei, doutor. Dividir no meio não é a melhor estratégia.”
“Nós temos algumas habilidades extras que vai fazer isso ficar igual. Se
Edward for um dos três, ele vai ser capaz de nos dar algumas milhas de
segurança.”
Nós dois olhamos para Edward. A sua expressão fez Carlisle mudar de idéia
rápido.
“Tenho certeza que existem outras maneiras, também.” Carlisle disse.
Claramente, não tinha necessidade real forte o suficiente para tirar Edward de
longe da Bella agora. “Alice, eu imagino que você consiga imaginar quais
rotas vão ser um erro?”
“Aquelas que desaparecerem,” Alice disse, concordando. “Fácil.”
Edward, que tinha ficado todo tenso com o primeiro plano de Carlisle,
relaxou. Bella estava olhando triste para Alice, aquela pequena ruga entre os
seus olhos que ela tinha quando ficava estressada.
“Ok” eu disse “está combinado. Eu vou indo então. Seth, eu te espero de volta
no pôr-do-sol, então tire um cochilo em algum lugar, ok?”
“Claro, Jake. Eu vou me transformar assim que acabar. A não ser…” ele
hesitou, olhando para Bella. “Você precisa de mim?”
“Ela tem cobertores”, eu o repreendi.
“Eu estou bem, Seth, obrigada,” Bella disse rapidamente.
E então Esme voltou para a sala, com um prato cheio em suas mãos. Ela parou
hesitantemente atrás de Carlisle, seus grandes olhos dourado escuros no meu
rosto. Ela segurou o prato e deu um passo tímido para perto.
“Jacob,” ela disse calmamente. A sua voz não era tão irritante quanto dos
outros. “Eu sei que… não é apetitosa para você a idéia de comer aqui, quanto
tudo cheira tão desagradável. Mas eu me sentiria bem melhor se você levasse
alguma comida com você quando você fosse. Eu sei que você não pode voltar
para casa e é por causa de nós. Por favor - diminua um pouco do meu remorso.
Pegue um pouco para comer.” Ela me entregou a comida, o seu rosto suave e
pedinte. Eu não sei como ela fez quilo, porque ela não parecia mais velha que
seus vinte e poucos anos e ela era pálida também, mas algo nela subitamente
me lembra da minha mãe.
Jesus.
“Hum, claro, claro,” eu resmunguei. “Eu acho. Talvez Leah ainda esteja com
fome ou algo do tipo.”
Eu fui e peguei a comida com a minha mão, segurando aquilo com um braço
de distância. Eu iria jogar debaixo de uma árvore ou por ai. Eu não queria que
ela se sentisse bem.
E então me lembrei de Edward.
Não diga nada para ela! Deixe-a pensar que eu comi.
Eu não olhei para ele para ver se ele tinha concordado. Era melhor ele ter
concordado.
“Obrigada, Jacob,” Esme disse, sorrindo para mim. Como um rosto de pedra
tinha covinhas, pelo amor de Deus?
“Hum, obrigado a você,” eu disse. Meu rosto estava quente, mais quente que o
normal.
Este era o problema de ficar com vampiros - você fica acostumado com eles.
Eles começam a bagunçar a forma que você vê o mundo. Eles começaram a
parecer amigos.
“Você vai voltar mais tarde, Jake?” Bella perguntou enquanto eu tentava sair.
“Uh, eu não sei.”
Ela pressionou os seus lábios, como se estivesse tentando não sorrir. “Por
favor? Eu posso sentir frio.”
Eu respirei profundamente, e então percebi, meio tarde, que está talvez não
fosse uma boa idéia. Recuei. “Talvez.”
“Jacob?” Esme perguntou. Eu fui para a porta enquanto ela continuava; ela me
seguiu durante alguns passos. “Eu deixei uma cesta com algumas roupas perto
da porta. Elas são para Leah. Acabei de lavá-las - e tentei tocar nelas o menos
possível.” Ela franziu as sobrancelhas. “Você se importaria de levá-las para
ela?”
“Pode deixar” eu murmurei, e então sai pela porta, antes que alguém pudesse
me fazer sentir mais culpado por algo.

15. Tick tock tick tock tick tock [amanhecer]
***************************************************
Ei, Jake, pensei que você disse que precisaria de mim ao amanhecer. Por que
você não fez Leah me acordar antes?
Porque eu ainda não precisava de você. Eu ainda estou bem.
Ele ainda estava na metade norte do círculo. Nada?
Não. Nada, mas nada.
Você fez a patrulha?
Ele tinha pegado o meu lado da floresta para patrulhar. Ele prestou atenção na
nova trilha.
Sim, eu corri um pouco. Você sabe, só para checar. Se os Cullens vão fazer
uma viagem de caça.
Boa idéia.
Seth olhou para o perímetro principal.
Era mais fácil correr com ele do que com Leah. Embora ela tentasse - tentasse
muito - havia sempre algo em seus pensamentos. Ela não queria estar aqui. Ela
não queria sentir a suavidade a respeito dos vampiros que se passava em
minha mente. Ela não queria lidar com a amizade que Seth tinha com eles,
uma amizade que a cada dia ficava mais forte.
Engraçado, porem, eu achei que seu único problema seria eu. Nós nunca nos
damos muito bem no bando de Sam. Mas não havia nenhuma inimizade contra
mim agora, apenas contra os Cullens e Bella. Eu me perguntava o porquê.
Talvez fosse apenas gratidão por eu não forçá-la a partir. Talvez porque eu
entendesse melhor sua hostilidade agora. Afinal, correr com Leah não era tão
ruim quanto esperei que fosse.
É claro que ela não tinha facilitado tanto as coisas. A comida e as roupas que
Esme mandara para ela corriam pela correnteza do rio neste momento. Mesmo
depois de eu ter comido minha parte - não porque o cheiro fosse irresistível
longe dos vampiros, mas para dar um bom exemplo de tolerância para Leah -
ela recusou. O pequeno alce que ela pegou mais ou menos ao meio-dia não
satisfez totalmente seu apetite. Isso fez seu humor piorar. Leah detestava
comer coisas cruas.
Talvez nós devêssemos fazer uma varredura pelo leste. Seth sugeriu. Ir mais
adiante, ver se eles estão lá esperando.
Eu estava pensando nisso. Eu concordei. Mas vamos fazer isso quando
estivermos todos acordados. Eu não quero abaixar nossa guarda. Porém nós
devemos fazer isso antes dos Cullens tentarem. Logo.
Certo.
Isso me fez ficar pensativo. Se os Cullens eram capazes de sair da área de
modo seguro, eles realmente deviam continuar tentando. Eles provavelmente
deveriam ter partido no momento em nós viemos avisá-los. Eles deviam ser
capazes de permitir outras escavações. E eles tinham amigos no norte, certo?
Peguem Bella e corram. Isso parecia ser uma solução óbvia para os problemas.
Eu devia ter sugerido isso, mas eu tinha medo que eles seguissem minha
sugestão. E eu não queria que Bella desaparecesse - e nunca saber se ela tinha
conseguido ou não.
Não, isso era estupidez. Eu teria dito a eles para partirem. Não fazia sentido
algum para eles ficar, e seria melhor - não sem dor, mas mais saudável - para
mim que Bella fosse embora.
É fácil dizer isso agora, quando Bella não estava lá, parecendo ansiosa para
me ver e também se agarrando à vida com unhas e dentes ao mesmo tempo.
Oh, eu já perguntei ao Edward sobre isso. Seth pensou.
O que?
Eu perguntei a ele por que eles ainda não haviam partido. Ido para a casa de
Tanya ou algo assim. Algum lugar muito longe onde Sam não os seguisse.
Eu tive que me fazer lembrar que eu dei aos Cullen esse mesmo aviso. Isso era
o melhor. Então eu não deveria ficar bravo com Seth por tirar essa obrigação
das minhas mãos. Não tão bravo.
E então, o que ele disse? Eles estão esperando uma brecha?
Não, eles não vão partir.
E isso não era uma boa noticia.
Por que não? Isso é burrice.
Não exatamente, Seth disse agora defensivo. Leva muito tempo para construir
o acervo medico que Carlisle tem aqui. Ele tem tudo que precisa para tomar
conta de Bella e meios para conseguir mais. Esse é um dos motivos para eles
quererem uma caçada. Carlisle acha que eles precisarão de mais sangue para
Bella daqui a pouco tempo.
Ela está usando todo o negativo que eles guardaram para ela. Ele não gosta de
esgotar a matéria-prima. Ele vai comprar mais. Você sabia que pode comprar
sangue? Se você for um médico.
Eu ainda não estava pronto para ser lógico. Ainda é estúpido. Eles podiam
trazer a maior parte com eles, não? E roubar qualquer coisa que eles precisem.
Quem liga para essa porcaria legal quando você é imortal?
Edward não quer se arriscar em movê-la.
Ela está melhor do que estava.
Sério, Seth concordou. Na cabeça dele, ele estava comparando a memória de
Bella ligada aos tubos com a última vez que ele a viu quando ele deixou a
casa. Ela tinha dado um sorrido e acenado para ele. Mas ela não pode se
mexer muito, sabe. A coisa está chutando muito.
Eu engoli o ácido estomacal em minha garganta. É, eu sei.
Quebrou outra costela dela, ele me contou sombriamente.
Minha caminhada vacilou e eu tremi com um passo atrás antes de recuperar o
ritmo.
Carlisle a deixou inteira de novo. Só outra fratura, ele disse. Então Rosalie
disse algo sobre como os bebês humanos normais são capazes de quebrar
costelas. Edward parecia que ia arrancar a cabeça dela.
Pena que lê não arrancou.
Seth estava com o modo “passar informações” ligado - sabendo que era tudo
vitalmente interessante para mim, embora eu nunca tivesse pedido para
escutar nada. Bella tem ficado com febre e sem febre por todo o dia. Poucos
graus acima do normal, só suor e calafrios. Carlisle não tem certeza do que
pode ser - ela pode só estar doente. O sistema imunológico dela está chegando
ao limite.
É, tenho certeza que é só uma coincidência.
Ela está de bom humor, apesar de tudo. Ela estava conversando com Charlie,
rindo e tudo…
Charlie! O quê?! O que você quer dizer, ela estava falando com Charlie?
Agora o passo de Seth vacilou; minha fúria o surpreendeu. Acho que ele liga
todo o dia para falar com ela. Às vezes a mãe dela liga também. Bella parece
tão melhor agora; então ela estava o tranqüilizando que ela estava melhorando.
Melhorando? Que diabos eles estão pensando? Deixar o Charlie todo
esperançoso para depois magoá-lo ainda mais quando ela morrer? Achei que
eles o estavam preparando para isso! Tentando prepará-lo! Por que ela o
animaria desse jeito?
Talvez ela não morra, Seth pensou calmamente.
Respirei fundo, tentando me acalmar. Seth. Mesmo que ela passe por isso, ela
não vai fazer como humana. Ela sabe disso, e o resto deles também sabe. Se
ela não morrer, ela vai ter que fazer uma imitação bem convincente de um
cadáver, garoto. Ou isso, ou vai ter que desaparecer. Achei que eles
estivessem tentando deixar isso mais fácil para o Charlie. Por quê…?
Acho que é idéia da Bella. Ninguém disse nada, mas o rosto de Edward meio
que combinou com o que você está pensando.
No mesmo termo que o sugador de sangue, mais uma vez. Nós corremos em
silencio por alguns minutos. Eu comecei por uma nova linha, me dirigindo ao
sul.
Não vá muito longe. Por quê? Bella me pediu para falar para você passar por
lá. Meus dentes se fecharam.
Alice quer você também. Ela diz que está cansada de ficar escondida como um
morcego no sótão. Seth escondeu uma risada. Eu estava revezando com
Edward antes. Tentando manter a temperatura de Bella estável. Fria para
quente, o que era preciso. Acho que se você não quiser fazer isso, eu posso
voltar lá…
Não, eu vou - repreendi.
Certo. Seth não fez mais nenhum comentário. Ele se concentrou muito na
floresta vazia.
Eu manti meu curso para o sul, procurando alguma coisa nova. Virei quando
tive algum sinal das primeiras habitações. Não estávamos perto da cidade
ainda, mas eu não queria criar o rumor dos lobos novamente.
Eu passei pelo perímetro no caminho de volta, indo para a casa. Mesmo
sabendo que era uma coisa burra a se fazer, não podia evitar. Devo ser algum
tipo de masoquista.
Não há nada de errado com você, Jake. Essa não é a situação mais normal que
existe.
Cale a boca, por favor, Seth.
Calando.
Eu não hesitei na porta dessa vez; só entrei como se fosse dono do lugar.
Achei que isso iria irritar a Rosalie, mas foi um esforço desperdiçado. Nem
Rosalie ou Bella estavam a vista. Olhei ao redor rapidamente, esperando que
alguém tivesse passado despercebido, meu coração espremendo contra minhas
costelas de um jeito estranho, desconfortável.
“Ela está bem” Edward sussurrou. “Ou na mesma, devo dizer.”
Edward estava no sofá com o rosto nas mãos; ele não olhou para cima para
falar. Esme estava perto dele, suas mãos envolvendo fortemente os ombros
dele.
“Olá, Jacob.” Ela disse. “Estou feliz que tenha voltado.”
“Eu também,” Alice disse com um suspiro profundo. Ela veio descendo as
escadas de nariz empinado, fazendo careta. Como se eu estivesse atrasado
para um encontro marcado.
“Uh, ei,”. Eu disse. Pareceu estranho tentar ser educado.“Onde está a Bella?”
“Banheiro,” Alice me informou. “Uma dieta composta predominantemente de
líquidos, você sabe. Mais a coisa da gravidez que também faz isso com você,
eu ouvi.”
“Ah.”
Eu estava de pé, sem jeito, andando de um lado para o outro.
“Oh, maravilhoso”, Rosalie murmurou. Eu virei minha cabeça ao redor e a vi
vindo de um corredor meio-escondido atrás da escada. Ela tinha Bela
embalada suavemente nos braços dela, fazendo uma careta severa para mim.
“Eu sabia que senti um fedor.”
E, como anteriormente, a face de Bella se iluminou como de uma criança em
manhã de Natal. Como eu tivesse trazido o maior presente para ela. Era tão
injusto.
“Jacob,” ela respirou. “Você veio”.
“Oi, Bells”.
Esme e Edward ambos levantaram. Eu assisti como cuidadosamente Rosalie
deitou Bella no sofá.
Eu assisti como, apesar disso, Bella ficou branca e prendeu o fôlego - como
ela se concentrasse em não fazer qualquer barulho, não importa o quanto doía.
Edward passou a mão dele pela testa dela e então a longo do pescoço. Ele
tentou fazer isto parecer como se ele apenas estivesse colocando para trás o
cabelo dela, mas se parecia com exame de um doutor para mim.
“Você está com frio?” Ele murmurou.
“Eu estou bem”.
“Bella, você sabe o que Carlisle lhe falou,” Rosalie disse. “Não subestime
nada. Isto não nos ajuda a tomar todo o cuidado necessário com você.”
“Certo, estou com um pouco de frio. Edward, você pode me dar aquele
cobertor?”
Eu revirei meus olhos. “Não tem alguma razão para eu estar aqui?”
“Você entrou há pouco,” Bella disse. “Depois de correr todo o dia, eu aposto.
Ponha seus pés para cima durante um minuto. Eu provavelmente me
esquentarei novamente num instante”.
Eu a ignorei indo sentar no chão próximo ao sofá enquanto ela ainda estava
me dizendo o que fazer. Àquele ponto, entretanto, eu não estava seguro
como… Ela parecia bem frágil, e eu tinha medo de movê-la, até mesmo pôr
meus braços ao redor dela. Assim eu apenas me apoiei cuidadosamente ao
lado dela, deixando meu braço descansar ao longo do comprimento do dela, e
segurei sua mão.
Então eu pus minha outra mão contra a face dela. Era difícil contar se ela
estava com mais frio que habitualmente.
“Obrigado, Jake,” Ela disse, e eu senti o calafrio dela uma vez.
“Sim,” Eu disse.
Edward sentou no braço do sofá aos pés de Bella, os olhos dele sempre
encarando ela. Era muito esperar, com toda a super-audição no quarto, que
ninguém notaria meu estômago roncando.
“Rosalie, por que você não pega algo para o Jacob comer?” Alice disse. Ela
estava invisível, enquanto estava sentada quietamente atrás do encosto do
sofá.
Rosalie encarou o lugar de onde a voz de Alice tinha saído com descrença.
“De qualquer maneira, obrigado Alice, mas acho que eu não iria querer comer
algo em que a Loira cuspiu. Eu apostaria que meu organismo não aceitaria
muito amavelmente o veneno”.
“Rosalie nunca envergonharia Esme exibindo tal falta de hospitalidade”.
“Claro que não,” A Loira disse em uma voz melosa que eu desconfiei
imediatamente. Ela se levantou e voou para fora do cômodo.
Edward suspirou.
“Você me falaria se ela envenenasse, certo?” Eu perguntei.
“Sim,” Edward prometeu.
E por alguma razão eu acreditei nele. Havia muito barulho na cozinha, e -
estranhamente - o som de metal que protesta como se fosse maltratado.
Edward suspirou novamente, mas sorriu um pouco, também. Então Rosalie
estava de volta antes que eu pudesse pensar mais nisto. Com um sorriso
contente, ela colocou uma tigela prateada no chão próximo a mim.
“Desfrute, mestiço”.
Tinha sido provavelmente uma tigela de misturar grande, mas ela tinha
dobrado a tigela para trás de si até que tomou forma quase precisamente de um
prato de cachorro. Eu tive que ficar impressionado com a habilidade rápida
dela. E a atenção dela para o detalhe. Ela tinha arranhado a palavra Fido no
lado. Caligrafia excelente.
Porque a comida parecia muito boa - bife, nada mais, e uma batata assada
grande com todo os adornos - eu lhe falei, “Obrigado, Loira”.
Ela resmungou.
“Ei, você sabe como se chama uma loira com um cérebro?”
Eu perguntei, e então continuei com o mesmo fôlego, “um Golden Retriever.”
“Já ouvi esta também” ela disse, já não sorrindo.
“Eu continuarei tentando,” eu prometi, e então eu comecei a comer.
Ela fez uma cara de nojo e rolou seus olhos. Então ela sentou-se em um dos
braços da cadeira e começou a passar pelos canais da grande TV tão rápido
que não tinha jeito de ela realmente estar procurando por algo para assistir.
A comida era boa, mesmo com o fedor de vampiros no ar. Eu estava me
acostumando com aquilo. Hum. Não era algo que eu realmente quisesse me
acostumar, na verdade…
Quando eu terminei - apesar se eu começar a considerar em lamber a tigela
para dar alguma coisa para Rosalie reclamar - eu senti os dedos gelados de
Bella passando delicadamente pelos meus cabelos. Ela acariciou a parte de
trás de minha nuca.
“Hora de um corte de cabelo, hum?”
“Você está ficando um pouco emaranhado,” ela disse. “Talvez–”.
“Deixe-me adivinhar, alguém por aqui costuma cortar o cabelo em algum
salão de Paris?”
Ela riu. “Provavelmente.”
“Não, obrigado,” eu disse antes que ela realmente oferecesse. “Eu estou de
boa por mais umas semanas.”
O que me fez imaginar quanto tempo ELA ainda estaria de boa. Eu tentei
pensar em um jeito educado de perguntar.
“Então… hm…qual é, er, a data? Você sabe, a data certa para o monstrinho.”
Ela bateu na parte de trás da minha cabeça com tanta força quanto o pagear de
uma pena, mas não respondeu.
“É sério,” eu disse a ela. “Eu quero saber por quanto tempo eu vou ter que
ficar aqui.” Quando tempo VOCÊ vai ficar aqui, eu acrescentei na minha
cabeça. Eu me virei para olhar para ela. Seus olhos estavam pensativos; as
rugas de stress apareceram entre as suas sobrancelhas de novo.
“Eu não sei,” ela murmurou. Não exatamente. Óbvio que nós não estamos
seguindo o modelo de nove - meses aqui, e nós não conseguimos tirar um
ultra-som, então Carlisle está montando uma estimativa a partir de quão
grande eu estou. Pessoas normais supostamente atingem 45 centímetros aqui
“- ela apontou um dedo para o meio da protuberância no seu estômago-
”quando o bebê está totalmente crescido. Um centímetro por semana. Eu
estava com 30 hoje de manhã, e eu estou ganhando dois centímetros por dia,
às vezes mais…”
De duas semanas para um dia, os dias voavam. Sua vida passava em alta
velocidade. Quantos dias faltavam para ela, se ela estava esperando os 40?
Quatro? Levou-me um minuto para acreditar.
“Você está bem?” Ela perguntou.
Eu balancei a cabeça, sem certeza de como a minha voz sairia.
O rosto de Edward estava voltado para longe de nós como se ele tivesse
ouvido meus pensamentos, mas eu pude ver o reflexo de seu rosto na parede
de vidro. Ele era aquele homem em chamas novamente.
Engraçado como ter um marco de morte fazia mais difícil em pensar em ir, ou
ter que deixá-la. Eu estava feliz que Seth trouxe aquilo consigo, então eu que
eles ficariam aqui. Isso seria insuportável, imaginando se eles estavam prestes
a partir, levando um ou dois ou três ou os quatro dias. Meus quatro dias.
E era também engraçado que, mesmo sabendo que isso estava quase no fim, a
influência que ela tinha sobre mim ficava mais difícil de quebrar. Quase como
se fosse ligado à expansão do tamanho da sua barriga - quando maior ela
ficava, mais força gravitacional ela tinha.
Por um minuto eu tentei olhar para ela de longe, para me separar da atração.
Eu sabia que não era minha imaginação que a minha necessidade por ela
estava maior do que nunca. Por que isso? Porque ela estava morrendo? Ou
sabendo que mesmo que ela não morresse ainda - o melhor cenário de caso -
ela se transformaria em alguma outra coisa que eu não conheceria ou
entenderia?
Ela passou seu dedo pelo osso de minha face, e minha pele ficou úmida onde
ela tocou.
“Tudo vai ficar bem,” ela sussurrou. Não importava que essas palavras não
significassem nada. Ela dizia isso de uma maneira como as pessoas cantavam
aqueles ritmos sem noção para os jovens. Rock-a-bye,baby (referência a uma
música)
“Ok,” eu murmurei.
Ela se enroscou ao redor do meu braço, descansando a sua cabeça no meu
ombro. “Eu não achava que você viria. Seth disse que você viria, assim como
Edward, mas eu não acreditei neles.”
“Por que não?” eu perguntei bruscamente.
“Você não é feliz aqui. Mas você veio de qualquer forma.”
“Você me queria aqui.”
“Eu sei. Mas você não tinha que vir, porque não é justo que eu queira você
aqui. Eu teria que entender.”
Eu fiquei quieto por um minuto. Edward recompôs a sua expressão. Ele
olhava para a TV enquanto Rosalie ficava passando de canais. Ela estava
passando por entre os 600. Eu fiquei imaginando quanto tempo levaria para
recomeçar.
“Obrigada por vir,” Bella sussurrou.
“Posso te perguntar uma coisa?” Eu perguntei.
“Claro.”
Edward não parecia que estava prestando atenção em nós, no fim das contas,
mas ele sabia o que eu ia perguntar, então ele não me enganou.
“Por que você me quer aqui?” Seth pode te deixar quente e provavelmente é
mais fácil para ele ficar por aqui, pequeno punk alegre. Mas quando eu entro
pela porta, você sorri como se eu fosse a sua pessoa favorita no mundo todo.”
“Você é uma delas.”
“Isso é uma droga, você sabe.”
“É” Ela suspirou. “Desculpe.”
“Por que, então? Você não respondeu aquilo.”
Edward estava olhando para longe de novo, como se estivesse encarando para
fora das janelas. O resto dele estava vazio no reflexo.
“Fica… Completo quando você está aqui, Jacob. Como se toda minha família
estivesse unida. Quer dizer, acho que a vida é assim - nunca tive uma família
grande antes. É bom.” Ela sorriu for meio segundo. “Mas não é inteira quando
você não está aqui.”
“Eu nunca serei parte da sua família, Bella.”
Eu poderia ter sido. Eu ficaria bem lá. Mas isso era um futuro que havia
desaparecido muito antes de ter uma chance para viver.
“Você sempre foi parte da minha família.” Ela discordou.
Meus dentes rangeram. “Que porcaria de resposta.”
“E que resposta é boa?”
“Que tal, ‘Jacob, vou mandar sua dor para longe’?”
Eu a senti encolher.
“Você gostaria mais dessa?” ela sussurrou.
“É mais fácil, pelo menos. Minha cabeça podia se acostumar com isso. Eu
podia lidar com isso.”
Eu olhei para o rosto dela então, tão perto do meu.
Seus olhos estavam fechados e ela estava franzindo a testa. - “Não saímos do
trilho, Jake. Fora do balanço. Você devia ser parte da minha vida - eu sinto
isso, e você também”. - Ela fez uma pausa por um segundo sem abrir os olhos
- como se estivesse esperando que eu negasse. Quando eu não disse nada, ela
continuou. - “Mas não desse jeito. Nós fizemos algo errado. Não. Eu fiz. Eu
fiz alguma coisa errada, então nós saímos do trilho…”
A voz dela sumiu, e seu rosto relaxou até que só ficassem rugas no canto de
seus lábios. Eu esperei para ela colocar mais suco de limão nas minhas feridas
e então um leve ronco veio da garganta dela.
“Ela está exausta” Edward murmurou. “Foi um dia longo. Eu acho que ela
teria dormido antes, mas ela estava esperando você.”
Eu não olhei para ele.
“Seth disse que a coisa quebrou outra costela.”
“Sim, está ficando difícil para ela respirar.”
“Que ótimo.”
“Deixe-me saber quando ela ficar com calor de novo.”
“Está certo.”
Ela ainda tinha arrepios no braço que não estava tocando o meu. Eu mal tinha
levantado minha cabeça para procurar um cobertor quando Edward pegou um
do braço do sofá e o jogou para o alto, para que a cobrisse.
Ocasionalmente, a coisa de ler mentes poupava tempo. Por exemplo, eu não
teria que fazer um escândalo da acusação sobre o que estava acontecendo
quanto a Charlie. Que bagunça. Edward iria escutar exatamente quão
furioso…
“Sim” Ele concordou. “Isso não é uma boa idéia.”
“Então por quê? - Por que Bella estava dizendo a seu pai que estava
melhorando quando isso só o deixaria mais chateado?”
“Ela não agüenta a ansiedade dele.”
“É muito melhor…”
“Não. Não é melhor. Mas eu não vou forçá-la a fazer qualquer coisa que a
deixe infeliz agora.”
O que quer que aconteça, isso a deixa feliz. Eu vou cuidar do resto depois.
Isso não pareceu certo. Bella não iria adiar a dor de Charlie para depois, para
alguma outra pessoa lidar com ela.
“Ela tem bastante certeza de que vai sobreviver”, Edward disse. “Não, não
como humana. Mas ela espera ver o Charlie novamente, de qualquer jeito.”
Ah, isso ficava cada vez melhor.
“Ver. Charlie.” Eu finalmente olhei para ele, meus olhos saltando. “Depois de
tudo. Ver o Charlie quando ela está toda brilhante, pálida e com os olhos
vermelhos. Eu não sou um sugador de sangue, então talvez esteja deixando
algo escapar, mas Charlie não parece à escolha certa para a primeira refeição
dela.”
Edward suspirou. “Ela sabe que não será capaz de ficar perto dele por pelo
menos um ano. Ela acha que consegue adiar as coisas com Charlie. Dizer a ele
que tem que ir a um hospital do outro lado do mundo. Manter contato pelo
telefone…”
“Isso é maluquice.”
“Sim.”
“Charlie não é burro. Mesmo se ela não o matar, ele vai notar alguma
diferença.”
“Ela meio que está contando com isso.”
Eu continuei a encarar, esperando que ele explicasse.
“Ela não vai envelhecer claro, então isso vai dar um limite de tempo, mesmo
que Charlie aceite qualquer desculpa que ela invente para as mudanças.” Ele
sorriu fracamente. “Você lembra quando tentou contar a ela sobre a sua
transformação? Como você a fez adivinhar?”
Minha mão livre se fechou em punho. “Ela lhe contou sobre isso?”
“Sim. Ela estava explicando a… Idéia. Você vê, ela não pode falar para
Charlie a verdade - seria muito perigoso para ele. Mas ele é um homem
esperto, prático. Ela acha que ele vai inventar sua própria explicação. Ela
pensa que ele vai entender errado.” Edward rosnou. “Depois de tudo, nós não
demos pistas de vampiros. Ele vai presumir alguma coisa equivocada, como
ela fez no começo, e nós vamos conviver com isso. Ela acha que será capaz de
vê-lo… de tempo em tempo.”
“Maluquice” Eu repeti.
“Sim.” Ele concordou outra vez.
Era fraco da parte dele deixar que ela fizesse as coisas do jeito dela nisso, só
para deixá-la feliz. Não terminaria bem. O que me fez pensar que ele
provavelmente não estava esperando que ela vivesse para tentar seu plano
louco. Tranqüilizando-a para que ela pudesse ser feliz mais um pouco.
Como mais quatro dias.
“Vou lidar com o que quer que venha.” Ele sussurrou e virou o rosto para
baixo e para longe para que eu não nem pudesse ler o reflexo. “Não vou
causar dor a ela agora.”
“Quatro dias?” Eu perguntei.
Ele não olhou para cima. “Aproximadamente.”
“E então o quê?”
“O que você quer dizer exatamente?”
Eu pensei no que Bella tinha dito. Sobre a coisa estar bem e fortemente
amarrada em algo forte, como pele de vampiro. Então como isso funcionava?
Como saia?
“Pela pouca pesquisa que pudemos fazer, parece que a criatura iria usar os
próprios dentes para escapar do útero.” Ele sussurrou.
Tive que parar para engolir a saliva.
“Pesquisa?” Perguntei fraco.
“É por isso que você não tem visto Jasper e Emmett por aí. É o que Carlisle
está fazendo agora. Tentando decifrar histórias e mitos antigos, o máximo que
podemos com o que temos aqui, procurando por qualquer coisa que nos ajude
a prever o comportamento da criatura.
Histórias? Se existissem mitos, então…
“Então essa coisa não é a primeira de sua espécie?” Edward perguntou,
prevendo minha questão. “Talvez. Tudo é muito vago. Os mitos podem muito
bem ser produtos do medo e da imaginação. Embora…” Ele hesitou “os seus
mitos são verdadeiros, não são? Talvez esses sejam também. Eles parecem
estar localizados, ligados…”
“Como você achou…?”
“Tinha uma mulher que encontramos na América do Sul. Ela foi criada de
acordo com as tradições de seu povo. Ela já ouviu avisos sobre essas criaturas,
histórias que foram passadas.”
“Quais eram os avisos?” Eu murmurei.
“Que a criatura deve ser morta imediatamente. Antes que possa ganhar muita
força.”
A mesma coisa que Sam pensou. Ele estava certo?
“Claro, as lendas deles dizem o mesmo sobre nós. Que devemos ser
destruídos. Que somos assassinos desalmados.”
Dois por dois.
Edward deu uma risada dura.
“O que as histórias deles diziam sobre as… Mães?”
Agonia tomou conta do rosto dele, e, enquanto eu me desviava de sua dor, eu
soube que ele não ia me responder.
Foi Rosalie - que estivera tão parada e silenciosa desde que Bella havia
dormido que eu quase a esqueci - que respondeu.
Ela fez um som de deboche no fundo de sua garganta. “Claro que não houve
sobreviventes” ela disse. Sem sobreviventes, grossa e sem se preocupar. “Dar
à luz em um pântano infestado de doenças enquanto um médico preguiçoso
cuspia na sua cara nunca foi um método seguro. Mesmo os partos normais
davam errado na metade das vezes. Nenhum deles tinha o que esse bebê tem -
carregam uma idéia do que o bebê precisa, quem tenta satisfazer essas
necessidades. Um médico com um conhecimento único da natureza vampírica.
Um plano para fazer o parto de o bebê ser o mais seguro possível. Veneno que
repara qualquer coisa que dê errado. O bebê ficará bem. E aquelas outras mães
provavelmente teriam sobrevivido se elas tivessem tido isso - se elas
existissem, num primeiro momento. Isso é algo de que não estou convencida.”
Ela fungou desdenhosamente.
O bebê, o bebê. Como se fosse isso que importasse. A vida de Bella era um
pequeno detalhe para ela - fácil de livrar. O rosto de Edward ficou branco
como a neve. As mãos dele viraram garras. Totalmente egoísta e indiferente,
Rosalie se virou na cadeira para que ficasse de costas para ele. Ele se inclinou,
agachando.
Permita-me, eu sugeri.
Ele parou, levantando uma sobrancelha.
Silenciosamente, eu levantei minha tigela de cachorro do chão. Então, com um
movimento rápido da minha cintura, eu atirei na parte de trás da cabeça da
Loira, tão forte, com barulho ensurdecedor se chocou rápido antes de
ricochetear para o outro lado da sala e cair ao pé da escada.
Bella e virou, mas não acordou.
“Loira burra.” Eu murmurei.
Rosalie virou a cabeça lentamente, e seus olhos estavam em chamas.
“Você. Jogou. Comida. No. Meu. Cabelo.”
Foi isso. Eu levantei instantaneamente. Afastei-me de Bella para que não a
sacudisse, e ri tanto que lágrimas correram pelo meu rosto. Atrás do sofá, eu
ouvi a risada fina de Alice se juntar à minha.
Perguntei-me porque Rosalie não revidou. Eu meio que esperava. Mas então
eu percebi que minha risada tinha acordado Bella, embora ela tivesse dormido
durante o barulho propriamente dito.
“O que é tão engraçado?” Ela resmungou.
“Joguei comida no cabelo dela” Eu disse a ela, gargalhando outra vez.
“Não vou esquecer isso, cachorro.” Rosalie sibilou.
“Não é tão difícil apagar a memória de uma loira.” Eu reagi. “Só sopre em seu
ouvido.
“Arrume algumas piadas novas.” Ela revidou.
“Vamos, Jake, deixe a Rosalie em p…” Bella parou no meio da frase e
respirou com dificuldade. No mesmo segundo, Edward estava inclinado por
cima de mim, tirando o cobertor do caminho. Ela pareceu ter uma convulsão,
suas costas arqueando no sofá.
“Ele só está” Ela ofegou, “se esticando.”
Os lábios dela estavam brancos, e seus dentes cerrados, como se ela estivesse
tentando conter um grito.
Edward colocou as duas mãos no rosto dela.
“Carlisle?” Ele chamou em uma voz baixa e tensa.
“Aqui.” O médico disse. Eu não o tinha escutado se aproximar.
“Certo” Bella disse, ainda respirando com dificuldade e superficialmente.”
“Acho que acabou. A pobre criança não tem espaço suficiente, é isso. Ele está
ficando tão grande.
Era muito difícil engolir aquele tom carinhoso que ela usava para descrever a
coisa que a estava destruindo. Especialmente depois da frieza de Rosalie. Deume
vontade de jogar algo em Bella também. Ela não desconfiou do meu
humor.
“Sabe, ele me lembra você, Jake.” Ela disse - naquele tom amoroso - ainda
sufocando.
“Não me compare com essa coisa.” Eu atirei por meus dentes.
“Eu só quis dizer seu crescimento acelerado” Ela disse, como se eu a tivesse
magoado. Ótimo. “Você cresceu muito depressa. Dava para ver você ficando
mais alto a cada minuto. Ele também é assim. Crescendo tão rápido.”
Eu mordi a língua para não dizer o que eu queria dizer - forte o suficiente que
eu senti gosto de sangue na boca. Claro que cicatrizaria antes que eu pudesse
engolir. Era disso que a Bella precisava. Ser forte como eu, ser capaz de se
curar…
Ela respirou mais calmamente e relaxou no sofá, seu corpo ficando mole.
“Hmm” Carlisle murmurou. Eu olhei para cima e os olhos dele estavam em
mim.
“O quê?”, perguntei.
A cabeça de Edward virou para o lado enquanto ele refletia o que quer que
estivesse na cabeça de Carlisle.
“Sabe que eu estava me perguntando sobre a composição genética do feto,
Jacob. Sobre os cromossomos dele.”
“O que tem?”
“Boom, levando as seus similaridades em consideração…”
“Similaridades?” Rosnei.
“O crescimento acelerado, e o fato de que Alice não pode ver nenhum de
vocês.”
Eu senti meu rosto ficar vazio. Eu tinha esquecido dessa outra coisa.
“Bem, eu me pergunto se isso significa que temos uma resposta. Se as
similaridades estão no gene.”
“Vinte e quarto pares” Edward resmungou baixo.
“Você não sabe disso.”
“Não. Mas é interessante investigar.” Carlisle disse numa voz suave. “É,
realmente fascinante.”
O ronco leve de Bella começou de novo, dando ênfase ao meu sarcasmo.
Então eles começaram a discutir, com as palavras da conversa genérica tão
rápidos que as únicas palavras que eu consegui distinguir foram os “as” e os
“e”. E meu próprio nome, claro. Alice se juntou a eles, comentando uma vez
ou outra em sua voz fina de passarinho.
Mesmo que eles estivessem falando sobre mim, eu não tentei entender as
conclusões a que eles estavam chegando. Eu tinha outras coisas em mentes,
alguns fatos que estava tentando compor.
Fato um, Bella tinha dito que a criatura estava protegida por alguma coisa tão
forte quanto pele de vampiro, alguma coisa que era impenetrável para os ultrasons,
dura demais para agulhas. Fato dois, Rosalie tinha dito que eles tinham
um plano para fazer o parto de modo seguro. Fato três, Edward tinha dito que
- em mitos - outros monstros como esse iriam mastigar para poder sair das
próprias mães.
Eu tremi. E isso deu uma noção doentia, porque, fato quatro, não havia muitas
coisas capazes de cortar uma pele de vampiro. Os dentes da coisa - de acordo
com o mito - eram fortes o suficiente. Meus dentes eram duros o suficiente. E
dentes de vampiros eram fortes o suficiente. Era difícil deixar escapar o óbvio,
mas com certeza eu queria ter deixado. Porque eu tinha uma boa idéia de
como a Rosalie planejava tirar aquela coisa de modo seguro.

16. Alerta vermelho: muita informação [amanhecer]
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Eu saí cedo, logo depois do nascer do sol. Só foi um pouco difícil dormir no
sofá. Edward me acordou quando o rosto de Bella estava excitado, e ele tomou
o meu lugar para esfriar as costas dela. Eu me espreguicei e decidi que estava
descansado o bastante para realizar algum trabalho.
“Obrigado,” Edward disse calmamente, vendo meus planos. “Se a área estiver
limpa eles vão essa noite.”
Eu me senti bem em voltar para meu lado animal. Eu estava já estava cansado
de ter ficado parado por tanto tempo. Eu apressei o passo.
Dia, Jacob, Leah me cumprimentou.
Que bom que está acordada. Há quanto tempo Seth está por fora?
Ainda não estou, Seth disse sonolentamente. Quase lá. Do que você precisa?
Você agüenta mais uma hora?
Claro, sem problemas. Seth levantou-se sobre seus pés, e espreguiçou-se.
Vamos correr rápido, eu disse para Leah. Seth, marque o perímetro.
Combinado. Seth pegou a parte fácil.
Vá, oh mensageiro dos vampiros, Leah criticou.
Algum problema com isso?
É claro que não. Eu simplesmente adoro mimar aqueles queridos
sanguessugas.
Ótimo. Vamos ver o quão rápido podemos correr.
Ok, eu definitivamente estou disposta a isso!
Leah correu na borda ocidental distante do perímetro. Antes que cortar perto
da casa do Cullen, ela deu uma espécie de volta para encontrar comigo. Corri
do Leste direto, sabendo que até no meu máximo, ela me passaria se eu
abaixasse a guarda por um segundo sequer.
Menos, Leah, Isso não é uma corrida, é uma missão de reconhecimento.
Eu posso fazer os dois e ainda chutar a sua bunda.
Eu a deixei ganhar essa. Eu sei.
Ela riu.
Tomamos um caminho sinuoso pelas montanhas do Leste. Era uma via
familiar. Tínhamos corrido por essas montanhas quando os vampiros tinham
partido há um ano, nos fazendo mudar da nossa rota de patrulha para proteger
melhor a gente daqui. Mas paramos quando os Cullen voltaram. Aquela terra
era deles pelo tratado.
Não que isso significasse alguma coisa para o Sam agora. O acordo estava
morto. A questão hoje era o quão disposto ele estava para espalhar sua força.
Ele estava esperando que algum Cullen descuidado entrasse nas terras deles
clandestinamente ou não? Jared tinha falado a verdade ou tirado proveito do
silencio entre nós?
Nós entrando mais e mais nas montanhas sem achar nenhum sinal do bando.
Rastros de vampiros desapareciam por todos os lados, mas os cheiros eram
familiares agora. Eu os estava respirando pelo dia todo.
Eu achei uma concentração grande e recente de um rastro em particular -
todos indo e voltando daqui exceto por Edward. Alguma razão pelo acúmulo
do cheiro deve ter sido esquecido quando Edward trouxe sua esposa grávida
que estava morrendo para casa. Bati os dentes. O que quer que fosse, não tinha
nada a ver comigo.
Leah não quis me ultrapassar, embora ela pudesse agora. Eu estava prestando
muito mais atenção nos novos cheiros do que à competição de velocidade. Ela
continuou do meu lado direito, correndo comigo em vez de contra mim.
Estamos ficando bem longe - ela comentou.
É. Se Sam estava caçando alguém perdido, deveríamos ter cruzado com sua
trilha à essa altura.
Agora faz mas sentido para ele se abrigar em La Push - Leah pensou. Ele sabe
que nós estamos dando aos sugadores de sangue três pares de olhos e pernas
extras. Ele não vai ser capaz de pegar de surpresa.
Isso foi só uma precaução, sério.
Não iríamos querer nossos parasitas preciosos tendo riscos desnecessários.
Não - eu concordei, ignorando o sarcasmo.
Você mudou muito, Jacob. Coisa de 8-80.
Você não é exatamente a Leah que eu conhecia e amava, também.
Verdade. Eu sou menos irritante que Paul agora?
Por incrível que pareça…sim.
Ah, como o sucesso é doce.
Parabéns.
Então corremos em silêncio de novo. Provavelmente era hora de voltar, mas
nenhum de nós queria. Era bom correr assim. Nós estivemos olhando para o
mesmo círculo pequeno de um rastro por tempo demais. Era bom esticar
nossos músculos e correr pelo terreno duro. Não estamos com muita pressa,
então eu pensei que talvez deveríamos comer na viagem de volta. Leah estava
com bastante fome.
Mmm, mmm - ela pensou azeda.
É tudo coisa da sua cabeça - eu disse à ela. Esse é jeito que os lobos comem. É
natural. É gosto é bom. Se você não pensasse da perspectiva humana…
Esqueça a conversa animadora, Jacob. Eu vou caçar. Não tenho que gostar.
Claro, claro - concordei facilmente. Não era da minha conta se ela queria
deixar as coisas mais difíceis para si mesma.
Ela não acrescentou mais nada por alguns minutos. Eu comecei a pensar em
virar.
Obrigada - Leah inesperadamente me disse em um tom muito diferente.
Por?
Por me deixar ser. Por me deixar ficar. Você tem sido mais legal do que eu
tenho direito de merecer, Jacob.
Er, sem problemas. Na verdade, o que eu falo é sério. Não me importo em ter
você por perto do jeito que achei que me importaria.
Ela fungou, mas era um som brincalhão. - Que admiração brilhante!
Não deixe isso entrar na sua cabeça.
Certo - se você não deixar entrar na sua. - Ela fez uma pausa por um segundo.
Acho que você é um bom Alpha, não do mesmo modo que Sam é, mas de sua
própria maneira. Você está no seguinte valor, Jacob.
Minha mente passou escureceu com surpresa. Levei um segundo para me
recuperar o suficiente para responder.
Er, obrigado. Não é absolutamente certo que eu compre essa idéia, apesar de
que... de onde ela veio?
Ela não respondeu de imediato, e eu não tinha seguido as palavras, e sim a
direção de seus pensamentos. Ela estava pensando no futuro - sobre o que eu
diria para o Jared de manhã. Sobre a forma como o tempo seria em breve, e
que então, eu voltaria para a floresta. Sobre a forma como eu prometi que ela e
Seth iriam retornar ao grupo quando o Cullens tiverem partido…
Eu quero ficar com você, ela me disse.
O choque foi como um tiro através das minhas pernas, travando as minhas
articulações. Ela passou por mim como um sopro, e depois freou. Lentamente,
ela caminhou de volta para onde eu estava congelado.
Não vou ser uma dor, eu juro, não vou seguir você de volta. Você pode ir onde
você quiser, e eu vou chegar onde eu quero, você só tem que se colocar a mim
quando estivermos ambos com os lobos.
Ela passeava para frente e para trás na minha frente, movendo a sua longa
cauda cinza nervosa.
E como estou planejando em sair do seu grupo, há anos.
Eu quero ficar, também. Seth disse em pensamento, calmamente. Eu não tinha
percebido que ele estava prestando atenção em nós, ele percorreu a pouca
distância. Eu gosto do grupo, também.
Hey! Seth, este não vai ser um grupo por mais muito tempo. Eu tentei colocar
meus pensamentos em conjunto, de forma com que pudesse o convencer.
Nós temos um objetivo agora, mas quando… quando isso terminar, eu estarei
sendo apenas ‘um lobo’. Seth, você precisa de um propósito. Você é um bom
aprendiz. Você é o tipo de pessoa que está sempre em uma cruzada. E não há
nenhuma maneira que você venha a deixar La Push agora. Você vai se formar
da escola secundária e vai fazer alguma coisa de sua vida. Você vai cuidar de
Sue. Meus problemas não vão interferir no seu futuro.
Mas—-.
Jacob é justo, Leah destacou.
Você está comigo?
É claro. Mas nada disso se aplica a mim. Eu estava no meu caminho para sair
de qualquer maneira. Eu vou arrumar um emprego em algum lugar fora de La
Push. Talvez fazer alguns cursos em algum colégio da comunidade. Fazer
yoga e meditação para mudar meu trabalho com o temperamento em algumas
questões …. E manter uma parte deste grupo para o bem do meu bem-estar
mental. Jacob — você pode ver a base que faz sentido, certo? Não vou
incomodar você, você não vai me incomodar, todo mundo fica feliz.
Eu me movimentei para trás, e comecei a me mover em passos longos em
direção oeste.
Isto é um pouco demais para lidar com Leah. Permitam-me pensar nisso um
pouco mais?
Certo. Leve o tempo que quiser.
Nos levou mais tempo para voltarmos a correr. Eu não estava concentrado na
velocidade. Eu estava apenas tentando concentrar o suficiente para que eu não
bater em uma árvore. Seth foi resmungando um pouco na parte de trás da
minha cabeça, mas eu era capaz de ignorá-lo. Ele sabia que eu tinha razão. Ele
não era doido para abandonar a sua mãe. Ele iria voltar a La Push e proteger a
tribo como ele deveria.
Mas eu não podia ver Leah fazer isso. E isso era simplesmente assustador. Um
grupo de dois de nós? Não importava a distância física, eu não pude
imaginar… a intimidade daquela situação. Eu desejei saber se ela realmente
refletiu sobre isso, ou se ela apenas estava desesperada para ficar livre. Leah
não disse nada enquanto eu processava isso. Era como se ela estivesse
tentando provar como seria fácil se fôssemos apenas nós.
Nós colidimos com um rebanho de cervo de rabo preto quando o sol estava
surgindo, clareando as nuvens logo atrás de nós. Leah suspirou interiormente,
mas não hesitou. A estocada dela foi limpa e eficiente - gracioso, até mesmo.
Ela pegou o maior, o corço, antes que o animal assustado entendesse
completamente o perigo.
Para não exceder, eu abati o próximo maior cervo, quebrando depressa o
pescoço dela entre minhas mandíbulas, assim ela não sentiria dor
desnecessária. Eu poderia sentir desgosto de Leah em guerra com a fome dela,
e eu tentei fazer isto mais fácil para ela deixando que o lobo em mim tomasse
conta de minha ação. Eu tinha vivido totalmente como lobo bastante tempo
para saber ser completamente o animal, ver do modo dele e pensar do modo
dele. Eu deixei os instintos práticos assumirem, deixando ela sentir isso,
também. Ela hesitou durante um segundo, entretanto, temporariamente, ela
parecia desligar-se de sua mente e tentar ver meu modo. Isso foi muito
estranho - nossas mentes se uniram mais do que já tinham se unido alguma
vez, porque ambos estávamos tentando pensar juntos.
Estranho, mas a ajudou. Os dentes dela cortaram o pêlo e pele do ombro de
sua presa, rasgando um pedaço grosso de carne fora. Em lugar de recuar como
os pensamentos humanos dela queriam, ela deixou seu lado lobo reagir
instintivamente. Era uma coisa sem sentimento, uma coisa irrefletida. Isto a
deixou comer em paz.
Era fácil eu fazer o mesmo. E eu estava alegre porque não tinha esquecido
isto. Esta logo seria novamente minha vida.
Leah ia ser uma parte dessa vida? Uma semana atrás, eu teria achado essa
idéia horripilante. Eu não estaria pronto para suportar isso. Mas eu a conhecia
melhor agora. E, aliviada da dor constante, ela não era a mesma loba. Não era
a mesma garota.
Nós ficamos juntos até que ambos estivéssemos cheios.
Obrigado, ela me falou depois enquanto estava limpando o focinho com as
patas na grama molhada. Eu não me importei, há pouco tinha começado a
chuviscar e nós teremos que nadar pelo rio novamente em nosso caminho de
volta. Eu ficaria limpo o bastante.
Isso não foi tão ruim, pensando do seu modo.
De nada.
Seth estava se arrastando quando nós alcançamos o perímetro. Eu lhe disse
para dormir um pouco; Leah e eu assumiríamos a patrulha. A mente de Seth
tornou-se silenciosa apenas um segundo depois.
Você foi atrás dos sugadores de sangue? Leah perguntou.
Talvez.
É duro você estar lá, mas duro se afastar, também. Eu sei como é isso.
Sabe, Leah, você poderia querer pensar um pouco sobre futuro, sobre o que
você realmente quer fazer. Minha cabeça não vai ser o lugar mais feliz na
terra. E você terá que sofrer sem parar comigo.
Ela pensou em como me responderia.
Wow, isto vai soar ruim. Mas, honestamente, será mais fácil de lidar com sua
dor do que enfrentar a minha.
Justo o bastante.
Eu sei que vai ser ruim para você, Jacob. Eu entendo isso - talvez melhor que
você pensa. Eu não gosto dela, mas… ela é seu Sam. Ela é tudo você quer e
tudo o que você não pode ter.
Eu não pude responder.
Eu sei que isso é pior para você. Pelo menos, Sam está feliz. Pelo menos, ele
está vivo e bem. Eu o amo o suficiente e eu quero isso. Eu quero que ele tenha
o que é melhor para ele. - ela suspirou - Eu só não quero ficar por perto para
assistir.
Nós precisamos conversar sobre isso?
Eu acho que sim. Porque eu quero que você saiba que eu não farei isso pior
para você. Bem, talvez eu até ajude. Eu não nasci uma megera sem
compaixão. Eu costumava ser bondosa, você sabe.
Minha memória não vai tão longe assim.
Nós dois rimos uma vez.
Sinto muito sobre isso, Jacob. Sinto muito que esteja sofrendo. Sinto muito
que esteja pior e não melhor.
Obrigado, Leah.
Ela pensou nas coisas que estavam piores, nas cenas negras na minha cabeça,
enquanto eu tentava a afastar, sem muito sucesso. Ela era capaz de olhá-las
com alguma distância, alguma perspectiva, e eu tinha que admitir que isso era
útil. Eu podia imaginar que talvez fosse capaz de ver dessa forma também, em
poucos dias.
Ela viu o lado engraçado das irritações diárias que vinham por andar por aí
com vampiros. Ela gostou da minha provocação com Rosalie, rindo
internamente e até passando algumas piadas de loiras em sua mente, que eu
poderia ser capaz de usar. Mas então seus pensamentos tornaram-se sérios,
hesitando no rosto de Rosalie de uma forma que me confundiu.
Você sabe o que é louco?, ela perguntou.
Bem, quase tudo é louco agora. Mas o que você quer dizer?
Aquela vampira loira que você odeia tanto - eu entendi totalmente a
perspectiva dela.
Por um segundo, eu pensei que ela estava fazendo uma piada de mau gosto. E
então, quando eu percebi que ela estava falando sério, a fúria que passou por
mim foi difícil de controlar. Foi bom que nós estivéssemos separados correndo
na nossa vigília.
Espere! Deixe-me explicar.
Não quero ouvir. Estou fora daqui.
Espere! Espere! - ela implorou enquanto eu tentava me acalmar o suficiente
para me transformar de volta - Vamos, Jake!
Leah, esse não é o melhor jeito de me convencer que eu que quero passar mais
tempo com você no futuro.
Nossa! Que reação exagerada. Você nem sabe sobre o que estou falando.
Então sobre o que você está falando?
E então, de repente, ela era a Leah amargurada de antes.
Eu estou falando sobre ser um beco sem saída genético, Jacob.
A crueldade na beira de suas palavras me deixou atrapalhado. Eu não esperava
ter minha raiva vencida.
Eu não entendo.
Você entenderia, se não fosse exatamente como o resto deles. Se minhas
“coisas femininas” - ela pensou nas palavras com um tom sarcástico, duro -
não mandassem você correndo se esconder como qualquer homem estúpido,
então você poderia realmente prestar atenção ao que isso tudo significa.
Oh.
Sim, então nenhum de nós gostava de pensar nessas coisas com ela. Quem
gostaria? Claro que me lembrei do pânico de Leah, naquele primeiro mês após
ela ter se juntado ao bando - e de ter me encolhido disso como todo mundo.
Porque ela não poderia estar grávida - a não ser que alguma esquisita
imaculada besteira religiosa acontecesse. Ela não tinha estado com ninguém
desde o Sam. E então, quando as semanas se arrastaram e nada mais
aconteceu, ela percebeu que o corpo dela não estava mais seguindo os padrões
normais. O horror - o que era ela agora? Teria o corpo dela mudado por que
ela havia se tornado um lobisomem? Ou ela teria se tornado um lobisomem
porque seu corpo não estava normal? O único lobisomem fêmea desde
sempre. Seria aquilo por ela não ser tão feminina como deveria ser? Nenhum
de nós queria lidar com aquele colapso. Obviamente, não poderíamos ter a
menor empatia com aquilo.
Você sabe porque Sam pensa que nós tivemos uma impressão, ela pensou,
mais calma agora.
Claro. Para manter a linhagem.
Exato. Para fazer um bando de novos lobisomenzinhos. A sobrevivência da
espécie, garantia genética. Você está designado para a pessoa que lhe dá as
melhores chances de continuar os genes lupinos.
Esperei até que ela me dissesse aonde ela queria chegar com tudo isso.
Se eu fosse boa nisso, Sam teria sido designado para mim.
Sua dor era tanta que me deixou imóvel.
Mas eu não sou. Há algo errado comigo. Aparentemente eu não tenho a
habilidade para continuar o gene, apesar da minha alta linhagem de sangue.
Então eu me tornei uma aberração - a lobinha - que não serve para nada. Eu
sou o fim de uma linha genética e nós dois sabemos disso.
Nós não sabemos, Eu retruquei com ela. Esta é apenas a teoria de Sam.
Impressões acontecem, mas não sabemos o motivo. Billy acha que pode ser
algo mais.
Eu sei, eu sei. Ele acha que você tem impressões para criar lobisomens mais
fortes. Porque você e Sam são dois monstros enormes - maiores que nossos
pais. Mas, de qualquer forma, Eu ainda não sou uma candidata. Eu… eu estou
na menopausa. Tenho vinte anos de idade e estou na menopausa.
Ugh. Eu não queria ter essa conversa de jeito nenhum. Você não sabe nada
sobre isso Leah. Provavelmente é algo com essa coisa de estar parada no
tempo.
Quando você deixar de ser lobisomem e voltar a envelhecer eu tenho certeza
que as coisas irão... er… voltar ao normal.
Eu poderia pensar assim - exceto pelo fato de ninguém ter impressões comigo,
apesar do meu excelente pedigree. Você sabe, ela complementou
atenciosamente, se você não estivesse por perto, Seth provavelmente teria o
maior apelo para ser Alpha - pelo seu sangue, pelo menos. Claro que ninguém
jamais me levaria em consideração…
Você realmente quer ter uma impressão, ou sofrer uma impressão, ou qualquer
um dos dois.
Eu exigi uma resposta. O que há de errado em sair e se apaixonar como uma
pessoa normal, Leah? Ter impressões é apenas mais um meio de ter suas
decisões tiradas de suas mãos.
Sam, Jared, Paul, Quil… ele não parecem se importar.
Nenhum deles tem mente própria.
Você não quer ter uma impressão?
Que inferno, não!
Isso é simplesmente porque você já está apaixonado por ela. Isso passa, você
sabe, se você tiver uma impressão. Você não teria que sofrer por ela nunca
mais.
Você quer esquecer o que sente pelo Sam?
Ela pensou por um instante.
Eu acho que sim.
Eu suspirei. Ela estava em uma situação mais saudável que a minha.
Mas, voltando ao ponto inicial, Jacob. Eu sei porque a sua vampira loira é tão
fria - falando em um modo figurativo. Ela está concentrada. Ela mantém os
olhos na recompensa, certo? Por que você sempre quer o que você jamais
pode ter.
Você faria como Rosalie? Você assassinaria alguém - porque é isso o que ela
está fazendo, tendo certeza de que ninguém irá interferir na morte de Bella -
você faria isso para ter um bebê? Desde quando você é uma reprodutora?
Eu apenas quero as opiniões que eu não tenho, Jacob. Talvez, se não tivesse
nada de errado comigo, eu jamais pensaria nisso.
Você mataria por isso? Eu exigi uma resposta, não deixando ela escapar de
minha indagação.
Ela não está fazendo isto. Eu penso que é mais como se ela estivesse vivendo
através de Bella uma experiência que não pode ter. E… se Bella me pedisse
para ajudá-la com isto…
Ela parou por um momento, pensativa. Mesmo apesar de eu não pensar muito
nela, eu provavelmente faria o mesmo que o chupador-de-sangue.
Um rosnar intenso escapou por entre meus dentes.
Porque, se fosse o contrário, eu gostaria que Bella fizesse o mesmo por mim.
E Rosalie também. Nós duas faríamos dessa maneira.
Ugh. Você é má como elas!
Essa é a graça de saber que você não pode ter algo… isso o deixa desesperado.
E… este é o meu limite. Bem aqui. A conversa acabou.
Ótimo.
Não era o bastante ela ter concordado em parar. Eu queria terminar de uma
maneira mais forte.
Eu estava cerca de uma milha longe de onde havia deixado minhas roupas,
então eu me transformei de volta em humano e fui andando. Eu não pensei
sobre a nossa conversa. Não porque não havia nada a se pensar, mas porque eu
não podia suportar.
Eu não veria as coisas daquela maneira - mas foi difícil de evitar quando Leah
colocou os pensamentos e emoções dentro da minha cabeça.
Sim, eu não estava correndo com ela quando isso tinha acabado. Ela podia ser
miserável em La Push. Uma ordenzinha Alpha antes de partir não mataria
ninguém. Era bem cedo quando eu cheguei em casa. Bella provavelmente
ainda dormia. Eu pensei em dar uma olhada, ver o que estava acontecendo,
dar-lhes o sinal verde para caçarem e então achar um gramado suave o
bastante para dormir enquanto estava em forma humana. Eu não havia me
transformado até Leah adormecer.
Mas havia um burburinho do lado de dentro da casa, então talvez Bella não
estivesse dormindo. E então eu ouvi o som das maquinas no segundo andar
novamente - o raio-x? Ótimo. Parecia que o quarto dia da contagem regressiva
estava começando com tudo.
Alice abriu a porta para mim antes que eu mesmo entrasse.
Ela acenou. “Hey, Lobo”
 “Hey, baixinha. O que está acontecendo lá em cima?” O salão estava vazio,
todos os murmúrios vinham do segundo andar.
Ela encolheu seus ombrinhos miúdos. “Talvez outra pausa” Ela tentou dizer as
palavras naturalmente, mas eu pude ver as faíscas bem atrás dos seus olhos.
Edward e eu não éramos os únicos esquentando com isso. Alice amava Bella,
também.
“Outra costela?” Perguntei roucamente.
“Não, a pélvis desta vez.”
Engraçado como isso continuava a me atingir, como se cada novidade fosse
uma surpresa. Quando eu deixaria de me surpreender? Cada novo desastre
parecia um tanto óbvio, momentos depois.
Alice fitava minhas mãos, observando-as tremer.
Então nós estávamos ouvindo a voz de Rosalie no andar de cima.
“Viu, eu te disse que não ouvi um crack. Você precisa examinar seus ouvidos
Edward.”
Não houve resposta.
Alice fez uma cara. “Edward vai acabar fazendo picadinho de Rose, eu acho.
Eu estou surpresa que ela não perceba isso. Ou talvez ela pense que Emmet
seja capaz de impedi-lo.”
“Eu seguro o Emmet,” me ofereci. “Você pode ajudar Edward com a parte do
picadinho.”
Alice deu um meio sorriso.
A procissão desceu as escadas - Edward estava carregando a Bella dessa vez.
Ela estava segurando o copo de sangue com as duas mãos agora, o rosto
branco. Eu podia ver que, embora ele virasse o corpo para cada movimento
que ela fizesse, tentando não movê-la demais, ela ainda estava com dor.
“Jake” Ela sussurrou, e sorriu apesar da dor.
Eu a encarei, sem dizer nada.
Edward colocou Bella cuidadosamente no sofá e sentou no chão perto de sua
cabeça. Eu me perguntei por que eles não a deixaram lá em cima, e então
decidi que deve ter sido idéia da Bella. Ela gostaria de agir como se as coisas
estivessem normais, evitar um hospital. E ele a estava distraindo.
Naturalmente.
Carlisle desceu lentamente, por ultimo, seu rosto enrugado de preocupação.
Isso o fez parecer velho o suficiente para ser um médico, pelo menos uma vez.
“Carlisle” Eu disse. “Nós fomos quase até Seattle. Não há sinal do bando.
Vocês estão prontos para ir.”
“Obrigado, Jacob. A hora é boa. Precisamos de muita coisa.” Seus olhos
escuros se viraram para o copo que Bella estava segurando com força.
“Honestamente, eu acho que é seguro levar mais do que três. Tenho certeza de
que Sam está se concentrando em La Push.”
Carlisle assentiu. Me surpreendeu a boa vontade com que ele aceitou meu
conselho. “Se você acha. Alice, Esme, Jasper e eu iremos. Então Alice pode
levar Emmett e Rosa…”
“Sem chance.” Rosalie sibilou. “Emmett pode ir com você agora.”
“Você devia caçar.” Carlisle disse numa voz gentil.
O tom que ele usou não abrandou o dela. “Eu irei caçar quando ele for.” Disse
ela virando a cabeça na direção de Edward e então jogando o cabelo para trás.
Carlisle suspirou.
Jasper e Emmett desceram as escadas em um lampejo e Alice se juntou a eles
na porta de vidro dos fundos no mesmo segundo. Esme voou rapidamente para
o lado de Alice.
Carlisle colocou a mão no meu braço. O toque gelado não foi bom, mas eu
não me afastei. Fiquei parado, metade surpreso e metade não querendo
magoá-lo.
“Obrigado” - ele disse de novo e então se lançou porta afora com os outros
quatro. Meus olhos os seguiram enquanto eles atravessavam o quintal e
desapareciam antes que eu pudesse respirar outra vez. A necessidade deles
devia ser mais urgente do que eu tinha imaginado.
Não houve barulho algum por um minuto. Eu podia sentir alguém me
encarando, e eu sabia quem devia ser. Eu estava planejando ir embora e comer
algo, mas a chance de estragar a manhã de Rosalie era boa demais para ser
desperdiçada.
Então eu vaguei até a poltrona perto da que Rosalie estava sentada, me
esparramando de modo que a minha cabeça estivesse na direção de Bella e
meus pés perto do rosto de Rosalie.
“Credo. Alguém soltou o cachorro.” Ela murmurou, retorcendo o nariz.
“Já escutou essa, sua psicopata? Como que as células cerebrais de uma loira
morrem?”
Ela não disse nada.
“Então?” Eu perguntei. “Sabe o final da piada ou não?”
Ela olhou concentrada na televisão e me ignorou.
“Ela já ouviu?” Eu perguntei a Edward.
Não havia humor no rosto tenso dele - ele não moveu os olhos de Bella. Mas
respondeu. “Não.”
“Maravilha. Então você vai gostar dessa, sugadora de sangue. - uma célula
cerebral de uma loira morre sozinha.”
Rosalie ainda não olhou para mim. “Eu já matei cem vezes mais que você, sua
besta nojenta. Não se esqueça disso.”
“Algum dia, Rainha da Beleza, você vai cansar de só me ameaçar. Mal posso
esperar por esse dia.”
“Chega, Jacob.” Bella disse.
Eu olhei para baixo, e ela estava me olhando com uma cara feia. Parecia que o
bom humor de ontem tinha ido pra muito longe.
Bem, eu não queria incomodá-la. “Quer que eu vá embora?” Eu ofereci.
Antes que eu pudesse ficar esperançoso - ou com medo - que ele finalmente
tivesse cansado de mim, ela piscou, e a cara feia desapareceu. Ela parecia
completamente chocada que eu tinha chegado àquela conclusão.
“Não! Claro que não.”
Eu suspirei, e escutei Edward suspirar muito baixo também. Eu sabia que ele
queria que ela tivesse ficado cansada de mim também. Que pena que ele nunca
pediu a ela que fizesse nada que a deixasse infeliz.
“Você parece cansado.” Bella comentou.
“Morto, como se tivesse apanhado.” Eu admiti.
“Eu gostaria de te bater até a morte.” Rosalie murmurou, baixo demais para
Bella escutar.
Eu afundei mais na cadeira, ficando confortável. Meus pés descalços
balançaram para mais perto de Rosalie, e ela fungou. Alguns minutos depois,
Bella pediu a Rosalie um refil. Eu senti o vento quando Rosalie subiu as
escadas para pegar mais sangue. Ficou muito quieto. Melhor tirar um cochilo,
eu imaginei.
E então Edward disse: “Você falou alguma coisa?” Em um tom perturbado.
Estranho. Porque ninguém tinha dito nada, e porque a audição de Edward era
tão boa quanto a minha, e ele devia saber disso.
Ele estava olhando para Bella, e ela estava olhando de volta. Os dois pareciam
confusos.
Ele se ajoelhou, se inclinando sob ela, a expressão inesperadamente intensa de
um jeito diferente. Seus olhos escuros se concentraram no rosto dela.
“Sobre o que você está pensando agora?”
Ela o olhou inexpressivamente. “Nada. O que está havendo?”
 “Sobre o que você estava pensando um minuto atrás?” Ele perguntou.
“Só…a ilha de Esme. E penas.”
Parecia só tagarelice para mim, mas então ela corou, e eu achei que era melhor
ficar sem saber.
“Diga mais alguma coisa.” Ele sussurrou.
“Como quê? Edward, o que está acontecendo?”
O rosto dele mudou novamente e ele fez algo que fez minha boca se abrir com
um estalo. Eu escutei uma arfada atrás de mim e soube que Rosalie tinha
voltado, e estava tão pasma quanto eu.
Edward, muito levemente, colocou as duas mãos do estômago enorme e dura
dela.
“Essa c…” ele engoliu. “Isso…o bebê gosta do som de sua voz.
Houve um curto momento de silencio total. Eu não podia mover um músculo,
nem piscar. Então…
“Caramba, você consegue escutá-lo!” Bella gritou. No segundo seguinte, ela
recuou.
A mão de Edward se moveu até o topo de sua barriga e gentilmente acariciou
a mancha; aquilo devia tê-la chutado.
“Shhh”, ele murmurou. “Você assustou isso…ele”.
Seus olhos se tornaram totalmente arregalados e cheios de dúvida. Ela deu um
tapinha no lado de seu estômago. “Desculpe, bebê”
Edward ouvia com dificuldade, sua cabeça inclinada na direção da
protuberância.
“O que ele está pensando agora?”, ela demandou ansiosa.
 “Isso… ele ou ela, está…” ele parou e olhou nos olhos dela. Seus olhos
estavam cheios de algo como admiração - só que mais receosos e de má
vontade. “Ele está feliz”. Edward disse, em uma voz incrédula.
Ela prendeu o fôlego, e era impossível não perceber o vislumbre em seus
olhos. A adoração e a devoção. Grandes e gordas lágrimas escorreram de seus
olhos e silenciosamente desceram por sua face até seus lábios sorridentes.
Quando ele a olhou, sua expressão não estava aterrorizada, ou zangada ou em
chamas, ou nenhuma das outras expressões que ele adquirira desde seu
retorno. Ele estava se maravilhando com ela.
“Claro que você está feliz, bebê lindinho, claro que você está”, ela cantarolou,
enquanto lágrimas lavavam suas bochechas. “Como você poderia não estar,
estando a salvo, quentinho e amado? Eu te amo tanto, pequeno E.J., claro que
você está feliz”.
“Do que você chamou ele?”, Edward perguntou, curioso.
Ela corou novamente. “Eu meio que dei um nome a ele. Eu não achei que
você ia querer…bem, você sabe.”
“E.J.?”
“O nome do seu pai era Edward também.”
“Sim, era. O que-?”. Ele parou e então disse “Hmmm”.
“O que?”
“Ele gosta da minha voz também”.
“Claro que ele gosta”. Seu tom era quase regozijante agora. “Você tem a voz
mais linda do universo. Quem não gostaria dela?”.
“Vocês tem um plano B?”, Rosalie perguntou, se levantando de trás do sofá
com o mesmo olhar duvidoso, de regozijo de Bella em seu rosto. “E se ele for
ela?”
Bella passou as costas das mãos pelos olhos úmidos. “Eu pensei em algumas
coisas aleatórias. Brincando com Renée e Esme. Estive pensando… Re-nesme”.
“Renesme?”
“R-e-e-n-e-e-s-m-e. Muito estranho?”
“Não, eu gostei”, Rosalie assegurou. Suas cabeças estavam juntas, dourado e
mogno. “É lindo, e de criança, então isso serve.”
“Ainda acho que ele é um Edward.”
Edward estava encarando o nada, sua face branca enquanto ele escutava.
“O que?”, Bela perguntou, seu rosto simplesmente brilhando. “O que ele está
pensando agora?”.
De inicio, ele não respondeu e então - chocando todo o resto de nós mais uma
vez, três diferentes e separados sobressaltos - ele deitou sua orelha
carinhosamente contra a barriga dela.
“Ele te ama”, Edward suspirou, soando pasmo. “Ele absolutamente adora
você.”
Nesse momento, eu sabia que estava sozinho. Completamente sozinho. Eu
queria me chutar quando percebi o quanto eu estive contando com aquele
vampiro repugnante. Que estupidez - como se pudéssemos confiar em uma
sanguessuga! Claro que ele ia me trair no final.
Eu tinha contado com ele ao meu lado. Eu tinha contado com ele para sofrer
mais do que sofri. E, acima de tudo, eu tinha contado com ele para odiar
aquela revoltante coisa que estava matando a Bella mais do que eu odiava
aquilo.
Eu tinha confiado isso a ele.
Agora eles estavam juntos, os dois inclinados para o mostro invisível que
crescia, com seus olhos brilhantes como uma família feliz.
E eu estava sozinho com meu ódio e dor que era tão ruim que era como se eu
estivesse me torturando. Como se eu estivesse sendo arrastado lentamente por
uma cama feita de navalhas. Doía tanto que você aceitaria a morte com um
sorriso só para se ver longe disso.
O calor destravou os meus músculos congelados, e me pus em pé. Todos os
três as cabeças viraram para cima, e eu vi a minha onda de dor passar pelo
rosto de Edward assim que ele entrou em minha cabeça de novo.
“Ahh,” ele engasgou.
Eu não sabia o que eu estava fazendo; parado ali, tremendo, pronto para fugir
na primeira maneira que eu conseguisse pensar. Se movendo como um golpe
de cobra, Edward lançou-se a uma pequena mesa e pegou algo da gaveta. Ele
lançou-o em mim, e peguei o objeto em um reflexo.
“Vá, Jacob. Dê o fora daqui.” Ele não me disse isso de forma áspera. - ele
lançou as palavras para mim como se fosse para preservar minha vida. Ele
estava me ajudando a achar a saída que eu estava morrendo para achar. O
objeto em minha mão eram as chaves de um carro.

17. Com o que eu pareço?... [amanhecer]
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 COM O QUE EU PAREÇO? O MAGO DE OZ? VOCÊ PRECISA DE UM CÉREBRO? VOCÊ PRECISA DE UM CORAÇÃO? VÁ EM FRENTE. PEGUE O MEU. PEGUE TUDO QUE EU TENHO.
Eu meio que tinha um plano enquanto eu corria para a garagem dos Cullens.
A segunda parte disso era a adição do carro do sugador de sangue no meu
caminho de volta.
Então eu estava em ruínas quando eu esmaguei o botão do controle remoto, e
não foi o volvo que bipou e jogou suas luzes em mim. Foi outro carro - um
carro proeminente, mesmo junto daqueles carros que eram todos praticamente
“de se babar” em seu próprio modo.
Ele realmente quis me dar as chaves de um Aston Martin Vanquish ou isso foi
um acidente?
Eu não parei para pensar sobre isso, ou se isso mudaria a segunda parte do
meu plano. Eu simplesmente me joguei dentro do banco de couro macio e
liguei o motor enquanto meus joelhos ainda estavam amassados embaixo do
volante.O rugido do motor talvez me fizesse lamentar em algum outro dia,
mas agora tudo o que eu podia fazer era me concentrar o suficiente para poder
dirigir.
Eu achei o lugar do cinto e encostei no banco enquanto meu pé forçava o
pedal para baixo. Pareceu que o carro voou enquanto avançava. Levou só
alguns segundos para passar pela curva fechada. O carro respondia à mim
como se meus pensamentos estivesse dirigindo e não minhas mãos. Quando eu
passei do túnel verde para a rodovia, eu peguei um reflexo curto do rosto cinza
de Leah, espiando pelas samambaias.
Por meio segundo, eu e perguntei o que ela tinha pensando, e então eu percebi
que não me importava.
Virei para o sul, porque hoje não tinha paciência para cruzamentos, transito ou
qualquer outra coisa que me fizesse tirar o pé do acelerador. De um jeito
doentio, esse era meu dia de sorte. Isso se por sorte você entende dirigir em
uma rodovia a 200 km/h mais ou menos e não ver nenhum policial, mesmo no
limite de 50 km/h que seguravam os carros dessa cidade. Que decepção. Uma
perseguiçãozinha teria sido legal, nem falar que a informação da placa iria
multar o parasita. Claro, ele subornaria o policial para se livrar da situação,
mas podia ter sido um pouco inconveniente para ele.
O único sinal de vigilância pelo qual passei foi só um lampejo de pêlos
marrons passando pelas árvores, correndo paralelamente a mim por alguns
quilômetros no lado sul de Forks. Quil, me pareceu. Ele deve ter me visto
também, porque desapareceu depois e um minuto sem dar o aviso.
Novamente, eu estava me indagando qual história dele poderia ser antes de me
lembrar que eu não me importava.
Eu corri em uma rodovia em forma de U, indo para a maior cidade que eu
poderia achar. Essa era a primeira parte do meu plano.
Pareceu que ia durar para sempre, provavelmente porque eu ainda estava me
apoiando nos escudos da razão, mas na realidade não levou mais que duas
horas até que eu estivesse dirigindo para o norte, rumo à expansão indefinida
que era parte Tacoma e parte Seattle. Eu diminuí a velocidade então, porque
eu realmente não estava tentando matar algum pedestre inocente.
Este era um plano estúpido. Não iria funcionar. Mas, assim que eu vasculhei
minha mente atrás de qualquer maneira de fugir da dor, o que Leah disse hoje
ressurgiu.
Deveria ir embora, você sabe, se você teve a impressão. Você não deveria ter
que machucá-la nunca mais.
Pareceu-me que, talvez, alguém pegando suas escolhas e jogando-as longe de
você não era a pior coisa no mundo. Talvez esse sentimento deste jeito fosse a
pior coisa no mundo.
Mas, eu vi todas as garotas de La Push e até mesmo Makah e de Forks. Eu
precisava de um maior raio de caça.
Então, como você procura sua aleatória alma-gêmea no meio da multidão?
Bem, primeiro, eu precisava de uma multidão. Então no meio de uma,
procurando por um provável espaço. Eu passei por uns shoppings, os quais
seriam ótimos para encontrar garotas da minha idade, mas eu não consegui me
fazer parar. Eu queria ter a impressão com alguma garota que fica o dia inteiro
em um shopping?
Eu continuei indo para o norte, e foi ficando cada vez mais cheio.
Eventualmente, achei um grande parque lotado de crianças e família e skates e
bicicletas e pipas e piqueniques e mais de tudo um pouco. Eu não havia
percebido até agora - era um dia lindo. Sol e tudo mais. Pessoas ao ar livre
celebrando o céu azul.
Eu estacionei do outro lado de duas vagas para deficientes - apenas
implorando por um bilhete - e me juntei à multidão.
Andei em círculos pelo que pareceram horas. Tanto que o sol havia mudado
de lado no céu. Comecei a lembrar o rosto de cada menina que havia passado
em qualquer lugar próximo a mim, forçando a mim mesmo a olhar realmente,
reparando em quem era bonita e que tinha os olhos azuis, e que ficava bem de
suspensórios, e quem se maquiou de mais. Tentei achar alguma coisa
interessante em cada rosto, e então eu poderia ter certeza de que realmente
tentei. Coisas como: esta aqui tem realmente um nariz reto; aquela deveria
tirar os cabelos da frente dos olhos; esta aqui deveria fazer anúncios de batom
e se o resto da face fosse perfeito como os lábios…
Ás vezes, algumas retribuíram meu olhar. Ás vezes pareciam assustadas -
como se estivessem pensando, Quem é este maluco grande que fica me
encarando? Algumas vezes pensei que elas olhavam com algum interesse, mas
talvez fosse apenas meu ego correndo selvagem.
De qualquer maneira, nada. Mesmo quando eu encontrei os olhos da garota
que era -sem concorrência - a garota mais gostosa no parque e provavelmente
na cidade, e ela encarou-me de volta com ares de quem parecia interessada,
não senti nada. Apenas o mesmo desespero em dirigir e achar uma rota para
fugir da dor.
Conforme o tempo foi passando, eu percebi todas as coisas erradas. Coisas da
Bella. Esta tinha o cabelo da mesma cor. Os olhos moldados do mesmo jeito.
Os ossos da bochecha atrás da face exatamente do mesmo jeito. A mesma ruga
entre os olhos - que me fazia imaginar sobre o que ela estava preocupada… E
isso foi quando resolvi desistir. Porque era além da estupidez pensar que eu
estava exatamente no lugar e na hora certa e eu iria apenas caminhar ao
encontro da minha alma-gêmea apenas porque eu estava desesperado para
fazê-lo.
Não teria sentido achar ela aqui, de qualquer maneira. Se Sam tivesse razão, o
melhor lugar para achar meu par genético seria em La Push. E, claramente,
ninguém lá serve. Se Billy tivesse razão, então quem sabe? O que foi feito
para um lobo mais forte?
Eu vaguei para parte de trás do carro e então caí contra o capuz e brinquei com
as chaves.
Talvez eu fosse o que Leah pensou que ela era. Alguma espécie de beco sem
saída em que minha vida era uma grande, cruel piada, e não havia como
escapar disso.
“Ei, você está bem? Oi? Você ai com o carro roubado.”
Levou-me um segundo perceber que a voz estava falando comigo, e então
outro segundo para decidir levantar minha cabeça.
Uma menina parecendo familiar estava me encarando, com a expressão meio
ansiosa. Eu soube por que eu reconheci a face dela - eu já tinha catalogado
esta aqui.
Cabelo vermelho-ouro claro, pele clara, alguns sardas bom-coloridas
espalhadas pelas bochechas e nariz, e olhos cor de canela.
“Se você está sentindo remorso por roubar o carro,” ela disse, sorrindo de
forma que uma covinha aparecia no queixo dela, “você sempre poderá se
entregar.”
“É emprestado, não roubado,” eu repreendi.
Minha voz soou horrível - como se eu estivesse chorando ou algo.
Embaraçoso.
“Certo, isso te salvara no tribunal.”
Eu fiz uma carranca. “Você precisa de algo?”
“Não realmente. Eu estava brincando sobre o carro, você sabe.” É apenas
que… Você realmente parece aborrecido com algo. Oh, ei, eu sou Lizzie”. Ela
ofereceu a mão dela.
Eu olhei para a mão estendida até que ela a deixou cair.
“De qualquer maneira…” ela disse sem jeito, “eu apenas desejava saber… se
eu podia ajudar. Pareceu que você estava procurando por alguém antes.” - Ela
gesticulou em direção ao parque e encolheu os ombros.
“Sim.”
Ela esperou.
Eu suspirei. “Eu não preciso de ajuda. Ela não está aqui.”
“Oh. Sinto muito.”
“Eu também.” - eu murmurei.
Eu olhei para a garota novamente. Lizzie. Ela era bonita. Bastante gentil para
tentar ajudar um estranho resmungão que deve parecer doido. Por que ela não
poderia ser a escolhida? Por que tudo tinha que ser tão estranhamente
complicado? Uma garota agradável, bonita e meio engraçada. Por que não?
“Esse é um carro bonito,” - ela disse. - “É realmente uma pena que não façam
mais dele. Eu quero dizer, a modelagem da estrutura de Vantage é linda
também, mas tem alguma coisa sobre o Vanquish…”.
Garota legal que conhece carros. Wow. Eu a encarei mais duramente,
desejando que eu soubesse como fazer isso funcionar. Vamos, Jake! -
impressão agora.
“Como é dirigir?” - ela perguntou.
“Como você não imaginaria.” - eu disse a ela.
Ela deu aquele seu sorriso, claramente satisfeita de ter arrancado uma meia
resposta gentil de mim, e eu dei a ela um relutante sorriso de volta. Mas o
sorriso dela não ajudou quanto à dor, lâminas cortantes que raspavam meu
corpo para cima e para baixo. Não importava quanto eu queria minha vida não
iria se arrumar assim.
Eu não estava naquele lugar saudável em que Leah se conduzia. Eu não estava
sendo capaz de me apaixonar como uma pessoa normal. Não enquanto eu
estava sangrando por outra pessoa. Talvez - se isso era dez anos no futuro e o
coração de Bella estava morto e eu tinha passado por todo o processo de me
afligir e sair inteiro de novo - então, talvez, eu pudesse oferecer para a Lizzie,
uma carona em um carro rápido e fazer planos, e conhecê-la um pouco e ver
se eu a tinha matado como pessoa. Mas isso não ia acontecer agora.
Magia não ia me salvar. Eu teria que agüentar a tortura como um homem.
Engolir isso.
Lizzie esperou, talvez esperando que eu oferecesse aquela carona. Ou talvez
não.
“Acho melhor eu devolver esse carro de quem eu peguei emprestado”, eu
murmurei.
Ela sorriu de novo. “É bom saber que você está indo no caminho certo.”
“Sim, você me convenceu.”
Ela me olhou entrar no carro, ainda meio que preocupada. Eu provavelmente
parecia com alguém que estava prestes a se jogar de um precipício. Algo que
eu provavelmente faria, se esse tipo de coisa funcionasse com um lobisomem.
Ela acenou uma vez, seguindo o carro com os olhos.
No inicio, eu dirigi um pouco mais são no caminho de volta. Não estava com
pressa. Eu não queria ir onde estava indo. De volta para aquela casa, de volta
para aquela floresta. De volta à dor da qual eu tinha fugido. De volta a estar
totalmente sozinho com aquilo.
Certo, isso era melodramático. Eu não estaria totalmente sozinho, mas isso era
ruim. Seth e Leah teriam que sofrer comigo. Eu estava feliz que Seth não teria
que sofrer por muito tempo. A criança não merecia ter a paz de sua mente
arruinada. A Leah também não tinha, mas pelo menos isso era algo que ela
entendia. Nenhuma dor nova para a Leah.
Eu suspirei profundamente quando pensei no que a Leah queria de mim,
porque agora eu sabia que ela ia conseguir. Eu ainda estava bravo com ela,
mas não podia ignorar o fato que eu podia fazer sua vida mais fácil. E - agora
que eu a conhecia melhor - eu achei que ela provavelmente faria isso por mim,
se as posições estivessem trocadas.
Isso seria interessante, no mínimo, e estranho também, ter Leah como
companhia - como amiga. Nós com certeza nos sentiríamos um no lugar do
outro com muita freqüência. Ela não seria alguém que me deixaria socar, mas
pensei que isso era uma coisa boa. Acho que na verdade, ela era realmente a
única amiga com quaisquer chances de entender pelo que eu estava passando.
Pensei sobre a caçada dessa manha, e como nossas mentes estavam próximas
naquele único momento no tempo. Não foi algo ruim. Diferente. Um pouco
estranho um pouco assustador. Mas também bom, de um jeito esquisito.
Eu não tinha que estar completamente sozinho.
E eu sabia que a Leah era forte o suficiente para encarar comigo os meses que
viriam. Meses e anos. Fiquei cansado só de pensar sobre isso. Senti-me como
se estivesse parado em um oceano que eu teria que nadar de cais a cais antes
de poder descansar novamente.
Tanto tempo por vir, e então, tão pouco tempo antes que isso começasse.
Antes que eu fosse arremessado naquele oceano. Três dias e meio a mais, e
aqui estava eu, desperdiçando esse restinho de tempo que eu tinha.
Eu comecei a dirigir rápido demais de novo. Eu vi Sam e Jared, um de cada
lado da estrada como sentinelas, enquanto eu acelerava na estrada em direção
a Forks. Eles estavam bem escondidos na vegetação cerrada, mas eu os estava
esperando.
E eu sabia o que procurar. Eu acenei conforme os passei, sem me incomodar
em perguntar no que eles tinham tornado o meu passeio diurno.
Eu acenei para Leah e Seth, também, quando cruzei a estrada dos Cullens.
Começava a escurecer e as nuvens estavam densas, mas eu vi os olhos deles
reluzirem ao brilho dos faróis. Eu explicaria para eles depois. Haveria muito
tempo para isso.
Foi uma surpresa encontrar Edward me esperando na garagem. Eu não o tinha
visto longe da Bella por dias. Podia dizer pela face dele que nada de mal
acontecera a ela. Na verdade, ele parecia mais pacifico que antes. Meu
estomago se apertou quando eu lembrei de onde essa paz veio. Era uma pena
que - depois de tanto considerar - eu tinha me esquecido de destruir o carro.
Oh, bem. Eu provavelmente não conseguiria quebrar esse carro, de qualquer
modo. Talvez ele tenha percebido isso, e por isso o emprestou pra mim, em
primeiro lugar.
“Algumas coisas, Jacob”, ele disse, assim que eu desliguei o motor.
Eu respirei profundamente e segurei o fôlego por um minuto. Então,
lentamente, eu sai do carro e joguei a chaves pra ele.
“Obriga pelo empréstimo”, eu disse azedo. Aparentemente, aquilo teria que
ser consertado. “O que você quer agora?”.
“Primeiro… eu sei o quão averso você é a usar sua autoridade com seu bando,
mas…”.
Eu pisquei, surpreso que ele iria sequer sonhar em começar por esse ponto. “O
que?”.
“Se você não pode, ou não vai controlar a Leah, eu…”.
“Leah?” eu interrompi, falando entre dentes. “O que houve?”.
A face de Edward estava difícil. “Ela apareceu para ver porque você saiu tão
abruptamente. Eu tentei explicar. Suponho que não saiu certo.”
“O que ela fez?”
“Ela mudou para sua forma humana e…”
“Realmente?”, interrompi de novo, chocado dessa vez, eu não conseguia
processar isso. Leah baixando a guarda bem na boca da toca dos inimigos?
“Ela queria… falar com a Bella”.
“Com a Bella?”.
Então Edward ficou cheio dos silvos. “Eu não deixarei Bella se chatear desse
jeito de novo. Eu não me importo o quão Leah acha que está justificada! Eu
não a machuquei - claro que não - mas eu vou arremessá-la para fora da casa
se acontecer de novo. Eu vou lançá-la direto no rio…”
“Espera aí. O que ela disse?“. Nada disso fazia sentido.
Edward respirou fundo, se recompondo. “Leah foi desnecessariamente áspera.
Eu não vou fingir que entendo porque a Bella não pode largar de você, mas eu
sei que ela não age desse jeito para te machucar. Ela sofre bastante por causa
da dor que está infligindo a você, e a mim, pedindo que você fique. Ninguém
perguntou para a Leah. A Bella está chorando -”
“Espera - Leah estava gritando com a Bella por minha causa?”.
Ele acenou com a cabeça. “Você foi veementemente defendido”.
Nossa. “Eu não pedi para ela fazer isso.”
“Eu sei.”
Eu revirei meus olhos. Claro que ele sabia. Ele sabia tudo. Mas isso realmente
era algo sobre a Leah. Quem teria acreditado? Leah andando até a casa dos
sugadores de sangue, humana, para reclamar sobre como eu estava sendo
tratado.
“Eu não posso prometer controlar a Leah”, eu disse para ele. “Eu não farei
isso. Mas falarei com ela, certo? E não acho que vai se repetir. Leah não é de
ficar guardando as coisas, então acho que ela botou tudo para fora hoje”.
“Eu diria que sim”.
“De qualquer modo, vou falar com a Bella também. Ela não precisa se sentir
culpada. Dessa vez, foi culpa minha.”
“Eu já disse isso para ela.”
“Claro que disse. Ela está bem?”
“Ela está dormindo agora. Rose está com ela.”
Então a psicopata era “Rose”, agora. Ele tinha se mudado de vez para o lado
negro.
Ele ignorou esse pensamento e continuou com uma resposta mais completa
para a minha pergunta. “Ela está… melhor de algum jeito. Excluindo-se a
tirada da Leah e a culpa resultante.”
Melhor. Porque agora Edward podia ouvir o monstro e tudo era “pombinhos
apaixonados”. Fantástico.
“É um pouco mais que isso.”, ele murmurou. “Agora que eu posso ouvir os
pensamentos da criança, é aparente que ele ou ela está desenvolvendo
faculdades mentais consideravelmente. Ele pode nos entender, até certo
ponto.”
Meu queixo caiu. “É sério?”.
“Sim. Ele parece ter um senso vago do que a machuca agora. Ele está tentando
evitar isso, tanto quando possível. Ele… já a ama.”
Eu encarei Edward, sentindo meio que como meus olhos podiam saltar fora
das órbitas. Debaixo dessa descrença, eu podia ver que esse era o fato critico.
Era isso que tinha mudado Edward - que o monstro o tinha convencido desse
amor. Ele não podia odiar o que amava Bella. Provavelmente era por isso que
ele também não podia me odiar. Havia uma grande diferença, porem. Eu não a
estava matando.
Edward saiu, agindo como se não tivesse escutado de modo algum.
“O progresso, eu acho, é mais do que tínhamos presumido. Quando Carslile
voltar…”.
“Eles não voltaram?”, eu cortei afiado. Pensei em Sam e Jared, vigiando a
estrada. Eles ficariam curiosos sobre o que estava rolando?
“Alice e Jasper voltaram. Carlisle mandou todo o sangue que pode adquirir,
mas não era tanto quanto ele esperava - Bella vai gastar essa provisão em um
dia, do jeito que seu apetite cresceu. Carlisle ficou para tentar outra fonte. Não
acho que seja necessário agora, mas ele quer estar preparado para qualquer
eventualidade.”
“Porque não é necessário? E se ela precisar de mais?”
Eu pude ver que ele estava assistindo e ouvindo minha reação enquanto
explicava. “Estou tentando convencer Carlisle a induzir o parto assim que ele
chegar.”
“O que?”
“A criança parece estar evitando movimentos bruscos, mas é difícil. Ele ficou
muito grande. É crueldade esperar quando ele claramente se desenvolveu além
do que Carlisle esperava. Bella está muito frágil para esperar.”
Eu continuava perdendo o chão.
Primeiro, contando com o ódio de Edward pela coisa. Agora, eu tinha
percebido que eu pensava naqueles quatro dias como algo certo. Eu confiei
neles. O oceano sem fim de aflição que esperou estirado a minha frente. Eu
tentei segurar meu fôlego.
Edward esperou. Eu o encarei enquanto eu me recompunha, reconhecendo
outra mudança em seu rosto.
“Você acha que ela conseguirá,” eu sussurrei.
“Sim, essa era a outra coisa que eu gostaria de falar com você.”
Eu não consegui dizer nada. Depois de um minuto, ele voltou a falar.
“Sim,” ele repetiu. “Esperar, como nós estamos fazendo, a criança estar pronta
é insanamente perigoso. A qualquer momento pode ser tarde demais. Mas se
nós formos pró-ativos sobre isso, se agirmos rapidamente, eu não vejo razão
para que tudo corra bem. Conhecer a mente da criança é inacreditavelmente
útil. Felizmente, Bella e Rose concordam comigo. Agora que eu as convenci
de que é seguro para a criança se nós agirmos, não há nada que impeça tudo
de sair bem.”
“Quando Carlisle voltará?” eu perguntei, ainda sussurrando. Eu ainda não
tinha voltado a respirar.
“Amanhã no começo da tarde.”
Meus joelhos cederam. Eu tive que me apoiar no carro para não cair. Edward
estendeu as mãos como que para oferecer suporte, mas depois ele pensou
melhor sobre isso e abaixou suas mãos.
“Desculpe-me,” ele sussurrou. “Eu sinceramente sinto muito pela dor que isso
causa a você, Jacob. Embora você me odeie, eu devo admitir que não sinto o
mesmo por você. Eu penso em você como um… um… irmão de várias
maneiras. Um companheiro de luta, pelo menos. Eu lamento seu sofrimento
mais do que você pensa. Mas a Bella vai sobreviver” - quando ele disse isso
seu tom de voz era feroz, até mesmo violento - “E eu sei que isso é o que
realmente importa para você.”
Ele provavelmente estava certo. Era difícil dizer. Minha cabeça estava
rodando.
“Então, eu odeio fazer isso agora, enquanto você está pensando tanto sobre
isso, claramente ainda temos algum tempo. Eu preciso pedir uma coisa a você
- implorar, se for preciso.”
“Eu não tenho mais nada,” eu respondi chocado.
Ele levantou de novo sua mão, como se fosse colocá-la sobre meu ombro, mas
depois a abaixou como antes e suspirou.
“Eu sei o quanto você tem se esforçado,” ele falou tranqüilamente. “Mas isso
é algo que você tem. E só você tem. Eu estou pedindo isso para o verdadeiro
Alfa, Jacob. Eu estou pedindo isso para o herdeiro de Ephraim.”
Eu não consegui responder.
“Eu quero sua permissão para desviar do acordo que fizemos com Ephraim.
Eu quero que você nos dê uma exceção. Eu quero sua permissão para salvar a
vida dela. Você sabe que eu farei isso de qualquer forma, mas eu não quero
quebrar o acordo com você se tiver um meio de evitar isso. Nós nunca
pretendemos voltar ao nosso mundo e nós não queremos fazer isso
ilegalmente agora. Eu quero que você entenda Jacob, porque você sabe
exatamente o porquê fazemos isso. Eu quero que o acordo entre nossas
famílias sobreviva quando tudo isso acabar.”
Eu tentei engolir. Sam, eu pensei. É o Sam que você quer.
“Não. A autoridade de Sam foi revogada. Ela pertence a você. Você nunca a
tirará dele, mas ninguém pode concordar com o que estou pedindo a não ser
você.”
Essa decisão não é minha.
“É sim, Jacob, e você sabe disso. Sua palavra sobre isso nos condenará ou nos
absolverá. Só você pode me dar permissão.”
Eu não consigo pensar. Eu não sei.
“Nós não temos muito tempo.” Ele espiou a casa.
Não. Não havia mais tempo. Meus poucos dias tinham se tornado poucas
horas. Eu não sei. Deixe-me pensar. Dê-me apenas um minuto aqui, tudo
bem?
“Claro.”
Eu comecei a andar em direção a casa e ele me seguiu. Louco como isso
parecia ser, andar pelo escuro com um vampiro bem atrás de mim. Eu
realmente não me senti em perigo, ou mesmo desconfortável. Era como se eu
estivesse caminhando perto de ninguém. Bem, ninguém que cheirasse mal.
Houve um movimento no arbusto na margem do grande gramado, e depois um
alto lamurio. Seth deu de ombros pela samambaia veio rapidamente em nossa
direção.
“Oi, criança,” eu murmurei. Ele acenou com a cabeça e eu dei um tapinha em
seu ombro.
“Está tudo bem,” eu menti. “Depois conto tudo a você. Desculpe por te
assustar desse jeito.”
Ele forçou um sorriso para mim.
“Ei, diga a sua irmã para se afastar, ok? Já chega.”
Seth acenou com a cabeça uma vez.
Eu o empurrei pelos ombros dessa vez. “Volte ao trabalho. Meu turno é logo
depois do seu.”
Seth se inclinou sobre mim, me empurrando de volta e então ele correu em
direção às árvores.
“Ele tem uma das mais puras, sinceras e gentis mentes que eu já ouvi,”
Edward murmurou quando ele estava fora de vista. “Você tem sorte de ter os
pensamentos dele para compartilhar.”
“Eu sei disso,” eu rosnei.
Nós fomos em direção à casa e nossas cabeças se viraram quando ouvimos o
som de alguém sugando o ar.
Edward estava com pressa então. Ele voltou para as escadas e desapareceu.
“Bella, amor, pensei que estivesse dormindo”. O ouvi dizendo “Me desculpe,
eu não deveria ter ido”.
“Não se preocupe. Eu apenas estou com tanta sede - que me acordou. É uma
coisa boa que Carlisle esteja trazendo mais. Esta criança irá precisar quando
não estiver mais dentro de mim.”
“Verdade. Este é um ponto positivo”
“Eu imagino se ele irá querer outra coisa.” Ela questionou.
“Eu suponho que teremos que descobrir”
Eu passei pela porta.
Alice disse “Finalmente” e os olhos da Bella piscaram para mim. Aquele
sorriso exasperante, sorriso irresistível passou por seu rosto por um segundo.
Então, morreu e sua face caiu. Seus lábios enrugaram-se como se estivesse
tentando não chorar.
Eu queria calar Leah e sua estúpida boca.
“Oi, Bells,” eu disse “Como está?”
“Estou bem” ela disse
“Grande dia hoje, huh? Muitas coisas novas.”
“Você não precisa fazer isso, Jacob”
“Não sei sobre o que está falando” Eu disse indo sentar no braço do sofá onde
estava a cabeça dela. Edward já tinha o chão.
Ela me deu um olhar reprovador “Estou tão…- ” ela começou a dizer.
Belisquei seus lábios juntos entre meu polegar e indicador.
“Jake” ela sussurrou tentando por minha mão longe. Sua tentativa foi tão fraca
que foi difícil acreditar que ela realmente estava tentando.
Eu balancei a cabeça.
- Você pode falar quando não está sendo estúpida.
- Ótimo, não vou falar. - pareceu que ela resmungou.
Coloquei minha mão para longe.
- Desculpe! - ela terminou rapidamente, então sorriu.
Revirei os olhos e sorri para ela também.
Quando eu encarei os olhos dela, vi tudo que estive procurando no parque.
Amanhã, ela seria outra pessoa. Com esperança, viva, e isso era o que contava,
certo? Ela me olharia com os mesmo olhos, mas ou menos. Iria sorrir com os
mesmos lábios, quase. Ela ainda me conheceria melhor que qualquer um que
não tivesse acesso completo à minha mente.
Leah talvez fosse uma companhia interessante, talvez até amiga verdadeira -
alguém que se levantaria e me defenderia. Mas ela não era minha melhor
amiga do jeito que a Bella era. À parte do amor impossível que eu sentia por
Bella, havia também essa outra ligação, que ia até os ossos.
Amanhã, ela seria minha inimiga. Ou ela seria minha aliada. E,
aparentemente, essa distinção estava de pé para mim. Eu suspirei.
Ótimo! Eu pensei, desistindo da ultima coisa que eu tinha para desistir. Fezme
sentir superficial. Vá em frente. Salve-a. Como herdeiro de Ephraim, você
tem minha permissão, minha palavra, que isso não violará o trato. E os outros
só vão ter que me culpar. Você estava certo - eles não podem negar que é meu
direito concordar com isso.
- Obrigado. - O sussurro de Edward era tão baixo que Bella não escutou nada.
Mas as palavras eram tão intensas que, pelo canto de meus olhos, eu vi os
outros vampiros se virando para ver.
“Então”, perguntou Bella, trabalhando seu sentido para ser casual. “Como foi
o seu dia?”
“Ótimo. Dei um passeio. Tentei me enforcar no parque.”
“Parece legal.”
“Claro, claro.”
De repente ela mudou a expressão. “Rose?” perguntou ela.
Ouvi a loira rir. “De novo?”
“Acho que eu bebi dois galões na última hora”, Bella explicou.
Edward e eu saímos do caminho, enquanto Rosalie se levantou do sofá, para
levar Bella até o banheiro.
“Posso andar?” Bella perguntou. “Minhas pernas estão adormecidas.”
“Você está bem?” Edward perguntou.
“Rose saberá se eu andar com meus próprios pés. O que poderia acontecer
com facilidade, mas eu não posso vê-los.”
Rosalie ajudou Bella cuidadosamente com seus pés, mantendo a mão direita
abaixo de seu ombro. Bella estava com seus braços esticados para frente,
recuando um pouco.
“Eu me sinto bem…” ela suspirou. “Ugh, mas eu estou enorme.”
Ela realmente estava mesmo. O seu estômago era o próprio continente. Eu não
poderia ajudar em nada, e a dor só aumentou subtamente, apunhalando-me,
mas eu tentei manter isso fora do meu rosto. Eu podia me esconder por mais
um dia, né?
“Tudo bem, então. Ooops - Oh, não!”
A taça que Bella havia deixado cair sobre o sofá, tinha um conteúdo vermelho,
sangue, que caiu sobre o pálido tecido.
Automaticamente, apesar de três outras mãos tocarem sua barriga, Bella parou
outra vez, chegando a capturar algo.
Era esquisito, um som abafado que chegava a partir do centro de sua barriga.
- Ah! - ela engasgou.
Então ela ficou completamente mole, escorregando para o chão. Rosalie a
pegou no mesmo instante, antes que ela pudesse cair. Edward estava ali
também, com as mãos para o alto, a sujeira no sofá esquecida.
- Bella? - ele perguntou. Então seus olhos ficaram sem foco, e pânico atingiu
suas feições.
Meio segundo depois, Bella gritou.
Não era só um grito, era um berro de agonia de congelar o sangue. O som
terrível parou com uma golfada de ar, e seus olhos se reviraram. O corpo dela
virou seguro nos braços de Rosalie, e então Bella vomitou uma fonte de
sangue.

18. Não há palavras para isso [amanhecer]
**************************************************
O corpo de Bella começou a se contrair, sacudindo-se sob os braços de
Rosalie como se ela estivesse sendo eletrocutada. Além disso, seu rosto estava
branco - inconsciente. Enquanto tinha convulsões, estalos agudos e definidos
eram mantidos de tempo em tempo durante os espasmos.
Rosalie e Edward congelaram-se por um instante e então eles quebraram.
Rosalie batia o corpo de Bella em seus braços e gritava tão rápido que era
difícil separar as palavras individualmente, ela e Edward jogaram-se pelas
escadas para o segundo andar.
Eu corri a toda velocidade depois deles.
“Morfina!” Edward gritou para Rosalie.
“Alice - chame Carlise no telefone! ” Rosalie guinchou.
O quarto em que eu os segui parecia uma ala de emergência localizada no
meio de uma biblioteca. As luzes eram brancas e brilhantes. Bella estava em
uma mesa sob a luminosidade, a pele fantasmagórica em meio a luz. Seu
corpo tremia como um peixe na areia. Rosalie foi arrancando e tirando as
roupas do caminho, enquanto Edward enfiava uma seringa em seu braço.
Quantas vezes eu a imaginei nua? Agora eu não conseguia olhar. Estava com
medo de ficar com essas memórias em minha cabeça.
” O que está acontecendo, Edward?”
” Ele está sufocando!”
” A placenta deve ser retirada.”
Em meio a isso, Bella voltou. Ela respondeu as palavras deles com um grito
que ecoou nos meus tímpanos.
” Tirem-o daí!” Ela gritava. ” Ele não consegue respirar! Faça agora!”
Eu vi manchas vermelhas aparecendo quando ela gritou, vasos sanguíneos
rompendo em seus olhos.
” A morfina.” Rosnou Edward.
” Não! Agora - ” Outro jorro de sangue sufocou o que ela estava tentando
dizer. Ele segurou a cabeça dela, tentando desesperadamente limpar a sua
boca para que ela pudesse respirar novamente.
Alice entrou no aposento e colocou uma pequena presilha azul no cabelo de
Rosalie. Então ela afastou-se novamente, seus olhos dourados queimando,
enquanto Rosalie sibilava freneticamente no telefone.
Na luz a pele de Bella ficava mais roxa e preta do que branca. A pele
vermelha escura ao longo do corpo, muito mais no estomago dela. A mão de
Rosalie veio com um bisturi.
“Deixe a morfina se espalhar!” Edward gritou para ela.
“Não há tempo” Rosalie disse “Ele está morrendo!”
A mão dela desceu sobre o estomago de Bella, e o vermelho vivo jorrou por
onde a pele foi cortada. Era como uma caçamba sendo esvaziada, de vazio
para cheio. Bella olhava abismada, mas não gritou. Ela ainda estava em
choque.
E então Rosalie perdeu seu foco. Eu vi a expressão na sua face deslocada, vi
seus lábios repuxados mostrando os dentes e os olhos negros por causa da
sede.
“Não, Rose!” Edward rosnou, mas as mãos dele estavam ocupadas, tentando
levantar Bella para que ela pudesse respirar.
Eu me joguei contra Rosalie, pulando sobre a mesa, sem esbarrar em nada.
Assim que me choquei contra o corpo de pedra dela, batendo-a contra a porta,
senti que a lamina que ela segurava estava cravada no meu braço esquerdo. A
palma da minha mão direita esmagou a face dela, prendendo-a e impedindo-a
de fugir.
Usei esse meu agarramento no rosto de Rosalie para tirá-la dali, eu poderia
dar-lhe um chute forte em suas tripas; seria como chutar concreto. Ela voou
pela moldura da porta, quebrando um pedaço da mesma. O pequeno fone em
seu ouvido quebrou em pedaços. Então Alice estava lá, segurando-a pega
garganta, levando-a para o hall.
E eu tive que admirar a ação da Loira - ela não se preparou para uma luta. Ela
quis que vencêssemos. Ela me deixou esmagá-la daquele jeito, para salvar
Bella. Bem, para salvar a coisa.
Eu rasguei meu braço com a lâmina ao retirá-la.
 “Alice, tire-a daqui!” Edward ordenou “Leve-a para Jasper e mantenha-a lá!
Jacob, eu preciso de você!”
Eu não olhei a Alice terminar o trabalho. Eu virei de volta para a mesa de
operações, onde Bella estava ficando azuis, seus olhos grandes e fixos.
“Reanimação Cárdiorespiratória?” - Edward rosnou para mim, rápido e
pedindo.
“Sim!”
Eu julguei o rosto dele prontamente, procurando qualquer sinal de que ele
reagiria como Rosalie. Não tinha nada, exceto simples ferocidade.
“Faça-a respirar! Eu tenho que tirá-lo antes -”.
Outro som de fragmentação dentro do corpo dela, o mais barulhento até o
momento, tão alto que nós dois congelamos em choque esperando pelo seu
grito de resposta. Nada. As pernas dela, que estavam se enroscando em
agonia, agora ficaram moles, esparramando-se de forma não natural.
“A espinha dela” - ele sufocou em horror.
“Tire isso dela!” - eu rangi os dentes, atirando o bisturi para ele. - “Ela não
sentirá nada agora.”.
E então, eu me curvei sobre a cabeça dela. Sua boca parecia limpa, então
pressionei a minha na dela e soprei uma rajada de ar. Eu senti o seu contraído
corpo expandir, então não havia nada bloqueando sua garganta. Seus lábios
tinham gosto de sangue.
Eu podia escutar seu coração, batendo desigualmente. Continue assim. Pensei
ferozmente, assoprando outra rajada de ar para dentro de seu corpo. Você
prometeu. Mantenha seu coração batendo. Eu escutei o som suave, úmido do
bisturi através de seu estômago. Mais sangue gotejando para o chão.
O próximo som sacudiu através de mim, inesperado, apavorante. Como metal
sendo retalhado em pedaços. O som trouxe de volta a luta na clareira há
muitos meses atrás, o som dilacerante dos recém-nascidos sendo rasgados em
partes. Eu dei um rápido olhar para ver a face de Edward pressionada contra a
protuberância. Dentes de vampiro - um modo infalível de cortar pele de
vampiro.
Eu estremeci enquanto bombeava mais ar para a Bella.
Ela tossiu de volta, seus olhos cintilando, rolando cegos.
“Fique comigo agora, Bella!”, eu gritei. “Escutou-me? Fique! Você não vai
me deixar! Mantenha seu coração batendo!”.
Seus olhos giraram, procurando por mim, ou por ele, mas não vendo nada.
Eu os encarei mesmo assim, mantendo minha visão periférica parada lá.E
então, seu corpo de repente ainda estava debaixo das minhas mãos, uma vez
que sua respiração continuava mais ou menos e seu coração ainda batia. Eu
percebi que essa continuidade significava que tinha acabado. O batimento
interno tinha acabado. Aquilo devia estar fora dela.
Estava.
Edward suspirou. “Reneesme”.
Então a Bella estava errada. Não era o garoto que ela tinha imaginado. Nada
surpreendente nisso. No que ela não errara?
Eu não desviei de seus olhos manchados de vermelho, mas senti suas mãos se
mexeram sem força.
“Deixe-me…”, resmungou ela em um suspiro quebrado. “Dê ela para mim.”
Eu acho que devia saber que ele sempre daria a ela o que ela queria, não
importando o quão estúpido o pedido pudesse ser. Mas eu não sonhei que ele a
escutaria agora. Então, não pensei em pará-lo. Algo quente tocou meu braço.
Só isso já devia ter me chamado a atenção. Nada parecia quente para mim.
Mas eu não podia desviar do rosto da Bella. Ela ficou cega e então começou,
finalmente, a ver algo. Ela soltou um estranho, fraco lamento musical.
“Renes… mee. Tão… linda.”
Então ela arfou. Arfou dolorosamente.
Quando eu olhei, já era tarde. Edward já tinha arrebatado a coisa quente,
sangrentinha, dos seus braços flácidos. Meus olhos passearam pela pele dela.
Estava vermelha de sangue - o sangue que fluiu pela sua boca, o sangue
lambuzado por toda a criatura, e sangue fresco brotando de uma marquinha
em forma de meia lua de mordida no seio direito dela.
“Não, Renesmee.” Edward murmurou, como se estivesse ensinando maneiras
ao monstro.
Eu não olhei pra ele ou para quilo. Eu apenas olhei para Bella enquanto seus
olhos reviravam. Com um ultimo e curto “ga-lump”, seu coração titubeou e
ficou silencioso.
Ela perdeu talvez metade de uma batida e minhas mãos já estavam em seu
peito, fazendo compressões. Eu contei na minha cabeça, tentando manter meu
ritmo continuo. Um. Dois. Três. Quatro.
Respirando fundo por um segundo, eu injetei ar dentro dela. Eu não podia
mais ver. Meus olhos estavam úmidos e embaçados. Mas eu estava super
consciente dos sons na sala. O “glug glug” sem entusiasmo de seu coração
debaixo de minhas mãos, as batidas do meu próprio coração e outro - um
vibrar que era muito rápido, muito leve. Eu não conseguia identificar.
Eu forcei mais ar pela garganta da Bella.
“O que você está esperando?”, eu sufoquei sem ar, estimulando seu coração de
novo. Um. Dois. Três. Quatro.
“Segure o bebe”, Edward falou urgentemente.
“Jogue isso pela janela!.” Um. Dois. Três. Quatro.
“Dê ela para mim”, replicou uma voz baixa da porta.
Edward e eu rosnado ao mesmo tempo.
Um. Dois. Três. Quatro.
“Eu estou sob controle.” Rosalie prometeu. “Dê-me o bebe, Edward, eu cuido
dela até a Bella…”
Eu respirei pela Bella de novo enquanto a troca ocorria. O trêmulo thumpathumpa-
thumpa desapareceu na distancia.
“Tire suas mãos, Jacob”.
Eu olhei para os olhos brancos da Bella, ainda estimulando seu coração por
ela. Edward tinha uma seringa na mão - toda prateada, como se fosse feita de
aço.
“O que é isso?”.
Sua mão de pedra tirou a minha do caminho. Houve um pequeno “crunch”
quando seu esbarrão quebrou meu dedo mindinho. No mesmo segundo, ele
espetou a agulha direto em seu coração.
“Meu veneno”, ele respondeu enquanto pressionava o liquido dentro da
seringa.
Eu escutei a arrancada de seu coração, como se ele tivesse eletrocutado ela.
“Mantenha se movendo”, ele ordenou. Sua voz era gelo, estava morta. Feroz e
impensada. Como se ele fosse uma maquina.
Eu ignorei a dor da cura no meu dedo e comecei a estimular seu coração de
novo. Era mais difícil, como se seu sangue estivesse congelando - coagulando
e mais lento. Enquanto eu empurrava o novo-viscoso sangue pela suas
artérias, eu vi o que ele estava fazendo.
Era como se ele estivesse beijando ela, esfregando seus lábios contra a
garganta dela, nos seus pulsos, em uma ruga na parte de dentro do braço. Mas
eu podia ouvir a vida desaparecendo de sua pele enquanto seus dentes
mordiam, de novo e de novo, forçando veneno em seu sistema em quantos
pontos fosse possível. Eu podia ver sua pálida língua limpando os rasgões
sangrentos, mas antes que isso pudesse me deixar bravo ou enojado, percebi o
que ele estava fazendo. Onde a língua dele lavava o veneno de sua pele, os
machucados se fechavam, mantendo o veneno e o sangue dentro dela.
Eu bombeei mais ar dentro de sua boca, mas não havia nada lá. Só a elevação
sem vida de seu peito em resposta. Continuei a estimular seu coração,
contando, enquanto ele trabalhava mecanicamente nela, tentando a fazer ficar
inteira de novo. Todos os cavalos do rei e todos os serviçais do rei…
Mas não havia nada lá, só eu, só ele.
Trabalhando com um cadáver.
Porque era tudo que restava da garota que nós dois amamos. Esse cadáver
quebrado, sangrento e estropiado. Não podíamos a fazer ficar inteira.Eu sabia
que era muito tarde. Eu sabia que ela estava morta. Eu sabia disso com
certeza, porque a atração por ela havia parado. Eu não sentia nenhuma razão
para estar aqui ao lado dela. Ela não estava mais aqui. Então esse corpo não
significava mais nada para mim. Esse vazio tinha que estar ligado ao fato dela
ter ido.
Ou talvez mudado fosse a palavra certa. Parecia que eu sentia aquela atração
do sentido oposto agora. Escada abaixo, do lado de fora. O desejo de sair
daqui e nunca, jamais voltar.
“Vá, então”, ele retrucou, e chutou minha mão para fora do caminho de novo,
tomando meu lugar dessa vez. Três dedos quebrados, eu senti. Eu me
endireitei entorpecido, sem ligar para o problema da dor. Ele empurrou o
coração morto dela mais rápido do que eu.
“Ela não está morta,” - ele rosnou. - “Ela ficará bem.”
Eu não estava certo se ele falava comigo mais.
Virando-me, o deixando com sua morta, eu andei calmamente até a porta. Tão
devagar. Eu não conseguia fazer meus pés se moverem mais rápido. Era isso,
então. O oceano de dor. A outra costa tão longe através da fervente água que
eu não conseguia imaginá-la, muito menos vê-la.
Eu senti vazio de novo, agora que tinha perdido meu propósito. Salvar Bella
tinha sido minha batalha por tanto tempo. E ela não seria salva. Ela se
sacrificou de bom grado, para ser rasgada por aquele jovem monstro, e então a
batalha estava perdida. Estava tudo acabado.
Eu estremeci com o som vindo de detrás de mim, enquanto eu me arrastava
escada abaixo - o som de um coração morto sendo forçado a bater.
Eu queria que, de alguma forma, derramar água sanitária dentro de minha
cabeça e deixá-la fritar meu cérebro. Para queimar as imagens deixadas pelos
minutos finais de Bella. Eu aceitaria os danos cerebrais, se pudesse fugir disso
- o grito, o sangramento, o insuportável triturar e morder enquanto o monstro
recém-nascido rasgava através dela de dentro para fora…
Eu queria correr embora, descer as escadas dez degraus de cada vez e correr
através da porta, mas meus pés estavam pesados como ferro e meu corpo
estava mais cansado do que jamais esteve. Eu me arrastei pela escada abaixo
como um inválido homem velho.
Eu descansei no último degrau, reunindo minha força para passar pela porta.
Rosalie estava no limpo fim do sofá branco, suas costas para mim,
acalentando e murmurando para a coisa coberta em seus braços. Ela deve ter
me ouvindo hesitando, mas me ignorou apanhada em seu momento de
maternidade roubada. Talvez ela ficasse feliz agora. Rosalie tinha o que queria
e Bella nunca viria para tirar a criatura dela. Eu me perguntei se isso era o que
a loira venenosa esperava o tempo todo.
Ela segurou algo negro entre suas mãos, e então houve o som de uma
gananciosa sucção vinda do pequeno assassino que ela segurava.
O cheiro de sangue no ar. Sangue humano. Rosalie estava alimentando aquilo.
É claro que iria querer sangue. Com o que mais você alimentaria o tipo de
monstro que mutilaria brutalmente sua própria mãe? Ele poderia até estar
bebendo o sangue de Bella. Talvez estivesse.
Minha força voltou quando eu ouvi o som do pequeno carrasco se
alimentando.
Força e ódio e calor - calor vermelho lavando através da minha cabeça,
queimando, mas sem apagar nada. As imagens em minha cabeça eram
combustíveis, construindo o inferno, mas se recusando a ser consumido. Eu
senti os tremores me chacoalhando da cabeça aos pés, e eu não tentei pará-los.
Rosalie estava totalmente absorvida na criatura, não prestado nenhuma
atenção a mim. Ela não seria rápida o suficiente para me parar, distraída como
estava.
Sam estava certo. A coisa era uma aberração - sua existência ia contra a
natureza. Um negro demônio sem alma. Algo que não tinha o direito de ser.
Algo que deveria ser destruído.
Parecia que o puxão não tinha sido em direção à porta, afinal. Eu podia sentir
agora, me encorajando, me puxando para frente. Empurrando-me pra fazer
isso, para purificar o mundo dessa abominação.
Rosalie tentaria me matar quando a criatura estivesse morta, e eu iria lutar
com ela. Não tinha certeza se podia acabar com ela antes que os outros
viessem ajudar. Talvez sim, talvez não. Eu não me importava muito. Eu não
ligava se os lobos, ou o Seth, me vingassem ou achassem que foi justo. Nada
disso importava. Tudo que eu me importava era com a minha justiça. Minha
vingança. A coisa que tinha matado a Bella não ia viver nem um minuto mais.
Se Bella tivesse sobrevivido, ela ia me odiar por isso. Ela iria querer me matar
pessoalmente.
Mas eu não me importava. Ela não se importou sobre o que fez comigo - se
deixando ser abatida como um animal. Porque eu devia ligar para os seus
sentimentos?
E então, havia Edward. Ele devia estar muito ocupado - tão envolvido com sua
insana negação, tentando reanimar um cadáver - para ouvir meus planos.
Então eu não teria a chance de manter minha promessa a ele, a menos - e eu
não apostaria nisso - que eu conseguisse vencer Rosalie, Jasper e Alice, três
contra um. Mas mesmo se eu vencesse, eu não acho que eu ia querer matar
Edward.
Porque eu não tinha compaixão o suficiente para isso. Porque eu devia deixálo
fugir do que ele tinha feito? Não seria mais justo - e me satisfaria mais -
deixá-lo apenas viver com nada, absolutamente nada?
Isso quase me fez sorrir, tão cheio de ódio como eu estava, imaginar isso. Sem
Bella. Sem cria assassina. E sem tantos membros da família quanto eu pudesse
derrotar.
Claro, ele podia colá-los de volta, já que eu não estaria por perto pra queimálos,
diferente de Bella, que nunca estaria inteira de novo.
Perguntei-me se a criatura podia ser remontada. Eu duvidava. Isso era parte
Bella também - então isso devia ter herdado um pouco de sua vulnerabilidade.
Eu podia ouvir isso no pequeno, arranhado bater de seu coração.
O coração disso estava batendo. O dela não.
Só um segundo se passou enquanto eu fazia essas fáceis decisões.
A tremedeira estava ficando mais forte e mais rápida. Eu reuni minha força,
me preparando para atacar a vampira loira e arrancar a coisa assassina de seus
braços com meus dentes.
Rosalie arrulhou para a criatura de novo, colocando a coisa-mamadeira de
metal de lado e levantando a criatura no ar para encostar seu rosto contra sua
bochecha.
Perfeito. A nova posição era perfeita para o meu golpe. Eu me inclinei pra
frente e senti o calor começar a me mudar conforme a atração ao redor da
assassina crescia - era mais forte do que eu jamais tinha sentido, tão forte que
me lembrava do comando do Alpha, como se fosse me esmagar se eu não
obedecesse.
Dessa vez eu queria obedecer.
A assassina me encarou por cima dos ombros da Rosalie, seu olhar mais
focado do que qualquer olhar de um recém nascido devia ser.
Olhos castanhos quentes, cor de chocolate com leite - exatamente a mesma cor
que a Bella tinha.
Minha tremedeira deu um solavanco e parou. O calor fluiu por mim, mais
forte que antes, mas era um calor novo - não queimava. Era abrasador.
Tudo dentro de mim estava arruinado assim que encarei a face de porcelana
fina do bebê meio vampiro, meio humano. Todas as linhas que me seguravam
na minha vida cortadas ao meio em pequenos pedaços como se recortado as
cordas de um punhado de balões. Tudo que havia me tornado aquilo que eu
era - o amor pela garota morta lá no andar de cima, meu amor pelo meu pai,
minha lealdade para com meu novo bando, o amor pelos meus outros irmãos,
meu ódio pelos meus inimigos, meu lar, meu nome, eu mesmo - desconectado
de mim naquele segundo - afundando, afundando, afundando - e flutuando
pelo espaço.
Não apenas uma corda, mas um milhão. Não apenas cordas, mas vários cabos.
Um milhão de cabos roubados, todos tentando me levar para uma coisa - para
o centro do universo.
Eu podia ver agora - como o universo conspirava para este único ponto. Eu
nuca havia visto a simetria do universo antes, mas agora era um plano. A
gravidade da Terra não mais me prendia ao lugar onde eu estava. Era a menina
bebê nos braços da vampira loira que me seguravam aqui agora. Renesmee.
No andar de cima, havia um novo som. O único som que poderia me atingir
nesse instante sem fim.
Um choro frenético, um batimento regular…
Um coração mudando.


LIVRO 3: BELLA [amanhecer]
***********************************
Afeição pessoal é um luxo que você só pode ter depois que todos seus inimigos
forem eliminados. Até então, todos que você ama são reféns, enfraquecendo
sua coragem e corrompendo sua opinião.
Orson Scott Card - Império
PRÓLOGO
******************
Já não é apenas um pesadelo, a linha negra avançou em nossa direção através
da neblina gelada excitada sob os pés deles.
Nós vamos morrer, eu pensei em pânico. Eu estava desesperada pela
preciosidade que eu guardava, até mesmo para pensar que era um descuido
que eu não podia permitir.
Eles apareceram mais perto, seus roupões vagando levemente com o
movimento. Eu vi suas mãos enroladas em unhas com ossos pintados. Eles se
afastaram como uma correnteza, nos enganando para então nos atacar de todos
os lados. Nós éramos incontáveis. Era superior.
E então, como a explosão de luz de uma fagulha, a cena era totalmente
diferente. Ainda nada alterado - os Volturi ainda andavam em nossa direção,
destinados a matar. Tudo que realmente mudou, foi como a cena parecia para
mim. Repentinamente, eu estava faminta por isso. Eu queria que eles
avançassem. O pânico se transformou em necessidade de sangue, enquanto eu
agachava para frente, um sorriso em meu rosto, e eu rosnei dilaceradamente
através de meus dentes a mostra.

19. Queimando [amanhecer]
**********************************
A dor era extremamente forte.
Exatamente isso - eu estava desnorteada. Eu não podia entender, não podia
fazer idéia do que estava acontecendo.
Meu corpo tentava rejeitar a dor, e eu era puxada continuamente para dentro
de uma escuridão que cortava segundos ou até mesmo minutos inteiros da
agonia, tornando muito mais difícil acompanhar a realidade. Eu tentei separálas.
A ilusão era negra, e não machucava muito. A realidade era vermelha, e me
fazia sentir como se estivesse sendo serrada ao meio, acertada por um ônibus,
esmurrada por um lutador premiado, atropelada por vacas, e submergida em
ácido, tudo ao mesmo tempo.
Realidade era sentir o meu corpo curvado, quando eu não podia ao menos me
mexer por culpa da dor.
Realidade era saber que havia algo muito mais importante do que toda aquela
tortura, e não ser capaz de se lembrar o que é. A realidade chegou tão
rapidamente.
Um momento, tudo estava como deveria ser. Rodeada por pessoas que eu
amo. Sorrisos. De algum jeito, que eu não gostava muito, parecia que eu
estava prestes a conseguir tudo pelo qual eu estava lutando.
E uma pequenininha coisa inconseqüente havia dado errado.
Eu assistia ao que minha xícara inclinou-se, sangue escuro derramando e
manchando o que era até então perfeitamente branco, e eu me movi
bruscamente em direção ao acidente por reflexo.
Dentro de mim alguma coisa estava sendo empurrada na direção oposta.
Rasgando. Quebrando.Agonia. A escuridão havia tomado conta e lavou uma
onda de tortura. Eu não podia respirar - Eu já me afoguei uma vez, mas isso
era diferente; Era muito quente em minha garganta.
Pedaços de mim se despedaçando, quebrando, fatiando-se.
Mais escuridão.
Vozes, agora gritando. Como a dor voltou.
“A placenta deve ser retirada.”
Alguma coisa afiada como uma faca rasgou-me - as palavras fazendo sentido
apesar de todas as outras dores. Placenta retirada - Eu sabia o que isso
significava. Significava que o meu bebê estava morrendo dentro de mim.
“Tirem-no daí!” Eu gritava para Edward. Ele não havia feito isso ainda? “Ele
não consegue respirar! Faça agora!”
“A morfina.- ..”
Ele queria esperar, me dar anestesia enquanto o nosso bebê estava morrendo?!
“Não! Agora -” Eu gritei, sem poder terminar.
Machas escuras apareciam sobre a luz do aposento enquanto uma dor fria
penetrava meu estômago. Isso parecia errado - Eu lutei automaticamente para
proteger o meu ventre, o meu bebê, o meu pequeno Edward Jacob, mas eu
estava fraca. Meus pulmões doeram, e o oxigênio se foi.
A dor havia desaparecido, embora eu tenha me segurado à ela. Meu bebê, meu
bebê, morrendo….
Quanto tempo havia passado? Segundos ou minutos? A dor não existia mais.
Confusão. Eu não conseguia sentir. Eu ainda não conseguia enxergar, também,
mas podia ouvir. Havia ar nos meus pulmões novamente, esfregando
bolhas ásperas pela minha garganta, para cima e pra baixo.
“Você vai ficar comigo agora, Bella! Você escutou? Ficar! Você não vai me
deixar! Mantenha seu coração batendo!”
Jacob? Jacob ainda estava aqui tentando me salvar.
Claro, eu tentei lhe falar. Claro que eu manteria o meu coração batendo. Eu
não havia prometido a eles?
Eu tentei sentir o meu coração, achá-lo, mas estava tão perdido dentro do meu
próprio corpo. Eu não conseguia sentir as coisas que devia, e nada parecia
estar no lugar certo. Eu pisquei e achei os meus olhos. Eu conseguia ver a luz.
Não para o que eu estava olhando, mas melhor do que nada.
Enquanto meus olhos lutavam tentando se ajustar, Edward sussurrou.
 “Renesmee”
Renesmee?
Não o pálido e perfeito filho da minha imaginação? Eu senti um momento de
choque. E então a inundação de calor.
Renesme.
Eu forcei meus lábios a se mexerem, forçando bolhas de ar a se transformarem
em sussurros na minha língua. Eu forcei minhas mãos débeis para alcançar.
“Deixe-me…Dê ela para mim”
A luz dançou, rompendo as mãos de cristal de Edward. Seus músculos
estavam tingidos de vermelho, com sangue que cobria sua pele. E mais
vermelho em suas mãos. Alguma coisa pequena e relutante, molhada em
sangue. Ele passou o corpo quente para meus braços fracos, quase como se eu
estivesse segurando-a. A pele dela era quente - tão quente quanto a de Jacob.
Meus olhos se focaram; de repente absolutamente tudo ficou claro.
Renesme não chorou, mas respirava rápido, como se sentisse dor. Seus olhos
estavam abertos, e sua expressão era tão chocada que chegava a ser engraçada.
A pequena, perfeita redonda cabeça era coberta por espessa camada de fios,
cachos de sangue. Suas íris eram familiares - mas espantosamente - cor de
chocolate. Por baixo do sangue, a pele dela parecia pálida, como marfim
cremoso. Tudo além das bochechas dela , possuíam alguma cor. A pequena
face era absolutamente tão perfeita que me chocou. Ela era ainda mais linda
que o pai. Inacreditável. Impossível.
“Renesme” Sussurrei “Tão…linda”
A face impossível de repente sorriu - um vasto e deliberado sorriso. Atrás dos
lábios róseos havia uma dentição de leite completa. Ela abaixou a cabeça,
contra meu peito, lutando contra o calor. A pele dela era quente e sedosa, mas
não da mesma forma que a minha.
Então havia dor de novo - apenas uma onda de calor. Engasguei. E ela havia
ido. Meu bebe com cara de anjo não estava mais por ali. Eu não podia vê-la ou
senti-la.
Não! Eu queria gritar. Devolva-me ela!
Mas a fraqueza era muito grande. Meus braços caíram como se fossem
mangueiras de borracha por um momento, e então, eles não sentiam nada. Eu
não podia senti-los. Eu não podia sentir a mim.
O escuro tomou conta de meus olhos mais forte do que antes. Assim como
uma cegueira espessa, firme e rápida. Cobrindo não apenas meus olhos, mas
eu inteira com um peso esmagador. Era exaustivo lutar contra isso. Eu sabia
que era muito mais fácil desistir. Deixar essa escuridão me puxar para baixo,
baixo, baixo; para um lugar onde não existia dor e medo, e nada para temer
ou se preocupar.
Se eu estivesse apenas por mim mesma, eu não seria capaz de lutar por muito
mais tempo. Eu era apenas uma humana, que agora já não possuía a força
humana. Eu tentei manter o sobrenatural por muito tempo, assim como Jacob
disse.
Mas isso não era apenas sobre mim. Se eu não fizesse a coisa certa agora, a
escuridão do nada me apagaria, e eu o machucaria.
Edward. Edward. Minha vida e a dele misturadas numa mesma estrada. Corte
um, e cortará ambos. Se ele fosse, eu não seria capaz de viver por muito
tempo. Se eu for, ele provavelmente não irá viver muito mais. E um mundo
sem Edward seria completamente sem graça. Edward tem que existir.
Jacob - que disse adeus várias e várias vezes mas sempre voltava quando eu
precisava dele. Jacob, que eu feri tantas vezes de forma criminosa. Eu o estaria
machucando novamente, e ainda da pior maneira? Ele permaneceu comigo,
apesar de tudo. Agora, tudo que eu fiz, foi pedir para que ele ficasse.
Mas aqui estava tudo tão escuro que eu não podia ver qualquer um de seus
rostos. Nada parecia real. Isso tornava difícil não desistir.
Eu me mantinha empurrando contra a escuridão, no entanto, quase um reflexo,
uma reação involuntária. Eu estava apenas resistindo. Eu estava apenas
resistindo, não me permitindo ser esmagada completamente. Eu não estava no
Atlas, e a escuridão parecia tão pesada quanto um planeta; eu não podia ver o
ombro dele. Tudo o que eu podia fazer era não ficar completamente apagada.
Era uma espécie de padrão para a minha vida - eu nunca tinha sido forte o
suficiente para lidar com as coisas fora do meu controle, para atacar os
inimigos ou impedi-los. Para evitar o sofrimento humano e sempre fraca, a
única coisa que eu nunca fui capaz de fazer foi continuar. Resistir. Sobreviver.
Eu tinha sido suficiente até certo ponto. Teria de ser suficiente hoje. Gostaria
de suportar isto até chegar ajuda.
Eu sabia que Edward ia fazer tudo que pudesse, que não desistiria. Nem eu.
Eu me prendi à escuridão da não existência - presa a uma borda por apenas
alguns centímetros.
Não era suficiente - porem eu tinha determinação. À medida que o tempo
sobre a terra e a escuridão passava, ganhavam por poucos oitavos e dezesseis
dos meus centímetros.
Eu não podia chamar Edward mesmo pelo meu ponto de vista. Nem Jacob,
nem Alice ou Rosalie ou Charlie ou Renné ou Carlisle ou Esme …. ninguém.
Isso me aterrorizava, e me fazia perguntar se era tarde demais.
Senti-me eu próprio escorregamento - não havia nada para deter aquilo…
Não! Eu tinha que sobreviver a isto. Edward precisava de mim! Jacob.
Charlie, Alice, Rosálie, Carlisle, Renée Esme… Renesmee.
E depois, mesmo ainda não podendo ver, de repente eu podia sentir algo.
Como membros fantasmas, eu imaginei que podia mexer meus braços de
novo. E neles, alguma coisa pequena, pesada e muito, muito quente. Meu
bebê. Meu pequeno encorajador.
Eu tinha conseguido. Mesmo contra as probabilidades, eu tinha sido forte o
suficiente para sobreviver a Renesmee, para agüentá-la dentro de mim
enquanto ela não era forte o suficiente para viver sem meu apoio.
Aquele pequeno coração em meus braços fantasmas parecia tão real. Eu
segurei mais perto. Era exatamente onde meu coração devia estar. Segurando
fortemente a quente memória de minha filha, eu sabia que eu seria capaz de
afastar a escuridão por tanto tempo quanto fosse necessário.
O calor perto do meu coração ficou mais e mais real, cada vez mais caloroso.
Fervendo. O coração era tão real que era difícil acreditar que eu o estava
imaginando.
Fervendo. Desconfortavelmente agora. Muito quente. Muito, muito mais
quente. Como se tivesse segurado ferro fervente - minha resposta automática
foi largar a coisa chamuscante dos meus braços. Mas não havia nada em meus
braços. Meus braços não estavam ligados ao meu pescoço. Meus braços eram
coisas mortas, largadas em algum lugar ao meu lado. O coração estava dentro
de mim.
A queimação aumentou - aumentou e chegou ao ponto máximo e então
aumentou até certo ponto que ultrapassava a tudo que eu já havia sentido. Eu
senti a pulsação atrás do fogo em meu pescoço, e percebi que eu havia achado
meu coração novamente, desejando nunca ter o encontrado. Desejando que a
escuridão me abraçasse enquanto eu ainda tinha a chance. Eu queria erguer
meus braços e arrancar meu coração de dentro do peito - qualquer coisa que
causasse tal tortura. Mas eu não podia sentir meus braços, não podia mover
nem um dedo sequer.
James quebrando minha perna em baixo de seu pé. Aquilo não era nada.
Aquilo era um lugar confortável em uma cama feita de penas. Eu preferia
aquilo agora cem vezes mais. Cem vezes ser quebrada. Eu preferiria e seria
grata.
O bebê, quebrando minhas costelas, me quebrando pedaço por pedaço para
abrir caminho. Aquilo não era nada. Aquilo era flutuar em uma piscina de
água gelada. Eu preferiria mil vezes. E seria muito grata.
O fogo ficou mais quente e eu queria gritar. Implorar para alguém me matar
agora, antes que eu vivesse mais um momento com essa dor. Mas eu não
podia mover meus lábios. O peso ainda estava lá, me pressionando. Eu percebi
que não era a escuridão me segurando; era o meu corpo. Tão pesado.
Mantendo-me nas chamas que estavam mastigando o seu caminho para fora
do meu coração, espalhando uma dor inacreditável em meus ombros e
estomago, subindo queimando pela minha garganta, surrando o meu rosto.
Por que eu não podia me mover? Por que eu não podia gritar? Isso não fazia
parte das histórias.
Minha mente estava insuportavelmente limpa - afiada pela dor - e eu vi a
resposta tão rapidamente quanto eu pude formar as perguntas. A morfina.
Parecia ter sido a milhões de décadas atrás que nós havíamos discutido aquilo
- Edward, Carlisle, e eu. Edward e Carlisle esperavam que muitos analgésicos
ajudariam a afastar a dor do veneno. Carlisle havia tentado isso com Esme,
mas o veneno havia queimado na frente do medicamento, fechando suas veias.
Não houve tempo para que se espalhasse.
Eu mantive meu rosto suave e acenei com a cabeça, e agradeci minhas raras
estrelas da sorte que o Edward não podia ler a minha mente. Porque eu tinha
morfina e veneno juntos nos meu sistema antes, e eu sabia a verdade. Eu
conhecia que a dormência do medicamento era completamente irrelevante
enquanto o veneno queimava através das minhas veias. Mas não tinha como
eu mencionar esse fato. Nada que o fizesse mais relutante em me mudar.
Eu não havia adivinhado que a morfina teria esse efeito - que me prenderia pra
baixo e me amordaçaria. Manteria meu corpo paralisado enquanto eu
queimava.
Eu conhecia todas as histórias. Eu sabia que Carlisle se manteve quieto o
suficiente para evitar ser descoberto enquanto ele queimava. Eu sabia que, de
acordo com Rosalie, não adiantava gritar. E eu esperava que eu pudesse ser
como o Carlisle. Que acreditaria nas palavras de Rosalie e manteria minha
boca fechada. Porque eu sabia que cada grito que escapasse dos meus lábios
atormentaria Edward.
Agora isso parecia uma piada hedionda que eu teria o meu desejo realizado.
Se eu não poderia gritar, como poderia dizer a eles para me matar? Tudo que
eu queria era morrer. Nunca ter nascido. O conjunto da minha existência não
valia essa dor. Não valia passar por isso para mais uma batida de coração.
Deixe-me morrer, deixe-me morrer, deixe-me morrer.
E, por um tempo sem fim, isso era tudo. Somente a tortura inflamável, e meus
gritos inaudíveis, implorando para a morte vir. Nada mais, nem mesmo tempo.
Então isso foi infinito, sem começo nem fim. Um momento infinito de dor. A
única mudança veio quando, de repente, impossivelmente, minha dor dobrou.
A metade inferior do meu corpo, amortecida desde antes da morfina,
repentinamente estava em fogo também. Alguma conexão quebrada havia sido
curada - ligada pelos dedos ferventes da chama.
A queimação sem fim se encolerizou.
Poderiam ter sido segundos ou dias, semanas ou anos, mas, eventualmente, o
tempo veio a significar algo novamente.
Três coisas aconteceram juntas, crescendo uns dos outros, então eu não sabia
qual veio antes: o tempo recomeçando, o peso da morfina desapareceu, e eu
fiquei mais forte.
Eu podia sentir o controle do meu corpo voltar para mim com acréscimos, e
esses acréscimos foram as minhas primeiras marcas do tempo passando. Eu
sabia disso quando era capaz de movimentar meus pés e minhas mãos em
punhos. Eu sabia disso, mas eu não o fiz.
Apesar do fogo não ter diminuído nenhum grau - na verdade, eu comecei a
desenvolver uma nova capacidade para experimentar isso, uma nova
sensibilidade para apreciar, separadamente, cada língua empolada da chama
que lambia através das minhas veias - eu descobri que conseguia pensar
através disso.
Eu conseguia lembrar o porquê que eu não deveria gritar. Eu conseguia
lembrar a razão pela qual eu agüentei essa agonia insuportável. Eu conseguia
lembrar que, apesar de parecer impossível agora, havia algo pelo qual talvez
valesse à pena essa tortura.
Isso aconteceu bem a tempo de que eu agüentasse, enquanto os pesos
deixavam meu corpo. Para qualquer um me assistindo, não haveria mudança.
Mas para mim, enquanto eu lutava para manter os gritos e a dor trancados
dentro do meu corpo, onde eles não pudessem machucar mais ninguém, era
como se eu tivesse passado de ser amarrada a uma estaca enquanto queimava,
a me agarrar àquela estaca para me manter no fogo.
Eu tinha só a força necessária de ficar deitada ali sem me mover enquanto
carbonizava viva.
Minha audição ficava cada vez mais nítida, e eu conseguia contar a batida
esmagada e frenética do meu coração para marcar o tempo.
Eu podia contar os suspiros superficiais que arfavam através dos meus dentes.
Eu podia contar os suspiros baixos que vinham de algum lugar próximo a
mim. Esses se moviam mais lentos, então me concentrei neles. Significam
mais tempo passando. Mais até que o pêndulo de um relógio, aquela
respiração me puxou daqueles segundos queimando até o final.
Eu continuava a ficar mais forte, meus pensamentos mais claros. Quando
novos sons vinham, eu podia ouvi-los.
Tinha passos leves, o sussurro do vento passando por uma porta aberta. Os
passos ficaram mais próximos, e eu senti uma pressão na parte de dentro do
meu pulso. Eu não podia sentir o gelado dos dedos. O fogo mandou embora
cada memória do frio.
“Ainda sem mudança?”
“Nenhuma.”
A pressão mais leve, respiração na minha pele queimada.
“Não há sinal de que a morfina passou.”
“Eu sei.”
“Bella? Você pode me ouvir?”
Eu sabia, sem nenhuma dúvida, que se eu destrancasse meus dentes eu
perderia - eu gritaria e guincharia e me debateria e espancaria. Se eu abrisse
meus olhos, se eu sequer contraísse meu dedo - seria a chance de eu perder o
controle.
“Bella? Bella, amor? Você pode abrir seus olhos? Você pode apertar minha
mão?
Pressionaram meus dedos. Foi difícil não responder aquela voz, mas eu fiquei
paralisada. Eu sabia que a dor naquela voz agora não era nada comparada ao
que poderia ser. No momento, ele só temia que eu estava sofrendo.
“Talvez….Carlisle, talvez eu estava muito atrasado.” A voz dele estava
despedaçada, se quebrando na palavra atrasado.
Minha respiração parou por um segundo.
“Escute o coração dela, Edward. Está mais forte do que o de Emmett estava.
Eu nunca ouvi nada tão vital. Ela vai ficar perfeita.”
Sim, eu estava certa em continuar quieta. Carlisle irá tranqüilizar ele. Ele não
precisa sofrer comigo.
“E sua - sua coluna?”
“Seus ferimentos não estão tão pior que os de Esme estavam. O veneno vai
cura-la como fez com Esme.”
“Mas ela está tão imóvel. Eu devo ter feito alguma coisa errada.”
“Ou alguma coisa certa, Edward. Filho, você fez tudo o que eu poderia fazer e
mais. Eu não tenho certeza se eu teria tido a persistência, a fé que você teve
para salva-la. Pare de se culpar. Bela vai ficar bem.”
Um suspiro. “Ela deve estar em agonia.”
“Nós não sabemos disso. Ela teve muita morfina em seu sistema. Nós não
sabemos o efeito que isso vai causar.”
Pressão leve na área interna do meu cotovelo. Outro suspiro. “Bella, eu amo
você. Bella, eu sinto muito.”
Eu queria muito responder a ele, mas eu não faria sua dor ficar pior. Não
enquanto eu tinha força para me segurar.
Apesar de tudo isso, o intenso fogo estava me queimando. Mas tinha muito
espaço na minha cabeça agora. Espaço para considerar a conversa deles,
espaço para lembrar do que aconteceu, espaço para olhar para o futuro. E
ainda espaço sem fim havia sobrado para sofrer. E também para se preocupar.
Onde estava meu bebê? Porque ela não estava aqui? Porque eles não estavam
falando sobre ela?
“Não, eu vou ficar aqui.” Edward sussurrou, respondendo um pensamento não
falado. “Eles vão resolver isso.”
“Uma situação interessante.” Carlisle respondeu. “E eu pensava que eu já
tinha visto de tudo.”
“Eu vou lidar com isso mais tarde. Nós vamos lidar com isso.” Alguma coisa
pressionou a palma da minha mão.
“Eu tenho certeza, entre os cinco de nós, que nós podemos cuidar disso sem
ter um derramamento de sangue.”
Edward suspirou. “Eu não sei que lado tomar. Eu amaria tomar os dois lados.
Bom, mais tarde.”
 “Eu imagino o que a Bella vai pensar. Que lado que ela vai tomar.” Carlisle
pensou.
Uma baixa risada. “Eu tenho certeza que ela vai me surpreender. Ela sempre
faz isso.”
Os passos de Carlisle foram embora e eu estava frustrada por não ter nenhuma
explicação. Porque eles estavam falando tão misteriosamente só para me
perturbar? Eu comecei a contar as respirações do Edward para contar o tempo.
Dez mil, nove mil e quatrocentos e três respirações depois, um diferente som
de passos entrou no quarto. Um pouco mais leve….rítmico.
Estranho que eu podia distinguir os minutos de diferença entre os passos como
eu nunca pude ouvir antes de hoje.
“Quanto tempo mais?” Edward perguntou.
“Não vai demorar agora.” Alice disse a ele. “Está vendo como ela está se
tornando clara? Eu posso ver ela muito melhor.” Ela suspirou.
“Ainda sentindo um pouco amarga?”
“Sim, muito obrigada por trazer isso à tona.” Ela resmungou. “Você ficaria
humilhado também, se você percebesse que você estava algemado pela sua
própria natureza. Eu vejo melhor os vampiros, porque eu sou um deles. Eu
vejo humanos, porque eu era um deles. Mas eu não posso ver essa estranha
meia-raça porque eles não são nada que eu já tenha vivido. Bah!”
“Se concentre, Alice”
“Certo. Bella está quase fácil de ser vista agora.”
Houve um grande momento de silêncio, e depois Edward suspirou. Foi um
novo som, feliz.
“Ela realmente vai ficar bem.” Ele suspirou.
“É claro que ela vai.”
“Você não estava tão confiante dois dias atrás.”
“Eu não podia ver a dois dias atrás. Mas agora que ela está livre de todos os
pedaços escuros, é muito fácil.”
“Você pode se concentrar por mim? No relógio - me dê uma estimativa.”
Alice suspirou. “Tão impaciente. Certo. Me dê um segundo.”
Nenhuma respiração.
“Obrigado, Alice.” Sua voz estava brilhante.
Por quanto tempo? Eles pelo menos poderiam dizer para mim? Seria muito
perguntar isso? Por quanto tempo ainda eu queimaria? Dez mil? Vinte mil?
Outro dia - oitenta e seis mil, quatrocentos? Mais que isso?
- Ela vai ser estonteante.
Edward resmungou baixinho. - Ela sempre foi.
Alice fungou. - Você me entendeu. Olhe para ela.
Edward não respondeu, mas as palavras de Alice me deram esperança de que
talvez eu não estivesse lembrando o monte de carvão que eu me sentia. Era
como se eu devesse ser uma pilha de ossos quebrados a essa altura. Cada
célula do meu corpo tinha sido queimada até virar pó.
Escutei Alice se movimentando fora do quarto. Escutei o ruído baixo do
tecido da roupa que ela usava raspando em seu corpo. Escutei o zumbido fraco
da luz pendurada no teto. Escutei o vento leve tocando o lado de fora da casa.
Eu podia escutar tudo.
Lá embaixo, alguém estava assistindo um jogo de beisebol. Os Marines
estavam ganhando por dois pontos.
- É minha vez - eu escutei Rosalie falar brusca para alguém, e houve um
pequeno resmungo em resposta.
- Ei, calma - Emmett avisou.
Alguém sibilou.
Eu tentei escutar mais, mas não havia nada além do jogo. Beisebol não era
interessante o suficiente para me distrair da dor, então eu escutei a respiração
de Edward de novo, contando os segundos.
Vinte e um mil novecentos e dezessete e alguns segundos depois, a dor
mudou.
Do lado bom da coisa, começou a desaparecer das pontas dos dedos das
minhas mãos e dos pés. Desaparecer lentamente, mas pelo menos era alguma
coisa diferente. Tinha que ser. A dor estava sumindo…
E então, o lado ruim. O fogo em minha garganta era o mesmo que antes. E não
era só fogo, mas agora estava seca também. Seca como ossos. Muita sede.
Fogo queimando, e queimando de sede… E também o lado pior: o fogo dentro
do meu coração ficou mais quente.
Como isso era possível?
Meus batimentos, que já estavam rápidos, aumentaram - o fogo deixou o ritmo
ainda mais frenético.
- Carlisle - Edward chamou.
A voz dele era baixa mas clara. Eu sabia que Carlisle iria escutar, se ele
estivesse dentro ou próximo a casa.O fogo saiu de minhas mãos, deixando-as
felizmente sem dor e frias. Mas foi para o meu coração, que ardeu quente
como o sol e começou a bater a uma velocidade furiosa.
Carlisle entrou no quarto, com Alice ao seu lado. Seus passos eram tão
distintos, eu podia até dizer que Carlisle estava na direita e um passo à frente
de Alice.
- Escutem - Edward disse a eles.
O som mais alto no quarto era o do meu coração elétrico, batendo no ritmo do
fogo.
- Ah - Carlisle disse - está quase acabando.
Meu alívio a suas palavras foi ofuscado pela dor excruciante no meu coração.
Meus pulsos estavam livres, e meus tornozelos também. O fogo tinha sumido
totalmente dali.
- Logo. - Alice concordou ansiosa. - Vou chamar os outros. Deve pedir para
Rosalie…?
- Sim, mantenha o bebê longe.
O quê? Não. Não! O que ele quis dizer, manter meu bebê longe? O que ele
estava pensando?
Meus dedos se debateram - a irritação transparecendo pela fachada perfeita. O
quarto ficou silencioso a não ser pelo martelar de meu coração enquanto, em
reposta, todos pararam de respirar por um segundo.
Uma mão apertou meus dedos instáveis. - Bella? Bella, amor?
Eu poderia respondê-lo sem gritar? Eu considerei isso por um momento, e
então o fogo passou ainda mais quente por meu peito, drenando de meus
cotovelos e joelhos. Melhor não arriscar.
- Eu vou trazê-los para cima. - Alice disse em um tom urgente, e eu escutei o
assobio do vento quando ela foi embora.
E então - ah!
Meu coração disparou, batendo como asas de um helicóptero, o som era quase
uma nota aguda solitária; parecia que ia escapar pelas minhas costelas. O fogo
incendiou o centro do meu peito, sugando os últimos indícios das chamas do
resto do meu corpo para dar combustível à brasa mais quente até então. A dor
era suficiente para me derrubar, para quebrar meu aperto de ferro que eu
sustentava. Minhas costas doeram, curvadas como se o fogo estivesse me
levantando pelo meu coração.
Eu não deixei nenhuma outra parte do meu corpo se levantar quando meu
tronco desmoronou na mesa.
Aquilo virou uma batalha dentro de mim - meu coração disparado contra o
ataque do fogo. Os dois estavam perdendo. O fogo estava condenado, tendo
consumido tudo que era inflamável; meu coração galopava em direção a seu
ultimo batimento.
O fogo reduziu, concentrando-se dentro do único órgão humano que restava,
com uma explosão final, insuportável. A explosão foi respondida com uma
pancada de som profundo e oco. Meu coração vacilou duas vezes, e então
bateu calmamente só mais uma vez.
Não houve som algum. Nem respiração. Nem mesmo a minha. Por um
momento, a ausência da dor foi tudo que eu pude compreender. E então eu
abri meus olhos e observei acima de mim, assombrada.

20. Novo [amanhecer]
**************************
Tudo estava tão claro.
Exato. Definido.
A luz brilhante que passava por minha cabeça, ainda cegava-me e, no entanto,
ainda podia ver claramente os fios brilhantes dos filamentos dentro da
lâmpada. Eu podia ver cada cor do arco-íris na luz branca, e na ponta do
espectro, uma oitava cor que eu não encontrava um nome para dar.
Por detrás da luz, eu podia distinguir acima os diferentes grãos da madeira
escura em seu limite máximo. Em frente a ela, eu podia ver os montes de
poeira no ar, a luz tocando os lados, e os lados escuros distintos e separados.
Eles estavam separados como pequenos planetas, ao movimentarem-se uns
aos outros, em uma dança celeste.
A poeira estava tão bonita que eu inalava-a em estado de choque; o ar
assobiava de maneira comum sobre minha garganta, agitando como um
turbilhão em pequenas partículas. Eu me sentia mal pela ação. Eu
consideravelmente percebi que não houve alívio ligado à ação. Eu não
precisava de ar. Meus pulmões não estavam esperando por ele. Eles reagiram
indiferentes ao afluxo.
Eu não precisava do ar, mas eu gostava dele. Nele, eu podia sentir a sala em
torno de mim - saboreando as adoráveis partículas de pó, a mistura de ar a
estagnação da mistura com o fluxo de ar mudou um pouco, se tornando mais
frio, quando a porta se abriu.
Eu experimentava um exuberante sopro de seda. Uma pitada de sabor fraco
algo quente e desejável, algo que devia ser úmido, mas não foi… Esse cheiro
deixou minha garganta queimando secamente, um fraco eco de queimar o
veneno, embora o perfume fosse contaminado pela picada de cloro e
amoníaco. E, acima de tudo, eu sentia uma quase-mel-lilás-e-sol que eram as
características do perfume que eram a coisa mais forte, a coisa mais próxima
para mim.
Ouvi o som dos outros, respirando novamente, agora eu pude sentir. As suas
respirações misturavam-se com o aroma que era apenas algo como mel e lilás
e sol, trazendo novos sabores.
Canela, Jacinto, Pêra, Água do Mar, Pão Mal Passado, Pinho, Baunilha,
Couro, Maçã, Musgo, Lavanda, Chocolate… Eu fazia uma dúzia de diferentes
comparações na minha mente, mas nenhum deles se enquadrava exatamente.
Portanto, doce e agradável.
A TV lá embaixo silenciou, e eu ouvi alguém - Rosalie? - movimentando o
seu peso para o primeiro andar.
Eu também ouvi um desmaio, com um ritmo declarado em voz alta, com uma
voz gritando irritada com uma batida. Música de Rap? Eu estava mistificada
por um momento, e em seguida o som murcho a distância como o de um carro
passando com as janelas abaixadas.
Com um estalo, eu percebi que podia ser exatamente isso. Eu poderia ouvir
todo o caminho pela estrada?
Eu não tinha percebido que tinha alguém segurando a minha mão até que, seja
quem fosse, começou a apertá-la suavemente. Esse não era um toque que eu
esperava. A pele estava perfeitamente macia, mas estava na temperatura
errada. Não estava fria.
Depois desse primeiro momento pega de surpresa, meu corpo respondeu
aquele toque não conhecido de uma maneira que me chocou mais ainda. O ar
saiu como um assobio pela minha garganta, passando pelos meus dentes
trincados em um som baixo, ameaçador como um enxame de abelhas. Antes
que o som saísse, meus músculos se dobraram e se arquearam de uma maneira
antes desconhecida. Eu virei num giro tão rápido que deveria ter tornado o
quarto em um borrão - mas não tornou. Vi cada partícula de pó, cada lasca nas
paredes de madeira, cada fio solto em detalhes microscópicos assim que meus
olhos passaram por eles.
Assim em que me encontrei agachada contra a parede de forma defensiva -
mais ou menos 1/16 de segundo depois - já tinha entendido o que me tinha
assustado, ao que eu tinha reagido.
Oh. É claro. Edward não aparentaria ser frio para mim. Nós éramos da mesma
temperatura agora.
Eu mantive a minha pose por mais 1/8 de segundo, ajustando a cena antes de
mim.
Edward inclinava-se através da mesa de operação onde estava a minha (pyre =
?), a sua mão estendida em direção a mim, a sua expressão ansiosa.
O rosto de Edward era a coisa mais importante, mas a minha visão periférica
catalogava tudo ao redor, por via das dúvidas. Algum instinto de defesa havia
sido despertado, e eu automaticamente procurava qualquer sinal de perigo.
Minha família vampira esperava cautelosamente contra a parede mais afastada
ao lado da porta, Emmett e Jasper na frente. Como se houvesse perigo. As
minhas narinas alargaram-se, procurando a ameaça. Eu não pude farejar nada
fora dali. O odor fraco de algo delicioso - mas estragado por produtos
químicos ásperos - fez cócegas na minha garganta novamente, ardendo e
doendo.
Alice estava espiando perto do braço de Jasper com um sorriso enorme no
rosto; a luz reluzia nos dentes dela, outro arco-íris de oito cores. Aquele
sorriso me trouxe segurança e eu pude me restabelecer. Jasper e Emmett
estavam na frente para proteger os outros, eu supus. O que eu não entendi de
imediato era que eu era o perigo.
Tudo isso era secundário. A maior parte de meus sentidos e minha mente
estava focada no rosto de Edward. Eu nunca tinha percebido isso antes desse
segundo. Quantas vezes eu não tinha encarado Edward e me maravilhado com
a sua beleza? Quantas horas - dias, semanas - da minha vida eu gastei, passei
sonhando com o que então eu considerava ser a perfeição? Eu achava que eu
conhecia melhor a sua face do que a minha própria. Eu achava que isso era a
única coisa física de que eu tinha certeza no mundo inteiro: a perfeição da face
de Edward.
Eu devia estar cega.
Pela primeira vez, com as sombras escurecidas e a fraqueza restritiva da
humanidade tirada os meus olhos, viram o seu rosto. Eu engasguei e lutei com
o meu vocabulário, incapaz de achar as palavras certas. Eu precisava de
palavras melhores.
Nesse ponto, a outra parte da minha atenção se certificou que não havia perigo
perto de mim, e eu automaticamente saí da minha posição agachada; quase um
segundo inteiro havia passado desde que eu tinha estado na mesa.
Eu estava momentaneamente preocupada pelo modo de como meu corpo
havia se movido. No momento em que eu considerei ficar de pé, eu já estava
ereta. Não havia nenhum breve fragmento de tempo no qual a ação ocorreu; a
mudança foi instantânea, quase como se não houvesse nenhum movimento em
absoluto.
Eu continuei a encarar a face de Edward, sem movimento de novo. Ele
lentamente passou ao redor da mesa - cada passo levando cerca de meio
segundo, cada passo fluindo de maneira sinuosa como a água do rio passando
pelas pedras - suas mãos ainda esticadas.
Eu assisti a graça do seu avanço, absorvendo cada movimento com meus
novos olhos.
“Bella?” ele perguntou em um baixo, calmo tom, mas a preocupação em sua
voz produziu meu nome com tensão.
Eu não podia perguntar imediatamente, perdida como eu estava nas pregas
aveludadas da sua voz. Isso era a mais perfeita sinfonia, sinfonia de um único
instrumento, um instrumento mais profundo do que qualquer um produzido
pelo homem…
“Bella, amor? Desculpe-me, eu sei que é desorientador. Mas você está bem.
Tudo está bem.”
Tudo? Minha mente se distanciou, voltando para minha última hora como
humana. Imediatamente, minha memória pareceu turva, como se eu estivesse
vendo através de um denso, escuro véu - porque meus olhos humanos tinham
estado parcialmente cegos. Tudo tinha estado tão nublado.
Quando ele disse que tudo estava bem, ele estava incluindo Renesmee? Onde
ela estava? Com Rosalie? Eu tentei me lembrar de sua face - eu sabia que ela
era linda - mas era irritante tentar ver através das memórias humanas. Sua face
estava coberta por trevas, tão pobremente clara…
E Jacob? Ele estava bem? Tinha o meu longo sofrimento feito com que meu
melhor amigo me odiasse? Tinha ele voltado para o bando de Sam? Seth e
Leah, também?
Os Cullen estavam a salvo, ou a minha transformação iniciou a guerra com o
bando? O apoio de Edward cobria tudo isso? Ou ele só estava tentando me
acalmar?
E Charlie? O que eu diria para ele agora? Ele deve ter ligado enquanto eu
estava queimando. O que eles disseram a ele? O que ele acha que aconteceu
comigo?
Enquanto eu deliberava por um pequeno pedaço de um segundo sobre qual
pergunta fazer primeiro, Edward estendeu sua mão e acariciou minha face
com a ponta de seus dedos. Liso como cetim, leve como uma pena, e agora
combinava exatamente com a temperatura da minha pele.
Seu toque pareceu varrer a superfície da minha pele, através dos ossos do meu
rosto. A sensação foi latejante, elétrica - sacudiu através de meus ossos, minha
espinha abaixo, e estremeceu em meu estômago.
Espere, eu pensei enquanto o estremecimento floresceu em um entusiasmo,
uma nostalgia. Não era suposto eu perder isso? Não estava desistindo desse
sentimento na barganha?
Eu era uma vampira recém-nascida. A dor seca e ardente em minha garganta
provava isso. E eu sabia o que ser uma recém-nascida implicava. Emoções e
desejos humanos voltariam para mim mais tarde, de alguma forma, mas eu
aceitei que eu não os sentiria no começo. Somente sede. Esse era o acordo, o
preço. Eu concordei em pagar isso.
Mas enquanto a mão de Edward corria pelo formato do meu rosto como aço
coberto de cetim, desejo corria pelas minhas veias secas, cantando desde o
meu couro cabeludo até os meus dedos dos pés.
Ele arqueou uma sobrancelha perfeita, esperando que eu falasse.
Eu atirei meus braços em volta dele.
De novo, era como se não houvesse movimento. Num momento eu permaneci
reta e imóvel como uma estátua; no mesmo instante, ele estava em meus
braços.
Quente - ou, pelo menos, essa foi a minha percepção. Com o doce, delicioso
cheiro que eu nunca fui capaz de realmente sentir com meus sensos humanos,
mas era cem por cento Edward. Eu pressionei meu rosto no seu peito liso. E
então, ele transferiu seu peso desconfortavelmente. Inclinando-se para longe
do meu abraço. Eu encarei seu rosto, confusa e assustada pela rejeição.
“Hum…cuidadosamente, Bella. Ai.”
Eu retirei meus braços, entrelaçando-os atrás das minhas costas assim que eu
entendi.
Eu era muito forte.
“Oops,” - eu murmurei.
Ele sorriu aquele tipo de sorriso que teria parado o meu coração se esse ainda
estivesse batendo.
“Não entre em pânico, amor,” - ele disse, levantando sua mão para tocar meus
lábios, separados em terror. - “Você só é um pouco mais forte do que eu, no
momento.”
Minhas sobrancelhas se juntaram. Eu sabia disso também, mas parecia mais
surreal do que qualquer outra parte desse momento surreal. Eu era mais forte
do que Edward. Eu o fiz dizer Ai.
Sua mão acariciou minha bochecha novamente, e eu esqueci minha aflição
enquanto outra onda de desejo passou pelo meu corpo sem movimento. Essas
emoções eram muito mais fortes do que eu estava acostumada, que foi difícil
seguir uma linha de pensamento apesar do espaço extra na minha cabeça.
Cada nova sensação me oprimia. Eu lembrei de Edward dizendo uma vez - sua
voz na minha cabeça era uma fraca sombra em comparação com o cristal,
claramente musical que eu escutava agora - de que a sua natureza, a nossa
espécie, era facilmente distraída. Eu podia perceber porquê.
Eu fiz um esforço para me concentrar num foco. Havia algo que eu precisava
dizer. Uma coisa mais importante.
Com muito cuidado, de modo que o movimento fosse cuidadosamente
discernível, na verdade, eu tirei meu braço direito de trás das minhas costas, e
levantei minha mão para tocar sua bochecha.. Eu me recusei a me distrair pela
cor perolada da minha mão cor ou pela boa seda da sua pele ou pelo
movimento da ponta dos meus dedos.
Eu encarei seus olhos, e ouvi a minha voz pela primeira vez.
“Eu te amo”, eu disse, mas soou como cantando. A minha voz tocou e cintilou
como um sino.
Seu sorriso deslumbrante respondeu-me mais do que nunca tinha visto quando
era humana; realmente eu podia vê-lo agora.
“Como eu te amo”, ele disse para mim.
Ele tomou meu rosto entre suas mãos e inclinou seu rosto sobre o meu - lento
o suficiente para lembrar a mim de ser cuidadosa. Ele me beijou, suave como
um murmúrio de início, e então de repente mais forte, feroz. Eu lutei para ser
gentil como ele, mas era um trabalho árduo para me lembrar de alguma coisa,
no ataque duro para manter a sensação de qualquer pensamento coerente. Foi
como se ele nunca tivesse me beijado - como se esse fosse o primeiro beijo. E,
na verdade, ele nunca havia me beijado desta forma antes. Ele quase fez com
que eu me sentisse culpada. Certamente eu estava violando o acordo. Não era
permitido ter isso, também.
Apesar de eu não precisar de oxigênio, minha respiração estava rápida,
passando tão rápido como quando eu estava queimando. Esse era um tipo
diferente de fogo. Alguém limpou sua garganta. Emmett. Eu reconheci o som
profundo, divertido e perturbado ao mesmo tempo.
Eu esqueci que nós não estávamos sozinhos. E então eu percebi que o jeito
que eu estava curvada perto de Edward não era exatamente educado para
companhia.
Envergonhada, eu me afastei em um movimento instantâneo.
Edward riu e foi para perto de mim, mantendo seus braços apertados na minha
cintura. Seu rosto estava brilhando - como uma chama branca queimada
através de sua pele de diamante. Eu respirei desnecessariamente para me
acalmar.
Como esse beijo era diferente! Eu li sua expressão como a comparação das
memórias indistintas de humana para essa clara, intensa sensação. Ele
pareceu…um pouco orgulhoso.
“Você tem me evitado.” Eu acusei em minha voz cantante, meus olhos se
estreitando um pouco.
Ele riu, radiante com o alívio que havia a nossa volta - o medo, as incertezas, a
espera, tudo isso agora estava deixado para trás.
“Foi meio que necessário na época.” Ele me lembrou. “Agora é sua vez de não
me quebrar” ele riu de novo.
Eu fiz uma careta, quando eu me dei conta que Edward não era o único rindo.
Carlisle caminhou em torno de Emmett e andou em direção à mim
rapidamente; seus olhos só estavam ligeiramente desconfiados, mas Jasper
acompanhou seus passos. Eu nunca havia visto o rosto de Carlisle antes
também, não exatamente. Eu senti um estranho impulso de piscar - como se eu
estivesse encarando o sol.
“Como você se sente, Bella?”, Carlisle perguntou.
Eu considerei isso por um segundo.
“Sobrecarregada. Tem tanta coisa…“, eu parei, escutando ao tom de sinos da
minha voz de novo.
“Sim, isso pode ser bem confuso”.
Eu balancei a cabeça de modo bobo, “Mas eu me sinto eu mesma. Eu meio
que não esperava isso”.
Os braços de Edward me apertaram despreocupadamente minha cintura. “Eu
te disse”, ele suspirou.
“Você está bem controlada”, Carlisle meditou. “Mais do que eu esperava,
mesmo com o tempo que você teve para se preparar mentalmente para isso.”
Eu pensei sobre as mudanças selvagens de humor, a dificuldade de
concentração e suspirei, “Não estou certa disso”.
Ele acenou seriamente, e então seus olhos de pedras preciosas brilharam de
interesse, “Parece que fizemos algo certo com a morfina dessa vez. Diga-me,
o que você lembra sobre o processo de transformação?”.
Eu hesitei intensamente ciente da respiração de Edward na minha bochecha,
enviando suspiros de eletricidade pela minha pele.
“Tudo era… muito escuro, antes. Eu me lembro que o bebê não podia
respirar…”
Eu olhei pra Edward, momentaneamente horrorizada com a memória.
“Reneesme está saudável e bem”, ele prometeu, um brilho que eu nunca vira
em seus olhos. Ele disse seu nome com um fervor abrandado. Reverência. Do
jeito que pessoas devotas falam sobre seus deuses. “O que você lembra depois
disso?”.
Eu me concentrei na minha cara-de-pau. Nunca fui uma grande mentirosa.
“Difícil me lembrar. Era tudo tão escuro. E aí… eu abri meus olhos e podia
ver tudo“.
“Impressionante”, Carlisle suspirou, seus olhos brilhantes.
Fui tomada pelo desgosto, e eu esperei o calor queimar nas minhas bochechas
e me denunciar. E aí eu lembrei que eu nunca coraria de novo. Talvez isso
protegesse Edward da verdade.
Eu teria que dar um jeito de avisar Carlisle, porém. Algum dia. Se ele tivesse
que criar outro vampiro. Essa possibilidade não me parecia razoável, o que me
fez sentir melhor sobre mentir.
“Eu quero que você pense - que me conte tudo o que lembra”, Carlisle
apressou excitado, e eu não pude evitar a careta que apareceu rapidamente no
meu rosto. Eu não queria ter que continuar mentindo, porque eu podia me
atrapalhar. E eu não queria pensar na queimação. Diferente das memórias
humanas, essa parte estava perfeitamente clara e eu descobri que conseguia
me lembrar com precisão demais.
“Oh, eu sinto tanto Bella”, Carlisle se desculpou imediatamente. “Claro que a
sua sede deve ser muito desconfortável - essa conversa pode esperar.”
Até que ele mencionou isso, a sede não era tão abrasadora. Havia tanto se
alojando em minha cabeça. Uma parte separada do meu cérebro estava se
mantendo atenta a queimação na minha garganta, como um reflexo. Do jeito
que meu antigo cérebro lidava com respirar e piscar.
Mas a suposição de Carlisle havia trazido a queimação para primeiro plano.
De repente, a dor seca era tudo em que eu podia pensar, e quanto mais eu
pensava nisso, mas doía. Minha mão se moveu pra tocar minha garganta como
se eu pudesse sufocar as chamas pelo lado de fora. A pele do meu pescoço
estava estranha sob meus dedos. Tanto que estava de alguma forma macia,
pensei que seria duro feito pedra.
Edward deixou seus braços caírem e pegou minha outra mão, puxando-a
gentilmente. “Vamos caçar, Bella.”
Meus olhos se abriram completamente e a dor que eu tinha de sede sumiu, do
choque de estar falando nisso aqui.
Eu? Caçar? Com Edward? Mas… como? Eu não tinha certeza do que fazer.
Ele leu o medo na minha expressão e sorriu tentando me encorajar. “É fácil,
amor. É apenas o instinto. Não se preocupe, eu vou lhe mostrar.” Quando eu
não me movi, ele deu um sorriso torto e levantou seus olhos dourados. “Eu
estava com a impressão que você sempre quis me ver caçar.”
Eu ri sem muito humor (ouvi os tocar dos sinos dentro da minha cabeça) as
suas palavras me lembraram nebulosamente das nossas conversas humanas. E
eu pensei por um segundo, em voltar rapidamente para meus primeiros dias
com Edward - a verdade era que eu queria voltar para a minha vida antiga - na
minha cabeça eu nunca poderia esquecer aquilo. Eu pensei que isso não fosse
algo ruim de lembrar, mas era como se tivesse tentando ver através da água
lamacenta. Eu sabia pela experiência de Rosalie que se eu pensasse em minhas
memórias humanas o bastante, eu poderia não perdê-las pelo tempo. Eu não
queria esquecer um minuto que eu gastei com Edward, principalmente agora
que a eternidade estendia-se bem em nossa frente. Eu desejei ter certeza que
minhas memórias humanas estariam plantadas dentro da minha infalível
mente de vampira.
“Vamos?” Edward perguntou. Ele chegava para pegar a mão que estava no
meu pescoço. Com seus dedos, alisou a minha coluna e depois minha
garganta. “Eu não quero que você se machuque,” ele adicionou com um
murmuro baixo. Coisa que eu não era capaz de ouvir antes.
“Estou bem,” Eu disse com o persistente hábito humano. “Espere. Primeiro.”
Havia tanta coisa. Que eu nunca obtive respostas às minhas perguntas. Havia
coisas mais importantes do que a dor da sede.
Foi Carlisle que falou agora. “Sim?”
“Eu quero vê-la. Renesmee.”
Foi curiosamente difícil de dizer o nome dela. Minha filha, estas palavras
eram ainda mais difíceis para pensar. Tudo parecia tão distante. Eu tentei
lembrar como me senti à três dias atrás, e automaticamente, minhas mãos
soltaram-se das de Edward, e caíram sobre meu estômago.
Plano. Vazio. Eu agarrava a seda que cobria a minha pálida pele, entrando em
pânico novamente, enquanto uma parte insignificante da minha mente notava
que Alice tinha me vestido.
Eu sabia que não havia mais nada dentro de mim, e eu tinha a perceptível
recordação da remoção, aquela cena sangrenta, mas a prova física ainda era
um difícil processo. Tudo o que eu sabia era amar aquela empurradorazinha
dentro de mim. Fora, ela parecia ser algo que eu devia ter imaginado. Um
sonho desbotado - um sonho que era meio pesadelo.
Enquanto eu enfrentava a minha confusão, eu vi Edward e Carlisle trocando
palavras rápidas.
“O que?” Eu exigi.
“Bella”, Edward disse tranqüilizado. “Isso não é realmente uma boa idéia. Ela
é meio humana, amor. Seu coração bate, o sangue corre em suas veias.
Enquanto sua sede não estiver sob controle… Você não vai querer colocar sua
filha em perigo, não é mesmo?”
Eu franzi uma das sobrancelhas. É claro que eu não queria.Eu estava fora de
controle? Confusa sim. Facilmente não focada, sim. Mas perigosa? Para ela?
Para a minha filha?
Eu não estava certa se aquela resposta seria não. Então eu teria de ser paciente.
Isso parecia difícil. Porque, até que eu a visse de novo, ela não seria real. Só
um sonho evaporando… de um estranho…
“Onde ela está?” eu me concentrei em escutar, e então pude ouvir o coração
batendo no andar debaixo. Eu podia ouvir mais que uma pessoa respirando -
silenciosamente, como se estivessem escutando também. Havia também um
som agitado, um barulho que eu não sabia o que era…
E o som do coração era tão úmido e atraente que minha boca começou a se
encher de água.
Então eu definitivamente teria que aprender a caçar antes de vê-la. Meu bebê
esquisito.
“Rosalie está com ela?”
“Sim.” Edward respondeu em um tom cortante, e eu podia ver que algo que
ele havia pensado o deixou chateado. Pensei que ele e Rose tinham superado
as diferenças. A hostilidade tinha voltado? Antes que eu pudesse perguntar,
ele afastou as mãos do meu estômago, puxando-as gentilmente para longe.
“Espere,” eu protestei outra vez, tentando me concentrar. “E o Jacob? Charlie?
Diga-me tudo o que eu perdi. Por quanto tempo eu fiquei… Inconsciente?”
Edward não pareceu notar minha hesitação na ultima palavra. Ao invés disso,
ele estava trocando outro olhar cauteloso com Carlisle.
“O que há de errado?” eu sussurrei.
“Nada está errado.” Carlisle me disse, enfatizando a ultima palavra de um jeito
estranho. “Na verdade, nada mudou muito - você ficou ausente só por pouco
mais de dois dias. Foi muito rápido, considerando como essas coisas
funcionam. Edward fez um trabalho excelente. Bem inovador - a injeção de
veneno direto no seu coração foi idéia dele.” Ele parou para sorrir orgulhoso
para seu filho. E então suspirou. “Jacob ainda está aqui, e Charlie ainda pensa
que você está doente. Ele acha que você está em Atlanta agora, fazendo
exames no CCD - Centro de Controle de Doenças. Nós demos a ele o número
errado, e ele está frustrado. Ele tem falado com Esme.”
“Eu devia ligar para ele…” eu murmurei para mim mesma, mas escutando a
minha própria voz, eu entendi as novas dificuldades. Ele não reconheceria
essa voz. Não o deixaria mais tranqüilo. E então a surpresa anterior me
invadiu.
“Espera aí - Jacob ainda está aqui?”
Outro olhar rápido entre os dois.
“Bella” Edward disse rapidamente. “Há muito que discutir, mas devíamos
cuidar de você primeiro. Você deve estar com dor…”
Quando ele apontou isso, eu me lembrei da queimação em minha garganta e
engoli convulsivamente. “Mas, Jacob-”
“Nós temos todo o tempo do mundo para explicações, amor.” ele me lembrou
gentilmente.
Claro. Eu podia esperar um pouco mais pela resposta; seria mais fácil escutar
quando a dor feroz da sede ardente não estivesse mais tirando a minha
concentração. “Certo.”
“Espera, espera, espera,” Alice cantou da porta. Ela dançou pelo quarto,
graciosa como em um sonho. Assim como Edward e Carlisle, eu fiquei
chocada quando realmente olhei para o rosto dela pela primeira vez. Tão
lindo. “Você prometeu que eu podia estar presente na primeira vez! E se vocês
dois passarem por alguma coisa que reflita?”
“Alice -” Edward protestou.
“Só vai levar um minuto!” E dito isso, Alice saltou para fora do quarto.
Edward suspirou.
“Do que ela está falando?”
Mas Alice já estava de volta, carregando o espelho chapeado de outro do
quarto de Rosalie, que tinha quase duas vezes a altura dela, e várias vezes a
largura.
Jasper tinha estado tão imóvel e silencioso que eu não o havia notado desde
que ele seguiu Carlisle. Agora ele se mexeu novamente, indo até Alice, seus
olhos absortos na minha expressão. Porque eu vi o perigo aqui.
Eu sabia que ele estaria sentindo a atmosfera ao meu redor também, então ele
deve ter sentido o baque de choque quando eu estudei o rosto dele, olhando de
perto pela primeira vez.
Pelos meus fracos olhos humanos, as cicatrizes deixadas por sua vida anterior
com os exércitos de recém-nascidos no sul eram quase invisíveis. Só com uma
luz forte para deixar suas formas definidas para eu poder saber da existência
delas.
Agora que eu podia ver, as cicatrizes eram as características dominantes de
Jasper. Era difícil tirar meus olhos de seu pescoço e queixo destruídos - difícil
de acreditar que mesmo um vampiro poderia ter sobrevivido a tantos ataques
de dentes rasgando sua garganta.
Instintivamente, eu me afastei para me proteger. Qualquer vampiro que visse
Jasper teria a mesma reação. As cicatrizes eram como um quadro de avisos.
Perigoso, elas gritavam. Quantos vampiros haviam tentado matar Jasper?
Centenas? Milhares? O mesmo número que tinha morrido na tentativa. Jasper
viu e sentiu minha avaliação, minha cautela, e sorriu ironicamente.
“Edward me passou um sermão por não ter feito você se olhar no espelho
antes do casamento.” Alice disse, tirando minha atenção de seu amor
ameaçador. “E eu não vou agüentar isso outra vez.”
“Sermão?” Edward perguntou a ela levantando levemente sua sobrancelha.
-”Talvez eu esteja exagerando as coisas…” Ela murmurou baixinho enquanto
virava o espelho à minha mira.
“E talvez isto tenha unicamente a ver com sua gratificação voyeur”. Ele
reagiu.
Alice piscou para ele.
Eu estava somente ciente dessa troca de olhares com uma parte pouca de
concentração. A maior parte estava direcionada ao espelho.
Minha primeira reação foi de um prazer impensável. A criatura alienígena no
vidro era incrivelmente linda, tão bela quanto Alice ou Esme. Fluía beleza
mesmo na calmaria. E sua face sem falhas era pálida como a lua contra as
sombras negras de seus cabelos. Seus membros eram fortes, sua pele cintilava
e iluminava como uma pérola.
Minha segunda reação era de horror.
Quem era ela? A primeira vista, eu não achava meu rosto de tão perplexo
diante das características que ela possuía.E seus olhos! Mesmo sabendo o que
me esperava. Seus olhos ainda me causavam terror.
Mesmo enquanto eu a estudava e reagia, o formato do seu rosto era perfeito.
Uma obra divina. Mostrando nada da agitação que acontecia dentro de mim.
E então seus lábios se moveram.
“Os olhos?” Eu sussurrei incapaz de dizer meus olhos. “Quanto tempo?”
“Eles vão se escurecer em alguns meses” Disse Edward, com uma voz
reconfortante. “Sangue animal se dilui mais rápido que uma dieta de sangue
humano. Vão se tornar primeiramente cor de âmbar e depois dourados.”
Meus olhos arderiam como chamas viciosas em meses?
“Meses?” Minha voz estava mais alta. No espelho, as sobrancelhas perfeitas
se levantaram incrivelmente sobre seus olhos brilhantes - mais brilhantes que
qualquer coisa já vista por mim.
Jasper deu um passo para trás, alerta diante de minha intensa e súbita
ansiedade. Ele sabia de jovens vampiros muito bem, esse passo para trás foi
um presságio que ele teve diante de minha situação?
Ninguém respondeu minha pergunta. Eu olhei em volta, para Edward e Alice.
Ambos seus olhos estavam desfocados - reagidos pelo desconforto de Jasper.
Prestando atenção e tentando prever o futuro imediato. Eu respirei fundo outra
vez, desnecessariamente.
“Não, estou bem”. Eu prometi a eles. Meus olhos se fitaram no estranho do
espelho. “É apenas…apenas… muito para acreditar…”
A testa de Jasper brilhou mostrando suas duas cicatrizes sobre seu olho
esquerdo.
“Eu não sei” Edward murmurou.
A mulher do espelho com sobrancelhas erguidas. “Que pergunta eu perdi?”
Edward sorrindo. “Jasper se pergunta como você faz isso”
“Faz o que?”
“Controla suas emoções, Bella” Jasper respondeu.
“Eu nunca vi um recém-nascido fazer isso, parar uma emoção daquele jeito.
Você estava chateada, mas quando se concentrou, você se dominou,
controlou-se a si mesmo. Eu estava preparado para ajudar, mas você não
precisou.”
“Isso é errado?” Eu perguntei. Meu corpo automaticamente congelou
enquanto eu esperava por seu veredicto.
“Não” ele respondeu-me, mas sua voz era insegura.
Edward afagou sua mão sobre meu braço como se tivesse me incentivando a
ficar calma. “É muito impressionante Bella, nós não podemos entender. Nós
não sabemos até onde se pode ir.”
Eu considerei por um fragmento momentâneo. Em que eu me tornaria um
monstro?
Eu não sentia a coisa vindo…Talvez não tivesse jeito de antecipar tal coisa.
“Mas o que você acha?” Alice perguntou impacientemente apontando para o
espelho.
“Eu não tenho certeza” Eu consenti, não querendo admitir o quão assustada eu
realmente estava. Eu fiquei diante da linda mulher com olhos que me
causavam terror procurando por pedaços de mim. Tinha alguma coisa ali nos
lábios dela - se você olhasse além da beleza estonteante, era verdade que seu
lábio superior era diferente demais do lábio inferior. Encontrar essa pequena
falha me fez me sentir um pouco melhor. Talvez o resto de mim estivesse lá,
também.
Eu levantei minha mão para testar e a mulher do espelho levantou copiando
meu movimento, tocando seu rosto também, seus olhos me observavam
atentamente.
Edward Suspirou.
Eu virei desviando o olhar dela para olhá-lo, levantando uma sobrancelha.
“Desapontado?” Eu perguntei, com uma voz impassiva.
Ele sorriu “Sim.” E admitiu.
Eu senti o choque contra a máscara que eu vestira, seguindo direto para a
ferida.
Alice reclamou. Jasper se inclinou novamente, esperando-me para agarrar.
Mas Edward ignorou-os e segurou seus braços fortemente em torno da minha
forma gélida recente, pressionando seus lábios em minha bochecha.
“Eu esperava que fosse capaz de ler a sua mente, agora que é mais parecida
com a minha,” ele murmurou. “E aqui estou eu, tão frustrado quanto sempre,
imaginando o que possivelmente estaria se passando dentro de sua cabeça”.
Eu me senti melhor dessa vez.
“Oh, bem,” eu disse levemente, aliviada que meus pensamentos ainda eram
meus. “Acho que meu cérebro nunca trabalhará direito. Pelo menos, eu sou
bonita.”
Ficava mais fácil brincar com ele quando eu me ajustei, pensar em linhas
retas. Ser eu mesma.
Edward rosnou em meu ouvido. “Bella, você nunca foi meramente bonita.”
Então, seu rosto virou do meu, e ele acenou com a cabeça. - “Tudo bem, tudo
bem.” ele disse para alguém.
“O quê?” eu perguntei.
“Você está deixando o Jasper mais nervoso a cada segundo. Ele talvez relaxe
um pouco quando você caçar.”
Eu olhei para a expressão preocupada de Jasper e concordei. Eu não queria
estourar aqui, se isso estava vindo. Melhor rodeada de árvores do que de
família.
“Tudo bem, vamos caçar.” eu concordei, uma vibração de nervos e
antecipação fez meu estômago tremer. Eu tirei os braços de Edward do meu
redor, mantendo uma de suas mãos, e virei as minhas costas para a estranha e
linda mulher no espelho.

21. A primeira caça [amanhecer]
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“A janela?” Eu perguntei, olhando dois andares para baixo.
Eu realmente nunca havia tido medo de altura, mas poder ver todos os
detalhes tão claramente fizeram a idéia de pular menos atraente. Os ângulos
das rochas em baixo eram mais agudos do que eu os teria imaginado. Edward
sorriu.
“É a saída mais conveniente. Se você está assustada, eu posso te carregar.”
“Nós temos toda a eternidade, e você está preocupado com o tempo que eu
levaria para caminhar até a porta?”
Ele fez uma careta. “Renesmee e Jacob estão lá embaixo…”
“Oh”
Certo. Eu era o monstro agora. Eu tinha que ficar longe de cheiros que
poderiam acordar o meu lado selvagem. Das pessoas que eu amava
principalmente. Mesmo daqueles que eu ainda não conhecia.
“E Renesmee… ok… com Jacob lá?” Eu sussurrei. Eu percebi atrasada que
tinha que ser o coração de Jacob que eu estava ouvindo lá em baixo. Eu ouvi
com atenção de novo, mas tudo que eu podia ouvir era um pulso constante.
“Ele não gosta muito dela.”
Os lábios de Edward se apertaram em uma linha fina. “Acredite, ela está
perfeitamente a salvo. Eu sei exatamente o que Jacob está pensando.”
“É claro,” Eu murmurei, e olhei pra baixo de novo.
“Com medo?” ele desafiou.
“Um pouco. Eu não sei como…”.
Eu estava bem consciente da minha família atrás de mim, observando
silenciosamente. Muito silenciosamente. Emmet já tinha rido por baixo da
respiração uma vez. Um erro, e ele estariam rolando no chão. E então as
piadas sobre o único vampiro desgracioso no mundo começariam.
E também, esse vestido - que Alice só podia ter vestido em mim enquanto eu
estava muito ocupada com a queimação para perceber - não era o que eu
escolheria nem para pular, e nem para caçar. Seda apertada azul clara? Para
que ela pensou que eu precisaria? Haveria uma festa de coquetel mais tarde?
“Observe-me,” Edward disse. E depois, bem casualmente, ele pisou para fora
da alta janela que estava aberta, e caiu.
Eu olhei cuidadosamente, analisando o ângulo em que seus joelhos haviam se
dobrado para amortecer o impacto. O som dele pousando foi muito baixo - um
golpe silenciado que poderia ter sido uma porta quietamente fechada, ou um
livro suavemente colocado em uma mesa.
Não parecia difícil.
Cerrando meu punho e me concentrando, eu tentei copiar seu passo casual no
ar.
Ha! Pareceu que o chão começou a se mover em minha direção tão devagar
que parecia que não tinha nada sob meus pés - que sapatos a Alice colocou em
mim? Stilettos? Ela deve ter perdido a cabeça - os meus sapatos bobos
estavam no lugar tanto que no pouso não estava nada diferente, quando dei
uma passada o movimento foi parando.
Eu estava absorvendo o impacto com as bolas que estavam em meus pés, nem
esperei para ir direto aos meus finos calcanhares. Meu pouso pareceu apenas
quieto para ele. Eu sorri de orelha a orelha.
“Certo. Fácil.”
Ele sorriu de volta. “Bella?”
“Sim?”
“Isso foi muito gracioso - mesmo para uma vampira”
Eu considerei por um momento, e depois sorri. Só foi ele dizer aquilo, que
Emmet deu uma gargalhada. Ninguém achou seu comentário engraçado, então
quer dizer que era verdade. Era a primeira vez que alguém se referiu a mim
com uma palavra como graciosa, em toda a minha vida..hum,bem, existência.
“Obrigada,” Eu disse para ele.
E depois eu tirei os sapatos prateados dos meus pés, e me voltei para eles até
abrir a porta. Pequena mas forte, talvez, eu tenha ouvido alguém pegar antes
de nós podermos causar danos na porta.
Alice resmungou, “O senso de moda dela não está melhorando muito o seu
equilíbrio”
Edward pegou minha mão - Eu não consegui parar de me maravilhar com o
contorno, a temperatura confortável de seu corpo - e se jogou entre o quintal
até a margem do rio. Eu queria facilmente ficar com ele.
Tudo parecia muito simples, fisicamente.
 “Será que teremos de nadar?” Perguntei a ele, quando paramos ao lado da
água.
“E molhar seu lindo vestido? Não. Nós iremos pulando.”
Eu franzi meus lábios, considerando. Daqui o rio tinha uns 50 km de largura.
“Você primeiro,” Eu disse.
Ele tocou minha bochecha, tomou dois passos para trás rápido e, em seguida,
correu de volta por essas duas partes, lançando-se de uma pedra plana
firmemente inserida nas margens. Eu estudei o flash do movimento tal como
ele se movia em formato de um arco sobre a água, finalmente ele deu um salto
mortal pouco antes dele desaparecer na espessura das árvores no outro lado do
rio.
“Apareça!” Eu resmunguei, e o ouvi fora do alcance dos meus olhos, rir.
Eu dei cinco passos para trás só por precaução, e respirei fundo.
De repente, eu estava ansiosa novamente. Não por conta da queda ou por ficar
machucada - eu estava mais preocupada com a floresta ficar machucada. Ela
tinha chegado devagar, mas eu podia a sentir agora - rude, a força maciça
emocionante em meus braços. Eu estava segura que se eu quisesse passar por
um túnel embaixo do rio, arranhar ou bater meu caminho diretamente pelo
leito de rocha, isso não me tomaria muito tempo. Os objetos à minha volta - as
árvores, os arbustos, as rochas… A casa - tudo tinha começado a ser analisado
como muito frágil.
Esperando muito que Esme não tivesse gostado de nenhuma arvore especifica
do outro lado do rio, dei o meu primeiro passo largo. E logo parei quando o
cetim apertado rasgou seis polegadas em cima da minha coxa. Alice!
Pois bem, Alice sempre pareceu que, ao se tratar de roupa, era como se fossem
descartáveis e que significava apenas para um tempo de uso, de modo que ela
não se importaria. Eu me curvei para cuidadosamente segurar a bainha da
costura sem danos entre meus dedos e, exercendo a menor pressão possível, eu
rasguei o vestido o abrindo até o topo de minha coxa. E então eu ajustei o
outro lado para combinar.
Muito melhor.
Eu conseguia ouvir a risada abafada na casa, e até o som de alguém rangendo
seus dentes. A risada veio do andar superior e debaixo, e eu facilmente
reconheci a grande diferença, áspero, da risada gutural do andar de baixo.
Então, Jacob também estava observando? Eu não conseguia imaginar o que
ele estava pensando agora, ou o que ele ainda estava fazendo aqui. Eu previra
nossa reunião - se ele pudesse algum dia me perdoar - tendo lugar longe no
futuro, quando eu estivesse mais estável, e o tempo tivesse curado os
ferimentos que eu infligi em seu coração.
Eu não me virei para olhar para ele agora, alerta do meu humor oscilando. Não
seria bom deixar nenhuma emoção tomar posse muito forte da minha mente.
Os receios do Jasper me deixavam à margem também. Eu tinha que caçar
antes que eu tratasse de qualquer outra coisa. Eu tentei esquecer todo o resto
para que pudesse me concentrar.
“Bella?” - Edward chamou da floresta, sua voz se movendo mais perto. -
“Você quer assistir de novo?”
Mas eu me lembrava de tudo perfeitamente, é claro, e eu não queria dar a
Emmet mais motivo para achar mais humor na minha educação. Isso era físico
- deveria ser instintivo. Então eu dei uma longa respirada e corri para o rio.
Desimpedida pela minha saia, levou somente um largo salto para alcançar a
margem do rio. Somente um octagésimo-quarto de um segundo, e ainda isso
era tempo suficiente - meus olhos e minha mente se moveram tão rápido que
apenas um passo era suficiente. Era simplesmente posicionar meu pé direito
contra a pedra plana e exercer a pressão adequada para enviar meu corpo
girando através do ar. Eu estava prestando mais atenção à pontaria do que à
força, e eu errei na quantidade de força necessária - mas, pelo menos, eu não
errei para o lado que me deixaria molhada. As cinqüenta jardas de largura era
uma distância demasiado fácil…
Eu era uma coisa estranha, inconstante, entusiasmada, mas uma coisa
pequena. Um segundo inteiro ainda tinha que passar e eu estava a caminho. Eu
esperava que as árvores próximas fossem um problema, mas elas eram
surpreendentemente um auxílio. Era apenas uma questão de ir mais longe com
uma mão certa, enquanto eu ia em direção a terra de novo, no interior da
floresta e pegava num conveniente galho; eu balancei suavemente nas pernas e
pousei em meus pés, ainda a quinze pés do solo, no galho largo de um abeto
de Sitka.
Isso foi fabuloso.
Acima do barulho de minha risada deliciada, eu podia ouvir Edward correndo
para me encontrar. Meu pulo havia sido duas vezes mais longo que o dele.
Quando ele alcançou minha árvore, seus olhos estavam largos. Eu saltei
agilmente do galho para o lado dele, o pouso sem som de novo, na esfera de
meus pés.
“Isso foi bom?” - eu perguntei, minha respiração acelerada com excitação.
“Muito bom.” - ele sorriu aprovando, mas seu tom casual não combinou com a
expressão surpresa em seus olhos.
“Podemos fazer isso de novo?”
“Foco, Bella - estamos numa viagem de caça.”
“Oh, certo.” - eu concordei. - “Caça.”
“Siga-me… se você conseguir.” - ele riu, sua expressão de repente
provocando, e começou a correr.
Ele era mais rápido do que eu. Eu não conseguia imaginar como ele movia
suas pernas com tanta velocidade cega, mas estava além de mim. No entanto,
eu era mais forte, e cada passo largo meu combinou com o comprimento de
três do seu. Então eu voei com ele pela teia verde viva, do seu lado, não
seguindo de forma alguma. Enquanto eu corria, eu não podia deixar de rir
calmamente daquela emoção; o riso não me atrasou ou atrapalhou meu foco.
Eu pude finalmente entender porque Edward nunca bateu nas arvores quando
corria - uma questão que sempre havia sido um mistério pra mim. Era uma
sensação peculiar, o balanço entre a velocidade e a claridade. Enquanto eu
avançava para cima, para baixo e através do grosso labirinto de jade em um
ritmo que reduzia tudo ao meu redor a um borrão verde, eu podia ver
plenamente cada pequena folha em cada pequeno galho de cada insignificante
arbusto que eu passava.
O vento da minha velocidade misturava meu cabelo e meu vestido rasgado
atrás de mim, e, embora eu soubesse que eu não podia, eu sentia calor contra a
minha pele. Assim como o chão áspero da floresta não podia ser sentido como
veludo nas solas dos meus pés descalços, e os calombos que raspavam contra
a minha pele não deviam parecer como penas que me acariciavam.
A floresta estava muito mais viva que eu algum dia soube - pequenas criaturas
cuja existência eu nunca havia adivinhado encontravam-se em abundancia nas
folhas ao meu redor. Todos eles cresceram silenciosamente depois que nós
passamos, sua respiração rápida devido ao medo. Os animais tinham uma
reação muito mais sábia ao nosso cheiro do que os humanos pareciam ter.
Certamente, tinha o efeito oposto em mim.
Eu continuava esperando me sentir sem fôlego, mas o fôlego veio sem
esforço. Eu esperei pela queimação começar nos meus músculos, mas minha
força apenas parecia crescer enquanto eu me acostumava com meu passo
largo. Os meus limites se estenderam, e logo ele estava tentando me
acompanhar. Eu ri novamente, exultante, quando eu o ouvir ficar para trás.
Meus pés nus tocavam o chão tão pouco agora que eu sentia que estava
voando ao invés de correndo.
“Bella” ele chamou secamente, sua voz igual, preguiçosa. Eu não podia ouvir
mais nada; ele havia parado.
Eu considerei brevemente continuar.
Mas, com um suspiro, eu girei e pulei ligeiramente para o seu lado, algumas
jardas atrás. Eu olhei para ele com expectativa. Ele estava sorrindo, com uma
sobrancelha erguida. Ele era tão bonito que eu só podia olhar.
“Você quer ficar no país?” ele perguntou, se divertindo. “Ou você está
planejando continuar até o Canadá esta tarde?”
“Aqui está ótimo”, eu concordei, me concentrando menos no que ele estava
dizendo e mais no jeito maravilhoso que seus lábios se mexiam quando ele
falava. Era difícil não ficar distraído com tudo novo em meus novos olhos. “O
que nós estamos caçando?”
“Alces. Eu pensei em algo mais fácil para a primeira vez…”. Ele baixou a voz
quando meus olhos se estreitaram na palavra fácil.
Mas eu não ia discutir; eu estava com muita sede. Assim que eu comecei a
pensar sobre a queimação seca na minha garganta, foi tudo em que eu
consegui pensar. Definitivamente ficando pior. Minha boca parecia como ás
quatro da tarde no mês de Junho no Vale da Morte.
 “Onde?” eu perguntei, procurando nas árvores impacientemente. Agora que eu
tinha dado atenção a minha sede, ela pareceu manchar cada outro pensamento
na minha cabeça, fugindo para pensamentos mais agradáveis como correr e os
lábios do Edward beijando os meus e a… Sede que queimava. Eu não podia
fugir daquilo.
“Pare quieta por um minuto,” ele disse, colocando suas mãos devagar no meu
ombro. A urgência da minha sede diminuiu momentaneamente com seu toque.
“Agora feixe os olhos,” ele murmurou.
Quando eu obedeci, ele ergueu as mãos e acariciou minha maçã do rosto. Eu
senti minha respiração ficando mais rápida e por um breve momento eu
esperei inutilmente corar.
“Ouça,” Edward instruiu. “O que você está ouvindo?”
Tudo, eu poderia ter dito; sua voz perfeita, sua respiração, seus lábios se
tocando enquanto ele falava o sussurro de pássaros que alisam os pais com o
bico no topo das árvores, as suas batidas do coração tremulando, o vento
soprando nas folhas, o clique fraco de formigas marchando enfileiradamente
ao lado da árvore mais próxima. Mas eu sabia que ele estava se referindo o
algo específico, então ignorei toda a variedade externa que eu ouvia, buscando
algo diferente do que o pequeno zumbido de vida que me cercava. Havia um
espaço aberto perto de nós - o vento tinha um som diferente quando cruzava a
grama - e um pequeno córrego, com uma cama rochosa. E lá, perto do barulho
da água, eu pude ouvir línguas dentro da água, junto ao barulhento estrondear
de corações pesados, bombeando as correntes grossas de sangue…
Eu senti como se minha garganta tivesse fechado bruscamente
“Pelos meus sentidos, ao noroeste?” Perguntei os meus olhos ainda fechados.
“Sim.” O seu tom era aprovador. “Agora… espere pela brisa novamente e… o
que você cheira?”
Quase só ele - o seu estranho perfume lilás-com-mel-ao-sol. Mas também o
rico cheiro de terra quente e musgo, a resina em todo o verde, o aroma quente,
quase abundante, dos pequenos roedores que se enfiavam embaixo das raízes
das árvores. E depois, procurando novamente, o cheiro da água, que foi
surpreendentemente desagradável apesar da minha sede. Foquei meu olfato
em direção à água e encontrei o cheiro que deveria ter ido embora com o
marulhar da água as batidas do coração. Outro cheiro quente rico e especial,
mais forte que os outros. E ainda tão repugnante quando o do riacho. Enruguei
o nariz.
Ele riu. “Eu sei - demora um tempo para se acostumar.”
“Três?” eu perguntei.
“Cinco. Tem mais dois nas árvores atrás deles.”
“O que eu faço agora?”
A voz dele fez com que parecesse que estava sorrindo. “O que você quer
fazer?”
Eu pensei nisso, meus olhos ainda fechados enquanto eu escutava e respirava
o cheiro. Outro acesso quente me invadiu, e de repente, o odor quente e
especial não era mais tão desagradável. Pelo menos haveria alguma coisa
quente e molhada na minha boca ressecada. Meus olhos se abriram.
“Não pense.” ele sugeriu, enquanto tirava as mãos do meu rosto de dava um
passo para trás. “Apenas siga seus instintos.”
Eu me deixei ser levada pelo cheiro, pouco consciente de meus movimentos
enquanto passava feito um fantasma para a clareira pequena onde a correnteza
escorria. Meu corpo se virou para frente automaticamente, curvando-se
quando eu hesitei na orla de árvores, perto das samambaias. Eu consegui ver
um macho grande, duas dúzias de chifres pontudos como uma coroa em sua
cabeça, na beira do riacho, e as sombras dos outros quatro, indo na direção
leste para a floresta num ritmo despreocupado.
Eu me concentrei no cheiro do macho, o ponto quente em seu pescoço felpudo
onde a pulsação era mais forte. Só uns 27 metros - dois ou três pulos - entre
nós. Eu me preparei para o primeiro ataque.
Mas quando meus músculos se flexionaram, o vento mudou, soprando mais
forte agora, e vindo do sul. Eu não parei pra pensar, saindo rapidamente das
árvores em um caminho perpendicular ao meu plano original, assustando o
alce para dentro da floresta, correndo atrás de uma nova fragrância tão atrativa
que não havia uma escolha. Era compulsivo.
O cheio me dominou completamente. Eu estava certa enquanto eu o seguia,
ciente apenas da sede e do cheiro que prometia aquietá-la. Então a sede ficou
pior, tão dolorosa agora que confundiu todos os meus outros sentidos e
começou a me lembrar do veneno queimando em minhas veias.
Só havia uma coisa que tinha uma chance de penetrar minha concentração
agora, um instinto mais poderoso, mais básico do que a necessidade de
extinguir o fogo - era o instinto de me proteger do perigo. Auto-preservação.
De repente eu estava alerta de que estava sendo seguida. O puxão do odor
irresistível se encontrou em conflito com o impulso de voltar e defender minha
presa. Um som de bolha cresceu no meu peito, meus lábios puxados para trás
expondo meus dentes em aviso. Meus pés perderam velocidade, a necessidade
de proteger as minhas costas lutando contra o desejo de extinguir minha sede.
E então eu pude ouvir meu perseguidor novamente, e o extinto de me defender
ganhou.
Quando eu girei, o som crescente rasgou seu caminho para fora da minha
garganta.
O rosnado feroz, vindo da minha própria boca, foi tão inesperado que me
trouxe de volta. Libertou-me, e eu clareei minha cabeça por um minuto - a
neblina trazida pela sede retrocedeu embora ela ainda queimasse. O vento
mudou, soprando o cheiro de terra molhada e chuva próxima no meu rosto. -
um cheiro tão delicioso que só poderia ser humano.
Edward hesitou alguns metros atrás, seus braços levantados como se ele fosse
me abraçar - ou me segurar. Seu rosto era atento e cauteloso enquanto eu
congelei, horrorizada.
Eu percebi que estava prestes a atacá-lo. Com um forte empurrão, eu sai da
minha posição de defesa. Eu segurei meu fôlego e me foquei, temendo o poder
da fragrância vinda do sul.
Ele podia ver a razão retornando para a minha face, e ele deu um passo na
minha direção, abaixando seus braços.
“Eu tenho que sair daqui,” eu falei através dos meus dentes, usando o fôlego
que eu tinha.
O choque atingiu seu rosto. “Você consegue ir embora?”
Eu não tinha tempo para perguntar a ele o que ele queria dizer com aquilo. Eu
sabia que a habilidade de pensar claramente iria durar apenas enquanto eu não
me permitisse pensar
Eu sai numa corrida novamente, uma corrida de curta distancia em direção ao
norte, me concentrando apenas no sentimento desconfortável de privação
sensorial que parecia ser a única resposta do meu corpo a falta de oxigênio.
Meu único objetivo era de correr para longe o bastante para que o cheiro atrás
de mim estivesse completamente perdido.
Impossível de ser encontrado, mesmo se eu mudasse de idéia… Mais uma vez,
eu estava ciente que estava sendo seguida, mas eu estava sã dessa vez. Eu lutei
contra o extinto de respirar - de usar os cheiros no ar pra ter certeza que era o
Edward. Eu não precisei lutar por muito tempo; embora estivesse correndo
mais rápido do que antes, rápida como um cometa através do caminho reto. Eu
poderia encontrá-lo nas arvores; Edward me alcançou apenas um minuto
depois.
Um novo pensamento me ocorreu, e eu parei morta, meus pés plantados. Eu
tinha certeza que eu estava segura aqui, mas eu seguirei minha respiração só
por precaução.
Edward me passou, surpreso com a minha parada repentina. Ele rodeou em
volta e estava no meu lado em um segundo. Ele colocou suas mãos no meu
ombro e encarou meus olhos, choque ainda era a emoção dominante em sua
face.
“Como você fez isso?” ele exigiu.
“Você me deixou vencer antes, não foi?” eu exigi de volta, ignorando sua
pergunta. E eu pensei que estava indo tão bem!
Quando eu abri minha boca, eu podia sentir o gosto do ar - não estava mais
poluído agora, com os rastros do perfume que atormentava minha sede. Eu
respirei cautelosamente.
Ele encolheu e balançou sua cabeça, recusando a se desviar.
 “Bella, como você fez?”
“Sair correndo? Eu segurei minha respiração.”
“Mas como você parou de caçar?”
“Quando você veio atrás de mim… eu sinto muito sobre aquilo.”
“Porque você está se desculpando comigo? Fui eu que fui horrivelmente
descuidado. Eu achei que ninguém iria estar tão longe das trilhas, mas eu
deveria ter checado primeiro. Um erro tão estúpido! Você não tem nada pelo
que se desculpar.”
“Mas eu rugi para você!” Eu ainda estava horrorizada de ter sido
psicologicamente capaz de tal blasfêmia.
“É claro que você rugiu pra mim. Aquilo foi apenas natural. Mas eu não
consigo entender como você fugiu.”
“O que mais eu podia fazer?” eu perguntei. Sua atitude me confundiu - o que
ele queria que tivesse acontecido? “Podia ter sido alguém!”
Ele me encarou, de repente explodindo em uma alta risada, jogando sua
cabeça pra trás e deixando o som do ecoar pelas arvores.
“Porque você está rindo de mim?”
Ele parou de uma vez, e eu podia ver que ele estava cuidadoso de novo.
Mantenha o controle, eu pensei comigo mesma. Eu tenho que cuidar do meu
temperamento. Como se eu fosse um lobisomem jovem ao invés de um
vampiro.
“Eu não estou rindo de você, Bella. Eu estou rindo porque estou chocado. E eu
estou chocado porque estou completamente espantado.”
“Por quê?”
“Você não deveria ser capaz de nada disso. Você não deveria ser tão…
racional. Você não deveria ser capaz de ficar aqui discutindo calma e
friamente comigo. E, muito mais do que isso, você não deveria ter sido capaz
de parar no meio de uma caça com o cheiro de sangue humano no ar. Mesmo
vampiros maduros têm dificuldade em fazer isso - sempre fomos muito
cuidadosos sobre onde caçamos para não nos colocarmos no caminho da
tentação. Bella, você está se comportando como se você tivesse décadas ao
invés de dias de idade.”

“Oh.” Mas eu sabia que ia ser difícil. É por isso que não baixei a guarda. Eu
estava esperando dificuldades.
Ele colocou suas mãos no meu rosto novamente, e seus olhos estavam
maravilhados.
“O que eu não daria pra ser capaz de ver dentro da sua mente por apenas esse
momento.”
Emoções tão poderosas. Eu havia estado me preparando para a parte da sede,
mas não para isso. Eu estava certa de que não seria capaz de ser a mesma
quando ele me tocasse. Bom, na verdade, eu não era a mesma coisa.
Era mais forte.
Eu estendi minhas mãos passando pelos traços de seu rosto; meus dedos
demorando em seus lábios.
“Eu pensei que não seria capaz de me sentir assim por um longo tempo?”
Minha incerteza fez das palavras uma pergunta.
“Mas eu ainda quero você.”
Ele piscou em choque.
“Como você consegue se concentrar nisso? Você não está incrivelmente
sedenta?”
Claro que eu estava agora, quando ele trouxe o assunto de volta! Eu tentei me
suprimir e suspirei, fechando meus olhos como antes, para me ajudar a me
concentrar. Eu deixei meus sentidos se espalharem ao redor de mim, tensa
dessa vez em caso de outro ataque do delicioso sentido proibido.
Edward soltou as mãos, sequer respirando enquanto eu escutava mais e mais
longe na teia de vida verde, procurando por algo entre as presenças e sons que
não fosse completamente repugnante para minha sede. Havia uma pista de
algo, uma fraca impressão para o leste…
Meus olhos se abriram muito rápido, mas o meu foco ainda estava afiado
quando eu me virei e me lancei na direção do leste. O chão se inclinou mais de
uma vez conforme eu corria em uma caçada, agachada, rente ao chão,
arrancando as arvores do caminho quando era mais fácil. Eu sentia mais que
ouvia Edward correndo do meu lado, correndo silenciosamente através dos
bosques, me deixando guiar.
A vegetação rareou e nós subimos mais ainda, e o som ficava mais alto,
crescendo poderoso, assim como a trilha que eu seguia - era um sentido
quente, mais afiado que o cheiro do alce e mais apelativo. Mais uns segundos
e eu podia ouvir o bater acolchoado de pés imensos, tão mais sutil que o
triturar de cascos. O som estava mais alto - mais nos galhos do que no chão.
Automaticamente eu disparei nos ramos também, ganhando a estratégica
posição mais alta, metade da altura de um alto e prateado abeto.
As batidas macias de patas continuavam furtivamente debaixo de mim agora;
a rica sensação estava muito perto. Meus olhos localizaram o movimento
ligado ao som e eu vi a pele marrom-amarelada do grande gato, escapando
pela longa ramificação de um abeto, um pouco mais abaixo e a esquerda do
meu posto. Ele era grande - quatro vezes a minha massa facilmente. Seus
olhos estavam fixos no chão embaixo; o gato caçava também. Eu captei o
cheiro de algo menor, brando perto do aroma da minha presa, acovardada
debaixo da árvore. A cauda do leão se balançava espasmodicamente enquanto
ele se preparava para saltar.
Com uma leve hesitação, eu planei pelo ar e aterrissei no galho dele. Ele
sentiu a madeira estremecer e se virou, rugindo surpreso e desafiador. Ele
acabou com o espaço entre nós, seus olhos brilhantes de fúria. Meio-louca de
sede como estava, eu ignorei as presas expostas e as unhas afiadas e me lancei
nele, jogando nós dois no chão da floresta.
Não foi bem uma luta.
Suas unhas arranhando podiam ter sido dedos carinhosos pelo impacto que
deixaram na minha pele. Seus dentes não tinham utilidade no meu ombro ou
na minha garganta. Seu peso não era nada. Meus dentes procuraram sem erro
sua garganta, e a resistência instintiva dele era quase pateticamente fraca
contra minha força. Minhas mandíbulas se fecharam precisamente sobre o
ponto onde o calor era maior.
Era fácil como morder manteiga. Meus dentes eram navalhas de aço, eles
cortaram a pele e a gordura e tendões como se eles não estivessem lá. O sabor
estava errado, mas o sangue era quente e úmido, e acabou com a áspera,
ardente sede enquanto eu bebia ávida. A luta do gato se tornou mais e mais
fraca e seus gritos sufocaram com um gorgolejo. O calor do sangue irradiou
em todas as partes do meu corpo, atingindo até mesmo a ponta dos meus
dedos das mãos e dos pés.
O leão estava acabado antes de eu estar. A sede cresceu de novo quando ele
ficou seco, e eu empurrei sua carcaça para longe do meu corpo com
repugnância. Como eu ainda poderia estar com sede depois disso?
Fiquei ereta em um movimento rápido. De pé, eu me dei conta que eu estava
meio bagunçada. Eu limpei o meu rosto com as costas do meu braço e tentei
arrumar o vestido. As garras que haviam sido tão ineficientes contra a minha
pele tinham tido mais sucesso com o cetim.
“Hmm,” Edward disse. Eu olhei para cima e o vi apoiado casualmente contra
o tronco de uma árvore, me olhando de forma pensativa.
“Eu acho que eu podia ter feito isso melhor.” Eu estava coberta de sujeira,
meu cabelo com nós, meu vestido manchado de sangue e pendurado em
farrapos. Edward não vinha pra casa de viagens de caça parecendo desse jeito
.
“Você foi perfeitamente bem,” ele me assegurou. “É só que… foi muito mais
difícil de assistir do que deveria ter sido.”
Eu levantei minhas sobrancelhas confusas.
“Vai contra o meu extinto”, ele explicou, “deixar você lutar com leões. Eu
estava tendo um ataque de ansiedade o tempo todo.”
“Bobo.”
“Eu sei. Velhos hábitos não morrem fácil. Eu gostei das melhorias do seu
vestido, no entanto.”
Se eu pudesse corar, eu teria. Eu mudei de assunto. “Porque eu ainda estou
com sede?”
“Porque você ainda é jovem.”
Eu suspirei. “E eu não suponha que tenha outro leão da montanha por perto.”
“Muitos veados, no entanto.”
Eu fiz uma cara. “Eles não cheiram tão bem.”
“Herbívoros. Os que comem carne cheiram mais como os humanos,” ele
explicou.
“Não tanto quanto os humanos,” eu discordei, tentando não me lembrar.
“Nós poderíamos voltar,” ele disse solenemente, mas havia um olhar
provocador.
“No entanto quem quer que esteja lá fora, se forem homens, eles
provavelmente não se importariam se for você que estiver matando eles.”
O olhar passando por meu vestido rasgado novamente. “Na verdade, eles
iriam pensar que eles já haviam morrido e ido para o céu no momento que eles
vissem você.”
Eu revirei meus olhos e inalei. “Vamos caçar uns herbívoros fedidos.”
Nós encontramos um grande rebanho de cervos quando corríamos de volta pra
casa. Ele caçou comigo dessa vez, agora que eu tinha pegado o jeito da coisa.
Eu abati uma grande quantidade fazendo quase tanta sujeira quanto tinha feito
com o leão. Ele tinha acabado com dois antes deu acabar com o primeiro, sem
nenhum cabelo franzido, nem uma mancha na sua camisa branca. Ele
perseguiu o assustado e espalhado rebanho, mas ao invés de se alimentar de
novo, dessa vez eu assisti cuidadosamente para ver como ele era capaz de
caçar tão limpo.
Todas as vezes que eu havia desejado que Edward não tivesse que me deixar
para trás quando ele caçava, eu havia estado secretamente um pouco aliviada.
Porque eu estava certa que ver isso iria me assustar. Horrorizar. Que vê-lo
caçar iria finalmente fazer com que ele parecesse um vampiro para mim. É
claro, isso era muito diferente dessa perspectiva, com eu sendo uma vampira.
Mas eu duvidei que mesmo meus olhos humanos perdessem a beleza aqui.
Era uma experiência surpreendentemente sensual ver Edward caçando. Seu
salto suave era sinuoso como o ataque de uma cobra; suas mãos eram tão
certeiras, tão fortes, tão completamente incapazes de deixar escapar; seus
lábios cheios eram perfeitos enquanto eles se abriam sob seus dentes
resplandecentes. Ele era glorioso. Eu senti um súbito choque de orgulho e
desejo. Ele era meu. Nada poderia me separar dele agora. Eu era forte o
suficiente para ser arrastada do seu lado.
Ele era muito rápido. Ele se virou para mim e encarou curiosamente a minha
expressão de desejo.
“Não está mais com sede?” ele perguntou.
Eu dei de ombros. “Você me distraiu. Você é tão melhor que eu.”
“Séculos de prática.” Ele sorriu. Seus olhos eram uma desconcertante sombra
amorosa com cor de mel agora.
“Só um” eu o corrigi.
Ele riu. “Você acabou por hoje? Ou quer continuar?”
“Acabei eu acho.” Eu me senti cheia, e meio enlameada, também. Eu não
tinha certeza de quanto mais líquido era necessário para me encher. Mas a
queimação de minha garganta estava sossegada, Então, de novo, eu tive
certeza de que a sede era uma parte sem saída dessa vida.
E de muita importância.
Eu me senti no controle. Talvez meu sentido de segurança fosse falso, mas eu
me senti bem em não matar ninguém hoje. Se eu podia resistir totalmente aos
humanos estranhos, eu não seria capaz de lidar com o lobisomem e com uma
criança meio-humana que eu amava?
“Eu quero ver Renesmee,” eu disse. Agora que a minha sede estava domada
(mas não perto de estar apagada), as minhas preocupações de mais cedo foram
dificilmente esquecidas. Eu quis conciliar que a estranha que era a minha filha
com a criatura que eu amava há três dias atrás. Isso era tão estranho, tão
errado não a tê-la em meus braços. Abruptamente, eu me senti vazia e
preocupada.
Ele ofereceu sua mão para mim. Eu a peguei, e sua pele pareceu mais quente
do que antes. Seu rosto estava levemente corado, as sombras debaixo de seus
olhos tinham sumido completamente.
Eu era incapaz de resistir a acariciar seu rosto de novo. E de novo.
Eu meio que tinha esquecido de que eu estava esperando uma resposta ao meu
pedido enquanto eu encarava seus olhos dourados cor-de-whisky. Isso era
quase tão difícil quanto tinha sido manter distância da essência de sangue
humano, mas eu de alguma forma mantinha firmemente em minha cabeça que
eu necessitava ser gentil enquanto eu me colocava na ponta dos pés, esticava
meus braços e os enrolava ao redor dele. Gentilmente.
Ele não hesitou em seus movimentos; seus braços se prenderam ao redor de
minha cintura e me puxou perto de seu corpo. Seus lábios se encontraram com
os meus, mas eles pareciam suaves. Meus lábios não mais se moldaram aos
seus; eles estavam se segurando.
Como antes, era como o toque de sua pele, seus lábios, suas mãos, se
afundavam diretamente pela minha superfície, pela minha pele dura e iam
direto para os meus novos ossos. Bem para o centro do meu corpo. Eu não
conseguia imaginar que eu seria capaz de amá-lo mais do que eu amava.
Minha antiga mente não era capaz de suportar todo esse amor. Meu coração
antigo não era forte o suficiente para agüentar isso.
Talvez essa era a parte de mim que se intensificou com a minha nova vida.
Como a compaixão de Carlisle e a devoção de Esme. Eu provavelmente nunca
seria capaz de fazer nada de interessante ou especial como Edward, Alice e
Jasper conseguiam fazer.
Talvez eu somente iria amar Edward mais do que qualquer pessoa na história
do mundo tenha amado outra pessoa.
Eu podia viver com isso.
Eu me lembrava de partes como essa - entrelaçando meus dedos em seu
cabelo, traçando a superfície de seu peito - mas as outras partes eram novas.
Ele era novo. Era uma experiência completamente nova com Edward me
beijando sem medo, tão fortemente. Eu respondia a sua intensidade, e então
subitamente nós estávamos caindo.
 “Oops,” eu disse, e ele riu debaixo de mim. “Eu não queria te atacar assim.
Você está bem?”
Ele acariciou o meu rosto; “Um pouco melhor do que bem.” E então uma
expressão perplexa através seu rosto. “Reneesme?” ele perguntou de maneira
incerta, tentando se certificar do que eu mais queria naquele momento. Uma
pergunta difícil de ser respondida, porque eu queria tantas coisas ao mesmo
tempo.
Eu podia dizer que ele não estava exatamente averso a adiar nosso retorno da
viagem, e era difícil de pensar muito sobre isso com a sua pele debaixo da
minha - não havia sobrado quase nada da minha roupa. Mas a minha memória
da Renesmee, antes e depois do nascimento, estava virando mais e mais como
um sonho. E isso não era bom. Todas as minhas memórias dela eram
memórias humanas, uma aura artificial sobre elas. Nada parecia real se eu não
tivesse visto com esses olhos, tocado com essas mãos.
Cada minuto, a realidade sobre aquela pequena estranha estava cada vez mais
distante.
“Renesmee,” eu concordei, lamentando, e me coloquei novamente em pé,
puxando ele comigo.

22. Prometidos [amanhecer]
********************************
Pensando em Renesmee me coloquei numa estranha posição, de novo, e
espaçosa, com a mente mais distraída. Tantas perguntas.
“Conte-me sobre ela,” eu insisti quando ele tomou a minha mão. Estar ligados
apenas nos abrandou.
“Ela é como nada mais no mundo,” ele me disse, e o som de uma devoção
quase religiosa estava lá mais uma vez em sua voz.
Eu senti certa inveja, ao logo dessa estranha conversa. Ele sabia dela, e eu não.
Não era justo.
“O quanto ela é igual a você? O quanto igual a mim? Ou como eu era? Assim
mesmo.”
“Parece mesmo uma divisão justa.”
“Ela tem o sangue quente”, eu lembrei.
“Sim. Ela tem um batimento cardíaco, embora ele possa ser executado um
pouco mais rápido do que o de um homem. Sua temperatura é um pouco mais
quente do que é habitual, também. Ela dorme”.
“Sério?”
“Muito bem para um bebê. Os únicos pais no mundo que não precisam
dormir, e a nossa filha já dorme durante a noite.” Ele riu.
Gostei da forma como ele disse nossa filha. As palavras soaram mais reais.
“Ela tem exatamente a cor dos seus olhos - então isso não se perdeu, depois de
tudo.” Ele sorriu para mim. “Eles são tão bonitos.”
“E as partes de vampiro?” Eu perguntei.
“Sua pele parece impenetrável como as nossas. Não que alguém tenha
sonhado testar.”
Eu pisquei para ele, um pouco chocada.
“Claro que ninguém iria”, ele garantiu-me novamente. “Sua dieta… bem, ela
prefere beber sangue. Carlisle continua a tentar convencê-la a beber alguma
coisa para bebês, também, mas ela não tem muita paciência com ele. Não
posso pedir que ela ache que fedem as coisas que cheira, mesmo para a
alimentação humana.”
Eu fiquei boquiaberta com ele agora. Ele fez soar como eles estivessem tendo
conversas.
“Persuadi-la?”
“Ela é inteligente, tão chocante, e avançou a um ritmo imenso. Embora ela não
fale - ainda - sua comunicação é bastante eficaz.”
“Embora. Não. Fala. Ainda”.
Ele diminuiu o ritmo, deixando que eu absorvesse isso.
“O que você quer dizer com ’se comunica de maneira eficaz’?” Eu exigi.
“Eu acho que será mais fácil para você… ver por si só. Isto é algo
peculiarmente difícil de descrever”.
Eu considerei aquilo. Eu sabia que havia muito para ver por si só antes de tudo
se realizasse. Eu não tinha certeza do quanto mais eu ainda agüentaria, então
mudei o assunto.
“Por que Jacob ainda está aqui?” Eu perguntei. “Como ele pode agüentar isto?
Porque ele deveria?” Minha voz tremulou um pouco. “Por que ele quer sofrer
mais?”
“Jacob não está sofrendo,” ele disse num novo e estranho tom de voz. “Apesar
de eu querer mudar esta condição.” Disse Edward entre dentes.
“Edward!” Eu disse sibilando, forçando-o a parar (e sentindo, com uma ponta
de presunção, que eu era capaz de fazê-lo). “Como você pode dizer isto?
Jacob desistiu de tudo para nos proteger! De tudo o que eu o fiz passar!”
Eu recuei diante das escuras memórias que me causavam culpa e vergonha.
Isto parecia estranho agora, que eu havia precisado tanto dele, desde então.
Aquele sentimento de ausência sem ele por perto havia desaparecido;
provavelmente fora uma fraqueza humana.
“Você vai ver exatamente como eu posso dizer isso,” Edward resmungou. “Eu
prometi a ele que o deixaria explicar, mas eu duvido que você veja de uma
forma muito diferente de como eu vejo. É claro, eu quase sempre estou errado
sobre o que você pensa, não é mesmo?” Ele apertou os lábios e me fitou.
“Explicar o que?”
Edward balançou a cabeça. “Eu prometi. Apesar de não saber se eu realmente
ainda devo qualquer coisa a ele…” Seus dentes se cerraram.
“Edward, eu não entendo.” Minha mente foi tomada pela indignação e pela
frustração.
Ele acariciou minha face e então sorriu gentilmente quando minha pele se
enrubesceu em resposta, o desejo momentaneamente sobrepujando a irritação.
“É mais difícil do que você faz parecer, eu sei. Eu me lembro.”
“Eu não gosto de me sentir confusa.”
“Eu sei. Então vamos para casa, para que você possa ver tudo por si mesma.”
Seus olhos percorreram o que sobrou do meu vestido enquanto ele falava
sobre ir para casa, então fez uma carranca.
“Hmm.”
Depois de pensar por menos de meio segundo, ele desabotoou sua camisa
branca e a segurou para que eu colocasse meus braços através das mangas.
“Muito ruim?”
Ele sorriu.
Eu deslizei meus braços nas suas mangas e então abotoei a camisa
rapidamente por cima do corpete esfarrapado. É claro que ele ficou sem
camisa e foi impossível não me distrair com aquilo.
“Vou ganhar de você na corrida,” eu disse e então adverti “sem desistir do
jogo desta vez!”.
Ele largou minha mão e sorriu. “Prepare-se…”
Achar o caminho para a minha nova casa foi mais simples do que descer a rua
de Charlie até o meu antigo lar. Nosso cheiro deixava uma trilha limpa e fácil
de seguir, mesmo correndo o mais rápido que eu podia.
Edward me perseguiu até chegarmos ao rio. Eu aproveitei a chance e abri
distância, tentando usar minha força extra para ganhar.
“Ha!”
Eu disse exultante, quando ouvi meus pés tocarem a grama antes dele.
Esperando pela sua chegada eu ouvi algo que eu não esperava. Um som alto e
perto demais. Um coração disparado.
Edward estava ao meu lado no mesmo segundo, suas mãos bateram dos lados
dos meus braços.
“Não respire,” ele me alertou urgentemente.
Eu tentei não entrar em pânico enquanto eu congelei minha respiração pela
metade. Meus olhos eram as únicas coisas que se moviam, girando
instintivamente para encontrar a origem do som.
Jacob ficou na linha onde a floresta tocava o gramado dos Cullens, seus braços
cruzados sobre seu peito, sua mandíbula trincou fortemente. Invisível na
floresta atrás dele, eu ouvi agora dois corações maiores, o fraco barulho de
gigantes patas.
“Com cuidado, Jacob,” Edward disse. Uma briga na floresta ecoou a
preocupação em sua voz. “Talvez essa não seja a melhor forma-”
“Você acha que seria melhor deixar ela perto do bebê primeiro?” Jacob
interrompeu. “É mais seguro ver como Bella fará comigo. Eu me curo mais
rapidamente.”
Isso era um teste? Para ver se eu não mataria Jacob antes de eu tentar não
matar Renesmee? Eu me senti mal da maneira mais estranha - não tinha nada a
ver com meu estômago, era apenas na minha cabeça. Essa idéia era de
Edward?
Eu fitei seu rosto ansiosamente; Edward pareceu deliberar por um momento, e
então sua expressão mudou de preocupação para alguma coisa a mais. Ele
encolheu os ombros e depois havia uma hostilidade oculta em sua voz quando
ele disse,
“É o seu pescoço, eu acho”.
O rosnado que vinha da floresta estava furioso agora; Leah, eu não tinha
duvidas.
O que havia com Edward? Depois de tudo que passamos, ele não deveria
sentir algum carinho pelo meu melhor amigo? Eu pensei - talvez fosse tolice -
que Edward era algum tipo de amigo de Jacob agora, também. Eu devo ter me
enganado.
Mas o que Jacob estava fazendo? Por que ele se ofereceria de teste para
proteger Renesmee?
Isso não fazia sentido algum para mim. Mesmo se nossa amizade tivesse
sobrevivido…
E quando meus olhos encontraram os de Jacob, eu pensei que talvez ela
tivesse sobrevivido. Ele ainda parecia meu melhor amigo. Mas não era ele
quem tinha mudado. Como ele me via agora?
Então ele sorriu seu sorriso tão familiar, o sorriso de um parente, e eu tive
certeza de que nossa amizade estava intacta. Foi simplesmente como tudo foi
antes, quando nós ficávamos em sua pequena garagem, apenas dois amigos
matando tempo. Fácil e normal. Novamente, eu notei que a estranha
necessidade que eu sentia dele antes de eu mudar se fora. Ele era apenas meu
amigo, como isso deveria ser.
Embora ainda não fizesse sentido o que ele estava fazendo agora. Ele era
realmente tão privado de egoísmo que tentaria me proteger - com sua própria
vida - de fazer algo em um incontrolável segundo que eu me arrependeria para
sempre? Isso ia além de simplesmente tolerar o que eu havia me tornado ou,
milagrosamente, tentando continuar a ser meu amigo. Jacob era uma das
melhores pessoas que eu conhecia, mas isso era difícil de aceitar para qualquer
um.
Seu sorriso se abriu, e ele encolheu os ombros devagar. “Eu preciso dizer isso,
Bells. Você está esquisita.”
Eu sorri de volta, caindo facilmente na antiga familiaridade. Esse era um lado
dele que eu entendia.
Edward rosnou. “Preste atenção, mestiço.”
O vento soprou de trás de mim e eu rapidamente enchi meus pulmões com o
ar seguro, e aí eu podia falar. “Não, ele está certo. Os olhos são realmente
alguma coisa, não?”.
“Muito sinistro. Mas não tão ruim quanto eu achei que seria.”
“Nossa - obrigada por esse incrível elogio!”
Ele revirou os olhos. “Você sabe o que eu quero dizer. Você ainda parece você
- mais ou menos. Acho que não é tanto como você se parece… você é a Bella.
Eu não achei que me sentiria como se você ainda estivesse aqui.” Ele sorriu
para mim de novo, sem um traço de amargura ou ressentimento em lugar
nenhum de sua face. Então ele riu e disse, “de qualquer modo, acho que logo
me acostumarei com esses olhos.”
“Você vai?”, perguntei confusa. Era maravilhoso que ainda fossemos amigos,
mas não estávamos exatamente passando muito tempo juntos.
O olhar mais estranho possível passou pela sua face, apagando o sorriso. Era
quase… Culpado? Então seus olhos se moveram para Edward.
“Obrigado”, ele disse. “Eu não tinha muita certeza se você ia conseguir
esconder isso dela, prometendo ou não. Usualmente, você só da a ela o que ela
quer.”
“Talvez eu esteja esperando que ela se irrite e arranque seu coração”, Edward
sugeriu.
Jacob bufou.
“O que está havendo? Vocês dois estão mantendo segredos de mim?”,
demandei incrédula.
“Eu explico depois.” Jacob disse meio conscientemente - como se ele não
estivesse realmente planejando explicar. Então ele mudou de assunto.
“Primeiro, vamos tirar esse show da estrada”. Rir era um desafio agora,
enquanto ele lentamente começava a se mover.
Houve um lamento de protesto atrás dele e então o corpo cinza de Leah saiu
das árvores atrás dele, Seth, mais alto e cor de areia estava bem atrás dela
“Tá legal, garotos!” Jacob disse “Fique fora disso”
Eu fique feliz que os outros não deram ouvidos a ele, mas apenas o seguiram
um pouco mais devagar.
O vento estava parado agora; não ia mandar o cheiro dele para longe de mim.
Ele chegou perto o bastante pra que eu pudesse sentir o calor do seu corpo no
ar entre nós. Minha garganta queimou em resposta.
“Vamos lá, Bella. Faça o seu pior.”
Leah assobiou.
Eu não queria respirar. Não era certo tirar uma vantagem tão perigosa de
Jacob, não importava se era ele quem estava oferecendo. Mas eu não podia
escapar da lógica. De que outro modo eu poderia garantir que não ia machucar
a Reneesme?
“Eu estou ficando velho aqui, Bella”, Jacob zombou. “Certo, tecnicamente não
estou, mas você pegou a idéia. Vamos lá, respire.”
“Segure-me”, eu falei para Edward, me contraindo involuntariamente contra
seu peito.
Suas mãos envolveram meus braços.
Eu travei os meus músculos, esperando poder mantê-los parados. Eu resolvi
que me sairia tão bem quanto me saíra na caçada, ao menos. No pior caso, eu
pararia de respirar e correria. Nervosa, eu puxei um pouco de ar pelo meu
nariz, segura por alguma coisa.
Doeu um pouquinho, mas minha garganta já estava queimando de qualquer
modo. Jacob não cheirava muito mais como humano do que aquele leão da
montanha. Havia uma margem de algo animal em seu sangue que
instantaneamente repelia. Apesar do alto, úmido som de seu coração. Apesar
do barulho, o som molhado do seu coração era atraente, o cheiro que vinha
com ele fez meu nariz enrugar. Era realmente mais fácil com o cheiro para
induzir minha reação com o som e o calor do seu sangue pulsante. Eu respirei
novamente e relaxei.
“Huh, eu posso ver sobre o que todos falavam. Você fede, Jacob.”
Edward riu; suas mãos saíram dos meus ombros para se embrulhar em torno
de minha cintura. Seth ladrou uma baixa gargalhada em harmonia com
Edward; ele se aproximou um pouco enquanto Leah retrocedeu vários passos.
E então eu estava consciente de outra audiência quando eu ouvi a baixa,
distinta gargalhada de Emmett, um pouco abafada pela parede de vidro entre
nós.
“Olha quem está falando,” Jacob disse, teatralmente tampando seu nariz.
Sua face não se contraiu em nada enquanto Edward me abraçava, nem mesmo
quando Edward se compôs e cochichou “Eu te amo” em meu ouvido.
Jacob apenas continuava sorrindo. Aquilo me fez ficar esperançosa de que as
coisas iriam ficar bem entre nós agora, da forma que elas não tinham sido por
um bom tempo. Talvez agora eu pudesse ser verdadeiramente sua amiga, já
que eu o tinha desgastado muito fisicamente a ponto dele não poder me amar
da mesma forma que antes. Talvez isso fosse tudo o que era necessário.
“Ok, então eu fui aprovada, certo?” Eu disse. “Agora você vai me contar o que
é esse grande segredo?”
A expressão de Jacob se tornou bastante nervosa. “Não é nada com que você
precise se preocupar nesse instante…”.
Eu ouvi a risada de Emmett novamente - um som de antecipação.
Eu poderia insistir em minha questão, mas assim como eu ouvi Emmett, eu
ouvi outros sons, também. Sete pessoas respirando. Um grupo de pulmões se
movendo mais rapidamente que os outros. Apenas um coração vibrando como
as asas de um pássaro, leve e rápido.
Eu estava totalmente divertida. Minha filha estava apenas do outro lado
daquela fina parede de vidro. Eu não podia vê-la - a luz saltava pelas janelas
reflexivas como um espelho. Eu só podia ver a mim mesma, parecendo muito
estranha - muito branca e imóvel - comparada a Jacob. Ou, comparada a
Edward, olhando com exatidão.
“Renesmee,” eu sussurrei. O estresse me fez uma estátua novamente.
Renesmee não ia cheirar como um animal. Eu a colocaria em perigo?
“Venha e veja,” Edward murmurou. “Eu sei que você pode lidar com isso.”
“Você me ajudará?” eu sussurrei através dos meus lábios parados.
“Claro que irei.”
“E Emmett e Jasper - apenas para o caso..”
“Nós vamos cuidar de você, Bella. Não se preocupe, nós estaremos prontos.
Nenhum de nós colocaria Renesmee em risco. Eu acho que você se
surpreenderá com a forma como ela já nos embrulha totalmente em volta de
seus pequenos dedos. Ela estará em perfeita segurança, não há problema.”
Minha vontade de vê-la, de entender a adoração na voz dele, quebrou minha
postura congelada. Eu dei um passo adiante.
E então Jacob estava em meu caminho, sua expressão mesclada com
preocupação.
“Você tem certeza, bebedor de sangue?” Ele reivindicou a Edward, sua voz
quase ordenando. Eu nunca tinha o ouvido falar com Edward daquela forma.
“Eu não gosto disso, talvez ela devesse esperar -”
“Você teve seu teste, Jacob.”
O teste era de Jacob?
“Mas -” Jacob começou.
“Mas nada,” Edward disse repentinamente exaltado. “Bella precisa ver nossa
filha. Saia de seu caminho.”
Jacob disparou em mim um estranho, frenético olhar e então se virou e quase
entrou na casa em nossa frente.
Edward rosnou.
Eu não conseguia ver sentido no confronto deles, e não conseguia me
concentrar nisso também. Eu só consegui pensar na criança embaçada na
minha memória e lutar contra a nebulosidade, tentando lembra exatamente de
seu rosto.
“Podemos?” - Edward disse, sua voz gentil de novo.
Eu acenei nervosamente.
Ele pegou minha mão com força na dele e conduziu o caminho através da
casa.
Eles esperavam por mim numa linha sorridente que era tanto saudosa quanto
defensiva. Rosalie estava vários passos atrás do resto deles, perto da porta da
frente. Ela estava sozinha até que Jacob se juntou a ela e então parou em sua
frente, mais perto do que era normal. Não havia nenhum sentido de conforto
nessa proximidade; ambos pareceram contrair os músculos pela proximidade.
Alguém bem pequeno estava se inclinando para fora dos braços de Rosalie,
espreitando por Jacob. Imediatamente, ela teve minha atenção absoluta, cada
pensamento meu, de um jeito que nada mais teve desde o momento que eu
abri meus olhos.
“Eu estive fora apenas por dois dias?” - eu arfei, sem acreditar.
A estranha criança nos braços de Rosalie deveria ter semanas, não meses, de
idade. Ela talvez estivesse o dobro do tamanho do bebê em minhas turvas
memórias, e ela parecia suportar seu próprio torso facilmente enquanto ela se
esticava na minha direção. Seu reluzente cabelo bronze caia em cachos pelos
seus ombros. Seus olhos cor de chocolate me examinaram com um interesse
que não parecia como o de outras crianças; era adulto, ciente e inteligente. Ela
esticou uma mão, na minha direção por um momento, e então se voltou para
tocar a garganta de Rosalie.
Em seu rosto não havia surpresa em sua beleza e perfeição. Eu não acreditava
que era a mesma criança. A minha criança.
Mas Edward estava lá em seus traços, e eu estava lá na cor de seus olhos e
bochechas. Até Charlie tinha lugar em seus densos cachos, apesar da cor
combinar com a de Edward. Ela deveria ser nossa. Impossível, mas ainda
verdade.
Ver esta pequena pessoa imprevista não a fazia mais real, de qualquer forma.
Apenas a fazia mais fantástica.
Rosalie pressionou sua mão no pescoço dela e murmurou. - “Sim, é ela.”.
Os olhos de Reenesme permaneceram fixos em mim. Então, como havia feito
apenas alguns segundos após seu nascimento violento, ela sorriu para mim.
Um brilhante relampejo de pequenos, perfeitos dentes brancos.
Vacilando por dentro, eu dei um passo hesitante em direção a ela.
Todos se moveram rápido demais.
Emmet e Jasper estavam exatamente na minha frente, ombro a ombro, mãos
prontas. Edward me segurou por trás, dedos apertados de novo no topo dos
meus braços. Até Carlisle e Esme se moveram ladeando Emmet e Jasper,
enquanto Rosalie se apoiava na porta, seus braços agarrando com força
Reenesme. Jacob se moveu também, mantendo sua postura protetora na frente
delas.
Alice foi a única que se manteve no lugar.
“Oh, dêem a ela algum crédito,” - ela os reprovou. - “Ela não irá fazer nada.
Você também gostaria de uma olhada melhor.”
Alice estava certa. Eu estava sob meu controle. Eu havia sido rodeada por
nada - por um perfume impossivelmente insistente como o cheiro humano na
floresta. A tentação aqui não era nada comparada. A fragrância de Renesmee
era perfeitamente balançada entre o mais belo dos perfumes e a essência da
comida mais deliciosa. Havia fragrância doce de vampiros suficiente para
impedir que a do humano tomasse conta de mim.
Eu podia lidar com isso. Tinha certeza.
“Estou bem.” eu prometi, dando uma tapinha na mão de Edward que estava no
meu braço. Então eu hesitei e acrescentei “Fique perto, só para garantir.”
Os olhos de Jasper estavam apertados, concentrados. Eu sabia que ele estava
absorvendo minhas emoções, e trabalhei para ficar calma. Eu senti Edward
liberar meus braços quando ele leu a avaliação de Jasper. Mas, embora Jasper
quem estivesse percebendo primeiro a coisa toda, ele não parecia tão certo.
Quando ela escutou minha voz, a criança que era muito perceptiva se mexeu
nos braços de Rosalie, tentando me alcançar. De algum jeito, a expressão dela
conseguiu ser impaciente.
“Jazz, Em, deixem-nos passar. A Bella consegue se controlar.”
“Edward, o risco…” Jasper disse.
“É mínimo. Escute, Jasper - na caçada ela sentiu o cheiro de alguns andarilhos
que estavam no lugar errado e na hora errada…”
Eu escutei Carlisle sugar o ar em choque. O rosto de Esme repentinamente
cheio de preocupação misturada com compaixão. Os olhos de Jasper se
arregalaram, mas ele acenou ligeiramente, como se as palavras de Edward
tivessem respondido alguma pergunta em sua cabeça. Emmett sacudiu os
ombros. Rosalie pareceu ainda menos preocupada que Emmett enquanto ela
tentava segurar a criança que se debatia em seus braços.
A expressão de Alice me disse que ela não foi enganada. Seus olhos se
estreitaram, focalizados com uma intensidade ardente em minha camiseta
emprestada, mais preocupada com o que eu tinha feito com a roupa do que
com qualquer outra coisa.
“Edward!” Carlisle censurou. “Como pôde ser tão irresponsável?”
“Eu sei, Carlisle, eu sei. Fui muito burro. Devia ter esperado para me certificar
que estávamos em uma zona segura antes que a libertasse.”
“Edward” eu murmurei, envergonhada pelo jeito que eles me encararam. Era
como se estivessem tentando ver um vermelho vívido em meus olhos.
“Ele está absolutamente certo em me repreender, Bella.” Edward disse com
um riso de escárnio. “Eu cometi um grande erro. O fato de que você é mais
forte do que qualquer outra pessoa que eu já conheci não muda isso.”
Alice revirou os olhos. “Piada de bom gosto, Edward.”
“Não estava fazendo piada. Eu estava explicando para o Jasper porque eu sei
que a Bella pode lidar com isso. Não é culpa minha se todos tiraram
conclusões precipitadas.”
“Espere” Jasper arquejou. “Ela não caçou os humanos?”
“Ela começou” Edward disse claramente se divertindo. Cerrei os dentes. “Ela
estava completamente centrada na caçada.”
“O que aconteceu?” Carlisle interrompeu. Seus olhos ficaram brilhantes de
repente, um sorriso impressionado começando a se formar em seu rosto.
Lembrou-me de antes, quando ele quis saber detalhes da experiência de minha
transformação. A agitação por informação nova.
Edward se inclinou na direção dele, animado. “Ela me escutou atrás dela e
reagiu defensivamente. Assim que minha perseguição quebrou a concentração
dela, ela saiu do transe. Nunca vi nada se igualar a ela. Ela percebeu na hora o
que estava acontecendo, e então… Ela prendeu a respiração e correu para
longe.”
“Nossa” Emmett murmurou. “Isso é sério?”
“Ele não está contando direito,” eu murmurei mais envergonhada do que
antes. “Ele omitiu a parte em que eu rosnei para ele”.
“Você deu uma boa sova nele?” Emmett perguntou avidamente.
“Não! Claro que não”.
“Não, não mesmo? Você realmente não o atacou?”
“Emmett!” Eu protestei.
“Aw, que desperdício,” Emmett gemeu. “E você provavelmente é a única
pessoa aqui que poderia pegar ele - visto que ele não pode ler sua mente para
trapacear - e você teve uma desculpa perfeita, também”. Ele suspirou. “Eu
tenho “morrido” para ver o ele faria sem essa vantagem”.
Lancei friamente um olhar furioso para ele. “Eu nunca vou.”
A carranca de Jasper chamou minha atenção; ele parecia mais perturbado do
que antes.
Edward encostou ligeiramente o punho dele no ombro de Jasper em um falso
soco. “Você vê o que eu quero dizer?”
“Não é natural,” Jasper murmurou.
“Ela poderia ter se virado contra você - ela é só horas mais velha!” Esme
ralhou, pondo a mão dela contra o seu coração. “Oh, nós deveríamos ter ido
com você.”
Eu não estava prestando tanta atenção, agora que a piada de Edward perdeu a
graça. Eu estava olhando a criança deslumbrante que estava perto da porta,
que ainda me encarava. As pequenas mãos dela estendidas para mim como se
ela soubesse exatamente quem eu era.
“Edward,” eu disse, andando em volta de Jasper para a ver melhor. “Por
favor?”
Os dentes de Jasper estavam travados; ele não se moveu.
“Jazz, isto não é nada que você já não viu antes.” Alice disse quietamente.
“Confie em mim”.
Os olhos deles se encontraram durante um segundo, e então Jasper acenou
com a cabeça. Ele se moveu comigo enquanto eu caminhava lentamente. Eu
pensei em cada passo antes de continuar, analisando meu humor, a
queimadura em minha garganta, a posição dos outros ao redor de mim. Quão
forte eu me sentia contra como eles poderiam me conter. Era uma procissão
lenta.
E então a criança nos braços de Rosalie, lutando e estendendo a mão esse
tempo todo, a expressão dela ficando mais e mais irritada, deixou sair um alto,
tocante choro. Todo o mundo reagiu como se - como eu - eles nunca tivessem
ouvido o a voz antes.
Eles chegaram ao redor dela em um segundo, me deixando só, congelada no
mesmo lugar.
O som do choro de Renesmee me perfurou direitamente, me lançando ao chão.
Meus olhos arderam do modo mais estranho, como se eles quisessem se
romper.
Que todo o mundo tinha uma mão nela, batendo levemente e confortando.
Todo mundo menos eu.
Qual é o problema? Ela está ferida? O que aconteceu?”
Era a voz de Jacob que estava mais alta, que se elevou ansiosamente sobre as
dos outros. Eu assisti em choque quando ele alcançava Renesmee, e então em
horror absoluto quando Rosalie a entregou para ele sem uma briga.
“Nenhum, ela está bem,” Rosalie o tranqüilizou.
Rosalie estava tranqüilizando Jacob?
Renesmee foi para Jacob com bastante boa vontade, empurrando a mão
minúscula contra a bochecha dele, então se retorcendo para se estirar
novamente para mim.
“Viu?” Rosalie lhe falou. “Ela apenas quer Bella”.
“Ela me quer?” Eu sussurrei.
Os olhos de Renesmee - meus olhos - me fitaram impacientemente.
Edward lançou-se de volta para o meu lado. Ele colocou suas mãos levemente
nos meus braços e me encorajou a continuar.
“Ela tem te esperado por quase três dias,” ele me disse.
Nós estávamos a apenas alguns passos de distancia dela agora. Uma explosão
de paixão parecia sair de dentro dela para me tocar.
Ou talvez fosse Jacob que estivesse tremendo. Eu vi suas mãos tremendo
quando cheguei mais perto. E, além de sua óbvia ansiedade, sua expressão
estava mais serena do que eu tinha visto em muito tempo.
“Jake, eu estou bem,” eu disse a ele. Ver Renesmee em suas mãos trementes
me fez entrar em pânico, mas eu me esforcei para manter o controle.
Suas sobrancelhas se juntaram, os olhos duros, como se ele estive com tanto
pânico quanto o pensamento de Renesmee em meus braços.
Renesmee choramingou avidamente e se esticou, suas pequenas mãos se
fechando em punhos de novo e de novo.
Algo se passou pela minha cabeça naquele momento. O som de seu choro, a
familiaridade de seus olhos, o jeito como ela parecia ainda mais impaciente
que eu para esse encontro - tudo isso se entrelaçou e se transformou na coisa
mais natural enquanto ela agarrava com força o ar entre nós. De repente, ela
pareceu absolutamente real e, é claro, que eu a conhecia. Era perfeitamente
simples que eu deveria dar aquele último e fácil passo para alcançá-la,
colocando minhas mãos exatamente onde elas se encaixassem melhor
enquanto eu a puxava gentilmente em minha direção.
Jacob deixou seus longos braços se esticarem para que eu pudesse pegá-la,
mas ele não a soltou. Ele deu de ombros quando nossas peles se tocaram. A
pele dele, sempre tão agradavelmente quente para mim antes, parecia chama
para mim agora. Ele era quase da mesma temperatura de Renesmee. Talvez
um ou dois graus de diferença.
Renesmee pareceu não perceber a frieza de minha pele, ou ao menos estava
acostumada a ela.
Ela olhou para cima e sorriu para mim de novo, mostrando seus dentes
pequenos e quadrados e duas covinhas. Então, deliberadamente, ela alcançou
meu rosto.
No momento em que ela fez isso, todas as mãos em mim me apertaram,
antecipando minha reação. Eu mal percebi.
Eu estava arfando, abalada e amedrontada pela estranha imagem que
preencheu minha mente. Ela parecia com uma memória muito forte - eu ainda
podia ver através de meus olhos enquanto eu a assistia em minha cabeça - mas
ela era completamente desconhecida. Eu fitei a esperançosa expressão de
Renesmee através dessa memória, tentando entender o que estava
acontecendo, lutando desesperadamente para manter a calma.
Além de ser chocante de desconhecida, a imagem era também errada de
alguma forma - eu quase reconheci meu próprio rosto nela, meu antigo rosto,
mas ele estava embaçado, retrógrado. Eu percebi rapidamente que eu estava
vendo meu rosto como os outros o viam, de preferência visto em um reflexo.
Meu rosto na memória estava torto, destruído e coberto de suor e sangue.
Apesar disso, minha expressão na visão se tornou um adorável sorriso; meus
olhos castanhos se animaram atrás de seus profundos círculos. A imagem
ampliou-se, meu rosto chegou mais perto do invisível ponto de vantagem, e
depois, abruptamente se desvaneceu.
A mão de Renesmee caiu de meu rosto. Ela sorriu mais abertamente e suas
covinhas apareceram novamente.
O quarto estava totalmente silencioso, a não ser pelas batidas de coração.
Ninguém além de Jacob e Reneesme estava tanto quanto respirando. O
silêncio se esticou; parecia que eles estavam esperando para que eu dissesse
alguma coisa.
“O que… foi… isso?” - eu consegui colocar para fora.
“O que você viu?” - Rosalie perguntou curiosamente, inclinada em torno de
Jacob, que parecia muito no caminho e fora de lugar no momento. - “O que
ela te mostrou?”
“Ela me mostrou aquilo?” - eu sussurrei.
“Eu te disse que era difícil de explicar,” - Edward murmurou em meu ouvido.
- “Mas eficaz como meio de comunicação”.
“O que foi isso?” - Jacob perguntou.
Eu pisquei rapidamente várias vezes. - “Hum. Eu. Eu acho. Mas eu parecia
horrível.”
“Essa é a única memória que ela tem de você,” - Edward explicou. Era óbvio
que ele tinha visto o que ela estava me mostrando enquanto ela pensava nisso.
Ele ainda estava contraído, sua voz áspera por reviver a memória. - “Ela está
deixando você saber que ela fez a conexão, que ela sabe quem você é”.
“Mas como ela fez isso?”
Reneesme parecia indiferente com meus olhos injetados. Ela estava sorrindo
levemente e puxando um pedaço de meu cabelo.
“Como eu ouço pensamentos? Como Alice prevê o futuro?” - Edward
perguntou retoricamente, e então encolheu os ombros. - “Ela é talentosa”.
“É uma volta interessante,” - Carlisle disse a Edward. - “Como se ela fizesse
exatamente o oposto do que você pode fazer.”
“Interessante,” - Edward concordou. - “Eu imagino…”
Eu sabia que eles estavam especulando, mas eu não ligava. Eu estava olhando
para o rosto mais bonito do mundo. Ela estava quente em meus braços, me
lembrando do momento em que a escuridão quase ganhou, quando não havia
sobrado nada no mundo para se segurar. Nada forte o suficiente pra me puxar
da escuridão esmagadora. O momento em que eu pensei na Reneesme e
encontrei algo que eu nunca deixaria ir.
“Eu me lembro de você também.” - eu disse a ela calmamente.
Pareceu bem natural me inclinar e pressionar os meus lábios em sua testa. Ela
cheirava maravilhosamente. O cheiro de sua pele deixou minha garganta
queimando, mas era fácil ignorar. Isso não tirou a alegria do momento.
Reneesme era real e eu a conhecia. Ela era a mesma pela qual eu lutei desde o
começo. Minha pequena cutucadora, aquela que me amava de dentro também.
Metade Edward, perfeita e amável. E metade eu - que, surpreendentemente, a
fez melhor ao invés de pior.
Eu estava certa o tempo todo. Ela valia a luta.
“Ela está bem,” - Alice murmurou, provavelmente para Jasper. Eu podia sentilos
duvidando, não confiando em mim.
“Nós não experimentamos o suficiente por um dia?” - Jacob perguntou. Sua
voz levemente um volume mais alto com tensão. - “Tudo bem, Bella está indo
muito bem, mas não vamos forçar”.
Eu o encarei com real irritação. Jasper arrastou os pés nervosamente perto de
mim. Estávamos todos amontoados tão perto que qualquer pequeno
movimento parecia muito grande.
“Qual é o seu problema, Jacob?” - eu reclamei. Eu puxei Reneesme facilmente
contra sua posse e ele apenas deu um passo para mais perto de mim,
Reneesme tocando a bochecha de nós dois.
Edward assobio para ele. - “Somente porque eu entendo, não quer dizer que eu
não boto você para fora, Jacob. Bella está extraordinariamente bem. Não
arruíne o momento para ela”.
“Eu o ajudarei a arremessar você, cachorro,” - Rosalie prometeu. Sua voz
tempestuosa. - “Eu te devo um belo chute na bunda.” - Obviamente, não
houve nenhuma mudança nesse relacionamento, a não ser que tenha sido pra
pior.
Eu olhei de canto pra expressão ansiosa meio-zangada de Jacob. Seus olhos
estavam cravados na face de Reneesme. Com todo mundo prensado junto, ele
tinha que estar tocando ao menos seis vampiros diferentes, e isso nem parecia
incomodá-lo.
Ele realmente passaria por tudo isso apenas para me proteger de mim mesma?
O que podia ter acontecido durante a minha transformação - minha mudança
para algo que ele odiava - o que o teria amaciado tanto, tirando a necessidade
disso?
Eu estava estarrecida com isso, vendo-o encarar minha filha. Encarando-a
como… Como se ele fosse um homem cego vendo o sol pela primeira vez.
“Não!”, eu engasguei.
Jasper trincou os dentes e os braços de Edward envolveram meu peito como
cobras. Jacob tirou Reneesme de meu colo no mesmo segundo, e eu não tentei
puxa-la de volta. Porque eu senti isso - o golpe que todos eles estavam
esperando.
“Rose”, eu disse entre meus dentes, devagar e precisamente. “Pegue
Reneesme”.
Rosalie estendeu as mãos e Jacob deu minha filha a ela de uma vez. Os dois
recuaram para longe de mim.
“Edward, eu não quero te machucar, então, por favor, me solte”.
Ele hesitou.
“Pode ficar na frente da Reneesme”.
Ele deliberou e então me soltou.
Eu me inclinei na minha posição de caça e avancei dois passos lentos em
direção a Jacob.
“Você não fez”, eu rosnei para ele.
Ele recuou com as mãos para cima, tentando raciocinar comigo. “Você sabe
que eu não posso controlar”.
“Seu vira-lata estúpido! Como você pode? Meu bebe!”.
Ele recuou pela porta da frente, enquanto eu andava na ponta dos pés até ele,
meio correndo escadas abaixo. “Não foi idéia minha, Bella!”.
“Eu a tive inteirinha uma vez e você já acha que tem um chamado lobo
imbecil por ela? Ela é minha”.
“Eu posso dividir”, ele disse implorando enquanto recuava pelo quintal.
“Pagando”, escutei Emmet dizer atrás de mim. Uma pequena parte do meu
cérebro se perguntou quem tinha apostado nesse resultado. Eu não desperdicei
muita atenção nisso. Eu estava muito furiosa.
“Como você se atreve a ter uma impressão com o meu bebe? Você perdeu a
cabeça?”
“Foi involuntário!”, ele insistiu, ainda recuando em direção as arvores.
Então ele não estava sozinho. Os outros dois enormes bolos reapareceram,
flanqueando-o dos dois lados. Leah bateu os dentes pra mim.
Um rosnado de certo modo assustador rasgou pelos meus dentes de volta pra
ela. O som me perturbou, mas não o suficiente para deter meu avanço.
“Bella, você podia ouvir por um segundo? Por favor?”, Jacob implorou.
“Leah, para trás”, ele adicionou.
Leah levantou os lábios para mim e não recuou.
“Porque eu devia escutar?”, assobiei. A fúria dominava minha cabeça. E
bloqueava todo o resto.
“Porque você é a pessoa que me disse isso. Você lembra? Você disse que nós
pertencíamos um ao outro, certo? Que nós éramos uma família. Você disse
que era como você e eu supostamente éramos. Assim… agora nós somos. É o
que você queria.”
Eu olhei-o fixamente. Eu lembrei daquelas palavras. Mas meu novo cérebro
era duas vezes mais rápido que seu absurdo.
“Você pensa que você será parte de minha família como meu genro!” Eu
gritei. Minha voz de sino perfeita dois oitavos mais alta e ainda soou como
música.
Emmett riu.
“Pare-a, Edward,” Esme murmurou. “Será infeliz se o ferir.”
Mas eu não senti nenhuma perseguição atrás de mim.
“Não!” Jacob estava insistindo ao mesmo tempo. “Como pode você mesmo
vê-la dessa maneira? É apenas um bebê, para chorar!”
“Esse é o meu ponto!” Eu gritei.
“Você sabe que eu não penso nela dessa maneira! Você acha que Edward teria
me deixado viver todo este tempo se eu fizesse? Tudo que eu quero para ela é
que esteja segura e feliz o que há de tão ruim nisto? É muito diferente do que
você quer?” Ele estava gritando de volta para mim.
Além das palavras, eu guinchei um rosnado para ele.
“Incrível, não é?” Eu ouvi Edward murmurar.
“Ela não foi para sua garganta nem mesmo uma vez,” Carlisle concordou,
soando chocado.
“Muito bem, você ganhou esta.” disse Emmett rancoroso.
“Você vai ficar longe dela,” Eu assobiei para Jacob.
“Eu não posso fazer isso!”
E disse através dos meus dentes: “Experimente. A partir de agora. ”
“Não é possível. Você lembra quanto você me queria há três dias? Como era
duro se distanciar de mim? Isso acabou para você agora, não é?”
Meu olhar era penetrante, não era certo o que isso implicava.
“Essa foi ela,” ele me disse. “Desde o início. Tivemos que estar juntos, mesmo
assim.”
Lembrei-me, e depois eu compreendi; uma pequena parte de mim ficou
aliviada de ter explicado a loucura. Mas isso só me trouxe um alívio cômodo.
Ele espera que isso seja suficiente para mim? Seria um pouco esclarecimento
me familiarizar com a idéia?
“Fuja enquanto você ainda pode”, eu ameacei.
“Ah, Bells! Nessie gosta de mim, também”, insistiu ele.
Eu congelei. Minha respiração parou. Por trás de mim, eu ouvi o silêncio que
ansiava por sua reação.
“Do que você a… chamou?”
Jacob deu mais um passo para trás, com o olhar envergonhado. “Bem”, ele
resmungou, “é que o nome que você sugeriu soa como uma espécie de…”
“Depois você apelidou minha filha de Monstro do Lago Ness?” Eu gritei.
E então eu dei um bote em sua garganta.

 23. Memórias [amanhecer]
********************************
“Desculpe-me, Seth. Eu devia estar mais perto.”
Edward ainda estava se desculpando, e eu não achava isso justo ou apropriado.
Afinal, Edward não tinha completamente e imperdoavelmente perdido o
controle de seu temperamento. Edward não tinha tentando cortar a cabeça de
Jacob fora - Jacob, que nem sequer tinha planejado se proteger - e então
acidentalmente quebrou o ombro e a clavícula de Seth quando pulou no meio
dos dois. Edward não tinha quase matado seu melhor amigo.
Não que o melhor amigo não tivesse algumas coisas para responder, mas,
óbvio, nada que Jacob tivesse feito poderia acalmar meu comportamento.
Então era eu quem devia estar me desculpando? Eu tentei de novo.
“Seth, eu–”
“Não se preocupe com isso, Bella, eu estou totalmente bem,” Seth disse ao
mesmo tempo em que Edward disse:
“Bella, amor, ninguém está te julgando. Você está indo bem.”
Eles nem se quer me deixaram terminar a frase.
Isso somente deixou as coisas piores para Edward, que estava tentando manter
um sorriso em seu rosto. Eu sabia que Jacob não merecia minha reação
exagerada, mas Edward parecia achar algo satisfatório nisso. Talvez ele
estivesse somente desejando ter a desculpa de ser um recém-nascido então ele
podia fazer alguma coisa física com a irritação por Jacob, também.
Eu tentei apagar a raiva de todo o meu sistema, mas era difícil, sabendo que
Jacob estava lá fora com Renesmee agora mesmo. Mantendo-a salva de mim,
a recém-nascida ensandecida.
Carlisle juntou outro pedaço do braço de Seth, e Seth recuou.
“Desculpe, desculpe!” eu reclamei, sabendo que nunca me deixariam articular
uma desculpa completa.
 “Não seja maluca, Bella,” Seth disse, dando uma tapinha no meu joelho com a
mão boa enquanto Edward esfregava o meu braço do outro lado.
Seth parecia não sentir nenhuma aversão me tendo sentada ao seu lado no sofá
enquanto Carlisle cuidava dele. “Eu voltarei ao normal em meia hora,” ele
continuou, ainda batendo no meu joelho, sentindo o óbvio frio e textura grossa
dele. “Qualquer um teria feito o mesmo, com Jake e Ness–” Ele parou no meio
da palavra e mudou rapidamente de assunto. “Quero dizer, pelo menos você
não me mordeu ou coisa assim. Isso sim seria péssimo.”
Eu enterrei o rosto em minhas mãos e tremi com o pensamento, sobre essa
possibilidade real. Poderia ter acontecido facilmente. E lobisomens não
respondiam ao veneno de vampiros do jeito que os humanos respondiam, eles
só tinham me contado isso agora. Era como veneno pra eles.
“Sou uma pessoa ruim.”
“Claro que não é. Eu devia…” Edward começou.
“Pare com isso” eu suspirei. Eu não queria que ele assumisse a culpa nisso do
jeito que ele sempre assumia com tudo.
“Sorte que Ness.. Renesmee não é venenosa.” Seth disse depois de um
segundo de um silencio desconfortável. “Porque ela morde o Jake toda hora.”
Minhas mãos caíram. “Ela morde?”
“Claro. Sempre que ele e Rose não colocam comida na boca dela rápido o
suficiente. Rose acha que é muito engraçado.”
Eu o encarei, chocada, e também me sentido culpada, porque eu tinha que
admitir que isso me deixava um pouco feliz de um jeito insolente.
Claro, eu já sabia que Renesmee não era venenosa. Eu fui a primeira pessoa
que ela tinha mordido. Não fiz essa observação em voz alta, já que estava
fingindo perda de memória nesses eventos recentes.
“Bom, Seth” Carlisle disse se levantando e se afastando de nós. “Acho que
isso é tudo que eu posso fazer. Tente não se mexer por, hum, algumas horas,
eu acho.” Carlisle riu. “Gostaria que cuidar de humanos fosse assim tão
instantaneamente gratificante.” Ele pousou a mão no cabelo escuro de Seth
por um instante. “Fique parado.” ele ordenou, e então desapareceu escada
acima. Eu ouvi a porta de seu escritório se fechar, e me perguntei se eles já
tinham removido a evidência da minha estadia lá.
“Acho que consigo ficar parado por um tempo.” Seth concordou depois que
Carlisle já tinha saído, então deu um grande bocejo. Cuidadosamente, se
certificando de que não puxasse seu braço, Seth encostou a cabeça nas costas
no sofá e fechou os olhos. Segundos depois, sua boca se abriu, relaxada.
Eu franzi as sobrancelhas para seu rosto tranqüilo por outro minuto. Assim
como Jacob, Seth parecia ter o dom de dormir imediatamente. Sabendo que eu
não poderia me desculpar de novo por um tempo, levantei; o movimento não
empurrou o sofá nem um centímetro. Tudo que era física era tão fácil. Mas o
resto…
Edward me seguiu até as janelas do fundo e pegou minha mão. Leah estava
andando pela margem do rio, parando de vez em quando para olhar a casa. Era
fácil dizer quando ela estava procurando seus irmãos e quando estava
procurando por mim. Ela alternava entre olhares ansiosos e encaradas
assassinas.
Eu conseguia ouvir Jacob e Rosalie lá fora nos degraus da frente disputando
silenciosamente para ver de quem era a vez de alimentar Renesmee. A relação
dos dois era hostil como sempre; agora a única coisa em que eles
concordavam era que eu devia ser mantida longe de meu bebê até que
estivesse 100% recuperada de minha explosão de raiva. Edward tinha
contestado o veredicto deles, mas eu deixei para lá. Eu queria ter certeza
também. Mas estava preocupada que o meu 100% de certeza e o 100% de
certeza deles fossem coisas muito diferentes.
Fora a briga deles, a respiração lenta de Seth e os ofegos irritados de Leah,
estava muito quieto. Emmett, Alice e Esme estavam caçando. Jasper tinha
ficado para trás para me vigiar. Ele ficou parado despercebidamente atrás do
corrimão da escada agora, tentando não ser ofensivo.
Eu tirei proveito da calma para pensar em todas as coisas que Edward e Seth
me contaram enquanto Carlise imobilizava os braços de Seth o que eu perdi
durante o tempo em que estive queimando e essa era minha primeira chance
para me situar.
O principal era o fim da disputa com o bando de Sam - que era o porquê dos
outros se sentirem seguros para ir e vir como eles quisessem, novamente. A
trégua era mais necessária que nunca. Ou mais obrigatória, dependendo do
ponto de vista, suponho.
Obrigatória, pois a lei mais importante para o bando é que nenhum lobo
poderia matar o objeto de impressão de outro lobo. A dor de tal ato seria
insuportável para o bando todo. A culpa, sendo intencional ou acidental, não
podia ser retirada; os lobos envolvidos lutariam até a morte - não havia outra
opção. Isso já havia acontecido há algum tempo atrás, Seth me contou, mas
apenas acidentalmente. Nenhum lobo nunca havia destruído um irmão
intencionalmente.
Então Renesmee era intocável, por conta do jeito que Jacob se sentia em
relação a ela. Eu tentei me concentrar em relaxar sobre o fato, não na
ansiedade, mas não era nada fácil.
Em minha mente havia espaço suficiente para eu sentir ambas as emoções
intensamente ao mesmo tempo.
E Sam não poderia ficar bravo com a minha transformação, também, porque
Jacob - falando como o “verdadeiro” Alpha - havia permitido isso. Doía
lembrar todo o tempo o quanto eu devia a Jacob, quando eu só queria me
enfurecer com ele.
Eu reorganizei a ordem dos meus pensamentos para tentar controlar as minhas
emoções. Considerei outro fenômeno interessante; embora o silêncio entre os
bandos continuasse, Jacob e Sam descobriram que Alphas podem comunicarse
uns com os outros enquanto estão transformados em lobos. Não era o
mesmo que antes, pois eles não podem escutar o pensamento dos outros do
jeito que eles gostariam para melhorar a divisão. Era mais como falar sem
emitir sons, Seth disse. Sam poderia apenas ouvir os pensamentos que Jacob
estava interessado em dividir, e vice-versa. Eles também podiam comunicar-se
a distância, agora que eles estavam se falando novamente.
Eles não haviam descoberto isso antes de Jacob ir sozinho para explicar a Sam
sobre Renesmee; Era a primeira vez que ele havia deixado Renesmee desde
que ele tinha a visto.
Uma vez que Sam houvesse compreendido que tudo havia mudado, ele
voltaria com Jacob para falar com Carlise. Eles estavam na forma humana
enquanto conversavam (Edward havia se recusado a sair do meu lado para
poder traduzir), e renovaram o contrato. Mas o sentimento de amizade de
antes nunca mais seria o mesmo.
Uma grande preocupação a menos.
Mas havia outra, embora não fosse fisicamente perigosa como um bando de
lobos enfurecidos, era bem mais urgente para mim. Charlie.
Ele havia falado com Esme mais cedo naquela manhã, duas vezes, apenas
alguns minutos antes de Carlise ter ido cuidar de Seth. Carlise e Edward
haviam deixado o telefone tocar.
Qual seria a coisa certa a contar para ele? Os Cullen estariam certos? Contar
para ele que eu havia morrido seria o jeito mais gentil? Eu conseguiria mentir
sobre a minha vida enquanto eles choravam por mim?
Isso não parecia certo. Mas colocar Charlie ou Renée em perigo por culpa da
obsessão dos Volturi pelo segredo estava fora de questão. Ainda era a minha
idéia - Deixar Charlie me ver, enquanto eu estava pronta para isso, e deixá-lo
fazer suas próprias suposições equivocadas. Técnicamente, as regras de
vampiro permaneceriam intactas. Não seria melhor para Charlie se ele
soubesse que eu estava viva - tipo isso - e feliz? Até mesmo se eu fosse
estranha e diferente e provavelmente amedrontaria a ele?
Meus olhos, em particular, agora mesmo, estavam muito amedrontadores.
Quanto tempo antes de meu autocontrole e minha cor dos olhos estarem
prontos para Charlie?
“Qual é o problema, Bella?” Jasper perguntou tranquilamente, percebendo
minha tensão crescente. “Ninguém está bravo com você”- um baixo rosnado
na margem do rio o contradisse, mas ele ignorou isto - “ou até mesmo
surpreso, realmente. Bem, eu suponho que nós estamos surpresos. Surpresos
que você pode escapar disso tão rapidamente. Você fez bem. Melhor do que
qualquer um espera de você”.
Enquanto ele estava falando, o quarto se tornou muito calmo. A respiração de
Seth passou para um ronco baixo. Eu me sentia mais calma, mas não esqueci
de minhas ansiedades.
“Eu estava pensando em Charlie, na verdade”.
Lá na frente, a briga cessou.
“Ah,” Jasper murmurou.
“Nós realmente temos que partir, não temos?” eu perguntei. “Durante algum
tempo, ao menos. Fingir que nós estamos em Atlanta ou algo do tipo”.
Eu pude sentir o olhar de Edward cravado em minha face, mas eu olhei para
Jasper. Foi ele que me respondeu em um tom sério.
“Sim. È o único modo de proteger seu pai”.
Eu pensei durante um momento. “Eu vou sentir tanta falta dele. Eu perderei
todo mundo aqui”.
Jacob, eu pensei, apesar de mim. Embora aquele anseio estivesse desaparecido
e definido - e eu estava imensamente aliviada que isto estava - ele ainda era
meu amigo. Alguém que conheceu o meu eu verdadeiro e o aceitou. Até
mesmo como um monstro.
Eu pensei em o que o Jacob tinha dito implorando para mim antes que eu
tivesse o atacado. Você disse que nós pertencemos um ao outro em outras
vidas, certo? Que nós éramos familiares. Você disse que isso era como eu e
você deveríamos ser. Assim… agora nós somos. É o que você quis.
Mas isso não era parecido com o que eu queria. Não exatamente. Eu me
lembrei do passado distante, para as recordações confusas, fracas de minha
vida humana. Para a parte muito mais dura se lembrar - o tempo sem Edward,
um tempo tão escuro que eu tinha tentado enterrar em minha cabeça. Eu não
pude encontrar as palavras exatas; Eu só me lembrei de desejar que o Jacob
fosse meu irmão de forma que nós poderíamos amar um ao outro sem
qualquer confusão ou dor. Família. Mas eu nunca tinha adicionado uma filha
na equação.
Eu me lembrei um pouco depois - uma das muitas vezes que eu tinha dito
adeus para o Jacob - desejando saber com quem ele ficaria, quem faria a vida
dele feliz depois do que eu fizesse isto. Eu tinha dito algo como quem quer
que fosse ela, ela não seria boa bastante para ele.
Eu bufei, e Edward elevou uma sobrancelha questionando. Eu apenas balancei
minha cabeça para ele. Mas até eu poderia sentir falta de meu amigo, eu sabia
que havia um problema maior.
Sam ou Jared ou Quil alguma vez tinham ficado um dia inteiro sem ver o
objeto da fixação deles, Emily, Kim, e Claire? Eles puderam? O que faria a
separação de Renesmee a Jacob? Causaria dor para ele?
Ainda havia bastante raiva insignificante em meu sistema para me fazer
contente, não pela dor dele, mas pela idéia de ter Renesmee longe dele. Como
eu deveria lidar com tê-la pertencente ao Jacob quando ela mal parecia
pertencer a mim?
O som de movimento na entrada interrompeu meus pensamentos. Eu os ouvi
se levantarem, e depois eles passaram pela porta. Exatamente ao mesmo
tempo, Carlisle desceu as escadas com suas mãos cheias de coisas estranhas -
uma fita métrica, uma balança. Jasper arremessou-se para o meu lado. Como
se houvesse algum sinal que eu havia perdido, até Leah sentou-se do lado de
fora e ficou olhando pela janela com uma expressão como se ela estivesse
esperando algo que ela já havia presenciado e que era totalmente
desinteressante.
“Deve ser seis,” Edward disse.
“Então?” eu perguntei. Meus olhos presos em Rosalie, Jacob e Renesmee.
Eles estavam na entrada, Renesmee no colo de Rosalie. Rose parecia
desconfiada. Jacob parecia perturbado. Renesmee parecia linda e impaciente.
“Hora de medir Ness-er, Renesmee,” Carlisle explicou.
“Oh, você faz isso todos os dias?”
“Quatro vezes por dia,” Carlisle corrigiu distraído enquanto ele fazia sinal
para os outros em direção ao sofá. Eu pensei ter visto o suspiro de Renesmee.
“Quatro vezes? Por dia? Por quê?”
“Ela ainda está crescendo rapidamente,” Edward murmurou para mim, sua voz
baixa e tensa. Ele apertou minha mão, e seu outro braço envolveu seguramente
minha cintura, como se ele precisasse do apoio.
Eu não consegui tirar meus olhos de Renesmee e checar sua expressão.
Ela parecia perfeita, absolutamente saudável. Sua pele refletia a luz, clara
como alabastro; a cor de suas bochechas eram pétalas de rosa em contraste
com o branco. Não podia haver nada errado frente a tanta beleza. Com certeza
não poderia haver nada mais perigoso em sua vida do que sua mãe. Poderia?
A diferença entre a criança que eu dei à luz e a que eu encontrei novamente há
uma hora seria obvia a qualquer um. A diferença de Renesmee há uma hora e
agora era sutil. Olhos humanos nunca poderiam ter detectado essa diferença.
Mas ela existia.
Seu corpo estava um pouco mais comprido. Apenas um pouco mais magro.
Seu rosto não estava mais tão redondo; ele estava mais oval a cada segundo.
Os cachos de seus cabelos desciam quarenta centímetros pelos seus ombros.
Ela se esticou ajudando nos braços de Rosalie enquanto Carlisle correu a fita
métrica por seu comprimento e depois a usou para circundar sua cabeça. Ele
não fez anotações; memória perfeita.
Eu estava ciente de que os braços de Jacob estavam cruzados sobre seu peito,
tão apertados quanto os de Edward à minha volta. Suas pesadas sobrancelhas
estavam juntas em uma linha sobre seus olhos profundos.
Ela tinha crescido de uma célula para um bebê de tamanho normal em apenas
algumas semanas. Ela aparentava ter entre um e três anos apenas alguns dias
depois de seu nascimento. Se essa velocidade de crescimento continuasse…
Minha mente de vampira não tinha problemas com matemática.
“O que nós faremos?” eu murmurei, horrorizada.
Os braços de Edward me apertaram. Ele entendeu perfeitamente o que eu
estava perguntando. “Eu não sei.”
“Está diminuindo a velocidade,” Jacob murmurou entre seus dentes.
“Nós precisaremos de mais alguns dias de medidas para verificar a tendência,
Jacob. Eu não posso fazer nenhuma promessa.”
“Ontem ela cresceu cinco centímetros. Hoje ela cresceu menos.”
“3 centímetros, se a minha medida estiver correta,” Carlisle disse calmamente.
“Seja perfeito, Doutor,” Jacob disse, fazendo as palavras parecerem quase
uma ameaça. Rosalie se endureceu.
“Você sabe que eu vou fazer o meu melhor,” Carlisle assegurou.
Eu me senti irritada de novo, como se Jacob estivesse roubando as minhas
falas - e as soltando completamente erradas.
Renesmee pareceu irritada, também. Ela começou a se contorcer e lançou suas
mãos compulsoriamente em direção a Rosalie. Rosalie inclinou-se em sua
direção então Renesmee pode tocar seu rosto. Depois de um segundo, Rose
suspirou.
“O que ela quer?” Jacob quis saber, roubando minha fala novamente.
“Bella, é claro,” Rosalie disse a ele, e suas palavras me fizeram sentir um
pouco mais quente. Então ela olhou para mim. “Como você está?”
“Preocupada,” eu admiti e Edward me apertou.
“Todos nós estamos. Mas não é isso que eu quis dizer.”
“Eu estou sob controle.” eu prometi. A sede estava abaixo do nível de perigo
agora. Além do mais, Renesmee tinha um cheiro ótimo de um modo nãocomestível.
Jacob mordeu seus lábios, mas não fez movimento algum para parar Rosalie
assim que ela ofereceu Renesmee para mim. Jasper e Edward se remexeram,
mas permitiram. Eu pude ver a tensão em que Rosalie estava, enquanto eu
imaginava como o quarto sentia para o Jasper agora. Ou ele estava se focando
tanto em mim que não podia sentir os outros?
Renesmee me procurou enquanto eu procurava por ela, um sorriso iluminou
seu rosto. Ela cabia tão fácil em meus braços, como se eles fossem feitos
exatamente para ela. Imediatamente, ela colocou sua pequena e quente mão
contra a minha bochecha.
Apesar de eu estar preparada, eu ainda me engasguei ao ver a memória como
uma visão na minha cabeça. Tão brilhante e tão colorida, mas completamente
transparente.
Ela me lembrava as acusações que eu fiz a Jacob através do gramado
dianteiro, me lembrava Seth se jogando entre nós. Ela tinha visto e ouvido
tudo isso com clara perfeição. Isso não parecia eu, esse gracioso predador
saltando sobre sua presa como uma flecha sendo lançada de um arco. Isso
tinha que ser outra pessoa. Aquilo me fez sentir um pouco de culpa com Jacob
parado ali, de forma defensiva com suas mãos cruzadas na sua frente. Suas
mãos não tremiam.
Edward riu, vendo os pensamentos de Esme comigo. E nós dois recuamos
assim que ouvimos o quebrar dos ossos do Seth.
Renesmee sorriu seu sorriso brilhante, e a memória de seus olhos não
deixaram Jacob apesar de toda a confusão que se seguiu. Eu senti um novo
gosto dessa memória - não exatamente protetor mais possessivo - enquanto eu
olhava para Jacob. Eu tive a distinta impressão de que ela estava feliz que Seth
tivesse se posto na frente do meu ataque. Ela não queria que Jacob tivesse se
ferido. Ele era dela.
“Oh, maravilhoso”, eu rosnei. “Perfeito.”
“É só porque ela tem um gosto melhor que o nosso” Edward assegurou-me, a
voz dura com seu próprio enjôo.
“Eu te disse que ela gosta de mim, também.” Jacob provocou do outro lado da
sala, seus olhos em Renesmee. Sua brincadeira foi indiferente; o ângulo tenso
de suas sobrancelhas ainda não havia relaxado.
Renesmee deu algumas tapinhas no meu rosto impacientemente, exigindo
minha atenção. Outra memória: Rosalie passando uma escova gentilmente
pelos seus cachos. Isso foi bom.
Carlisle e sua fita métrica, sabendo que ela tinha crescido mais ainda. Isso não
era interessante para ela.
“Parece que ela está prestes a lhe dar um resumo de tudo que você perdeu.”
Edward comentou em meu ouvido.
Meu nariz se retorceu depois que ela me deu o próximo. O cheiro vindo de
uma estranha xícara de metal - dura o bastante para não ser mordida
facilmente - foi como um raio queimando minha garganta. Ouch.
E então Renesmee não estava em meus braços, que foram presos atrás das
minhas costas. Eu não lutei com Jasper, apenas olhei para a cara espantada de
Edward.
“O que eu faço?”
Edward olhou para Jasper atrás de mim, e então para mim novamente.
“Mas ela estava se lembrando de ter tido sede”. Edward ficou calado, sua testa
formando linhas de preocupação. “Ela estava se lembrando do gosto do
sangue humano.”
Os braços de Jasper apertaram os meus bem juntos. Parte da minha mente
notou que isto não era tão desconfortável, apesar de ser doloroso, como seria
para um humano. Era apenas irritante. Eu tinha certeza que poderia me livrar
dele, mas não resisti.
“Sim, eu entendo. E…?”
Edward franziu a testa para mim por mais um segundo e então sua expressão
se acalmou. Ele riu por uma vez. “E parece que não é nada, afinal. A reação
exagerada foi minha desta vez. Jazz solte-a.”
As mãos que me atavam desapareceram. Eu estendi as mãos para pegar
Renesmee tão logo quanto fui solta. Edward a entregou a mim, sem hesitação.
“Eu não entendo,” disse Jasper. “Eu não posso suportar isto.”
Eu olhei com espanto enquanto Jasper saía a passos largos pela porta dos
fundos. Leah se moveu para dar a ele uma grande margem de espaço enquanto
ele se dirigia rapidamente para o rio e então saltou sobre ele de uma só vez.
Renesmee tocou meu pescoço, repetindo a cena da partida de momentos
anteriores, como se fosse um replay instantâneo. Eu pude sentir a dúvida em
sua mente como um eco dos meus pensamentos.
Eu já estava recuperada do choque que me causou esse seu pequeno dom. Era
algo que parecia uma parte absolutamente natural dela, algo que praticamente
já devia ser esperado.
Talvez agora que eu mesma era parte do sobrenatural, jamais seria cética
novamente.
Mas o que havia de errado com Jasper?
“Ele voltará,” disse Edward, se ele se dirigiu a mim ou a Renesmee, eu não
tenho certeza. “Ele só precisa de um momento sozinho para repensar o modo
como vê a vida”. Havia um esboço de sorriso nos cantos de sua boca.
Outra memória humana - Edward me dizia que Jasper se sentiria melhor
consigo próprio se eu “tivesse uma adaptação mais problemática” a ser um
vampiro. Isso veio à pauta no contexto de uma discussão sobre quantas
pessoas eu mataria no meu primeiro ano de recém-nascida.
“Ele está bravo comigo?” Eu perguntei calmamente.
Os olhos de Edward se arregalaram. “Não. Por que ele estaria?”
“Qual o problema com ele, então?”
“Ele está chateado consigo mesmo, Bella, não com você. Ele está preocupado
com…a profecia da auto-realização, suponho que se possa dizer.”
“Como assim?” Carlisle perguntou antes que eu pudesse.
“Ele está se perguntando se a loucura dos recém-nascidos é realmente tão
difícil de lidar como nós sempre imaginamos que seria, ou se, com a
concentração e atitude adequadas, qualquer um poderia se sair tão bem quanto
Bella. Mesmo agora - talvez ele ainda tenha essa dificuldade apenas porque
ele acredita que isto seja natural e inevitável. Talvez se ele exigisse mais de si
mesmo, ele pudesse atingir essas expectativas maiores. Você está fazendo com
que ele questione um monte de pressupostos absolutos, Bella.”
“Mas isso não é justo,” disse Carlisle. “Cada qual é de um jeito; todos temos
nossos próprios desafios. Talvez o que Bella esteja fazendo vá além do
normal. Talvez esse seja o dom dela, por assim dizer.”
Fiquei pasma. Renesmee sentiu a mudança e me tocou. Ela se lembrou do
últmo segundo de tempo e se perguntou o motivo.
“Esta é uma teoria interessante e muito plausível,” disse Edward.
Por um instante eu fiquei desapontada. Como assim, sem visões mágicas, sem
habilidades de ataque formidáveis, como, oh, soltar relâmpagos pelos meus
olhos ou algo assim? Nada útil ou legal?
E então eu entendi o que aquilo significava que meu “super-poder” pudesse
ser nada mais que um excepcional autocontrole.
Para alguma coisa, pelo menos, eu tinha um dom. Não podia ser em vão. Mas,
muito, além disso, se Edward estivesse certo, então eu poderia passar pela
parte que eu mais temia.
E se eu não tivesse que ser uma recém-nascida? Não no sentido da insana
máquina de matar. E se eu pudesse ficar com os Cullen desde o meu primeiro
dia? E se nós não tivéssemos que nos esconder em algum lugar remoto
durante um ano enquanto eu “crescia”? E se, como Carlisle, eu nunca tivesse
matado uma única pessoa? E se eu pudesse ser um vampiro do bem, de
verdade?
Eu pude ver Charlie.
Eu suspirei tão logo a realidade filtrou a esperança. Eu não pude ver Charlie,
realmente. Os olhos, a voz, o rosto perfeito. O que eu possivelmente poderia
dizer a ele; como eu poderia sequer começar? Eu estava discretamente feliz
por ter desculpas para deixar as coisas de lado por um tempo; por mais que eu
quisesse achar um jeito de manter Charlie na minha vida, eu ainda estava
aterrorizada com o nosso primeiro encontro. Ver seus olhos saltarem ao ver
minha nova face, minha nova pele. Saber que ele estava amedrontado.
Imaginar que estranha e obscura explicação iria se formar em sua cabeça. Eu
era covarde o bastante para esperar durante um ano enquanto meus olhos se
acalmassem. E eu que pensei que seria mais destemida quando me tornasse
indestrutível.
“Você já viu algum talento equivalente ao autocontrole?” Edward perguntou a
Carlisle.
“Você acha que isso é um dom, ou só um produto do preparo dela?”
Carlisle encolheu os ombros. “É ligeiramente similar ao que Siobhan sempre
pôde fazer, apesar de ela não chamar isso de dom.”
“Siobhan, sua amiga daquele encontro de bruxas irlandês?” Rosalie
perguntou.
“Eu não sabia que ela tinha nada especial. Eu pensava que Maggie era a
talentosa daquele grupo.”
“Sim, Siobahn pensa o mesmo. Mas ela tem essa maneira de definir suas
metas e então quase sempre… materializa seus desejos em realidade. Ela
considera como bom planejamento, mas eu sempre imaginei se era algo mais.
Quando ela incluiu Maggie, a princípio Liam foi muito territorialista, mas
Siobhan quis que isso se resolvesse, e então tudo se resolveu.”
Edward, Carlisle e Rosalie se acomodaram em poltronas enquanto eles
continuaram a discussão. Jacob sentou-se próximo a Seth, protetoramente,
aparentando estar entediado.
Pela maneira que suas pálpebras caíram, eu estava certa que ele estava
momentaneamente inconsciente.
Eu ouvia, mas minha atenção estava dividida, Renesmee ainda estava me
contando sobre o seu dia. Eu a segurei perto da parede da janela, meus braços
a ninando automaticamente enquanto olhávamos nos olhos uma da outra. Eu
percebi que os outros não tinham motivo para se sentar. Eu estava
perfeitamente confortável de pé. Era tão relaxante quanto se espreguiçar numa
cama poderia ser. Eu sabia que poderia permanecer assim por uma semana
sem me mover e eu me sentiria tão relaxada no final de sete dias quanto estava
no início.
Eles devem se sentar por hábito. Humanos notariam alguém que ficasse de pé
por horas sem sequer trocar o peso do corpo para outra perna. Mesmo agora
eu vi Rosalie esfregar seus dedos contra seu cabelo e Carlisle cruzar suas
pernas. Pequenos movimentos para não ficar tão parado que pudesse parecer
um vampiro. Eu teria que prestar atenção ao que eles faziam e começar a
praticar.
Eu troquei meu peso para a minha perna esquerda. Isto pareceu meio bobo.
Talvez eles apenas me quisessem dar um tempo a sós com meu bebê - tão
sozinha quanto fosse seguro.
Renesmee me disse sobre cada minuto do seu dia, e eu tive o sentido de que,
pelo teor de suas historinhas, ela quisesse que eu conhecesse cada detalhe seu,
tanto quanto eu queria o mesmo. Preocupava-a o fato de eu ter perdido
algumas coisas - como os pardais que chegavam cada vez mais perto enquanto
Jacob a segurava, os dois parados lado a lado com uma das grandes cicutas; os
pássaros não se aproximaram de Rosalie.
Ou a ultrajante e nojenta coisa branca - fórmula para bebês que Carlisle
colocara em sua xícara; aquilo cheirava a sujeira azeda. Ou a canção que
Edward havia cantado para ela e que era tão perfeita que Renesmee tocou para
mim duas vezes; eu estava surpresa por estar nos bastidores daquela memória,
perfeitamente imóvel mas ainda parecendo relativamente maltrapilha. Eu me
arrepiei, lembrando daquele momento a partir de minha própria perspectiva. O
fogo horrendo…
Depois de quase uma hora - os outros ainda estavam profundamente
concentrados em sua discussão, Seth e Jacob roncando em harmonia no sofá -
as histórias da memória de Renesmee começaram a ficar lentas. Eu estava a
ponto de interromper Edward em pânico - havia algo errado com ela? -
quando as pálpebras dela tremularam e fecharam.
Ela bocejou, seus repolhudos lábios rosa extensos num redondo O, e seus
olhos nunca reabriam.
Suas mãos caíram de meu rosto enquanto ela tendia a dormir - o fundo de suas
pálpebras eram da cor de lavanda esbranquiçada das nuvens finas antes do
nascer do sol. Cuidadosamente para não perturbá-la, eu levantei aquela mão
de volta a minha pele e a mantive lá curiosamente. Primeiramente não havia
nada, e então, depois de alguns minutos, um piscar de cores como se um
punhado de borboletas estivessem sido difundidas de seus pensamentos.
Hipnotizada, eu assisti os sonhos dela. Eles não tinham sentido. Apenas cores
e formatos e rostos. Eu estava contente pela freqüência com que meu rosto -
meus dois rostos, horrendo humano e glorioso imortal - aparecia em seus
pensamentos inconscientes. Mais que Edward ou Rosalie. Eu estava lado a
lado com Jacob; eu tentei não me deixar atingir.
Pela primeira vez, eu entendi como tinha sido capaz de me assistir dormir toda
tediosa noite, apenas para me ouvir falar em meu sono. Eu poderia ver
Renesmee sonhar para sempre.
A mudança no tom de Edward prendeu minha atenção quando ele disse,
“Finalmente,” e se virou para olhar pela janela. Era profunda, púrpura, a noite
lá fora, mas eu pude ver tão longe quanto antes. Nada estava escondido na
escuridão; tudo tinha apenas cores mudadas.
Leah, ainda enfurecida, levantou e se lançou no mato assim que Alice pôde ser
vista do outro lado do rio. Alice se balançou para frente e para trás em um
galho como uma trapezista, seus dedos dos pés tocando suas mãos antes que
de se atirar em um giro gracioso na direção do rio. Esme fez um pulo mais
tradicional, enquanto Emmett explodiu bem no meio da água, espirrando tão
longe que respingou nas janelas dos fundos. Para a minha surpresa, Jasper o
seguiu, seu próprio pulo parecendo suave e até sutil perto do dos outros.
O sorriso enorme espalhado pelo rosto de Alice era familiar de um jeito terno,
estranho. De repente todos estavam sorrindo para mim - Esme doce, Emmett
animado, Rosalie um pouco superior, Carlisle indulgente e Edward
esperançoso.
Alice saltou até a sala à frente de todos, sua mão esticada na sua frente, a
impaciência quase criando uma aura visível ao seu redor. Em sua palma estava
a chave de metal de sempre com um laço rosa gigante enrolado envolta. Ela
segurou a chave para mim, e eu automaticamente apertei Renesmee
seguramente em meu braço direito para que pudesse abrir meu esquerdo. Alice
jogou a chave nele.
- Feliz Aniversário! - ela gritou com sua voz aguda.
Eu revirei os olhos. - Ninguém começa a contar do dia do nascimento - eu a
lembrei. - O primeiro aniversário é depois de um ano, Alice.
O sorriso dela se tornou presunçoso. - Não estamos comemorando seu
aniversário como vampira. Ainda. Hoje é 13 de setembro, Bella. Feliz
Aniversário de dezenove anos!

24. Surpresa [amanhecer]
******************************
“Não. De jeito nenhum!” Eu sacudi minha cabeça ferozmente, e então lancei
um olhar ao presumido sorriso no rosto do meu marido de 17 anos. “Não, isso
não conta. Eu parei de envelhecer três dias atrás. Terei 18 anos para sempre.”
“Tanto faz,” Alice disse, liberando meu protesto ao encolher os ombros
rapidamente. “Nós estamos celebrando mesmo, então engole isso.”
Eu suspirei. Raramente tinha algum ponto para argumentar com Alice.
Seu sorriso ficou impossivelmente largo enquanto ela lia o consentimento em
meus olhos.
“Você está preparada para abrir seu presente?” Alice cantou.
“Presentes,” Edward corrigiu, e puxou outra chave – uma maior e prateada
com um azul menos gritante – de seu bolso.
Eu lutei para não rolar os olhos. Sabia imediatamente o que era essa chave – o
“carro de depois”. Perguntei-me se deveria me sentir excitada. Parecia que a
conversa de vampiro não tinha me dado nenhum interesse repentino em carros
esportivos.
“O meu primeiro,” Alice disse, e estirou a língua, prevendo a resposta dele.
“O meu está mais perto.”
“Mas olha como ela está vestida.” As palavras de Alice eram quase um
lamento. “Isso tem me matado o dia todo. É claramente a prioridade.”
Minhas sobrancelhas se juntaram quando me perguntei como uma chave
poderia me dar novas roupas. Ela me comprou um baú inteiro de roupas?
“Eu sei – Jogarei com você por isso,” Alice sugeriu. “Pedra, papel e tesoura.”
Jasper sacudiu a cabeça, e Edward suspirou.
“Por que você não conta logo quem ganha?” Edward disse ironicamente.
Alice irradiou de alegria.
“Eu ganho. Excelente.”
“Provavelmente é melhor que eu espere pela manhã, de qualquer forma.”
Edward sorriu o sorriso torto para mim, e acenou para Jacob e Seth, que
pareciam como se tivessem se mexido a noite inteira; Me perguntei quanto
tempo eles ficaram de pé desta vez.
“Acho que talvez seja mais divertido se Jacob ficasse acordado para a grande
revelação, não concorda? Então alguém estará disponível a expressar o certo
nível de entusiasmo?”
Sorri de volta. Ele me conhecia bem.
“Sim” Alice cantou. “Bella, entregue Ness – Renesmee para Rosalie.”
“Onde ela costuma dormir?”
Alice encolheu os ombros. “Nos braços de Rosalie. Ou nos de Jacob. Ou nos
de Esme. Você entendeu. Ela nunca saiu dos braços de alguém a vida inteira.
Ela sera a meia-vampira mais mimada da existência.”
Edward riu enquanto Rosalie pôs Renesmee com habilidade em seus braços.
“Ela também é a mais não-mimada meia-vampira da existência,” Rosalie
disse. “A beleza de ser uma de um gênero.”
Rosalie sorriu para mim, e eu fiquei feliz ao ver que o novo coleguismo entre
nós ainda estava em seu sorriso. Não tinha total certeza de que isso duraria
depois que a vida de Renesmee não estivesse mais ligada a minha. Mas talvez
nós tivéssemos lutado juntas do mesmo lado por tempo o suficiente para que
fossemos sempre amigas agora. Eu finalmente fiz a mesma escolha que ela
teria feito se tivesse no meu lugar. Isso pareceu ter livrado seu ressentimento
comigo por todas as outras escolhas.
Alice enfiou a chave decorada com laços em minha mão, e agarrou em meu
cotovelo para me levar à porta dos fundos. “Vamos, vamos,” ela se animou.
“Está do lado de fora?”
“Mais ou menos,” Alice disse, me empurrando para frente.
“Aproveite seu presente,” Rosalie disse. “É de todos nós. Especialmente
Esme.”
“Vocês não vão também?” percebi que ninguém se mexeu.
“Nós te daremos uma chance de apreciá-lo sozinha,” Rosalie disse. “Você
pode nos contar sobre isso... mais tarde.”
Emmett gargalhou. Alguma coisa nesta risada me fez sentir como se tivesse
corando, apesar de não ter certeza do porque.
Percebi que muitas coisas em mim – como odiar surpresas verdadeiramente, e
não gostar de presentes em geral – não tinham mudado nem um pouco. Era
uma ajuda e revelação descobrir o quanto minhas características essenciais
tinham permanecido comigo neste novo corpo. Eu não tinha esperado ser eu
mesma. Sorri imensamente.
Alice puxou meu cotovelo, e eu não pude parar de sorrir enquanto a seguia
pela noite púrpura. Apenas Edward veio conosco.
“Tem um entusiasmo que eu estou procurando,” Alice murmurou
incentivando. Então ela soltou meu braço, fez duas fronteiras, e saltou sobre o
rio.
“Vamos, Bella,” ela chamou do outro lado do rio.
Edward pulou ao mesmo tempo que eu; cada parte era tão divertida quanto
tinha sido esta tarde. Talvez um pouco mais divertida porque a noite muda
tudo para cores novas e ricas.
Alice decolou conosco em seus calcanhares, nos guiando ao norte. Era mais
fácil seguir o som de seu passo sussurrando contra o chão e a trilha fresca de
seu cheiro, do que manter meus olhos nela através da grossa vegetação. Sem
nenhum sinal, eu pude ver. Ela rodou e se lançou onde eu parei.
“Não me ataque,” ela alertou, e se atirou em mim.
“O que você está fazendo?” perguntei, me torcendo enquanto ela se
embaralhava em minhas costas e tampou meu rosto com as mãos. Eu senti o
desejo de atirá-la, mas o controlei.
“Garantindo que você não poderá ver.”
“Eu poderia cuidar disso sem o drama,” Edward ofereceu.
“Você a deixaria trapacear. Pegue a mão dela e a conduza.”
“Alice, eu –”
“Não encha, Bella. Nós estamos fazendo do meu jeito.”
Senti os dedos de Edward se entrelaçarem aos meus. “Só mais alguns
segundos, Bella. E então ela perturbará outra pessoa.” Ele me puxou para
frente. Mantive isso facilmente. Não estava assustada de golpear uma árvore;
a árvore seria a única machucada naquele cenário.
“Você pode ser um pouco mais compreensivo,” Alice o reprovou. “Isso é
tanto para você quanto para ela.”
“Verdade. Obrigado de novo, Alice.”
“Sim, sim. Okay.” A voz de Alice repentinamente cresceu em entusiasmo.
“Pare ali. Vire-a um pouco à direita. Sim, desse jeito. Okay. Está pronta?” ela
grunhiu.
“Estou.” Tinham cheiros novos aqui, provocando meu interesse, aumentando
minha curiosidade. Cheiros que não pertenciam ao fundo da floresta. Matagal.
Fumaça. Rosas. Serragem? Alguma coisa metálica também. A riqueza da terra
funda foi exposta e trazida à tona. Eu me inclinei para ver o mistério.
Alice saltou de trás de mim, libertando sua atenção em meus olhos.
Eu encarei a escuridão violeta. Lá, aconchegando-se em uma pequena clareira
da floresta, estava uma pequena casa enrijecida, lavanda cinza na luz das
estrelas.
Pertencia aqui tão absolutamente, que soava como se tivesse que ter crescido
de uma pedra, uma formação natural. O matagal escalava uma parede como
uma fasquia, enrolando todo o caminho de cima e sobre as grossas telhas de
madeira. As tardias rosas de verão floresceram em um enorme lenço de jardim
na escuridão, janelas profundas. Tinha um caminho de pedras planas,
ametistas na noite, que conduziam à curiosa porta arqueada.
Eu enrolei minha mão na chave que segurava, chocada.
“O que você acha?” A voz de Alice estava suave agora; combinava ao perfeito
silencio da cena de um livro de histórias.
Abri minha boca, mas não disse nada.
“Esme pensou que nós poderíamos ter um lugar nosso por um tempo, mas ela
não nos queria muito longe,” Edward murmurou. “E ela ama qualquer
desculpa para renovar. Este pequeno lugar tem desmoronado aqui por pelo
menos cem anos.”
Eu continuei encarando, boquiaberta como um peixe.
“Não gosta dela?” O rosto de Alice se entristeceu. “Digo, tenho certeza que
podemos construir diferentemente, se você quiser. Emmett estava querendo
adicionar alguns quadrados para os pés, a segunda história, colunas, e uma
torre, mas Esme pensou que você gostaria da melhor maneira para olhar.” Sua
voz começou a se elevar, e a falar mais alto. “Se ela estava errada, nós
podemos voltar ao trabalho. Não vai levar muito tempo para –“
“Shh!” eu mandei.
Ela pressionou seus lábios e esperou. Me levou alguns segundos para me
recuperar.
“Você está me dando uma casa de aniversário?” eu sussurrei.
“Nós,” Edward corrigiu. “E isso não é mais que uma choupana. Acho que a
palavra casa implica algo mais.”
“Não critique minha casa,” eu disse a ele.
Alice se encheu de alegria. “Você gosta dela.”
Sacudi a cabeça.
“Ama?”
Concordei.
“Mal posso esperar para contar a Esme!”
“Por que ela não veio?”
O sorriso de Alice desapareceu um pouco, bem diferente de como estava
antes, como se minha pergunta fosse difícil de responder. “Oh, sabe... eles
todos lembram de como você é com presentes. Eles não queriam te colocar
muita pressão sobre isso.”
“Mas claro que eu amei. Como não poderia?”
“Eles vão gostar disso.” Ela deu um tapinha no meu braço. “De qualquer
forma, seu armário está estocado. Use-o com sabedoria. E... acho que isso é
tudo.”
“Não vai entrar na casa?”
Ela passeou casualmente um pouco para trás.
“Edward sabe o caminho. Vou dar uma passada às...mais tarde. Chame-me se
não conseguir escolher as roupas certas.” Ela deu um olhar desconfiado e
sorriu.
“Jazz quer caçar. Vejo vocês mais tarde.”
Ela disparou entre as árvores como a bala mais graciosa.
“Isso foi estranho,” eu disse quando o som de seu vôo tinha sumido
completamente. “Estou tão mal assim? Eles não tiveram que ficar longe.
Agora me sinto culpada. Eu nem mesmo a agradeci direito. Nós deveríamos
voltar, dizer a Esme ...”
“Bella, não seja boba. Ninguém pensa que você é irracional.”
“Então o que ...“
“Tempo sozinha é outro presente deles. Alice estava tentando ser sutil sobre
isso.”
“Oh.”
Isso foi tudo para fazer a casa desaparecer. Nós podíamos ter estado em
qualquer lugar. Eu não vi as árvores ou as pedras ou as estrelas. Tinha apenas
Edward.
“Deixe-me te mostrar o que eles fizeram,” Ele disse, puxando minha mão. Ele
tinha esquecido do fato de que uma corrente elétrica estava pulsando pelo meu
corpo como adrenalina encravada no sangue?
Uma vez mais me senti estranhamente fora de equilíbrio, esperando por
reações do meu corpo, que não era capaz de mais nada. Meu coração deveria
estar trovejando como uma máquina a vapor perto de nos atingir. Aturdido.
Minhas bochechas deveriam estar brilhando de vermelhas.
Para aquele corpo, eu deveria estar exausta. Este tinha sido o dia mais longo
da minha vida.
Eu ri alto – somente uma pequena e quieta risada de choque – quando percebi
que este dia nunca acabaria.
“Preciso ouvir a piada?”
“Não é uma boa,” eu disse enquanto ele me guiava pelo caminho para a
pequena porta arredondada. “Só estava pensando – hoje é o primeiro e o
último dia do para sempre. É meio que difícil de processar isso. Mesmo com
toda essa extra sala para arrumar.” Ri novamente.
Ele riu comigo. Soltou a mão que segurava a minha para abrir a maçaneta,
esperando por mim para fazer as honras. Coloquei a chave na fechadura e
virei.
“Você é muito natural com isso, Bella; eu esqueci do quão estranho tudo deve
ser para você. Espero que eu possa ouvir isso.”
Ele se abaixou e me puxou para seus braços tão rápido que nem senti que ele
estava vindo – e foi realmente especial.
“Hey!”
“Os pisos são parte do meu trabalho de descrição,” ele me lembrou. “Mas
estou curioso. Me conte o que está pensando agora.”
Ele abriu a porta – ela retrocedeu com um mal audível rangido – e entrou pela
pequena sala de estar apedrejada.
“Tudo,” eu disse a ele. “Ao mesmo tempo, sabe. Coisas boas e coisas para me
preocupar, e coisas que são novas. Como eu continuo usando tantos
superlativos em minha mente. Agora mesmo, estou pensando que Esme é uma
artista. É tão perfeito!”
A sala da choupana era de contos de fadas. O chão estava todo recoberto de
um piso de pedras macio. O teto baixo tinha muita luz exposta; alguém tão
alto quanto Jacob certamente bateria sua cabeça nele. A lareira no cantinho me
lembrava fogo piscando. Tinha madeira flutuante queimando nela – as chamas
baixas estavam azuis e verdes do sal.
Estava mobiliada com peças ecléticas, não uma delas combinando, mas
igualmente harmoniosas. Uma cadeira parecia vagamente medieval, enquanto
uma baixa poltrona perto do fogo era mais contemporânea, e a estocada
estante de livros contra a janela mais longe me lembrou de filmes passados na
Itália. Tinham alguns quadros na parede que eu reconheci – alguns dos meus
favoritos da casa grande. Os originais são impagáveis, sem dúvidas, mas eles
pareciam pertencer aqui também, como todo o resto.
Era um lugar onde qualquer um poderia acreditar que magia existe. Um lugar
onde você esperaria a Branca de Neve andar bem ali com sua maçã na mão, ou
um unicórnio parar e morder uma roseira.
Edward sempre havia pensado que pertencia ao mundo de histórias de terror.
Claro, eu sabia que ele estava muito errado. Era óbvio que ele pertencia aqui.
Ao conto de fadas.
E agora eu estava na história com ele.
Eu estava prestes a tomar vantagem do fato de que ele não tinha contornado
para me trazer de volta, e que seu rosto bonito e inteligente estava somente a
alguns passos quando ele disse: “Nós somos sortudos que Esme tenha pensado
em colocar um quarto extra. Ninguém estava planejando por Ness –
Renesmee.”
Eu franzi as sobrancelhas, meus pensamentos se direcionaram ao caminho
menos prazeroso.
“Você também não.” Eu reclamei.
“Desculpe, amor. Eu ouvi isso nos pensamentos deles o tempo todo, sabe. Está
me perturbando.”
Eu suspirei. Meu bebe, a serpente do mar. Talvez não tinha ajeito para isso.
Bem, eu não estava cedendo.
“Estou certo de que você está morrendo para ver o armário. Ou, ao menos eu
direi para Alice que você estava, para fazê-la se sentir bem.”
“Eu deveria estar com medo?”
“Apavorada.”
Ele me carregou até o estreito corredor de pedra com pequenos arcos no teto,
como se fosse nossa própria miniatura de castelo.
“Esse será o quarto de Renesmee,” ele disse, indicando com a cabeça para o
quarto vazio com um chão de madeira branco. “Eles não tiveram tempo para
arrumá-lo, o que com a raiva dos lobisomens...”
Eu ri silenciosamente, maravilhada no quão rápido tudo tinha se tornado certo
quando era tudo aterrorizante há apenas uma semana atrás.
Maldito Jacob por fazer tudo perfeito deste jeito.
“Aqui está nosso quarto. Esme tentou trazer um pouco da sua ilha aqui para
nós. Ela achou que estaríamos ligados.”
A cama era enorme e branca, com nuvens de fios de teia de aranha flutuante
que ia do dossel até o chão. O pálido chão de madeira pálido combinou com
outra sala, e agora compreendi que era precisamente a cor de uma praia
primitiva. As paredes eram quase-branco-azul brilhante de um dia ensolarado,
e a parede traseira tinha grandes portas de vidro que se abriram em um
pequeno jardim escondido. Trepadeira rosa e um pequeno lago redondo, lisa
como um espelho e com pedras afiadas brilhantes. Um oceano muito pequeno,
calmo para nós.
“Oh” foi tudo que consegui dizer.
“Eu sei,” ele sussurrou.
Ficamos lá durante um minuto, lembrando. Embora as memórias fossem
humanas e cobertas de nuvens, elas assumiram completamente minha mente.
Ele sorriu um sorriso largo, deslumbrante, e em seguida gargalhou.
“O closet é por aquelas portas duplas.”
Eu não tinha nem mesmo olhado as portas de relance. Não existia nada mais
no mundo novamente, exceto ele – seus braços enrolados em mim, sua doce
respiração em meu rosto, seus lábios há pouca distância dos meus – e não
existia nada que pudesse me distrair agora, vampiro recém-nascido ou não.
“Nós diremos à Alice que eu corri direto para as roupas,” eu sussurrei,
passando meus dedos em seus cabelos e aproximando meu rosto do dele.
“Nós a diremos que eu passei horas brincando de me trocar. Nós vamos
mentir.”
Ele captou meu humor num instante, ou talvez ele já o tivesse feito, e ele
estava apenas tentando me deixar completamente estimulada com meu
presente de aniversário, como um cavalheiro. Ele puxou meu rosto para junto
dele com repentina ferocidade, um baixo lamento em sua garganta. O som fez
a corrente elétrica passar pelo meu corpo com um furor, como se eu não
pudesse ficar próxima o bastante dele rápido demais.
Eu ouvi o pano rasgando embaixo de nossas mãos, e fiquei feliz que minhas
roupas, ao menos, já estivessem destruídas. Era tarde demais para ele. Pareceu
quase rude ignorar aquela cama branca linda, mas nós não íamos demorar
tanto para fazer isso.
Esta segunda lua-de-mel não estava como nossa primeira.
Nosso tempo na ilha tinha sido o epítome da minha vida humana. O melhor
dela. Eu estive tão pronta para acompanhá-lo em meu tempo humano, para
agüentar o que tivesse que ser com ele por um pouco mais. Porque a parte
física não seria a mesma nunca mais.
Eu devia ter adivinhado, depois de um dia como hoje, que seria melhor.
Eu podia apreciá-lo realmente agora – podia ver propriamente cada linha linda
de seu rosto perfeito, de seu perfeito e longo corpo com meus novos olhos
fortes. Cada ângulo e cada plano dele. Eu podia sentir sua pureza, seu cheiro
vívido em minha língua, e sentir a inacreditável suavidade de sua pele de
mármore com as pontas sensíveis dos meus dedos.
Minha pele era tão sensível às mãos dele também.
Ele estava todo novo, uma pessoa diferente como se nossos corpos se
enrolassem graciosamente em um só no chão claro como areia. Sem perigo,
sem moderação. Sem medo – especialmente isso. Nós podíamos nos amar
juntos – ambos participantes ativos agora. Finalmente iguais.
Como nossos beijos antes, cada toque era mais do que os quais eu estava
acostumada. Muito dele tinha se contido. Necessariamente naquele tempo,
mas eu não pude acreditar no quanto eu estava perdendo.
Eu tentei manter em mente que era mais forte do que ele era, mas era difícil
me focar em qualquer coisa com sensações tão intensas, atraindo minha
atenção para milhares de lugares diferentes em meu corpo a cada segundo; se
eu o machucasse, ele não reclamaria.
Uma parte bem, bem pequena de minha cabeça considerava o interessante
enigma apresentado nesta situação. Eu nunca ficaria cansada, nem ele. Nós
não teríamos que tomar fôlego ou descansar ou comer ou até mesmo usar o
banheiro; nós não tínhamos mais necessidades humanas neste mundo. Ele
tinha o corpo mais lindo e perfeito do mundo, e eu o tinha todinho para mim, e
não era como se eu fosse achar um ponto em que eu iria pensar a respeito.
Agora, eu tinha o bastante por um dia. Eu iria querer mais. E o dia nunca
terminaria. Então, nessa situação, como nós iríamos parar?
Não me incomodou nem um pouco não achar a resposta para isso.
Eu meio que notei quando o céu começou a brilhar. O pequeno oceano ao lado
de fora ficou de preto para cinza, e a cotovia começou a cantar de algum lugar
bem próximo – talvez ela tivesse um ninho no meio das rosas.
“Você sente falta disso?” eu perguntei a ele quando ela parou de cantar.
Não era a primeira vez que nós falávamos, mas estávamos exatamente
mantendo uma conversa também.
“Sentir falta de que?” ele murmurou.
“De tudo isso – do calor, da pele macia, do cheiro gostoso... eu não estou
perdendo nada, e eu me pergunto se era um pouco triste para você estar
perdendo.”
Ele riu, baixo e gentilmente.
“Seria difícil encontrar alguém menos triste do que eu estou agora.
Impossível, eu aposto. Não são muitas pessoas que conseguem cada coisinha
que eles querem, mas todas as coisas que eles não pensam em pedir, em um
mesmo dia.”
“Está evitando a pergunta?”
Ele pressionou suas mãos em meu rosto. “Você é quente,” ele me disse.
Era verdade, de certa forma. Para mim, as mãos dele eram quentes. Não era o
mesmo toque da pele em chamas de Jacob, mas era mais confortável. Mais
natural.
Então ele deslizou os dedos lentamente em meu rosto, levemente seguindo de
minha mandíbula à minha garganta, e então fez todo o caminho até minha
cintura. Meus olhos rolaram um pouco.
“Você é macia.”
Seus dedos estavam como cetim contra minha pele, então eu pude entender o
que ele queria dizer.
“E sobre o cheiro, bem, eu não poderia dizer que sinto falta disso. Se lembra
do cheiro daqueles caminhantes em nossa caça?”
“Tenho tentado muito não lembrar.”
“Imagina beijar aquilo.”
Minha garganta ardeu em chamas como amarrassem uma corda em um balão a
vapor.
“Oh.”
“Exatamente. Então a resposta é não. Estou cheio de alegria, porque não sinto
falta de nada. Ninguém tem mais do que eu tenho agora.”
Eu estava para informá-lo de uma exceção ao seu relato, mas meus lábios
estavam repentinamente muito ocupados.
Quando a pequena piscina ficou perolada com o nascer do sol, eu pensei em
outra pergunta a ele.
“Quanto tempo isso continua? Digo, Carlisle e Esme, Emmett e Rose, Alice e
Jasper – eles não passam o dia todo trancados em seus quartos. Eles saem em
público, totalmente cobertos, o tempo todo. Este... desejo passa?” Eu me
entortei para ficar mais próxima a ele – enorme consumação, na verdade –
para deixar claro do que eu estava falando.
“Isso é difícil de dizer. Todo mundo é diferente e, bem, você é de longe a mais
diferente de todas. O vampiro jovem normal é obcecado demais com sede para
reparar em qualquer outra coisa por um bom tempo. Isso não parece se aplicar
a você. Com o vampiro normal, entretanto, depois do primeiro ano, outras
necessidades aparecem. Nem sede ou qualquer outro desejo realmente some. É
simplesmente uma questão de aprender a equilibrá-los, aprender a priorizar e
manejar...”
“Quanto tempo?”
Ele sorriu, enrrugando seu nariz um pouco. “Rosalie e Emmett são os piores.
Levou uma década sólida antes que eu pude ficar a 5 milhas de distância
deles. Até Carlisle e Esme tiveram um tempo difícil digerindo isso. Eles
chutaram o casal feliz eventualmente. Esme construiu a casa deles também.
Era mais grandiosa que esta, mas só que Esme sabia do que Rosalie gostava, e
ela sabe do que você gosta.”
“Então depois de 10 anos?” Eu estava certa de que Rosalie e Emmett não nos
devem nada, mas podia soar arrogante se eu fosse além de uma década. “Todo
mundo é normal de novo? Como eles estão agora?”
Edward sorriu de novo. “Bem, não tenho certeza do que você quer dizer
quando diz normal. Você tem visto minha família cuidar da vida de um jeito
justamente humano, mas você tem dormido por noites.” Ele piscou para mim.
“Tem tempo de sobra quando você não tem que dormir. Isso te faz equilibrar
mais seu... interesse mais facilmente. Tem uma razão pela qual eu sou o
melhor músico da família, porque – além de Carlisle – eu já li mais livros,
estudei a maior parte das ciências, me tornei fluente na maioria das línguas...
Emmett acreditaria que eu sou um sabichão porque consigo ler mentes, mas a
verdade é que eu só tenho muito tempo livre.”
Nós rimos juntos, e o impulso de nossa risada fez coisas interessantes com a
maneira com que nossos corpos estavam conectados, efetivamente acabando
aquela conversa.

25. Favor [amanhecer]
**************************
Era só um pouco mais tarde quando Edward me lembrou das minhas
prioridades.
Só tomou a ele uma palavra.
“Resmee...”
Eu suspirei. Ela acordaria logo. Era quase sete da manhã. Será que ela estaria
procurando por mim? Abruptamente, alguma coisa perto de pânico congelou
meu corpo todo. Como ela estaria parecendo hoje?
Edward sentiu a distração do meu estresse. “Está tudo bem, amor. Se troque, e
nós voltaremos para casa em dois segundos.”
Eu provavelmente parecia como um desenho animado, o jeito que eu pareci, e
então olhei de volta pra ele - seu corpo de diamante brilhando na luz difusa ae
então olhei pra longe ao leste, onde Renesmee esperava, e então de volta pra
ele, depois de volta para ela, minha cabeça virando para os lados umas doze
vezes por segundo. Edward sorriu, mas não riu; ele era um homem forte.
“É tudo questão de balanço, amor. Você é tão bom nisso, não acho que vá
demorar para botar tudo em uma perspectiva.”
“E nós temos a noite toda, certo?”
Ele abriu um sorriso mais largo ainda. “Você acha que eu poderia agüentar
deixar você se trocar agora se não fosse o caso?”
Isso seria o suficiente para me levar pelas horas do dia. Eu ia balançar esse
esmagador e devastador desejo para que eu pudesse ser uma boa - eu não
conseguia pensar na palavra. Embora Renesmee fosse real e vital na minha
vida, ainda era difícil me pensar como sendo uma mãe. Eu acho que qualquer
uma se sentiria do mesmo jeito, embora, sem os noves meses pra se acostumar
com a idéia. E com uma criança que mudava por hora.
O pensamento da vida rápida de Renesmee me estressou de novo em um
instante. Eu nem parei nas portas para conseguir respirar antes de descobrir o
que Alice tinha feito. Eu só entrei, pretendendo colocar as primeiras roupas
que eu tocasse. Eu sabia que isso não seria fácil.
“Qual é a minha?” eu assobiei.
Como prometido, o cômodo era maior que nosso quarto. Talvez fosse maior
que toda a casa junta, mas eu tinha que aceitar para ser positiva. Eu tive um
breve flash de Alice tentando convencer Esme para ignorar as proporções
clássicas e permitir essa monstruosidade. Eu imagino como Alice ganhou essa.
Tudo estava embrulhado em malas brancas, montes depois de montes depois
de montes.
“Pelo meu conhecimento, tudo menos essa mala aqui”- ele tocou em uma
barra esticada junto com a longa parede no lado esquerdo da porta- “é seu.”
“Tudo isso?”
Ele riu.
“Alice,” nós dissemos juntos. Ele disse seu nome como explicação e eu disse
como acusação.
“Certo,” eu murmurei e então puxei o zíper para baixo da mala mais perto. Eu
gemi por baixo da respiração quando eu vi o vestido longo de seda dentrorosa
bebê.
Encontrar algo normal para vestir podia levar o dia todo!
“Me deixe ajudar,” Edward ofereceu. Ele cheirou o ar cuidadosamente e então
seguiu algum cheiro para as costas do longo quarto. Então tinha uma
penteadeira embutida. Ele cheirou de novo, e então abriu uma gaveta. Com
um sorriso triunfante, ele pegou um par de jeans desbotados.
Eu coloquei a cabeça de lado. “Como você fez isso?”
 “Jeans tem seu próprio cheiro, como qualquer outra coisa. Agora... algodão?”
Ele seguiu seu nariz em uma cômoda, pegando uma camiseta branca de manga
comprida. Ele a lançou para mim.
“Obrigada,” eu disse fervorosamente. Eu inalei cada tecido, memorizando o
cheiro para futuras procuras nessa enorme casa. Eu me lembrava de seda e
cetim; eu ia evitar esses.
Só o tomou dois segundos para achar suas próprias roupas - se eu não tivesse
o visto sem roupas, eu ia jurar que não havia nada mais bonito que Edward em
suas calças caqui e seu pullover bege - e então ele pegou minha mão. Nós
fomos para o jardim escondido, que estava acima da parede de pedra, e
chegava na floresta em um fim de linha. Eu puxei minha mão para que eu
pudesse correr de volta. Ele foi mais rápido dessa vez.
Renesmee estava acordada; ela estava sentada no chão com Rose e Emmett
pairando em cima dela, brincando com uma pilha pequena de roupas pratas.
Ela tinha uma colher na sua mão direita. Quando ela me viu pelo vidro, ela
atirou a colher no chão - onde ficou uma bolinha na madeira - e apontou na
minha direção. Seus espectadores deram risada; Alice, Jasper, Esme, e Carlisle
estavam sentados no sofá, assistindo como se ela fosse o mais interessante dos
filmes.
Eu passei pela porta quando a risada deles tinha mal começado, se espalhando
pelo cômodo e chegando a ela no chão em no mesmo segundo. Nós sorrimos
grandemente um para o outro.
Ela era diferente, mas não muito. Um pouco maior de novo, suas proporções
estavam passando de bebê para criança. Seus cabelos estavam mais longos, os
cachos balançando a todo o momento. Eu deixei minha mente ficar louca
quando nós voltamos, e eu imaginei coisa pior do que isso. Graças aos meus
medos, essas pequenas mudanças eram quase um alívio. Mesmo sem as
medidas de Carlisle, eu estava certa de que as mudanças estavam mais
devagar do que ontem.
Renesmee deu uma batidinha na minha bochecha. Eu estremeci. Ela estava
com fome de novo.
 “Por quanto tempo ela esteve acordada?” eu perguntei a Edward
desaparecendo pela porta da cozinha. Eu tenho certeza que ele estava a
caminho de pegar seu café-da-manhã, vendo que ela pensou tão claramente
quanto eu tinha pensado. Eu pensei se ele iria perceber sua pequena
peculiaridade, como se ele fosse o único que a conhecesse. Para ele,
provavelmente seria como ouvir a qualquer um.
“Só alguns minutos,” Rose disse. “Nós teríamos te ligado em breve. Ela está
perguntando por você - exigindo você talvez seja uma descrição melhor. Esme
sacrificou seu trabalho de prata só para mantê-la entretida.” Rose sorriu pra
Renesmee com tanta afeição que a crítica nem fazia sentido. “Nós não
queríamos, er, te incomodar.”
Rosalie mordeu seus lábios e olhou para longe, tentando não rir. Eu pude
sentir a risada silenciosa de Emmett atrás de mim, mandando vibrações pela
casa.
Eu mantive meu queixo erguido. “Nós vamos ter arrumado seu quarto
rapidinho,” eu disse para Renesmee. “Você vai gostar da casa de campo. É
mágica.” Eu olhei para Esme. “Obrigada, Esme. Muito mesmo. É
absolutamente perfeita.”
Antes que Esme pudesse responder, Emmett estava rindo de novo- e não era
silenciosamente dessa vez.
“Então ainda está em pé?” ele tentou falar ao meio das gargalhadas. “Eu
pensei que vocês tinham a feito pedregulhos já. O que vocês estavam fazendo
ontem à noite? Discutindo o estado nacional?” Ele uivou em sua risada.
Eu travei meus dentes e me lembrei das conseqüências negativas que meu
temperamento trouxe ontem. É claro, Emmett não era tão quebrável quanto
Seth...
“Por que ele está tão chateado?” Edward perguntou quando ele voltou para o
cômodo com o copo de Renesmee. Havia sido muito mais para Rosalie em sua
memória do que eu já tinha visto em sua expressão.
Sem respirar, eu peguei Renesmee de Rosalie. Bem controlada, talvez, mas
ainda eu não tinha jeito para alimenta-la. Ainda não.
 “Eu não sei - ou ligo,” Rosalie disse, mas ela respondeu a pergunta de Edward
mais completamente. “Ele estava olhando Nessie dormir, sua boca aberta
como um boboca que ele é, e então ele ficou em pé sem nenhum tipo de
gatilho - que eu tenha notado, mas de qualquer jeito - e saiu por aí. Eu estava
feliz de me livrar dele. Quanto mais tempo ele passa aqui, menos chances nós
temos de ter esse cheiro banido.”
“Rose,” Esme disse gentilmente.
Rosalie mexeu seus cabelos. “Eu acho que não importa. Nós não vamos ficar
aqui por tanto tempo.”
“Eu ainda acho que devemos ir para New Hampshire e acertar as coisas,”
Emmett disse, obviamente continuando uma conversa anterior.
“Bella já está registrada em Dartmouth. Não parece que vai leva-la todo esse
tempo para agüentar a escola.” Ele virou para olhar pra mim com um sorriso.
“Eu tenho certeza que você vai tirar de letra... parece que você não tem nada
de interessante para fazer a noite além de estudar.”
Rosalie riu.
Pensar em Seth me fez imaginar. “Onde estão os lobos hoje?” eu olhei pra
janela, mas não tinha nenhum sinal de Leah na entrada.
“Jacob saiu daqui essa manhã bem cedo,” Rosalie disse a mim, com uma ruga
na sua testa. “Seth o seguiu.”
Não perca a cabeça, não perca a cabeça. Eu cantei para mim mesma. E então
eu estava orgulhosa de mim mesmo por não perder a cabeça. Mas eu estava
bem surpresa que Edward não conseguiu.
Ele grunhiu- um abrupto, chocante som - e a fúria cruzou sua expressão como
se fosse uma tempestade.
Antes que qualquer um de nós pudesse responder, Alice estava em pé.
“O que ele está fazendo? O que aquele cachorro está fazendo que apagou todo
o meu itinerário para hoje? EU não posso ver nada! Não!” Ela jogou um olhar
torturado. “Olhe para você! Você precisa que eu te mostre como usar seu
closet!
Por um segundo eu estava agradecida pelo o que Jacob estava planejando.
E então os punhos de Edward se fecharam e ele latiu.
“Ele falou com Charlie. Ele acha que Charlie vai o seguir. Vindo aqui. Hoje.”
Alice disse uma palavra que não parecia ser dita por ela, com sua voz de leide,
e então ela saiu pela porta dos fundos.
“Ele contou a Charlie?” eu disse. “Mas-- ele não entende? Como ele pôde
fazer isso?” Charlie não podia saber sobre mim! Sobre vampiros! Isso o
colocaria numa lista que nem os Cullen poderiam salva-lo.
“Não!”
Edward falou por entre seus dentes.
“Jacob está vindo para cá, agora.”
Deve ter começado a chover longe no oeste. Jacob entrou pela porta sacudindo
seu cabelo molhado como um cachorro, derrubando água no carpete e no sofá
onde ficaram pequenos pontos cinzas no sofá branco. Seus dentes apareceram
contra seus lábios escuros, seus olhos estavam claros e excitados. Ele entrou
com movimentos desajeitados, como se ele tivesse gostando de destruir a vida
do meu pai.
“Hey, pessoal,” ele nos cumprimentou, rindo.
Estava perfeitamente silencioso.
Leah e Seth ficaram aos seus lados, em suas formas humanas- por enquanto;
as mãos dos dois estavam tremendo com a tensão do cômodo.
“Rose,” eu disse, com os braços esticados. Sem palavras, Rosalie me entregou
Renesmee. Eu a pressionei perto do meu coração sem batidas, a segurando
como um talismã. Eu a teria nos meus braços até eu decidir que matar Jacob
era inteiramente baseado racionalmente e não em fúria.
Ela ficou parada, olhando e ouvindo. Quanto ela entendia?
“Charlie estará aqui logo,” Jacob me disse casualmente. “Só para ver como
estão às coisas. Eu acho que Alice está pegando para vocês óculos de Sol, ou
alguma coisa assim?”
“Você acha muito,” eu cuspi por entre dentes. “O. Que. Você. Fez?”
Jacob sorriu, mas ele estava muito abobalhado para responder seriamente.
“Loira e Emmett me acordaram essa manhã com toda a baboseira de todos
vocês se mudarem para o outro lado do país. Como se eu pudesse deixar você
ir embora. Charlie é o maior problema aqui, certo? Bem, problema resolvido.”
“Você imagina o que você fez? O perigo em que você o colocou?”
Ele bufou. “Eu não o coloquei em perigo. Exceto por você. Mas você tem um
certo autocontrole supernatural, certo? Não é tão bom quanto ler mentes, se
você me perguntar. Muito menos legal.”
Edward se moveu então, indo diretamente para o rosto de Jacob. Mesmo ele
sendo metade de uma cabeça mais baixo que Jacob, Jacob foi para trás assim
que Edward se inclinou para frente com raiva.
“Isso é só uma teoria, mongol.” Ele latiu. “Você acha que nós devíamos testála
com Charlie ? Você sabe a dor física que você vai fazer em Bella, mesmo se
ela puder resistir? Ou a dor emocional se ela não conseguir? Eu acho que o
que acontece com Bella não é mais de seu interesse.” Ele cuspiu as ultimas
palavras.
Renesmee pressionou os dedos ansiosamente em minha bochecha, ansiedade
colorindo o replay em sua cabeça.
As palavras de Edward cortaram de um jeito elétrico em Jacob. Sua boca se
abriu.
“Bella vai ficar com dor?”
“Como se você tivesse enfiado um cano de aço quente em sua garganta.”
Eu estremeci, relembrando o cheiro do sangue humano.
“Eu não sabia disso.” Jacob sussurrou.
“Então você deveria ter perguntado primeiro,” Edward cuspiu por entre seus
dentes de novo.
“Você teria me parado.” Jacob sussurrou.
“Você deveria ter sido parado...”
“Isso não é sobre mim..” eu interrompi. Eu fiquei bem parada, me
concentrando em Renesmee e na minha sanidade. “Isso é sobre Charlie, Jacob.
Como você pôde colocá-lo em perigo desse jeito? Você percebe que agora é
vida ou vampiro para ele agora, também?”
Minha voz tremeu com as lágrimas que meus olhos não podiam mais produzir.
Jacob ainda estava com problemas por causa das acusações de Edward, mas as
minhas não pareciam o preocupar.
“Relaxe, Bella. Eu não disse nada para que vocês não estavam planejando
falar.
“Mas ele está vindo aqui!”
“Yeah, essa é a idéia. Não era o plano faze-lo tirar conclusões erradas? Eu
acho que consegui fazer bem isso.”
Meus dedos se flexionaram para longe de Renesmee. Eu os curvei de volta em
segurança.
“Diga logo, Jacob. Eu não tenho paciência para isso.”
“Eu não disse para ele sobre você, Bella. Não realmente. Eu disse para ele
sobre mim. Bem, mostrei é provavelmente o melhor verbo.
“Ele se transformou em frente do Charlie,” Edward assobiou.
Eu sussurrei. “Você o que??”
 “Ele é corajoso. Do mesmo jeito que você. Não desmaiou, não vomitou nem
nada. Eu preciso dizer, eu fiquei impressionado. Você precisava ver a cara
dele quando eu comecei a tirar minhas roupas. Sem preço,” Jacob riu.
“Você é um total idiota! Você podia ter dado a ele um ataque do coração!”
“Charlie está bem. Ele é forte. Se você desse um minuto, você ia ver que eu te
fiz um favor aqui.”
“Você tem metade disso, Jacob.” Minha voz estava fria. “Você tem trinta
segundos para me falar todas as palavras antes que eu dê Renesmee para
Rosalie e arranque sua cabeça fora. Seth não poderá me parar essa vez.”
“Jesus, Bells. Você não era tão melodramática. Isso é uma coisa de vampiro?”
“Vinte e seis segundos.”
Jacob rolou os olhos e sentou na cadeira mais próxima. Seu bando foi junto
para ficar ao seu lado, não tão relaxado quanto ele parecia estar; os olhos de
Leah estavam em mim, seus dentes a mostra.
“Eu bati na porta de Charlie hoje e pedi a ele para sair para uma volta comigo.
Ele estava confuso, mas quando eu disse pra ele que era sobre você e que você
estava de volta na cidade, ele me seguiu para as árvores. Eu disse a ele que
você não estava mais doente, e que as coisas estavam um pouco estranhas,
mas boas. Ele estava prestes a ir embora para te ver, mas eu disse a ele que
precisava mostrá-lo uma coisa. E então eu me transformei.”
Jacob se mexeu.
Eu senti que alguma viga estava prendendo meus dentes juntos. “Eu quero
todas as palavras, seu monstro.”
“Bem, você disse que eu só tinha trinta segundos - okay, okay.” Minha
expressão deve ter dito a ele que eu não estava para brincadeira. “Deixe-me
ver... eu me transformei de volta e me vesti, e depois que ele voltou a respirar,
eu disse algo como, “Charlie, você não vive no mundo que você achou que
vivia. A boa notícia é, nada mudou, mas agora - você sabe. A vida irá
continuar do mesmo jeito que antes. Você pode voltar a pensar que você não
acredita em nada disso.”
“Levou um minuto para ele colocar a cabeça no lugar, e então ele quis saber o
que realmente estava acontecendo com você, com todo o negócio de doençarara.
Eu o disse que você estava doente, mas que você estava bem agora- só
que você teve que mudar um pouco no processo de melhora. Ele quis saber o
que eu quis dizer por “mudar”, e eu disse que você estava mais parecida com
Esme agora do que com Renée.”
Edward assobiou enquanto eu olhava em horror; isso estava indo para uma
direção perigosa.
“Depois de alguns minutos, ele perguntou, realmente silencioso, se você tinha
virado um animal também. E eu disse: “Ela bem que queria ser tão legal.”
Jacob gargalhou.
Rosalie fez um barulho de nojo.
“Eu comecei a contar sobre os lobisomens, mas eu nem tinha acabado de falar
a palavra- Charlie me cortou e disse ‘que preferia não ouvir em detalhes.’
Então ele perguntou se você sabia em que você estava se metendo quando
casou com Edward, e eu disse, ‘Claro, ela sabe disso por anos, desde que ela
veio para Forks.’ Ele não gostou muito daquilo. Eu deixei ele falar até ele ficar
mais calmo. Quando ele ficou, ele só queria duas coisas. Ele queria te ver, e eu
disse que seria melhor eu ir na frente para explicar.”
Eu inalei profundamente. “O que era a outra coisa que ele queria?”
Jacob sorriu. “Você vai gostar disso. Sua condição principal era que ele queria
saber tudo sobre tudo isso. Se não há necessidade de ele saber alguma coisa,
então não fale. Só o que ele precisa saber.”
Eu senti alívio pela primeira vez desde que Jacob entrou na casa. “Eu consigo
agüentar essa parte.”
“Além disso, ele só quer fingir que as coisas estão normais.” O sorriso de
Jacob se tornou presunçoso; ele suspeitaria que eu estaria começando a sentir
os primeiros sintomas de desmaio agora.
 “O que você disse para ele de Renesmee?” eu lutei para manter uma voz
razoável, lutando com a apreciação. Era prematuro. Havia tanta coisa errada
nessa situação. Mesmo que a intervenção de Jacob tenha trazido uma reação
boa de Charlie que eu nunca esperei...
“Oh yeah. Eu disse que você e Edward tinham herdado uma pequena boca pra
alimentar.” Ele olhou pra Edward. “Ela é uma órfã que está sob a sua guardacomo
Bruce Wayne e Dick Grayson.” Jacob bufou. “Eu não achei que vocês
iam se importar de eu mentir. Isso tudo faz parte do jogo, certo?” Edward não
respondeu de nenhum jeito, então Jacob continuou. “Charlie passou muito o
ponto de ficar chocado, mas ele perguntou se vocês iam adotá-la. ‘Como uma
filha? Eu sou tipo um avô?’ eram suas exatas palavras. Eu disse pra ele que
sim. ‘Parabéns, vovô’ e tudo isso. Ele até sorriu um pouquinho.
A dor voltou pros meus olhos, mas não de medo ou angustia dessa vez.
Charlie estava sorrindo da idéia de ser avô? Charlie ia conhecer Renesmee?
“Mas ela está mudando tão rápido,” eu sussurrei.
“Eu disse a ele que ela era mais especial que todos nós juntos,” Jacob disse
numa voz calma. Ele levantou e andou até eu, acenando pra Leah e Seth
quando eles começaram a seguir. Renesmee alcançou a ele, mas eu a abracei
mais forte. “Eu disse a ele, ‘Confie em mim, você não vai querer saber sobre
isso. Mas se você puder ignorar todas as partes estranhas, você vai ficar
encantado. Ela é a pessoa mais linda no mundo inteiro.’ E então eu o disse que
se ele pudesse lidar com isso, vocês iam ficar por perto por um tempo e ele
teria uma chance de conhecer ela. Mas eu disse que se fosse muito pra ele,
você iria embora. Ele disse que se ninguém tentasse informa-lo demais, ele
estava de acordo.”
Jacob olhou pra mim com metade de um sorriso, esperando.
“Eu não vou te agradecer,” Eu disse a ele. “Você ainda está colocando Charlie
em um grande risco.”
“Eu sinto muito sobre isso te machucar. Eu não sabia que era assim. Bella, as
coisas são diferentes com a gente agora, mas você sempre será minha melhor
amiga, e eu sempre vou te amar. Eu vou te amar do jeito certo agora.
Finalmente há um equilíbrio. Nós dois temos pessoas a quais nós não
podemos viver sem.”
Ele sorriu o sorriso de Jacob. “Ainda amigos?”
Tentando o máximo pra resistir, eu tinha que sorrir de volta. Só um pequeno
sorriso.
Ele levantou sua mão: uma oferta.
Eu respirei fundo e mudei o peso de Renesmee para um braço. Eu coloquei
minha mão esquerda na dele - ele nem estremeceu quando eu coloquei minha
mão gelada na dele. “Se eu não matar Charlie hoje, eu posso considerar em te
perdoar.”
“Quando você não matar Charlie hoje, você vai me dever muito.”
Eu virei meus olhos.
Ele levantou sua outra mão em direção de Renesmee, um pedido dessa vez.
“Posso?”
“Eu estou segurando ela para que minhas mãos não estejam livres para te
matar, Jacob. Talvez mais tarde.”
Ele suspirou mas não me pressionou. Inteligente.
Alice correu de volta pelas portas, suas mãos cheias e sua expressão
prometendo violência.
“Você, você, e você.” Ela falou, olhando pros lobisomens. “Se vocês vão
ficar, vão ali para o canto e fiquem por lá por um tempo. Eu preciso ver. Bella,
é melhor você entrega a ele o bebê também. Você precisará de seus braços
livres, de qualquer jeito.”
Jacob riu em triunfo.
O medo tomou conta do meu estomago quando eu percebi o que eu estava
prestes a fazer. Eu ia brincar com o meu autocontrole com minha pena como o
porquinho da índia. As palavras de Edward de antes vieram na minha cabeça
de novo.Você sabe a dor física que você vai fazer em Bella, mesmo se ela
puder resistir? Ou a dor emocional se ela não conseguir?
Eu não podia imaginar a dor de falhar. Minha respiração ficou dividida.
“Pegue ela” eu sussurrei, dando Renesmee para Jacob.
Ele concordou, a preocupação na sua testa. Ele gesticulou para os outros, e
todos eles foram pro canto mais longe da sala. Seth e Jake sentaram no chão,
mas Leah balançou a cabeça e juntou os lábios.
“Estou permitida a sair?” ela perguntou. Ela parecia desconfortável em sua
forma humana, usando a mesma roupa que estava usando quando gritou
comigo no outro dia, seu cabelo curto parecendo tufos. Suas mãos ainda
estavam tremendo.
“É claro.” Jake disse.
“Fique à oeste assim você não cruza o caminho de Charlie,” Alice
acrescentou.
Leah não olhou para Alice; ela saiu pela porta e foi paras árvores se
transformar.
Edward estava do meu lado, olhando pro meu rosto. “Você consegue fazer
isso. Você sabe que consegue. Eu vou te ajudar, nós todos vamos.”
Eu olhei pros olhos de Edward com o pânico saindo do meu rosto. Ele era
forte o suficiente para me parar se eu fizesse algum movimento errado?
“Se eu achasse que você não pode agüentar, nós desapareceríamos hoje. Nesse
mesmo minuto. Mas você pode. E você vai ficar mais feliz se puder ter
Charlie na sua vida.”
Eu tentei diminuir minha respiração.
Alice levantou a mão. Tinha uma pequena caixa azul na palma.
 “Isso vai irritar seus olhos- não vão machucar, mas pode deixar seus olhos
anuviados. É irritante. Eles também não combinam com sua cor antiga, mas
ainda assim é melhor que vermelho, certo?”
Ela jogou a caixinha no ar e eu a peguei.
“Quando você...”
“Antes de você ir para lua-de-mel. Eu estava preparada para várias coisas no
futuro.”
Eu concordei e abri a caixinha. Eu nunca usei lentes antes, mas não podia ser
difícil. Eu peguei a pequena esfera marrom e pressionei, o lado côncavo para
dentro, no meu olho. Eu pisquei, e um filme interrompeu minha visão. Eu
podia ver por ele, claro, mas eu podia ver também a textura da tela. Meu olho
ficava se focando nas coisas microscópicas da lente.
“Eu entendo agora,” eu murmurei enquanto colocava a outra. Eu tentei não
piscar dessa vez. Meu olho automaticamente queria desalojar a obstrução.
“Como eu pareço?”
Edward sorriu. “Linda. É claro...”
“Sim, sim, ela sempre está linda,” Alice finalizou seu pensamento
impacientemente. “É melhor que o vermelho, mas isso é o melhor que eu
posso fazer. Marrom lama. O seu marrom era muito mais bonito. Que fique
claro que elas não vão durar para sempre - o veneno nos seus olhos irá
dissolve-la em poucas horas. Então se Charlie ficar mais que isso, você vai ter
que se retirar para troca-las. O que é uma boa idéia, porque humanos precisam
de pausas para ir ao banheiro.” Ela balançou a cabeça. “Esme, dê a ela
algumas aulas de como agir como humana enquanto eu estoco o quarto com
lentes de contato.”
“Quanto tempo eu tenho?”
“Charlie estará aqui em cinco minutos. Fique simples.”
Esme concordou e pegou minha mão. “O negócio é não sentar muito duro ou
se mover muito rápido,” ela me disse.
 “Sente-se se ele sentar,” Emmett ajudou. “Humanos não gostam de só ficar
lá.”
“Deixe seus olhos vagar por aí a cada 30 segundos ou coisa assim,” Jasper
disse. “Humanos não ficam olhando para uma coisa só por tanto tempo.”
“Cruze suas pernas por uns 5 minutos, e então troque e cruze seus tornozelos
por outros 5.” Rosalie disse.
Eu concordei a cada sugestão. Eu notei que eles fizeram algumas dessas coisas
ontem. Eu achei que podia imitar suas ações.
“E pisque pelo menos três vezes por minuto,” Emmett disse. Ele carrancou, e
então foi para onde o controle remoto estava na mesa. Ele ligou a TV e
colocou no canal onde tinha jogo de futebol universitário.
“Mexa suas mãos também. Passe-as no seu cabelo ou finja coçar algo.” Jasper
disse.
“Eu disse Esme,” Alice reclamou quando voltou. “Vocês vão falar demais.”
“Não, eu acho que eu entendi tudo.” Eu disse. “Sentar, olhar para os lados,
piscar...”
“Certo.” Esme aprovou e abraçou meus ombros.
Jasper juntou as sobrancelhas. “Você estará segurando sua respiração o quanto
for possível, mas você precisa mexer seus ombros para parecer que está
respirando.”
Eu inalei uma vez e então concordei de novo.
Edward me abraçou no lado que eu estava livre. “Você consegue fazer isso.”
Ele repetiu, murmurando encorajando na minha orelha.
“Dois minutos,” Alice disse. “Talvez você devesse começar no sofá. Você
estava doente, depois de tudo. Desse jeito ele não precisará ver você se mexer
primeiro.”
Alice me empurrou para o sofá. Eu tentei me mover devagar, para me fazer
mais desajeitada. Ela rolou os olhos, então eu acho que estava fazendo bom
trabalho.
“Jacob, eu preciso de Renesmee,” eu disse.
Jacob juntou as sobrancelhas, sem se mexer.
Alice mexeu sua cabeça. “Bella, isso não me ajuda a ver.
“Mas eu preciso dela. Ela me deixa calma.” A ponta de pânico na minha voz
era sem erros.
“Ta bem,” Alice gemeu. “Segure ela o mais parado que puder e então eu vou
tentar ver em volta dela.” Ela suspirou, como se ela tivesse trabalhando em um
feriado. Jacob suspirou, também, e então trouxe Renesmee para mim e então
fugiu rapidamente do olhar de Alice.
Edward se sentou ao meu lado e então colocou seu braço ao meu redor e de
Renesmee. Ele foi para frente e olhou bem sério nos olhos de Renesmee.
“Renesmee, alguém especial está vindo para ver você e sua mãe,” ele disse em
uma voz solene, como se ele esperasse que ela entendesse todas as palavras.
Será que ela entendia? Ela olhou para ele de volta com os olhos graves. “Mas
ele não é como nós, ou Jacob. A gente precisa ser bastante cuidadoso com ele.
Você não devia contar para ele as coisas como você nos conta.”
Renesmee tocou ele no rosto.
“Exatamente,” ele disse. “Ele vai te fazer ficar com sede, mas você não pode
morder ele. Ele não vai se curar como Jacob.”
“Ela pode te entender?” eu sussurrei.
“Ela entende. Você vai ser cuidadosa, não vai, Renesmee? Você vai nos
ajudar?”
Renesmee o tocou de novo.
 “Não, eu não ligo se você morder Jacob. Isso tudo bem.”
Jacob riu.
“Talvez você deva sair, Jacob.” Edward disse friamente, olhando em sua
direção. Edward não perdoou Jacob pelo o que tinha acontecido agora, que eu
iria me machucar. Mas eu aceitaria a queimação felizmente se fosse a pior
coisa hoje.
“Eu disse a Charlie que eu estaria aqui,” Jacob disse. “Ele precisa de apoio
moral.”
“Apoio moral,” Edward tossiu. “Até onde Charlie sabe, você é o monstro mais
repulsivo de todos nós.”
“Repulsivo?” Jake protestou, e então riu silenciosamente para ele mesmo.
Eu ouvi os pneus virar na estrada para a parte quieta da rua dos Cullen, e
minha respiração aumentou de novo. Meu coração estaria martelando. Me
fazia ansiosa que meu corpo não tinha as reações certas.
Eu me concentrei na batida do coração de Renesmee para me acalmar. E
funcionou rapidamente.
“Muito bom, Bella,” Jasper sussurrou em aprovação.
Edward apertou mais seus braços em volta dos meus ombros.
“Você tem certeza?” eu o perguntei.
“Positivo. Você pode fazer qualquer coisa.” Ele sorriu e me beijou.
Era precisamente um selo nos lábios, e minhas reações vampíricas me tiraram
da guarda de novo. Os lábios de Edward eram como uma dose de alguma
substância química que eu era viciada direto no meu sistema nervoso. Eu
instantaneamente queria mais. Levou toda a minha concentração para lembrar
do bebê nos meus braços.
Jasper sentiu minha mudança de humor. “Er, Edward, você tem que parar de
distraí-la desse jeito. Ela precisa se concentrar.”
Edward se afastou. “Oops,” ele disse.
Eu ri. Essa tinha sido a minha fala desde o começo, desde o primeiro beijo.
“Mais tarde,” eu disse, e ansiedade virou no meu estomago.
“Concentre-se, Bella.” Jasper falou.
“Certo.” Eu coloquei esses sentimentos para longe. Charlie era o principal
agora. Deixar Charlie seguro hoje. Nós teríamos a noite toda.
“Bella.”
“Desculpa, Jasper.”
Emmett riu.
O som da viatura de Charlie só se aproximou. Um segundo passou e todo
mundo estava parado. Eu cruzei minhas pernas e treinei piscar.
O carro parou em frente a casa e parou por alguns segundos. Eu imaginei se
Charlie estaria tão nervoso quanto eu estava. E então o motor desligou, e uma
porta bateu. Três passos na grama, e depois oito thuds na varanda. E então o
silêncio. Charlie respirou duas vezes.
Knock, knock, knock.
Eu inalei pelo o que parecia ser a última vez. Renesmee descansava nos meus
braços, escondendo seu rosto no meu rosto.
Carlisle respondeu a porta. Sua expressão estressada mudou para uma
expressão de hospitalidade, como se tivesse mudado um canal da TV.
“Olá, Charlie.” Ele disse, olhando apropriadamente cansado. Depois, nós
devíamos estar em Atlanta no Centro de Controle de Doenças. Charlie sabia
que ele tinha sido enganado.
“Carlisle,” Charlie o cumprimentou. “Cadê Bella?”
“Aqui, Pai.”
Ugh! Minha voz estava tão errada! Mais, eu usei algum do meu estoque de ar.
Eu puxei um rápido reestoque, feliz que o cheiro de Charlie não tenha se
apoderado da sala ainda.
A expressão de nada de Charlie como minha voz estava.
Choque. Dor. Perda. Medo. Raiva. Suspeitas. Mais dor.
Eu mordi meu lábio. Pareceu engraçado. Meus novos dentes eram mais
grossos contra minha pele de granito do que meus dentes humanos contra
minha macia pele humana.
“É você, Bella?” ele sussurou.
“Sim” Eu disse na minha voz estranha. “Oi, pai.”
Ele respirou fundo pra se firmar.
“Hey, Charlie.” Jacob o cumprimentou do canto. “Como estão as coisas?”
Charlie olhou para Jacob uma vez, lutando com a memória, e então olhou pra
mim de novo.
Devagar, Charlie cruzou a sala e ficou a alguns passos de mim. Ele olhou
acusadoramente para Edward, e então seus olhos voltaram pra mim. A
quentura de seu corpo pulsava contra mim a cada batida do seu coração.
“Bella?” ele perguntou de novo.
Eu falei em uma voz baixa, tentando tirar o toque dela. “É realmente eu.”
Sua mandíbula ficou dura.
“Me desculpe, pai.” Eu disse.
“Você está bem?” Ele exigiu.
“Realmente e verdadeiramente bem,” eu prometi. “Saudável como um
cavalo.”
“Isso era tudo do meu oxigênio.
“Jake me disse que isso foi... necessário. Que você estava morrendo.”
Ele disse essas palavras como se ele não tivesse acreditado em nenhuma delas.
Eu fiquei dura, me concentrei na quentura de Renesmee, e me empurrei contra
Edward para apoio, e então respirei fundo.
O cheiro de Charlie veio cheio de chamas, indo direto para minha garganta.
Mas era muito mais que dor. Era uma facada de desejo também. Charlie
cheirava mais deliciosamente do que eu jamais pensei. Muito mais apelativo
do que os escaladores na nossa caçada, Charlie era o dobro de tentação. E ele
estava só alguns passos longe, me deixando com água na boca e umedecendo
o ar.
Mas eu não estava caçando agora . E esse era meu pai. Edward apertou meus
ombros simpaticamente, e Jacob olhou pedindo desculpas para mim com os
olhos do outro lado da sala.
Eu tentei me recompor e ignorar a dor e a sede. Charlie estava esperando
minha resposta.
“Jacob estava te contando a verdade.”
“Isso faz você um deles,” Charlie sussurrou.
Eu esperava que Charlie pudesse ver além das mudanças do meu rosto, o
remorso ali.
Embaixo do meu cabelo, Renesmee chorava enquanto o cheiro de Charlie a
afetava também. Eu a apertei um pouquinho.
Charlie viu o meu olhar ansioso para baixo e o seguiu.
“Oh,” ele disse e depois toda a raiva saiu de seu rosto, deixando só o choque
para trás. “Essa é ela. A órfã que Jacob disse que vocês estavam adotando.”
“Minha sobrinha,” Edward mentiu. Ele deve ter decidido que sua semelhança
com Renesmee era muita para ser ignorada. Era melhor dizer que eles eram
parentes.
“Eu pensei que você tivesse perdido sua família,” Charlie disse, acusação
retornando a sua voz.
“Eu perdi meus irmãos. Meu irmão mais velho foi adotado que nem eu. Eu
nunca o vi depois disso. Mas os tribunais me acharam quando ele e sua mulher
morreram em um acidente de carro, deixando sua única filha sem família.”
Edward era muito bom nisso. Sua voz estava calma, com o certo tanto de
inocência. Eu tinha que praticar pra conseguir fazer aquilo.
Renesmee olhou por baixo dos meus cabelos, chorando de novo. Ela olhou
timidamente para Charlie por baixo de seus longos cílios e então se escondeu
de novo.
“Ela é... ela, bem, ela é linda.”
“Sim,” Edward concordou.
“Mas é meio que uma grande responsabilidade. Vocês dois só estão
começando.”
“O que mais podemos fazer?” Edward passou seus dedos levemente nas
bochechas dela. Eu vi ele tocar os lábios dela, só um aviso. “Você teria a
recusado?”
“Hmph. Bem.” Ele balançou sua cabeça. “Jake disse que vocês a chamam de
Nessie?”
“Não, nós não a chamamos,” eu disse, minha voz muito grossa e cortante.
“Seu nome é Renesmee.”
Charlie se concentrou em mim. “Como você se sente sobre isso? Talvez
Carlisle e Esme pudessem-”
“Ela é minha,” eu interrompi. “Eu quero ela.”
Charlie juntou as sobrancelhas. “Você vai me fazer um avô tão novo?”
Edward sorriu. “Carlisle é um avô também.”
Charlie olhou incredulamente para Carlisle, ainda parado na porta da frente,
parecendo com o irmão mais bonito de Zeus.
Renesmee se inclinou em direção ao cheiro, balançando meu cabelo e olhando
Charlie completamente pela primeira vez. Charlie tossiu. Eu sabia o que ele
estava vendo. Meus olhos seus olhos a olhou exatamente em sua face
perfeita.
Charlie começou a hiperventilar. Seus lábios tremeram, e eu pude ler os
números que ele murmurava. Ele estava contando os meses de trás pra frente,
tentando colocar nove em um. Tentando colocar tudo junto mas não era
possível ver o que estava exatamente embaixo de seu nariz.
Jacob levantou e veio dar um tapinha nas costas de Charlie. Ele se inclinou pra
sussurrar algo na orelha de Charlie; só que Charlie não sabia que nós todos
podíamos ouvir.
“Precisa saber Charlie. Está tudo bem. Eu prometo.”
Charlie engoliu e então concordou. E então seus olhos abriram quando ele deu
um passo pra mais perto de Edward com seus punhos bem fechados.
“Eu não quero saber tudo, mas eu estou cheio das mentiras!”
“Me desculpe,” Edward disse calmamente, “Mas você precisa saber da
história pública mais do que você precisa saber da verdade. Se você vai fazer
parte desse segredo, a história pública também conta. É para proteger Bella e
Renesmee e todos nós. Você pode mentir por elas?”
O cômodo estava cheio de estátuas. Eu cruzei meus tornozelos.
Charlie bufou uma vez e então se virou pra me olhar. “Você devia ter me dado
um aviso, criança.”
“Se eu tivesse dado, teria feito tudo isso mais fácil?”
Ele juntou as sobrancelhas, então ele ajoelhou no chão na minha frente. Eu
podia ver o movimento do sangue em seu pescoço embaixo de sua pele. Eu
podia sentir a quente vibração.
E Renesmee também. Ela sorriu e alcançou uma palma rosa pra ele. Eu a
segurei de volta. Ela colocou a outra mão contra meu pescoço, com sede,
curiosidade, e o rosto de Charlie em seus pensamentos. Ouve um subto
pensamento que me fez pensar que ela entendia as palavras de Edward
perfeitamente; ela entendia a sede, mas a sentia ao mesmo tempo.
“Whoa,” Charlie tossiu, seus olhos nos seus perfeitos dentes. “Quanto tempo
ela tem?”
“Hum...”
“Três meses,” Edward disse, e então acrescentou devagar, “ela tem o tamanho
de uma criança de três anos, mais ou menos. Ela é mais nova em algumas
maneiras, mais madura em outras.”
Muito deliberadamente Renesmee acenou para ele.
Charlie piscou pasmo.
Jacob pegou em seu ombro. “Eu disse que ela era especial, não disse?”
Charlie se inclinou pelo contato.
“Oh, vamos lá Charlie.” Jacob grunhiu. “Eu sou a mesma pessoa que eu
sempre fui. Finja que hoje à tarde nunca aconteceu.”
O lembrete fez os lábios de Charlie ficarem brancos, mas ele concordou.
“Qual é o seu papel nisso tudo, Jake?” ele perguntou. “O quanto Billy sabe?
Por que você está aqui?” Ele olhou para o rosto de Jacob, que estava brilhando
enquanto ele olhava para Renesmee.
“Bem, eu posso te dizer Billy sabe absolutamente tudo mas isso envolve
bastante coisa sobre lobiso ”
“UNGH!” Charlie protestou, cobrindo suas orelhas. “Não importa.”
Jacob riu. “Tudo vai ficar ótimo, Charlie. Só tente não acreditar no que você
ver.”
Meu pai murmurou algo ilegível.
“Woo!” Emmett de repente gritou em seu tom baixo. “Vai, Gators!”
Jacob e Charlie pularam. O resto de nós congelamos.
Charlie se recuperu, e então olhou para Emmett por cima de seu ombro.
“Florida está ganhando?”
“Acabou de fazer o segundo touchdown,” Emmett confirmou. Ele olhou pra
minha direção, arqueando suas sobrancelhas como um vilão. “Tava na hora de
alguém marcar.”
Eu lutei contra um assobio. Na frente de Charlie? Estava passando do limite.
Mas Charlie estava longe de perceber. Ele respirou fundo, sugando o ar como
se ele estivesse o empurrando para seus dedos. Eu o invejei. Ele ficou em pé,
ficou do lado de Jacob, e então caiu na cadeira.
 “Bem,” ele suspirou, “Eu acho que nós vamos ver se eles ficam na liderança.”



26. Brilho [amanhecer]
*****************************
“Eu não sei o quanto devemos contar a Renee sobre isso”, Charlie disse,
hesitante com um pé para fora da porta. Ele se esticou, e estão seu estômago
roncou.
Eu balancei a cabeça. “Eu sei. Eu não quero pirar ela. É melhor protege-la.
Essas coisas não são para pessoas covardes.”
Os lábios dele se torceram para o lado piedosamente. “Eu também teria
tentado protegê-la, se eu soubesse. Mas eu acho que você nunca na categoria
dos covardes, não é?”
Eu sorri de volta, dando um suspiro profundo através dos meus dentes
brilhantes.
Charlie deu uns tapinhas no estômago ausentemente. “Eu vou pensar em
alguma coisa. Teremos tempo para pensar nisso, certo?”
“Certo”, eu prometi.
Tinha sido um dia longo, de certa forma, e tão curto em outros sentidos.
Charlie estava atrasado para o jantar – Sue Clearwater ia cozinhar para ele e
Billy. Essa seria uma noite estranha, mas pelo menos ele estaria comendo
comida de verdade; eu estava feliz por alguém estar evitando que ele morresse
de fome por causa de sua falta de habilidade na cozinha.
Durante todo o dia a tensão fez o dia passar lentamente; Charlie nunca relaxou
a postura rígida de seus ombros. Mas ele também não teve pressa de ir
embora. Ele assistiu dois jogos inteiros – por sorte ele estava tão absorvido
nos jogos que estava totalmente alheio às piadas de Emmett que ficavam mais
afiadas e cada vez menos relacionadas ao futebol a cada minuto – e os
comentários após os jogos, e então às notícias, sem se mover até que Seth o
lembrou do horário.
“Você vai dar um bolo em Billy e em minha mãe, Charlie? Vamos, Bella e
Nessie estarão aqui amanhã. Vamos fazer um rango, eh?”
Ficou claro nos olhos de Charlie que ele não havia confiado no que Seth disse,
mas ele deixou que Seth guiasse o caminho para fora. A dúvida ainda estava lá
enquanto ele estava parado agora. as nuvens estavam ficando mais finas, a
chuva havia parado. O sol podia até aparecer pouco antes de se pôr.
“Jake diz que vocês iam fugir de mim”, ele murmurou pra mim agora.
“Eu não queria fazer isso se houvesse outra maneira de lidar com a situação. É
por isso que ainda estamos aqui.”
“Ele disse que vocês podiam ficar por algum tempo, mas apenas se eu for
forte o suficiente, e se eu mantiver a boca fechada.”
“Sim... Mas eu não posso prometer que nunca iremos embora, pai. É muito
complicado...”
“Preciso saber”, ele me lembrou.
“Certo”.
“Mas vocês vão visitar, se precisarem ir?”
“Eu prometo, pai. Agora que você sabe só o suficiente, eu acho que isso pode
funcionar. Eu ficarei tão perto quanto você quiser.”
Ele mordeu o lábio só por meio segundo, e então se inclinou na minha direção
lentamente com os braços cuidadosamente estendidos. Eu passei Renesmee –
cochilando agora – para meu braço esquerdo, travei os dentes, prendi a
respiração, e passei o braço muito levemente pela sua cintura quente, macia.
“Fique bem perto, Bells”, ele murmurou. “Muito perto.”
“Te amo, pai”, eu sussurrei através dos meus dentes.
Ele estremeceu e se afastou. Eu abaixei o braço.
“Amo você também, garota. Não importa o que mais tenha mudado, isso não
mudou.” Ele tocou um dedo à bochecha rosa de Renesmee. “Ela com certeza
parece um bocado com você.”
Eu mantive minha expressão casual, apesar de achar o contrário. “Parece mais
com Edward, eu acho.” Eu hesitei e então adicionei. “Ela tem os seus cachos.”
Charlie começou a falar, e então bufou. “Huh. Acho que ela tem. Huh. Vovô.”
Ele balançou a cabeça duvidosamente. “Eu vou segurá-la um dia?”
Eu pisquei, chocada, e me recompus. Depois de considerar por meio segundo
e julgar a aparência de Renesmee – ela parecia completamente adormecida –
eu decidi que podia muito bem me aproveitar da sorte, já que as coisas
estavam indo tão bem hoje...
“Aqui”, eu disse, segurando-a para ele. ele automaticamente fez um berço com
o braços, e eu coloquei Renesmee ali. A pele dele não era tão quente quanto a
dela, mas isso fez minha garganta coçar para sentir o calor fluindo por baixo
da fina membrana. Onde minha pele branca tocou a dele, eu senti arrepios. Eu
não tinha certeza se a reação foi à minha nova temperatura ou totalmente
fisiológica.
Charlie gemeu levemente quando sentiu o peso. “Ela é... robusta.”
Eu fiz uma careta. Para mim ela era leve como uma pena. Talvez minhas
medidas estivessem distorcidas.
“Robusto é bom”, Charlie disse, vendo minha expressão. Então ele murmurou
para si mesmo, “Ela vai precisar ser durona, cercada por toda essa loucura.”
Ele a balançou gentilmente em seus braços, movendo-se um pouco de um lado
para o outro. “O bebê mais bonito que eu já vi, incluindo você, garota.
Desculpa, mas é verdade.”
“Eu sei que é.”
“Belo bebê”, ele disse de novo, mas dessa vez era como se ele estivesse
fazendo um mimo.
Eu podia ver no rosto dele – eu podia ver crescendo ali. Charlie estava tão
desamparado à mágica dela quanto todos nós. Dois segundos nos braços dele,
e ele já era dela.
“Posso voltar amanhã?”
“Sim, pai. É claro. Estaremos aqui.”
“É bom que estejam”, ele disse externamente, mas seu rosto estava suave,
ainda olhando para Renesmee. “Vejo você amanhã, Nessie.”
“Você também não!”
“Huh?”
“O nome dela é Renesmee. Como em Renee e Esme, juntos. Nada de
variações.” Eu lutei para me acalmar sem respirar fundo dessa vez. “Você
quer ouvir o nome do meio dela?”
“Claro.”
“Carlie. Com um C. Como em Carlisle e Charlie juntos.
O sorriso de Charlie se iluminou, fazendo rugas aparecerem ao redor de seus
olhos, me pegando de surpresa. “Obrigado, Bells.”
“Obrigada você, pai. Tanta coisa mudou tão rápido. Minha cabeça não parou
de rodar. Se eu não tivesse você, eu não saberia como me manter ligada à - à
realidade.” Eu estava prestes a dizer me manter ligada à pessoa que eu fui.
Isso provavelmente era mais do que ele precisava.
O estômago de Charlie roncou.
“Vá comer, pai. Nós estaremos aqui.” Eu me lembrei de como me senti,
aquela primeira imersão na fantasia – a sensação de que tudo desapareceria ao
nascer do sol.
Charlie balançou a cabeça e então relutantemente passou Renesmee de volta
para mim. Ele olhou por cima de mim para dentro da casa; os olhos dele
ficaram selvagens por um minuto enquanto ele observava a grande sala
iluminada. Todos ainda estavam por ali, exceto Jacob, que eu podia ouvir
mexendo na geladeira na cozinha; Alice estava sentada no último degrau da
escada, com a cabeça de Jasper em seu colo; Carlisle estava curvado sobre um
grande livro em seu colo; Esme estava cantarolando para si mesma,
rabiscando num caderno de anotações, enquanto Rosalie e Emmett faziam a
base de uma enorme casa de cartas embaixo das escadas; Edward tinha
passado para o piano e estava tocando bem baixinho para si mesmo. Não
haviam evidências de que o dia estava chegado ao fim, de que podia ser hora
de comer ou me mudar de atividades em preparação para a noite. Algo
insondável havia mudado na atmosfera. Os Cullen não estavam dando duro
como sempre faziam – a fachada de humanos havia desaparecido só um
pouquinho, o suficiente para Charlie perceber a diferença.
Ele estremeceu, balançou a cabeça, e então suspirou. “Te vejo amanhã, Bella.”
Ele fez uma careta e adicionou. “Quer dizer, não é que você não esteja...
bonita. Eu vou me acostumar.”
“Obrigada, pai.”
Charlie balançou a cabeça e caminhou pensativamente até seu carro. Eu olhei
ele ir embora; não foi até ouvir os pneus na estrada que eu percebi que tinha
feito isso. na verdade eu consegui passar um dia inteiro sem machucar Charlie.
Sem ajuda. Eu devia ter um super poder.
Parecia bom demais pra ser verdade. Seria possível que eu tivesse a minha
família nova e um pouco da antiga também? E eu pensei que o dia de ontem
tivesse sido perfeito.
“Wow”, eu sussurrei. Eu pisquei e senti o terceiro par de lentes de contato se
desintegrando.
O som do piano parou, e os braços de Edward estavam na minha cintura, seu
queixo descansando no meu ombro.
“Você tirou a palavra da minha boca.”
“Edward, eu consegui!”
“Conseguiu. Você foi inacreditável. Toda aquela preocupação por ser uma
recém nascida, e então perder o controle completamente.” Ele riu baixinho.
“Eu nem tenho certeza de que ela é uma vampira, quanto mais uma recém
nascida”, Emmett falou de baixo das escadas. “Ela é domesticada demais.”
Todos os comentários embaraçosos que ele fez na frente do meu pai soaram
nos meus ouvidos novamente, e provavelmente era bom que eu estivesse
segurando Renesmee. Incapaz de impedir completamente minha reação, eu
rosnei baixinho.
“Oooo, assustador”, Emmett riu.
Eu rugi e Renesmee se esticou nos meus braços. Ela piscou algumas vezes, e
então olhou ao redor com uma expressão confusa. Ela inalou e procurou meu
rosto.
“Charlie estará de volta amanhã”, eu disse pzra ela.
“Excelente”, Emmett disse. Dessa vez Rosalie riu com ele.
“Nada brilhante, Emmett”, Edward disse, zombando, esticando as mãos para
pegar Renesmee de mim. Ele piscou quando eu hesitei, e então, um pouco
confusa, eu a dei pra ele.
“O que você quer dizer?” Emmett quis saber.
“É um pouco obtuso, você não acha, fazer brincadeiras com a vampira mais
forte da casa?”
Emmett jogou a cabeça para trás e bufou. “Por favor!”
“Bella”, Edward murmurou para mim enquanto Emmett ouvia de perto, “você
se lembra que alguns meses atrás, eu te pedi um favor para quando você fosse
imortal?”
Isso lembrava alguma coisa. Eu lembrei das nubladas conversas humanas.
Depois de um momento eu lembrei e resfoleguei. “Oh!”
Alice deu uma longa gargalhada repicada. Jacob mostrou a cabeça no
corredor, a boca cheia de comida.
“O quê?” Emmett rosnou.
“Mesmo?” Eu perguntei a Edward.
“Confie em mim”, ele disse.
Eu respirei fundo. “Emmett, o que você acha de uma pequena aposta?”
Ele ficou de pé num instante. “Maravilha. Manda ver.”
Eu mordi o lábio por um segundo. Ele era simplesmente tão enorme.
“Pelo menos você está com medo...?” Emmett sugeriu.
Eu enquadrei os ombros. “Você. Eu. Queda de braço. Mesa da sala de jantar.
Agora.”
O sorriso de Emmett se espalhou pelo seu rosto.
“Er, Bella”, Alice disse rapidamente. “Eu acho que Esme gosta bastante
daquela mesa. É uma antiguidade.”
“Obrigada”, Esme disse a ela.
“Sem problema”, Emmett disse com um sorriso brilhante. “Por aqui, Bella.”
Eu o segui pela parte de trás, em direção à garagem; eu podia ouvir os outros
seguindo atrás. Havia um grande pedregulho de granito ao lado de um
amontoado de pedras ao lado do rio, obviamente, era lá que Emmett queria
chegar. A grande pedra era meio arredondada e irregular, ia servir.
Emmett colocou o cotovelo na pedra e gesticulou que eu fizesse o mesmo.
Eu estava nervosa de novo enquanto observei os músculos grossos do braço de
Emmett se contraiam, mas eu mantive meu rosto tranqüilo. Edward tinha
prometido que eu seria mais forte que qualquer um por um tempo. Ele parecia
muito confiante com isso, e eu me sentia forte. Forte assim? Eu me perguntei,
olhando para os bíceps de Emmett. Porém, eu não tinha nem dois dias, e isso
devia valer alguma coisa. A não ser que nada fosse normal em mim. Talvez eu
não fosse forte como uma recém nascida normal. Talvez por isso fosse tão
fácil me controlar.
Eu tentei parecer despreocupada enquanto colocava o cotovelo na pedra.
“Okay, Emmett. Se eu ganhar, você não pode dizer nada da minha vida sexual
para ninguém, nem pra Rose. Nenhum comentário, nenhuma insinuação –
nada.”
Os olhos dele se estreitaram. “Feito. Se eu ganhar, isso vai ficar muito pior.”
Ele me ouviu prender a respiração e sorriu maliciosamente. Não havia rastro
de blefe em seus olhos.
“Vai desisitir tão fácil, irmãzinha?” Emmett zombou. “Você não é muito
selvagem, é? Eu aposto que aquela cabana não tem nenhum arranhão.” Ele riu.
“Edward te contou quantas casas Rosalie e eu botamos abaixo?”
Eu travei os dentes e agarrei a mão grande dele. “Um, dois –“
“Três”, ele rosnou, e puxou a minha mão.
Nada aconteceu.
Oh, eu podia sentir a força que ele estava fazendo. Minha mente parecia muito
boa em toda espécie de cálculos, e então eu podia dizer que se ele não tivesse
encontrando nenhuma resistência, a mão dele teria atravessado a pedra direto
sem dificuldade. A pressão aumentou, e eu me perguntei vagamente se um
caminhão de cimento andando a quarenta quilômetros por hora numa ladeira
íngreme teria o mesmo poder. Cinqüenta quilômetros por hora? Sessenta?
Talvez mais.
Isso não era o suficiente pra me fazer mexer. As mãos dele empurraram a
minha com uma força espetacular, mas isso não era desconfortável. De uma
forma estranha, isso era bom. Desde que eu acordei eu estava sendo tão
cuidadosa, dando duro para não quebrar as coisas. Era um estranho alívio para
os meus músculos. Deixar a força fluir ao invés de lutar para restringi-la.
Emmett rosnou; sua testa enrugou e todo o seu corpo se repuxou numa linha
rígida em direção ao obstáculo que era a minha mão que não se mexia. Eu o
deixei suar – figuradamente – por um momento enquanto eu aproveitava a
sensação da força enlouquecida dele passando pelo meu braço.
Depois de alguns segundos, no entanto, eu fiquei meio entediada. Eu
flexionei; Emmett perdeu um centímetro.
Eu ri. Emmett rosnou duramente através dos dentes.
“Só mantenha a sua boca fechada”, eu lembrei ele, e então bati a mão dele na
pedra. Um barulho assustador de algo rachando ecoou nas árvores. A pedra
estremeceu, e um pedaço – cerca de um oitavo de seu tamanho – se quebrou
numa linha invisível e caiu no chão. Ela caiu no pé de Emmett e eu ri
silenciosamente. Eu pude ouvir o riso abafado de Jacob e Edward.
Emmett chutou o fragmento quebrado da pedra através do rio. Ele fatiou um
pé de maçã no meio antes de bater na base de uma grande árvore, que
balançou e caiu por cima de outra árvore.
“Revanche. Amanhã.”
“A força não vai sumir tão rápido”, eu disse. “Talvez devêssemos esperar um
mês.”
Emmett rosnou, mostrando os dentes. “Amanhã.”
“Hey, o que quer que te faça feliz, irmãozão.”
Enquanto ele se virava pra ir embora, Emmett deu um murro no granito,
causando uma avalanche de fragmentos e poeira. Era bem legal, de um jeito
meio infantil.
Fascinada pela prova inegável de que eu era mais forte que o vampiro mais
forte que eu conhecia, eu coloquei minha mão, com os dedos bem abertos,
contra a rocha. Então eu enterrei meus dedos na pedra lentamente, amassado
ao invés de fazer um buraco; a consistência me fez lembrar de um queijo duro.
Eu acabei com a mão cheia de pedregulhos.
“Legal”, eu murmurei.
Com um sorriso aparecendo em meu rosto, eu fiz um meio círculo e parti a
pedra no meio com a minha mão como num golpe de caratê. A pedra fez um
barulho e - com uma grande nuvem de poeira - se partiu em duas.
Eu comecei a gargalhar.
Eu não prestei muita atenção aos risos atrás de mim enquanto eu socava e
chutava transformando o resto do pedregulho em fragmentos. Eu estava me
divertindo muito, rindo silenciosamente o tempo inteiro. Não foi até que eu
ouvi uma nova pequena gargalhada, um alto dobrar de sinos, que eu me afastei
da minha brincadeira boba.
“Ela acabou de rir?”
Todo mundo estava olhando para Renesmee com a mesma expressão
abobalhada que eu devia ter no meu rosto.
“Sim”, Edward disse.
“Quem não estava rindo?” Jake murmurou, revirando os olhos.
“Diga que você não se soltou um pouco em sua primeira vez, cachorro”
Edward zombou, não havia nem um pouco de antagonismo em sua voz.
“Isso é diferente”, Jacob disse, e eu observei surpresa quando ele deu um
murro de brincadeira no ombro de Edward. “Bella devia ser uma adulta.
Sendo casada e mãe e tudo isso. Não devia haver mais dignidade?”
Renesmee fez uma careta e Edward tocou seu rosto.
“O que ela quer?” Eu perguntei.
“Menos dignidade”, Edward disse com um sorriso. “Ela estava se divertindo
vendo você se divertir, tanto quanto eu.”
“Eu sou engraçada?” Eu perguntei a Renesmee, me voltando e me inclinando
para ela ao mesmo tempo que ela se inclinava pra mim. Eu a tirei dos braços
de Edward e a ofereci um pequeno pedaço da pedra que estava na minha mão.
“Você quer tentar?”
Ela deu seu sorriso brilhante e pegou a pedra com as duas mãos. Ela apertou,
uma pequena ruga aparecendo entre suas sobrancelhas enquanto ela se
concentrava.
Houve um pequeno som de algo se rachando e um pouco de poeira. Ela fez
uma careta e segurou os restos da pedra para mim.
“Aqui”, eu disse, transformando a pedra em pó.
Ela bateu palmas e riu; o delicioso som fez com que todos nós nos
juntássemos a ela.
O sol apareceu de repente por entre as nuvens, atirando raios cor rubi e
dourada em nós dez, e imediatamente eu me perdi na beleza da minha pele à
luz do pôr do sol. Eu fiquei deslumbrada.
Renesmee tocou nas facetas dos diamantes cintilantes, e então colocou o braço
dela perto do meu. A pele dela tinha apenas uma luminosidade fraca, gentil e
misteriosa. Nada a manteria trancada num dia ensolarado como a minha pele
brilhante. Ela tocou meu rosto, pensando na diferença e se sentindo chateada.
“A sua é mais bonita”, eu garanti pra ela.
“Eu não tenho certeza de que posso concordar com isso”, Edward disse, e
quando eu me virei para respondê-lo, o sol no seu rosto me embasbacou tanto
que eu fiquei em silêncio.
Jacob estava com a mão na frente do rosto, fingindo proteger seus olhos do
brilho. “Bella Esquisita”, ele comentou.
“Que criatura incrível ela é.” Edward murmurou, quase concordando, como se
o comentário de Jacob fosse um elogio. Ele estava deslumbrante e
deslumbrado.
Era uma sensação estranha – não surpreendente, eu acho, já que tudo parecia
estranho agora – se sentir natural em alguma coisa. Como humana, eu nunca
fui à melhor em nada. Eu era meio boa em lidar com Renee, mas
provavelmente um monte de gente poderia ter feito melhor; Phil parecia estar
agüentando bem. Eu era uma boa aluna, mas nunca fui a melhor da classe.
Obviamente eu podia ser incluída fora de qualquer atividade esportiva. Ou
artística ou musical, nenhum talento em particular do qual me gabar. Ninguém
dava troféus a leitores de livros. Depois de dezoito anos de mediocridade, eu
acabei ficando muito boa em ser comum. Agora eu me dava conta de que a
muito tempo eu tinha desistido das pretensões em brilhar em alguma coisa. Eu
só fazia o melhor com o que eu tinha, nunca me adequando ao meu mundo.
Então isso era diferente. Eu era incrível agora – para eles e para mim mesma.
Era como se eu tivesse nascido para ser vampira. A idéia me fez querer rir,
mas também me fez querer cantar. Eu tinha encontrado meu verdadeiro lugar
no mundo, um lugar onde eu me encaixava, um lugar onde eu brilhava.

27. Planos de viagem [amanhecer]
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Eu levei a mitologia muito mais a sério depois que virei uma vampira.
Frequentemente, quando eu pensava nos meus três primeiros meses como
imortal, eu imaginava com a linha da minha vida no tear das Parcas - quem
sabia se elas existiam de verdade? Eu sabia que aquilo tinha mudado a cor da
linha da minha vida; eu pensei que ela provavelmente teria começado com um
bege, algo suportável e não-confrontável, algo que pareceria bonito no fundo.
Agora ele devia estar num brilhante vermelho escuro, ou talvez dourado.
O tapete da família e dos amigos tecido ao meu redor era bonito, brilhante,
cheio de suas brilhantes cores complementares.
Eu estava surpresa por algumas linhas que eu tive que incluir na minha vida.
Os lobisomes, com suas profundas cores marrons, não eram uma coisa que eu
esperava; Jacob, claro, e Seth também. Mas meus velhos amigos Quil e Embry
se tornaram uma parte da fabricação, quando eles se juntaram ao bando de
Jacob, e mesmo Sam e Emily eram cordiais. As tensões entre nossas famílias
deram um tempo, devido principalmente a Renesmee. Era fácil amá-la.
Sue e Leah Clearwater estavam, entrelaçadas à nossa vida também - duas mais
que eu não esperava.
Sue pareceu tomar para ela a tarefa de mediar à transição de Charlie para o
mundo do "acredite." Ela veio com ele à casa dos Cullen muitas vezes, embora
ela nunca se sentisse verdadeiramente confortável aqui, como seu filho e a
maior prate do bando de Jacob se sentia. Ela não falava muito; ela apenas
ficava protetoramente perto de Charlie. Ele sempre era a primeira pessoa para
quem ela olhava quando Renesmee fazia algo pertubantemente avançado - o
que acontecia com frequência. Em resposta, Sue olharia para Seth como quem
quer dizer: É, me fale sobre isso.
Leah fica menos confortável que Sue e era a única parte da nossa numerosa
família que era via a fusão com hostilidade. Contudo, ela e Jacob tinham uma
camaradagem que a manteve próxima de nós. Eu perguntei a ele sobre isso
uma vez - hesitante; Eu não queiria bisbilhotar, mas a relação eram bem
diferente do que costumava ser e isso me deixou curiosa. Ele se encolheu e me
disse que era uma coisa do bando. Ela era o seu braço direito agora, sua
"beta", com eu chamaria aquilo algum tempo depois.
"Eu percebi que enquanto eu for fazer essa coisa de Alpha ser real," Jacob
explicou, " é melhor que eu esqueça as formalidades."
A nova responsabilidade fez Leah sentir a necessidade de checá-lo com
frequência, e desde que ele estava sempre com Renesmee... Leah não estava
feliz em ficar perto da gente, mas ela era um excessão. Felicidade era o
componente principal da minha vida agora, o padrão dominante no tapete.
Tanto que a minha relação com Jasper agora era mais próxima do que eu
jamais pensei que seria.
A princípio, eu fiquei bem chateada.
"Yeesh!" Eu reclamei com Edward uma noite depois de colocarmos Renesmee
em seu berço de ferro. "Se eu não matei Charlie ou Sue ainda, isso
provavelmente não vai acontecer. Eu queria que Jasper parasse de controlar o
tempo todo!"
"Ninguém duvida de você, Bella, não superficialmente," ele me assegurou.
"Você sabe como Jasper é - não resiste a um clima agradável. Você está tão
feliz o tempo todo, amor, ele faz isso com você sem perceber."
E então Edward me abraçou forte, porque nada agradava a ela mais do que
todo o meu êxtase nessa nova vida.
E eu estava eufórica a maior parte do tempo. Os dias não eram longos o
suficiente para suprir minha cota da minha filha e as noites não eram longas o
bastante para satisfazer minha necessidade de Edward.
Havia o outro lado da alegria. Se você virasse o outro lado do tapete das
nossas vidas, eu imagino que o desenho das costas estaria tecido nos tons
cinza da dúvida e o medo.
Renesmee disse sua primeira palavra quando ela completou uma semana de
idade. A palavra foi mamãe, que teria feito o meu dia, exceto pelo fato de que
eu estava tão preocupada com seu crescimento que eu mal podia forçar meu
rosto congelado a sorrir de volta para ela. Isso não evitou que ela prosseguisse
da primeira palavra, para primeira frase, no mesmo instante.
"Mamãe, onde está o vovô?" Ela perguntou em alto e bom som, se
preocupando em falar bem alto, pois eu estava do outro lado da sala. Ela já
tinha perguntado à Rosalie, usando seu normal (ou absolutamente anormal,
partindo de outro ponto de vista) meio de comunicação. Rosalie não sabia o
que responder, então Renesmee perguntou pra mim.
Quando ela andou pela primeira vez, menos de três semanas depois, foi
parecido. Ela simplesmente olhou para Alice por um bom tempo, assistindo
atentamente sua tia ajeitar buquês em vasos espalhados pela sala, dançando de
um lado para o outro com seus braços cheiros de flores. Renesmee ficou de pé,
sem ao menos se desequilibrar um pouco, e atravessou a sala quase tão
graciosamente.
Jacob começou a aplaudir, porque era claramente a resposta que Renesmee
queria. O jeito que ele estava atado a ela fez com que suas próprias reações
fossem secundárias. Mas os nossos olhos se encontraram, e eu vi o pânico dos
meus ecoando nos dele. Eu bati palmas também, tentando esconder meu medo
dela. Edward apladiu, quieto, a meu lado, e nós não precisamos dizer o que
pensávamos para saber que era a mesma coisa.
Edward e Carlisle fizeram pesquisas, procurando por respostas, algo pra se
esperar.
Havia pouco para ser encontrado e nada era comprovado.
Alice e Rosalie costumavam começar o dia com uma apresentação de moda.
Renesmee nunca vestia a mesma roupa duas vezes, parte disso porque ela
ficava maior que suas roupas quase que imediatamente e a parte porque Alice
e Rosalie estavam tentando criar um álbum de bebê que aparentasse ter anos e
não semanas. Ela tiraram milhares de fotos, documentando cada fase de sua
acelerada infância.
Em três meses, Renesmee poderia ser uma grande criança de um ano, ou uma
pequena criança de dois anos. Ela tinha moldes de pequena; ela era esguia e
mais graciosa, suas proporções mais ainda, como um adulto. Seus cachos
bronze alcançavam sua cintura; eu não podia sequer pensar em cortá-los,
mesmo que Alice deixasse. Renesmee podia falar em empecável gramática e
articulação, mas ela raramente se incomodava, preferindo mostrar às pessoas o
que ela queria. Ela não só podia andar como correr e dançar. Ela podia até
mesmo ler.
Eu estava lendo Tennyson para ela uma noite, porque a fluidez e o ritmo de
sua poesia pareciam tranquilas.(Eu constantemente tinha que procurar por
coisas novas; Renesmee não gostava de repetições em suas histórias pra
dormir como as outras crianças supostamente gostavam, e ela não tinha
paciência para livros com figuras.) Ela se esticou para tocar minhas
bochechas, a imagem em sua cabeça era de nós duas, mas ela segurava o livro.
Eu o entreguei a ela, sorrindo.
" 'Há uma doce melodia aqui,'" ela leu sem hesitação, "' que é mais suave que
pétalas de rosas na grama ou ou gotas de orvalho entre paredes de granito,
num deslumbrante caminho -'"
Minha mão roboticamente pegou o livro de volta.
"Se você ler, como vai dormir?" Eu perguntei com uma voz que saiu meio
tremida.
Pelos cálculos de Charlie, o crescimento de seu corpo estava diminuindo
gradualmente; sua mente continuava à frente. Mesmo se a taxa de redução
ficasse estável, ela já seria uma adulta em não mais que quatro anos.
Quatro anos. E uma velha com apenas quinze anos.
Apenas quinze anos de vida. Mas ela era tão saudável. Vital, brilhante,
gloriosa e feliz. Seu bom comportamento fez ser mais fácil pra mim ficar feliz
com ela e deixar o futuro pra amanhã.
Carlisle e Edward discutiram nossas opções para o futuro de todos os ângulos
em voz baixa, e eu tentei não escutar. Eles nunca tinham aquelas conversas
quando Jacob estava por perto, porque não havia um modo seguro de frear o
crescimento, e isso não era uma coisa que Jacob ficaria feliz em saber. Eu não
estava. “Muito perigoso!” meus instintos gritaram para mim. Jacob e
Renesmee eram parecidos em muitas coisas, ambos eram mestiços, duas
coisas ao mesmo tempo. E todo sábio lobisomem insistia em dizer que o
veneno do vampiro era uma sentence de morte ao invés de um caminho pra
imortalidade...
Carlisle e Edward fizeram toda extensa pesquisa que eles poderiam fazer à
distância, e agora nós estávamos nos preparando buscar lendas em suas fontes.
Os Ticunas tinham lendas sobre crianças como Renesmee... Se outras crianças
como ela tivessem mesmo existido, talvez alguma história sobre alguma
criança meio-mortal ainda existisse...
E única pergunta era quando nós faríamos isso.
Eu fui um obstáculo. Uma pequena parte disso era porque eu queria ficar perto
de Forks até depois das festas de fim de ano, por Charlie. Porém mais que
isso, havia uma diferente jornada que eu teria que começar - era uma
proridade. Também, teria que ser uma viagem no chão.
Esse era o único ponto a que Edward e eu chegamos em acordo desde que eu
virei uma vampira. O principal ponto de contenção era a parte do "chão." Mas
os fatos eram o que eles eram, e meu plano era o único que racionalmente
fazia sentido. Eu tinha que ir ver os Volturi e tinha que ir sozinha.
Mesmo livre dos velhos pesadelos, de qualquer sonho, era impossível
esquecer os Volturi. Nem eles nos deixaram sem lembretes.
Até o dia que o presente de Aro apareceu, eu não sabia que Alice tinha
mandado um anúncio casamento para os líderes dos Volturi; nós estávamos
longe, na ilha de Esme quando ela teve a visão dos soldados dos Volturi - Jane
e Alec, os gêmeos com poderes devastadores, entre eles. Caius estava
pensando em mandar um grupo de caçadores, para se certificar se eu
continuava humana, contra sua ordem (porque eu sabia sobre o segredo dos
vampiros, ou eu me juntava a eles, ou tinha que ser silenciada...
permanentemente). Então Alice mandou o anúncio, vendo que isso ia atrasálos
enquanto decifravam o significado por trás daquilo. Mas eles poderiam vir
eventualmente. Era uma certeza.
O presente por si só não era uma ameaça. Extravagante, sim, quase assustador
em sua tamanha extravagância. A ameaça estava na nota de cumprimento de
Aro, escrita em tinta preta em um grosso cartão branco, na caligrafia do
próprio Aro:
Eu espero conhecer a nova Sra Cullen em breve.
O presente era uma ornamentada e antiga caixa de madeira embutida em ouro
e madrepérola, ornada com um arco-íris de pedras. Alice disse que a caixa em
si era um tesouro barato, que ele teria brilhado mais que quase qualquer jóia,
exceto uma em seu interior.
"Eu sempre me perguntei onde as jóias da coroa tinham ido parar depois que
John da Inglaterra as penhorou, no século treze," Carlisle disse. "Eu suponho
que não me purpreenda que os Volturi tenham sua parte."
O laço era simples - tecido em ouro em forma de uma grossa corrente, quase
escamada, como uma suave cobra enrolada perto da garganta. Uma jóia
suspensa pela corrente: um diamante do tamanho de uma bola de golfe.
O lembrete nada sutil de Aro me interessou mais que a jóia. Os Volturi
precisavam ver que eu era imortal, que os Cullen tinham sido obedientes às
ordens deles, e eles precisavem ver isso logo. Eles não poderiam vir pra perto
de Forks. havia apenas um jeito de manter nossas vidas à salvo.
"Você não vai sozinha," Edward insistiu, suas mãos fechando-se em punhos.
"Eles não vão me machucar," Eu tinha dito tão calmamente quanto eu pude,
forçando a minha voz soar certeza. "Eles não têm motivos. Eu sou um
vampira. Caso encerrado."
"Não. Absolutamente não."
"Edward, é o único jeito de protegê-la."
E ele não foi capaz de argumentar com isso. Minha lógica era impermeável.
Mesmo no curto tempo que eu conhecia Aro, eu tinha sido capaz de você que
ele era um colecionador - e suas peças mais valiosas eram peças vivas. Ele
cobiçava a beleza, o talento, e a raridade de seus seguidores imortais mais do
que a qualquer jóia trancada em seu caixa-forte. Foi bastante infeliz que ele
começasse a cobiçar as habilidades de Edward e Alice. Eu mão daria a ele
mais uma razão pra invejar a família de Carlisle. Renesmee era linda, dotada e
única - ela era a única de sua espécie.
Ele não podia vê-la, nem mesmo pelos pensamentos de outra pessoa.
E eu era a única cujos pensamentos ele não podia ouvir. Claro que eu iria
sozinha.
Alice não viu problemas na minha viagem, mas ela estava preocupada com a
péssima qualidade de suas visões. Ela disse que havia vezes similiarmente
nubladas quando havia decisões externas que pudessem conflitar, mas aquilo
não tinha sido solidamente decidido. Essa incerteza fez Edward, já hesitante,
se opor extremamente ao que eu tinha que fazer. Ele queria ir comigo até pelo
menos a minha conexão em Londres, mas eu não ia deixar Renesmee sem
ambos seus pais. Carlisle iria ao invés dele. Isso fez com que Edward e eu
relaxassemos, sabendo que Carlisle estaria a algumas horas de distância de
mim.
Alice continuou olhando para o futuro, mas as coisas não eram relacionadas
com o que ela procurava. Uma nova tendência nos estoques das lojas; uma
possível visita de reconciliação de Irina, embora sua decisão não fosse firme;
uma tempestade de neve que não duraria pelas próximas seis semanas; uma
ligação de Renée (eu estava praticando minha voz "rouca", e ficando melhor
nisso a cada dia - para Renée, eu continuava doente, mas remediada).
Nós compramos nossas passagens para Itália no dia seguinte ao que Renesmee
completou três meses. Eu planejei para que fosse uma viagem bem curta,
então eu não teria que contar à Charlie sobre isso. Jacob sabia, e ele ficou com
a visão de Edward das coisas. Contudo, o argumento de hoje era sobre o
Brasil. Jacob estava determinado a ir conosco.
Nós três, Jacob, Renesmee e eu, estávamos caçando juntos. A dieta de sangue
de animal não era a favorita de Renesmee - e era por isso que Jacob tinha
permissão de vir junto. Jacob tinha feito daquilo um concurso entre eles, e isso
a deixou mais dispota que qualquer outra coisa.
Renesmee era bastante consciente do que era bom e do que era ruim - e isso
era aplicado a caçar humanos; ela só pensou que doação de sangue era uma
coisa legal. Comida humana a enchia e parecia ser compatível com seu corpo,
mas ela reagia a todas as variedade de comida sólida com a mesma
desaprovação e paciência quando lhe dei cove-flor e feijão. Sangue animal era
melhor que aquilo, pelo menos. Ela tinha uma natureza competitiva, e o
desafio de bater Jacob a deixou animada para caçar.
"Jacob," eu disse, tentando ser racional com ele de novo, enquanto Renesmee
dançava na nossa frente na clareira, procurando por um aroma que ela
gostasse. "Você tem obrigações aqui. Seth, Leah - "
Ele grunhiu. "Eu não sou a babá do bando. Eles também têm obrigações em
La Push, de todo jeito."
"Assim como você? Você está oficialmente largando o colégio, então? Se
você está vai ficar com a Renesmee, você vai ter que estudar muito mais."
"É apenas por um tempo. Eu vou voltar para escola quando as coisas... se
acalmarem."
Eu perdi minha concentração no meu lado de desaprovação quando ele disse
aquilo, e nós olhamos para Renesmee. Ela estava olhando para os flocos de
neve futuando sobre sua cabeça, derretendo antes mesmo de tocar a grama
amarelada na clareira triangular em que estávamos parados. Seu franzido
vestido cor de mármore era apenas um um tom mais escuro que a neve, e seus
cachos castanho-avermelhados começaram a brilhar, embora o sol estivesse
completamente coberto pelas nuvens.
Enquanto assistiamos, ela se agachou por um instante e então saltou a uns 5
metros no ar. Suas pequenas mãos fechadas em torno de um floco, e ela caiu
suavemente sobre seus pés.
Ela se virou para nós com seu sorriso chocante - de verdade, não era um coisa
com a qual você se acostuma - e abriu suas mãos antes que ele pudesse
derreter.
"Lindo," Jacob chamou por ela apreciativamente. "Mas eu acho que atrasada,
Nessie."
Ela pulou de novo para Jacob; ele esticou os braços no momento exato que ela
pulou nele. Eles estavam perfeitamente sincronizados. Ela fazia isso quando
tinha alguma coisa para dizer. Ela preferia não falar alto.
Renesmee tocou o rosto dele, fazendo adoráveis caretas quando nós todos
escutamos o som de um pequeno rebanho de cervos movendo-se na floresta.
"Certeeeeeza que não está com sede, Nessie," Jacob perguntou um pouco
sarcástico, porém mais indulgentemente que qualquer coisa. "Você está
apenas com medo que eu pegue o maior de novo!"
Ela desceu dos braços de Jacob, aterrisando suavemente de pé, e rolou seus
olhou - ela parecia muito mais com Edward quando ela fazia isso. Então ela
disparou por ente as árvores.
"Eu vou," Jacob disse quando eu me inclinei para seguí-la. Ele tirou a camisa
e saiu atrás dela para dentro da floresta, já tremendo."Não conta se você
roubar," ele chamou por Renesmee.
Eu ri para as folhas que eles deixaram voando atrás deles, balançando a
cabeça. Às vezes o Jacob era mais criança que a Renesmee. Eu parei, dando
aos meus caçadores um minuto de vantagem. Seria mais que simples seguílos,
e Renesmee ia adorar me surpreender com o tamanho da presa dela. Eu
sorri de novo.
A estreita clareira estava muito quieta, muito vazia. A neve estava diminuindo
acima de mim, quase acabando. Alice tinha visto que não duraria muitas
semanas.
Normalmente Edward e eu vínhamos juntos caçar. Mas Edward estava com
Carlisle hoje, planejando a viagem ao Rio, falando pelas costas de Jacob... Ele
devia vir conosco. Ele se arriscando com aquilo como nenhum de nós - a vida
dele toda tinha sido de riscos, como a minha.
Enquanto meus pensamentos estavam perdidos num futuro próximo, meus
olhos percorreram a enconta da montanha, procurando por uma presa,
procurando por perigo. Eu não pensei nisso; era uma coisa automática.
Ou de repente havia uma razão pela minha procura, algum estalido que meus
sentidos afiados tivessem captados antes que eu pudesse perceber
conscientemente.
Quando que meus olhos percorreram um rochedo distante, destacando
perfeitamente um azul acinzentado na floresta esverdeada, um brilho prateado
- ou era dourado? - chamou minha atenção.
Meu olhar se voltou pra cor que não deveria estar ali, tão distante na neblina e
nem mesmo uma águia seria capaz de discenir. Eu olhei. Ela olhou de volta.
Era óbvio que ela era uma vampira. Sua pele era branca como mármore, a
textura era milhões de vezes mais macia que a pele de uma humana. Mesmo
sob as nuvens, ela brilhava muito ligeiramente. Se a pele dela não a tivesse
entregado, sua quietude teria. Apenas vampiros e estátuas são capazes de ficar
imóveis daquele jeito.
O cabelo dela era claro, loiro claro, quase prateado. Foi esse o brilho que
atraiu meu olhar. Ele estava caído, liso, com cachos na altura do queixo,
repartido igualmente do meio.
Ela era uma estranha para mim. Eu tinha absoluta certeza que nunca a tinha
visto antes, mesmo quando humana. Nenhum dos rostos da minha memória
lamacenta pareciam com aquele. Mas eu a reconheci pelos seus olhos
dourados.
Irina decidiu vir no fim das contas.
Por um momento eu a olhei e ela olhou de volta. Eu me perguntei se ela
adivinha quem eu era também. Eu meio que levantei a mão, para abanar, mas
seu lábio se moveu um pouco, fazendo o seu rosto parecer hostil.
Eu ouvi o grito da vitória de Renesmee vindo da floresta, ouvi o eco da
rosnada de Jacob, e vi o rosto de Irina se contrair quando o som ecoou para
ela, segundos depois. O olhar dela moveu-se sutilmente para direita, e eu sabia
o que ela estava vendo. Eu enorme lobisomem, talvez o mesmo que matou
Laurent. Há quanto tempo ela estava nos observando? Tempo suficiente pra
ver nossa troca de afetos, eu tinha certeza.
O rosto dela se contraiu em sofrimento.
Instintivamente, eu abri minhas mãos em frente a mim, num gesto de
desculpas. Ela olhou de volta para mim, e seu lábio deixos os dentre à mostra.
Seu maxilar destravou e ela rosnou.
Quando o som chegou até mim, ela já tinha se virado e desparecido pela
floresta.
"Merda!" Eu gemi.
Eu disparei pela floresta atrás de Renesmee e Jacob, não dispoa a deixá-los
longe das minhas vistas. Eu não sabia pra qual direção Irina tinha ido, ou quão
furiosa ela estava agora. Vingança é uma obsessão comum a vampiros, e que
não é fácil de superar.
Correndo a toda velocidade, levou apenas dois segundos para alcançá-los.
"O meu é o maior," eu ouvi Renesmee insistir enquanto eu irrompia através
dos arbusto espinhosos para o pequeno espaço aberto em que eles estavam.
Jacob ergueu as orelhas quando percebeu minha expressão; ele se agachou
depressa, mostrou seus dentes - o seu focinho estava manchado com o sangue
de sua pressa. Os olhos dele se voltaram para floresta. Eu podia ouvir o
crescente rosnado em sua garganta.
Renesmee estava tão alerta quanto Jacob. Deixando o cervo a seus pés, ela
pulou para os meus braços, pressionando suas curiosas mãos nas minhas
bochechas.
"Eu estou agindo emocionalmente," eu os assegurei rapidamente. "Está tudo
bem. Eu acho. Esperem."
Eu tirei meu celular e disquei rapidamente. Edward atendeu no primeiro
toque. Jacob e Renesmee ouviram atentamente ao meu lado enquanto eu
falava com Edward.
"Venha, traga Carlisle," eu falei rápido demais e me perguntei se Jacob
poderia acompanhar. "Eu vi Irina, e ela me viu, mas então ela viu Jacob e
ficou louca e fugiu, eu acho. Ela não vai aparecer aqui - ainda - mas ela
pareceu bem chateada, então talvez ela venha. Se ela não vir, você e Carlisle
têm que ir atrás dela e falar com ela. Eu me sinto tão mal.
Jacob rosnou."Eu estarei aí em meio minuto," Edward me assegurou, e eu
pude escutar o barulho do vento quando ele correu.
Nós voltamos para a grande clareira e então esperamos silenciosamente
quando Jacob e eu escutamos o som de uma aproximação que nós não
reconhecemos. Quando o som chegou, era muito familiar. E então Edward
estava a meu lado, Carlisle alguns segundo atrás dele. Eu fiquei surpresa com
o som de grandes patas atrás de Carlisle. Eu supus que eu não devia ficar
chocada. Ao menos rumor de perigo para Renesmee, claro que Jacob chamaria
reforços.
"Ela estava no alto daquele espinhaço," eu disse a eles, apontando o lugar, Se
Irina estivesse indo embora, ela já estava com uma boa vantagem. Ela pararia
e ouviria Carlisle? A expressão de antes dela me fez pensar que não. "Talvez
você devesse ligar para Emmett e Jasper e levá-los com você. Ela parecia...
bem chateada. Ela rosnou pra mim."
"O que?" Edward disse raivosamente.
Carlisle pôs a mão no braço dela. "Ela estava aflita. Eu vou atrás dela."
"Eu vou com você," Edward insistiu.
Eles trocaram um longo olhar - talvez Carlisle estivesse medindo a irritação de
Edward com Irina contra sua utilidade de leitor de mentes. Finalmente,
Carlisle concordou e eles saíram pra encontrar a trilha sem chamar Emmett ou
Jasper.
Jacob rufou impacientemente e me cutucou com seu nariz. Ele queria que
Renesmee voltasse à segurança da casa, por via das dúvidas. Eu concordei
com ele, e nós corremos para casa com Seth e Leah bem atrás de nós.
Renesmee estava complacente nos meus braços, uma mão ainda no meu rosto.
Uma vez que abortamos a caçada, ela teria que se contentar com o sangue
doado. Os pensamentos dela eram meio presunçosos.


28. Futuro [amanhecer]
****************************
Carlisle e Edward não tiveram chances de conversar com Irina antes que seu
rastro desaparecesse entre o som. Eles nadaram ao outro banco pra ver se seu
rastro estava em uma linha reta, mas não tinha sinal dela em nenhuma direção
por quilômetros.
Era tudo minha culpa. Ela tinha vindo, como Alice tinha visto, para fazer as
pazes com os Cullen, e ficou com raiva por causa da minha camaradagem com
Jacob. Eu desejei ter percebido ela antes, antes que Jacob tivesse se
transformado. Eu desejei que nós fossemos caçar em algum outro lugar.
Não havia muito que pudesse ser feito. Carlisle ligou para Tanya com as
desapontadoras notícias. Tanya e Kate não tinham visto Irina desde que eles
decidiram vir para o casamento, e eles estavam desacreditados que Irina tinha
vindo tão perto e ainda não tenha retornado para casa; não era fácil pra elas
perder sua irmã, sem como a separação temporária seria, eu imaginei que isso
trouxe de volta memórias duras de perder a mãe há tantos séculos atrás.
Alice podia pegar alguns flashes do futuro imediato de Irina, nada muito
concreto. Ela não estava voltando para Denali, Alice podia dizer. A imagem
estava fraca. Tudo que Alice podia ver era que Irina estava chateada; ela
vagava pela neve para o norte? Para o oeste? com uma expressão
devastada. Ela não tomou decisões para um novo caminho depois de sua
parada sem direção.
Dias passaram, e é claro que eu não esqueci nada, Irina e sua dor se moviam
de volta pra minha mente. Havia coisas mais importantes pra se pensar agora.
Eu ia viajar pra Itália daqui alguns dias. Quando eu voltasse, todos nós íamos
pra América do Sul.
Cada detalhe tinha sido passado umas mil vezes. Nós íamos começar com os
Ticunas, traçando suas lendas o melhor que pudéssemos na fonte. Agora que
estava aceito que Jacob viria conosco, ele se imaginou nos planos é claro que
qualquer pessoa que acreditasse em vampiros iria falar conosco sobre suas
histórias. Se nós parássemos nos Ticunas, haviam muitas tribos na área pra
procurar. Carlisle tinha alguns velhos amigos na Amazônia; se pudéssemos
encontrá-los, talvez eles tivessem informações pra nós, também. Ou pelo
menos uma sugestão de onde tivéssemos que ir pra ter respostas. Era
improvável que os três vampiros da Amazônia tinham algo a ver com as
lendas que vampiros fecundavam a si próprios, como foram todas mulheres.
Não tinha jeito de saber quanto tempo nossa pesquisa ia levar.
Eu não tinha dito a Charlie sobre a maior viagem ainda, então eu fiquei
pensando sobre isso enquanto a discussão de Edward e Carlisle continuava.
Como contar as notícias pra ele do jeito certo?
Eu olhei para Renesmee enquanto eu debatia internamente. Ela estava curvada
no sofá agora, sua respiração devagar enquanto dormia, seus cachos
espalhados pelo rosto. Como sempre, eu e Edward voltamos para nossa casa
de campo para colocá-la para dormir, mas à noite nós íamos praa família, ele e
Carlisle em suas profundas sessões de planejamento.
Enquanto isso, Emmett e Jasper estavam mais animados em planejar as
possibilidades de caça. A Amazônia fornecia uma mudança na nossa presa
normal. Jaguares e panteras, por exemplo. Esme e Rosalie estavam resolvendo
o que elas deveriam colocar nas malas. Jacob estava fora com o bando de
Sam, arrumando suas próprias coisas para quando estivesse fora.
Alice se moveu devagar - para ela - pelo grande cômodo, colocando ordem no
já imaculado espaço, arrumando os arranjos de Esme que já estavam perfeitos.
Ela re-centrando os vasos de Esme. Eu pude ver pelo seu rosto que flutuava - e
então ficava alerta, então em branco, então em alerta de novo - que ela estava
procurando o futuro. Eu presumi que ela estava tentando ver por trás dos
pontos cegos que Jacob e Renesmee faziam em suas visões assim como as
coisas que estavam esperando por nós na América do Sul antes de Jasper
dizer, “Deixe para lá, Alice; ela não é nossa preocupação,” e então uma nuvem
de serenidade roubou silenciosamente e invisivelmente o cômodo. Alice devia
estar se preocupando com Irina de novo.
Ela mostrou a língua para Jasper e então levantou um vaso de cristal que
estava cheio de rosas brancas e vermelhas e virou em direção à cozinha. Só
havia uma pétala murcha em uma das rosas brancas, mas Alice tinha a
intenção de manter tudo perfeito como uma distração para sua falta de visões
essa noite.
Encarando Renesmee de novo, eu não vi quando o vaso escorregou pelos
dedos de Alice. Eu só ouvi o woosh do ar passando pelo cristal, e meus olhos
se viraram para ver bem em tempo de ver o vaso se quebrar em dez mil peças
de diamante sobre o chão de mármore da cozinha.
Nós todos ficamos perfeitamente parados enquanto o cristal pulava e jorrava
para todas as direções sem um som musical, todos os olhos nas costas de
Alice.
Meu primeiro pensamento sem lógica foi que Alice estava pregando uma peça
em nós. Porque não tinha jeito de Alice ter derrubado o vaso por acidente. Eu
podia ter corrido pelo cômodo para pegar o vaso em tempo, se eu não tivesse
pensado que ela ia pegar. E como ia escorregar de seus dedos primeiramente?
Seu dedos eram perfeitamente bons...
Eu nunca vi nenhum vampiro derrubar algo por acidente. Jamais.
E então Alice estava nos olhando, num movimento tão rápido que nem existiu.
Seus olhos estavam metade aqui e metade trancada no futuro, largo, enchendo
seu rosto até que pareceu que começou a transbordar. Olhar para seus olhos
era a mesma coisa que olhar fora de uma cova; estava enterrada no pânico e
desespero e agonia no seu olhar.
Eu ouvi Edward ofegar; era um cortado, um som de engasgo.
“O que?” Jasper latiu, indo para o lado dela em um movimento rápido que
ficou borrado, apertando o cristal quebrado embaixo de seus pés. Ele pegou
seus ombros e os balançou-os. Ela estava fazendo alguns barulhos enquanto
ele a mexia. “O quê, Alice?!”
Emmett se moveu na minha visão periférica, seus dentes a mostra enquanto
seus olhos iam para janela, antecipando um ataque.
Houve silêncio por Esme, Carlisle e Rose, que estavam congelados como eu
estava.
Jasper balançou Alice de novo. “O que é?”
“Eles estão vindo por nós,” Alice e Edward sussurraram juntos, perfeitamente
sincronizados. “Todos eles.”
Silêncio.
Pelo menos por uma vez, eu fui a mais rápida e entender- porque alguma coisa
nas suas vozes desengataram minhas próprias visões. Era só a memória
distante de um sonho- fraca, transparente, indistinta como se eu estivesse
vendo por uma grossa camada...
Na minha cabeça, eu vi uma linha em preto avançando pra mim, o fantasma
do meu meio-esquecido pesadelo humano. Eu não podia ver o brilho de seus
olhos vermelhos a imagem, ou o brilho de seus afiados dentes molhados, mas
eu soube que o brilho deveria ser...
Mais forte que a memória da visão veio a memória de sentir- a necessidade de
proteger a preciosa coisa atrás de mim.
Eu queria pegar Renesmee nos meus braços, esconde-la atrás dos meus
cabelos e braços, faze-la invisível. Mas eu não podia nem olhar pra ela. Eu
não me sentia como pedra mas sim gelo. Pela primeira vez desde que eu virei
vampira, eu senti frio.
Eu nem ouvi a confirmação dos meus medos. Eu não precisava. Eu já sabia.
“Os Volturi,” Alice gemeu.
“Todos eles,” Edward grunhiu no mesmo tempo.
“Por quê?” Alice sussurrou pra si mesma. “Como?”
“Quando?” Edward sussurrou.
“Por quê?” Esme ecoou.
“Quando?”, Jasper repetiu numa voz como gelo.
Os olhos de Alice não piscaram, mas era como se um véu os cobrisse; porque
eles ficaram perfeitamente brancos. Só sua boca ficou aberta por sua
expressão de horror.
“Não muito,” ela e Edward disseram juntos. E então ela falou sozinha. “Há
neve na floresta, neve na cidade. Um pouco mais que um mês.”
“Por quê?” Carlisle foi o que perguntou dessa vez.
Esme respondeu. “Eles precisam ter uma razão. Talvez para ver...”
“Não é sobre Bella.” Alice disse vazia. “Todos eles estão vindo- Aro, Caius,
Marcus, e todos os membros da guarda, até as esposas.”
“As esposas nunca deixam a torre,” Jasper a contradisse com uma voz plana.
“Nunca. Não durante a rebelião do sul. Nem quando os Romanos tentaram os
expor. Nem quando estavam caçando as crianças imortais. Nunca.”
“Elas estão vindo agora,” Edward sussurrou.
“Mas por quê?? Carlisle disse de novo. “Nós não fizemos nada! E se nós
tivéssemos feito, e mesmo que tivéssemos, o que poderia chegar a esse
ponto?”
“Há muitos de nós,” Edward respondeu duramente. “Eles querem ter certeza
de que...” Ele não terminou .
“Isso não responde a pergunta Crucial! Por quê?!”
Eu senti que sabia a resposta pra pergunta de Carlisle, e ao mesmo tempo não
sabia. Renesmee era a razão, eu tinha certeza. De algum jeito eu sempre soube
que eles viriam atrás dela. Meu subconsciente me avisou antes de ela estar
dentro de mim. Eu me senti estranhamente esperando agora. Como se de
algum jeito eu sempre soube que os Volturi viriam e levariam minha
felicidade embora.
Mas ainda assim não respondia a pergunta.
“Volte, Alice,” Jasper implorou. “Procure pelo gatilho. Procure.”
Alice balançou sua cabeça devagar, seus ombros tremendo. “Veio do nada,
Jazz. Eu não estava procurando por eles, ou até por nós. Eu só estava
procurando por Irina. Ela não estava onde eu esperava que ela estaria...”
Alice parou, seus olhos embaçando de novo. Ela encarou o nada por muito
tempo. Então sua cabeça levantou, seus olhos duros. Eu ouvi Edward tomar
respiração.
“Ela decidiu ir a eles,” Alice disse. “Irina decidiu ir até os Volturi. E então
eles vão decidir... É como se eles estivessem esperando por ela. Como se a
decisão deles já estivesse feita, só estão esperando ela...”
Ficou tudo silencioso de novo enquanto nós digeríamos. O que Irina contaria
pros Volturi que teria o resultado da visão de Alice?
“Nós podemos pará-la?” Jasper perguntou.
“Não há jeito. Ela está quase lá.”
“O que ela está fazedo?” Carlisle estava perguntando, mas eu não estava
prestando atenção na discussão agora. Toda a minha atenção estava na figura
que vinha cheia de dor na minha cabeça.
Eu imaginei Irina parada em um penhasco, olhando. O que ela tinha visto?
Um vampiro e um lobisomem que eram melhores-amigos. Eu fiquei
concentrada naquela imagem, uma que iria provavelmente explicar sua reação
mais tarde. Mas não era tudo o que ela tinha visto.
Ela também tinha visto uma criança. Uma linda criança esquisita, sendo
mostrada na neve, claramente mais clara que humano...
Irina... as irmãs órfãs... Carlisle disse que perder a mãe para a justiça dos
Volturi tinha feito Tanya, Kate e Irina pacificadoras quando a questão era lei.
Um minuto atrás, Jasper disse as palavras ele mesmo: Nem quando estavam
caçando as crianças imortais... As crianças imortais- a banição não
mencionada, o tabu...
Com o passado de Irina, como ela podia aplicar qualquer outra leitura ao que
ela viu aquele dia no campo? Ela não esteve perto o suficiente para ouvir o
coração de Renesmee, para sentir o calor radiando de seu corpo. As bochechas
rosadas de Renesmee podiam ter sido um truque da nossa parte por tudo que
ela sabia.
Depois de tudo, os Cullen estavam ligados a lobisomens. Pelo ponto de vista
de Irina, talvez isso significada que nada podia nos deter...
Irina, mexendo suas mãos na loucura da neve - não por Laurent, mas ela sabia
que era seu trabalho fazer os Cullen serem dedurados, sabendo o que
aconteceria com eles se ela fizesse isso. Aparentemente ganhou contra as
centenas de anos de amizade.
E então a resposta dos Volturi à esse tipo de infração era tão automática, já
estava decidido.
Eu me virei e deixei-me cair em cima de Renesmee que estava dormindo, a
cobrindo com meu rosto, enterrando meu rosto em seus cachos.
“Pense no que ela disse hoje à tarde,” eu disse em uma voz baixa,
interrompendo o que fosse que Emmett ia começar a falar. “A alguém que
perdeu uma mãe por causa de uma criança imortal, o que Renesmee
pareceria?”
Tudo estava em silêncio de novo enquanto os outros chegavam à onde eu já
estava.
“Uma criança imortal,” Carlisle sussurrou.
Eu senti Edward agachar ao meu lado, abraçando nós dois ao mesmo tempo.
“Mas ela está errada,” eu continuei. “Renesmee não é como aquelas crianças.
Elas estavam congeladas, mas ela cresce tanto a cada dia. Eles estavam fora de
controle, mas ela nunca machuca Charlie ou Sue e nem mostra coisas que iria
chatear eles. Ela pode se controlar. Ela já é mais inteligente do que muitos
adultos. Não haveria razão...”
Eu balbuciei, esperando para alguém exalar com alívio, esperando que a
tensão gelada no cômodo ia relaxar enquanto eles percebessem que eu estava
certa. O cômodo parecia só ficar mais gelado. Eventualmente, minha voz não
quebrou o silêncio.
Ninguém falou por algum tempo.
E então Edward sussurrou no meu cabelo. “Não é o tipo de crime que eles dão
uma segunda chance, amor,” ele disse silenciosamente. “Aro viu a prova nos
pensamentos de Irina. Eles vêm para destruir, e não para serem convencidos.”
“Mas eles estão errados,” eu disse teimosamente.
“Eles não vão esperar para nós mostrarmos isso pra eles.”
Sua voz estava baixa, gentil, como veludo...e mesmo assim a dor e a desolação
no som eram inevitáveis. Sua voz estava como os olhos de Alice antes- como
se o interior fosse uma tumba.
“O que nós podemos fazer?” eu exigi.
Renesmee estava tão quente e perfeita nos meus braços, sonhando
pacificamente. Eu me preocupei tanto que Renesmee estava crescendo rápidopreocupada
que ela teria só um pouco mais de uma década de vida... Aquele
terror parecia irônico agora.
Pequena por um mês...
Esse era o limite, então? Eu tinha muito mais felicidade do que muitas pessoas
nunca nem imaginaram ter. Havia alguma lei de igualdade que nós teríamos
que dividir nossa felicidade e miséria pelo mundo? A minha felicidade estava
balançando o equilibro? Quatro meses era tudo o que eu podia ter?
Foi Emmett quem respondeu minha pergunta retórica.
“Nós vamos lutar...” ele disse calmamente.
“Nós não podemos ganhar,” Jasper grunhiu. Eu podia imaginar como seu
rosto ia parecer, como seu corpo ia se curvar protegendo Alice.
“Bem, nós não podemos correr. Não com Demetri por perto.” Emmett fez um
barulho de nojo, e então eu sabia instintivamente que ele não estava chateado
com o rastreador dos Volturi, mas sim com a idéia de ter que fugir. “E eu não
sei se nós não podemos vencer.” Ele disse. “Há algumas opções que podemos
considerar. Nós não temos que lutar sozinhos.”
Minha cabeça se levantou na hora. “Nós não precisamos sentenciar a morte
dos Quileutes também, Emmett!”
“Calma, Bella.” Sua expressão não era diferente de quando ele estava
contemplando a lutar com anacondas. Nem a ameaça de aniquilação podia
mudar a idéia de Emmett, sua ânsia por um desafio. “Eu não quis dizer o
bando, Bella. Seja realista- você acha que Jacob ou Sam irá ignorar uma
invasão? Mesmo se não fosse sobre Nessie? Sem mencionar que, graças à
Irina, Aro sabe sobre a nossa aliança com o bando, também. Mas eu estava
pensando em outros amigos.”
Carlisle ecoou em um sussurro. “Outros amigos que nós não temos que
sentenciar à morte.”
“Hey, nós deixaremos eles decidirem,” Emmett disse em um tom de placar.
“Eu não estou dizendo que eles têm que lugar com a gente.” Eu pude ver o
plano se fazendo em sua mente enquanto ele falava. “Se eles só ficarem ao
nosso lado, só por tempo suficiente para fazer os Volturi hesitarem. Bella está
certa, ainda. Se nós pudéssemos faze-los parar e escutar. Talvez isso mande
embora qualquer razão para luta...”
Havia uma pista de sorriso no rosto de Emmett agora. Eu estava surpresa que
ninguém tinha batido nele ainda. Eu queria.
“Sim,” Esme disse. “Isso faz sentido, Emmett. Tudo o que precisamos é que
os Volturi parem por um momento. O suficiente para ouvir.
“Nós precisamos de algumas testemunhas,” Rosalie disse duramente, sua voz
limpa como vidro.
Esme concordou, como se ela tivesse ouvido o sarcasmo na voz de Rosalie.
“Nós podemos pedir isso para os nossos amigos. Só para testemunhar.”
“Nós faríamos isso por eles,” Emmett disse.
“Nós vamos ter que perguntar a eles,” Alice murmurou. Eu olhei pra ver que
seus olhos estavam escuros de novo. “Eles vão ter que se mostrar muito
cuidadosos.”
“Mostrar?” Jasper disse.
Alice e Edward olharam pra Renesmee. E então Alice olhou pra cima.
“A família de Tanya,” ela disse. “O clã de Siobhan. Amun. Alguns dos
nômades- Garrett e Mary, claro. Talvez Alistair.”
“E Peter e Charlotte?” Jasper perguntou, como se ele soubesse que a resposta
era não, mas seu velho irmão podia aparecer.
“Talvez.”
“Os amazônicos?” Carlisle perguntou. “Kachiri, Zafrina e Senna?”
Alice parecia estar profundamente em sua visão para responder,
primeiramente, e então ela chacoalhou, seus olhos voltaram para o presente.
Ela encontrou o olhar de Carlisle pela menor parte de um segundo, e então
olhou para baixo.
“Eu não posso ver.”
“O que foi isso?” Edward perguntou, seus sussurro exigente. “Aquela parte na
selva. Nós vamos procurar por eles?”
“Eu não posso ver.” Alice repetiu, não encontrando seu olhar. Um flash de
confusão passou pelo rosto de Edward. “Nós vamos ter que nos dividir e nos
apressar- antes que a neve grude no chão. Nós vamos ter que procurar todo
mundo que pudermos para eles estarem aqui para mostrar a eles.” Ela disse de
novo. “Pergunte a Eleazar. Há muito mais do que só uma criança imortal
nisso.”
O silêncio prevaleceu por um longo minuto e então Alice estava em transe.
Ela piscou devagar quando estava acabado, seus olhos peculiarmente opacos
tirando o fato que ela estava claramente no presente.
“Há muita coisa. Nós precisamos nos apressar.” Ela sussurrou.
“Alice?” Edward perguntou. “Isso foi muito rápido- eu não entendi. O que foi-
?”
“Eu não posso ver!” ela explodiu com ele. “Jacob está quase aqui!”
Rosalie deu um passo em direção à porta. “Eu dou um jeito com-”
“Não, deixe ele vir,” Alice disse rapidamente, sua voz aumentando em cada
palavra. Ela pegou a mão de Jasper e começou a puxá-lo para a porta de trás.
“Eu verei melhor longe de Nessie, também. Eu preciso ir. Eu preciso me
concentrar. Eu preciso ver tudo que puder. Eu tenho que ir. Vamos, Jasper,
não há tempo para desperdiçar!”
Nós todos podíamos ouvir Jacob nas escadas. Alice puxou impacientemente a
mão de Jasper. Ele a seguiu rapidamente, confusão em seus olhos como nos de
Edward. Eles saíram pela porta na noite prateada.
“Rápido!” ela disse para nós. “Vocês tem que achar eles todos!”
“Achar o que?” Jacob perguntou, fechando a porta da frente atrás dele mesmo.
“Onde Alice foi?”
Ninguém respondeu, nós todos olhamos. Jacob balançou a água em seu cabelo
e arregaçou as mangas de sua blusa, seus olhos em Renesmee.
“Hey, Bells! Eu pensei que vocês deveriam ter ido para casa por agora...”
Ele olhou para mim finalmente, piscou e depois encarou. Eu olhei sua
expressão enquanto a atmosfera do cômodo finalmente o tocou. Ele olhou para
baixo, os olhos abertos, para o ponto molhado no chão, as rosas e os cristais
quebrados. Seus dedos se mexeram.
“O que?” ele perguntou. “O que aconteceu?”
Eu não conseguia pensar por onde começar. Ninguém mais encontrava
palavras também. Jacob cruzou o cômodo em três passos e então soltou os
joelhos do lado de Renesmee e eu. Eu podia sentir o calor balançando para
fora de seu corpo quando os tremores caíam em seus braços até suas mãos.
“Ela está bem?” Ele exigiu, tocando sua testa, balançando sua cabeça
enquanto ouvia seu coração. “Não brinque comigo, Bella, por favor!”
“Nada está errado com Renesmee,” eu engasguei, as palavras quebrando em
lugares estranhos.
“Então quem?”
“Todos nós, Jacob,” eu sussurrei. E também estava na minha voz- o som de
dentro da cova. “Está acabado. Nós todos fomos sentenciados a morrer.”

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